Um filhote de lobo siberiano de apenas um mês brinca de se esconder com sua mãe no meio das folhagens do zoológico na Suíça.
Filhotes fofos: lobo siberiano
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Minha árvore, poema de Natal de Diógenes Pereira de Araújo
17 12 2009
Cartão de Natal da Polônia, década de 1950.
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MINHA ÁRVORE
Diógenes Pereira de Araújo
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Vou armar uma árvore, escondida
no coração, recôndito de mim.
Será planta odorífera: alecrim,
por faces de pessoas preenchida
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Tais faces vou colhê-las no jardim
dos amigos de sempre cuja vida
fazem a minha vida colorida
e perfumada: há rosas e jasmins
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Amigos do passado eu ponho ao centro
amigos do presente mais à mão
para incluir a todos na oração:
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“Senhor, – que trago aqui também por dentro –,
meu coração, com carga especial
transplanta para o teu neste Natal.”
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Diógenes Pereira de Araújo ( SP, 1935). Advogdo, escritor e poeta. Blog: http://diogenespereiradearaujo.blogspot.com
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A glória: reminiscências de um dia de Natal, José Veríssimo, texto integral, Revista Kósmos, 1907
16 12 2009Festa, 1934
Emygdio de Souza ( Brasil, 1867-1949)
óleo sobre tela, 26 x 36 cm
Coleção Particular
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A GLÓRIA:
reminiscências de um dia de Natal
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— José Veríssimo
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Era muito mais de meio dia quando alcançamos o sítio do Cuitêua, primeira parada em nossa excursão sertaneja. O caminho que desde a margem do grande rio ali nos levara era um comprido riacho, estreito e profundo, ensombrado na sua máxima extensão por dois renques marginais de basto arvoredo. O sol lhe chagava escassamente e a trechos; e a constante sombra do seu percurso refrescada pela viração, que a ramaria das árvores alentava e mantinha, tornava a viagem menos penosa, muito mais agradável até, do que se imaginaria naquelas paragens equatoriais.
E, demais pitoresca, pelos risonhos quadros formados ali por aquela mistura de luz e sombra.
A mata ribeirinha, composta de mil espécies várias, muitas então floridas, adornada de cipós e parasitas das formas mais esquisitas e singulares, apresentava uma sucessão de paisagens, de quadros, de manchas, como lhes chamam os pintores, a que as águas escuras do riacho, sobre as quais não raro boiavam nínfeas e caladios, ajuntavam o encanto delicioso das marinhas. Nem o mundo animal, mais escasso do que geralmente se pensa nessas regiões, faltava naquele seu pitoresco trecho. Aves aquáticas, ora isoladas, ora em bandos, animavam de vez em quando a paisagem, pondo-lhe com a sua voz ou o seu vôo, uma nota viva que não conseguia entretanto destruir ou sequer atenuar sensivelmente, o tom de melancolia que resulta sempre da combinação da mata e da água no interior do Brasil.
Eu sentia a impressão dessa melancolia, que me rodeava, posso dizer que me apertava, sentado no tosco e duro banco de pau da pequena canoa que nos levava, apenas com escasso palmo de borda fora da água, de superfície tão lisa quanto um espelho. Inconscientemente, tão inconscientemente como poderia respirar os miasmas malsãos que daquelas terras apauladas se exalassem , eu recebia do ambiente tristonho uma inexprimível sensação de desalento, melancolia e saudade. Saudade de quê? Não o saberia dizer, nem haveria de que. Aquela excursão era uma simples digressão de recreio, um passeio desacompanhado de qualquer preocupação anterior, e a que não parecia qualquer preocupação ulterior devesse seguir. Quando depois procurei analisar o meu estado d’alma, achei que unicamente resultava da influência indefinível das coisas. A natureza é de si triste e contristadora.
