Uma lenda de Araribóia

17 04 2009

indio

Índio, ilustração de Maurício de Sousa.

 

 

 

 

 

 

 

Lenda de Araribóia

 

 

Conta-se que, estando presente no Rio de Janeiro o governador Antônio Salema, o índio Araribóia foi visitá-lo.  Ofereceram-lhe, então, uma cadeira, e ele trançou as pernas como era seu costume.  Alguém lhe disse nessa ocasião, que sua atitude não era cortês, estando presente o governador.  O índio respondeu com altivez:

 

— Se tu soubesses como estão cansadas as minhas pernas das guerras em que servi ao Rei, não repararias neste pequeno descanso agora.  Mas já que achas que não tenho cortesia, vou para a minha aldeia, onde não cuidamos dessas coisas.

 

 

 

Em: Vamos estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, [edição especial para o estado do Rio de Janeiro]  RJ, editora Agir: 1957

 

 

 

 

 

Antônio Salema  (Alcacer do Sal, Portugal)  Jurista, formado pela Universidade de Coimbra, nomeado professor em 14 de dezembro de 1565 para a missão no Brasil, Antonio de Salema recebeu a autoridade de Desembargador da Casa de Suplicação por Carta Régia de 2 de março de 1570.

Sua missão no Brasil, inicialmente seria a de jurista/juiz e não capitão ou governador.  Saiu de Lisboa em 6 de junho de 1570, junto com Dom Luís de Vasconcelos; sua frota foi atacada pelos franceses Jacques Sória e Capdeville, causando à morte do Governador nomeado (Dom Luís de Vasconcelos) e de 40 jesuítas que o acompanhavam; a morte do governador antes de chegar no Brasil, levou Antonio de Salema a ser nomeado mais tarde Governador das Terras do Sul. Salema conseguiu chegar a Bahia e desempenhou seu cargo entre 1571 e 1573, sendo então nomeado Governador das Terras do Sul em 1572. Em janeiro de 1574 seguiu para o Rio de Janeiro.  





Pelo Dia do Índio: Araribóia

17 04 2009

arariboia

Araribóia, 1965

Dante Croce (Niterói 1937)

Praça Martim Afonso, Niterói

Estado do Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

Arariboia ou Ararigbóia (em tupi, “cobra feroz” ou “cobra da tempestade”) foi cacique da tribo dos Temiminós, do grupo indígena Tupi, em meados do século XVI.  Nesta época os franceses, com o apoio dos índios Tamoios, tomaram o controle da Guanabara, na então Capitania do Rio de Janeiro, em 1555.  Índio corajoso e leal, Araribóia muito ajudou os portugueses na luta contra os franceses.  Praticou muitos atos de heroísmo.  Entre eles conta-se que atravessou a nado uma grande extensão de águas na baía de Guanabara para liderar o assalto ao Forte Coligny e incendiar o depósito de pólvora da fortaleza que os franceses ali haviam construído em 1556 logo em seguida à tomada da ilha na baía de Guanabara.  Com o auxílio de Araribóia os portugueses conseguiram vencer decididamente a luta contra os invasores liderados por Nicolau Durand de Villegainon.  Villegainon havia se associado aos índios Tamoios que lhe deram apoio de 70 mil homens.   

 

 

 

 Mas os Tamoios eram há tempos inimigos dos Temiminós.  Este aspecto em muito facilitou o fervor da luta dos dois lados e a associação dos portugueses com Araribóia, que fortaleceu o lado português com  oito mil homens, indígenas conhecedores do território e inimigos dos Tamoios, foi de grande valia para o desfecho da luta. 

 

Os serviços prestados por Araribóia foram tão preciosos para Portugal que, em recompensa, o rei lhe concedeu o título de comendador da Ordem de Cristo e lhe ofereceu uma extensa porção de terra que incluia a  Praia Grande, na baía de Guanabara.  O chefe índio foi residir com sua gente nas terras que lhe foram doadas, instalando-se na encosta do morro São Lourenço, em 22 de novembro de 1573.    Convertido ao catolicismo pelos Jesuitas, Arariboia escolheu o nome de batismo de  Martim Afonso, em homenagem a Martim Afonso de Sousa.   Como recompensa pelos seus feitos, Arariboia recebeu também da Coroa Portuguesa a sesmaria de Niterói (em língua tupi, “água escondida”).   

