Novas vidas descobertas nos recifes australianos

26 10 2008
Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

 

Pesquisadores descobriram centenas de novas espécies de animais marítimos inclusive mais de cem tipos de coral investigando as águas próximas a duas ilhas nos Recifes  Great Barrier e no Recifes ao noroeste da Austrália.  Este resultado é fruto de quatro anos de pesquisa sistemática investigando as águas que rodeiam estas duas ilhas. 

 

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

 

O Recife chamado Great Barrier  [Grande Barreira] – é o maior recife do planeta.  E já é conhecido como um local com uma enorme variedade de recifes de coral.   Em estudos anteriores, pesquisadores já haviam classificado próximo de 400 espécies de coral,  1.500 tipos de peixe e mais de 4.000 tipos de moluscos, neste recife. Mas como é extraordinariamente longo, tem 2.000 km de comprimento estudos continuam sendo feitos e novas descobertas certamente estarão a caminho.  Este recife também é a maior barreira terrestre formada por seres vivos.  É maior que a Grande Muralha da China e a única forma orgânica que pode ser vista da Lua.

 

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

 

A pesquisa continuará sendo feita e para isso os cientistas deixaram diversas estruturas, semelhantes a casas de bonecas, submersas.  A intenção dos pesquisadores é deixar que alguma vida marítima venha “colonizar” estas estruturas.  Nos próximos três anos estas “casas” serão retiradas trazendo junto com elas os animais que as habitaram.

 

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

 

Por três semanas 25 pesquisadores examinaram o solo oceânico próximo a Ilha Heron.  Fizeram muitas novas descobertas inclusive a estrela do mar  Nardoa rósea que é mostrada  na foto  acima vista pelo seu lado posterior.  Além de estudarem os corais novos, descobertos na área, a pesquisa incluiu também o estudo de algas, corais renda e ouriços do mar.   Estas foram as primeiras expedições feitas na área e em volta dos eco sistemas de coral.

 

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

 

A Ilha Heron nos Recifes Great Barrier está próxima do Trópico de Capricórnio e a 72 km da costa australiana.  Tem aproximadamente 800 metros de comprimento por 300 metros de largura. É nesta ilha que a Universidade de Queensland mantém um Centro de Pesquisa desde 1950.  

Fotos das descobertas oceânicas cortesia:  Census of Marine Life/Gary Cranitch/Queensland Museum

 

Para ver mais fotos, clique   AQUI.

 

 

 





Boas idéias, boas soluções — feiras de livros

26 10 2008
Liquidação de Livros, L C Neil, (Mooresville, North Carolina, EUA)

Liquidação de Livros, L C Neill, (Mooresville, North Carolina, EUA)

 

Desde o século XVI que feiras de livros são uma das melhores maneiras que editoras encontraram para promover e vender os textos que imprimiram.  Recentemente, lendo o livro: O  Mendigo e o Professor: a saga da família Platter no século XVI, volume I,  pelo historiador francês Emmanuel Le Roy Ladurie, (Rocco: 1999) encontrei a seguinte passagem baseada no diários de  Thomas Platter, referente aos anos de 1536-1539:

 

Uma inteira vocação de impressor, e de editor, nascerá em meio a suor e preocupação; afinal estamos na Basiléia, cidade angular da tipografia sul-alemã, papel que na França cabe a Lyon, considerável cidade centro-meridional, sede da tipografia do grande reino no século XVI.  Rapidamente Platter substitui o patrão Herwagen, quando este viaja para Frankfurt.  Quando o mestre se ausenta para freqüentar a feira do livro dessa cidade, encarrega Thomas de supervisionar os trabalhos.  (página 79)

 

 

Foi só aí que voltei a me lembrar que realmente as feiras de livros têm uma longa tradição na cultura ocidental praticamente tão antiga quanto a própria história da imprensa.  A feira do livro de Frankfurt na Alemanha tem uma tradição de mais de 500 anos.  Logo após Johannes Gutenberg inventar a imprensa com letras móveis, a cidade de Frankfurt, na região de Mainz, organizou a primeira feira do livro de que se tem notícia.    Às vezes perdemos a noção de quão antigos certos hábitos são.  Isto me levou a pensar nas feiras de livros brasileiras e numa notícia recente que li sobre uma solução maravilhosa para feira de livros menores.

