A colheita, 1903
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863-1940)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
Museu do Ipiranga
Café, 1940
Candido Portinari (Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
A colheita, 1903
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863-1940)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
Museu do Ipiranga
Café, 1940
Candido Portinari (Brasil, 1903-1962)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Não sei quem me recomendou esse livro de entrevistas de autores das línguas ibéricas. Foi recomendado porque não estava no meu horizonte. Agradeço a quem o fez. Foi uma leitura gostosa. Dos dez escritores entrevistados só não conheço a obra de um deles ainda que já soubesse de sua existência. O livro abre e fecha com as entrevistas de que mais gostei, autoras cujas personalidades conseguiram ultrapassar os diversos filtros de distanciamento existentes em qualquer entrevista; uma espanhola e uma portuguesa: Rosa Montero e Djaimilia Pereira de Almeida. Um elogio precisa ser feito ao trabalho de Ricardo Viel, que em Sobre a ficção [Cia das Letras: 2025] regeu as conversas com cada um dos romancistas de maneira segura, mostrando conhecimento das obras de cada um, sem interferências irrelevantes, deixando cada escritor aparentemente à vontade — personalidades, aparecendo através dos diálogos.
Ao final, cheguei a uma conclusão: escritores são gente igual a toda gente. Há uns mais simpáticos, outros modestos, um ou outro mais cheio de si. Quer se vejam como referências da ‘alta’ literatura, quer sua obra seja altamente pessoal, eles vêm de todos os cantos do mundo, de todas as classes sociais, de famílias que liam ou não, com ou sem livros em casa. E a leitura pode ser descoberta em criança, na adolescência ou como jovens adultos. E não há idade para se começar. Todos têm hábitos diversos. Não há padrão. Não há comportamento igual. Não há predestinação, nem caminho fácil para o sucesso. Notívagos ou não, organizados e desorganizados, com planos detalhados dos personagens já sabendo como será o ponto final do romance ou escrevendo de supetão, instintivamente, sem ideia prefixa de para onde vão, cada um deles se encontrou como escritor por diferentes meios. Os dez romancistas entrevistados são contemporâneos, já foram aplaudidos por milhares de pessoas, têm sucesso além fronteiras da terra natal, veem o que fazem de maneiras diferentes. O único ponto em comum, mesmo, é a necessidade de escrever. Essa supera grande parte de todas outras atividades de suas existências. E podem escrever diariamente ou passar anos sem colocar uma palavra no papel.
Na era em que tudo parece ter um livro ou um método para como escrever; como superar o bloqueio; com que tipo de primeiro parágrafo atrair o leitor; entender a ‘Jornada do Herói’, dividi-la ou não nas doze partes que Joseph Campbel a descreveu; tudo isso parece, ao final dessas entrevistas, irrelevante. Cursos e mais cursos que se multiplicam na internet, sobre como ser ou tornar-se um escritor, provavelmente pouco poderão ensinar. Ler. Ler, ler. Ler muito e constantemente, parece ser a melhor pedida. Fica a dica.
No final o que resta é a obra. Ela é o que realmente conta. As atividades e circunstâncias da vida de cada autor, não são de grande relevância a não ser para quem gostaria de biografá-los. É a obra.
Natureza morta
Yvonne ViscontiCavalleiro (França-Brasil, 1902 – 1965)
aquarela sobre papel, 31 x 20 cm
Vaso com flores
Tadashi Kaminagai (Japão-França, 1899-1982)
óleo sobre tela – 58 x 43 cm
Espere, alguma coisa não está correta!, 2023
Stephen Hall (Escócia, 1954)
acrilica sobe tela, 102 × 76 cm
António Manuel Couto Viana (1923–2010)
Avestruz:
O sarcasmo de duas asas breves
(Ânsia frustrada de espaço e luz,
De coisas frágeis, líricas, leves);
Patas afeitas ao chão;
Voar? Até onde o pescoço dá.
Bicho sem classificação:
Nem cá, nem lá.
Isto sou (Dói-me a ironia
– Pudor nem eu sei de quê).
Daí a absurda fantasia
De me esconder na poesia,
Por crer que ninguém a lê.
Em: O avestruz lírico, 1948
Nota: encontrei esse poema hoje, por acaso. Não resisti, tive que trazê-lo para cá. Ri muito.
Praia de Copacabana, 1995
Ivan Freitas (Brasil, 1932-2006)
óleo sobre madeira industrializada, 80 x 106 cm
Gato caçando pássaro, 1939
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela, 100 x 81 cm
Museu Picasso, Paris
Gato com caranguejo , 1965
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Guggenheim Museum, NY
Gato com lagosta, 1965
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Guggenheim Museum
Gato comendo um pássaro, 1939
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela, 81 x 100 cm
Museu Picasso, Paris
Natureza morta com gato e peixe, 1962
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Museu Picasso, Barcelona
Gato, 1955
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
aquarela sobre papel
Dora Maar com gato, 1941
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Jacqueline sentada com seu gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Musée des Beaux Arts, Montréal
Nu reclinado com gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Nu reclinado com gato, 1964
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
óleo sobre tela
Museu Picasso, Málaga
NOTA: em todas as telas que conheço de Picasso, e nem todas estão aqui, porque não tenho detalhes ou confirmação de onde estão, os gatos para Picasso não são todos fofinhos e deliciosos de se ter no colo. São muito agressivos. O que vocês acham?
“Cada época possui suas enfermidades fundamentais. Desse modo, temos uma época bacterológica, que chegou ao seu fim com a descoberta dos antibióticos. Apesar do medo imenso que temos hoje de uma pandemia gripal, não vivemos numa época viral. Graças à técnica imunológica, já deixamos para trás essa época. Visto a partir da perspectiva patológica, o começo do século XXI não é definido como bacteriológico nem viral, mas neuronal. Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de burnout (SB) determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas enfartos, provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade. Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho.”
Parágrafo introdutório.
Sociedade do cansaço, Byung-Chul Han, tradução Enio Paulo Giachini, Petrópolis, Vozes: 2024.