DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

4 09 2008
Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

 

DIA DE FESTA…

 

Murillo Araújo

 

Olho o céu mais contente.

 

 

Por que tantas bandeiras

batem alegremente,

como grandes pavões, as asas verde e ouro,

inquietas e ligeiras?

 

 

Por que passam soldados

e nas armas têm flores?

 

Por que estrondam dobrados

com clarins e tambores?

 

 

 

Por que todos na escola, reunidos, cantamos,

todos nós, mais de mil?!

 

 

 

É o Brasil que faz anos…

 

 

É o Brasil que faz anos:

Viva o Brasil!

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 





Os 10 finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 — Romance

3 09 2008

 

 

FINALISTAS EM FICÇÃO do PRÊMIO JABUTI 

 

Vencedores serão anunciados no dia 23 de setembro.  Este é o 50°Prêmio Jabuti.

 

 

1 –  O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO

Pausa na leitura, 1964, Aurélio d'Allincourt, (Brasil 1919-1990), ost

Pausa na leitura, 1964, Aurélio d'Allincourt (Brasil 1919-1990), ost.

EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS

 

 


ISBN: 9788535909777
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 168
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi – uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado. Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amoroso, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea – tanto do Japão como do Brasil. Obra sem fronteiras, que une a Osaka de outrora à São Paulo de hoje, e esta à Tóquio do século XXI, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados – e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar. Caberá ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo transitar de um pavilhão japonês no bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna, das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e um escritor famoso (o romancista Junichiro Tanizaki) – e também sua própria pessoa, sua própria identidade: pária ou escritor?

 

 

2 –  ANTONIO

BEATRIZ BRACHER

EDITORA 34 


ISBN: 9788573263770
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 184
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Benjamim, esta história são nossas vidas e ainda não acabou, nunca vai acabar. Criar esse espaço para tua mãe, essa narrativa para teu pai e teu avô, como se a vida não tivesse existido entre Benjamim e outro, tivesse sido apenas um oco, lapso, vão, entre um amor perdido e seu reencontro, isso é pouco.

 

3 –  O FILHO ETERNO

CRISTOVÃO TEZZA

EDITORA RECORD LTDA 

 

ISBN: 8501077887
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 224
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Romance inédito que aborda os conflitos de um homem que tem um filho com Síndrome de Down. O protagonista se mostra inseguro, medroso e envergonhado com a situação, mas aos poucos, com muito esforço, enfrenta a situação e passa a conviver amorosamente com o menino.

 

 

4 –  RAKUSHISHA

ADRIANA LISBOA

EDITORA ROCCO 

 

ISBN: 9788532521989
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 128
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Em Rakushisha, a escritora mergulha na cultura japonesa ao narrar os caminhos e descaminhos de Haruki e Celina, dois brasileiros que se conhecem por acaso e acabam viajando juntos para o Japão, ao mesmo tempo que revisita as imagens e a obra do poeta do século XVII Matsuo Basho.

Através dos olhos dos protagonistas, uma ocidental e um oriental ocidentalizado, o leitor descobre as nuances inesperadas e muitas vezes contraditórias do Japão moderno. É na solidão de estar num país de cultura tão diferente que os segredos de Haruki e Celina vêm à tona.

Unidos pelo acaso e por um crescente amor ao texto de Basho, pioneiro do estilo haikai e não por coincidência autor do livro cuja tradução Haruki tem a encomenda de ilustrar, os personagens levam o leitor a uma viagem fascinante de descobertas e surpresas

 

5 –  ERA NO TEMPO DO REI

RUY CASTRO

EDITORA OBJETIVA , SELO ALFAGUARA


Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 248
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

Um romance histórico de tintas cômicas que promove o encontro de uma das figuras mais importantes da História do Brasil, D Pedro I, com o protagonista de um dos clássicos da literatura nacional, Leonardo, de ´Memórias de um sargento de milícias´, escrito por Manuel Antônio de Almeida. Por obra do acaso, os dois, ainda adolescentes, acabam se tornando amigos e participando de uma aventura capaz de mudar os rumos do país e até do mundo

 

6 –  AS FLORES DO JARDIM DA NOSSA CASA

MARCO LACERDA

EDITORA TERCEIRO NOME LTDA. 