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A caçada da anta, 1880
Franz Keller, (Alemanha, 1835-1890)
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A vista do “sítio” tirou-me deste estado. Não que nele houvesse sequer a brancura de uma parede, alegrando os tons escuros da paisagem. Era uma casa toda de palha, escurecida pelas intempéries. Mas no topo da ribanceira a que estava sobreposta havia uma multidão animada; Homens, mulheres e crianças. Suas roupas variegadas, na maior parte claras e vistosas, roupas de festa, que era o Natal, e o seu movimento e o burburinho bastavam para alegrar a vista, variando-a.
Saltei em terra e subi com os meus companheiros, ali novatos mas não estrangeiros, o ligeiro declive que levava à explanada onde ficava a casa, melhor diria a choupana, em cujo terreiro se aglomerava aquela gente. Não foi propriamente cordial e benévolo, antes reservado se não antipático o seu acolhimento. O matuto, instintivamente não gosta do homem da cidade, desconfia dele, desama-o . Tem-no por seu inimigo natural; é de repulsão ou de indiferença pouco simpática, a primeira impressão dele.
O dono do sítio, que me esperava, e os seus, que já me conheciam, saindo a receber-me, com demonstrações muito comedidas ainda de satisfação, consolaram-me do desagrado que vi, ou pareceu-me ver nas fisionomias curiosas, indiferentes ou displicentes que me encaravam.
Ali se não usam apresentações; as supre o recebimento dos donos da casa, e com pouco me achei conhecido dos presentes, embora essas primeiras relações tivessem ainda um caráter de desconfiança e reserva.
Ia-me esquecendo de dizer que eu desembarcara com a minha espingarda na mão, um fuzil de retrocarga, arma moderna e nova em folha. Os caçadores, que forçosamente por ali haveria, imaginaram em mim um companheiro, um êmulo. Mas como acoca a caça é mais um divertimento que uma indústria, e não cria ainda rivalidades interesseiras, e outras competências que as da perícia e habilidade, vieram eles a mim atraídos pela comunhão dos mesmos gostos, que naturalmente me supuseram, e pela curiosidade da arma que se lhes autolhava diferente das suas. A espingarda interessou-os. Nenhum deles tinha ainda visto igual e as explicações que condescendente lhes dei do seu funcionamento e eficácia, do mesmo passo que os maravilhava conquistava-me a sua benevolência.
Se eles soubessem quão ruim atirador eu era! E tanta consciência tinha disto, que prevendo a necessidade de dar-lhes uma prova de mim como caçador, pois o pretexto da minha ida ali era a caça, antecipei-me em assegurar-lhes, que apesar da minha excelente arma eu atirava muito mal. Senti que a confissão lhes não era desagradável. A minha inferioridade de “cidadão” lisonjeava a sua vaidade de matutos.
Estávamos nesta palestra, uns sentados em bancos toscos, ou em troncos d’árvores, outros acocorados, os mais em pé, à sombra de uma copada árvore erguida à beira da ribanceira, sobre o riacho, quando uma rapariga – uma linda moça de uns dezessete anos, mameluca trigueira e rosada, de fisionomia risonha e aberta, chegou a nós entre alvoroçada e tímida e interpelando-me diretamente, chamou-me:
— Moço, venha matar um jacaré!…
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Jovem caçador, s/d
Henrique Bernardelli, (Valparaíso, Chile 1858 – Rio de Janeiro RJ 1936)
óleo sobre tela, 34 x 18 cm
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Matar um jacaré! Correu-me um frio pela espinha. Não que eu fosse de minha natureza vaidoso, ou tivesse em grau algum a presunção de atirador. Mas os nossos defeitos, como as nossas qualidades, dependem de uma influência estranha; são muitas vezes os outros que no-los impõem. Tive um vago e indefinível sentimento de que ali eu era um representante da civilização, que aqueles matutos menoscabavam, e que teriam grande gáudio em ver desmoralizada em mim. Não bastava inventar armas como aquela da qual eu acabava de contar maravilhas, era preciso, era o principal, saber manejá-las. Qualquer daqueles broncos sertanejos, com o arco e flecha de seus avós selvagens com a sua grosseira arma antiquada de carregar pela boca, a sua bruta lazarina, o seu ridículo pica-pau, ou o seu velho e anacrônico fuzil de pederneira, era muito mais capaz do que eu, com a minha inteligência, a minha instrução, e a minha espingarda aperfeiçoada, de matar um jacaré. Porque matar semelhante bicho é um dos tiros mais difíceis e mais reputados. Ele só é vulnerável nos ouvidos quase invisíveis, mesmo a pequena distância, ou nos olhos que, quando n’água, apenas emergem como duas meias esferas de poucos milímetros de diâmetro fora dela. Realmente para experimentar um sujeito da cidade, todo de paletó e gravata, chapéu inglês de cortiça e linho na cabeça, à guisa de capacete, coisa jamais ali vista e escandalosa, e uma bela espingarda nova de retrocarga, não se podia achar melhor do que pô-lo na obrigação de matar um jacaré, sabe Deus em que condições.
