Corrente de formiguinhas, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

15 06 2010

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Corrente de formiguinhas
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                                                                      Henriqueta Lisboa

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Caminho de formiguinhas,

fiozinho de caminho.

Caminho de lá vai um,

atrás de uma lá vai outra.

Uma, duas argolinhas,

corrente de formiguinhas.

 

Corrente de formiguinhas,

centenas de pontos pretos,

cabecinhas de alfinete

rezando contas de terço.

 

Nas costas das formiguinhas

de cinturinhas fininhas

pesam grandes folhas mortas

que oscilam a cada passo.

Nas costas das formiguinhas

que lá vão subindo o morro

igual ao morro da igreja,

folhas mortas são andores

nesta procissão dos Passos.

 

 

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Delta: s/d.

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Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira.  Escritora, ensaísta,  tradutora professora de literatura,  Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.  Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

 Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento

 

 





Detetive de arte se revela e publica livro

15 06 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

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Na semana passada o jornal The New York Times publicou um artigo interessante sobre  Robert K. Wittman, um agente do FBI especializado na investigação e recuperação de objetos de art e antiguidades roubados.   Tendo se aposentado, o antigo X-9, está no momento correndo livrarias em noites de autógrafo desde o lançamento de seu livro Priceless: How I Went Undercover to Rescue the World’s Stolen Treasures [Não tem preço: como me tornei um agente secreto para recuperar os tesouros roubados do mundo].   Vindo de uma família de classe média em Baltimore, no estado de Maryland, filho de  sargento da aeronáutica que se casou com uma jovem coreana durante a Guerra da Coréia, Robert Wittman não havia pensado em se tornar um detetive de arte, e ao que tudo indica ele conta em seu livro não só como isso aconteceu como diversas de suas maiores capturas e aventuras no mundo do crime da arte e da antiguidade.

 

Mas o que me leva a fazer esse registro no blog, além de estar interessada em ler o seu livro, foi a citação do New York Times, de uma observação do Sr. Wittman, que traduzo aqui livremente.

 

Ladrões de arte roubam mais do que belos objetos;  eles roubam memórias e identidade.  Eles roubam a história“.  [“Art thieves steal more than beautiful objects; they steal memories and identity. They steal history.”  ]

 

Concordo com essa afirmação e vou ampliá-la.  O descuido com o patrimônio cultural — como vemos nos nossos prédios desabando, mesmo que “protegidos”, a falta de cuidado e identificação do que temos — como mostrei nas observações que fiz sobre as esculturaas dos jardins do Palácio do Catete, aqui mesmo nesse blog, – tudo isso funciona da mesma forma, como um roubo das nossas memórias, da nossa identidade e da nossa história.

 





Orlando Teruz, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

14 06 2010

Futebol, 1983

Orlando Teruz ( Brasil 1902-1984)

Óleo sobre madeira, 80 x 100 cm

Coleção Particular





As luvas, texto da Revista O ESPELHO de 4 de setembro de 1859

14 06 2010

Muito cedo, 1853

James Tissot ( França 1836-1902)

óleo sobre tela

The Guildhall Art Gallery,  Londres, Inglaterra

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As luvas

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                                                                           M. de Azevedo

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Não há moça de mão delicada, nem rapaz do tom, que deixe de trazer a sua luva de pelica. 

É possível em um baile encontrar-se alguma moça com os braços descobertos, com o cabelo sem enfeite, com o colo despido, com um vestido simples, porém com as mãos nuas, sem luvas, isso não, é coisa que não se vê, nem em qualquer casa, em que haja uma simples contradança. 

A luva pois é tão necessária para quem vai ao baile, como é preciso o lenço para quem tem defluxo. 

Na verdade, a mão mimosa e peqienina, como a de uma boneca, coberta com uma luva de pelica, que fique justa aos dedos, parecendo constituir uma nova pele formada pela arte, adquire tanta graça, tanto feitiço, que obriga, às vezes, a meia dúxia de namorados a andar de beiço caído e de cabeça tonta.

Ah! que bela invenção não foi a luva!

Antigamente usavam-se luvas de couro, depois começaram a aparecer as de algodão; hoje as que estão mais em moda são as de Jouvin, que é um Monsieur, que sabe fazer luvas melhor do que ninguém.

