Imagem de leitura — Frank Wright

13 09 2011

Retrato de Clarice Smith, 1978

Frank Wright ( EUA, contemporâneo)

óleo, 63 x 75cm

http://www.gwu.edu/~fwright/

 

 

Frank Wright  é professor de pintura e desenho tanto na George Washignton University, como na Corcoran Gallery ambas no Distrito de Columbia, capital dos EUA.  Estudou por um longo período em Paris, com S. W. Hayter.  Pintor figurativo, tem predileção por retratos e paisagens. Para ver seu trabalhos:

http://www.gwu.edu/~fwright/





Currículo, poema de Gilberto Mendonça Teles

13 09 2011

Estudante, s/d

Roberto de Souza ( Brasil, 1943)

óleo sobre tela,  88 x 55 cm

Currículo

Gilberto Mendonça Teles

Fiz meu curso de madureza,

passei nos testes com bom conceito:

conheço tudo de cama e mesa,

tenho diplomas dentro do peito.

Aluno médio de neolatinas,

vi línguas mortas, literaturas…

Mas eram tantas as disciplinas,

as biografias, nomenclaturas,

tantos os rumos na encruzilhada,

tantas matérias sem conteúdo,

que acabei não sabendo nada,

embora mestre de quase tudo.

Doutor em letras, as minhas cartas

são andorinhas nos vãos dos templos;

ensino o fino das coisas fartas

e amores livres com bons exemplos.

Livre-docente, sou indecente

e nunca ensino o pulo-do-gato:

esta a razão por que há sempre gente

contra o meu jeito de liter-rato.

Com tantos títulos e uma musa,

sou titular, mas jogo na extrema:

o ponta-esquerda que nunca cruza,

que sempre dribla nalgum poema.

Sou bem casado, mas já fiz bodas;

Já fui cassado, tive anistia:

e, buliçoso, conheço todas

as coisas boas de cada dia.

Só não conheço o que mais excita,

o que me envolve por todo lado:

talvez a essência da coisa escrita,

talvez a forma de um mau-olhado.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990

Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.

Obras:

Alvorada, 1955.

Estrela-d’Alva, 1958

Fábula de Fogo, 1961

Pássaro de Pedra, 1962

Sonetos do Azul sem Tempo, 1964

Sintaxe Invisível, 1967

La Palabra Perdida (Antología),1967

A Raíz da Fala, 1972

Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977

Poemas Reunidos, 1978

Plural de Nuvens, 1984

Sociologia Goiana, 1982

Hora Aberta, 1986

Palavra (Antologia Poética),1990

L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990

Nominais, 1993

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Sonetos (Reunião), 1998

Casa de Vidrio (Antología Poética, 1999





Uma visão adolescente dos turistas, em Tchick, de Wolfgang Herrndorf

13 09 2011

Turistas, s/d

Charles Hawes ( EUA, 1909)

aquarela

www.charleshawes.org

Estou lendo Tchick, de Wolfgang Herrndorf, e me divertindo muito com o nosso adolescente narrador.  Perspicaz e intrépido ele tem observações muito boas e frequentemente hilárias.  Posto hoje uma passagem em que ele observa alguns turistas numa pequena cidade da Alemanha.  Ele está na companhia de seu amigo Tchick.  É verão e eles se aventuram por pequeninas estradas à procura do que der e vier…

A cada meia hora, um ônibus com turistas aparecia na praça do mercado.  Em algum lugar alto da cidade havia um pequeno castelo.  Tchick estava sentado de costas para o ponto de ônibus, mas eu ficava o tempo todo olhando para os aposentados que saíam aos borbotões do ônibus.  Pois eram exclusivamente aposentados.  Todos eles usavam roupas marrons ou beges e um chapeuzinho ridículo, e quando passavam pela gente, onde havia uma pequena subida, eles bufavam com se tivessem corrido uma maratona.

Eu ainda não conseguia me convencer de que algum dia eu mesmo seria um aposentado bege.  Mas todos os homens velhos que eu conhecia eram aposentados beges.  E todo as aposentadas eram assim também.  Todos beges.  Era incrivelmente difícil imaginar que essas mulheres velhas algum dia foram, necessariamente,  jovens.  Que tiveram a idade da Tatjana e que à noite se arrumavam e que freqüentavam salões de dança, onde é provável que tenham sido chamadas de belezinhas ou algo parecido, há cinqüenta ou cem anos.  Não todas, claro.  Algumas delas também deviam ser insípidas e feias já naquela época.  Mas também as insípidas e feias provavelmente tinham objetivos, elas com certeza fizeram planos para o futuro.  E as bem normais também tinham planos para o futuro, e era garantido que nesses planos não havia nada se tornarem aposentadas beges.  Quanto mais eu pensava sobre esses aposentados que desciam dos ônibus, mais me deprimia.  E o que mais me deprimia era pensar que entre essas aposentadas devia haver algumas que não tinham sido insípidas e chatas na juventude.  Que tinham sido bonitas, as mais bonitas do seu tempo, aquelas pelas quais todos tinham se apaixonado, e havia setenta anos, alguém sentado em sua torre de índio, ficou ansioso apenas vendo a luz do quarto delas se acender.  Essas garotas agora eram aposentadas beges também, mas não dava mais para distingui-las das outras aposentadas bege.  Todas tinham a mesma pele cinza, orelhas e narizes oleosos, e isso me deixava tão deprimido a ponto de eu quase passar mal.

