Manhã na Roça, poesia infantil de Alda Pereira da Fonseca

15 07 2008

 

Fazenda em São Paulo, Lucia de Lima (Brasil, contemporânea), A/T.

Fazenda em São Paulo, Lucia de Lima (Brasil, contemporânea), A/T.

MANHÃ NA ROÇA

 

 

O sol clareia o horizonte,

Canta o galo no poleiro,

Bala a ovelhinha no monte,

Piam pintos no terreiro.

 

A fazenda despertou,

Num ruído alvissareiro.

Na roça o sol já encontrou

O matutino roceiro.

 

Tudo então vibra e se agita,

Nos trabalhos da lavoura,

Enquanto a ave saltita,

Na ramagem que o sol doura.

 

A vaca chama o terneiro,

Que ainda dorme no curral!

Mais longe grunhem cevados,

Grasnam patos no quintal.

 

Eis a vida que desperta,

Para o penoso labor,

Que dará colheita certa

De lucro compensador.

 

Alda Pereira da Fonseca

 

 

Do livro:

Terra Bandeirante: a vida na cidade e na roça no Estado de São Paulo, 2° ano do curso básico, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1954, RJ

 

 

Alda Pereira da Fonseca (RJ, 1882 – ?) — Cientista carioca, especializou-se na área da botânica e representou o Ministério de Agricultura em várias comissões nacionais e também em viagem de estudos ao exterior. Além da área científica, Alda  foi romancista, cronista, contista, poeta, novelista, roteirista, escritora de Literatura Infantil.

 

Lúcia de Lima, (RJ) – professora, arquiteta, pintora, artista plástica, trabalhando no Rio de Janeiro.

http://www.luciadelima.com.br

 

 

 

 





15 de julho de 1932 — começam as tropas a se formar…

15 07 2008

 

Cartaz Constitucionalista, 1932

Cartaz Constitucionalista, 1932

Quinta-feira, 15 de julho de 1932

 

Formam-se batalhões patrióticos.  São Paulo movimenta-se com entusiasmo preparando-se para uma grande guerra.  Procura guarnecer suas fronteiras com o Paraná, onde consta que o inimigo já avança.  A cidade está cheia de boatos.  Fala-se que o governo federal desembarca tropas do norte em Paranaguá para invadir as fronteiras de Ribeira, Itararé e Ourinhos.  Um esquadrão do Paraná aderiu em Itararé. 

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

Alistados com fuzis.




Um aceno amistoso à França no dia de hoje!

14 07 2008

 

La Rue Montorgueil, 1878,  Claude Monet (França 1849-1926), O/T,  Musée D'Orsay, Paris

La Rue Montorgueil, 1878, Claude Monet (França 1849-1926), O/T, Musée D'Orsay, Paris

 

Você hoje:

 

1        compra um metro de fita para embrulhar um belo presente?

2        corre oitocentos metros para perder alguns quilos?

3        compra uma caixa de leite LONGA VIDA de um litro?

 

Usar estas medidas baseadas no sistema métrico é uma conseqüência, na sua vida diária, da Revolução Francesa de 1789.

 

 

Você acredita que:

 

1        deve haver separação entre religião e governo?

2        que o ensino básico deva ser gratuito e obrigatório para todos?

3        que todos os homens são iguais?

 

Então você pratica diariamente alguns dos direitos conquistados pelos revolucionários franceses em 1789.

 

 

Você pretende:

 

1        fazer um concurso para trabalhar num emprego público?

2        pensa em comprar um sítio, um pedaço de terra para os fins de semana?

3        votar num candidato do seu gosto para vereador ou governador?

 

Então você presta os seus respeitos diariamente aos princípios adquiridos pelos cidadãos depois da revolução francesa de 1789.

 

 

Estas são algumas das razões por que o dia de hoje, 14 de julho, é comemorado por mais pessoas no mundo do que somente os franceses.   

 

Hoje fazem 219 anos da Queda da Bastilha.