Moço, venha, venha matar o bicho… repetiu a linda rapariga arregaçando num sorriso irônico, — tal me pareceu ao menos – os lábios sensuais e mostrando duas admiráveis fieiras de dentes brancos e úmidos.
E todos a uma, a começar pelos donos da casa, convidavam-me, concitavam-me, pediam-me, com maldosa insistência, fosse matar o jacaré. Confuso, enleado, canhestro, eu me esquivava; era mau atirador e o tiro dificílimo; errava e o jacaré se iria embora; que outro o matasse. Mas não houve convencê-los e livrar-me da prova, em que sentia arriscava o prestígio da civilização, cujo era eu ali o único representante. Ateimaram, já com malícia, prelibando o gosto de se rirem do “moço da cidade” e de afirmarem a sua superioridade de matutos. E quase puxado me levaram para alguns metros dali, à beira da mesma ribanceira, donde vinte dedos acompanhando o da bela mameluca, que interessadíssima na morte do anfíbio, continuava a rir com seu afiado riso escarninho, apontavam embaixo, nas águas escuras do rio, quase encostado à margem, a enorme cabeça de um jacaré. O ruído feito em cima fizera-o mergulhar um pouco mais, e agora só lhe divisavam a ponta do focinho e, a distância de mais de um palmo, as metades de duas esferas negras, que eram seus olhos, esbugalhados.
Senti passar em mim um sopro divino que nos momentos supremos faz os heróis e os mártires. Levei a espingarda à cara e, quase sem apontar, tanta era a consciência de que apontar não me adiantaria, como que hipnotizado por aqueles grandes olhos parados, que pareciam olhar-me assombrados do meu arrojo, atirei.
Ilustração original do texto Glória, da revistas Kosmos, sem indicação de autor.
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Ouvi dois ruídos, um marulho surdo d’água, e umas gritadas interjeições de espanto e aplauso a meu lado. Entre essas distingui bem junto ao meu ouvido a exclamação:
— É macho!… seguida de uma gargalhada argentina, franca e simpática da linda mameluca, que a soltara.
Voltei a mim e verifiquei então que tinha matado o jacaré. Ferido num dos olhos o grande anfíbio, num estremeção violento, causador daquele ruído, virara de papo para o ar e apresentava à superfície das águas, ainda revolvidas e barrentas do seu movimento brusco e forte, o largo peito amarelo, de grandes e córneas escamas rijas, a modo de placas de uma couraça antiga.
A morte fora instantânea. Os matutos pasmados e corridos diziam-me em palavras amigas e convencidas a sua admiração.
Nunca mais atirei outro jacaré. Também jamais senti tão forte em mim o gosto do sucesso, quase direi, a deliciosa comoção da glória. E, ainda me lembra, às vezes, o sorriso afetuoso com que me olhava a linda mameluca depois da minha façanha.
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Em: Revista Kósmos: Dezembro 1907, ano IV, número 12, sem numeração de páginas.
