Ilustração, Maurício de Sousa.
Não julgues uma família
por um de seus membros, não!
— Vê como são diferentes
os cinco dedos da mão!…
(Michel Antônio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
Não julgues uma família
por um de seus membros, não!
— Vê como são diferentes
os cinco dedos da mão!…
(Michel Antônio)
Cientistas descobriram novas espécies de coral perto das Ilhas Galápagos, na costa do Equador, alimentando esperanças de que as formações podem ser mais resistentes ao aquecimento dos oceanos do que se acreditava.
O pesquisador Terry Dawson, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que realizou a pesquisa marinha, disse que foram encontradas “cinco ou seis espécies novas para a ciência“, além de “três outras que são novas para as Galápagos e são semelhantes a espécies encontradas em lugares como o Panamá e a Costa Rica“.
Dawson acrescentou que também foi achada uma espécie que os cientistas acreditavam ter desaparecido após a última grande manifestação do fenômeno El Niño, entre 1997 e 1998.
O projeto de três anos, que procura auxiliar o governo do Equador na preservação do ecossistema das Galápagos, concentrou-se em duas ilhas – Wolf e Darwin – no noroeste do arquipélago.
Alga Darwin
El Niño
A descoberta levanta duas questões, disse Dawson. A primeira hipótese é que os corais seriam mais resistentes ao aquecimento das águas decorrente do El Niño do que se acreditava. A segunda é que os corais podem estar se adaptando e se tornando mais resistentes ao fenômeno.
O pesquisador admite, contudo, que há pessimismo no mundo científico quanto ao futuro dos corais. Em longo prazo, se os corais não forem destruídos pelo aquecimento das águas, podem acabar vítimas da acidificação dos mares.
Esse fenômeno é provocado pela concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que também provoca o aquecimento global. Recifes de coral são formados por depósitos de carbonato de cálcio deixados ao longo de milhares de anos por bilhões de pequenos organismos chamados pólipos de coral.
Fonte: Portal Terra
George Goodwin Kilburne (Grã-Bretanha, 1829-1924)
óleo sobre tela
George Goodwin Kilburne, (Grã-Bretanha, 1839 – 1924) pintor de gênero, trbalhando em Londres, especializado em interiors com pessoas. Preferia trabalhar com aquarelas ainda que tenha muitas pinturas a óleo, desenhos a carvão e até mesmo muitas litos. Foi aluno dos irmãos Dalziel, casando-se mais tarde com a filha de Robert Dalziel, Jenny. Conhecido pela riqueza de detalhes em suas pinturas, característica que levou da arte da gravura em metal para a pintura. Foi um dos pintores preferidos das classes altas inglesas de quem fazia retratos com delicadeza e cuidado com muita atenção a todos os ricos interiores.
Palácio dos Vice-reis, mais tarde Paço Imperial, Rio de Janeiro.
Hoje, às 9:30 da manhã o termômetro marcava 30 graus em Copacabana. Um vento quente e forte adicionava bastante desagravo ao pedestre. Isso para o mês de setembro, ainda antes do início oficial da primavera é fora do comum. É claro que devemos muito dessas variações climáticas ao desmatamento. Mas o calor insuportável é as vezes bem carioca mesmo. Hoje ele me lembrou uma carta do Marquês do Lavradio, quando tinha acabado de chegar ao Rio de Janeiro em 1770, vindo da Bahia, um lugar que considero ainda mais quente!
Aqui está um trecho da carta nº 176 do Marquês do Lavradio a seu filho Conde de Vila Verde:
Carta de Amizade Escrita
Ao Conde de Vila Verde
Em Lisboa
20 de fevereiro de 1770
Meu querido filho, e senhor do meu coração ….
