Uma mulher de 4.500 anos usaria joias?

30 04 2013

Espelho, Inha Bastos (Brasil, 1949) Menina do espelho, 2008, ost. 50x50cm

Menina do espelho, 2008

Inha Bastos (Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

Inha Bastos

Vaidade e status social de uma mulher que viveu há aproximadamente 4.500 anos, no que hoje é a Inglaterra, são provavelmente as causas das joias encontradas com seu esqueleto em Windsor na Inglaterra. Carinhosamente chamada de “Rainda de Kinsmeade”  — Kingsmead é o local próximo a Windsor onde foi descoberta —  esta mulher, foi encontrada em sítio explorado por arqueólogos de Wessex. Suas joias, como lembram os cientistas, devem ter sido símbolos de sua afluência e  importância para a sociedade em que vivia.

Beaker_cultureDomínio do Povo dos Copos.

O pouco que restou de seus ossos, aparentemente corroídos pela acidez do solo, deixou que se concluísse ser uma mulher de aproximadamente 35 anos.  Foi enterrada usando um colar com contas de ouro intercaladas com contas de lignite.  No túmulo também foram encontradas contas de âmbar, perfuradas, que podem ter sido botões da vestimenta que usava quando enterrada.  E parece ter usado também um bracelete de contas negras.

3potsCopos de barro encontrados no túmulo do arqueiro de Amesbury.

Por causa de um copo encontrado ao seu lado, é possível que “a rainha de Kinsmead” tenha pertencido ao Beaker Folk [Povo dos Copos] uma cultura com raízes na península ibérica que dominava com grande técnica a manufatura de artefatos de cobre e de ouro.  O Povo dos Copos era assim chamado por fazer uso de copos, provavelmente para beber cerveja ou outra bebida fermentada.  Por volta de 2400 a.C. o Povo dos Copos dominou toda a península ibérica, parte do sul e do norte da França, a Alemanha, as terras onde hoje encontramos a Holanda e a Bélgica, a costa da Sardenha e Sicília, a Irlanda e o sul da Inglaterra.  Pessoas desse povo eram frequentemente enterradas com todo tipo de pertences incluindo copos de barro. É quase certo que esse senhora  fosse de fato mulher de prestígio pois tinha pertences que seriam raros e exóticos.

Kingsmead quarry gold beadsContas de ouro encontradas no local.

Análise de seus pertences colocam a origem do ouro provavelmente na Irlanda, a do lignite no leste da Inglaterra e o âmbar podendo ser de um lugar tão longínquo quanto o Báltico.

Recentemente o sítio em Kingsmead tem sido fonte de grandes descobertas para a  arqueologia britânica. Em março de 2013 noticiou-se a existência de um pequeníssimo vilarejo –  um grupo de quatro casas vizinhas  — algumas das casas mais antigas já descobertas na Inglaterra, construído aproximadamente há 6.000 anos.  Essas casas, cujas grossas e pesadas fundações sobreviveram, algumas com pilastras de apoio, assim como a fonte para o fogo do lar – local da lareira – sugerem casas substanciais, altas com um mezanino provavelmente para a estocagem de grãos e outros alimentos durante o inverno.  Devem ter sido construídas por volta de 3.800 a 3640 a.C.  e todas tinhas subdivisões em cômodos internos.  A maior dessas casas mede 17 x 7 m. E todas tinham telhado de sapê.

Kingsmead artist's impression

Uso das joias e botões encontrados com a “rainda de Kingsmead”.

Estudo mais detalhado dos objetos encontrados com a “rainda de Kingsmead” certamente trarão mais detalhes sobre o povoamento da Inglaterra na Idade do Bronze.

FONTES: GUARDIAN — “Rainha de Kinsmead”; GUARDIAN — Casas de sapê ; WSHC





Descoberta de 125 sarcófagos merovíngios na França

23 12 2009

Foto: AFP, Associated French Press

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 Uma cripta merovíngia (séculos V a VIII)  e 125 sarcófagos foram descobertos em ótimo estado de conservação junto com vestígios de uma igreja funerária da abadia de Luxeuil-les-Bains.  Este é um dos lugares mais ricos da França no estudo arqueológico dos séculos VII ao X.

Essa descoberta mostra uma concentração de sarcófagos inigualável na parte leste do país.    Os sarcófagos de pedra, estão em condições excepcionais de conservação de acordo com o pesquisador Sébastien Bully.    A cripta externa, conhecida com Saint Valbert,   nome do terceiro abade de Luxeuil, foi trazida à tona em ótimo estado de conservação. “Poucas criptas  deste tipo foram encontradas na França”, diz Sébastien Bully, continuando “a partir desta abadia em Luxeuil, fundada no século VI pelo monge irlandês Colomban,  monges e abades viajaram por toda a Europa para fundar outros locais de culto.”

Mapa da França Merovíngia.

 

“Dos séculos VII ao X, Luxeuil era uma verdadeira capital monástica que se expandiu além dos limites regional e nacional, tornando-se uma verdadeira referência para os monastérios do Ocidente,” continuou ele.  A escavação, que compreende 650 m2, começada em 2008 está prevista para se desenvolver até janeiro de 2010 e  permitiu que se estabelecesse a sucessão dos diversos dos usos e prédios no mesmo lugar:  um centro urbano do século II, uma necrópole pagã do século IV, uma basílica paleo-cristã dos séculos V e VI preenchem uma parte dos sarcófagos e em seguida a cripta de Saint Valbert do ano 670.  Esta reconstruída RR modificada ao longo dos séculos seguintes.  A igreja foi finalmente destruída depois da Revolução Francesa em 1797. 

Em meados de dezembro, Michel Raison, prefeito de Luxeuil-les-Bains, pediu que as descobertas fossem protegidas como patrimônio  histórico.  Um museu no local está sendo projetado.   

Tradução e adaptação, Ladyce West

Fonte:  AFP através do Mondial.





Achados na Escócia colares de ouro da Idade do Ferro

10 12 2009

Foto: Getty

 

 

Na Escócia, David Booth, um caçador de tesouros amador, empregado como chefe do departamento de caça de um safári local -Blair Drummond Safari Park- , encontrou jóias de ouro da antiguidade estimadas em 1 milhão de libras esterlinas.  Elas estavam enterradas em um campo perto da cidade de Stirling.  Ele as achou usando um detector de metais.   O grupo das jóias, mostrado ao público no início do mês passado, numa exposição no Museu Nacional da Escócia, foi classificado como a descoberta mais importante da Idade do Ferro, já encontrado no país. 