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José Veríssimo Dias de Matos (Óbidos, PA, 1857 — Rio de Janeiro, RJ, 1916) foi um escritor, crítico, educador, jornalista, sociólogo, sócio do IHGB, sócio-fundador da ABL, diretor da Revista Brasileira, professor, diretor do Colégio Pedro II. Como escritor, a sua obra é das mais notáveis, destacando-se os vários estudos sociológicos, históricos e econômicos sobre a Amazônia e as suas séries de história e crítica literárias. Na Introdução à sua História da literatura brasileira tem-se uma primeira revelação de todas as vicissitudes por que havia de passar uma literatura que se nutriu por muito tempo da tradição, do espírito e de fórmulas de outras literaturas, principalmente do que lhe vinha de Portugal e da França. Usou também os pseudônimos: Cândido e José Verega.
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Obras:
Primeiras páginas, 1878
Emílio Litré, 1881
Carlos Gomes, 1882
Cenas da vida amazônica, ensaio social, 1886
Questão de limites, história, 1889
Estudos brasileiros, 2 séries, 1889-1904
Educação nacional, educação, 1890
A religião dos tupis-guaranis, 1891
A Amazônia, 1892
Domingos Soares Ferreira Penna, 1895
A pesca na Amazônia, história, 1895
Ginásio nacional, 1896
O século XIX, 1899
Pará e Amazonas, 1899
Estudos de literatura, 6 séries, 1901-1907
A instrução pública e a imprensa, educação, 1901
Homens e coisas estrangeiras, 3 séries, 1902-1908
Que é literatura e outros escritos, 1907
Interesses da Amazônia, 1915
História da literatura brasileira, 1916
Letras e literatos (póstuma), 1936
Em domínio Público e pronta para leitura na internet: História da literatura brasileira
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Prece de Natal, poema de Vicente Guimarães
14 12 2009
Presépio africano, desenho
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PRECE DE NATAL
Vicente Guimarães
Natal! Natal!
Jesus nasceu
No céu a estrela
Apareceu.
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Os sinos tocam!
Delém…delém…
Jesus nasceu
Lá em Belém.
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Viva Jesus
O Deus-menino
Que ele abençoe
Nosso destino.
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Jesus nasceu
Lá em Belém
Os sinos tocam
Delém…delém…
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Vicente de Paulo Guimarães, [Vovô Felício] ( Cordisburgo, MG, 1906 – 1981) — Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977). Em 1935, Vicente criou em Belo Horizonte a revista “Caretinha”, dedicada a jovens leitores; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”. Um dos projetos de sucesso foi a revista “Era uma vez”, que começou a circular em 1947. Criou também no mesmo ano a Revista do Sesinho, para divertir e educar as crianças.
Obras:
Tranqüilidade
O pequeno pedestre
Campeão de futebol
Os bichos eram diferentes
Frangote desobediente
João Bolinha virou gente
Boa vida de João Bolinha
Histórias divertidas
Lenda da palmeira, 1944
Quinze minutos de poder
Os três irmãos, 1978
Festa de Natal, 1964
Rui, 1949
O pastorzinho de Pouy, 1957
Princesinha do Castelo vermelho
Gurupi
Marisa, a filha da Mireninha
Vida de rua, 1954
Era uma vez uma onça
O tesouro da montanha
Anel de vidro, 1956
História de um bravo, 1960
Gurupi
Ultima aventura do sete de ouros
Aventuras de um cachorrinho vira lata
Princesinha do Castelo Vermelho
História de uma menina pobre
A fama do jabuti
O macaquinho Guili
Bilac, história de um príncipe, 1968
Biografia de Rui Barbosa para a infância, 1965
Joãozito, infância de João Guimarães Rosa, 1971
Nonô, o menino de Diamantina, 1980
O menino do morro – Machado de Assis, 1980
Coleção vovô Felício – em seis volumes
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Mais algumas sugestões de livros para jovens e adolescentes
14 12 2009Então, está na hora de comprar o presente de Natal para o seu amigo, sua amiga, seu sobrinho, seu neto que adora ler e já leu tudo o que você pensou em dar. Todos os volumes de Harry Potter, a trilogia de Christopher Paolinio, os quatro volumes da autora de Crepúsculo… e todos os outros que seus amigos recomendaram. Não se aflija.