ISBN: 9788587556929
Ano:
 2007
Edição: 1
Número de páginas: 203
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Depois de um assalto, no dia em que fez 40 anos, dois amigos de Marco Lacerda o encontram no apartamento em que morava nos Jardins, em São Paulo, e soltaram as cordas que o mantinham imobilizado sobre sua cama. Esse assalto com requintes de crueldade é o fio condutor da história que Marco conta em “As Flores do Jardim da Nossa Casa”: uma história que agarra o leitor pelo colarinho a partir da primeira página e o leva até a última, sem lhe dar um minuto de trégua para respirar

 

 

7   A CHAVE DE CASA

TATIANA SALEM LEVY

EDITORA RECORD LTDA 

 

ISBN: 8501079278
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 208
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança e etc, A Chave de Casa é um livro pulsante, cheio de vida e emoção. A autora tece um romance de vozes diversas – como são as vozes da memória -, histórias que se complementam num tom de densa estranheza. Romance de estréia da jovem escritora Tatiana Salem Levy. Lançado em Portugal no primeiro semestre de 2007, o livro foi um grande sucesso de crítica.

 

8 –  A MURALHA DE ADRIANO

MENALTON BRAFF

EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA 

 

ISBN: 9788528612738
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 268
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

No século II, o imperador Adriano construiu uma muralha para deter as constantes invasões dos escoceses. Em seu novo romance, Menalton Braff, o vencedor do Prêmio Jabuti, mostra que o homem do século 21 segue levantando barreiras intolerantes cada vez maiores e mais silenciosas. A Muralha de Adriano, um drama psicológico, mostra que os muros podem ser também construídos dentro de casa… ou no interior do próprio indivíduo. Uma história feita de ciúme, de ambição e de coragem numa família. É um romance que, num certo sentido, pode ser tomado como uma alegoria da queda de um império – no caso, uma rede de supermercados. Mas seu alcance vai muito além. “A Muralha simboliza nossas barreiras”, afirma Braff. “Em um mundo que se diz globalizado, nunca foram tantas as barreiras. As nossas, individuais, como o preconceito, os nossos medos, os nossos impedimentos morais, sobretudo da falsa moralidade. Mas as barreiras são também sociais, dividindo os seres humanos em grupos de pouca ou nenhuma comunicação. Enfim, é história em que as personagens envolvem-se em conflitos quase sempre originados por algum tipo de muralha.” O foco narrativo de A Muralha de Adriano está, a princípio, entregue a três personagens – Verônica, Anselmo e Mateus. Porém, no momento em que, apesar de todas as muralhas, suas histórias se cruzam um narrador onisciente, em terceira pessoa, assume o relato das ações e, explorando com destreza diversos efeitos de linguagem que se aproximam do impressionismo, as conduz até o final. “Com narrativas em ziguezague e domínio pleno da linguagem, Menalton Braff realiza sua melhor invenção com A Muralha de Adriano”, escreve o poeta Fabrício Carpinejar. “Apresentando os capítulos inicial e final inspirados na Bíblia, o romance é ilustrativo, não moralizante. O escritor deixa a ação ser a mensagem. Não há como larga-lo nem para atender ao telefone. Fica-se com a respiração trancada, suspensa, esperando o desfecho e tentando entender quem está com a razão.”

 

9   LONGE DE RAMIRO

CHICO MATTOSO

EDITORA 34 

 

ISBN: 9788573263831
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 88
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Este primeiro romance de Chico Mattoso narra as estranhas aventuras de Ramiro, que, isolado num hotel, inventa os mais excêntricos jogos mentais, na tentativa de imobilizar um mundo que insiste em fugir a seu controle. Como notou Reinaldo Moraes, o livro é “a saga de uma consciência extraviada de sua base humana e afetiva. Na contramão, porém, da trajetória autodissolvente do personagem, o leitor se aproxima vertiginosamente de uma narrativa enxuta, elegante, precisa e tantas vezes desconcertante”.

