O aquecimento global e os animais ameaçados no Brasil

18 03 2009

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Entrando na Arca de Noé, cerca 1590

Kaspar Memberger, o velho [Austria, ca 1555 –1618? ]

óleo sobre tela 124,4 x 162,9 cm,

Museu da História da Arte de Viena, Áustria

 

 

 

 

 

O jornal O GLOBO de hoje [página 25], num artigo de 2/3 de página, lista os animais no mundo mais ameaçados com o aquecimento global.  O artigo se baseia no alerta dado pelo relatório Mudanças Climáticas e Espécies da WWF — World Wildlife Federation. A lista é grande e aqui vou me dedicar principalmente a quatro animais cujas vidas dependem de um esforço brasileiro ainda maior do que outros, pois são animais cuja sobrevivência depende de ações imediatas do Brasil, não só do governo brasileiro, mas também das ações individuais de brasileiros, como todos nós.

 

 

 

RECIFES DE CORAIS

 

 

 

 corais

 

 

 

 

A extinção dos recifes de coral se acelera.  Acredita-se que em 50 anos, 80% de todos os corais do mundo hajam morrido.  De 1998 até hoje,  uma década, pode-se dizer, 16% dos corais no planeta desapareceram.  

 

Recifes de coral ameaçados podem ter a ajuda de reservas marinhas, que protegem a vida no mar da pesca comercial e das mudanças climáticas.  Nas Bahamas, na maior reserva marinha do Caribe, com 442 quilômetros quadrados, o número de corais jovens dobrou em áreas onde os peixes nativos foram protegidos da pesca. Os corais jovens são necessários para substituir os mais velhos que foram mortos por tempestades, doenças e outros problemas.

 

O efeito do aquecimento global nos corais é o resultado de um desequilíbrio na temperatura dos mares.  Para se reproduzir os recifes de corais – equivalentes às florestas tropicais debaixo d’água – precisam retirar minerais da água.  Com aquecimento das águas, menos minerais estão disponíveis, pois o mar fica mais ácido com um desequilíbrio do gás carbônico encontrado no mar.

Assim, as florestas de corais, morrem de fome. 

 

 

 

O ALBATROZ

 

 

 

albatroz 

 

 

 

 

Os albatrozes – esses magníficos pássaros marinhos, estão diminuindo em número, assustadoramente.  Seus habitats para acasalamento estão desaparecendo e as constantes mudanças climáticas que causam tormentas, furacões, tornados e demais exageros climáticos estão destruindo ninhos e ninhadas inteiras de uma só vez.  

 

Albatrozes sofrem também, e muito com embarcações de pesca industrial.  Muitas delas capturam  além dos peixes, um grande número de aves pelos anzóis do espinhel, inclusive albatrozes.  Nessas situações, os albatrozes mordem as iscas e são arrastados para baixo d’água, morrendo afogados.

 

 

BALEIA JUBARTE

 

 

 

 

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Um dos maiores perigos para a sobrevivência das baleias jubartes, outra baleias e golfinhos também é a fome.  Com o degelo total no mar da Antártica em 30 anos, ou seja, cerca de 2040, não haverá nenhuma fonte de alimentos para estas espécies.  A acidez dos oceanos mais frios, reduzirá substancialmente a fonte de alimento para estas baleias.  

 

Além disso, todos os anos as baleias jubartes visitam a costa brasileira, especialmente a costa da Bahia para reprodução. As baleias buscam as águas mornas de regiões tropicais para acasalar e dar a luz aos seus filhotes. Como a gestação da baleia jubarte é de aproximadamente entre onze e doze meses, as fêmeas que engravidaram na temporada passada retornam no ano seguinte para parir seus filhotes.  A exploração das reservas de óleo e gás localizadas no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia é uma ameaça direta à biodiversidade marinha da região e uma das principais causas do aquecimento global.

 

 

A TARTARUGA-DE-PENTE

 

 

 

 

 tartaruga-de-pente

 

 

A tartaruga-de-pente se alimenta quase que exclusivamente de invertebrados, principalmente esponjas.  Ambos, esponjas e invertrebados,  estarão também diminuindo em número pelo aumento da acidez na água do mar.    Uma fonte alimentar alternativa para as tartarugas-de-pente em locais onde há poucas esponjas pode ser o coral babão, como foi visto ser usado pelas tartarugas do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, onde as esponjas são pouco abundantes.   Mas, como vimos no primeiro item desta lista, os recifes de corais também estão em perigo.  