Estive nas livrarias do bairro, perguntando pelo popularidade de alguns livros, pelo gosto expresso pelos clientes, e tudo indica, que se você conhece um pouco do seu jovem adulto ainda há muitos livros interessantes com os quais o presentear.
Não há ordem de prefeência nos livros citados abaixo.
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Gregor: o guerreiro da superfície
de Suzanne Collins, Editora Galera Record: 2008, 304 páginas
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SINOPSE: O pai de Gregor, que tem 11 anos de idade, desapareceu há mais de dois anos, o que tornou a vida do menino muito difícil. Mas tudo se complica ainda mais quando ele cai através de um duto de ventilação na lavanderia do prédio onde mora, e encontra um incrível universo desconhecido sob a cidade de Nova York. Agora, apesar de seus protestos, o menino precisa liderar um estranho grupo de humanos e animais gigantes numa missão que pode salvar o Subterrâneo além de ser a única saída para encontrar seu pai.
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Os últimos dias
de Scott Westerfeld, Editora Galera Record: 2009, 336 páginas
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SINOPSE: A cidade de Nova York está sendo assolada por uma doença estranha, que todos pressentem mas poucos conhecem de fato. Lixo se acumula nos becos, cada vez mais pessoas fogem da cidade e gatos estão sendo vistos acompanhados por bandos enormes de ratos. Ainda assim, dois jovens se unem por acaso para salvar uma linda guitarra de ser despedaçada por sua ex-dona raivosa. Agora, eles vão criar uma banda que vai revolucionar o mundo. Eles só não sabem o quanto.
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Muitos desses livros, seguem a tradição recente de serem em série. Cada livro tem uma história completa. Mas em um outro volume os mesmo personagens aparecem em novas aventuras. Nessa tradição estão os livros que seguem. Independentes mas em série.
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O Despertar
Diários do Vampiro – Vol. 1, de L. J. Smith, RJ, Editora Record:2009, 240 páginas.
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SINOPSE: Um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores nos anos 1990. “O Despertar”, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado originalmente em 1991, deu origem à série de televisão Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson, roteirista de Dawson’s Creek.
Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela vida amaldiçoada e eterna.
Em Fell’s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos — e entre o amor e o perigo.
“O Despertar” é o primeiro volume da série best seller Diários do vampiro, de L. J. Smith, há m uitos meses na lista de mais vendidos do The New York Times.
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O Confronto
Diários do Vampiro – Vol. 2, de L. J. Smith, RJ, Editora Record:2009, 224 páginas
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SINOPSE: Elena está apaixonada e tem certeza de que Stefan é um amor para a eternidade. Mas a cada vez que Damon se aproxima, fica evidente um vínculo profundo entre os dois. Determinado a conquistar Elena, Damon se infiltra no cotidiano de Fell?s Church. Ameaçado pelo irmão, Stefan não suporta a ideia de perder Elena – e está disposto a arriscar tudo e ir contra seus próprios princípios para protegê-la. A série de TV Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson (Dawson?s Creek) foi a maior estreia da temporada norte-americana, com 4 milhões de espectadores. L. J. Smith tem duas séries entre as mais vendidas do New York Times: Vampire Diaries e The Night World.
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Ilustração Maurício de Sousa.
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Coleção MORADA DA NOITE [House of Night]: MORADA DA NOITE é um dos maiores sucessos da atualidade nos Estados Unidos com mais de 3 milhões de livros vendidos em todo o mundo. Ela é composta até agora de três livros: Marcada, Traída e Escolhida.
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Marcada
de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 328 páginas
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SINOPSE: Zoey, uma adolescente de 16 anos, acaba de ser marcada como uma vampira, o que significa o início de uma nova vida, longe de seus amigos e de sua vida atual. Isso se seu corpo suportar o período de transformação, caso contrário ela morrerá. A menina vai se transformar em vampira e usufruir de poderes que nem imaginava possuir. Mas para isso ela precisa suportar o difícil período de transformação, caso contrário morrerá. As autoras já anunciaram que a série Morada da Noite será formada por 9 livros.