……………………………………
Parece-me que desta vez fica bem satisfeita a sua curiosidade de você sobre esta matéria agora darei conta do que a terra me parece, e como eu tenho me achado nela, é situada esta Capital em um baixa toda cheia de pântano rodeada de inacessíveis montes, é raro o sítio onde cavando-se 4 palmos de profundidade se não encontre logo infinita água conservem-se todo o ano infinitas lagoas as quais com o extraordinário calor do sol se lhes corrompem as águas, onde nasce estamos respirando um ar sumamente impuro, é raro o dia em que não sejamos visitados de duas três e mais trovoadas o calor é tão extensivo que ainda quando se está em casa sem se fazer nenhum excesso se está continuamente metido em um suor, de forma que eu ao principio entendi que todos estávamos sincopados; o comercio é muito pouco, a preguiça desses habitantes sumamente extraordinária, e esta os tem reduzido à decadência e miséria em que se acham estes povos.
Eu logo ao terceiro dia da minha chegada fui atacado de uma das moléstias da Terra que me causou bastante cuidado, porém com a continuação dos banhos e de várias outras impertinências tenho conseguido alguma melhoria; acho-me já coberto desde o pescoço até a cintura de uma espécie de brotoeja que não me deixa sossegar nem de dia, nem de noite fazendo-me parecer que estou cheio de pontas agudas de alfinetes que continuamente me estão penetrando, finalmente depois que cheguei ainda não passou um só dia em que pudesse dizer que me achava bom, e o pior é ter que passar por este tormento três anos que receio me faltem as forças para resistir.
……..
Ilmº e Exmº Senhor Conde de Vila Verde
Marquês do Lavradio
Em: Cartas do Rio de Janeiro, Marquês do Lavradio, Rio de Janeiro, Editora SEEC [Secretaria do Estado de Educação e Cultura]: 1978. Carta 176.
Marquês do Lavradio — D. Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d’Eça e Melo Silva Mascarenhas – 11.º vice-rei do Brasil (1769-1778). Substituiu Antônio Rolim de Moura Tavares como vice-rei do Brasil. Em seu governo incentivou o teatro e fundou uma academia científica para o estudo dos recursos naturais do país. Fez obras militares necessárias à defesa do Rio de Janeiro, construiu as fortalezas do Pico e do Leme e abriu novas ruas, como a que conserva o seu nome. Enviou tropas e armamentos para o Sul do Brasil, onde durante seu governo ocorreram a recuperação do Rio Grande do Sul, a ocupação temporária da Ilha de Santa Catarina pelos espanhóis e a perda da Colônia do Sacramento.
Vamos ver se consigo manter esta seleção. Uma música por semana. Só para mostrar o que ando ouvindo…
Morandini, designer ( de seu blog: http://blog.morandini.com.br/ )
Técnica mista com folhas de árvores
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Ronald de Carvalho
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Tua Pátria não está somente no torrão em que nasceste!
tua Pátria não se levanta num simples relevo geográfico.
O solo em que pisas,
as águas em que te refletes,
o céu que te alumia,
as árvores que te dão vozes, fruto e sombras,
as fontes que te dessedentam,
o ar que respiras,
recebeste, em partilha, com todos os homens sobre a terra.
Tua pátria não é um acidente geográfico!
Brasileiro,
se te perguntarem: Onde está a tua Pátria?
responde:
— Minha Pátria está na geografia ideal que os meus
Grandes Mortos me gravaram no coração;
no sangue com que temperaram a minha energia;
na essência misteriosa que transfundiram no meu caráter;
na herança de sacrifícios que me transmitiram;
na herança cunhada a fogo;
no ferro, no bronze, no aço das Bandeiras, dos Guararapes, das Minas da Inconfidência, da Confederação do Equador, do Ipiranga e do Paraguai.
Minha Pátria está na consciência que tenho de sua grandeza moral e nessa lição de ternura humana que a sua imensidade me oferece, como um símbolo perene da tolerância desmedida e infinita generosidade.