 

 

PRECISAMOS passar da  “muita falação e pouca ação” como resumiu Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace Brasil, para mais ação de verdade.   A solução está em nossas mãos.

 

 





ONG recupera árvores nativas da Mata Atlântica

14 03 2009

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Paisagem, s/d

Francisco Rebollo Gonsales (Brasil 1903-1980)

Óleo sobre duratex  46x 33 cm

Vi na televisão na semana passada um pequeno vídeo sobre a recuperação de um terreno que havia sido um pasto, na região da cidade de Itu.  A recuperação da Mata Atlântica neste lugar  começa com o plantio de 120 mudas de árvores.  Este plantio deve surtir bons resultados já que acontece com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica, que tem grande experiência em atividades de restauração florestal no Bioma Mata Atlântica, que

está com uma ampla programação de plantios de mudas nativas sendo concretizada neste início de ano.

 

Outros locais agraciados com programas de recuperação e restauração florestal são Piracicaba e Campinas.

 

 

Se você quiser participar das campanhas de recuperação ambiental e reflorestamento da Mata  Atlântica, faça do SOS Mata Atlântica a sua página inicial no computador, cadastre-se e toda vez que ligá-lo click no CLICKARVORE, uma árvore será plpantada para cada click que você der.  

 

 

 

 

 





Imagem de leitura — Gustave Leonhard de Johnge

12 03 2009

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Momentos de lazer,

Gustave Leonhard de Johnge (Bélgica 1829-1893)

óleo sobre tela

 

 

 

 

Gustave Leonhard de Johnge (Bélgica 1829-1893) . Filho de Jan Baptist e aluno de Navez.  Pintou retratos, cenas históricas e cenas de família.  Ganhou medalhas de ouro nas exposições de Amsterdam em 1862 e na de Paris em 1863.  Sua grande especialidade foram os retratos de mulher.  Conhecido pelo especial cuidado na representação de tecidos finos, sedas, veludos, e outros materiais semelhantes que tornaram o grande numero de interiores que pintou obras de grande charme e extremamente procuradas por colecionadores.





Imagem de leitura — Paul Ledent

10 03 2009

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Lendo, 2006

Paul Ledent (Bélgica 1952)

óleo sobre tela

 

 

 

Pol Ledent nasceu na Bélgica em 1952.  Começou a pintar em 1989.  Primeiro usou aquarela, mas logo passou a pintar a óleo, que ele considera um melhor meio para o seu trabalho.  Autodidata, ele não tem fugido de cursos de desenho.





Fernão Dias Paes Leme, poema de Afonso Louzada

8 03 2009

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A morte de Fernão Dias Paes Leme, década de 40

Raphael Gaspar Falco ( Oran, 1885- São Paulo 1967)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

Fernão Dias Paes Leme

 

 

                                              Afonso Louzada

 

 

Varando as regiões desconhecidas,

entre matas e rios e montanhas,

no calor das audácias e façanhas,

buscando as pedrarias escondidas.

 

 

as “bandeiras” rasgavam as entranhas

da terra virgem;  mil lutas renhidas,

desbravando paragens mal feridas,

no assombro das florestas mais estranhas.

 

 

Na braveza das serras misteriosas

atrás das esmeraldas, alma brava

que era de um povo o símbolo gigante,

 

 

as mãos crispadas apertando, ansiosas,

as suas pedras verdes, expirava

Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante.  

 

 

Em:  Templo Abandonado, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1945.

 

 

 

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje seu nome pode ser escrito assim: Afonso Lousada,

 

 

Obras: 

 

Peço a palavra, (1934),  – fábulas em versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938 )

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Templo abandonado (1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 

Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) nasce provavelmente na vila de São Paulo do Piratininga, descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente. A partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. Em 1661 fixa-se nas margens do rio Tietê, perto da vila de Parnaíba, e administra uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Em julho de 1674 parte de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Fazem parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Aracuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.





