Ipiranga, poesia para o Dia da Independência, Bastos Tigre

5 09 2011

Paisagem do Campo do Ipiranga, 1893

 Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

Óleo sobre tela, 100 x 147 cm

Museu do Ipiranga, USP

Ipiranga

                        7 de setembro

                       Proclamação da Independência

Era arroio humilde e pequenino,

A deslizar, tranquilo e mansamente

Sem ideais e sem destino,

Sem ambições no coração de água corrente.

Boiadeiros, tangendo, nas estradas,

Cansadas reses, em jornadas lentas,

Buscavam-te por vezes.  E as boiadas

Bebiam, ávidas, sedentas,

Tuas águas barrentas.

Ipiranga, outro préstimo não tinhas.

Riacho, ribeiro, córrego, regato…

Jamais se soube de onde vinhas,

A serpentear dentro do agreste mato.

Jamais se soube aonde ias,

Rolando molemente nos calhaus,

A tua vida sempre igual, todos os dias,

Sem dias bons, sem dias maus.

No teu sono de rio preguiçoso

Não pensaste, jamais, que, num surto triunfal,

Chegarias a ter neste apogeu glorioso

Os fidalgos brasões de nobrreza fluvial.

E em radiosa manhã de setembro, eis que, ousado,

A tua timidez de córrego abandonas

E penetras na história audaz, transfigurado

Em possante caudal, desafiando o Amazonas.

E do teu curso, então, muda-se a trajetória;

E demarcas com ela, heril e sobranceiro,

Nos novos mapas da brasileira história.

A linha divisória

Entre Brasil-colônia e o Brasil brasileiro.

Ipiranga! Que importa, acaso, a procedência

A origem do teu nome?  Ipiranga, em verdade,

No idioma do Brasil traduz Independência,

Na língua nacional quer dizer: Liberdade!

Rio imenso, o Brasil cortas de sul a norte

E entram pelos sertões teus afluentes, aos mil.

Na voz d’água clamando.  Independência ou Morte.

Nas cachoeiras cantando o nome do Brasil.

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, 2 vols, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982.

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882.  Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.  Mas dedicou-se às letras.  Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957.  Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.





Painel de Aluísio Carvão, no Rio de Janeiro, restaurado!

5 09 2011

Painel de azulejos,  1996 [ vista da Avenida Visconde de Albuquerque]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon,  entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

Foi com muito prazer que acompanhei nas minhas caminhadas o processo de restauração do longo e colorido mosaico de Aluísio Carvão.    A restauração levou muito tempo para quem queria vê-lo intacto de novo, mas valeu a pena a espera.

Painel de azulejos, 1996  [ vista da esquina de Visconde de Albuquerque com rua Mário Ribeiro]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon, entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

O painel foi instalado no muro do quartel 23º Batalhão da Polícia Militar.  Quando a prefeitura do Rio de Janeiro uniu a Rua Mário Ribeiro à Avenida Padre Leonel Franca, dando acesso ao tunel Lagoa-Barra, foi feito o projeto de embelezamento desse muro no bairro do Leblon.  Isso deu origem a este grande mosaico em azulejos coloridos.

Painel de azulejos, 1996 [ vista do sinal da esquina de Visconde de Albuquerque com o sinal fechado, domingo de manhã]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon, entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

A melhor hora de se apreciar este painel por inteiro como nas fotos é de manhã, num domingo.  O trânsito nessa avenida é incessante.  Mesmo com carros parando no sinal para a travessia de pedestres, o painel fica encoberto. 

 

Painel de azulejos, 1996  [vista da calçada adjacente ao painel na rua Mário Ribeiro]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon, entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

É  charmoso vermos que a árvore, mais antiga que os projetos urbanísticos,  foi mantida, apesar do muro e do painel.  A vista acima é próxima à avenida Bartolomeu Mitre  e Largo da Memória.  

Painel de azulejos, 1996 [ vista parcial]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon, entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

Trecho final do painel que se destaca pelas cores vibrantes, próximo à Avenida Bartolomeu Mitre. 

Painel de azulejos, 1996 [ vista parcial]

Aluísio Carvão (Brasil, 1920-2001)

100x 3 metros

Localização: Rua Mário Ribeiro, ( por extensão chamada popularmente de Estrada Lagoa-Barra), Leblon, entre as ruas Bartolomeu Mitre e Visconde de Albuquerque.

Vista de um pedacinho — por trás das duas pistas da Rua Mário Ribeiro — do mosaico,  na ponta oposta à foto acima.  O painel começa [ ou termina] ao lado do edifício retratatado que está localizado na esquina da Avenida Visconde de Albuquerque com a rua Mário Ribeiro.