 

Ao que tudo indica, as feiras de livros de Ouro Preto (MG), de Porto das Galinhas (PE) e de Porto Alegre (RS), conseguiram se unir este ano e planejar seus respectivos calendários de tal maneira que juntando forças serão capazes de trazer escritores de fama internacional para eventos que sozinhas teriam tido problemas de preencher.  Assim a feira de Ouro Preto que acontece entre 5 a 9 de novembro; a de Porto das Galinhas – de 6 a 9 de novembro e a Porto Alegre – de 31 de outubro a 16 de novembro, puderam trazer alguns nomes internacionais de maior porte, que farão a peregrinação entre as três feiras do livro.   Ente eles estão:

 

William Gordon (EUA)e Peter Robinson (RU) – representantes da literatura policial estarão presentes nas feiras de Ouro Preto e Porto Alegre.

 

Roger Chartier (França)  também estará em Ouro Preto e Porto Alegre.

 

Pepetela (Angola) estará em Porto Alegre e em Porto das Galinhas.

 

A idéia pela qual parabenizamos os organizadores é a otimização das visitas deste estrangeiros, que podem num pequeno número de dias, cobrir três importantes centros de cultura no Brasil.  Quem sabe se esta solução não permitirá que no futuro escritores ainda mais conhecidos venham a desfrutar da hospitalidade brasileira de diversas regiões distintas?  Parabéns aos organizadores.  Boas idéias também são para serem reconhecidas.  Boa sorte!

 

Fórum de Letras de Ouro Preto – 5-9 de novembro   FLOP

Festa Literária Internacional de Porto das Galinhas – 6 a 9 de novembro  FLIPORTO

 

Feira do Livro de Porto Alegre – 31 de outubro a 16 de novembro —   FLIPOA

Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Mauricio de Sousa





Imagem de leitura … Friedrich Heinrich Füger

26 10 2008

Maria Madalena, s/d

Friedrich Heinrich Füger

(Alemanha 1751- 1818)

Óleo sobre tela.

Friedrich Heinrich Füger (Heilbronn, 8 de dezembro de 1751 — Viena, 5 de novembro de 1818) foi um dos mais conhecidos e influentes pintores do classicismo alemão.

 

Foi aluno de Nicolas Guibal na Academia de Artes de Ludwigsburg e de Adam Friedrich Oeser, professor de desenho de Wolfgang von Goethe, em Leipzig. Passou algum tempo em Roma e em Nápoles onde pintou afrescos no palácio de Caserta.

 

 

 

 





Lista dos presos em 1932 — Revolução Constitucionalista

26 10 2008

 

Estou repetindo aqui a entrada fotográfica da lista de presos que publiquei na postagem do dia 23 de agosto de 2008, com a listagem em separado, para que seja mais fácil a leitura do nome dos presos. 

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Leitura da lista dos presos de 1932

 

 

Grupo de presos políticos da Revolução Paulista de 1932, na Casa de Correção do Rio de Janeiro, em Outubro de 1932

 

 

1 –       Austregésilo de Athayde                   jornalista dos Diários Associados

2 –       Capitão Martin Cavalcanti                da Polícia Militar 

3 –       Oswaldo Chateaubriand                   jornalista dos Diários Associados

4 –       Eurico Martins                                  jornalista A Gazeta

5 –       Luiz Américo de Freitas.                   Presidente do Instituto do Café

6 –       Guilherme de Almeida                       Poeta

7 –       Ataliba Leonel                                  PRP

8 –       Thyrso Martins                                 ex-chefe de polícia

9 –       Sylvio de Campos                            PRP

10 –      Francisco Cunha Junqueira               ex-secretario da Agricultura

11 –      Casper Líbero                                  jornalista A Gazeta

12 –      Haroldo Pacheco e Silva                  Legião Paulista

13-       Oscar Machado                               MMDC

14-       Levos Vampré                                 MMDC

15-       Luiz Piza Sobrinho                           MMDC

16-       Joaquim Sampaio Vidal                   ex-diretor Dep. Municipal

17-       Pádua Salles                                    PRP

18-       Aureliano Leite                                PD

19-       J. Castro Carvalho                          PRP

20-       Júlio Mesquita Filho                        jornalista O Estado de São Paulo