Imagem de leitura — Valentin Serov

7 03 2009

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Retrato de Adelaïde Simonovich, 1889

Valentin Serov (Rússia 1865 – 1911)

óleo sobre tela

Museu de Arte de São Petersburgo

Rússia

 

 

 

Valentin Alexandrovich Serov (Rússia 1865 – 1911) foi um dos mais importantes retratistas russos do século XIX, conhecido pelo retrato psicológico além das características físicas dos retratados.





Heitor Villa-Lobos no exterior

7 03 2009

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Estudo para vitral, 1917

Eliseu Visconti (Brasil, 1866-1944)

Continuando a postagem anterior comemorativa do Dia Nacional da Música Clássica, coloco aqui seleções do artigo de Márcia Erthal três páginas publicado hoje, dia 6 de março de 2009 no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro [páginas C-4,5 e 6];  Neste artigo diversas perguntas foram feitas a maestros brasileiros.  As mesmas perguntas.  Todas tinham como protagonista Heitor Villa-Lobos.  Escolhi uma pergunta sobre a força do compositor no exterior. 

 

 

Pergunta:

 

Qual a força da obra de Villa na Europa hoje, em especial na França,  aonde o senhor vem regendo a Orchestre National des Pays de La Loire (ONPL)?

 

 

ISAAC KARABTCHEVSKY Quando fui convidado para ser titular da ONPL, impus logo uma condição – queria ver executada pela minha orquestra francesa o ciclo integral das Bachianas Brasileiras.  O resultado foi surpreendente, em parte porque os franceses reconhecem em Villa não apenas o gênio brasileiro, mas principalmente o reflexo das influências e da cultura francesa.

 

 

Qual é a força da obra de Villa no exterior hoje em dia?  Até onde o senhor observou há interesse no conhecimento e na execução da obra dele na Europa e nos EUA?

 

JOHN NESCHILING  A força de Villa ainda não foi compreendida em toda a sua extensão.  Sinto que muitas orquestras estrangeiras pedem que eu reja Villa e depois se surpreendem com as obras que proponho.  Esperam sempre os mesmo títulos e não conhecem nem de longe a imensidão de sua criação.  É muito difícil imergir na obra de Villa.  Às vezes quem fica na superfície pode tachá-lo de vulgar ou pouco profundo, mas isso é exclusivamente  devido à ignorância dos elementos que compõem a estrutura villalobiana.

 

 

Qual a força da obra de Villa no exterior hoje?

 

LUIZ PAULO HORTA Ele está sendo mais conhecido porque apareceram muitas gravações boas, como as das Bachianas e dos Choros feitas pela Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP).

 

 

Qual a força da obra de Villa no exterior hoje?

 

TURÍBIO SANTOS – Hoje temos uma visão de Villa-Lobos sendo tocado em todo canto.  Na Alemanha, por exemplo,  gravaram todas as sinfonias, todos os quartetos, e tudo muito bem tocado.  Aqui no Brasil, as orquestras se programaram para tocar intensamente, projetos como Música no Museu estão fazendo mais de 60 concertos, é maravilhoso.  Por que Villa saiu do Brasil na juventude?  Porque aqui não tinha o instrumento dele, a orquestra.  Agora temos.  É portentoso o trabalho da OSESP.  É preciso gravar, gravar, espalhar.

 

 





Dia Nacional da Música Clássica: nascimento de Heitor Villa-Lobos

5 03 2009

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Chorinho, 1942

Candido Portinari (Brasil 1903 – 1962)

têmpera sobre tela, 225 x 300 cm

Museu de Arte Moderna de Lisboa,

Portugal

 

Foi quando eu fazia parte do Coral do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, que comecei a apreciar, ainda que muito superficialmente, a obra de Villa-Lobos.  Infelizmente devo confessar que sofri do mesmo mal de que muito brasileiros sofrem:  passei a dar mais valor ao compositor brasileiro quando fui fazer a faculdade no exterior.  Naquela época fiquei extremamente surpresa com o conhecimento que as pessoas versadas em música clássica já tinham sobre o compositor brasileiro.  E a medida que os anos se passaram, quando eu ainda estava envolvida nos cursos de mestrado e doutoramento, percebi com prazer que rara era a semana em que não ouvia, na rádio National Public Radio dos EUA uma ou mais obras de Heitor Villa-Lobos, muitas vezes mais tocadas, do que obras de compositores americanos, seus contemporâneos, tais como Aaron Copeland ou John Cage.