No Baile, 1875

Berthe Morisot ( França, 1841-1895)

óleo sobre tela

Em França as luvas começaram a ter voga no reinado de Henrique III, porque uma fidalga que tinha influência nessa corte, principiou a usar desse enfeite, e então todos quiseram imitar a favorita do rei!

E é assim que quase todas as modas têm aparecido.

Uma dama de Henrique IV foi a uma caçada, o ginete atirou a cavaleira no chão, com a queda foi-se o penteado da dama; então um fidalgo deu à duquesa algumas fitas para ela atar o seu cabelo; e desde então ficou sendo moda trazer fitas ao cabelo!

Outrora quando qualquer valentão queria fazer algum desafio, arremeçava a sua luva ao chão, e aquele que a apanhava dava a entender que queria brigar, que aceitava o duelo.

Na Inglaterra fazem-se luvas de goma elástica, com as quais se pode lidar sem perigo com ácidos, alcalis, e sais, que mais vivamente atacam a pele.

Assim como a cabeleira esconde, à vezes, uma calva carunchosa e feia, assim as luvas ocultam também a mão grossa e rude como um pé de boi!

Senhora com luva, 1870

Adolphe William Bouguerreau ( França, 1825-1905)

óleo sobre tela

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—  Tem luvas de lã de senhora?  disse um moço entrando em uma loja.

— Dessa lã não tenho, respondeu o caixeiro.

Quando algum vestido lhes fica justo, e assenta no corpo, dizem logo:

— Está que é uma luva.

Quando se quer obter uma casa em alguma rua importante, para se alcançar a chave, é preciso dar uma boa quantia, a que se chama — luvas.

A luva é um enfeite precioso; no baile torna bela e macia a mão da moça, e oculta muitas vezes a cartinha de namoro.

É um enfeite, que a etiqueta não dispensa; fazer uma visita de cerimônia sem levar luvas, é o mesmo, que sair se casaca sem gravata ao pescoço.

Vivam, pois, as luvas, quer as de Jouvin, quer as de outro qualquer Monsieur, que houver por aí.

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Em: O Espelho: revista semanal de literatura, modas, indústria e artes, Rio Janeiro, 4 de setembro de 1859, vol. I, nº 1.





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13 06 2010

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Alfredo Volpi, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

12 06 2010

Meninos jogando, s/d

Alfredo Volpi  (Itália 1896 — Brasil 1988)

esmalte sobre azulejo, 15 x 15 cm

Coleção Particular

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Cartaz da Copa do Mundo de 2010

11 06 2010

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Hoje foi a abertura da Copa do Mundo.  Para celebrar este evento nada melhor do que rever o fabuloso design do cartaz oficial da FIFA.





Olhar na África: as bicicletas de bambu

11 06 2010

Bicicletas azuis, 2004

Inha Bastos ( Brasil 1949)

Óleo sobre tela,  90 x 130 cm

No início deste ano, a Der Spiegel, publicou um excelente artigo de Andrea Reidl sobre bicicletas de bambu.  Guardei-o e nada melhor do que este momento de Copa do Mundo, com os nossos olhares no continente africano e hoje me lembrei do assunto.

Bicicletas de fibra de carbono e de alumínio estão definitivamente entre os itens do passado.  Hoje o melhor modelo manufaturado vem mais leve, mais forte, mais confortável e deixa uma pegada de carbono muito menor para um modo de transporte que está entre os mais desejados na preservação do meio ambiente.

Até hoje, o mais conhecido construtor de bicicletas de bambu is Craig Calfee, que mantém sua oficina na costa californiana.  Suas bicicletas têm um desenho fenomenal e dependem da produção de uma gramínea: o bambu.   Mas ele não é o único.  Hoje bicicletas de bambu são produzidas em muitos países africanos com bastante sucesso. 

A bicicleta Calfee.

Craig Calfee é em parte responsável pela própria competição, já que foi em Gana que fundou  o Projeto Bamboosero, — que é um projeto com apoio parcial do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, que tem como objetivo ensinar os ganenses a construírem  uma bicicleta de bambu, e mais tarde até, quem sabe, abrirem uma pequena fábrica de bicicletas.   A facilidade do projeto está nos insumos.  O material é simples: bambu, que é encontrado em todos os continentes, no mundo inteiro, abundante.  Ele  precisa ser curtido por quatro meses antes de ser usado na fabricação das bicicletas; e como liga, fibras de cânhamo embebidas em resina são usadas para amarrar os tubos de bambu.   Mas o sucesso está também na eficiência, o bambu é leve e extremamente resistente.

