Os coelhinhos — poema infantil de Odylo Costa, Filho

3 11 2008

 

Os coelhinhos

 

                               Odylo Costa, Filho

 

 

 

Iam dois coelhinhos

andando apressados

para o Céu – com medo

de serem caçados.

 

E também com medo

de passarem fome.

Pois – quando não dorme –

O coelhinho come.

 

E ainda tinha os filhos

que a coelha esperava…

O Céu era longe

E a fome era brava.

 

Jesus riu, com pena:

Fez brotar na Lua

— para eles – florestas

de cenoura crua.

 

 

 

Odylo Costa, Filho (MA 1914-  RJ 1979) – formado em direito, foi diplomata, ensaista, jornalista, cronista, novelista e poeta.

 

 

 

Obras:

 

Graça Aranha e outros ensaios (1934)

Livro de poemas de 1935, poesia, em colaboração com Henrique Carstens (1936)

Distrito da confusão, crônicas (1945)

A faca e o rio, novela (1965)

Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia (1966)

Maranhão: São Luís e Alcântara (1971)

Cantiga incompleta, poesia (1971)

Os bichos do céu, poesia (1972)

Notícias de amor, poesia (1974)

Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão, ensaio (1975)

Boca da noite, poesia (1979)

Um solo amor, antologia poética (1979)

Meus meninos e outros meninos, artigos (1981).

Outro poema de Odylo Costa Filho neste blog:

O astronauta





Imagem de leitura — Fritz Zuber-Buhler

3 11 2008

A lição, s/d

Fritz Zuber-Buhler (Suiça,1822-1896)

Óleo sobre tela

 

 

Fritz Zuber-Buhler nasceu em Le Locle, na Suíça em 1822.  Aos dezesseis anos, quando teve certeza de que seria um pintor, mudou-se para Paris.  Estudou com François Edouard Picot na Escola de Belas Artes.  Depois disso, Zuber-Buhler deixou Paris indo para a Itália quando tinha 19 anos.  Passou cinco anos na Itália.  Volta à França e sua primeira participação no Salon foi em 1850.  Morreu a 23 de novembro de 1896.

 

 





Propriedade de Ingmar Bergman na ilha de Faro à venda!

3 11 2008
Dean C. K. Cox, The New York Times

Ilha Faro, Suécia. Foto: Dean C. K. Cox, The New York Times

 

Um ano depois da morte do cineasta Ingmar Bergman seus herdeiros decidem vender sua famosa propriedade na Ilha de Faro, no Báltico na costa da Suécia, depois da aparente indiferença do governo sueco de manter viva a memória do cineasta.  

 

Quando o filho de Bergman, Daniel, anunciou em julho que até o final de 2009 os herdeiros já teriam vendido a propriedade em Faro, ninguém na Suécia acreditou que o governo não fosse se interessar por manter a propriedade.  Não é apenas uma pequena casa, mas uma propriedade magnífica bem construída à beira do Báltico.  É verdade que para se chegar lá não é uma coisa fácil.  Depois de chegar ao aeroporto de Gotland, importante centro histórico dos vikings, é necessário que se alugue um carro e rodar até o ponto mais ao norte da ilha, pegar uma barcaça e chegar então ao cais de Faro.    Daí por diante há a necessidade de se pegar uma pequena estrada, evitando por todo lado os carneiros cinzentos com patas negras que peregrinam pelos campos até se chegar a uma porteira que fecha a estrada.  Aí então começa a propriedade dos Bergman.

 

Faro serviu de cenário para filmes de Bergman, como A Paixão de Ana, Vergonha, Cenas de um Casamento e Através do Espelho, além de dois documentários sobre a própria ilha.  Frequentemente considerada uma ilha com uma ar de contos de fadas,  Faro tem muitas florestas de pinheiros e  « o chão é coberto por um musgo que lembra um carpete. E é fácil ver cogumelos do tamanho de pratos, formigueiros de 2 metros de altura e muitos morangos silvestres. »  

 