Minha Pátria está em ti, Minha Mãe! No orgulho comovido com que arrancaste das entranhas do meu ser a mais bela das palavras, o nome supremo: — BRASIL!
Em: Criança Brasileira: quinto livro de leitura [admissão e quinta-série], Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949
Ronald de Carvalho (RJ, 1893 — RJ, 1935), foi um poeta e político brasileiro. Nasceu a 16 de março de 1893, no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito e ingressou no serviço diplomático. Participou ativamente do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922. Em concurso realizado pelo Diário de Notícias, em 1935, foi eleito Príncipe dos Prosadores Brasileiros, em substituição a Coelho Neto. Faleceu vítima de um acidente automobilístico em 1935.
Obras:
Luz Gloriosa, 1913
Pequena História da Literatura Brasileira, 1919
Poemas e Sonetos, 1919
Afirmações: um ágape de intelectuais, 1921
Epigramas Irônicos e Sentimentais, 1922
O espelho de Ariel, 1923
Estudos Brasileiros, 1924
Jogos pueris, 1926
Toda a América, 1926
Imagens do México, 1929
Caderno de Imagens da Europa, 1935
Itinerário: Antilhas, Estados Unidos, México, 1935
João Bez Batti (RS, Brasil, contemporâneo)
Presença Invisível
Ao contemplar a obra de João Bez Batti
no Instituto Moreira Sales, RJ, Novembro de 2006
Senti a presença invisível
De mãos grossas, calejadas,
Que acariciaram a pedra,
O basalto negro
Ou vermelho,
Ou até mesmo o mármore.
Constatei mesmerizada
Que trouxeram à superfície
A essência;
Que libertaram, a Michelangelo,
A forma presa no seixo,
O orgânico escondido,
Inerte,
Meio-solto,
Quase-aprisionado.
Mãos que revelaram os escravos encapsulados,
Seres encarcerados no mesozóico,
Como se, conhecendo o desastre de Pompéia
Depois do escarro fulminante do Vesúvio,
Soubessem encontrar:
O cactos florescente, o cágado,
A abóbora moranga.
Caracóis.
E bólidos petrificados.
Estas mãos, que brincam
Sedutoramente
Com o poder divino,
Conhecem o conteúdo,
A alma invisível da pedra.
Descobrem o cascalho gaúcho,
Chocam os grandes ovos de rio,
E parem os seres cativos nas pedras,
Como Eva o tinha sido na costela de Adão.
E o que surpreende: estas mãos,
Que revelam o coração do basalto
Regurgitado pela Terra,
Lixado pelas águas,
Rolado, burilado e aveludado pelo tempo,
São humanas.
Mãos peãs.
Agraciadas pela arte da divinação,
Que brincando de Deus,
Mostram o divino em todos nós.
© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro
Ilustração: Ziraldo
A Pátria, meus coleguinhas,
É o recanto onde nascemos;
É a família, o Lar, a Escola…
É a Terra onde vivemos!
(Walter Nieble de Freitas)
Não sou dada a filmes violentos. Em geral nem me atrevo a ir ver algum filme que tenha fama de violento. Gesto Obsceno, que trata da violência, é um filme que assisti com muito prazer, sem ficar arrepiada. É um filme muito, muito bom, em que a violência mostrada, não é nem maior nem menor do que a que sofremos no dia a dia de qualquer grande cidade, considerando as diferenças culturais de cada país.
Esta é uma história sobre a violência, sobre o ser humano. É um thriller, que me deixou na beira da poltrona, tensa, e desejosa de vingança. Talvez, este filme tenha sido até mais potente na sua mensagem sobre a violência a que nós todos nos acostumamos, porque retrata pessoas como a audiência, pessoas comuns. Se não é um retrato de nossa família, são certamente pessoas parecidíssimas com as que conhecemos. Gente que trabalha, frustrada com o trabalho, com a vida, limitada por dinheiro e por espaço para viver, com seus pequenos rituais de prazer e grandes frustrações familiares e burocráticas.