21-       Ibrahim Nobre                                promotor público

22-       Lauro Parente                                 engenheiro

23        Aviador Tito Delon(?)

24-       ?                                                     PD

25-       Luiz Dutra                                       advogado no Rio

26-       Mylario Freire                                 PRP

27-       Paulo Salles                                     Minas

28-       Prudente de Moraes Netto               MMDC

29-       J. Cardoso de Almeida Sobrinho      engenheiro,Rio

30-       A. C. Pacheco e Silva                      F. P. Paulista

31-       Antonio Silva Bernardes                   Minas

32-       Cel Azariss Silva                              PP Paulista

33-       Carlos de Souza Nazareth                Pres. Assoc. Com.  MMDC

 

 

 

#1        Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde (Caruaru, 25 de setembro de 1898 — Rio de Janeiro, 13 de setembro de 1993) foi um jornalista e professor, cronista, ensaísta e orador brasileiro. Formou-se em direito, trabalhou como escritor e jornalista, chegando a dirigente dos Diários Associados, a convite de Assis Chateaubriand.  Sua declarada oposição à revolução de 1930 e o apoio ao movimento constitucionalista de São Paulo (1932) levou-o a prisão e exílio na Europa e depois na Argentina.  Permaneceu muitos meses em Portugal, Espanha, França e Inglaterra e de lá se dirigiu a Buenos Aires, onde residiu por dois anos (1933-1934).

 

#2       

 

 

#3        Oswaldo Chateaubriand é irmão do Sr. Assis Chateaubriand (proprietário dos Diários Associados) e diretor do “Diário de São Paulo”.

 

# 7       Ataliba Leonel (Itapetininga, 15 de maio de 1875 — Piraju, 29 de outubro de 1934) foi um militar e político brasileiro.  Formado na Faculdade de Direito de São Paulo, foi um dos preparadores do movimento de 23 de maio, quando, na capital do Estado, tombaram as quatro figuras históricas cujos nomes passaram a constituir o símbolo M.M.D.C.. Iniciada a revolução em 9 de julho, organizou a Brigada do Sul, da qual foi comandante-geral. Com a vitória da ditadura, foi preso e exilado em Portugal, residindo em São João do Estoril, com outros brasileiros ex-combatentes da mesma causa. Membro da C.D. do Partido Republicano, representou São Paulo na Câmara Federal, onde relatou a Receita da União na Comissão de Finanças, produzindo trabalhos notáveis, que honra a cultura paulista.

 

O Exílio

 

 

Assim que detidos, foram aprisionados no navio-presídio “Pedro 1º” e transferidos, em seguida, para o navio “Siqueira Campos” que, em 18 de novembro de 1932, chegava a Portugal, desembarcando, entre outros, os generais Bertoldo Klinger, Isidoro Dias Lopes (nos seus quase setenta anos), coronel Euclides Figueiredo, major Mena Barreto, o tenente Agildo Barata Ribeiro; os civis Álvaro de Carvalho, Altino Arantes, Austragésilo de Ataíde, Carlos de Souza Nazaré, Francisco de Mesquita, Guilherme de Almeida, Ibrahim Nobre, Júlio de Mesquita Filho, Luís de Toledo Pisa Sobrinho, Oswaldo Chateaubriand, Prudente de Morais Neto e Paulo Duarte, entre dezenas de outros mais. Eram ao todo 73 brasileiros banidos de sua pátria, que iam se juntar aos exilados de 1930.





Nova vida para a ficção científica de Monteiro Lobato

26 10 2008

 

Para uma grande parte dos brasileiros Monteiro Lobato (1882-1948), o escritor paulista da primeira metade do século XX,  existe no nosso imaginário só pelas criações das histórias infantis que se desenvolvem à volta do Sítio do Picapau Amarelo.  Mas a obra de Lobato é muito maior do que este grupo de livros.  Entre os muitos outros títulos do autor está O presidente negro, lançado em 1926. 