Saída do Túnel Zuzu Angel.

O painel acima, serve na verdade de boas vindas a quem vem da Barra da Tijuca para a Lagoa, ou a quem sai da Lagoa em direção à Pontifícia Universidade Católica.  O mosaico de Aluísio Carvão está à esquerda no quarteirão anterior ao fotografado.  Esse local no Rio de Janeiro pode ser chamado por dois nomes.  A parte elevada, que vai em direção ao Tunel Zuzu Angel, chama-se Estrada Lagoa-Barra.   À direita temos a Avenida Padre Leonel Franca, que leva à entrada da PUC-Rio.  O grande edifício arredondado, [na verdade ele tem uma forma sinuosa, da qual só vemos uma parte aqui] é um dos marcos da arquitetura moderna do século XX,  no Rio de Janeiro.  Leva a alcunha de “Minhocão”  e foi projetado Arquiteto Afonso Eduardo Reidy.





Trova da primavera

5 09 2011

Ilustração de Lisa Hutton, para a revista Better Homes & Gardens, de julho de 1929.

Primavera!  Que beleza!

A campina toda em flor.

É como se a natureza

despertasse para o amor.

(Álvaro Teixiera Fº)





Imagem de leitura — Baltazar Echave Orio

4 09 2011

Anunciação, 1621

Baltazar Echave Orio ( Espanha, 1558-1623)

Baltazar de Echave Orio,  nasceu em  Zumaya, na Espanha cerca de 1558.  Chegou ao México, naquela época chamado de Nova Espanha, em 1582, no ano em que se casou com Isabel de Ibia, filha do pintor Francisco de Zumaya.  Tudo indica que foi nessa ocasião que começou a pintar.  Estudou com seu sogro.  Seu trabalho reflete uma grande influência dos pintores maneiristas italianos.  Morreu eu 1623 na cidade do México.





Volpi, nos olhos de Murilo Mendes

4 09 2011


Mogi das cruzes, 1939

Alfredo Volpi (Brasil, 1896-1988)

Óleo sobre tela, 54 x 81 cm

Museu de Arte Contemporânea – USP

VOLPI

           –       –              –  Murilo Mendes

Alfredo Volpi, substantivo próprio, indica um artesão que opera um horizonte proposto, implanta a cor quadrada no quadrado, ajuda a demarcar a cidade terrestre limpa excluindo a bomba.

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Volpicor  Volpiespaço  Volpitempo  Volpiaberto área de recorte exato campo preciso da cidade pilotado programado.

*

Volpi A figurativo.  Volpi B abstrato concreto.  Divide-se em duas metades que afinal se justapõem; aderindo à realidade, um só corpo, uma só cabeça.  Informação múltipla.

*

Um solo Volpi: Volpi sobre Volpi.  Janela brancaverdeazul.  Bandeira de rigor e sem fronteiras.

Em:  Transistor: antologia de prosa, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980

Banderinha, 1958

Alfredo Volpi (Brasil, 1896-1988)

têpera sobre tela, 44 x 22 cm

Museu de Arte Contemporânea — USP

Murilo Rodrigues Mendes (1901 —1975) poeta, cronista, jornalista, professor.  Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais.  Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1920.  Formou-se em medicina.   Percorreu o mundo divulgando a cultura brasileira.  Na década de 1950 estabeleceu-se na Itália onde ensinou literatura brasileira na Universidade de Pisa.  Faleceu em Lisboa em 1975.

Obra:

Poemas, 1930

Bumba-meu-poeta, 1930

História do Brasil, 1933

Tempo e eternidade – com Jorge de Lima, 1935

A poesia em pânico, 1937

O Visionário, 1941

As metamorfoses, 1944

Mundo enigma, 1945

O discípulo de Emaús, 1945

Poesia liberdade, 1947

Janela do caos, [França] 1949

Contemplação de Ouro Preto, 1954

Office humain [França], 1954

Poesias [Obra completa até esta data], 1959

Tempo espanhol [Portugal], 1959

Siciliana [Itália], 1959

Poesie [Itália], 1961

Finestra del caos [Itália], 1961

Siete poemas inéditos [Espanha], 1961

Poemas [Espanha],1962

Antologia Poética [Portugal], 1964

Le Metamorfosi [Itália], 1964

Italianíssima (7 Murilogrami) [Itália],1965

Poemas inéditos de Murilo Mendes [Espanha], 1965

A idade do serrote, 1968

Convergência, 1970

Poesia libertá [Itália], 1971

Poliedro, 1972

Retratos-relâmpagos, 1ª série, 1973

Antologia Poética, 1976

Poesia Completa e Prosa, 1994





Pegadas revelam 12 tipos de dinossauros em serra peruana

4 09 2011

Ornithomimus, na figura, é um terópodo.

