Natureza morta, 1945
Ado Malagoli (Brasil, 1906 -1994)
óleo sobre tela, 45 x 55 cm
Natureza morta, 1947
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre cartão, 33 x 48 cm
Natureza morta, 1945
Ado Malagoli (Brasil, 1906 -1994)
óleo sobre tela, 45 x 55 cm
Natureza morta, 1947
Roberto Burle Marx (Brasil, 1909-1994)
óleo sobre cartão, 33 x 48 cm
Sempre comemoramos o final de uma leitura em grupo. Esse é um projeto de Rose Nobre. De muito sucesso. Somos em geral de 8 a 12 pessoas dependendo do livro. As leituras são bem variadas. Já cobrimos dois livros de Yuval Noah Harari: Sapiens e 21 lições para o século 21, A dança do universo, de Marcelo Gleiser, História da riqueza no Brasil, Jorge Caldeira, A ordem do tempo, de Carlo Rovelli entre outros.
Nossa próxima leitura: Sociedade do Cansaço, Byung-Chul Han, vai ser boa! Conheço outros livros do filósofo alemão.
Esse foi o primeiro livro que falava de arte e artistas plásticos ainda que no grupo haja quatro artistas. Foi divertido saber das rusgas, dos relacionamentos de amor e ódio, de competição entre pares de pintores. Muito bom. Recomendo.
A escritora cearense Socorro Acioli é autora do livro escolhido para leitura, no mês do Carnaval, pelo grupo Papalivros: A Cabeça do Santo [Cia das Letras:2014]. Publicado há mais de uma década, tornou-se um fenômeno de popularidade nos últimos tempos. Influenciadores digitais e jornalistas mencionaram a obra com frequência e, aos poucos, o público endossou as recomendações tornando-o um best-seller. Tenho afiliações com quatro grupos de leitura (cariocas e nacionais). Com essa escolha do Papalivros, vejo que todos quatro já leram a obra. Socorro Acioli é uma escritora escolhida por Gabriel Garcia Marques para a oficina “Como contar um conto”, em 2006, em Cuba. Ela pode, então, se considerar não só herdeira do realismo mágico, à maneira de Gabo, mas também abençoada pelo feitiço de seu mentor. A cabeça do santo é resultado dessa experiência.
Um livro pequenino — 176 páginas — consegue encantar a gregos e troianos, ao descrever a saga de Samuel, um homem, que após a morte de sua mãe e a conselho dela, sai em busca do pai. Nessa empreitada, precisando de abrigo depois de muito andar, ele encontra uma gruta, onde se esconde para passar a noite. Qual não é sua surpresa ao descobrir, quando acorda, que o abrigo é a cabeça oca de um Santo Antônio, de proporções gigantescas, parte de uma escultura abandonada, um projeto sem sucesso da cidade vizinha, Candeia. Sua surpresa é acentuada quando percebe que o local é lugar de peregrinação de mulheres à procura um companheiro, namorado, marido, enfim de um milagre do santo casamenteiro. Escondido na cabeçona, Samuel ouve os causos relatados e as preces endereçadas ao santo. Acaba interferindo à sua maneira no destino delas, graças a Francisco, um amigo que faz no local.
Fiel às tradições da literatura nordestina, situações de farsa e humor ecoam obras de Dias Gomes e Ariano Suassuna. Aqui, Socorro Acioli nos presenteia com uma mini fábula, enraizada nas tradições populares, na política dos lugares pequenos, nas crendices da vida cotidiana, na superstição. Osório, o prefeito de Candeia, cidade responsável pelo projeto desastroso da escultura monumental, é personagem que poderia ser encontrado em alguma obra de Dias Gomes, herdeiro, podemos dizer, de Odorico Paraguaçu, de O Bem-amado (1961). Dias Gomes também é sentido no humor cáustico com que Osório é representado. Candeia é uma cidade dividida entre misticismo e ganância, dualidade também encontrada nas obras do dramaturgo, conhecido por representar o conflito entre o sagrado e o profano.
Samuel e Francisco por outro lado são ‘filhos’ de Ariano Suassuna, personagens que sobrevivem graças à astúcia e a algumas artimanhas. São sertanejos e bem representam o local em que a religião é cultura viva, em que milagres acontecem apesar de ou por causa de todas suas mazelas. Isso é retratado num ritmo de cultura oral, em alguns lugares reminiscente da literatura de cordel, e pela fé mística e grandiosa, como acontece em O Auto da Compadecida (1955).
A cabeça do santo é obra ainda mais rica nas referências bíblico-religiosas de Samuel (do Velho Testamento), São Francisco e Santo Antônio, dois dos mais populares santos cultuados no Brasil, referências admitidas pela própria autora. Recomendo a leitura ainda que para meu gosto ela pudesse ter sido expandida, com mais causos, mais detalhes nas histórias contadas a Samuel. Achei o final, deus-ex-machina previsível e súbito, um tantinho à maneira Dias Gomes, um final dramático e retumbante, que resolve todos os problemas. Mas vale. É uma boa leitura para um fim de semana divertido.
Talheres e quadrados, 2026
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 31 x 28 cm (enquadrado)

Homem aranha, mamãe e verão, 2025
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 52 × 68 cm
Ao caldo, 2025
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 28 × 20 cm
Hora do almoço, 2025
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 30 × 36 cm [emoldurado]
Cama de rosas, 2025
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 66x 106 cm
Azul, amarelo e cerveja, 2025
Alejandro Asensio (Espanha, 1993)
lápis de cor sobre papel, 46 × 75 cm