 

 

 

 

 

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Ilha do Gato

Terra dos Temiminós

Mapa da baía da Guanabara

João Teixeira Albernaz, 1624

 

 

 

 

 

O arraial de Praia Grande, fundado por Araribóia, desenvolveu-se rapidamente.  Em 10 de maio de 1819 foi elevado a vila.  Em 1834 foi a vila real da Praia Grande escolhida para servir de sede à assembléia legislativa provincial, tornando-se então capital da provincia do Rio de Janeiro, em 1835.  No ano seguinte foi-lhe conferido o título de cidade com o nome de Niterói. 

 

 

 

Curiosamente, Arariboia morreu afogado nas proximidades da ilha de Mocanguê-mirim, ainda em 1574.

 

 

 

É considerado o fundador da cidade de Niterói, e uma estátua sua pode ser vista no centro da cidade, fronteira à estação das barcas, com os olhos voltados para a baía de Guanabara e a cidade do Niterói sob sua proteção.

 





Mercúrio na Baía de Guanabara, RJ

17 04 2009

baia-com-pescadorVista parcial da Baía de Guanabara, RJ, com pescador e o Corcovado ao fundo.  Foto:  Ladyce West

 

 

 

 

 

 

 

 

O jornal O Globo de hoje, na seção Ciências, traz um artigo sobre os níveis de mercúrio encontrados nos animais que freqüentam as águas da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro.  

 

Estudo feito pelo biólogo Jaílson Fulgêncio de Moura da Escola Nacional de Saúde Pública (Enso/Fiocruz) mostra que as águas da Baía de Guanabara apresentam altos níveis de contaminação por mercúrio.  Como já explicamos aqui neste blog [ Aumenta o nível de mercúrio no oceano, 16/4/2009] todos nós sofremos com o envenenamento por mercúrio.  Mas os problemas são ainda piores para as mulheres grávidas, cujo consumo de mercúrio pode causar problemas neurológicos nos fetos.

 

Jaílson de Moura analisou o nível de mercúrio nos golfinhos que visitam a Guanabara, mais especificamente o boto-cinza, que se alimenta de peixes, entre eles muitos peixes consumidos pelo homem.    O estudo, iniciado em 2002, se concentrou no golfinho, porque este mamífero em geral acumula em seu organismo substâncias contaminantes encontradas no meio ambiente.  

 

Além do mais, trata-se de uma espécie que ocorre até cinqüenta metros de profundidade, ou seja, é um animal de regiões costeiras, que são as que sofrem mais impacto das atividades humanas, explicou o biólogo.

 

As águas da Baía de Guanabara recebem uma grande quantidade de dejetos industriais, o que explica o aparecimento do mercúrio nos golfinhos estudados.  Além do mais estes botos vivem aproximadamente 30 anos, o que ajuda aos especialistas a analisar o tempo de exposição e consumo de mercúrio que estes animais tiveram ao longo de suas vidas.

 

Apesar de não termos os níveis assustadores de contaminação de mercúrio já encontrados em golfinhos na Ásia, cada vez mais, vemos a necessidade de imediata atenção na recuperação das águas da Guanabara, na limpeza, na despoluição da baía.

 

 

 





Imagem de leitura — Toraji Ishikawa

17 04 2009

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Mulher lendo, 1935

Toraji Ishikawa (Japão 1875-1964)

Xilogravura

 

 

 

Toraji Ishikawa (Kochi, Japão, 1875-1964) – estudou com Koyama Shotaro.   Viajou por dois anos pela Europa e EUA [1902 a 1904].  De volta ao Japão fundou a “Taiheiyogakai”,  — uma associação de artistas,  pintores no estilo ocidental.  Em 1915 Toraji participou da Mostra  Panama-Pacific em São Francisco. Em 1934 completou a serie de dez nus femininos – em xilogravura — que talvez sejam seus mais conhecidos trabalhos.  A partir de 1943 torna-se diretor da Escola de Arte Pacífica e depois da Segunda Guerra Mundial trabalha na Universidade de Educação de Tóquio. Recebeu o Prêmio do Imperador da Academia Japonesa de Artes em 1953.

