Um avô, poema de Stella Leonardos

23 07 2008

 

 Norman Rockwell, (EUA 1894 – 1978 ), Anúncio para passas secas,  SUNKIST.

 

UM AVÔ

 

 

 

Meu velho avô de alma jovem,

Inda hoje me comovem

As histórias que contavas.

Punhas nelas tanta vida,

Tanta força colorida,

Que tu mesmo as incarnavas.

Nos contos dos bons gigantes.

No Brasil dos bandeirantes.

Na Grécia cheia de glória.

Só não contaste as façanhas

Que tiveste.  As lutas ganhas

E as perdidas com vitória.

E nem grego ou brasileiro

Foi mais esteta e pioneiro

Do que tu quando sonhaste.

Meu velho avô de alma jovem!

Mais que as outras me comovem

As histórias que calaste.

 

 

Stella Leonardos

 

 

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.

 





Buri, SP continua na luta de 1932

23 07 2008
Força voluntária chega às pequenas estações ao Sul de São Paulo

Força voluntária chega às pequenas estações ao Sul de São Paulo

 

Sexta-feira, 23 de julho de 1932

 

Continuam as forças em Buri.  Consta terem havido muitos combates na zona de Queluz e na do Túnel.  Um avião federal distribuiu manifesto ou boletim à cidade.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 130, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Soldados abençoados antes da partida.  Revolução Constitucionalista.

 

Soldados são benzidos antes de partirem para a luta.  São Paulo, 1932.





A Borboleta Amarela — poema infantil de Ladyce West

23 07 2008
Mark Anderson

Borboleta amarela. Foto: Mark Anderson

 

A Borboleta Amarela

 

 

A borboleta amarela

pousou no beiral da janela.

Abriu suas asas listradas

cansadas de muitas estradas

e dormiu.

 

 

Ficou um bom tempo parada

até se sentir renovada.

Limpando as patinhas da frente,

jogou-se pelo muro bem rente

e seguiu.

 

 

Lá foi ela pelos ares

saltitando em ziguezagues.

Pousou na flor do caqui,

pulou daqui para ali

e partiu.

 

 

Por entre a grade de ferro, passou.

Por trás dos ramos floridos, voou.

Parou no banco da praça,

eis que um gato lhe ameaça…

e fugiu.

 

 

 

© Ladyce West, 2008, Rio de Janeiro

 

Ladyce West ( RJ – contemporânea)

http://ameiavoz.blog.terra.com.br





Só houve luta em Itararé — Diário da Revolução de 1932

23 07 2008

 

Voluntários moços e velhos.  Muitos não voltaram.

 

Quinta-feira, 22 de julho de 1932

 

As forças paulistas por seu comando geral do setor sul resolve evacuar a zona de Faxina e estabelecer-se em Buri. Em verdade,  porém, só houve combate em Itararé.  Nas outras zonas ocupadas, as forças de São Paulo se acantonaram, tomaram posições, mas não deram um tiro, nem o inimigo as procurou.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 130, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 





O canto do peixe-balão: sedução a meia voz

22 07 2008

Recentemente a Associated Press, noticiou que uma pesquisa financiada pelas National Science Foundation e pelos National  Institutes of Health nos EUA,  descobriu que “cantar ao pé do ouvido” é um comportamento de conquista sexual usado não só por seres humanos, batráquios e mamíferos. Surpreendentemente, os peixes podem, agora, ser incluídos nesta lista.  Tudo indica que os sons que os peixes produzem não cheguem a ser um canto tal como associamos aos dos pássaros, ou até mesmo aos assobios das baleias ou  ao coaxar dos sapos.   Parece mais um murmúrio musical, um “cantar de boca fechada” registrado entre os peixes-balão na hora de atrair o sexo oposto.

 

A equipe do neurobiólogo Andrew H. Bass, da Universidade de Cornell, se concentrou no estudo dos peixes-balão.  Observaram o animal desde larva por já se saberem de antemão que eles produziam mais de um som.  Mas o Professor Bass, rapidamente explica que não se trata de um uso mais sofisticado, refinado de um cérebro de peixe.  A melodia, ou melhor, o murmúrio emitido pelos peixes-balão está longe das melodias dos pássaros ou dos sons produzidos por mamíferos.  Mesmo assim, trata-se de um sistema complexo de neurônios engajado na produção destes sons, um sistema antigo, que remonta às centenas de milhões de anos em que a evolução da vida no planeta, como a conhecemos, se formou.