Em: Tchick, de Wolfgang Herrndorf, tradução de Cláudia Abeling, São Paulo, Tordesilhas:2011, p. 110.





Imagem de leitura — Michele Del Campo

12 09 2011

Menina chinesa lendo, 2008

Michele Del Campo ( Itália, 1976)

Óleo sobre tela, 140 x 140 cm

www.micheledelcampo.com

Michele Del Campo nasceu em  Sannicandro Garganico, na Itália, em 1976.  Fez os cursos de Belas Artes, começando na Universidade de Milão completando os anos de aprendizado na Universidade Complutense de Madri, em 2007.  Formou-se em Ilustração no reino Unido em 2001.  Mudou-se para Londres  em 2008, onde vive hoje.  www.micheledelcampo.com





Contraste, poesia de Aristeu Bulhões pelo dia da árvore

12 09 2011

Pé de romã, 1990

Amadeu Luciano Lorenzatto (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 60 x 40 cm

Contraste

                                               Aristeu Bulhões

No chão do meu quintal, que rústico era,

Eu, que de sonhos enfeitava a vida,

Numa linda manhã de primavera,

Plantei ramos de uma árvore caída…

E, cheio de ilusão e de quimera,

Abandonei a terra estremecida

Como o viajante que atingir espera

A rósea meta, a que o Ideal convida…

Anos depois voltei…  Na alma cansada

nem mais um sonho, uma ilusão trazia

Porque tudo eu perdera na jornada.

Mas, cada ramo que plantei a esmo,

Era uma árvore imensa que floria

Para arrimo e conforto de mim mesmo.

Em:  Apologia da árvore, Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF: 1973





Imagem de leitura — Tatiana Rhinevault

11 09 2011

Menina lendo, s/d

Tatiana Rhinevault ( Rússia, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 72 cm

www.tatianarhinevault.com

Tatiana Rhinevault nasceu em Moscou  e passou a maior parte de sua infância em Sokolniki Park, vendo artistas pintarem todos os dias.  Vivendo em Moscou foi exposta a muitos museus, ao teatro e a estúdios de arte que abundam na capital russa.  Estudou arte no Instituto de Moscu, onde completou o mestrado.   Trabalhou como restauradora e visitou muitos países europeus familiarizando-se com as artes.  Casou-se com um americano e mudou-se para os Estados Unidos onde vive e continua sua carreira como pintora.  Pinta retratos, paisagens e principalmente dedica-se à pintura de gênero.  www.tatianarhinevault.com





Como o onze de setembro mudou a minha vida…

11 09 2011

Nova York, lembrança dos dez anos do ataque ao World Trade Center.

Nos últimos anos, muitos amigos perguntaram a mim e a meu marido porque resolvemos de fato vir morar no Brasil.  A minha volta — a vinda dele — já estava mais ou menos no ar, um sonho para o futuro, parte de uma vida confortável de dois profissionais bem sucedidos que imaginavam uma aposentaria, anos e anos à frente, numa vida carioca mais ou menos idílica.  Vínhamos ao Brasil todos os anos às vezes por um a dois meses.  Houve anos em que viemos mais do que uma vez.  Meu marido gostou do Brasil desde sua primeira visita.  Gostou do Rio de Janeiro e da minha família.  E a cada visita de volta sempre sonhávamos em nos estabelecer no Rio de Janeiro.  Mas, tínhamos uma vida confortável, calma, cheia de projetos  e o futuro parecia algo meio longínquo.  Nossas vidas familiar, social e profissional estavam nos Estados Unidos, e apesar de sonharmos em vir para o Brasil, íamos ficando, ficando, porque tudo estava bem.  Até  vivermos o 11 de setembro de 2001.

Fomos avisados do que acontecia em Nova York por minha mãe, que nos telefonou daqui do Rio de Janeiro,  pedindo que ligássemos a televisão.  Minha mãe estava sempre conectada aos mais diversos acontecimentos, acompanhava os noticiários com atenção e soube junto com os primeiros jornalistas, pela CNN, do ataque à primeira torre do World Trade Center.  Meu marido e  eu estávamos nos aprontando para ir trabalhar.  Ele,  como diretor dos cursos de pós-graduação/mestrado da universidade onde ensinava e eu como dona de uma galeria de arte-antiguidades.  Não morávamos em Nova York.   Na verdade cabiam e ainda sobravam uma Espanha e um Portugal inteiros entre nossa casa e Manhattan.  Mas o tempo parou para nós.  Foi o único dia, que não abri a galeria sem dar explicações.  Fechamos na verdade por dois dias, até podermos entender o que acontecia.  Meu marido foi à universidade, mas voltou logo e plantados em frente à televisão por horas e horas tentávamos compreender a enormidade do ataque que o país havia sofrido.