Agora, graças às eleições americanas deste ano, esta obra não muito conhecida nem do público brasileiro volta a ser editada, aqui no Brasil pela Editora Globo.  No entanto, ganha também um edição na Itália: Il presidente nero.  E negociações estão sendo feitas para seu lançamento nos Estados Unidos, desta maneira preenchendo uma grande aspiração, um sonho pessoal do autor.  A obra considerada no campo da ficção científica, se passa no ano de 2228, ou seja, 220 anos no nosso futuro, quando os Estados Unidos elegem um presidente negro para a Casa Branca.   A história contada nesta obra de ficção científica, é a de Ayrton, um homem comum que tem a felicidade de cruzar o caminho do professor Benson e sua filha Jane. Os dois passaram anos reclusos, desenvolvendo uma máquina capaz de observar o futuro – o porviroscópio.  A partir dessas visões do que está por vir, Jane relata a Ayrton o episódio das eleições de 2228 – uma história cheia de reviravoltas e tensão. E vale a pena ler. 

 

Capa da edição italiana





Ora (direis) ouvir estrêlas? — Astrônomos gravam sons das estrelas

26 10 2008
Lua Cheia, Arte digital de TENINI

Lua Cheia, Ilustração, arte digital de TENINI

 

Cientistas gravaram o som de três estrelas semelhantes ao Sol usando o telescópio francês Corot.  Segundo os pesquisadores, a gravação dos sons permitiu que se conseguisse captar pela primeira vez informações sobre processos que acontecem dentro das estrelas.

 

A missão do telescópio francês Corot começada em dezembro do ano passado tem como centro o primeiro telescópio capaz de encontrar planetas de pedras pequenos — só umas poucas vezes menores que a Terra — e que tenham órbita em torno de um sol semelhante ao nosso sol.  Este telescópio, que não mede mais do que 35cm, consegue registrar uma pequena diminuição de luz toda vez que uma estrela gira em volta de seu sol.

 

Os sons captados pelos cientistas através do Corot revelam que as estrelas têm uma “pulsação” regular. Também é possível perceber que o som de cada uma das estrelas é levemente diferente das demais. Isso acontece porque o som das estrelas depende da idade, tamanho e composição química de cada um dos astros. A técnica de sismologia estelar, usada pelos cientistas nesta pesquisa, está tornando-se mais comum entre astrônomos, porque o som permite que se tenha uma idéia das atividades dentro das estrelas.

 

De acordo com o professor Eric Michel, do Observatório de Paris, a técnica já permitiu que pesquisadores tenham mais conhecimento sobre as estrelas.  Os sons mais interessantes vieram das estrelas – HD 49933, HD 181420 e um grupo conhecido com Grupo Globular  que são aproximadamente 1, 2  a 1, 4 vezes  maiores que o nosso sol e estão de 100 a 200 anos luz da Terra.

 

“Esta é uma forma completamente nova de se olhar para as estrelas, quando comparamos com o que estava disponível nos últimos 50 anos.  É muito animador”, diz Michel.  O professor descobriu que a pulsação das estrelas é muito parecida com o que os cientistas imaginavam, mas há uma pequena variação. Essa variação pode indicar que os astrônomos ainda precisam refinar suas teorias sobre evolução estelar.

 

Agora o estudo dos cientistas se voltará para as gravações já feitas.  A intenção é verem se conseguem entender o que acontece dentro destas estrelas.  Este estudo faz parte de um campo de estudos chamado Sismologia Estelar.    As oscilações entre estrelas, que são causadas pela fusão nuclear de seus interiores, dão pistas sobre o processo de radiação solar. 

 

A radiação solar é um dos fatores que contribui para a mudanças de temperatura da Terra.  Os cientistas estão com a esperança de que, ao compararem estes sons registrados pelo Corot,  poderão descobrir mais sobre a mudanças naturais do clima na Terra.

