Trova do sino

31 03 2026

 

 

Quando o badalo acarinha

um sino de muita idade,

o som que o bronze apadrinha

tem outro nome: saudade.

 

(Maria Helena Oliveira Costa)

 

 





Trova da lua no céu

13 03 2026
“Dois corações batendo como um”, ilustração de Charles Mark Relyea (1863 – 1932).

 

 

Vai a lua em serenata

pela noite andando ao léu,

triste boêmia, de prata,

pelas esquinas do céu.

 

(Durval Mendonça)





Morangos, poema de Rui Pires Cabral

12 03 2026

Natureza morta com morangos

Pedro Alexandrino (Brasil, 1856 – 1942)

óleo sobre tela, 38 x 47 cm

MASP, São Paulo

 

 

Morangos

 

Rui Pires Cabral

 

No começo do amor, quando as cidades

nos eram desconhecidas, de que nos serviria

a certeza da morte se podíamos correr

de ponta a ponta a veia elétrica da noite

e acabar na praia a comer morangos

ao amanhecer? Diziam-nos que tínhamos

a vida inteira pela frente. Mas, amigos,

como pudemos pensar que seria assim

para sempre? Ou que a música e o desejo

nos conduziriam de estação em estação

até ao pleno futuro que julgávamos

merecer? Afinal, o futuro era isto.

Não estamos mais sábios, não temos

melhores razões. Na viagem necessária

para o escuro, o amor é um passageiro

ocasional e difícil. E a partir de certa altura

todas as cidades se parecem.

 

Rui Pires Cabral,  ‘Longe da Aldeia’

 





Cavalgada, poema de Armindo Rodrigues

2 03 2026

Cavalos, 1980

Ganem [Luiz Nelson Ganem] (Brasil, 1923)

técnica mista sobre cartão, 60 x 88 cm

 

 

 

Cavalgada

 

Armindo Rodrigues

 

Já rebentei de correr

Sete cavalos a fio.

O primeiro era cinzento

Com sonhos de água sem fundo

E cor do norte o segundo

Com ferraduras de prata.

O terceiro era um mistério

E o quarto cor de agonia.

O quinto, de olhos em brasa,

Era só prata e espanto.

O sexto não se sabia

Se era cavalo, se vento.

Corria o sétimo tanto

Que nem a cor se lhe via.

Quanto mais ando mais meço

As distâncias que há em mim

Cada desejo é um fim

E cada fim um começo.

 

 

Em: Antologia de poemas portugueses para a juventude, diversos autores, seleção de Henriqueta Lisboa, prefácio de Bartolomeu Campos de Queirós, Editora Peirópolis, 2011





Trova da roubalheira

24 02 2026
Jornal até bandido lê! Ilustração de Walt Disney, Irmãos Metralha.

 

 

 

“Se um louco inventasse, um dia,
 
vacina “anticorrupção”,

alguém o condenaria:
 
crime de “contrainvenção”!”
 
 
(José Ouverney)




Trova de Carnaval

17 02 2026

 

 

O sonho que eu tive um dia

e que a minha alma alegrou,

hoje é só a fantasia

de um carnaval que passou…

 

(Luiz Rabelo)

 

 

LUIZ RABELO





Trova de Carnaval

16 02 2026

 

 

Nos teus sambas e folias,

meu carnaval feiticeiro,

a gente esquece em três dias

as mágoas de um ano inteiro!

 

(José Maria Machado de Araújo)

 





Trova do Carnaval

15 02 2026
Ilustração de Margret Boriss

 

 

Meu carnaval se repete

com a mesma Colombina:

faço dos versos confete

e da trova – serpentina.

 

(José Valeriano Rodrigues)

 





Trova da amizade

12 02 2026
No clube, ilustração de Laurence Fellows

 

 

Quando a vida se complica

nas horas de solidão,

amigo é aquele que fica

depois que os outros se vão.


(Aloísio Alves da Costa)





Trova do vento

9 02 2026
Ilustração de Rie Cramer. 

 

 

Rege o vento na floresta

fagotes, trompas, clarins,

enquanto a brisa, modesta,

toca flauta nos jardins…

 

 

(Orlando Brito)