Não perdemos nem amigos, nem familiares no WTC.  Nem no Pentágono.  Nem no vôo 93.

No entanto o mundo mudou à nossa volta, ou melhor, a nossa percepção do mundo mudou assim como a realidade à nossa volta.  Setembro de 2001 foi o primeiro mês em 12 anos que a galeria não teve vendas que cobrissem todas as suas despesas.  O comércio caiu.  Desapareceu.  As ruas ficaram praticamente desertas por pelo menos uma semana.  Já havíamos sobrevivido a um enorme furacão que havia devastado a cidade alguns anos antes.  Mas dessa vez era pior.  Faltava o som das serra elétricas cortando as árvores nas ruas,  que anteriormente haviam dado impressão de progresso para a normalidade.  Faltava a solidariedade dos vizinhos, que no caos pós-furacão ficou evidente.   Havíamos também sobrevivido à uma tremenda borrasca, com neve acumulada bem alta e as ruas completamente fechadas, nessa cidade hospitaleira.  Dessa vez, ninguém podia ajudar a ninguém, não se sabia o que fazer.  Não era uma calamidade normal.

Não é que precisássemos dar um litro de leite, um pacote de biscoitos para as crianças do vizinho, que não podiam sair de casa…  Não é que alguém conseguisse chegar até o supermercado e se oferecesse para comprar alguma coisa para você durante uma borrasca de neve que havia paralisado a cidade.  Era diferente.  Houve uma quietude total, todos passaram uma semana, mais ou menos trancafiados, sem saber para onde se virar.  O perigo poderia estar em qualquer lugar.  De repente, um continente, um país gigantesco, havia sido atacado da maneira mais covarde do mundo e nós, os inocentes moradores, não sabíamos nem porque éramos ou poderíamos ser os alvos de tanta fúria.  E na minha cidade, todos se sentiram vulneráveis, sem saber de onde nos proteger.  E o comércio parou, os compradores desapareceram.    Principalmente aqueles que mantinham o comércio de luxo, como era o meu, pinturas, esculturas, contemporâneas, modernas e antigas, móveis de 200 a 300 anos: tudo que ninguém precisa para sobreviver.   E depois veio outubro, uma repetição precisa de setembro.  Um ar de irrealidade a toda volta.    É claro que depois de 12 anos no mundo dos negócios aprende-se que há momentos ruins.  E a minha galeria poderia sobreviver por ainda seis meses ou mais sem vendas…  Experiência já havia me ensinado a manter tudo sob controle financeiro estrito.  Não foi isso que me levou a fechar a galeria em dezembro de 2001.  Mas ajudou.

Meu marido, que já flertava com uma aposentadoria antecipada, por si só chegou à conclusão de que iria deixar a universidade  e um dia, no final de outubro, decidiu se aposentar.  Estava no ar, nas nossas preocupações, no nosso dia a dia a brevidade da vida, a certeza de que precisávamos colocar ordem nas nossas prioridades.  Era o momento de mudar de vida.  De correr atrás dos sonhos.   Estava na hora de fazermos o que queríamos, de dar corda aos nossos desejos, ainda que eles pudessem parecer tolos aos olhos dos outros.  Estava na hora de virmos para o Brasil. Em dezembro, fechei a galeria e em março seguinte, chegávamos ao Rio de Janeiro à procura de um lugar para morar.  A vinda, de verdade, sem compromissos deixados para trás, só aconteceu em dezembro de 2002.  Mas o ponto de partida, o momento propulsor da mudança, foi sem dúvida o dia 11 de setembro de  2001.  Fazem hoje dez anos!

©Ladyce West, 2011





Imagem de leitura — Léon Kamir Kaufman

10 09 2011

Mulher lendo, 1921

Léon Kamir Kaufman ( Polônia 1872-1933)

Óleo sobre tela

Museu d’Orsay, Paris

Léon Kamir Kaufman nasceu na Polônia em 1872.  Foi educado em Varsóvia onde estudou desenho.   Depois disso foi estudar primeiro na Academia de Arte de Munique e depois foi para Paris onde estudou na Académie Julian.  Retornou à Varsóvia por um breve período e em 1902 emigrou definitivamente para a França.  Permaneceu em Paris até o final de sua vida.  Morrei em 1933.   Especializou-se em pintura de gênero, retratos e paisagem.  Ficou conhecido pelas suas cenas noturnas.





Quadrinha do ipê, para a chegada da primavera!

10 09 2011

Ipê amarelo, s/d

Paulo Gagarin (Brasil, 1885-1980)

óleo sobre tela,  41 x33 cm

Banhado de sol e de ouro,

tanta é a beleza que encerra,

que o Ipê parece um tesouro

saído há pouco da terra!

(Clóvis Brunelli)





Imagem de leitura — James Kurihara

9 09 2011

Leitora, s/d

James Kurihara ( EUA, contemporânea)

www.jameskurihara.com

James Kurihara mora e trabalha na área da cidade de Seattle nos Estados Unidos a maior parte da vida.  Fez seus estudos na Universidade de Washington em Engenharia, mas depois já fez diversos cursos e workshop nos últimos 20 anos em pintura a óleo.   www.jameskurihara.com