Quando o badalo acarinha
um sino de muita idade,
o som que o bronze apadrinha
tem outro nome: saudade.
(Maria Helena Oliveira Costa)
Quando o badalo acarinha
um sino de muita idade,
o som que o bronze apadrinha
tem outro nome: saudade.
(Maria Helena Oliveira Costa)
Vai a lua em serenata
pela noite andando ao léu,
triste boêmia, de prata,
pelas esquinas do céu.
(Durval Mendonça)
Natureza morta com morangos
Pedro Alexandrino (Brasil, 1856 – 1942)
óleo sobre tela, 38 x 47 cm
MASP, São Paulo
Rui Pires Cabral
No começo do amor, quando as cidades
nos eram desconhecidas, de que nos serviria
a certeza da morte se podíamos correr
de ponta a ponta a veia elétrica da noite
e acabar na praia a comer morangos
ao amanhecer? Diziam-nos que tínhamos
a vida inteira pela frente. Mas, amigos,
como pudemos pensar que seria assim
para sempre? Ou que a música e o desejo
nos conduziriam de estação em estação
até ao pleno futuro que julgávamos
merecer? Afinal, o futuro era isto.
Não estamos mais sábios, não temos
melhores razões. Na viagem necessária
para o escuro, o amor é um passageiro
ocasional e difícil. E a partir de certa altura
todas as cidades se parecem.
Rui Pires Cabral, ‘Longe da Aldeia’
Cavalos, 1980
Ganem [Luiz Nelson Ganem] (Brasil, 1923)
técnica mista sobre cartão, 60 x 88 cm
Armindo Rodrigues
Já rebentei de correr
Sete cavalos a fio.
O primeiro era cinzento
Com sonhos de água sem fundo
E cor do norte o segundo
Com ferraduras de prata.
O terceiro era um mistério
E o quarto cor de agonia.
O quinto, de olhos em brasa,
Era só prata e espanto.
O sexto não se sabia
Se era cavalo, se vento.
Corria o sétimo tanto
Que nem a cor se lhe via.
Quanto mais ando mais meço
As distâncias que há em mim
Cada desejo é um fim
E cada fim um começo.
Em: Antologia de poemas portugueses para a juventude, diversos autores, seleção de Henriqueta Lisboa, prefácio de Bartolomeu Campos de Queirós, Editora Peirópolis, 2011
O sonho que eu tive um dia
e que a minha alma alegrou,
hoje é só a fantasia
de um carnaval que passou…
(Luiz Rabelo)
LUIZ RABELO
Nos teus sambas e folias,
meu carnaval feiticeiro,
a gente esquece em três dias
as mágoas de um ano inteiro!
(José Maria Machado de Araújo)
Meu carnaval se repete
com a mesma Colombina:
faço dos versos confete
e da trova – serpentina.
(José Valeriano Rodrigues)
Quando a vida se complica
nas horas de solidão,
amigo é aquele que fica
depois que os outros se vão.
(Aloísio Alves da Costa)
Rege o vento na floresta
fagotes, trompas, clarins,
enquanto a brisa, modesta,
toca flauta nos jardins…
(Orlando Brito)