 

 

 





Paraguaçu, poema de Raquel Naveira

16 04 2009

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Mulher Tupinambá com criança, 1641-44

Albert Eckhout, Flandres (1610-1666)

Óleo sobre madeira, 265 x 157 cm

Museu Nacional da Dinamarca

 

 

 

Paraguaçu

 

                                   Raquel Naveira

 

Paraguaçu,

Índia tupinambá.

Apaixonou-se  por Caramuru.

 

Caramuru era um peixe,

Alongado como uma serpente

De mucilagem azul,

Era a alcunha de Diogo Álvares Correia,

O náufrago português,

O homem de fogo

Capaz de matar aves do céu;

Saíra por encanto

Das águas do mar

Gotejando pelos poros

Pequenos brilhantes.

 

Por esse deus misterioso,

Cheirando a pólvora,

Enamorou-se Paraguaçu,

Índia de olhos grandes,

Negros como um turvo rio.

 

Caramuru e Paraguaçu

Partiram numa caravela

Rumo à França,

Lá ela se tornou Catarina,

Nome de rainha e santa.

 

Cobriram de tulherias e sedas

Seu corpo nu

De selvagem menina,

Entre livros e castelos

Sua alma se estilhaçava

Entre dois mundos.

 

Regressaram à Bahia,

Diante de injustiças

E desmandos,

Caramuru prisioneiro,

Paraguaçu virou guerreira,

Flechas zumbiram nos ares,

Depôs e matou o donatário Pereira.

 

Paraguaçu,

Índia tupinambá,

Mulher, terra, nação,

Submeteu-se por muito amar.

 

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

 

 

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

 

Obra:

 

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007

 

 

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Albert Eckhout (Groningen, 1610 — 1666) foi um pintor, artista plástico e botânico flamengo. É autor de pinturas do Brasil holandês envolvendo a população, os indígenas e paisagens da região Nordeste do Brasil. Viajou também por outras regiões da América, antes de retornar à Europa.

 

 

 

 

 

Para outro quadro de Albert Eckhout neste blog:

 

Dos Prazeres da Mesa Nordestina

 





19 de abril, o Dia do Índio

16 04 2009

caramuru-chegada

 

Caramuru-Guaçu, 1958

Ernesto Frederico Scheffel (Brasil, RS 1927 –)

Óleo sobre tela, 368 x 197,5 cm

Rio de Janeiro

www.scheffel.com.br

 

 

 

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No próximo dia 19, comemoramos o Dia do Índio.  Nos meus anos de escola, no curso básico, sempre lembrávamos este dia e minhas professoras a cada ano faziam com que aprendêssemos algum detalhe a mais sobre os índios brasileiros.  

 

Dentre as muitas lembranças que tenho desta data, ficou marcada em minha memória, uma história que infelizmente me parece um pouco esquecida nos dias de hoje, que é a história de Paraguaçu, a mãe-símbolo de todos os brasileiros.  

 

Não estou interessada em descobrir se tudo o que se diz de Paraguaçu, de Caramuru, ou de Moema realmente aconteceu.  Não acredito que este seja o verdadeiro valor dessa história para o inconsciente coletivo brasileiro.   Muito pelo contrário, acredito ser de extrema importância que mantenhamos as nossas fábulas, as nossas histórias, os nossos contos fantásticos.  Eles fazem parte da nossa gente.  E comemoram todos os que aqui vieram morar.

 

Então vamos nos lembrar de Paraguaçu e de Caramuru:

 

 

caramuru-paraguacu-na-franca

Diogo Álvares Correia e sua esposa, Catarina do Brasil, Paraguaçu.

 

 

 

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A HISTÓRIA DE CARAMURU

 

 

José e Marly tinham pedido ao avô que lhes contasse uma história.  Vovô Miranda acendeu o cachimbo e começou:

 

—  Corria o ano de 1510.  Naquele tempo os portugueses assombravam o mundo com as suas grandes descobertas marítimas.  Vasco da Gama tinha achado o caminho das Índias.  Pedro Álvares Cabral descobrira o Brasil. 

