
Jangada
Juvenal Galeno
Minha jangada de vela,
que vento queres levar?
tu queres vento da terra,
ou queres vento do mar?
Minha jangada de vela,
que vento queres levar?
Aqui no meio das ondas,
das verdes ondas do mar
és como que pensativa,
duvidosa a bordejar!
Saudades tens lá das praias,
queres na areia encalhar?
ou no meio do oceano
apraz-te as ondas sulca?
Minha jangada de vela,
que vento queres levar?
Em: Poemas para a infância, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s/d.
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Juvenal Galeno da Costa e Silva ( Fortaleza, CE 1836 –Fortaleza, CE 1931)
Poeta.
Obras
A Machadada, poesia, 1860
Ao imperador em sua partida para a guerra, poesia, 1872
Canções da Escola, poesia, 1971
Cantigas Populares, poesia, 1969
Cenas cearenses, 1871
Cenas Populares, poesia, 1971
Evaristo Ferreira da Veiga, poesia
Folhetins de Silvanos, poesia, 1891
Lenda e Canções Populares, poesia, 1865
Lira Cearense, poesia, 1972
Medicina caseira, 1897
Novas canções populares, s/d
O eleitor, s/d
O Peregrino, 1862
Porangaba, poesia, 1961
Prelúdios Poéticos, poesia, 1856
Quem com Ferro Fere, com Ferro Será Ferido,teatro, 1861
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NOTA: Em 1920 este poema mais longo, com alguns versos a mais, foi usado como letra para a música JANGADA de Alberto Nepomuceno. Segue,
JANGADA
(1920)
Composição: Alberto Nepomuceno
Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Tu queres vento de terra
Ou queres vento do mar?
Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Aqui no meio das ondas
Das verdes ondas do mar
És como que pensativa
Duvidosa a bordejar!
Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Saudade tens lá das praias
Queres n’areia encalhar?
Ou no meio do oceano
Apraz-te as ondas sulcar?
Minha jangada de vela
Que vento queres levar?
Sobre as vagas, como a garça
Gosto de ver-te adejar
Ou qual donzela no prado
Resvalando a meditar
Ah! Minha jangada de vela
Que vento queres levar?





Colega, lindo seu site…
Talvez vc possa me ajudar, estou em um dilema terrivel!
Estou fazendo um trabalho para a faculdade sobre a música no Brasil Império, achei Alberto Nepomuceno e agora esse escritor chamado Juvenal Galeno, mas não entendo nada!
A música tem letra mas não é cantada?por que isso?só achei essa música instrumental…
Andréia, obrigada pela visita. Vamos ver se entendi. Você está fazendo um trabalho sobre música no Brasil Império… Juvenal Galeno, o poeta, cuja letra para uma música de Alberto Nepomuceno, não trabalhou durante o Brasil Império. Ele trabalhou durante o século XX. Já Alberto Nepomuceno trabalhou durante o século XIX, morrendo em 1920. Ele compôs uma música, entre muitas, para a qual Juvenal Galeno fez a letra. ou uma letra. A música pode ter sido feita anteriormente à letra. É essa a sua dúvida?
Muito legal esse poema adorei
Eu também gostei muito dele. 😉
Que Bonito. amo tudo de Juvenal Galeno e tudo que é clássico;
Verdade, ele sabe usar as imagens e a língua como ninguém.
Um boa noite e parabéns bela página
Senhores, estou em busca de um poema de Juvenal Galeno que, talvez, se intitule “SAUDADE” Não tenho certeza, posto que foi o PRIMEIRO poema que aprendi na minha vida, no primeiro ano do curso de alfabetização, aos 6 anos e meio de idade. Lembro-me de quatro estrofes por completo, mas não me lembro dos dois primeiros versos da última estrofe. Não consigo encontrar o poema neste site e, por tal motivo, vou escrever o que me lembro dele para facilitar a busca por parte dos responsáveis pelo site.
SAUDADE
Saudade, quanta saudade,
Dos tempos que la vão
Meu barquinho de papel,
Minha bolha de sabão.
Infância, que sorte cega,
Que ventania cruel,
Que enxurrada te carrega
Meu barquinho de papel?
Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
Esperanças logo desnudas (de minha autoria, para poder completar o poema)
A mente das auras ao tom, (idem)
Só tu coração não mudas,
Porque és puro e és bom.
O poema constava de meu livro de alfabetização e, à primeira leitura, eu o memorizei todinho, (tenho 72 anos). Agora, no entanto, não me lembro dos dois versos iniciais da quarta estrofe. Sei que as estrofes que eu elaborei combinam com o poema, mas, no entanto, também sei que o uso dos hipérbatos(anástrofes, no caso) não eram próprios para um poema que tem por finalidade despertar o gosto do estudante pela poesia, já que, naquela fase de estudos, o aluno ainda não tinha informação nenhuma sobre figuras de linguagem. Gostaria de saber se vocês poderiam encontrar o poema original para mim e me enviá-lo por completo. Devido a este primeiro poema que li em minha vida, hoje ,e interesso pelo versejar e pelo prosear, sendo meus favoritos João da Cruz e Sousa, Castro Alves, Drummond, etc. Também aprecio Neruda, Thomas Hood, William Blake, etc. Agradeço antecipadamente toda a atenção que este pedido certamente merecerá por parte do site.
Jundiaí, SP, 11/09/2018
Grato.
Talvez seja porque o poema não é de Juvenal Galeno, mas de Guilherme de Almeida!
Vou postar no blog e aqui também nos comentários.
Coração
Lembrança, quanta lembrança
Dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!
Infância, que sorte cega,
Que ventania cruel,
Que enxurrada te carrega,
Meu barquinho de papel?
Como vais, como te apartas,
E que sozinho que estou!
Ó meu castelo de cartas,
Quem foi que te derrubou?
Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
Mas sempre, sem que te iludas,
Cantando num mesmo tom,
Só tu, coração, não mudas,
Porque és puro e porque és bom!
Guilherme de Almeida
(1890-1969)