Imagem de leitura — Berthe Morisot

7 04 2009

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Menina lendo, [Retrato de Jeanne Bonnet], 1888

Berthe Morisot (França, 1841-1895)

Óleo sobre tela

Museu de Belas Artes de São Petersburgo

Flórida, E.U.A.

 

 

 

Berthe Morisot ( 1841-1895) pintora francesa impressionista.   Subestimada por quase um século, provavelmente por ser mulher, ela tem hoje postura tão grande quanto de qualquer impressionista francês. Sua arte é arrojada, delicada e vigorosa, de uma modernidade evidente. Entre as pintoras impressionistas, algumas de muito valor, a maior importante talvez tenha sido Berthe Morisot, pintora de paisagens transbordantes de frescor, de traços ágeis e quase sempre com a figura humana como ponto de referência. Além disso, foi uma extraordinária pintora de cenas da vida doméstica, onde podia divertir-se e dar vazão aos seus dotes de observação, e o mesmo acontecia quando tratava com naturalidade da intimidade familiar. De personalidade forte, lutou contra os convencionalismos sociais da época, que tendiam a isolar a mulher no âmbito privado. Casada com Eugene Manet, irmão do pintor impressionista Edouard Manet, que tinha como seu melhor amigo.





A viagem à lua de João Peralta e Pé-de-moleque — Menotti del Picchia

4 04 2009

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São Jorge e o Dragão, 1606-1607

Pieter Paul Rubens ( Bélgica, 1567-1640)

Óleo sobre tela

Museu do Prado, Madri

Espanha

 

 

 

 

 

 

Já que andamos falando do espaço, e que também estamos no mês de abril, quando no dia 23 comemoramos o Dia de São Jorge, lembrei-me, deste trecho delicioso do livro Viagens de João Peralta e Pé de Moleque, de Menotti del Picchia:

 

 

Na Casa da Lua

 

A casa da lua era redonda, toda esmaltada de branco.  Seus móveis eram também brancos.  Por dentro era igualzinha a esses quartos de crianças tão alvinhos que até parecem leiteria.

 

— Aqui mora São Jorge, disse o pajem quando instalou lá dentro os dois meninos.  Ele anda sempre percorrendo o céu com seu cavalo branco.

 

— Que pena!  Exclamou Joãozinho.  Eu gostaria tanto de ver São Jorge!

 

O pajem sorriu.

 

— Acho que não seria um bom negócio,  porque São Jorge só aparece por aqui quando o dragão tenta comer a luz.

 

— Quê?  O dragão?  Que negócio de dragão é esse?

 

— Os dois meninos estavam tremendo de medo.  Então eles eram hospedados numa casa que costumava ser atacada por um dragão?

 

— Eu não fico aqui… choramingou Pé-de-Moleque.

 

Joãozinho ficou zangado diante da tremedeira do companheiro.

 

— Então, onde está sua valentia? Você não tem aí o estilingue?

 

— Estilingue não mata dragão, suspirou o ex-pretinho.  O que eu quero é ir para casa…

 

— Não tenham medo, disse o pajem.  São Jorge não deixa o dragão comer a lua, nem fazer mal a vocês.  Podem ficar descansados.

 

— Mas eu estou com muita fome, choramingou Pé-de-Moleque.

 

O certo é que, desde a hora em que haviam saído de casa para irem assistir à festa da aviação, não haviam comido nada. Quantas horas se haviam passado?  Quantos dias?  Eles não sabiam nem podiam saber, porque no céu não havia nem dias nem noites.

 

O único relógio que tinham para marcar o tempo, e esse infelizmente funcionava muito bem, era o estômago deles. Nessa ocasião bem se podia dizer que o estômago estava dando horas

 

Eu também estou com muita fome, disse Joãozinho.