 

Diogo Álvares, então com 22 anos, ficou entusiasmado com os feitos gloriosos dos seus compatriotas.  E resolveu viajar pelo mundo à procura de aventuras.  Deixou a pequena aldeia em que vivia, seguiu para Lisboa e lá embarcou num navio que partia para as Índias.

 

Durante muitos dias a viagem correu tranqüila.  Mas uma tarde, o céu escureceu, os ventos sopraram com violência e o mar tornou-se furioso.  A tripulação do  navio tudo fez para evitar o naufrágio.  Infelizmente, depois de dois dias de luta incessante, o navio foi tragado pelas ondas.  

 

Diogo Álvares, o comandante e alguns marinheiros conseguiram, a muito custo, alcançar a praia.  Diogo Álvares foi o último a chegar.  E ainda estava nadando, quando viu de longe, o comandante e os marinheiros serem mortos pelos índios.  

 

Diogo Álvares logo que caiu, exausto na praia, foi aprisionado.  Não foi porém massacrado, como esperava.  Sua pele alva despertou o apetite dos indígenas e a admiração de uma jovem índia, Paraguaçu, filha do cacique Taparica.  Conduzido à taba, foi entregue às mulheres para ser engordado.  Mais tarde seria morto e comido. 

 

Diogo Álvares teve, porém, a sorte de carregar consigo uma espingarda e um pouco de pólvora.  Um dia, estava à porta de sua maloca, sob a vigilância das mulheres, quando avistou um pássaro que voava em sua direção.  Levou a arma ao rosto e fez a pontaria.  Pum! Um tiro ecoou no espaço e o pássaro caiu morto.

 

Ouviu-se então um alarido infernal.  Os índios estavam aterrorizados.  Nunca tinham visto uma espingarda atirar.  Para eles, Diogo Álvares era um demônio que manejava o raio.  E exclamaram,  pálidos de espanto: Caramuru!  Caramuru!

 

— Que quer dizer Caramuru?  interrompeu José.

 

— Homem do fogo ou filho do trovão, ensinou vovô Miranda.

 

— Daí por diante, Diogo passou a ser o verdadeiro chefe daquela tribo.  Casou-se com a linda Paraguaçu, filha de Taparica, cacique dos Tupinambás.  E ajudou estes, graças ao terror que infundia sua espingarda, a derrotar todas as tribos inimigas.  

 

Tempos depois, Diogo Álvares, saudoso da Europa, embarcou com sua esposa, num navio francês que apareceu na Bahia, região onde se encontrava.  Chegando à França, foi conduzido, em Paris, à presença do rei Francisco I.  Ficou este tão interessado por Diogo e Paraguaçu que resolveu casá-los na igreja.  A cerimônia foi realizada por um bispo.  O enxoval foi oferecido pela rainha e fidalgas francesas.

 

— Com certeza, ficaram na França, gozando as delícias de Paris, comentou Marly.

 

— Não, minha filha.  Diogo e Paraguaçu voltaram para a Bahia.  Preferiram viver no meio dos índios.  Tiveram muitos filhos e ajudaram bastante os portugueses a colonizar o Brasil.

 

 

Em:  Brasil, minha pátria!, Theobaldo Miranda Santos, livro para a 3ª série escolar, Rio de Janeiro, Agir: 1954, p- 12-13.

 

 

Vocabulário:

 

Assombravam – causavam admiração, espanto, terror.

Feitos – atos, empresas, façanhas.

Gloriosos – cheios de glória, honrosos.

Compatriotas – da mesma pátria.

Tragado – devorado, engolido.

Exausto – esgotado, muito cansado.





Aumenta o nível de mercúrio no oceano

16 04 2009

peixes-henry-carrieres

Peixes, sd

Henri Carrières [Henri Laurent Yves Carrières]

(França, 1947—radicado no Brasil desde 1952)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

Num artigo da revista NATURE, cientistas alertam para o aumento dos níveis de mercúrio no Oceano Pacífico.  Isso pode significar que mais metilmercúrio, uma neurotoxina humana formada quando o mercúrio é metilado por micróbios, se acumule em peixes marinhos como o atum.