 

Os pesquisadores publicaram os resultados da pesquisa na revista científica Science.

 

Para mais informações, clique nos portais abaixo:

TERRA  

BBC     — aqui você consegue ouvir duas estrelas separadamente, um grupo e o sol.

THE TELEGRAPH

 

Poema de Olavo Bilac:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

 

E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

 





Imagem de Leitura — Mary Curtis

25 10 2008

Menina com laço de fita s/d

Mary Curtis (EUA) 1848-1931)

 

Mary Curtis Richardson — nasceu em Nova York em 1848, e foi para a Caifórnia em  1850, para onde seu pai tinha ido a procura de ouro.  Seu pai era um gravador e ensinou sua arte à filha.  Em 1874 ele abre uma Escola de Design em São Francisco, onde sua filha é uma das primeiras alunas.  Mary Curtis é também conhecida como a Mary Cassat da costa oeste, lembrada principalmente por seus trabalhos figurativos de um grande número de crianças e mães com bebes.  Morreu na Califórnia em 1931.

 





Os 5 compositores clássicos de maior visão, BBC

25 10 2008
Os músicos de Bremen

Ilustração: Os músicos de Bremen

 

Uma das características mais interessantes dos ingleses é que eles mais do que qualquer outra cultura que eu conheça, adoram fazer listas.  Listas dos dez melhores livros policiais, dos 100 mais importantes pensadores do mundo e assim por diante.

 

É claro que estas listas refletem não só o viés cultural da Inglaterra, mas também o espírito de sua época.  Minha satisfação com estas listas é que elas me obrigam, e acredito que obriguem a outros que participam do processo, por mais que ele seja primário e elementar, a pensar no assunto, a decidir como comparar abóboras com bananas; ameixas com uvas.  E é justamente  durante a defesa das opiniões nestas comparações  que chegamos a uma conclusão mesmo que esta possa ser temporária.  Descobrimos  não só os porquês de uma preferência pessoal, mas devagar chegamos a um melhor conhecimento de  nós mesmos e da cultura ocidental, de qual fazemos parte.

 

Terminou hoje, na BBC internacional em associação com o banco Credit Suisse  – televisão a cabo – uma série de sete programas fascinantes sobre Músicos Visionários, comparando alguns dos compositores de maior talento que enriqueceram a musica clássica.   Esta série que começou no dia 30 de agosto de 2008 foi apresentada por Francine Stock.  Cada compositor representado tem seu advogado, em geral uma pessoa bem conhecida do mundo da música clássica e do público inglês.

 

Mas quem decide é o público, que vota através do portal na internet:

 

http://www.visionariesdebate.com

 

A votação, no entanto, já está concluída.

 

No programa final, que foi ao ar esta tarde no Brasil,  tivemos a resolução das seguintes competições e a lista final não só dos cinco compositores de maior visão assim como o vencedor deste cinco como o compositor de maior influencia até os dias de hoje.  

 

Primeiro resolvemos a competição entre:

 

1  —  JS Bach X GF Handel —  Juntos Handel e Bach formam dois lados das maiores preocupações humanas: enquanto Handel compôs para o povo, Bach compôs para Deus.

 

O vencedor desta pequena competição foi JS Bach.

 

2  —  Mozart X Beethoven – Para quem você daria o seu voto ?  

 

O vencedor desta competição foi Beethoven

 

3  —   Verdi X Chopin – entre estes dois compositores românticos você votaria para Chopin?  Parabéns!

 

O vencedor desta competição foi Chopin

 

4 —   Entre os compositores modernos, você acredita que o mais visionário seja Shostakovitch  ou Tekemitsu?

 

O vencedor desta competição foi Shostakovitch

 

5  — E entre os compositores contemporâneos?   Você votaria em:  Glass ou Boulez?

 

O vencedor desta competição foi Glass.  

 

 

Assim temos os cinco mais importantes, visionários compositores de todos os tempos:  Bach, Beethoven, Chopin, Shostakovitch e Glass.

 

Quem seria na sua opinião o compositor de maior visão de todos os tempos?

 

J S Bach

 

Você acertou? 