O enredo é extremamente simples: um casal arrumando algumas compras no carro, congestiona o trânsito. Atrás, um outro carro espera. Impaciente, o motorista reclama e buzina muito. A mulher perde a paciência com o motorista reclamão e faz um gesto obsceno. Furioso ele avança, quase a atropela e arranca a porta do carro, que estava aberta, para o meio da rua. Daí por diante começa o pesadelo de Michael Klienhouse (Gal Zaid), o marido. Ele, que havia deixado de trabalhar para escrever um livro, que vivia uma pacata, desesperada, frustrante vida, tem então que procurar o dono do carro infrator para que seu seguro pague pelo estrago.
Inesperadamente, Michael se vê num emaranhado burocrático da polícia. Que por seu turno é semelhante ao emaranhado burocrático em que sua mãe se encontra sobre o espólio do marido. O mundo não faz o menor sentido para ele, nem para sua esposa. Esse homem comum, que até então só armazenava frustrações, começa a tomar decisões que o levam a solucionar problemas por suas próprias mãos.
Há diversos níveis de violência na vida desses cidadãos. Desde a briga entre meninos na escola, até as notícias de ataques suicidas pela televisão, passando é claro – tratando-se de Israel – pelos alarmes de defesa civil, que pontuam a semana em que o Holocausto é lembrado.
A identificação da platéia com Michael cresce à medida que se entende que, por trás dessa aparência de bobão, há um homem muito esperto e capaz. Há também um homem correto, honesto. Um homem que ama seu filho. E também, um homem que, apesar das tentações, mantém-se fiel ao casamento. Enfim, um homem de família, que obedece aos costumes, as tradições. Um tipo que, por aqui, conhecemos bem: o cara que para no sinal vermelho, que paga suas contas, que vive dentro de suas possibilidades e por isso mesmo precisa ser respeitado.
É bom frisar que em nenhum momento há uma apologia da violência, nem um comentário contra a violência. Este é um filme de constatação. E mostra como alguns podem vir a reagir quando submetidos ao seu terror.
E como um bom thriller, o final é catártico. Vale a pena! Não é à toa que este filme ganhou alguns prêmios. Gesto Obsceno levou a Menção Especial e Prêmio da Crítica Festival de Miami 2008, ganhou o prêmio de Melhor Filme Israelense Festival de Haifa 2006 e foi indicado a 5 Prêmios pela Academia de Cinema de Israel, incluindo: Melhor Direção, Ator (Gal Zaid), Atriz (Keren Mor) e Ator Coadjuvante (Asher Tzarfati).
Recomendadíssimo!
FICHA TÉCNICA
Diretor: Tzahi Grad
Elenco: Ya’ackov Ayali, Ania Bukstein, Tal Grushka, Rivka Michaeli, Keren Mor, Asher Tzarfati, Gal Zaid.
Produção: David Cohen, Tzahi Grad, Ijo Shani, Isaac Shani, Gal Zaid
Roteiro: Gal Zaid, Ya’ackov Ayali
Fotografia: Shai Goldman
Duração: 95 min.
Ano: 2006
País: Israel
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Moviemobz
Classificação: 14 anos
Batalha de Pirajá, desenho de projeto para mural.
Carybé (Brasil, 1911-1997)
por Viriato Correia
Quando se proclamou a independência foi a Bahia que mais custou a sair do jugo de Portugal.
O general Madeira de Melo não quis obedecer ao governo brasileiro. Para ele o Brasil era uma propriedade dos portugueses e, portanto, aos portugueses devia continuar sujeito, sem nenhum direito de libertar-se.
E comandando grandes forças armadas, compostas de gente portuguesa, tomou conta da província e não consentiu que os baianos gozassem, como os outros brasileiros, da independência proclamada.