 

10 –  CONTRAMÃO

HENRIQUE SCHNEIDER

EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA 

 

ISBN: 8528612899
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Porto Alegre, seis e meia da manhã. Otávio Augusto desperta para mais um dia de trabalho. Após tomar banho, o que sempre lhe traz de volta à vida, separa suas roupas meticulosamente, combinando cada peça com cada acessório. A preparação para o trabalho mais parece um ritual, seguido de um café forte e fatias de pão quente. Contramão, de Henrique Schneider, introduz o romance por meio da descrição de uma personagem extremamente zelosa com a imagem, dotada de fortes ambições profissionais e de uma agenda impecavelmente organizada. Esta, no entanto, não possui espaço para imprevistos.

 

Ao sair de casa, Otávio Augusto segue sua rotina. Senta ao volante do carro importado, liga o rádio para ouvir o noticiário e se põe a caminho da metalúrgica onde trabalha como gerente de negócios, cargo assumido logo após sua graduação. Um sinal quase fechado, as urgências para com horários e compromissos, somados a um motor possante, fazem com que Otávio seja o responsável pelo atropelamento de duas crianças. O lema “tempo é dinheiro” parece não mais significar sucesso para o jovem administrador. Tomado pelo desespero, esquiva-se da situação, fugindo o mais rápido possível para que não destruam seu futuro. Dirigindo sem rumo, o itinerário é traçado pelo instinto. Uma breve pausa para respirar e arejar a cabeça. Ao analisar a estrada e sua localização, percebe ter passado por um posto de gasolina e toma a decisão de seguir caminho até o sétimo posto. Um já havia passado. O que mais aguardará Otávio nessa jornada sem destino? Ou, pelo menos, até o sétimo posto de gasolina?

 

“Em Contramão, Henrique Schneider nos conta, de maneira absolutamente fascinante, a história de um homem que tem um encontro com o destino”, escreve Moacyr Scliar. “É aquilo que poderíamos chamar, por analogia aos road movies, de uma road story, uma história em que o deslocamento por estradas e lugares tem sua contrapartida na viagem interior, e na descoberta (amarga, no caso) do fator humano.”

 





Murillo Araújo: Dois Tesouros na Pátria — para a semana da pátria

3 09 2008

 

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ  1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ 1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

 

DOIS TESOUROS NA PÁTRIA

 

 

Murillo Araújo

 

 

 

O mestre disse: “Adora a tua terra!

É um prodígio glorioso e sem segundo.

 

Quanto ouro verde em cada verde serra,

quanto ouro de astros neste céu profundo

entre montanhas grandes como o mundo!

 

Adora nossa pátria e nossa história.

Pensa nos que iam à chuvarada e aos sóis

lutar, morrer com a glória da vitória…

e adora nossa pátria em seus heróis!”

 

Mas – terra de meu sonho e meus desejos –

eu te amo mais – oh meu país, perdoa –

porque, em ti, minha mãe me enche de beijos

e em ti meu  pai me abraça e me abençoa!

 

E eles são meus heróis de auréola de ouro,

a cuja luz o coração inundo;

e eles são para mim maior tesouro

do que as montanhas grandes como o mundo…

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo [ 3 volumes], Rio de Janeiro, 1960, Irmãos Pongetti.





EUA: economia fraca, bibliotecas públicas em alta.

2 09 2008

 

Hoje o Jornal O GLOBO, publicou na sua coluna Negócios e Cia, editado por Flávia Oliveira,

Biblioteca Municipal, Ilustração Walt Disney.

Biblioteca Municipal, Ilustração Walt Disney.

que as bibliotecas nos EUA estão com grande movimento desde que a economia do país

começou a enfraquecer.   Na verdade, desde o início de 2008 que o uso de bibliotecas públicas nos EUA tem aumentado sistematicamente.  Em Massachusetts, não são só as bibliotecas apresentam maior movimentação.  Há também um maior número de pessoas freqüentando museus.  Programas para crianças em museus e bibliotecas tem tido participação contínua e o uso da internet — que nas bibliotecas públicas americanas é gratuito e de acesso rápido, sendo cada pessoa limitada de 30 minutos a 60 minutos, dependendo do local – está batendo recordes.   

 

 

 

De acordo com Terry Date, jornalista do Eagle Tribune  que entrevistou Eleanor Strang,  diretora da Kelley Library da cidade de Salem, uma cidade com 42.000 pessoas, disse que um dos primeiros sinais de que a economia está fazendo as pessoas cortarem gastos em geral é visto no maior movimento nas bibliotecas públicas.   Até mesmo quem está à procura de trabalho vai à biblioteca para procurar pela internet e colocar seu currículo nas mãos de possíveis empregadores.  Isto porque em geral, desemprego significa corte no serviço rápido da internet.  Assim todos procuram fazer uso do mesmo serviço nas bibliotecas públicas.    Na Kelley Library em Salem, há nove computadores permanentemente ligados com acesso rápido.  O número de usuários subiu mais de 10% no ano.  De 6.341 para 7.041 usuários.  Ou seja, quase 15% da população urbana.

 

O empréstimo de livros e de CDs aumentou 11% em 2007 de 9.618 para 10.642.  Enquanto que o empréstimo de livros através de outras bibliotecas [inter-library loan] subiu mais de 24%.   Crianças visitando a biblioteca para ouvirem contadores de histórias aumentou em 15% e os passes para museus aumentaram em 2% em 2007.

Com o aumento de usuários,  as bibliotecas municipais nos EUA já movimentam seus pedidos aos diretores para aumento também nos gastos com acervo e computadores.   Em Derry, New Hampshire, população: 22.500 pessoas, já houve um aumentou significativo na sua freqüência na bibliboteca municipal e seu Diretor Assistente, Jack Robillard,  providenciou pedido ao comitê municipal da diretoria que aumentassem a capacidade de computadores, para ajudar a quem procura por emprego.  

A história de aumento do uso das bibliotecas públicas americanas atravessa cidades grandes e pequenas e tem aumentado o numero de empregos para bibliotecários, através do país.   A biblioteca pública de Mobile, Alabama, ao sul dos EUA, está agora com uma circulação de 1.800.000 (isso mesmo um milhão e oitocentos mil ) livros, deixando para trás seus tradicionais, 1.200.000 livros emprestados ao ano.  

Na Califórnia, a biblioteca Central de Pasadena, (população 150.000) que em geral tem uma visita mensal de 55.000 pessoas,  só este ano já registrou mais de 60.000 consultas por mês.

 

NOTA

Aqui fica o exemplo e o desafio aos nossos governos municipais.  Principalmente agora, há meses das eleições.  Qual é o plano que o seu vereador, que o seu prefeito, que o seu governador tem para a leitura e o uso das bibliotecas públicas.  Não vote em quem não faz. 





Presente, poema infantil de Matilde Rosa Araújo

31 08 2008

Presente                                 Matilde Rosa Araújo                    

A girafa deu
ao seu
marido
no dia
de Natal
um lenço
colorido
de seda natural.
Que alegria!
– disse o marido –
ponha a pata
nesta pata,
com um pescoço
tão comprido
você não podia
ter-me comprado
uma gravata.

 

Matilde Rosa Araújo (Lisboa 1921 – 2010) pedagoga, escritora e poeta.