 

Tradicionalmente a preocupação com a concentração de mercúrio na atmosfera era o centro das preocupações entre cientistas.  Mas agora estes números estão começando a se ampliar e busca-se,  num quadro mais amplo, o ciclo do mercúrio. As diretrizes do governo norte-americano quanto ao teor aceitável de metilmercúrio em peixes está agora sob revisão.

 

Elsie Sunderland, bióloga da Universidade Harvard, e seus colegas procuram por um possível mecanismo para a metilação de mercúrio no oceano.  Não se sabe exatamente de que maneira o mercúrio atmosférico – quer lançado diretamente no oceano, quer transportado pelos rios ou depósitos costeiros – é metilado e por fim absorvido pelos peixes.  Desta maneira representa uma das fontes primárias de exposição humana ao metilmercúrcio.

 

Os pesquisadores recolheram amostras na parte leste do Pacífico Norte, uma área que também havia sido monitorada em cruzeiros de pesquisa conduzidos por cientistas norte-americanos em 1987 e 2002.  Eles estimam que o mercúrio metilado seja responsável por altas taxas de até 29% de todo o mercúrio contido nas águas do oceano.  Menores concentrações estão presentes em massas de água mais profundas. A análise dos dados desenvolvidos pelo grupo indica que a deposição atmosférica de mercúrio  pode duplicar até 2050.  Se considerarmos os níveis existentes em 1999.

 

A equipe de Sunderland também encontrou uma relação entre os níveis de mercúrio metilado e carbono orgânico. Partículas de carbono orgânico, originado de fitoplâncton ou outras fontes, podem oferecer superfícies sobre as quais os micróbios seriam capazes de metilar mercúrio no oceano, sugerem os pesquisadores. O mercúrio metilado seria posteriormente liberado na água.

 

Não temos ainda um mecanismo causal para o fenômeno, mas ele parece estar vinculado ao bombeamento biológico do oceano“, diz Sunderland. Resultados anteriores de observações conduzidas no Pacífico Sul e na região equatorial do mesmo oceano, ela acrescenta, localizaram concentrações semelhantemente altas de metilmercúrio nos locais onde a atividade biológica era mais elevada. A conexão tem implicações para a mudança do clima e para o ciclo do mercúrio. Oceanos mais quentes e mais produtivos, com mais fito plâncton e mais peixes, poderiam elevar o volume de mercúrio metilado que termina nos pratos humanos.

 

 

 

 

pescadores-painting Pescadores em Copacabana, RJ.  Foto: Ladyce West

 

 

 

Os pesquisadores acham provável que as águas no oeste do Pacífico devem estar recebendo mercúrio por causa da elevação das emissões atmosféricas da Ásia.  De lá este mercúrio estaria se deslocando para a região o nordeste do Pacífico.  No momento, o oceano está refletindo as cargas de mercúrio geradas por deposição atmosférica no passado, diz Sunderland.

 

Daniel Cossa, do Instituto Francês de Exploração e Pesquisa Marítima (Ifremer), em La Seyne-sur-Mer, e seus colegas que também trabalham com o nível de mercúrio no mar, recolheram dados sobre mercúrio no Mar Mediterrâneo, para artigo a ser publicado em maio pela revista Limnology and Oceanography.

 

Os dois estudos indicam que nem todo o mercúrio metilado vem diretamente de fontes costeiras ou fluviais.  Eles conseguiram confirmar que ocorre metilação em profundidades moderadas nas águas oceânicas, como diz nicola Pirrone, co-autor do estudo dirigido por Cossa e diretor do Instituto de Poluição Atmosférica do Conselho Nacional de Pesquisa italiano, em Rende.

 

O oceano é um grande espaço em branco” no ciclo do mercúrio, diz Pirrone, que também comandou a avaliação científica sobre o mercúrio conduzida no ano passado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

 

Robie Macdonald, cuja especiadade tem se concentrado nos estudos do nível de  mercúrio nas águas do Oceano Ártico.  Diz que embora o mercúrio na atmosfera tenha se elevado em cerca de 400% nos últimos 100 a 150 anos, as concentrações parecem ter aumentado em apenas 30% nos oceanos. “Nós estivemos tão ocupados observando a atmosfera que não nos preocupamos com o oceano.  Ambos os estudos são realmente importantes.  É preciso chamar a atenção da comunidade científica quanto aos efeitos e riscos do mercúrio em geral“.