—-

—  Aqui não há comida para terráqueos, respondeu o pajem com tristeza, porque ele era muito bonzinho.  Nós, os habitantes do Reino do Ar, comemos pastéis de vento, sorvete de geada e bifes de nuvens.  Mas eu sei que isso não pode alimentá-los.  A única esperança que resta é que a Ursa Maior forneça um pouco de leite.  Não creio que a duquesa ventania possa carregar da terra algum alimento até aqui.  Em todo o caso vou ver se o leite chegou…

 

 

 

 

 

 

Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

 

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

 

 

Obras:

 

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil

 

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Outra postagem deste livro neste blog:  AQUI





Imagem de leitura — Henrique Pousão

1 04 2009

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Cecília, 1882

Henrique Pousão (Portugal, 1859-1884)

Óleo sobre tela, 82 x 57,5 cm

Museu Soares dos Reis, Porto

Portugal

 

 

 

 

 

 

 

Henrique César de Araújo Pousão ( Portugal, 1859–1884), Pintor português.  Foi o mais inovador pintor português da sua geração, refletindo, na sua obra naturalista, influências de pintores impressionistas, como Pissarro e Manet. Realizou também paisagens que ultrapassam as preocupações estéticas da pintura do seu tempo. Natural de Vila Viçosa, Henrique Pousão faz-se pintor na Academia Portuense de Belas Artes, onde estudou com Thadeo Furtado e João Correia.

 

Viajou para Paris, em 1880, estudando no ateliê de  Alexandre Cabanel e Yvon. Por razões de saúde, troca a França pela Itália: em Nápoles, Capri e Anacapri, executa algumas das suas melhores pinturas.  Considerado um dos maiores da pintura portuguesa da segunda metade do Século XIX, Henrique Pousão desenvolveu toda a sua produção artística em fase de formação. Morreu aos 25 anos de tuberculose.

 

 





Minha sombra, poema para crianças, Jorge de Lima

28 03 2009

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Ironia é minha sombra*, 2006

Mark Kostabi (EUA, 1960)

Óleo sobre tela

*

Em inglês este título faz um trocadilho entre “passar a ferro” e “ironia”, palavras que soam quase iguais.

 

 

 

 

 

 

Minha sombra

 

Jorge de Lima

 

 

De manhã a minha sombra

com meu papagaio e o meu macaco

começam a me arremedar.

E quando eu saio

a minha sombra vai comigo

fazendo o que eu faço

seguindo os meus passos.

 

 

Depois é meio-dia.

E a minha sombra fica do tamaninho

de quando eu era menino.

Depois é tardinha.

E a minha sombra tão comprida

brinca de pernas de pau.

 

 

Minha sombra eu só queria

ter o humor que você tem,

ter a sua meninice,

ser igualzinho a você.

 

 

E de noite quando escrevo,

fazer como você faz,

como eu fazia em criança:

Minha sombra

você põe a sua mão

por baixo da minha mão,

vai cobrindo o rascunho dos meus poemas

sem saber ler e escrever.

 

 

 

Em: Antologia Poética para a infância e a juventude, de Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL:1961.

 

 

 

 

 

            Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

 

Poesia:

 

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

 

Romance:

 

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950)

 

Você encontra outro poema de Jorge de Lima neste blog em:  Poema de Natal 





Imagem de leitura — May Vale

26 03 2009

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Menina lendo, s/d

May Vale (Austrália, 1862-1945)

 

 

 

 

———

May Vale  (1862-1945), nasceu em 18 de Novembro de 1862 em Ballarat, no estado de Victoria, na Austrália.  Durante a sua nomeação de seu pai para cargo em  Londres, em 1874-78, May Vale cursou naquela cidade a Real Escola de Arte em South Kensington. De volta a Melbourne, estudou na National Gallery (1879-86, 1888-89), sob a orientação de George Folingsby e Frederick McCubbin.

 

Em 1890 ela voltou para Londres e estudou com Sir James Linton por dois anos seguindo para Académie Julian, em Paris, onde permaneceu por seis meses. De volta à Austrália galgou um carreira importante nas artes plásticas daquele país.





Imagem de leitura — Patrick Gibbs

24 03 2009

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Leitora, s/d

Patrick Gibbs,  (Inglaterra)

Óleo sobre tela

Patrick Gibbs é um artista inglês.  Ele estudou desenho no Magdalen College, Oxford, onde pintou principalmente retratos.  Depois de formado, desfrutou uma longa estadia na Alemanha.  Voltando a Londres tem se dedicado à pintura em todas as suas formas.