 

Obra

O Livro da Tila – poemas para crianças, 10ª edição, Livros Horizonte, 1986;

O Palhaço Verde – novela infantil, 5ª edição, Livros Horizonte, 1984 ; 

História de um Rapaz – conto infantil, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Sol e o Menino dos Pés Frios – contos, 7ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 2ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

Os Quatro Irmãos – 2ª edição, Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Ana Leão); 

História de uma Flor – conto infantil, 1ª edição, Faoj; O Sol Livro – textos para o ensino, 1ª edição, Livros Horizonte, 1976; 

Os Direitos da Criança Livros Horizonte – 1ª edição, Unicef, 1977; 

O Gato Dourado – contos infantis, 3ª edição, Livros Horizonte, 1985; 

As Botas de Meu Pai – contos infantis, 2ª edição, Livros Horizonte, 1981; 

Camões, Poeta Mancebo e Pobre – divulgação, 1ª edição, Prelo Editora, 1978; 

Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, Plátano Editora, 1978; 

Joana-Ana – conto infantil, Livros Horizonte, 1981; 

A Escola do Rio Verde – 2ª edição, Livros Horizonte, 198l; 

O Cavaleiro Sem Espada – Livros Horizonte, 1979; 

A Velha do Bosque – Livros Horizonte, 1993; 

A Guitarra da Boneca – Livros Horizonte, 1983; 

As Crianças, Todas as Crianças – Livros Horizonte, 1976; 

A Infância Lembrada – Antologia – Livros Horizonte, 1986; 

A Estrada Fascinante – Livros Horizonte, 1988; Mistérios – Livros Horizonte, 1988; 

Rosalina Foi à Feira – Livraria Arnado, 1994;

O Chão e a Estrela – Editora Verbo  1997; 

As Fadas Verdes – Livraria Civilização, 1994; 

“A Fonte do Real”, in Soares, Luísa Ducla (org.), A Antologia Diferente – De que São Feitos os Sonhos, Porto, Areal, (1986), pp. 30-32; 

Voz Nua, Lisboa, Horizonte, 1986; “A menina do pinhal”, in AAVV, Histórias e Canções em Quatro Estações – Primavera. Lisboa. Lisboa Editora. 1988, pp. 9-24; 

O Passarinho de Maio, Lisboa. Horizonte, 1990; 

O Chão e a Estrela, Lisboa, Verbo, 1994; 

A Estrada Fascinante, Lisboa, Horizonte, 1988 (ensaio).

 

 





Um Homem de palavra, entendendo o Líbano com Nazir Hamad

31 08 2008

 

Se você acha que uma das maneiras de aprender sobre os conflitos religiosos e políticos, sobre os muçulmanos, cristãos e judeus no Oriente Médio pode ser feito através da literatura, há um livro muito interessante que você deve ler.   Ele lhe dará uma visão de todas as mudanças porque passaram as aldeias, os pequenos vilarejos e as sociedades heterogêneas, localizadas em terras que estavam dominadas na passagem do século XIX para o XX, pelos grandes poderes europeus ( França e Inglaterra).  Estes locais, em países que ainda não existiam na época, que faziam parte das grandes terras de territórios franceses e ingleses, ganhos a custa da queda do império otomano, ficavam à volta do Mediterrâneo e hoje formam países inventados pelo europeu, que juntou e dividiu grupos étnicos ao bel prazer.  Estas pessoas que viviam em aldeias seculares, mantendo tradições religiosas não só islâmicas, mas também cristã ortodoxa, cristã e judaica, tiveram que se adaptar freqüentemente à medida que outras invenções territoriais lhes afetaram no que até então tinham sido tradições e maneiras de viver milenares.  Difícil é às vezes, nos lembrarmos de que tudo isto aconteceu só em cem anos.  Mas a narrativa de Nazir Hamad, um conhecido psicanalista libanês radicado na França, sobre o período de meados do século XX dá ao leitor uma idéia clara, fazendo do individual o universal, sobre as raízes dos movimentos que geram os conflitos no Oriente Médio hoje.   Esta pequena aula de história, de história cultural, de antropologia, vem sob a forma de um maravilhoso romance: Um homem de palavra,  Nazir Hamad, [ Rio de Janeiro, Companhia de Freud:2004, 218 páginas], com tradução de Procópio Abreu.

