Carnaval no Rio de Janeiro
Aécio de Andrade (Brasil, 1935)
óleo sobre tela, 40 x 40 Cm,
Quando a vida se complica
nas horas de solidão,
amigo é aquele que fica
depois que os outros se vão.
(Aloísio Alves da Costa)
Uma conversa íntima, 1961
Chris McMorrow (Irlanda, contemporâneo)
aquarela sobre papel
“Servido o café, as mulheres se ocuparam com o tricô, instaladas no seu canto habitual. Pardon e Maigret sentaram-se perto de uma das janelas, enquanto o jovem marido de Alice, não sabendo bem a que grupo se integrar, acabou por sentar-se ao lado de sua mulher.
Já estava decidido que a Sra. Maigret seria a madrinha da criança, para quem ela tricotava um casaquinho.
Pardon acendeu um charuto. Maigret encheu seu cachimbo. Eles não tinham particularmente vontade de falar, e um tempo bastante longo transcorreu em silêncio enquanto lhes chegava o rumor das mulheres.
Por fim o médico murmurou como para si mesmo:
— É mais uma dessas noites eu que eu desejaria ter escolhido outra profissão!
Maigret não insistiu, não o estimulou a confidências. Ele gostava muito de Pardon. Considerava-o um homem no sentido pleno que dava a essa palavra.”
Em: Uma confidência de Maigret, Simenon, L&PM-Pocket: 2013.
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Amanhã, aqui no Rio de Janeiro, já é ponto facultativo, pelo Carnaval. Este ano estarei por aqui, na cidade. E já escolhi alguns livros para ler. Alguns gostosos como esse de Simenon, e alguns outros. Devo poder descansar.
Escolhi essa passagem do livro, logo em seu início, Simenon nos lembra que nas grandes amizades, não se precisa falar o tempo todo. Há conforto no silêncio.
Que nós todos tenhamos amigos assim!
O vendedor de frutas, 1923
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1873)
óleo sobre tela, 109 x 95 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ
Vendedor de frutas, 1924
Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)
óleo sobre tela, 70 x 80 cm
Coleção Particular
O gato sábio, 1904
Henriëtte Ronner-Knip (Holanda, 1821-1909)
óleo sobre madeira, 28 x 36 cm
Coleção Particular
De manhã, quando a gente chegava à nossa baia, tinha sempre um gato branco deitado na mesa de P. O encarregado da limpeza disse que podia dar um jeito nele, Tá tranquilo, o bichinho não faz mal pra ninguém. No começo era o gato do hangar. Depois virou o gato da nossa ilha. Até que chegamos um dia pela manhã e o bicho parecia meio morto. Nunca vi alguém tão desesperado pela vida de um animal que sequer lhe pertencia. Foi aí que ele virou o gato da P.
Penélope segurou o gato, que mais parecia um tigre-de-bengala em seu colo, e correu com dificuldade em direção ao pátio. Pediu ao seu Geraldo, o motorista, que o levasse ao veterinário mais próximo, e rápido. A lamúria da P. durou uma semana, o tempo da internação. Penélope foi visitá-lo todos os dias e voltava com boletins não solicitados da evolução do quadro. Eu não aguentava mais aquela ladainha toda. Quando ela voltou com o bicho recém-operado dentro da caixa de transporte, seu Geraldo despontou atrás com sacolas enormes, trazendo o enxoval completo comprado no pet shop. Penélope depositou a caixa cuidadosamente no canto da sua mesa. Dava para ver um colchãozinho xadrez. Não tem gato? Então, não tem. É uma gata. Penélope mostrou a plaquinha de identificação como nome Lady Gata e o número do celular dela. É isso, agora a gata mora aqui com a gente. Alguém tem alergia? Bateu uma caixa de Fenergan em cima da mesa. Sem protestos.
Em: Virgínia mordida, Jeovanna Vieira, Companhia das Letras: 2024
Sobrado em Paraty, 19969
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
acrilica sobre tela 54 x 73 cm
Leitura na poltrona
Alfonso Cuñado (Espanha, 1953)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
“Nossos mortos e nossos filhos são as coisas mais importantes que nos acontecem na vida. Sempre recebo muitas mensagens, porque sou bastante acessível. Mas com esse livro foram muitíssimas. E 90% das pessoas me escreviam para contar histórias de mortes próximas. O extraordinário é que essas histórias não eram tristes, eram preciosas, celebravam o amor. Acho que essas pessoas não tinham podido contar isso a ninguém, nem sequer podiam reconhecer que havia alguma beleza ali, porque, quando há uma morte, temos a cabeça mergulhada na dor. Então, o meu livro, sem que eu tivesse a intenção, proporcionou aos leitores o resgate da beleza das mortes próximas.”
Essa foi a resposta do público que Rosa Montero recebeu depois da publicação de seu livro: A ridícula ideia de nunca mais te ver, tradução de Mariana Sanchez, Editora Todavia: 2019
Citação encontrada no livro: Sobre a ficção, Ricardo Viel, Companhia das Letras: 2025
Rege o vento na floresta
fagotes, trompas, clarins,
enquanto a brisa, modesta,
toca flauta nos jardins…
(Orlando Brito)
A colheita, 1903
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863-1940)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
Museu do Ipiranga
Café, 1940
Candido Portinari (Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm