
Ilustração: Mabel Rollins Harris
Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
(José Lucas de Barros)

Ilustração: Mabel Rollins Harris
Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
(José Lucas de Barros)
MUDANÇA…
Há mais do que a troca de endereços numa mudança. Há uma mudança interna, emocional que acompanha o processo de reajuste a uma nova residência. Pode até mesmo se transformar numa experiência catártica quando emoções variadas vindas do passado próximo ou de mais-que-passado voltam à tona, apresentando-se subitamente, sem pedir licença, e exigindo que se considere fatos que pensávamos há muito tempo devidamente sepultados.
Nunca fugi de mudanças, por mais trabalhosas e fisicamente difíceis que elas tenham sido. Mas todas elas, desde a minha primeira ao sair da casa de meus pais, até a desta semana, todas, têm em comum a re-avaliação do que se é, do que se pensa ser e do que imaginamos poder virmos a ser. Somos confrontados com um espelho real, quase cruel, de quem somos. Nem sempre é bonito. Às vezes é prazeroso. Mas as emoções rolam a cada caixa que se abre, a cada decisão do que se deve manter ou jogar fora.
Pandora, 1896
J W Waterhouse ( Inglaterra, 1849-1917)
Óleo sobre tela, 91 x 152 cm
Confesso que tenho me visto como Pandora, ao abrir as caixas de meus pertences. Cada caixa traz novas decisões. Não só onde colocar o conteúdo. Mas tenho que responder a pergunta interna: será que agora usarei este conteúdo com mais ou menos freqüência? Pra que mesmo que guardei estas ilustrações? E esses slides? Jogo fora? Terei tempo de digitalizá-los? Para quem? E por quê? São tão bons assim? E lá vou eu na rotina diária há 7 dias das perguntas incessantes que definem, fazem o perfil e demonstram para mim mesma meus sonhos passados, minhas esperanças. O que deu certo, o que não era para ser. O que tinha tudo para dar certo mas não deu. Esta reavaliação é e tem sido constante, e às vezes me leva das lágrimas às gargalhadas. Mas é uma reavaliação que faz bem à alma. E deste caos, desta incrível bagunça em que minha vida se transformou, como Pandora, guardo a esperança. A esperança de dias, de idéias, de paixões ainda muito mais gratificantes.
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NOTA: Tenho tido muitos comentários nesses últimos dias e prometo respondê-los amanhã. Hoje, a exaustão não deixa. Muito obrigada!
“Não me interrompam a leitura está boa. Já deixei espaço no banco, não precisa pedir permissão para sentar!” — Praça Serzedelo Correia, Copacabana, RJ.
Vemos no verde esperança,
No azul, nosso céu de anil,
No perfil de uma criança
O futuro do Brasil!
(Oscar Crepaldi)
Dra. Carlota Pereira de Queiroz
Comemorando Revolução Constitucionalista de 1932, nada mais natural do que trazer à lembrança a Dra. Carlota Pereira de Queiroz, primeira deputada federal do Brasil, eleita por São Paulo em 1933. Sua projeção na política paulista surgiu durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Ela organizou um grupo de 700 mulheres e junto com a Cruz Vermelha deu assistência aos feridos nesta guerra civil. Esse trabalho serviu de semente para uma vida pública, com deputada federal.
Carlota Pereira de Queiroz nasceu em 13 de fevereiro de 1892, em São Paulo. Veio de uma família abastada de fazendeiros pelo lado do pai e de uma família de políticos do lado da mãe. Mas não foi a importância de qualquer uma das famílias que mais a caracterizou. Foi simplesmente o fato de ser uma mulher moderna e que não aceitava as limitações comumente impostas pela sociedade. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1926), com a tese ” Estudos sobre o Câncer“. Interna da terceira cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e chefe do Laboratório de Clínica Pediátrica (1928), como assistente do professor Pinheiro Cintra. Foi comissionada pelo governo de São Paulo em 1929 para estudar Dietética Infantil em centros médicos da Europa. Sempre exerceu sua profissão.
Dra. Carlota Pereira de Queiroz, na Câmara dos Deputados, 1934.
Além disso, esta médica fez história no Brasil porque foi a primeira mulher a ser deputada. Nas eleições de 3 de maio de 1933, pela primeira vez em nossa história uma mulher foi eleita para uma cadeira na Câmara dos Deputados. Como parlamentar elaborou o primeiro projeto sobre a criação de serviços sociais no país. Em 1934, elegeu-se novamente, mandato que exerceu até o Golpe de Getúlio Vargas que fechou o Congresso Nacional, em novembro de 1937. Eleita membro da Academia Nacional de Medicina em 1942, fundou, oito anos depois, a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, da qual foi presidente durante alguns anos. Dra. Carlota Pereira de Queiroz faleceu em 17 de abril de 1982.
São Paulo, Capital, 1932
Navio a vapor, Rio Una, levou tropas de Juquiá a Cananéia, Revolução de 1932.
NOTA
Há mais informações neste blog sobre a Revoluçao Paulista de 1932. Com mais fotos e descrição de eventos de acordo com o diário de meu avô, Gessner Pompílio Pompêo de Barros, transcrito para este blog!
Pesquisadores descobriram uma nova subespécie de macaco numa parte remota da Floresta Amazônica, disse um grupo de conservação da vida selvagem com sede nos Estados Unidos na terça-feira. O macaco recém-descoberto foi visto pela primeira vez por cientistas em 2007 no Estado do Amazonas e é parente do sagui-de-cara-suja, conhecido pelo dorso marcado, disse a Wildlife Conservation Society (WCS).
O macaquinho, que é basicamente cinza e marrom e pesa 213 gramas, recebeu o nome de sagui-de-cara-suja de Mura, numa homenagem à tribo indígena de Mura, da região da bacia dos rios Purus e Madeira, onde a nova subespécie foi encontrada. Ele tem 24 cm de altura e uma cauda de 32 cm.
“Esse macaco descrito recentemente mostra que mesmo hoje há grandes descobertas na natureza a serem feitas”, disse Fábio Rohe, autor principal de um estudo que confirmou a descoberta, em um comunicado divulgado pela WCS. “Essa descoberta deveria servir de alerta de que ainda há muito a aprender sobre os locais selvagens do mundo, embora os homens continuem a ameaçar essas áreas com destruição.”
O estudo descobriu que o macaco está sendo ameaçado por projetos de desenvolvimento da região, incluindo uma grande rodovia que atravessa a floresta, que está sendo asfaltada e poderia aumentar o desmatamento.
Fonte: TERRA
Uma pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Educação do Rio revela que muitos alunos do Ensino Médio nunca ou raramente têm ajuda para fazer o dever de casa. A tarefa é solitária para 48,3% dos estudantes do 7º ao 9º do Ensino Fundamental. Os jovens do 4º ao 6º ano ganham um pouco mais de atenção: 35,2% têm apoio para cumprir a lição. O levantamento revelou, também, que a leitura por prazer é rara: menos de 10%, nos dois segmentos, buscam livros por iniciativa própria.
O trio de bons alunos Leonardo, Luiz e Ana Paula não sai da biblioteca em Copacabana: o hábito da leitura é fundamental para o sucesso escolar. A psicopedagoga Andrea Garcez, 33, mestranda em Educação pela PUC-RJ, destaca a importância de acompanhar o dever de casa dos filhos.
“Mas as tarefas devem ser realizadas pelo estudante e a ajuda só deve ocorrer quando solicitada. A realização de exercícios em conjunto fortalece o aprendizado e os laços familiares, cria o hábito do estudo e da pesquisa e aproxima os pais dos professores“, afirma.
No projeto Harmonicanto, no Cantagalo, a professora de Música Cássica, Oliveira, ensina canto e instrumentos musicais a 16 crianças e adolescentes da favela. E as auxilia no dever de casa diariamente. “Percebi que, para desenvolverem bem o dom da música, elas precisavam de ajuda nas tarefas escolares. O rendimento delas melhorou muito, tanto nas atividades da ONG, quanto na escola“, assegura.
Histórias da selva, 1895
James Jebusa Shannon (EUA, 1862-1933)
óleo sobre tela, 87 x 114 cm
The Metropolitan Museum of Art, Nova York
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O leitor ávido, é um bom aluno.
Mais de 70% dos alunos só vão às prateleiras quando o professor leva e mais de 10% confessaram nunca terem ido à Sala de Leitura da escola. Os irmãos Leonardo, 11 anos, e Ana Paula Rodrigues Barreto, 10, do 4º e 5º ano da Escola Municipal São Tomaz de Aquino, no Leme, vão diariamente à Biblioteca Popular Municipal Infantil Max Feffer, em Copacabana.
“Às vezes troco uma ‘pelada’ por uma hora na biblioteca“, conta Léo. O quarteto de leitores, e também bons alunos, é completado pelos irmãos Luiz Carlos da Silva Marques, 10, e Lucas, 13: juntos, já leram mais de 30 livros este ano.
Pais devem ler perto dos filhos
A Secretaria Municipal de Educação tem atraído os pais para a tarefa de criar nos filhos o hábito da leitura. “Os pais são orientados sobre a importância da criação do hábito diário de acompanhamento nos exercícios de casa e a verificar se o dever está sendo corrigido pelos mestres. Estamos incentivando parentes a ler perto dos filhos nas horas de lazer“, disse a secretária Cláudia Costin.
A prefeitura incrementará o acervo das Salas de Leitura, presentes em 1.060 das 1.062 escolas municipais. Mestres são instruídos a levar os alunos lá com mais freqüência.
A locomotiva e o cavalo
Paula Brito
[ Fábula de Lachambeaudie]
Rival da Locomotiva
Um Cavalo buscou ser,
Supondo que mais do que ela
Ele podia correr.
Num caminho em que tomavam
Ambos igual direção,
Disse ao Vapor o Cavalo,
Brioso escarvando o chão.
Por mais que queiras não podes
A palma ter da vitória,
Nem fazer com que teu nome
Como o meu brilhe na história.
Do fogo que te alimentas
As línguas vejo sair:
É nesse arsenal de guerra,
Que tens que te consumir.
— “ Deveras, tu te apresentas
Como meu competidor?
Pretendes lutar? — lutemos,
Disse ao Cavalo o Vapor.
Malgrado a desproporção
Entre um e outro querer,
Junto da Locomotiva
Põe-se o Cavalo a correr.
Um enche os ares de pó,
Outro de negra fumaça!
Não há triunfo entre os dois,
Pois um ao outro não passa.
Exausto, porém, de forças,
O Cavalo cai e morre;
Que faz a Locomotiva?
Com mais fogo ‘inda mais corre!
—–
Quando a proterva ignorância
Foge do século à luz
No abismo se precipita
A que seu erro a conduz.
Sempre que a velha rotina
Ao progresso der conselho,
Será bom que não te esqueça
De se mirar no espelho.
—–
Em: O Espelho, revista de literatura, modas, indústria e artes, 18 de setembro de 1859, página 8.
Francisco de Paula Brito ( RJ 1809 – RJ 1861) – tipógrafo, editor, jornalista, escritor, poeta, dramaturgo, tradutor e letrista. Foi aprendiz na Tipografia Nacional. Trabalhou em seguida, em 1827 no Jornal do Comércio. Em 1831 passa a livreiro e editor com Tipografia Fluminense de Brito & Cia. Em 1833 lança o jornal O Homem de Cor, primeiro jornal brasileiro contra o preconceito racial. É na sua editora que se forma a “Sociedade Petalógica”, grupo de poetas, compositores, atores, líderes da sociedade, ministros de governo, senadores, jornalistas e médicos que “constituíam movimento romântico de 1840-60” Por outro lado, a tipografia de Paula Brito serviu também de ponto de encontro entre músicos populares [ Laurindo Rabello e Xisto Bahia, por exemplo] e poetas românticos. A combinação produziu muitas parcerias musicais, principalmente no gênero das modinhas, que serviriam de embrião para a música popular urbana, popular no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
Obras:
Anônimas, poesia, 1859
O triunfo dos indígenas, teatro, sd
Os sorvetes, teatro, sd
O fidalgo fanfarrão, teatro, sd
A revelação póstuma, conto, 1839
A mãe-irmã, conto, 1839
O Enjeitado, conto
A marmota na Corte, periódico humorístico, 1849
A Maxambomba, teatro
A mulher do Simplício, ou A fluminense exaltada, periódico humorístico, 1832
Ao dezenove de outubro de 1854, dia de S. Pedro de Alcântara, nome de S. M. o Sr. D. Pedro II, poesia
Biblioteca das senhoras, 1859
Elegia à morte de Evaristo Xavier da Veiga, poesia, 1837
Fábulas de Esopo para uso da mocidade, arranjadas em quadrinhas, poesia, 1857
Monumento à memória do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos e de seu irmão Francisco de Paula, 1859
Norma, teatro, 1844
Oferenda aos brasileiros, sd
Os Puritanos, teatro 1845
Poesias de Francisco de Paula Brito, poesia, 1863
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Pierre Lachambeaudie (França, 1807 – 1872) foi um escritor de fábulas francês.
A cigarra e a formiga
Bocage
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.
«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
– Cantavas? Pois dança agora!»
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Bocage
Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.