 

Quaisquer medidas de controle do metilmercúrio, porém, precisam levar em conta que volume vem de fontes naturais inevitáveis e que volume é gerado por fontes antropogênicas como a combustão de combustíveis fósseis, aponta Pirrone.

 

Há pressão pelas companhias de alimentos que produzem peixes enlatados para que não se faça necessário colocar nos rótulos de latas como as de atum, o  nível de metilmercúrio nos peixes para consumo alimentar.   No início deste ano, um tribunal da Califórnia decidiu que as empresas que produzem atum em lata não precisarim informar em suas embalagens sobre o teor de metilmercúrio em seus produtos. A  FDA [Food and Drug Administration] está avaliando suas normas quanto ao risco de consumo de metilmercúrio em peixes.

 

 

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Peixes, Mercado dos Pescadores, Posto 6, Copacabana, RJ.  Foto: Ladyce West

 

 

 

 

 

 

Como é que o metilmercúrio se acumula no peixe?  Apesar de o mercúrio surgir naturalmente no meio ambiente, a fonte primária do metilmercúrio, encontrado no peixe, é a poluição industrial. Através da chuva o mercúrio pode se acumular em riachos, rios, lagos e oceanos onde, através da ação de organismos anaeróbicos, é transformado quimicamente em metilmercúrio.  Os peixes absorvem o metilmercúrio ao alimentarem-se de organismos aquáticos. Peixes maiores e com uma vida mais longa alimentam-se de outros peixes, ao longo da sua vida, acumulando assim níveis maiores de metilmercúrio. O cozimento do  peixe ou sua exposição ao calor, infelizmente, não reduz os níveis de mercúrio.

 

Lembramos que no Brasil o metilmercurio é bastante encontrado em rios.  O mercúrio como se sabe, é  usado em jazidas de ouro, com a finalidade de separar o metal precioso do minério bruto.  Aqui já se tornou  um problema ambiental de alcance global. De fato, o mercúrio descartado no processo contamina as águas de rios, usadas para a lavagem dos minérios. Esse metal, pesado e extremamente tóxico, é acumulado nos organismos de espécimes da fauna e da flora. Se peixes contaminados por mercúrio forem consumidos na alimentação humana, há sérios riscos de desenvolvimento de uma doença que ataca o sistema nervoso, chegando, em casos extremos, a ser fatal.

 

A enfermidade decorrente da intoxicação por mercúrio foi descoberta por ocasião do pior caso de contaminação humana já causada pelo metal, na baía japonesa de Minamata, na década de 50.  A “doença de Minamata” afeta o sistema nervoso e o cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte. O metilmercúrio também ataca os fetos durante a gestação, sendo que até mesmo fetos de mães aparentemente saudáveis podem ser gravemente afetados.  Os fetos e recém-nascidos são muito sensíveis aos efeitos do metilmercúrio que provoca dano ao sistema nervoso central (SNC: cérebro e medula espinal).  A gravidade do dano está diretamente relacionada à dosagem recebida. Muitos dos efeitos no SNC são parecidos àqueles observados na paralisia cerebral, e acredita-se que o metilmercúrio seja a causa de uma forma de paralisia cerebral.

 

O metilmercúrio —  que é uma substância orgânica derivada do mercúrio – também vem sendo usado para preservar sementes de grãos.  Surtos de envenenamento por este metal também têm ocorrido pela ingestão de sementes de grãos ou carnes de animais que se alimentaram desses grãos

 

Fontes:  Portal Terra, Canal Ciência, Enciclopédia Ilustrada da Saúde, Produtos Naturais

 

 

 

 

 





Túmulos de Marco Antônio e Cleópatra encontrados!