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Traída
de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 344 páginas
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Zoey se estabelece na Morada da Noite. Finalmente sente-se incluída e aprende a controlar os seus poderes. Agora ela supera novos desafios, luta contra a morte que se abate sobre adolescentes humanos e sobre a própria Morada da Noite e, de repente, percebe que seu coração e sua alma acabam de ser partidos por uma grande traição. Nesse segundo livro da série Morada da Noite depare-se com novos mistérios, surpreendentes emoções e muita sensualidade.
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Escolhida
de P. C. Cast & Kristin Cast, Editora Novo Século:2009, 296 páginas
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SINOPSE: Neste terceiro livro da série MORADA DA NOITE os acontecimentos tomam um rumo misterioso e perturbador. Zoey tenta encontrar uma solução para ajudar Steve Rae, que luta para manter sua frágil humanidade, antes que ela se transforme em um monstro. Entretanto, salvar sua melhor amiga significa ir contra Neferet, e para conseguir o que quer, Zoey acaba se aliando a uma inesperada pessoa, tornando-se sua confidente e parceira. Para complicar, o horror atinge a Morada da Noite quando dois assassinatos ocorrem. Zoey se vê num drama pessoal e numa posição realmente delicada. Deve guardar segredos, até mesmo de seus amigos, tomar decisões muito importantes, e agora que acabou se envolvendo com um terceiro cara, deverá lidar com os três, já que não consegue se decidir entre eles.
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Dragões de Éter: Corações de Neve
de Raphael Draccon Editora Leya:2009, 498 páginas
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SINOPSE: Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia.
Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer… Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa.
Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão.
E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir.
E o mundo mudará. Mais uma vez.
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Para os adolescentes que já estavam encantados com a série do autor Rick Riordan de Percy Jackson e os olimpianos, lembro que o terceiro volume da série foi publicado no Brasil recentemente. Os dois primeiros livros já foram descritos aqui neste blog, sob o título de: Mais livros de aventuras para jovens leitores II. O terceiro volume A Maldição do Titã continua a maravilhosa narrativa encontrada nos dois primeiros volumes.
A Maldição do Titã
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SINOPSE: Aguardado com ansiedade pela grande rede de fãs da série Percy Jackson e os Olimpianos, A Maldição do Titã dá continuidade à elogiada combinação de mitologia, aventura e muita ação que se tornou sucesso entre o público jovem brasileiro. Nesse terceiro livro da série, um chamado do amigo Grover deixa Percy a postos para mais uma missão: dois novos meios-sangues foram encontrados, e sua ascendência ainda é desconhecida. Como sempre, Percy sabe que precisará contar com o poder de seus aliados heróis, com sua leal espada Contracorrente… e com uma caroninha da mãe. O que eles ainda não sabem é que os jovens descobertos não são os únicos em perigo: Cronos, o Senhor dos Titãs, arquitetou um de seus planos mais traiçoeiros, e os meios-sangues estarão frente a frente com o maior desafio de suas vidas: A Maldição do Titã.
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E para surpresa de muitos adultos, um dos livros mais procurados por adolescentes e jovens leitores, assim como leitores de outras idades que se fascinaram com a série da escritora Stephenie Meyer é um clássico da literatura inglesa que está desbancando muito livro moderno para jovens. Trata-se de O Morro dos Ventos Uivantes, o livro favorito do casal do momento: Bella e Edward!
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O livro O Morro dos Ventos Uivantes está em domínio público há muito tempo. Foi originalmente publicado em 1847. Consequentemente há diversas publicações deste romance, por várias editoras. Aqui incluo esta edição de uma nova editora atuando no Brasil, a editora Leya. Mas há outras edições.
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O Morro dos Ventos Uivantes
de Emile Brontë, Leya: 2009, 200 páginas.
Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff“, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais belas de todos os tempos, O morro dos ventos uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, inclusive dos belos personagens de Stephenie Meyer.
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Esta lista não tem a intenção de cobrir todos os livros mais populares. Não trabalho no meio editorial para saber. Tenho, no entanto, bastante contato com jovens que leem e compram ou pedem livros. Espero que possa ajudá-los mais uma vez na escolha de um bom presente de Natal.
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Filhotes fofos: zebrinha grega
14 12 2009Uma zebra filhote, de dez dias, passa a manhã acompanhando a mãe no zoológico de Ática, perto de Atenas. Foto EFE.
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O peru de Natal, um conto de Mário de Andrade
13 12 2009Ceia de Natal, 1904/1905
Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)
Aquarela
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O PERU DE NATAL
Mário de Andrade
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O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.
Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas “loucuras”. Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido, coitado!” falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.
Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes…), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas “loucuras”:
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.
— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania… Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo…
— Meu filho, não fale assim…
— Pois falo, pronto!
E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa. Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus “gostos”, já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.
— É louco mesmo!…
Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a… culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:
— É louco mesmo!…
Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado: assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus… Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.
— Eu que sirvo!
“É louco, mesmo” pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da “casca”, cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
— Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos… Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.
Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.
Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.
— Só falta seu pai…
Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:
— É mesmo… Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente… (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.
E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que “vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai”, um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.
Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!
A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor… Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de “bem-casados”. Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.
Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!…
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Em: Noite de Natal: coletânea reunindo histórias de Natal, editado por Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito. Saraiva, SP: 1950
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Mário de Andrade, 1927
Lasar Segall, (Russia 1891, Brasil 1957)
óleo sobre tela
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Mário Raul de Morais Andrade (SP, 1893-1945) poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, professor universitário e ensaísta, considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX. Liderou o movimento modernista no Brasil e teve grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22, além de se envolver (de 1934 a 37) com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.
Obras:
Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, 1917
Paulicéia Desvairada, 1922
A Escrava que Não É Isaura, 1925
Losango Cáqui, 1926
Primeiro Andar, 1926
A Clã do Jabuti, 1927
Amar, Verbo Intransitivo, 1927
Ensaios Sobra a Música Brasileira, 1928
Macunaíma, 1928
Compêndio Da História Da Música, 1929 (Reescrito como Pequena História da Música Brasileira, 1942)
Modinhas Imperiais, 1930
Remate de Males, 1930
Música, Doce Música, 1933
Belasarte, 1934
O Aleijadinho de Álvares De Azevedo, 1935
Lasar Segall, 1935
Música do Brasil, 1941
Poesias, 1941
O Movimento Modernista, 1942
O Baile das Quatro Artes, 1943
Os Filhos da Candinha, 1943
Aspectos da Literatura Brasileira 1943
O Empalhador de Passarinhos, 1944
Lira Paulistana, 1945
O Carro da Miséria, 1947
Contos Novos, 1947
O Banquete, 1978
Dicionário Musical Brasileiro, 1989
Será o Benedito!, 1992
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Imagem de leitura — Arnaldo Sinatti
12 12 2009Comentários : 3 Comments »
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Decoração natalina — São Paulo
12 12 2009—–
Um endereço que se torna um famoso ponto turístico no bairro do Ipiranga e a decoração natalina na Rua Angaturama, nº 799 (paralela a avenida Nossa Senhora das Mercês). Há 10 anos, a moradora Rosana Mancuso do Espirito Santo e família enfeitam, de maneira artesanalmente, a casa e o jardim com criatividade para celebrar a chegada do Natal. A novidade deste ano e o Papai Noel com trenó motorizado. 10/12/2009 Foto: Andre Dusicska/FotoRepórter/AE
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FONTE: Estadao
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Quadrinha da noite de Natal
12 12 2009Noite de Natal.
Cartão Postal, década de 20, século XX.
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Há sussurros pelo espaço…
Na terra há luz e cristal,
quando a noite estende o braço,
proclamando que é Natal!
(Cidoca da Silva Velho)
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