Aquilo feriu a fundo o coração dos patriotas da Bahia. Era pela força que Madeira queria impor o jugo de Portugal, só pela força a província proclamaria a sua liberdade.
E a Bahia inteira, a Bahia brasileira, pegou em armas para bater-se contra os inimigos da independência.
Foram penosos os primeiros encontros. Madeira é que tinha armas, munições, navios e dinheiro que lhe vinham constantemente de Portugal.
O governo brasileiro estava no momento cheio de dificuldades e quase não podia ajudar os patriotas baianos.
Os patriotas baianos, porém, defendiam-se e resistiam como leões.
A melhor maneira de vencer as forças de Madeira era encurralá-las de modo que não pudessem receber auxílios. Para isso os baianos formaram postos de ataque aqui, ali, além, por toda a região que na Bahia se conhece pelo nome de Recôncavo.
Um desses postos, justamente o mais forte deles, o mais destemido, aquele em que se reuniam os mais valentes defensores da terra baiana, era o de Pirajá.
Um dia, quando o general Madeira abriu os olhos, Pirajá estava embaraçando os passos do seu exército. O general não podia receber víveres e reforços: tinham-lhe sido tomados os caminhos de terra e mar.
Era necessário, portanto, destruir Pirajá o mais depressa possível.
******
E as forças portuguesas atiram-se contra o posto brasileiro.
É a 8 de novembro de 1822, antes de raiar a manhã.
Deve ser segura, infalível a vitória. As tropas de Madeira, além de bem armadas e mais numerosas, vão fazer o ataque de surpresa.
Está ainda escuro quando os batalhões inimigos desembarcam cautelosamente nas praias de Itacaranhas e Plataforma, ao mesmo tempo que, pelos outros lados, o grosso do exército avança rapidamente.
Quando as sentinelas baianas, colocadas em Coqueiro e Bate-Folha, percebem o avanço, não é mais possível fazer nada.
É ao clarear do dia que pipocam os primeiros tiros.
Pirajá inteiro ergue-se para a peleja.
Começa o combate. Madeira, em pessoa, dirige os seus corpos. O que ele pretende é investir por Itacaranhas para cortar a retaguarda dos brasileiros. Mas os nossos vão resistindo e resistindo heroicamente.
Uma hora inteira de fogo.
O general português, surpreendido com aquela resistência, ordena que novas centenas de soldados avancem. Mas os baianos não se deixam vencer.
Mais uma hora de fogo.
Os portugueses vão pouco a pouco conquistando o terreno.
Barros Falcão, que comanda os nossos, percebe claramente a vitória inevitável do inimigo. Mas é preciso lutar. E luta-se mais uma hora.
Madeira está inquieto com a resistência. Agora ordena a novos corpos que avancem em grandes massas. Mas o fogo das linhas brasileiras não cessa um instante.
Novos corpos investem contra os nossos. Outra hora de peleja e de fogo.
******
Havia cinco horas que aquilo durava. Os portugueses tinham ganho tanto terreno que, em poucos momentos, os brasileiros estariam num círculo de balas.
Um minuto mais vai dar-se a ruína completa dos baianos. Não há mais resistência possível. Continuar a luta é sacrificar inutilmente centenas de vidas.
Barros Falcão, de um galope, percebe que chegou o momento de retirar-se. A dois passos está Luís Lopes, o cometa, que ele conservou sempre ao seu lado, esperando aquele instante desesperador.
— Toque retirada! ordena.
O cometa não se move.
— Toque retirada, já lhe disse! grita o comandante pela segunda vez.
O cometa vira-lhe as costas.
Barros Falcão avança de espada em punho para obrigar o insubordinado a cumprir as suas ordens, mas, nesse momento, Luís Lopes cola a cometa à boca e claros sons metálicos retinem nos ares.
O comandante agita-se, surpreendido. — Que é isso? que é isso?