O achado é composto de quatro colares de ouro datando do período entre os séculos I e III a.C.  Três deles estão em condições quase perfeitas, enquanto que o quarto apresenta alguns desgastes.  Dois colares tem como modelo a chamado “ cordão torcido” que era uma maneira de fazer uma jóia com fios rígidos de ouro torcido; uma maneira já conhecida na época, neste local.   O terceiro colar foi feito de uma maneira associada ao artesanato da época do sul da França, e até hoje o único exemplar desse tipo encontrado na Escócia.  O quarto colar mostra técnicas de manufatura – como o trançado de fios de ouro – encontrado só nos países mediterrâneos ou de grande influencia mediterrânea.   Provavelmente esses colares pertenceram a uma pessoa influente,  um líder local, poderoso,  que ao se vestir com essas jóias mostraria sua importância e riqueza.  Além disso, elas mostrariam também a habilidade de seu dono de negociar ou de conquistar outros povos, outras gentes, particularmente os povos estabelecidos no continente europeu.

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Uma comissão de arqueólogos deve agora avaliar as jóia.  De acordo com a lei escocesa, quaisquer objetos arqueológicos encontrados na Escócia pertencem à Coroa britânica.  Mesmo assim David Booth deve receber uma boa quantia como prêmio pelo achado: a tradição leva a crer que a quantia corresponda ao valor do achado. 

Mapa da Escócia com a localização de Stirling onde as jóias foram encontradas.

 

Ainda não se sabe ao certo quando essas jóias estarão à mostra para o público.   A data será estabelecida pelo Comitê de Apoio às Descobertas Arqueológicas da Escócia [Scottish Archaeological Finds Advisory Panel] que no momento auxília os arqueólogos locais a melhor explorarem o sítio arqueológico descoberto por David Booth.  As jóias foram encontradas a apenas 15 cm de profundidade.  Disse o descobridor que só se lembrava que a área — terras particulares para as quais tinha permissão de vasculhar com sua máquina detectora de metais — era conhecida por sítios arqueológicos da Idade do Ferro, mas que não lhe passava pela cabeça que pudesse encontrar algo de tanta grandiosidade.

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Foram encontradas cinco peças todas datando do mesmo período [ 300 -100 a.C. ]:  duas são fragmentos de um único colar, que foi feito no estilo desenvolvido no Sudoeste da França: caraterístico pelo círculo duro, fechado com uma dobradiça e um fecho.  No entanto, a peça que tornou os arqueólogos mais excitados foi o colar que apresenta decorações em cada ponta, feito por 8 arames de ouro alçados juntos, e embelezados por finíssimos fios e correntes.  Essa técnica aparece definitivamente só as áreas do Mediterrâneo.  Assim, esses colares, só por terem sido descobertos, já estão re-escrevendo a história local.  Eles mostram que havia mais conexões entre as tribos escocesas – tradicionalmente vistas como muito isoladas – e outras tribos da Idade do Ferro no coração da Europa.





Antiga civilização européia, ao longo do Danúbio, em exposição em Nova York.

7 12 2009

 

Foto: Marius Amarie

 

Escultura de mulher em terracota, 4.050 a 3900 a.C.

Local:  Cucuteni, Drăguşeni

Museu do Condado de Botoşani

 

Antes da glória de Grécia e Roma, e até mesmo antes das primeiras cidades da Mesopotâmia ou dos templos ao longo do Nilo, havia no vale do Baixo Danúbio e ao pé das montanhas dos Bálcãs um povo à frente de seu tempo na arte, tecnologia e no comércio de longa distância.

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Foto: Marius Amarie

 

Vasilhame bi-cônico em terracota,  3700-3500 a.C.

Local: Cucuteni, Şipeniţ

Museu Nacional de História Romênia, Bucareste

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Por 1.500 anos, começando antes de 5.000 A.C., eles cultivaram e construíram cidades bastante grandes, algumas com até duas mil residências.  Esse povo dominava a fundição de cobre em larga escala que era a nova tecnologia da época. Em seus túmulos foram encontrados uma gama impressionante de adereços de cabeça e colares e, em um cemitério, uma grande e, a mais antiga, coleção de artefatos de ouro do mundo.

Foto: Marius Amarie

 

Bracelete em espiral em cobre, 4.500 a 3.900 a.C.

Local: Cucuteni, Ariuşd

Museu de História do Condado de Braşov 

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Os desenhos marcantes de sua cerâmica revelam o refinamento da linguagem visual da cultura. Até descobertas recentes, os artefatos mais intrigantes eram figuras onipresentes de “deusas” de terracota, originalmente interpretadas como evidência do poder espiritual e político das mulheres da sociedade.

Photo: Marius Amarie

 

Modelo arquitetônnico em terracota com sete estatuetas, 3700-3500 a.C.

Local: Piatra Neamţ

Complexo de Museus do Condado de Neamţ 

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Segundo arqueólogos e historiadores, a nova pesquisa ampliou a compreensão dessa cultura há muito tempo ignorada, e que parece ter se aproximado do limiar do status de “civilização”. A escrita ainda não havia sido inventada e ninguém sabe como o povo se chamava. Para alguns acadêmicos, o povo e a região são simplesmente a Velha Europa.

Foto: Rumyana Kostadinova Ivanova

 

Figuras zoomórficas em ouro, 4.400 a 4.200 a.C.

Local: Varna

Museu Regional de História de Varna

 

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A cultura pouco conhecida está sendo resgatada da obscuridade em uma exposição, “O Mundo Perdido da Velha Europa: o vale do Danúbio, 5.000-3.500 A.C.“, que foi inaugurada no mês passado no Instituto para o Estudo do Mundo Antigo da Universidade de Nova York. Mais de 250 artefatos de museus da Bulgária, Moldávia e Romênia estão expostos pela primeira vez nos Estados Unidos. A mostra fica aberta até 25 de abril.

Foto: Marius Amarie

 

Escultura de Mulher em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.

Local:  Hamangia, Baïa

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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Em seu auge, em torno de 4500 a.C., disse David W. Anthony, curador convidado da exposição, a Velha Europa estava entre os lugares mais sofisticados e tecnologicamente avançados do mundo e desenvolveu muitos sinais políticos, tecnológicos e ideológicos de civilização.

Foto: Jurie Foca and Valery Hembaruc

 

Três braceletes de cobre em espiral,  4.500 a 4.300 a.C.

Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti

Museu Nacional de História e Arqueologia de Moldova.

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Anthony é professor de antropologia da Hartwick College, em Oneonta, no estado de Nova York, e autor do livro The Horse, the Wheel, and Language: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World; [ O cavalo, a roda e a linguagem: como os cavaleiros da era do bronze das estepes eurasianas moldaram o mundo moderno]. Historiadores sugerem que a chegada de povos das estepes ao sudeste da Europa pode ter contribuído para o colapso da cultura da Velha Europa por volta de 3500 a.C.