 





Hora de guerra, julho 1932: diário

14 07 2008

 

 

 

Quarta-feira, 14 de julho de 1932

 

São Paulo se prepara para uma luta cruenta e no meu parecer demorada.  Chama às armas todos os válidos.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

O Mundo Ilustrado, ed. comemorativa 1954

 

O povo aguarda a palavra de ordem.  Foto: O Mundo Ilustrado, ed. comemorativa 1954.





Concerto campestre: Luiz Antonio de Assis Brasil

13 07 2008

 

Kiko Medeiros (RS, Brasil 1955) Músicos, A/T

Kiko Medeiros (RS, Brasil 1955) Músicos, A/T

 

Concerto Campestre é um livro sedutor que permanece na nossa imaginação por muito tempo depois de termos acabado sua leitura.  É uma história que cobre duas das maiores paixões brasileiras:  música e o amor proibido.  Luiz Antonio de Assis Brasil mostra como o preconceito racial funcionava no século XIX;  também retrata eloqüentemente  o vazio da vida levada pelas mulheres da época,  que nascidas e criadas nas fazendas, eram em geral analfabetas.   Elas tinham muito pouco com que se distrair, e como herdeiras de terras, não pertencendo à classe trabalhadora,  não lhes era permitido dedicarem-se a trabalho nenhum.

 

Assis Brasil mostra crenças e preconceitos arraigados no interior, no Rio Grande do Sul rural do século retrasado.   O estado, terra dos gaúchos, solo fértil da grama alta e florida dos pampas, da criação de gado e de grandes fazendeiros — famosos por sua rebeldia e independência — é mostrado com acuidade e poesia nestas páginas, mesmo que vejamos o retrato da educação quase nula, não existente mesmo, rude,  dos donos da terra; e nos familiarizamos com a mentalidade estreita e as regras das tênues diferenças de classes sociais, não só na região austral do país mas também vivenciadas na maior parte do interior do país.

 

A história gira em torno de um senhor da terra que decide ter uma pequena orquestra para concertos ao ar livre.  Ele contrata um conhecido maestro, mulato, que após se estabelecer na fazenda começa a organizar um grupo de músicos, com o objetivo de construir a tão sonhada pequena orquestra do fazendeiro.    Este maestro seduz não só a burguesia do local com sua música, surpreendendo todos os fazendeiros vizinhos, mas também conquista e é conquistado pela filha de seu patrão.    Ela é inteligente, apesar de analfabeta.  E está ciente da vida estéril que a espera, no casamento arranjado pelos pais com o filho de um fazendeiro local.  Ela percebe este casamento como uma das piores coisas que poderiam lhe acontecer.  E aceita o amor do maestro com gosto e reciprocidade.  

 

A história é narrada com muita leveza: o que não é dito pode ser mais importante do que o que se encontra no papel.  É uma história quase escrita nas entrelinhas.  As elipses que ocorrem são não só preocupantes como eloqüentes.  Assim, Assis Brasil mostra a mão do bom escritor que é; controlando ambos texto e história,  sem hesitação.  Este é um romance pequeno, de apenas 176 páginas, que vai muito longe.  É  uma janela descortinando o inconsciente brasileiro.  Certamente sobreviverá no tempo, tornando-se um clássico, porque fala da alma brasileira.

 

 

 

Concerto campestre, Luiz Antonio de Assis Brasil, L&PM: 1997, Porto Alegre

 

 

 

Este texto apareceu primeiro em inglês, há dois anos, no portal: living in the postcard.

Luiz Antonio de Assis Brasil
Luiz Antonio de Assis Brasil





Vozes dos animais, poema de Pedro Diniz

13 07 2008
Animais da fazenda, ilustração de Steve Morrison

Animais da fazenda, ilustração de Steve Morrison

 

 

VOZES DOS ANIMAIS

 

Muge a vaca; berra o touro;

Grasna a rã; ruge o leão;

O gato mia; uiva o lobo;

Também uiva e ladra o cão.

 

Relincha o nobre cavalo;

Os elefantes dão urros;

A tímida ovelha bala;

Zurrar é próprio dos burros.

 

Sabem as aves ligeiras

O canto seu variar:

Fazem às vezes gorjeios

Às vezes põem-se a chilrar.