 

 

Johann Sebastian Bach, 1748

Elias Gottlob Haussmann

(Alemanha 1695-1774)

Óleo sobre canvas

William H. Scheide, Princeton, New Jersey

 

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de Março de 1685 — Leipzig, 28 de Julho de 1750), organista e notável compositor alemão do período barroco. Descendente de uma família de músicos – havia pelo menos meia dúzia de Bachs cujas atividades eram ligadas à música – ao mesmo tempo que desenvolvia estudos elementares, Johann principiou seus estudos musicais com seu pai, Ambrosius. Mestre na arte da fuga, do contraponto e da coral, ele é um dos mais prolíficos compositores da história da música ocidental.
 
 

 

Outras ilustrações dos músicos de Bremen neste blog:

 

Christina Rossetti

 

 

 





Poema — Fernando Pessoa — para crianças

24 10 2008

 

Parati: lembrança do passado, 1958

Armando Viana (RJ 1897- RJ 1992)

óleo sobre tela, Coleção Particular

 

POEMA

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que tanjas perto,

Quando passo sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto saudade de perto.

 

 

Fernando Pessoa

 

Vocabulário: 

 

dolente – triste

me tanjas – me toques

errante – sem destino

 

 

Em:

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Edições de Ouro:s/d, Rio de Janeiro

 

 

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.





José Mindlin em entrevista fala sobre livros no Brasil

24 10 2008

 

 

No Jornal do Comércio de hoje (24/10/2008) José Mindlin o bibliófilo brasileiro, que decidiu doar sua vasta biblioteca de 45.000 volumes, para a Universidade de São Paulo, fala um pouco mais de sua paixão pela democratização do acesso ao livro no Brasil.  Entrevistado por Marcone Formiga para a Revista Brasília em Dia, o imortal brasileiro defende primeiro que tudo a abertura de mais bibliotecas públicas no país inteiro e lembra que elas deveriam funcionar à noite e em fins de semana.  Aqui está uma fração da entrevista:

 

MF: O senhor contou, no início da entrevista, que desde cedo devorava livros.  Hoje, com a internet, existe a possibilidade de a literatura perder a importância?

 

JM: Eu tenho através de netos e alguns bisnetos, contato com a infância e a mocidade, constatando muito interesse por leitura, também.  Não só pelo desenvolvimento tecnológico.  Agora, tem que existir um exemplo em casa de leitura, para estimular as crianças.  Não há regras para isso.

 

MF: Muita gente alega que não tem tempo para a literatura…

 

JM: Quem afirma não ter tempo, na realidade não procurou ler.  É muito mais fácil não ler e afirmar que não teve tempo.  Mas essas pessoas não sabem o que estão perdendo, porque a leitura é uma fonte de prazer permanente.

 

MF: O livro no Brasil é muito caro.  Isso é um fator desestimulante?

 

JM: Ele é caro, custa muito dinheiro para uma grande maioria da população.  É caro para produzir e para distribuir.  Não existe exploração de um  modo geral na questão da venda de livros.  Agora, a solução seria abrir mais bibliotecas públicas, porque ler não devia depender de possuir um livro.  Nos Estados Unidos, um país altamente desenvolvido, as bibliotecas são em grande quantidade e uma biblioteca particular não é regra.  Uma boa biblioteca particular é exceção, em qualquer cidadezinha há uma boa biblioteca pública.  Nós estamos longe disso, mas eu acho que é esse o objetivo, que tem que ser procurado alcançar.  

 

MF: O governo poderia ter a iniciativa de incentivar a leitura, reduzindo impostos das editoras, das gráficas?

 

JM: A impressão dos livros tem uma série de sanções.  Eu não conheço isso em detalhes, mas acho que há um incentivo.  Agora o grande incentivo é a formação de bibliotecas com bons bibliotecários que orientem os leitores, que mostrem o que há de interessante nos livros.  Tudo é uma questão de formação de um hábito que preencha a biblioteca que, aliás, deveria existir também de modo generalizado nas escolas.  

 

 

[Este é um trecho da entrevista publicada hoje no Jornal do Comércio, versão impressa.]