Linguagem da música ocidental é universal

23 03 2009

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Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

A linguagem da música ocidental é universal e pode ser entendida mesmo por aqueles que nunca escutaram uma música na vida, segundo um estudo publicado nesta semana, da revista especializada Current Biology.  No estudo, nativos africanos que nunca haviam escutado rádio na vida foram capazes de reconhecer emoções como felicidade, tristeza ou medo expressadas em músicas ocidentais.

Segundo os pesquisadores alemães, as expressões de emoção são uma característica típica da música ocidental, e a capacidade da música de expressar emoções é comumente vista como um requisito para a sua apreciação. Em outras culturas, porém, a música seguiria outras características, como a capacidade de coordenação grupal em rituais, o que a tornaria menos reconhecível para outros indivíduos de fora do grupo.

 

 

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Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

 

 

 

Nossas conclusões explicam por que a música ocidental tem tanto sucesso na distribuição musical global, mesmo em culturas musicais que não enfatizam de maneira tão forte o papel das emoções em sua música“, afirma um dos autores da pesquisa, Thomas Fritz, do Instituto Max-Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, da Alemanha.

O objetivo do estudo era descobrir se os aspectos de emoção da música ocidental poderiam ser apreciados por pessoas que nunca haviam tido contato com esse tipo de música. Os pesquisadores escolheram membros da tribo Mafa, um grupo de 250 indivíduos que vivem isolados no extremo norte das montanhas Mandara, nos Camarões.

O estudo comparou a reação desses indivíduos e de ocidentais à música ocidental e mostrou que ambos os grupos podiam reconhecer de maneira semelhante expressões de emoção como felicidade, tristeza e medo na música. Os dois grupos se baseavam em características semelhantes das músicas para avaliá-las – a marcação do tempo e a forma -, apesar de esse padrão ter sido mais acentuado entre os ocidentais.

 

 

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Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

Os pesquisadores também testaram a reação dos indivíduos a músicas alteradas e concluíram que ambos os grupos consideraram as versões originais melhores do que as versões modificadas. Para os autores, isso ocorre provavelmente porque os sons alterados tinham uma maior dissonância sensorial.

Tanto os ouvintes do grupo Mafa quanto os ocidentais mostraram uma habilidade para reconhecer as três expressões básicas de emoções das músicas ocidentais testadas no estudo“, dizem os pesquisadores na última edição da revista especializada Current Biology.

Isso indica que essas expressões de emoção manifestadas pela música ocidental podem ser universalmente reconhecidas, de maneira semelhante ao reconhecimento amplamente universal das expressões faciais humanas e da prosódia (ritmo, entonação e ênfase do discurso) emocional“, concluem.

 

PORTAL TERRA

 

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Michelozzodegli Ambrosi, dito Melozzo da Forlì, (Forlì, Itália, 1438; — Forlì, 8 de Novembro de 1494) foi um dos mais notáveis pintores da Renascença italiana e um dos mais famosos seguidores do estilo de Piero della Francesca.  Veio de uma abastada família chamado Ambrosi de Forlì.  Nada se sabe sobre seus primeiros anos,  tudo indica que ele deve ter estudado em Forlì, sob direção de  Ansuino da Forlì.  Ambos, Melozzo e Ansuino  foram bastante  influenciados por Mantegna.

Iniciou sua carreira artística na corte de Urbino, uma das mais conhecidas e produtivas de toda a Itália.  Lá conheceu o grande pintor e teórico matemático Piero della Francesca, que influenciou profundamente o estilo de Melozzo e sua utilização de perspectiva na pintura.  Neste período ele deve ter analisado também a arquitetura de Bramante e os trabalhos dos pintores flamengos, que trabalhavam para o duque Federico da Montefeltro.   Talvez Melozzo tenha mesmo trabalhado com Justus de Ghent e Pedro Berruguete na decoração do studiolo do famoso Palácio Ducal da cidade.   Mas depois deste período em Urbino, mudou-se para Roma.  

Com a sua carreira artística a bom ritmo, em 1484, trabalhou na decoração da Capela do Tesouro da Basílica de Loreto, pintando frescos, entre outros, onde aplicaria todo o seu extraordinário conhecimento da perspectiva.