A província de Huari, perto da Cordilheira Blanca, na serra central do Peru, foi habitada há 125 milhões de anos por pelo menos 12 tipos de dinossauros, cujas pegadas ficaram impregnadas a 4,8 mil m de altitude, explicou o paleontólogo Carlos Vildoso em entrevista publicada neste sábado em Lima.

Todos falam da extinção dos dinossauros, mas também houve fatos ao longo da era Mesozoica que foram determinando a vida no planeta“, declarou Vildoso ao jornal El Comercio. Segundo o encarregado destas descobertas, ali foram “encontradas mostras que há um período no Cretácio no qual o oxigênio desaparece“.

Em Huari se encontraram desde 2005, quando se descobriram as primeiras, pelo menos 12 formas diferentes de pegadas, entre as quais há dinossauros carnívoros (terópodos, carnossauros e celurossauros), além de herbívoros com pescoço longo e os que eram dotados de bico, segundo o jornal.

O estudo se centrou em 40 km da estrada Conococha a Yanacancha e só nessa região já foram encontrados restos valiosos”, acrescentou Vildoso. O especialista explicou que essa região peruana rodeada por neve era, segundo as evidências, uma floresta tropical e queao percorrerem (os dinossauros) este terreno de barro, as pegadas ficaram gravadas e se fossilizaram

Vildoso, que trabalhou em estudos similares em outras partes do país, disse que os restos poderiam estar inclusive no campo nevado de Pastoruri, muito visitado por turistas, e que por motivos de mudança climática está perdendo seu volume de gelo. “Agora que a neve está retrocedendo, podem ser observadas com maior clareza, embora ainda seja cedo para afirmá-las“, declarou.

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  1. Terópodes — eram grandes dinossauros bípedes e em sua maioria carnívoros, como o Tiranossauro rex.
  1. Carnossauro — definição criada para dinossauros carnívoros como o Alossauro e o Giganotossauro, dois dos maiores dinossauros conhecidos.
  1. Celurossauro — eram terápodes menores que podiam ter penas e tinham ossos ocos. As aves modernas descendem dos celurossauros, embora fosse mais corretodizer que as aves são os últimos celurossauros vivos

 

Fonte: Revista Veja Online





Imagem de leitura — David Joseph Bles

4 09 2011

Uma mulher elegante lendo, s/d

David Joseph Bles ( Holanda, 1821-1899)

óleo sobre madeira, 13 x 17 cm

David Joseph Bles, nasceu em Haia em 1821.  Estudou na Academia de Artes de Haia.  Trabalhou no ateliê de Cornelis Kruseman de 1838 a 1841.  Trabalhou também com Alexander Hugo Bakker Korff.   Seguiu para Paris onde estudou com  Joseph Robert-Fleury retornando à Holanda em 1843.  Especializou-se na pintura de gênero em particular às cenas da classe média abastada, que sempre retratou com cuidado e bom humor.  Dedicou-se à pintura e à gravura.





Filhotes fofos — Panda

4 09 2011

O filhote de panda gigante Fu Hu (que significa tigre com sorte) comemorou seu primeiro aniversário no zoológico de Viena, na Áustria. Ele nasceu no próprio zoológico no dia 23 de agosto de 2010. Em seu aniversário, ganhou caixas recheadas de legumes.

Os pais de Fu Hu são um casal de pandas emprestados da China que chegaram à Áustria em 2003 e devem ficar no zoo por mais dois anos. Ao nascer, o panda pesa apenas cerca de 300g, mas quando adulto, ele chega a 90 kg e 1,5 m de altura. O panda gigante é uma espécie sob forte risco de extinção. Sua maior ameaça é a caça ilegal.

Fonte: Terra

 





Quadrinha infantil sobre o sorriso

3 09 2011

“Muito riso e pouco sizo”,

diz-nos o velho ditado.

Mas eu digo que um sorriso

sempre dá bom resultado…

(Lucina Long)

 





Imagem de leitura — Bascove

2 09 2011

Lendo na cama, 1994

Anne Bascove ( Filadélfia, EUA, 1946)

óleo sobre tela,  85 x 85 cm

www.bascove.com

Anne Bascove nasceu na cidade da Filadélfia nos EUA.  Formou-se pela Faculdade de Arte da Filadéfia e hoje reside nos Estado Unidos.  www.bascove.com