Bergman foi conhecido na Suécia, onde nasceu, por sua posição favorável à direita num país mantido por um sistema monárquico mas socialista: uma combinação um pouco difícil de entender para esta pobre brasileira — mas que parece ser o pivô central da falta de coordenação efetiva do governo para tomar decisões que mantenham a propriedade do cineasta em mãos suecas.  Pequenos ciúmes, pequenas revanches têm atrasado discussões.  Mentes pequenas de partidos pequenos já se desinteressaram do cineasta que colocou a Suécia no mundo do cinema e que a fez existir na imaginação de uma geração inteira – dos baby boomers —  num mundo que começava a se globalizar.  A visão curta de uns e a falta de coragem de outros está deixando a casa de Bergman sem cuidado e provavelmente virar tudo o que o cineasta não merecia nem quereria: uma atração turística de massa.  Há alguma coisa estranha entre esses que conseguem não se esquecer das tendências políticas de uma figura maior que eles mesmos e continuam a curtir dissabores do século XX, tentando mantê-los vivos através do século XXI.  

 

De vez em quando é bom lembrarmos que falta de visão não é só uma característica nossa.  Outros países, outros políticos de lugares considerados até mais civilizados que o nosso podem agir com tanta mesquinhez quanto vemos por aqui.   Não que o comportamento deles justifique o nosso. Este tipo de comparação na verdade só denigre a nossa imagem.  Que tenhamos o poder do bom senso quando uma decisão semelhante vier ao nosso encontro.  Por ora: que vergonha para a Suécia paralisada num conflito político mais mesquinho do que tenho certeza o povo daquele país merece.  

 

 

Este artigo foi em parte baseado no ensaio sobre o assunto publicado no jornal Le Figaro de 20/10/2008.





Duas considerações sobre Philip Roth

2 11 2008

 

 

I — Philip Roth, o Prêmio Nobel e O animal agonizante.

 

Recentemente, quando o Prêmio Nobel de Literatura em 2008 foi anunciado, a imprensa americana em peso reclamou do viés da comissão julgadora contra os escritores do país.  A imprensa especializada começou a espezinhar a comissão julgadora do prêmio, inconsolável diante do resultado: mais uma vez a distinção não fora parar nas mãos de um escritor americano.  Entre os injustiçados, e talvez o mais citado nos meios intelectuais dos Estados Unidos, estava o escritor americano Philip Roth.  

O escritor americano Philip Roth

O escritor americano Philip Roth

Depois da revolta intelectual americana contra o Prêmio Nobel e inspirada pela abertura do filme Fatal, da diretora espanhola Isabel Coixet, baseado na obra O animal agonizante, de Philip Roth, (Cia das Letras: 2001) decidi revisitar o escritor que havia sido um dos meus favoritos escritores americanos e cujas obras por muitos anos me acompanharam cheias de notas e observações, ao longo do tempo em que residi naquele país.    

 

Havia algum tempo que eu não lia nenhum de seus trabalhos.  Não que eu tivesse deixado de gostar da maneira como Philip Roth escreve, nem de seu senso de humor característico, muito menos de suas mais cortantes observações sobre o comportamento humano.  Mas depois de pelo menos oito de seus livros lidos e relidos, os novos romances de Roth me pareciam um pouco repetitivos nas suas obsessões e para não me desapontar com um autor de que gostava preferi dar uma pausa na leitura de sua obra.  A pausa durou anos. 

 

Agora, depois de ter devorado com gosto o esbelto volume O animal agonizante, volto a perceber, que apesar de retratar e representar as preocupações de muitos de sua geração, Philip Roth não é tão universal quanto se poderia ou deveria esperar de um autor a ser premiado com um Nobel.  Isto de jeito nenhum quer dizer que ele não seja um excelente escritor, acima da grande maioria de seus colegas de trabalho, principalmente por causa de seu cortante bisturi, usado com destreza, quando disseca as emoções mais recônditas, as necessidades psicológicas mais complexas do homem urbano do final do século XX nos EUA.  A clareza com que revela cada pequena emoção ou racionalização do homem anti-herói de fim de século é pungente.  A obsessão com diminutas variações de comportamento e suas origens é saturna.  Uma obsessão autofágica disfarçada pelo humor ou ironia. Aqui está Saturno devorando seus filhos: aqui Roth digerindo — para entendê-lo e absorvê-lo —  um de seus alteregos, o Professor David Kepesh, nosso conhecido de outros tempos, de outras aventuras. 