Outono, poesia para crianças de Olavo Bilac

21 03 2009

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Crepúsculo, s/d

Luiz Pinto  (MG, 1939)

óleo sobre madeira 20 x 25 cm

 

 

 

 

 

 

O Outono

 

 

                        IV

 

 

                                                        Olavo Bilac

 

     Coro das quatro estações:

 

Há tantos frutos nos ramos,

De tantas formas e cores!

Irmãs!  Enquanto dançamos,

Saíram frutos das flores!

 

 

 

     O outono:

 

Sou a sazão mais rica:

A árvore frutifica

Durante esta estação;

No tempo da colheita,

A gente satisfeita

Saúda a Criação.

 

Concede a Natureza

O premio da riqueza

Ao bom trabalhador,

E enche, contente e ufana,

De júbilo a choupana

De cada lavrador.

 

Vede como do galho,

Molhado inda de orvalho,

Maduro o fruto cai…

Interrompendo as danças,

Aproveitai, crianças!

Os frutos apanhai!

 

 

     Coro das quatro estações:

 

Há tantos frutos nos ramos,

De tantas formas e cores!

Irmãs! Enquanto dançamos,

Saíram frutos das flores!

 

 

 

Outono, da série das Quatro Estações,; Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

  

 

Obras:

 

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas

 

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Luiz Pinto (Sete Lagoas, MG, 1939), pintor, desenhista, ilustrador e professor brasileiro.

 

De 1957 até 1960, Luiz estudou com Edgar Walter, Guignard e Marzano.  Em 1980, passou a freqüentar com mais regularidade o atelier do artista plástico Edgar Walter, em Petrópolis, RJ, onde definiu sua temática com principal destaque para as paisagens.  Entre 1989 e 1990 pela Europa: Itália, Holanda, Portugal, Espanha e França, a fim de aprimorar sua técnica. De regresso ao Brasil começou a ensinar em escolas de arte em São Paulo.  Suas telas são normalmente paisagens, com uma visão tipicamente rural e bucólica, lírica.





Imagem de leitura — Adolphe Alexandre Lesrel

20 03 2009

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Cativada, 1875

Adolphe Alexandre Lesrel, ( França, 1839-1929)

óleo sobre tela  40,6 x 32,4cm

 

 

 

 

 

Adolphe Alexandre Lesrel, (1839 — 1929) —  nasceu 19 maio 1839 em Genets, França.  Estudou em Paris onde foi bastante influenciado por Meissonier, um artista cuja popularidade se expandia por toda a Europa e também pelos Estados Unidos.   Lesrel adotou um estilo altamente detalhado e finamente acabado. Trajes, tecidos finos, objetos de arte, mobiliário, tudo era pesquisado para assegurar a precisão histórica do seu trabalho.

 

Lesrel exibiu na Societé des Artistes Français, em 1885, e em 1889, quando recebeu uma menção honrosa. Em 1890 tornou-se um Associado do Salon Nationale des Beaux Arts.  Lesrel era um pintor de cenas históricas que interpretava de maneira bastante idealizada e romântica.  Assim, encontrou um mercado pronto na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Esta popularidade se manteve através de sua vida.  Os temas de suas pinturas e  o seu virtuosismo técnico no uso do pincel lhe garantiram uma popularidade contínua.





Imagem de leitura — Ludovico Marchetti

18 03 2009

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Um bom livro, 1882

Ludovico Marchetti (Itália, 1853-1909)

óleo sobre tela

 

 

 

 

 

Ludovico Marchetti nasceu em Roma no dia 10 de maio de 1853.  Sua formação artística  iniciou-se no ateliê do pintor espanhol Mariano Fortuny y Marsal, que tinha um estúdio em Roma no início da década de 1870.   Em 1878, com 25 anos, partiu para França, onde continuou seus estudos e começou a expor no Salão de Paris,  em Berlim e Munique. Como muitos de seus contemporâneos, Marchetti especializou-se em pintura histórica. Entre seus temas favoritos eram os cavaleiros e trovadores do século XVIII ricamente vestidos com roupas coloridas. Permaneceu em Paris até sua morte  no dia 20 de junho de 1909.