O pequeno lampião de 1930
Francine van Hove (França, 1942)
Óleo sobre tela, 54 x 81 cm
O livro de Kells, c. ano 800
Autoria: Monges celtas. Provavelmente na ilha de Iona (Escócia) e finalizado na Abadia de Kells, Irlanda.
340 fólios de pergaminho de vitela com desenhos complexos, letras decoradas, animais mitológicos e cenas bíblicas.
Biblioteca Trinity College, Dublin, Irlanda
“Eu suspeito que a humanidade tenha entrado frequentemente em períodos como o nosso, em que a disciplina do julgamento e a procura do valor intrínseco diminuíram ou desapareceram. Quando isso aconteceu no passado, não ficou, todavia, nenhum registro, pois uma sociedade sem cultura perde a memória e perde também o desejo de se imortalizar em monumentos duradouros. Muito em breve, a barbárie assume o controle e a sociedade é varrida da face da terra. O que é interessante na nossa situação é que temos os meios tecnológicos para sustentar a nossa sociedade para além do momento em que ela poderá perder todo o sentido interno do seu valor e, portanto, perder a capacidade de se sustentar a partir do seu próprio reservatório inerente de fé. Essa é uma situação nova, e nós deveríamos nos perguntar o que poderíamos fazer, em circunstâncias como essas, para garantir a sobrevivência da cultura. Aqueles monges irlandeses que mantiveram acesa a lâmpada do aprendizado durante a Idade das Trevas de nossa civilização tinham uma grande vantagem sobre nós – a saber, que não havia competição de idiotices barulhentas e amplificadas, que tudo ao seu redor era perigo e destruição, e que tão logo eles encontraram refúgio, a paz tranquilamente se apresentou a fim de guiar seus pensamentos, seus sentimentos e suas penas.”
Em: A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado, Roger Scruton, tradução de Sérgio Kalle, LVM Editora: 2024
Natureza morta, vaso com flores, 1958
(papoulas)
Carmélio Cruz (Brasil, 1924-2018)
óleo sobre tela, 34 x 23 cm
Um vaso de papoulas no jardim, 2003
Raquel Taraborelli (1957 – 2020)
óleo sobre tela, 80 x 100 cm
Vai a lua em serenata
pela noite andando ao léu,
triste boêmia, de prata,
pelas esquinas do céu.
(Durval Mendonça)
Ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, frente à Hípica
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 50 x 70 cm
Natureza morta com morangos
Pedro Alexandrino (Brasil, 1856 – 1942)
óleo sobre tela, 38 x 47 cm
MASP, São Paulo
Rui Pires Cabral
No começo do amor, quando as cidades
nos eram desconhecidas, de que nos serviria
a certeza da morte se podíamos correr
de ponta a ponta a veia elétrica da noite
e acabar na praia a comer morangos
ao amanhecer? Diziam-nos que tínhamos
a vida inteira pela frente. Mas, amigos,
como pudemos pensar que seria assim
para sempre? Ou que a música e o desejo
nos conduziriam de estação em estação
até ao pleno futuro que julgávamos
merecer? Afinal, o futuro era isto.
Não estamos mais sábios, não temos
melhores razões. Na viagem necessária
para o escuro, o amor é um passageiro
ocasional e difícil. E a partir de certa altura
todas as cidades se parecem.
Rui Pires Cabral, ‘Longe da Aldeia’