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Bicicleta de bambu, detalhe.

Craig Calfee já construía bicicletas antes de desenvolver  o modelo de bambu.   Era já bastante conhecido por ter desenvolvido bicicletas de fibra de carbono para os maiores ciclistas do mundo.  Procurando por algo novo descobriu o bambu.

Além de ser um elemento encontrado universalmente, além de ser bom para o meio-ambiente, de ser barato, de ser de fácil manuseio, o bambu, ou melhor, a armação de uma bicicleta em bambu absorve a vibração do movimento de maneira ainda mais suave do que a que é feita de fibra de carbono.  E é mais resistente a qualquer impacto do que as bicicletas tradicionais demonstrando muito maior resistência à quebra, fatores confirmados em testes científicos na EFBe, na Alemanha.

Bicicleta de vime.

Há algumas outras vantagens que a armação de bambu tem sobre qualquer outra, entre elas, a relativa facilidade com que pode ser manufaturada em países em desenvolvimento, porque o material usado, o bambu, cresce praticamente ao lado de qualquer tipo de grupo de manufatura.  Além  disso, bicicletas são um importante meio de transporte nas sociedades em desenvolvimento que abrange toda a população: crianças indo para a escola; a ida para o trabalho ou para o mercado dos adultos de uma família; o transporte de pequenas cargas.

Depois do sucesso do projeto em Gana, que começou em fevereiro de 2008, outros países começam a receber incentivos semelhantes do Bamboosero: Uganda, Libéria, Nova Zelândia e Filipinas.

Bicicletas de material natural em Gana.

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Craig Calfee não é o único trabalhando em solo americano com o desenvolvimento de modelos de bicicletas de bambu.  Nick Frey, que é um engenheiro e ciclista passou dois anos desenvolvendo o seu modelo de bicicleta de bambu para, com outros quatro engenheiros, formar a companhia de bicletas de bambu chamada Sol Cycles, na cidade de Princeton, NJ.  Logo depois deslocou-se para o estado do Colorado onde fundou a companhia Boo Bicycles que também se especializa em bicicletas de bambu.   Há outros nessa competição de bicicletas de bambu: Daedalus em Portland, no estado de Oregon, que constrói esse tipo de bicleta desde 2005.

E é claro há os competidores de outros lugares do mundo.  Na Dinamarca a firma Biomega já constrói um tipo de bicicleta com excelente design enquanto em Berlim, na Alemanha, a Universidade Técnica desenvolve as bicicletas Berlin Bamboo Bikes.  A pesquisa do engenheiro alemão Nicolas Meyer, de Osnabruck na Baixa Saxônia, deu um passo a frente manufaturando bicicletas de fibra de cânhamo, que levam o rótulo de sua companhia  a Onyx Composites, que se especializa em projetos de construção leve que usem matéria prima sustentável.

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Manufatura de uma bicicleta de bambu em Gana.

Para um projeto de bicicletas usadas na corrida de triatlo sua bicicleta tem uma combinação de bambu e cânhamo.  Essa mistura de duas diferentes fontes de matéria prima combina 60% de cânhamo com 15% de bambu e o resto de fibra de carbono e alumínio. 

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O produto final em Gana.

 

Mas a grande vantagem, no momento, dessas bicicletas está explícito no pequeno vídeo de Calfee, que mostro abaixo, que é além da praticidade de transporte e da preservação do meio ambiente, é o número de empregos que uma pequena companhia de construção de bicicletas de bambu pode criar.  Empregos que certamente podem levar a um crescimento econômico mais estável e sustentável.

VÍDEO EM INGLÊS:






10 de junho, Dia de Camões

10 06 2010

Aniversário, 1915

Marc Chagall ( Bielorrússia 1887 — França 1985)

óleo sobre tela 81 x 100 cm

MOMA ( Museu de Arte Moderna) , N ova York

Para comemorar o Dia de Camões escolhi postar um dos mais belos sonetos em língua portuguêsa.  Pelo tema, começo também a celebrar o Dia dos Namorados que aqui no Brasil se comemora no dia 12 de junho.  Este é bem conhecido, muitos de nós até sabemos partes sem saber que são versos de Camões.  Pois aqui está:

Amor é fogo que arde sem se ver

 

                                                                             Luís de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?





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10 06 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

Muito obrigada!