 

São dois os sons produzidos pelo peixe-balão:

 

1) um murmúrio, como se fosse o zumbir de uma abelha.  Este é o canto Donjuanesco que atrai a fêmea para o macho. 

 

2) o outro é um som ameaçador, usado quando o peixe sente a necessidade de proteger seu território de reprodução.  

 

A localização dos nervos vocais descritos na pesquisa corresponde a sistemas semelhantes encontrados nos sapos, pássaros e mamíferos.   Mas muito mais pesquisas como esta ainda serão necessárias para podermos ter uma melhor idéia da evolução da comunicação entre os animais.





As Borboletas, poema infantil de Vinícius de Moraes

22 07 2008

 

Professor Pardal.  Ilustração Walt Disney.

Professor Pardal. Ilustração Walt Disney.

AS BORBOLETAS

 

 

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas

 

Borboletas brancas

São alegres e francas.

 

Borboletas azuis

Gostam muito de luz.

 

As amarelinhas

São tão bonitinhas!

 

E as pretas, então…

Oh, que escuridão!

 

 

 

Vinícius de Moraes

 

 

Do livro:

 

A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; páginas 58 e 59. 14ª edição.

 

 

Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

 

Livros:

 

O caminho para a distância (1933)

Forma e exegese (1935)

Ariana, a mulher (1936)

Novos Poemas (1938 )

Cinco elegias (1943)

Poemas, sonetos e baladas (1946)

Pátria minha (1949)

Antologia Poética (1954)

Livro de Sonetos (1957)

Novos Poemas (II) (1959)

Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)

A arca de Noé; poemas infantis (1970)

Poesia Completa e Prosa (1998 )

 

 

—-

 
 

Outros poemas de Vinícius de Moraes neste blog:

 

A cachorrinha

 

Veja o vídeo de Denise Shinotuka:



 

 





A mágica do canto dos pássaros desvendada

22 07 2008
Canarinho.  MW Editora & Ilustrações

Canarinho. MW Editora & Ilustrações

A grande variedade de notas musicais registradas pelos pássaros nos cantos matinais tem sido através dos séculos motivo de inspiração para músicos, poetas, artistas e qualquer indivíduo que tenha o prazer de ainda poder ouvir o canto dos pássaros onde mora.  

 

Agora, um estudo publicado na revista virtual Public Library Science em conjunto com a Universidade da Dinamarca do Sul, parece ter desmascarado o mistério envolvendo o canto matinal dos pardais europeus:  eles têm, em comum com as cobras naja, com as pombas e muitos peixes, músculos vocais extremamente rápidos.  A rapidez de vibrações musculares, causa um grande leque de sons, era considerada bastante rara,  mas depois destes últimos estudos observando o canto dos pássaros,  descobriu-se que esta habilidade é muito mais comum, e talvez cubra um número muito maior de espécies, do que antes fora imaginado.  

 

Para um pardal, ou um pássaro europeu comum, a média de 250 vezes por segundo de abertura e fechamento das cordas vocais é o necessário para produzir as melodias  maravilhosas que ouvimos.   Esta variedade de contrações musculares permite que cada pássaro tenha um repertório próprio para sua espécie, destinado a cada situação.  Com este tipo refinamento vocal os pássaros controlam com precisão a voz, o volume e a vibração necessários para o sucesso de sua sobrevivência.





Boatos e pânico em Itapetininga, 1932

21 07 2008

Em combate

Em Combate

 

Quarta-feira, 21 de julho de 1932

 

Boatos.  Guerra de boatos.  Ofensiva e defensiva radio telefônica entre a P.R.A. X do Rio e a Rádio Record de S. Paulo!  Há pânico na cidade motivado pelo recuo de Faxina. [?] [sic]  Um avião lançou bombas no campo de aviação.

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 129, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





TÊNIS, poema de Guilherme de Almeida, infantil

21 07 2008

 

TÊNIS

 

A titia

borda e espia

o gato branco, enroscado

no feltro verde da mesa

e acordado,

com certeza.