Foto: Marius Amarie

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Vasilhame esférico com tampa em terracota, 4.200 a 4050 a.C. 

Local: Cucuteni, Scânteia

Complexo do Museu Nacional de Moldova

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Na pré-abertura da exposição, Roger S. Bagnall, diretor do instituto, confessou que até agora muitos arqueólogos não haviam ouvido falar dessas culturas da Velha Europa. Admirando a cerâmica colorida, Bagnall, especialista em arqueologia egípcia, comentou que na época os egípcios com certeza não faziam cerâmica assim

Foto: Rumyana Kostadinova Ivanova

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Cetro em ouro com 9 elementos, 4.400 a 4.200 a.C.

Local: Varna

Museu de História Regional de Varna

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O catálogo da mostra, publicado pela Princeton University Press, é o primeiro compêndio em inglês da pesquisa sobre as descobertas da Velha Europa. O livro, editado por Anthony, com Jennifer Y. Chi, diretora-associada para exposições, inclui ensaios de especialistas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Estados Unidos e dos países onde a cultura existiu.

Foto: Marius Amarie

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Duas estatuetas em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.

Local: Hamangia, Cernavodă

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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Chi disse que a exposição reflete o interesse do instituto em estudar as relações entre as culturas conhecidas e ainda não apreciadas com deveriam ser.

Foto: Marius Amarie

 

Aplique antropomórfico em ouro, 4.000 a 3.500 a.C.

Local: Bodrogkeresztúr, Moigrad

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste.  

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Embora escavações ao longo do último século tenham descoberto vestígios de antigos assentamentos e estátuas de deusas, foi apenas em 1972, quando arqueólogos locais descobriram um grande cemitério do quinto milênio a.C. em Varna, Bulgária, que eles começaram a suspeitar que aquelas não eram pessoas pobres vivendo em sociedades igualitárias não estruturadas. Mesmo então, isolados pela Guerra Fria com a Cortina de Ferro, os búlgaros e romenos foram incapazes de transmitir seu conhecimento ao Ocidente.

Foto: Elena-Roxana Munteanu

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Grupo de 21 estatuetas e 13 cadeiras em terracota, 4.900 a 4.759 a.C.

Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru

Complexo de Museus do Condado de Neamţ Piatra Neamţ

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A história que agora surge é que agricultores pioneiros após aproximadamente 6200 a.C. se mudaram para o norte em direção à Velha Europa, vindos da Grécia e da Macedônia e levando trigo, sementes de cevada e sua criação de gado e ovelhas. Eles estabeleceram colônias ao longo do Mar Negro e nas planícies e colinas do rio, que evoluíram em culturas relacionadas, mas um tanto distintas, descobriram os arqueólogos. Os assentamentos mantinham contato próximo através de redes de comércio de cobre e ouro e também compartilhavam padrões de cerâmica.

Foto: Marius Amarie

 

Vasilha antropomórfica, em terracota, 5.550 a 5.000 a.C.

Local:Vădastra, Vădastra

Museum Nacional de História da Romênia, Bucareste

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A concha Spondylus do Mar Egeu era um item especial de comércio. Talvez as conchas, usadas em pingentes e pulseiras, fossem símbolos de seus ancestrais egeus. Outros acadêmicos veem essas aquisições de longa distância como motivadas em parte pela ideologia de que os produtos não eram bens no sentido moderno, mas sim “valores”, símbolos de status e reconhecimento.

Foto: Jurie Foca e Valery Hembaruc

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Colar (35 conchas e 26 contas), 4.500-4.300 a.C.

Material: Conchas (Cardium edule, Mactra carolina)

Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti

Museu Nacional de Arqueologia e História de Moldova, Chişinău

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Notando a difusão dessas conchas naquela época, Michel Louis Seferiades, antropólogo do Centro Nacional para Pesquisa Científica, na França, suspeita “que os objetos eram parte de um círculo de mistérios, um conjunto de crenças e mitos“.

Foto: Marius Amarie

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Vasilha antropomórfica em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.

Local: Gumelniţa, Sultana

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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De qualquer forma, Seferiades escreveu no catálogo da exposição que a predominância das conchas sugere que a cultura possuía ligações com “uma rede de rotas de acesso e elaborados sistemas sociais de trocas – incluindo o escambo, a troca de presentes e a reciprocidade“.

Foto: Marius Amarie

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Machado de cobre,  3.700 a 3.500 a.C.

Local: Cucuteni, Bogdăneşti

Complexo Nacional de Museus de Moldova

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Ao longo de uma ampla área que hoje é a Bulgária e a Romênia, o povo se assentou em vilarejos de casas de um ou múltiplos recintos, comprimidas dentro de fortificações. As casas, algumas com dois pisos, tinham suportes de madeira, paredes rebocadas com barro e chão de terra batida. Por alguma razão, as pessoas gostavam de fazer modelos de barro de residências com múltiplos pisos, exemplos dos quais estão em exposição.

Foto: Marius Amarie

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Modelo arquitetônico em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.

Local:  Gumelniţa, Căscioarele

Museu nacional de História da Romênia, Bucareste

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Algumas cidades do povo cucuteni, uma cultura posterior e aparentemente robusta no norte da Velha Europa, cresceram ao longo de mais de 320 hectares, o que os arqueólogos consideram maior do que qualquer assentamento humano da época. Mas as escavações ainda precisam encontrar evidências definitivas de palácios, templos ou grandes edifícios cívicos. Os arqueólogos concluíram que os rituais religiosos pareciam ser praticados nos lares, onde artefatos de culto foram encontrados.

Foto: Marius Amarie

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Anfora em terracota, 3700 a 3.500 a.C.

Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru

Complexo de Museus do Condado de Neamţ

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A cerâmica caseira decorada em estilos diversos e complexos sugere a prática de refeições ritualísticas nas residências. Travessas enormes em prateleiras eram típicas da “apresentação socializante do alimento” da cultura, Chi disse.

Foto: Marius Amarie

Vasilha antropomórfica em terracota, 5.300 a 5.000 a.C.

Local: Banat, Parţa

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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À primeira vista, a falta de uma arquitetura de elite levou os acadêmicos a presumir que a Velha Europa possuía pouca ou nenhuma estrutura hierárquica de poder. Isso foi descartado pelos túmulos do cemitério de Varna. Nas duas décadas seguintes a 1972, os arqueólogos encontraram 310 túmulos datados de aproximadamente 4500 a.C.. Anthony disse que isso foi “a melhor prova da existência de uma posição social e política superior claramente distinta“.