 

 

 

Num outro nível este romance também traz à superfície uma perspectiva que nem sempre me pareceu tão clara: as diferentes visões de identidade, do EU vistas de quem mora numa aldeia e de quem mora numa metrópole.  Uma das mais interessantes observações é que a identidade daqueles que vivem numa aldeia é adquirida mais através do OUTRO do que através de si mesmo.  Trocando em miúdos: porque numa aldeia todos conhecem todos, a identidade de cada um é facilmente construída pelo que os outros pensam de você.   Enquanto numa metrópole, onde ninguém o conhece a identidade de cada um tem que ser vista de dentro para fora.  O sentido do EU se torna mais importante.  Esta então é a grande transição porque passa a região deste romance.  Quando todos sabem que sou um homem bom, porque é assim que eles me vêem, continuo a ser um homem bom.  Mas, se ninguém sabe, se o mundo de repente é diferente, é preciso não só que eu seja um homem bom, mas que eu tenha a potencialidade de mostrar e de admiti-lo para mim mesmo.  É esta mudança psicológica que presenciamos através da trama do livro, sem que uma palavra a respeito seja dita.  

 

Recomendo a leitura deste livro por todos.  Excelente.

 





Geek? Os 11 livros de ficção científica essenciais para a sua leitura.

31 08 2008

 

 

 

Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

O portal Inside Tech publicou uma lista dos 50 livros de leitura essencial para a formação dos geeks.  Não sou capaz de julgá-los nas outras áreas, mas gostei muito do que vi em termos de clássicos da literatura de ficção científica e feliz de ver que 10 dos 11 títulos mencionados encontram-se traduzidos e publicados no Brasil.   O único não traduzido, o livro de Doug Coupland deve estar a caminho.  Já há tradução para o espanhol.  Além do mais, se você é um verdadeiro geek, deve poder lê-lo em inglês.   

 

 

 

 

 

 

 

  

 

http://www.insidetech.com/

 

 

Coloco abaixo a lista com seus respectivos dados. 

 

1 – Nevasca — Neal Stephenson

 

Algum tempo no futuro. Os Estados Unidos, como conhecemos, não existem mais. O país está nas mãos de mercenários e corporações de toda espécie. Hiro trabalha para uma dessas corporações como entregador de pizzas. Mas isso é no mundo que conhecemos. Na realidade virtual, o Metaverso, pertence à elite que criou aquele lugar, habitado por avatares de toda espécie. Em qualquer dos dois mundos, Hiro também é um exímio samurai, que precisará de todas suas habilidades para salvar esses mundos de uma terrível ameaça. Seu nome – Snow Crash.

 

Editora: Aleph
ISBN: 8576570548
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 440
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

2 – Neuromancer —  William Gibson

 

Um hacker renegado, uma samurai das ruas, um fantasma de computador, um terrorista psíquico e um rastafari orbital num thriller sexy, violento e intrigante. De Tóquio a Istambul, das estações espaciais ao não-espaço da realidade virtual, o tenso jogo final da humanidade contra as Inteligências Artificiais…
 
 
Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o primeiro – e ainda hoje o mais famoso – livro de William Gibson. É considerado não só o romance que deu origem ao gênero cyberpunk, mas também o seu melhor representante. Edição especial com nova tradução, nova capa e projeto gráfico, novo prefácio e notas explicativas.

 

Editora: Aleph
ISBN: 8585887907
Ano: 2003
Edição: 3
Número de páginas: 304
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

3 —  Eu, Robô Isaac Asimov

 

Isaac Asimov vive circulando pelo espaço, achando histórias em estrelas e planetas distantes e nos visitando de vez em quando. O que poderia ser só uma licença poética para descrever seu ofício de autor de ficção científica é a mais pura verdade desde que um asteróide foi batizado com seu nome. Poucas honras poderiam ser maiores para um autor do gênero, e Asimov ainda tem outras: recebeu da Associação Americana de Escritores de Ficção Científica o título de Grande Mestre e escreveu quase 500 livros.