 

O gosto pela música clássica no Brasil ainda está precário.  Mas hoje, no Dia Nacional da Música Clássica, o dia escolhido por ser a data d nascimento do carioca Heitor Villa-Lobos,  fui surpreendida pelas boas novas, numa pequena demonstração na televisão, sobre um grupo deCrianças pobres de Belo Horizonte que consquistou  o direito de se apresentar num espaço profissional por causa da música. O repertório é de Heitor Villa Lobos, símbolo da cultura nacional.   Um pouco antes, no Carnaval deste ano tivemos Heitor Villa-Lobos sendo homenageado pela escola de samba de Vila Isabel no Rio de Janeiro. 

 

Este ano, 2009, também celebramos no dia 17 de novembro, o cinquentenário da morte do compositor. Para lembrar Heitor Villa-Lobos, coloco aqui as tres letras que pertencem a diversos movimentos de diferentes Bacchianas da série de 9, compostas por Villa-Lobos.

 

 

O Trenzinho do Caipira (bachianas Brasileiras Nº 2)

 

 

Composição:  Heitor Villa-Lobos

Letra:   Ferreira Gullar

 

Lá  vai  o trem  com  o  menino

Lá  vai   a  vida  a  rodar

Lá  vai  ciranda  e destino

Cidade  noite  a  girar

Lá  vai  o  trem  sem  destino

Pro  dia  novo  encontrar

Correndo  vai  pela  terra,  vai  pela  serra,  vai  pelo  mar

Cantando  pela  serra  do  luar

Correndo  entre  as  estrelas  a  voar

No  ar,  no  ar …

 

 

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Paisagem com bananeiras,  1927

Cândido Portinari ( Brasil 1903-1962)

óleo sobre madeira,  22 x 27 cm

Coleção Particular

 

Bachianas Brasileiras, No.5 : Cantilena

 

 

Composição: Heitor Villa Lobos

Letra: Ruth Valadares Corrêa

 

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.

Sobre o espaço, sonhadora e bela!

Surge no infinito a lua docemente,

Enfeitando a tarde, qual meiga donzela

Que se apresta e a linda sonhadoramente,

Em anseios d’alma para ficar bela

Grita ao céu e a terra toda a natureza!

Cala a passarada aos seus tristes queixumes

E reflete o mar toda a sua riqueza…

Suave a luz da lua desperta agora

A cruel saudade que ri e chora!

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente

Sobre o espaço, sonhadora e bela!

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Menino com Pássaro, 1957

Cândido Portinari ( Brasil 1903-1962)

óleo sobre tela,  65 x 53 cm

Coleção Particular

 

Bachianas Brasileiras, No.5 : Dança do Martelo

 

 

Composição: Heitor Villa Lobos

Letra de Manuel Bandeira

 

 

Irerê meu passarinho do sertão do Cariri,

Irerê meu companheiro,

Cadê viola ? Cadê meu bem ? Cadê Maria ?

Ai triste sorte do violeiro cantadô !

Ah ! Sem a viola em que cantavo o seu amô,

Ah ! Seu assobio é tua flauta de Irerê:

Que tua flauta do sertão quando assobia,

Ah ! Agente sofre sem querê !

Ah ! Teu canto chega lá no fundo do sertão,

Ah ! Como uma brisa amolecendo o coração,

Ah ! Ah !

Irerê, solta o teu canto !

Canta mais ! Canta mais !

Prá alembrá o Cariri !

 

Canta cambaxirra ! Canta juriti !

Canta Irerê ! Canta, canta sofrê

Patativa ! Bem-te-vi !

Maria acorda que é dia

Cantem todos vocês

Passarinhos do sertão !

Bem-te-vi ! Eh ! Sabiá !

La ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !

Eh ! Sabiá da mata cantadô !

Liá ! liá ! liá ! liá !