Vladimir Slavchev, curador do Museu Regional de História de Varna, disse que “a riqueza e variedade dos presentes nos túmulos de Varna foi uma surpresa“, mesmo para o arqueólogo búlgaro Ivan Ivanov, que liderou as descobertas. “Varna é o cemitério mais antigo já encontrado em que humanos foram enterrados com ornamentos de ouro“, Slavchev disse.

Mais de três mil peças de ouro foram encontradas em 62 túmulos, junto de armas e instrumentos de cobre, ornamentos, colares e pulseiras das apreciadas conchas do Egeu. “A concentração de objetos de prestígio importados em uma distinta minoria de túmulos sugere que posições superiores institucionalizadas existiam”, observam os curadores da exposição em um painel que acompanha o ouro de Varna.

Foto: Marius Amarie

Martelo-arma na forma de cabeça de cavalo, pedra, 4.000 a.C.

Cultura Indo-Européia

Local: Casimcea

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

 

Contudo, é intrigante que a elite não parecesse usufruir de uma vida privada de excessos. “As pessoas que quando vivas vestiam trajes de ouro para eventos públicos“, Anthony escreveu, “voltavam para casas bastante comuns“.

O cobre, não o ouro, pode ter sido a principal fonte do sucesso econômico da Velha Europa, afirma Anthony. Como a fundição do cobre foi desenvolvida por volta de 5400 a.C., as culturas da Velha Europa exploraram os minérios da Bulgária e do que hoje é a Sérvia e aprenderam a técnica de alto aquecimento para extrair cobre metálico puro.

Foto: Marius Amarie

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Figura antropomórfica em  ouro, 4.000 a 3.500 a.C.

Local: Bodrogkeresztúr Culture, Moigrad

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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O cobre fundido, usado em machados, lâminas de faca e em pulseiras, se tornou uma exportação valiosa. As peças de cobre da Velha Europa foram encontradas em túmulos ao longo do Rio Volga, 1,9 mil km a leste da Bulgária. Os arqueólogos recuperaram mais de cinco toneladas de peças de locais da Velha Europa.

Uma galeria inteira é dedicada às estatuetas, as mais familiares e provocantes peças dos tesouros da cultura. Elas foram encontradas em praticamente toda cultura da Velha Europa em vários contextos: em túmulos, santuários e outros prováveis “espaços religiosos”.

Uma das mais conhecidas é a figura em argila de um homem sentado, com os ombros curvados e as mãos no rosto em aparente contemplação. Chamada de “Pensador”, essa peça e outra figura feminina comparável foram encontradas em um cemitério da cultura hamangia, na Romênia. Será que eles estavam pensativos ou de luto?

Muitas das figuras representam mulheres em uma abstração estilizada, com corpos truncados ou alongados, de seios fartos e quadris largos. A sexualidade explícita dessas figuras convida interpretações relacionadas à fertilidade terrena e humana.

Um grupo notável de 21 figuras femininas, sentadas em um círculo, foi encontrado no local de um vilarejo anterior aos cucutenis no nordeste da Romênia. “Não é difícil imaginar“, disse Douglass W. Bailey da Universidade Estadual de São Francisco, o povo da Velha Europa “arrumando as figuras sentadas em um ou vários grupos de atividades em miniatura, talvez com figuras menores aos seus pés ou até mesmo no colo das figuras sentadas maiores“.

Outros imaginam as figuras como o “Conselho das Deusas”. Em seus influentes livros de três décadas atrás, Marija Gimbutas, antropóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ofereceu a hipótese de que essa e outras das chamadas figuras de Vênus eram representantes de divindades em cultos a uma Deusa Mãe que predominavam na Europa pré-histórica.

Embora a teoria de Gimbutas ainda tenha seguidores ardorosos, muitos acadêmicos se conformam com explicações mais conservadoras e não-divinas. O poder dos objetos, afirma Bailey, não estava em qualquer referência específica ao divino, mas em “um entendimento compartilhado de identidade de grupo“.

Foto: Marius Amarie

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Braceletes de conchas, 5.000 a 4.600 a.C.

Local: Hamangia, Cernavodă

Museu Nacional de Arqueologia e História da Romênia, Bucareste

 

Como Bailey escreveu no catálogo da exposição, as figuras talvez devessem ser definidas apenas em termos de sua aparência real: retratos representativos em miniatura da forma humana. Assim, “presumo (como é justificado por nosso conhecimento da evolução humana) que a habilidade de fazer, usar e entender objetos simbólicos como tais estatuetas é uma habilidade compartilhada por todos os humanos modernos e, portanto, uma capacidade que conecta você, eu, o homem, a mulher e a criança do Neolítico e os pintores paleolíticos das cavernas“.

Ou então o “Pensador”, por exemplo, é a imagem de você, de mim, dos arqueólogos e historiadores confrontados e perplexos por uma cultura “perdida” no sudeste da Europa que viveu de maneira intensa muito antes de uma palavra ser escrita ou da roda ser girada.

Texto de John Noble Wilford

Amy Traduções com algumas modificações minhas.

Fotos do portal do  The New York Times.

Fonte: Portal Terra





A Batalha de Anghiari de Leonardo da Vinci, pintura mural será descoberta!

7 10 2009

leonardo

Foto: The New York Times

A pintura, chamada “A Batalha de Anghiari”, estava oculta sob a parede no Palazzo Vecchi, a chamada Câmara dos 1500.

 

Se, como Maurizio Seracini, você acredita que a maior das pinturas de Leonardo da Vinci está escondida no interior de uma parede na sede da prefeitura de Florença, há duas técnicas essenciais para encontrá-la e, como de hábito, Leonardo mesmo antecipou as duas.

A primeira envolve o recurso a equipamento científico. Depois de encontrar o que parecia ser uma pista quanto ao trabalho de Da Vinci deixada por outro artista do século XVI, Seracini liderou uma equipe internacional de cientistas em um projeto que resultou no mapeamento de cada milímetro da parede e da sala que ela delimita com o uso de lasers, radar, luz ultravioleta e câmeras infravermelhas. Assim que conseguiram identificar o possível esconderijo, os pesquisadores desenvolveram aparelhos com os quais será possível detectar a pintura por meio do disparo de feixes de nêutrons contra a parede.

“Da Vinci adoraria ver o quanto a ciência está sendo utilizada, na procura por sua mais célebre obra-prima“, disse Seracini, enquanto contemplava a parede em cujo interior ele espera encontrar a pintura, e recuperá-la intacta. “Consigo perfeitamente imaginar o fascínio que ele sentiria por todos os aparelhos de alta tecnologia que viremos a utilizar para esse processo”.