 

II – Philip Roth e Woody Allen e a experiência da cultura separatista nos EUA

 

 

Durante a leitura de Philip Roth em O animal agonizante – um ensaio sobre o desespero de se conhecer a própria decadência e o próprio fim não pude deixar de a todo e qualquer momento lembrar-me dos filmes de Woody Allen.  Estes dois americanos sozinhos poderiam juntos descrever as preocupações de sua geração, seu fascínio consigo mesmos, suas auto-críticas.  Ambos falam de um mundo que conhecem bem: a cultura urbana e intelectual.  E a descrevem em detalhe.  Ambos preenchem a maioria de suas obras com referências ao círculo em que vivem, a seus escritores, a seus artistas, a seus compositores, enfim a todo o contexto cultural que os rodeia, como se necessitassem colocar-se, inserirem-se no tecido cultural de que são frutos.  Sente-se uma quase compensação, como se percebessem a si mesmos como seres à margem da cultura americana de seu tempo.

 

Diferente da cultura que se desenha no século XXI, uma cultura de inclusão – veja a provável eleição de Barack Obama — a cultura americana de fim do século XX ainda estava baseada em características de exclusão.  Enquanto para Barack Obama e seus seguidores fala-se “não há America branca, não há America negra, só há americanos”, no final do século XX, o que víamos era: “os americanos são: afro-americano, ítalo-americano, judeu-americano, americano-irlandês” e assim por diante, rotulados de acordo com suas características mais pronunciadas sem suas imersões num todo nacional.  A América estava em processo de se juntar, de se misturar, mas em fase processo, e como tal, seus membros ainda se sentiam como partes de um todo, mas partes, separadas por um hífen, por assim dizer.  

 

Assim ambos estes expoentes da cultura judia-americana, Woody Allen e Philip Roth,  têm em comum a necessidade, de através das várias referências culturais que fazem em suas obras —  quer literária, quer cinemática — tecerem não só o contexto em que viviam como a própria justificativa de suas existências como intelectuais. Em O animal agonizante encontrei, num texto de menos de 127 páginas na edição brasileira, ou seja um pequeno romance, uma quase novela, mais de 35 referências a quadros, esculturas, livros, autores famosos de Mark Twain a Simão Bolívar,  de Kafka a Velásquez, Brancusi, Little Richard e demais marcadores de engajamento cultural.    O texto é verdadeiramente enriquecido pelas comparações, alusões, contrastes, re-definições de obras e da importância de cada um dos mencionados, não há dúvida.  Mas torna-se vítima disso mesmo que parece um tipo de brincadeira conhecido como “jogos de estudantes de pós-graduação” em que profissionais em especialização sentem a necessidade de: em provar conhecimento sobre certas áreas, estabelecer sua própria importância e conseqüentemente a validade de suas opiniões.

O cineasta Woody Allen

O cineasta Woody Allen

   

No caso de Philip Roth, cujo hábito não é novo, este cacoete literário nos anos 60-70 poderia parecer intrigante, vindo de um escritor relativamente jovem, novo.  E ajudava  a definir uma época, além do conhecimento pessoal do autor.  Mas continuar a vê-lo hoje, quase meio século mais tarde, depois que a comunicação fez de fácil acesso qualquer informação que antes era considerada uma moeda de entrada no mundo sofisticado das letras e das artes é sofrível.  E mais ainda, ver tal insistência, quase pernóstica, num escritor que já estabeleceu suas credenciais há décadas é limitante e vazio.  

 

Concordo que muitas vezes o Prêmio Nobel de Literatura pareça se cristalizar do nada.  Principalmente quando, por motivos de localização geográfica ou da dependência de traduções, mesmo as pessoas mais intensamente ligadas às artes literárias não estejam familiarizadas com os autores premiados.  Há, no entanto, uma consistência clara entre as obras dos premiados: elas extrapolam a experiência comum e se universalizam.  Até mesmo naqueles escritores que mais tarde – décadas depois — não têm suas obras lembradas — e isso comumente é resultado de fatores estranhos aos seus méritos literários — pode-se notar o intemporal nas suas obras e a universalidade da experiência humana retratada.   Infelizmente, por melhor que Philip Roth seja, estas qualidades não são as que definem o seu trabalho.





Frutos — poema infantil de Eugênio de Andrade

2 11 2008

Tangerina no café da manhã © Ladyce West, Rio de Janeiro: 2006

 

FRUTOS

Eugênio de Andrade

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor, 
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

 

Eugênio de Andrade nasceu em  Póvoa da Atalaia, em Portugal. Viveu em Lisboa, em Coimbra e no Porto.  É considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.