Não é o sinal de retirada que está ouvindo. É que a corneta está soprando loucamente no espaço é o sinal de “avançar cavalaria e degolar”.
Pararam todos, alarmados: o comandante, os oficiais, os soldados. Que cavalaria é aquela que aquele doido está mandando avançar?
******
No exército português é brutal a surpresa. É a confusão. E o pavor.
É a debandada louca.
Fogem todos alucinadamente daquela cavalaria que não existe.
Fogem todos, todos feridos por aquele toque de corneta que vale mais do que cinco horas de tiroteio, mais do que a própria voz dos canhões.
Em: Meu Torrão : contos da história pátria, Viriato Correa, 1953, 4ª edição.
Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho (Pirapemas, MA 1884 — Rio de Janeiro, RJ 1967) – Pseudônimos: Viriato Correia, Pequeno Polegar, Tibúrcio da Anunciação. Diplomado em direito, jornalista, contista, romancista, teatrólogo, autor de literatura infantil e crônicas históricas, professor de teatro, membro da ABL e político brasileiro.
Obras:
Minaretes, contos, 1903
Era uma vez…, infanto-juvenil, 1908
Contos do sertão, contos, 1912
Sertaneja, teatro, 1915
Manjerona, teatro, 1916
Morena, teatro, 1917
Sol do sertão, teatro, 1918
Juriti, teatro, 1919
O Mistério, teatro, 1920
Sapequinha, teatro, 1920
Novelas doidas, contos, 1921
Contos da história do Brasil, infanto-juvenil, 1921
Terra de Santa Cruz, crônica histórica, 1921
Histórias da nossa história,crônica histórica, 1921
Nossa gente, teatro, 1924
Zuzú, teatro, 1924
Uma noite de baile, infanto-juvenil,1926
Balaiada, romance, 1927
Brasil dos meus avós, crônica histórica, 1927
Baú velho, crônica histórica, 1927
Pequetita, teatro, 1927
Histórias ásperas, contos, 1928
Varinha de condão, infanto-juvenil, 1928
A Arca de Noé, infanto-juvenil, 1930
A descoberta do Brasil, infanto-juvenil,1930
A macacada, infanto-juvenil, 1931
Bombonzinho, teatro, 1931
Os meus bichinhos, infanto-juvenil, 1931
No reino da bicharada, infanto-juvenil, 1931
Quando Jesus nasceu, infanto-juvenil, 1931
Gaveta de sapateiro, crônica histórica, 1932
Sansão, teatro, 1932
Maria, teatro, 1933
Alcovas da história, crônica histórica, 1934
História do Brasil para crianças, infanto-juvenil, 1934
Mata galego, crônica histórica, 1934
Meu torrão, infanto-juvenil,1935
Bicho papão, teatro, 1936
Casa de Belchior, crônica histórica, 1936
O homem da cabeça de ouro, teatro, 1936
Bichos e bichinhos, infanto-juvenil, 1938
Carneiro de batalhão, teatro, 1938
Cazuza, infanto-juvenil, 1938
A Marquesa de Santos, teatro, 1938
No país da bicharada, infanto-juvenil, 1938
História de Caramuru, infanto-juvenil, 1939
O país do pau de tinta, crônica histórica, 1939
O caçador de esmeraldas, teatro, 1940
Rei de papelão, teatro, 1941
Pobre diabo, teatro, 1942
O príncipe encantador, teatro, 1943
O gato comeu, teatro, 1943
À sombra dos laranjais, teatro, 1944
A bandeira das esmeraldas, infanto-juvenil, 1945
Estão cantando as cigarras, teatro, 1945
Venha a nós, teatro, 1946
As belas histórias da História do Brasil, infanto-juvenil, 1948
Dinheiro é dinheiro, teatro, 1949
Curiosidades da história do Brasil, crônica histórica, 1955
O grande amor de Gonçalves Dias, teatro, 1959.
História da liberdade do Brasil, crônica histórica, 1962