Seracini estava no grande salão cerimonial do Palazzo Vecchi, a chamada Câmara dos 500, que na era do Renascimento ocupava posição política central na vida de Florença e por isso terminou sendo decorada com murais de vitórias militares florentinas, pintadas por Da Vinci e Michelangelo, sob encomenda dos líderes da cidade. Era julho de 2009 e a sala continua a ser um centro de poder político, como se podia perceber com a entrada repentina de Matteo Renzi, o novo prefeito de Florença, que percorria rapidamente o caminho entre sua sala e o carro que o esperava na saída do edifício.

leonardo_anghiari sketch

Um dos sketches para a Batalha de Anghiari, dos cadernos de Leonardo Da Vinci. 

A palestra científica foi interrompida enquanto Seracini se apressava para interceptar a comitiva do prefeito. Ele estava ansioso para empregar a segunda das estratégias essenciais, na busca por uma pintura de Da Vinci em Florença: encontrar o patrono certo.

Essa foi sempre uma tática inteligente na cidade natal dos Medicis e de burocratas como Maquiavel, o amigo de Da Vinci cuja assinatura consta do contrato no qual o mural sobre as vitórias da cidade foi encomendado ao pintor. Seracini, professor de engenharia na Universidade da Califórnia em San Diego, passou anos perdido em um labirinto burocrático, esperando aprovação para testar sua técnica de localização por feixes de nêutrons, mas diz que o novo prefeito da cidade representa a melhor esperança de localizar a pintura de Da Vinci.

A busca foi iniciada mais de três décadas atrás e com uma pista digna de figurar em um romance de suspense do escritor Dan Brown. Em 1975, quando estava estudando engenharia nos Estados Unidos, Seracini retornou à sua Florença natal para uma análise da Câmara dos 500, em companhia de Carlo Pedretti, um estudioso da vida e obra de Da Vinci.

Os dois estavam em busca de “A Batalha de Anghiari”, a maior pintura que Da Vinci realizou em sua vida (a largura do mural era três vezes maior que a de “A Última Ceia”). Ainda que o trabalho jamais tenha sido concluído – Da Vinci o abandonou em 1506-, uma das cenas centrais, que mostra soldados e cavalos em pleno combate, foi elogiada como um estudo sem precedentes dos princípios da anatomia e do movimento. Por décadas, artistas como Rafael visitaram a Câmara dos 500 a fim de contemplar o mural e copiá-lo para referência.

Leonardo, copia de Peter Paul Rubens, Arezzo_anghiari_Batalha

Peter Paul Rubens, cópia da Batalha de Anghiari, por Leonardo Da Vinci.  Até recentemente uma das únicas maneiras de se saber o conteúdo da pintura mural de Leonardo.

 

E um dia a pintura desapareceu. Quando o salão foi remodelado, em 1563, o arquiteto e pintor Giorgio Vasari recobriu as paredes com afrescos que mostravam vitórias militares da família Medici, retornada ao poder. O mural de Da Vinci terminou esquecido. Mas em 1975, quando Seracini estava estudando uma das cenas de batalha pintadas por Vasari, ele percebeu a imagem de uma pequena bandeira contendo as palavras “Cerca Trova“, ou seja, “procure e encontrará“. Será que elas serviam como sinal de Vasari para a presença de algo oculto por sob a sua pintura?

A tecnologia dos anos 70 não permitia obter resposta clara. Seracini levou sua carreira adiante e veio a conquistar a fama por conta de suas análises científicas de outras obras de arte e, posteriormente, fundou o Centro de Ciência Interdisciplinar para a Arte, Arquitetura e Arqueologia, integrado à Universidade da Califórnia em San Diego. Em 2000, ele voltou a Florença e à Câmara dos 500, equipado com novas tecnologias e com o apoio de um novo patrono, Loel Guinness, um filantropo britânico.

Ao registrar imagens em infravermelho e mapear a sala com o uso de laser, a equipe de Seracini descobriu onde ficavam as portas e janelas antes que Vasari conduzisse a sua reforma. A planta reconstituída, combinada a documentos do século XVI, bastou para localizar o ponto que teria sido pintado por Da Vinci. Também serviu para oferecer uma potencial explicação para o fato de que Michelangelo tenha realizado não mais que um esboço inicial do mural a ele encomendado: o pintor deve ter ficado enciumado ao descobrir que a seção da parede atribuída a Da Vinci oferecia iluminação natural muito melhor.

A sala é imensa, mas não grande o suficiente para que Michelangelo e Da Vinci pudessem dividi-la“, disse Seracini. A nova análise demonstrou que o local em que Da Vinci pintou sua cena ficava exatamente sob o ponto em que a bandeira com os dizeres “cerca trova” foi pintada. E uma notícia ainda melhor, obtida por meio da análise da parede com radar, foi o fato de que Vasari não revestiu o mural de Da Vinci e pintou o seu; ele fez construir novas paredes de tijolos para sua pintura e tomou o cuidado de deixar um pequeno espaço para respiração por trás de uma dessas seções de tijolos – exatamente aquela que fica por trás do “cerca trova”.

vasari

Auto-retrato,  c. 1567

Giorgio Vasari (Arezzo 1511- Florença 1574)

Mas como um pesquisador trabalhando hoje poderia descobrir o que existe atrás do afresco e dos tijolos? Como é que alguém poderia contemplar a parede original, a uma profundidade de 15 cm, sem prejudicar o afresco também histórico que existe em sua superfície?

Seracini não sabia como proceder, até 2005, quando pediu ajuda durante uma conferência científica e recebeu uma sugestão quanto ao uso de feixes de nêutrons que atravessariam o afresco sem prejudicá-lo. Com ajuda de físicos dos Estados Unidos, da autoridade italiana de energia nuclear e de universidades da Holanda e Rússia, Seracini desenvolveu aparelhos capazes de identificar os reveladores produtos químicos usados por Da Vinci.

Um desses aparelhos é capaz de detectar os nêutrons que retornam depois de colidir com átomos de hidrogênio, um componente abundante nos materiais orgânicos (como o óleo de linhaça e resina) empregados por Da Vinci. Em lugar de utilizar tinta à base de água, o método convencional para um afresco em gesso como o de Vasari, Da Vinci recobriu a parede com uma camada base impermeabilizada e utilizou tintas a óleo.

O segundo aparelho utilizado pelos pesquisadores permite distinguir os raios gama produzidos pelas colisões de neurônios com átomos de diferentes elementos químicos. O objetivo é localizar o enxofre na camada de impermeabilização de Da Vinci, o estanho na camada branca que servia como base à pintura e os produtos químicos nos pigmentos de cor, como o mercúrio usado para produzir pigmento vermelho e o cobre usado para o azul.