Obras:

As Mãos e os Frutos,1948);
Os Amantes sem Dinheiro,1950;
As Palavras Interditas,1951;
Até Amanhã,1956;
Coração do Dia, 1958;
Mar de Setembro, 1961;

Ostinato Rigore
, 1964;
Antologia Breve, 1972;
Véspera de Água, 1973;
Limiar dos Pássaros,1976;
Memória de Outro Rio, 1978;

Rosto Precário,
1979;
Matéria Solar, 1980;
Branco no Branco, 1984;
Aquela Nuvem e Outras, 1986;
Vertentes do Olhar, 1987;
O Outro Nome da Terra, 1988;
Poesia e Prosa, 1940-1989;
Rente ao Dizer,
1992;
À Sombra da Memória, 1993;
Ofício de Paciência, 1994;
Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo, 1995;
O Sal da Língua,1995





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

1 11 2008

Rio de Janeiro:  praia de Copacabana





Roberto Saviano: Salman Rushdie do século XXI

1 11 2008
Irmãos Metralha lendo.  Ilustração Walt Disney.

Irmãos Metralha lendo. Ilustração Walt Disney.

 

Máfia amaldiçoa escritor:  Roberto Saviano

 

O escritor italiano Roberto Saviano nasceu no lugar onde há mais assassínatos em toda a Europa. O seu livro Gomorra  — ainda não lançado no Brasil —  descreve os negócios ilícitos do crime organizado. Por causa disso Roberto Saviano  vive como um prisioneiro e tem a cabeça a prêmio.    

 

O livro publicado em 2006 foi um sucesso de vendas atingindo mais de dois milhões de volumes vendidos na Itália e já foi traduzido para 42 línguas. O filme, do mesmo nome,  Gomorra, dirigido por Matteo Garrone — baseado neste livro — recebeu o Prêmio do Júri do Festival de Cannes e estará representando a Itália na concorrência ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

O problema é que Roberto Saviano descreve a máfia italiana com muita clareza na sua total brutalidade.  Descreve também seus negócios.   E isto o fez ameaçado por ela mesma, pelos chefes mafiosos.  Apesar deste livro tê-lo lançado internacionalmente e ter trazido para o autor um sucesso que poucos chegam a ter, este jovem de 29 anos, não pode desfrutar de seu sucesso vivendo numa verdadeira prisão, locomovendo-se em carros blindados com proteção policial.  

 

Num recente desabafo, Roberto Saviano, numa entrevista ao jornal La Repubblica disse:Quero uma vida, uma casa, apaixonar-me, rir, tomar uma cerveja em público. Poder ir ver a minha mãe sem a assustar.

 

Mas recentemente a polícia italiana descobriu um plano do clã dos Casalesi (máfia napolitana) de um atentado contra o escritor a ser executado no Natal que se aproxima.  Saviano agora quer sair da Itália.  Mas os italianos pedem que fique.  

 

Há no momento um abaixo-assinado pedindo ao governo italiano que proteja o autor e combata a máfia.  Este abaixo-assinado tem mais de 150.000 assinaturas de todos os lugares do mundo entre elas a de seis vencedores do Prêmio Nobel.

 

Este caso nos lembra das tentativas feitas no século passado contra o escritor Salman Rushdie, que também teve que viver com cuidado e segurança o tempo todo graças às persiguições do governo do Irã que não concordava com as opiniões sobre aspectos do extremismo muçulmano publicadas pelo autor em seus livros de ficção, lançados na Inglaterra.

Está cada vez mais perigoso ser escritor!





Imagem de leitura — Jane Peterson

1 11 2008

Jovem no Café, s/d, década 20

Jane Peterson, (EUA 1876-1965)

 

 

Jane Peterson, nasceu em Elgin, Illinois, nos Estados Unidos em 28 de novembro de 1876.  Pintora americana principalmente conhecida por seus guaches.  Estudou no Pratt Institute em Nova York e mais tarde estudou em Madri sob a tutela do grande pintor espanhol Joaquim Sorolla y Bastida.  E desenvolveu através de sua longa carreira um estilo próprio, pós-impressionista.  Viajou muito e ficou conhecida por suas inúmeras telas retratando a vida em Veneza, Nova York,  Inglaterra,  Norte da África, Turquia e outros çigares exóticos.  Morreu em 1965.