Lá ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !

Eh ! Sabiá da mata sofredô !

O vosso canto vem do fundo do sertão

Como uma brisa amolecendo o coração

 

Irerê meu passarinho do sertão do Cariri …

 

Ai !

 

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Heitor Villa-Lobos





Imagem de leitura — Noël Saunier

25 02 2009

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Cena de leitura numa clareira, 1871

Noël Saunier ( França, 1847-1890)

Óleo sobre tela





Cinzas — poema de Joaquim Norberto de Souza e Silva

25 02 2009

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Quarta-feira de Cinzas, 1855-1860

Carl Spitzweg (Alemanha 1808-1885)

Óleo sobre tela,  21 x 14 cm

Galeria Nacional de Stuttgart

Alemanha

 

 

 

CINZAS

 

                         Joaquim Norberto de Souza e Silva

 

 

Sobre as asas da alegria,

Entre enganos ruidosos,

Entre vivas jubilosos,

Expirava o carnaval.

 

Oh, quanta moça faceira,

Que muito se divertira

Morrer com pena não vira

Esse tríduo sem igual.

 

A rótula então perdera

Todo o sigilo, se abrindo,

E um rosto moreno e lindo

Livre e ousado se mostrou;

E mais de um braço certeiro

Achou um alvo condigno,

Em que amável, benigno,

Os seus tiros empregou.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965

 

 

Joaquim Norberto de Sousa e Silva  (RJ 1820 – RJ 1891)

Pseudônimo: Joaquim Norberto, Fluviano, João do Norte.  Poeta, romancista, teatrólogo, polígrafo, pesquisador, biógrafo. Sua atividade literária foi intensa e seus estudos têm validade para o conhecimento do passado literário do Brasil, dispersos na Revista do IHGB, na “Revista Popular”, na “Minerva Brasiliense”. É na crítica e história literária que reside a sua melhor contribuição através de estudos, memórias, edições anotadas de autores brasileiros.

 

 

Obras:

 

A Cantora Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1871  

A noite de agonia: Poesia 1889  

Amador Bueno, ou, A Fidelidade Paulistana, Drama em 5 actos Teatro 1855  

As Americanas Poesia 1856  

As duas orfãs: Romance e Novela 1841  

Balatas Poesia 1841  

Beatriz Teatro XIX   

Bosquejo da historia da poesia brazileira. Crítica, teoria e história literárias XIX   

Brasileiras Célebres Biografia 1862  

Cantos Épicos Poesia 1861  

Cantos epicos Poesia 1861  

Cantos poeticos. Poesia XIX   

Chegado de Londres: Romance e Novela 1884  

Chile e Brazil: Poesia 1889  

Climnestra, Rainha das Micenas, Tragédia em Cinco Atos Teatro 1846  

Colombo ou o descobrimento da America: Teatro 1854  

Dirceu de Marilia. Liras atribuídas à sra. D. M. J. D. de S. (Natural de Villa Rica) … Poesia 1845  

Flores entre Espinhos; Contos Poéticos Conto 1864  

História da Conjuração Mineira Outros 1860  

História das Aldeias… Outros XIX   

Investigações sobre o Recenseamento da População Geral do Império Outros 1870  

Jacub ou Carlos VII entre seus grandes vassallos: Teatro 1841  

Joaquim Garcia Romance e Novela 1832  

Kettli Tradução XIX   

Maria ou Vinte Anos Depois Romance e Novela 1844  

Melodias romanticas: Poesia XIX   

Modulações Poéticas, Precedidas de um Bosquejo da História da Poesia Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1841  

Novas modulações: Poesia XIX   

O berço livre: Poesia 1883  

O Brazil: Poesia 1857  

O cancioneiro das bandeiras: Poesia XIX   

O Chapim do Rei Teatro 1851  

O Livro de Meus Amores Poesia 1849  

O Martírio do Tiradentes Romance e Novela 1882  

O ultimo abraço, 1841  

Poesia á inauguração da estatua equestre do fundador do imperio. Poesia 1862  

Romances e novelas Romance e Novela 1852  

Tartufo: Tradução XIX   

Vindo de Paris: Romance e Novela 1884  

Visão. Poesia XIX