Desenvolver essa tecnologia foi difícil, mas mesmo assim representou desafio menor do que conquistar aprovação burocrática ao seu uso. Seracini encontrou uma série de obstáculos políticos e burocráticos. Assim, quando viu o novo prefeito atravessando o Salão dos 500 naquela tarde de julho, ele se apressou a fazer um apelo pessoal a Renzi, que era favorável ao projeto antes de sua eleição.

Com a polidez de um Medici, o prefeito parou para escutar o pedido, e depois prometeu que ajudaria a empreitada artística a avançar, assim que tivesse cumprido a sua primeira leva de promessas eleitorais. “Meu sonho é ver essa descoberta o mais rápido possível”, disse Renzi. “Rápido” pode ser um termo altamente relativo, na burocracia italiana, mas o prefeito de fato agiu para reiniciar o processo e conduziu uma reunião com um de seus atuais patronos, a National Geographic Society dos Estados Unidos. Na semana passada, Renzi declarou que esperava que o trabalho pudesse ser realizado em breve.

Estamos dispostos a conceder permissão ao professor Seracini“, disse Renzi na quinta-feira. “A única questão é a data, e saber quem fará o quê. Dentro de uma ou duas semanas, o projeto deve receber luz verde”. Assim que obtiver autorização, diz Seracini, ele espera concluir o trabalho de análise dentro de um ano.

Caso “A Batalha de Anghiari” esteja mesmo lá, diz, seria viável que as autoridades florentinas encarregassem especialistas de remover o afresco exterior de Vasari, extrair a pintura de Da Vinci e em seguida recolocar o afresco em sua posição. É claro que ninguém sabe em que estado o mural de Da Vinci estará. Mas Seracini, que conduziu extensas análises sobre os danos sofridos por quadros do Renascimento, diz que se sente otimista quanto ao mural.

A vantagem é que ele esteve coberto por cinco séculos“, disse. “Esteve protegido contra vandalismo, contra o ambiente e contra más restaurações. Não espero que tenha decaído demais“. Caso ele tenha razão, então talvez Vasari tenha feito um favor a Da Vinci ao cobrir sua pintura – mas tomando o cuidado de deixar aquela enigmática bandeira por sobre o local do tesouro.

Texto: John Tierney

Tradução: Paulo Migliacci ME

 

Fonte: TERRA





10.000 moedas romanas encontradas na Inglaterra!

16 09 2009

moedas

Foto: Shropshire  Star

 

Nick Davies, um arqueólogo amador, que comprou seu equipamento de detenção de metais há um mês, em sua primeira aventura arqueológica, descobriu um vaso com pelo menos 10 mil moedas datando da Era Romana.  As moedas foram encontradas na região na área de Shrewsbury, Shropshire, na Inglaterra. O Serviço de Museus do governo local acredita que as moedas tenham ficado enterradas por pelo menos 1.700 anos,  já que foram cunhadas entre os anos 320 d.C e 340 d.C, no final do governo de Constantino I, quando o território inglês servia de zona de abastecimento de alimentos para o Império Romano.   Na pilha, há moedas que comemoram o aniversário e a fundação de Roma e de Constantinopla.   Juntas elas pesam aproximadamente 32 kg.

As moedas foram encontradas num grande e simples vasilhame de barro e enterradas no solo inglês.  O topo do vaso já havia se quebrado mesmo sob a terra, ao longo dos anos, mas as 300 e poucas moedas que deslizaram para fora foram também recuperadas pelo arqueólogo amador.   As moedas, aproximando em número 10.000, são todas de bronze.  Algumas tem banho de prata.  Elas eram conhecidas como NUMMI, e eram comuns no século IV da nossa era. É provável que essa grande quantidade de moedas enterradas faça parte do tesouro de uma comunidade, ou de uma única pessoa, mas devem ser o resultado de pagamento por uma ou mais colheitas.  Só não se pode  imaginar porque essas economias não foram retiradas do solo por seu dono.  

O grupo de moedas e o jarro em que foram encontradas foram mandados para o museu Britânico para um exame detalhado do material encontrado.  No museu, o processo de limpeza das moedas, separação daquelas que se fundiram umas às outras e classificação deve levar diversos meses.   Até lá essa descoberta não estará acessível ao grande público.

FONTE:  Shropshire Star





Encontrado novo tesouro Viking que muda perspectiva histórica

29 08 2009

vikings

 

O maior e mais importante tesouro viking encontrado na Grã-Bretanha desde 1840 será exibido em exposições em Londres e York após cuidadosos trabalhos de reparação.  O tesouro de mil anos, provavelmente enterrado às pressas por um nobre viking em Northumbria durante a invasão dos anglo-saxões, poderia indicar segredos históricos que estavam perdidos, afirmou um especialista do Museu Britânico.

Os especialistas acreditam que as peças poderiam redesenhar as linhas históricas da conquista anglo-saxônica sobre os vikings durante o século X. O achado inclui objetos do Afeganistão, Irlanda, Rússia e Escandinávia, sublinhando a disseminação global dos contatos culturais durante a época medieval.

O Museu Britânico e o Museu York Trust, em Yorkshire, adquiriram as peças raras em conjunto por um milhão de libras. O tesouro foi descoberto com detector de metais em um campo de Harrogate, no norte de Yorkshire.

O tesouro inclui uma taça de prata com valor estimado em mais de £ 200.000, e  617 moedas de prata e fragmentos diversos, lingotes e anéis.  

Especialistas esperam que o processo de limpeza das peças revele detalhes cruciais sobre a era viking.  Exames preliminares indicam que o tesouro data de 927 ou 928. Conservadores já forneceram explicações interessantíssimas: o copo, que foi dourado dentro e por fora, provavelmente pertenceu a uma igreja, pois sua decoração exterior é um símbolo viking usado para representar Jesus Cristo. Algumas das moedas, podem ainda dar novas informações: nesta época acreditava-se que  partes da Grã-Bretanha [Staffordshire e Yorkshire]  já tivessem escapado do domínio viking, mas, há moedas, dentre essas achadas, que mostram que os vikings ainda cunhando sua própria moeda nessas regiões dominadas.  Uma dessas moedas, com a inscrição “Rorivacastr”, deve ter originado em Roceter, no século X [Staffordshire], na fronteira viking  com os anglo-saxões.

Gareth Williams, curador de moedas medievais e especialista da cultura viking no Museu Britânico, disse que esta moeda, especificamente, mostra que a região ainda deveria estar sob controle viking, apesar de os anglo-saxões já a considerarem sob seu domínio, na época.  Acrescentou, que foi verdadeiramente excepcional encontrar,  um vasto leque de moedas a partir de lugares distantes como a Escandinávia, Europa continental, Tashkent e Afeganistão.