 

Um novelo

cai.  E, ao vê-lo,

o gato bate na bola

e a bola, branca de neve,

pula e rola,

fofa e leve…

 

Silenciosa,

vagarosa,

 uma duas angolinhas…  

a bola solta uma lenta,

longa linha

que se aumenta.

 

Pouco a pouco,

no mais louco

desnorteante corrupio,

a bola desaparece.

Mas o fio

Cresce… cresce…

 

 

Guilherme de Almeida

 

 

 

Guilherme de Andrade e Almeida – (SP 1890 — SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro.

 

Principais Obras

Poesia

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).

Ensaios:

Do sentimento nacionalista na poesia brasileira, (1926);

Ritmo, elemento de expressão (1926)

 





Diferenças entre cérebros femininos e masculinos

21 07 2008
Adão e Eva Iluminura, Manuscrito Hunterian 209, séc. XII Universidade de Glascow, Escócia.

Adão e Eva Iluminura, Manuscrito Hunterian 209, séc. XII Universidade de Glascow, Escócia.

 

No jornal britânico The Independent do dia 18 deste mês, encontrei um artigo de Michael McCarthy, na seção de ciências, que achei bastante interessante.  Tudo indica que os cérebros dos homens e das mulheres apresentam maiores diferenças do que até hoje se assumia.

 

Sou filha de um cientista e me lembro de meu pai recitando as diferenças entre os cérebros masculinos e femininos, em termos de peso e de tamanho.  Tal critério foi, por muitos anos, por gerações mesmo, usado para justificar idéias sociais absurdas: porque não se precisava dar atenção à educação das mulheres (com um cérebro menor reteriam menos informação),  justificando, em muito, a até então considerada superioridade masculina.  Isto tornou este tópico de especial interesse para mim, que apesar de não ser cientista, sempre mantive os olhos e ouvidos bem abertos para o assunto.  

 

O resultado da pesquisa mais recente sobre as diferenças dos cérebros entre homens e mulheres é que na verdade eles parecem ser dois tipos diferentes de cérebros, ambos pertencentes à raça humana.  O que indica esta diferenciação são três pontos nunca antes percebidos em conjunto: 1) a “planta baixa”, ou seja, o mapeamento dos cérebros dos seres humanos é diferente de acordo com o sexo; 2) os circuitos que conectam partes de cada cérebro também apresentam diferenças essenciais; 3) os agentes químicos que transmitem as mensagens dentro do cérebro também são diferenciados.  Estas três grandes diferenças justificam o que antes se considerava serem diferenças causadas por hormônios sexuais, pressões sociais e diversas peculiaridades anatômicas.   Mas, anteriormente, não havia uma maneira de se saber por que, por exemplo, problemas de saúde mental são diferenciados de acordo com o sexo da pessoa, assim como por que certos remédios são mais eficazes nos homens do que nas mulheres?

 

As diferenças encontradas se concentram, até o momento, no lóbulo frontal, que é considerado o local onde decisões são tomadas e problemas resolvidos.   Nas mulheres esta região é bem maior do que nos homens.  As emoções, por tanto tempo associadas ao sexo feminino, realmente têm razão de ser, pois estão fomentadas, reconhecidas e localizadas no córtex límbico — que é também  maior nas mulheres do que nos homens.   Outra grande diferenciação aparece no hipocampo – o local responsável pela memória recente assim como navegação espacial. 

 

Nos homens são maiores: o córtex parietal — responsável pela percepção do espaço; e a amídala — local determinante do comportamento emocional, sexual e social do homem.  Assim tudo indica que há uma paridade entre diferença de tamanho e diferença de organização funcional.

 

Estas diferenças ajudariam a explicar alguns dos quebra-cabeças da ciência: 1) por que mulheres conseguem agüentar dores por longos períodos de tempo 2) por que mulheres e homens diferem nas reações ao ópio e seus derivados.  Mulheres são mais sensíveis ao ópio com analgésico ao passo que homens são mais suscetíveis aos analgésicos baseados na morfina. 

 

Como até hoje todos os remédios e todos os estudos sobre o cérebro humano têm sido baseados simplesmente no cérebro masculino há chance de que muitas novidades ainda estejam para serem descobertas e divulgadas, quando os cérebros femininos forem tão estudados quanto os masculinos.