 

Bramam os tigres, as onças;

Pia, pia o pintinho;

Cucurica e canta o galo;

Late e gane o cachorrinho.

 

A vitelinha dá berros;

O cordeirinho, balidos;

O macaquinho dá guinchos;

A criancinha vagidos.

 

 

Pedro Diniz

 

 

 

Criança brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro





E a Revolução de 1932, continua…

13 07 2008

Pilotos dos aviões que iriam bombardear a ditadura.

 Pilotos paulistas se preparam para bombardear a ditadura!

 

Terça feira, 13 de julho de 1932

 

Muita esperança por parte dos paulistas, na cooperação do Rio Grande e de Minas.  Os jornais publicam exortações daqueles dois estados.

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Centenas de mulheres voluntariam para costurar as fardas.Centenas de mulheres se voluntariam para costurar os uniformes.





João e Maria, poesia infantil de Martins D’Alvarez

12 07 2008

 

JOÃO E MARIA

 

João e Maria,

todos os dias.

saíam cedo

pelos caminhos.

Maria em busca

de borboletas,

João à procura

de passarinhos.

Porém um dia

João e Maria

atrás dos bichos

tanto correram,

que não souberam

voltar pra casa;

viram, chorando,

que se perderam.

E os dois, rezando

pediram a Deus

que os conduzisse

para seus pais,

que eles juravam

com borboletas

e passarinhos

não mexer mais.

E Deus, ouvindo-os,

mandou que um anjo

a casa os guiasse

pelos caminhos.

E os dois meninos

não mais mexeram

com as borboletas

e os passarinhos.

 

 

Martins D’Alvarez  ( 1904 – ?)

 

Poema no livro: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1962, Rio de Janeiro

  

 

Martins D’Alvarez                                                         

 

 

Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.

Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez

os estudos primarios na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceara.

Formou-se em Odontologia.. Transferiu desde o ano de 1938 a sua residência

para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades

no magistério superior.

Livros publicados:

“A Ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

Menção honrosa da Academia Brasileira de Letras.

“Vitral”, 1934 (Poemas).

“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
 
 Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:

 

 

 

 

 





12 de julho de 1932 — Diário de meu avô

12 07 2008
 Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

Cartaz da Revolução Constitucionalista de 1932

 

12 de julho de 1932 

 

São Paulo continua a propalar que conta com Minas e Rio Grande.  Creio, porém, que apenas o acompanhará nesta grande arrancada para a Constitucionalização imediata, apenas o sul de Mato Grosso.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP,  página 127, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

São Paulo nas ruas em apoio à Revolução

São Paulo nas ruas apoia a Revoluçãp





A pesca das estrelas — Wilson W. Rodrigues

11 07 2008

Céu estrelado, 2007, Douglas Soares ( MG, Brasil)

Céu estrelado, 2007, Douglas Soares ( MG, Brasil)

 

Hoje, arrumando uma prateleira de livros que quase não uso, deparei-me com um volume comprado num sebo, de Wilson W. Rodrigues, poeta brasileiro, sobre quem sei muito pouco.  Não tenho nenhuma de suas poesias, mas além de poeta, Wilson W. Rodrigues foi um folclorista, arrecadando histórias e compilando-as.  Aproveito para repassar aqui um trechinho mínimo encontrado pela manhã.

 

 

 

 

 

 

 

 

A PESCA DAS ESTRELAS

 

            Pai João menino foi à pescaria.  E estava alegre porque os negros diziam que iam pescar estrelas na lagoa onde morrera o Quiçambé.

            Quando chegaram, as águas do lago estavam cheinhas de estrelas.  Tomaram as canoas e jogaram as redes.

            — A pesca vai ser boa.

            O moleque só queria uma estrela ou uma estrelinha.

            Quando puxaram a rede, ela veio cheia, mas todas as estrelas se transformaram em peixes.

 

 

Pai João menino, de Wilson W. Rodrigues, Editora Publicitan (Coleção Mãe Maria, vol.2): s/d, Rio de Janeiro, página 97.  [texto datado, Distrito Federal, 1949]

 

 

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista.

Obras:

 

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952