Nada parecido foi encontrado há mais de 150 anos. O tamanho e variedade de material nos dá uma visão da história política, da diversidade cultural do mundo viking e das influências cultural e econômica nesta área, no período“, disse ele.  “Novas informações históricas inigualáveis virão com o estudo cuidadoso desse material nos próximos anos.

 

viking

 

David Whelan, e seu filho, André, de Leeds, que descobriram o pacote enterrado, disseram que, inicialmente, parecia um dia azarado, quando foram para o campo, munidos de seus detectores de metal, numa manhã de sábado, em janeiro. Eles tinham sido proibidos de entrar em duas fazendas e haviam brigado entre si antes de visitarem a contragosto o campo, que já haviam explorado e só haviam descoberto botões na área.  

 Pai e filho descobriram, então, um tesouro tão raro que é apenas o segundo desse tipo encontrado na Grã-Bretanha.    É possível que o tesouro pertencesse a um rico Viking que o enterrou durante os tumultos, depois da conquista de Northumbria, em 927 pelo rei anglo-saxão Athelstane.   O tesouro ficará em exposição no Museu de Yorkshire, em York, de 17 de setembro até novembro, quando será transferido para o Museu Britânico.

 

Fontes:  The IndependentTerra





As Parcas, ou Moiras, temidas por todos

24 08 2009

As Parcas, 1587, Jocob Matham, (Holanda,  1571-1631)Gravura em metal, Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUAAs Parcas, 1587

Jacob Matham ( Holanda 1571-1631)

Gravura em metal

Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

 

A discussão do livro Um Toque na estrela, de Benoîte Groult,  fica mais interessante quando se sabe quem são as Parcas ou as Moiras.  Assim, antes de postar algumas notas sobre o livro, achei que deveria me lembrar com maior detalhe sobre as Parcas.

As Parcas, [Moiras, em grego], são personagens mitológicas da Grécia antiga.  Mais tarde,  o mito grego foi importado pelos romanos. Na península italiana, elas ficaram conhecidas como Parcae, em português Parcas. 

 

 As Parcas, william-blake, 1795, bico de pena e aquarela sobre papel, Tate Gallery, Londres

As Parcas, 1795

Wlliam Blake (Inglaterra 1757-1827)

Bico de pena e aquarela sobre papel

Tate Gallery, Londres

 

São filhas das Trevas [Érebo] com sua irmã Noite [Nix].   E são três: 

Nona [Clotho] que tece o fio da vida, tecendo os dias,  atua com outros deuses aos nascimentos e partos.

Décima [Lacheisis] cujo nome em grego significa “sortear”, puxa e enrola o fio tecido, calculando seu comprimento, enquanto gira o fuso ou roldana e determina o nosso destino.  É ela a responsável pelo quinhão de atribuições que se ganha em vida.

Morta [Átropos] cujo nome em grego significa “afastar”, corta o fio da vida, determinando o momento de nossa partida. 

 

as parcas, Sampo Kaikkonen (Finlandia) ost

As Parcas, 2008

Sampo Kaikkonem ( Finlândia, contemporâneo)

óleo sobre tela.

 

Nona tem seu nome alinhado aos nove meses de gestação dos humanos.  Nove luas.

Décima tem seu nome alinhado ao nascimento, quando a vida se determina. Dez luas.

Morta tem seu nome alinhado ao momento final da vida terrena.

 

Dizem que até hoje em certas partes da Grécia acredita-se na existência destas entidades. 

As Parcas, 1513, Hans Baldung Green ( Alemanha 1484-1545) xilogravura, Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

As Parcas, 1513

Hans Baldung Green ( Alemanha 1484-1545)

Xilogravura

Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

 

Nas artes plásticas estas três personagens são em geral identificadas por três mulheres.  Mas há raros casos em que seres sem distinção de sexo também representam as Parcas.  Em geral elas são representadas fiando, medindo e cortando um fio.  Nona tem o fuso na mão.  Às vezes, mas muito raramente ela tem como atributo uma roca de fiar.  Décima tem uma roldana por onde passa o fio e Morta, a a mais terrível de todas, segura uma tesoura.  Há ocasiões em que Nona segura o fuso e Décima mede com um bastão o fio.  Também com freqüência vemos uma cesta no chão repleta de fusos.   Em geral elas aparecem como personagens numa composição alegórica de grandes proporções, próximas à imagem da Morte, um esqueleto com uma foice, que pode ou não estar dirigindo uma carruagem.  [Dictionary of Subjects and Symbols in Art, James Hall)

 John Strudwick, Um fio de ouro,  1885, ost

Um fio de ouro, 1885

John Strudwick ( Inglaterra, 1849-1937)

Óleo sobre tela

 

Observação:

 

Não sou lingüista,  Mas vejo algumas semelhanças lingüísticas que ajudam a memorizarmos os nomes:

Clotho – em grego – para Nona, que tece o fio da vida, deve ser a origem da palavra cloth em inglês, que é significa tecido.

As Parcas também eram conhecidas com Fatas no mundo romano.  Daí certamente:

Fate, em inglês, que quer dizer destino.

Fada em português que é uma entidade que pode influir e transformar o destino da vida humana.

Fado em português que significa destino, sorte.

 

 

 

As Parcas, artista_Ai_Don, caneta

As Parcas, 2008

Ai Don (contemporâneo)

Caneta e “Magic marker” sobre papel.

 

 

As Parcas aparecem freqüentemente na literatura clássica.  A cena da tapeçaria belga, abaixo, representa o 3° tema do poema Os Triunfos, de Petrarca ( Itália 1304-1374), O Triunfo da Morte.

 

as parcas, 1510-1520 tapeçaria belga

As Parcas, 1510-1520

Tapeçaria Belga

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Para ler o poema de Petrarca, com tradução de Luís de Camões, continue na sequência.

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O lobo e o cão, fábula de Esopo, recontada por Olavo Bilac e ilustrada por diversos artistas

1 08 2009

 

 Hoje, selecionei uma fábula de Esopo, recontada por La Fontaine entre outros.  Aqui, em versos magistrais de Olavo Bilac.  Por ser uma fábula popular, tenho muitas ilustrações, através dos séculos, que se referem diretamente a ela.   Coloquei algumas por entre o texto de Bilac.   No entanto, tenho ainda algumas outras ilustrações.  Para não corromper o texto completamente, [mais do que já o fiz] vou colocar outras ilustrações separadas, no final assim como repetir o texto original de Olavo Bilac. 

