Nossas cidades: Salvador

31 03 2026

Água de meninos, c. 1930

Manoel Ignácio Mendonça Filho (Brasil, 1895 –1964)

óleo sobre papelão, 70 x 55 cm

Coleção Augusto Gentil Baptista





Esmerado: broche e pendente por René Lalique

30 03 2026

Pingente e broche dos Três crisântemos, c. 1900

René Lalique (França, 1860-1945)

ouro, esmalte azul translúcido, diamantes e  pérola barroca pendente

Coleção Richard H. Driehaus

Driehaus Museum, Chicago

 

O mestre vidreiro René Lalique dedicou-se como quase todos os artistas da virada do século XIX-XX à observação da natureza.  Nessa joia, excelente exemplar do uso das formas naturais no estilo Art Nouveau, vemos três crisântemos em diferentes etapas do desflorescer.  Representam longevidade, fidelidade e alegria. Mas também vemos nessa deliciosa obra uma quase meditação sobre a passagem do tempo.  Há três flores: uma completamente aberta, como um pompom composto por pequeninas pétalas, no centro. Enquanto os outros dois contribuem para o sentido da nostalgia, já que  estão a caminho de seu despetalar, de seu fim. O momento escolhido, considerando a finitude da vida, é representado com grande esplendor.

 





Em uma tarde de outono, Olavo Bilac

30 03 2026

Noite no mar

Leonid Afremov (Belarússia, 1955-2019)

óleo sobre tela

 

 

Em uma tarde de outono

 

Olavo Bilac

 

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono… Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto…

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos…
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol…

 

Do livro: Poesias





O escritor no museu: As irmãs Bronté

30 03 2026

As irmãs Brontë, c. 1834

[Anne Brontë, Emily Brontë, and Charlotte Brontë]

Patrick Branwell Brontë (Inglaterra, 1817-1845)

[irmão delas]

óleo sobre tela, 90 x 75 cm

National Portrait Gallery, Londres

 

NOTA: Todos quatro escritores, as irmãs e o próprio Patrick.





Domingo de Ramos

29 03 2026

Entrada em Jerusalém

Pietro Lorenzetti (Itália, 1280–1348)

afresco

Basílica de São Francisco de Assis, Assis, Itália

 

 

 

 





Paisagens brasileiras…

29 03 2026

Fazenda, 1895

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela, 43 x 95 cm

 

 

 

Paisagem

Luiz Pinto (Brasil, 1939-2012)

óleo sobre tela





Em casa: Tianhao

29 03 2026

A mulher que fez [?], 2025

[The woman who did]

Tianhao (China, 1994)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm





Flores, porque hoje é sábado!

28 03 2026

Flor, 1972

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

acrílica sobre tela, 37 x 19 cm 

 

 

 

 

Natureza morta, 1952

Augusto José Marques Júnior (Brasil, 1887 – 1960)

técnica mista sobre eucatex, 20 x 32 cm





Quando ela passa por perto….

27 03 2026

Paisagem com lanternas, 1958

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

Óleo sobre madeira, 122 x 159 cm

Coleção Batlines

Museu Albertina, Viena, Áustria

 

 

Nessa semana que passou, oito noites e sete dias, fui convidada a ponderar sobre as prioridades da vida.  Na quinta-feira, enquanto começava a escrever para o blog às 18:30 h, eu me levantei do computador, fui à cozinha preparar uns ovos mexidos para o jantar.  Quando abro a geladeira…  Tenho uma cãibra no meio do peito, muito suor, sem fôlego. Tomei uma aspirina. 

Resultado: emergência. Hospital.  Internação por 7 dias.  Coração saudável.  Mas necessidade de stents. Foi um pequeno infarto. Mesmo com números controlados no colesterol, na glicose, na pressão.  Mas umas artérias achavam que iriam me derrubar.  

Tive tempo de considerar a fragilidade de nossas vidas.  A rapidez com que se pode estar aqui e subitamente não estar.  Não que eu não tenha tido esses pensamentos anteriormente.  Como todos nós, já perdi entes queridos, até mesmo inesperadamente.  Mas é sempre uma volta à realidade, à nossa condição: a certeza de que um dia, a Senhora Dona da Foice virá nos visitar.  Semana passada ela passou mais perto do que eu imaginava.  Mas já se foi.  Voltamos ao dia a dia.

 

Um agradecimento público

 

Antes disso gostaria de fazer um agradecimento público a dois médicos que foram de grande dedicação  e me seguraram num momento delicado.

Dr. André Feijó [André Luiz da Fonseca Feijó] cardiologista que me atendeu na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro

Dr. Gabriel Treiger [Gabriel de Mattos Treiger] meu incansável clínico geral, com quem me consulto há mais de duas décadas, clínico geral do Hospital Samaritano na Barra da Tijuca. 

Sem eles eu poderia não estar aqui. 

E aos parentes e amigos presentes nessa aventura do coração:  Ana Lúcia, Ricardo, Anna Paula, Lincon, Ronaldo, Fabiana, Perla e Marlene que foram infatigáveis na atenção, no carinho, nas excelentes gargalhadas que me proporcionaram.

Um agradecimento especial ao elenco médico da Casa de Saúde São José também.

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Hoje, primeiro dia de volta à casa, fui, às escondidas, fazer o que seria clássico na literatura.  Fui ao cabeleireiro cortar o cabelo para essa nova Ladyce West. Uma nova vida.  Novo horizonte.

Boa noite.

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2026





A poesia, por Roberto Bolaño

18 03 2026

Reflexões comungadas

Rebecca Aldernet (Canadá, 1974)

Técnica mista, 102 x 76 cm 

 

 

 

“Mas a poesia (a verdadeira poesia) é assim: ela se deixa pressentir, se anuncia no ar, como os terremotos que, segundo dizem, alguns animais especialmente aptos a tal propósito pressentem.”

 

Roberto Bolaño, Os detetives selvagens