16 04 2009

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Marco Antônio e Cleópatra, 1885

Sir Lawrence Alma-Tadema ( UK e Holanda 1836-1912)

Óleo sobre madeira,  65,5 cm x 92 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Uma missão arqueológica realizada por pesquisadores egípcios e romanos afirma ter encontrado novas provas que confirmam a localização da tumba de Cleópatra, a rainha mais famosa do Egito (70 a.C. – 30 a.C.), e seu amante Marco Antônio, célebre general romano, nas proximidades de Alexandria, segundo um comunicado emitido nesta terça-feira.

O diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do país, Zahi Hawas, informou que um cemitério foi descoberto junto ao templo de Taposiris Magna, no Lago Mariut, hoje chamado de Abusir. A estrutura foi erguida durante o reino de Ptolomeu II (282-246 a.C.).

 

 

 

 

 cleopatra

 

 

A tumba dos amantes estaria nas ruínas do templo Taposiris Magna, perto de Alexandria.

 

 

No local, foram desenterradas 27 tumbas, algumas delas douradas, e dez múmias. Segundo Hawas, a instalação foi utilizada por nobres e funcionários que escolheram o lugar devido à proximidade com uma tumba real presente no interior do templo, reforçando a idéia de que seria a de Cleópatra.

De acordo com a nota, os estudos realizados pela diretora dominicana da missão, Kathleen Martínez, demonstram que os restos dos famosos amantes repousam no complexo funerário, a 50km ao oeste de Alexandria. O comunicado lembra também que nesta zona foram resgatados uma cabeça de alabastro (pedra semelhante ao mármore) que representa Cleópatra e 22 moedas de bronze com a imagem da rainha, além de uma estátua real decapitada e uma máscara de Marco Antônio.

 

 

 

reliquias

 

Relíquias como 22 moedas de bronze com a imagem da rainha egípcia foram descobertas no local.

Além disso, o comunicado explica que um radar ajudou a localizar três locais nos quais podem estar a tumba real dos lendários defuntos. Os trabalhos de escavação nas áreas rastreadas começarão nesta semana.

 

Fonte:  Portal Terra

 





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

16 04 2009

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Ele nem escuta o papo ao lado!  Jardim do Palácio do Catete, RJ.





Árvores não resistem ao aquecimento…

15 04 2009

dead-tree

 

 

A mais recente e triste revelação sobre o aquecimento global traz à luz um aspecto ainda muito pouco discutido pela população em geral: o desaparecimento das árvores  por causa do aumento das temperaturas locais.  Esta é a conclusão a que chegaram cientistas da Universidade do Arizona, nos EUA.  Eles descobriram que árvores expostas a temperaturas mais quentes do que as existentes no seu ambiente nativo foram menos capazes de tolerar a seca.  

 

Os cientistas fizeram uma pergunta simples: Será que as temperaturas mais altas fariam com que as árvores ficassem mais suscetíveis à seca?

 

Para estudar a tolerância das árvores a um aumento de temperatura, o biólogo David Breshears da Universidade do Arizona transportou 20 árvores maduras [pinheiros Pinyon] de um sítio em  Ojitos Frios, New Mexico, e mandou-as para Biosfera 2, aproximadamente 960 km de distância, para o deserto do Arizona, na região de Tucson.   

 

A Biosfera 2 foi construída para provar que seres humanos poderiam viver num ambiente fechado organizado em volta de um ecossistema fechado.  Mas o projeto teve seus problemas e hoje não é nada mais nada menos do que uma gigantesca estufa com micro zonas climáticas internas.  

 

 

 

 

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Biosfera 2, pinheiro pinyon.  Foto: Joe Martinez

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Henry Adams, que trabalhou com Breshears nesta pesquisa disse que eles colocaram as arvores em duas áreas:  uma, onde as condições climática lembravam as do Novo México,  e a outra onde a temperatura local era 5 ° C mais quente.  

 

Depois eles pararam de dar água para as árvores em ambos os locais.  “ O que vimos é que as árvores em locais mais quentes morreram  30% mais rapidamente do que as árvores que permaneceram em ambientes semelhantes ao seus originais,” disse Adams.

 

Essas descobertas estão publicadas no numero mais recente da publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

 

Este artigo foi livremente traduzido do portal da National Public Radio.  Para ver o artigo na sua totalidade, clique AQUI.