 

dog and wolf

Ilustração Harrison Weir (Inglaterra 1824-1906).

 

O lobo e o cão

 

                                  Olavo Bilac

 

 

Encontraram-se na estrada

um cão e um lobo.  E este disse:

— Que sorte amaldiçoada!

Feliz seria, se um dia

como te vejo me visse.

 

dog & wolf Eleanor Grosch

Ilustração Eleanor Grosch (EUA, contemporânea).

 

Andas gordo e bem tratado,

vendes saúde e alegria;

ando triste e arrepiado,

sem ter onde cair morto!

 

loup-chien-esope, moyen age

O cão e o lobo, ilustração em manuscrito francês, Idade Média.

 

 

Gozas de todo conforto,

e estás cada vez mais moço;

e eu, para matar fome,

nem acho às vezes um osso!

 

DOG AND WOLF BENNET

Ilustração Charles H Bennet (Inglaterra, 1829-1867).

 

 

Esta vida me consome…

Dize-me tu, companheiro:

onde achas tanto dinheiro?

Disse-lhe o cão: — Lobo amigo!

Serás feliz, se quiseres

Deixar tudo e vir comigo:

vives assim porque queres…

 

dog & wolf

 Ilustração, André Quellier (França, 1925)

 

Terás comida à vontade,

terás afeto e carinho,

mimos e felicidade,

na boa casa em que vivo!

Foram-se os dois.  Em caminho,

disse o lobo, interessado:

— Que diabo é isto?  Por que motivo

tens o pescoço esfolado?

 

dog and wolf,george fairpont

Ilustração Georges Fraipont (França, 1873-1912).

 

— É que às vezes amarrado

Me deixam durante o dia…

— Amarrado?  Adeus, amigo!

(disse o lobo) Não te sigo!

Muito bem me parecia

Que era demais a riqueza…

 

loupetchien, henri morin

Ilustração Henry Morin (França, 1873-1961).

 

Adeus!  Inveja não sinto:

quero viver como vivo!

Deixa-me com a pobreza!

Antes livre, mas faminto,

Do que gordo, mas cativo!

 

 

 

 

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Maria de Sanabria, de Diego Bracco

26 02 2009

barcos20026

 

 

 

 

Um bom romance histórico sempre me fascinou, principalmente quando o autor, como o uruguaio Diego Bracco, é um professor de história e tem o cuidado de colocar as fontes, ou a documentação em capítulo à parte como é o caso no livro Maria de Sanabria [ Rio de Janeiro, Record: 2008]. A vantagem destes romances quando são escritos por um historiador é que temos a impressão de aprender mais do que se estivéssemos sentados numa sala de aula atentos às explicações dos cuidados necessários, por exemplo, com a organização de uma expedição à América do Sul no século XVI.

 

E é esta exatamente a história fascinante que nos leva a conhecer bem mais de perto Maria de Sanabria, a organizadora da chamada expedição das mulheres  que atravessou o Atlântico em 1550.  Seis anos são necessários para que o grupo expedicionário tendo  chegado a Santa Catarina, depois de uma estadia muito difícil na costa do Brasil, que durou dois anos, procure, mais ao norte, a proteção dos portugueses na província de  São Paulo e finalmente chegue a Assunção, no Paraguai, um vilarejo ainda diminuto em 1556.  Lá, Maria de Sanabria se estabelece para ficar.  Seu filho do primeiro casamento tornou-se um monge franciscano e mais tarde um “dos grandes protagonistas da vida religiosa e intelectual no Rio da Prata.”  Enquanto que seu filho do segundo casamento, Hernandarias foi três vezes governador e grande protagonista civil e militar no Rio da Prata, uma figura de grande importância na história do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.

 

bracco

 

A vantagem deste romance é que podemos adentrar a vida diária, o desenrolar das tarefas comuns da época e entender as razões e as necessidades destas pessoas, melhor ainda do que se estivéssemos lendo uma tese de mestrado, descrevendo detalhes do dia a dia das limitações e dos compromissos que estavam implícitos numa família burguesa e também o que era ou não prescrito para uma mulher em Sevilha, neste período.  

 

É de grande virtude o fato deste historiador ser um ótimo contador de histórias.  Na verdade, Diego Bracco já foi honrado com o Prêmio de Narrativa da Universidade de Sevilha e com o Prêmio Revelação da Feira do Livro do Uruguai com o seu romance anterior:  El mejor de los mundos.  Digo isto, porque apesar de detalhes interessantíssimos, a narrativa corre suavemente, cheia de aventura e imprevistos, cheia de ação e simpatia para com Maria de Sanabria, de tal forma que as 270 páginas deste livro são lidas rapidamente, como num bom livro de aventuras.  

 

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Escritor e historiador Diego Bracco.

Há no entanto grande cuidado com a verdade histórica.  A descrição por exemplo dos preparativos da saída de Sevilha podem nos dar um gostinho desta preciosa maneira de contar a história:

 

Na última terça-feira de janeiro de 1550, a catedral de Sevilha recebeu com pompa e circunstância os que se preparavam para participar da expedição.  Depois da primeira missa da manhã, todos foram em procissão até o cais, levando uma imagem abençoada de Nossa Senhora das Mercês.  Os poucos que deviam conduzir a nau rio abaixo e os muitos que se juntariam a eles em Sanlúcar de Barrameda despediram-se como quem deixa uma festa e promete se encontrar na seguinte.  Pouco tempo, poucas e precisas manobras e uma única vela foram suficientes para que a embarcação desse início à viagem.  Uma multidão de curiosos fez seu rumor pairar sobre o navio que começava a se afastar em direção à desembocadura do rio.  Atrás da esteira d’ água, como se quisessem alcançar os que se distanciavam, ouviam-se risadas prognosticando infernos e também bênçãos lançadas como beijos no ar; prantos de mães pressentindo o pior e aclamações aos heróis que voltariam distribuindo ouro. [p. 150].

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Mas além de este ser um ótimo romance, além de ser rico em detalhes de época, um outro aspecto que o faz sensacional é justamente o resgate da história desta corajosa mulher, que se rodeou de outras mulheres para ganhar um espaço na história, para fazer, sua, a aventura do século.  Gosto de ver que as gerações de hoje e de amanhã, diferentemente da minha, têm e terão exemplos de mulheres corajosas e aventureiras que existiram de verdade.  Mulheres cujos retratos podem servir de exemplo de vida para todas as meninas e jovens que ainda hoje  vêem seus sonhos de aventura desconsiderados, minados, cerceados por costumes, pela família, por limitações que não lhes pertencem.   Leiam o livro, vale a pena!