 

Eu, robô é parte de uma das três grandes séries de Asimov ? Robôs, Fundação e Império. Retoma uma das personagens principais, a grande roboticista Susan Calvin, e a faz contar, em retrospecto, histórias que resumem a evolução da robótica. A narrativa engenhosa conduz o leitor com um didatismo disfarçado: levados pela imaginação e pelo humor de Asimov, nem nos damos conta da lição de história da robótica que acabamos aprendendo. Entre a babá da primeira história e a Máquina, com maiúscula, que controla toda a Terra, na última, há ainda espaço para robôs que enlouquecem, que fazem piadas, que lêem pensamentos e até robôs orgulhosos de serem mais espertos do que os seres humanos.. Eu robô também apresenta as três leis da robótica, outro alicerce da ficção científica. De acordo com elas, a primeira obrigação de um robô é proteger seres humanos, a segunda é obedecer às ordens de humanos e a terceira é se proteger. A aparente simplicidade esconde os numerosos conflitos que podem surgir, e servem de mote para mais de uma história. Eu robô foi adaptado para o cinema, e tem previsão de lançamento mundial em agosto. 

 

Editora: Ediouro
ISBN: 8500015292
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

4 —  O Guia do Mochileiro das Galáxias, – Douglas Adams

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetárias. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

 

Editora: Sextante
ISBN: 8575421042
Ano: 2004
Volume: 1
Edição: 2
Número de páginas: 192
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

5 —   Do Androids Dream of Electric Sheep?  Philip K. Dick  em português

 

Editora: Oxford do Brasil
ISBN: 01947922226
Ano: 2008
Volume: 1
Edição: 3
Número de páginas: 120
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

6 —   O Jogo do Exterminador. – Orson Scott Card

No romance, Ender Wiggin é uma criança de seis anos de idade, quando é recrutado para a Escola de Combate Espacial. No futuro criado por Orson Scott Card, a humanidade está em guerra com alienígenas invasores, e muitos dos combates são travados em outros sistemas solares, distantes do nosso. Como não existe uma tecnologia de vôo mais rápido que a luz, nessa ficção científica, os muito jovens são recrutados porque eles estarão maduros quando estiveram em batalha ou quando retornarem à Terra. Usar crianças-soldados como personagens também foi um modo do autor afirmar que toda guerra é um processo de destruição da inocência.

O romance de ficção científica O Jogo do Exterminador foi originalmente lançado nos Estados Unidos em 1985. Ele é uma expansão da noveleta O Jogo do Exterminador, que foi a grande responsável pelo fato de seu autor, Orson Scott Card, ter recebido o Prêmio John W. Campbell, Jr. de melhor escritor estreante, em 1978. A versão romance recebeu os prêmios Hugo 1986 e Nebula 1985 – os dois principais prêmios da ficção científica em língua inglesa. O livro também está na lista de clássicos de John Clute, considerado um dos principais críticos de ficção científica. O Jogo do Exterminador foi publicado no Brasil em 1990, com esse mesmo título, pela Editora Aleph, quando recebeu o Prêmio Nova de Ficção Científica, conferido pela comunidade brasileira de FC.

 

Editora: Devir
ISBN: 8575322575
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 380
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

7 —  A Máquina do Tempo, —   H G  Wells   

 

Poderemos, algum dia, viajar no tempo? O herói de Wells foi ao futuro. O que viu ali encheu sua alma de terror e piedade pela espécie humana. O viajante do tempo percorre milhares de anos e encontra um espelho para sua alma…

 

Editora: Nova Alexandria
ISBN: 9788586075209
Ano: 1994
Edição: 1
Número de páginas: 126
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

8 — Micro Servos, Doug Coupland  

 

 

 

Editora: Nova Fronteira
ISBN: 
Ano: 1995
Edição:
Número de páginas: 440
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

  

9 — Planolândia: um Romance de Muitas Dimensões, — Edwin A. Abbott

 

Publicado pela primeira vez em 1884, na Inglaterra, ironiza o sexismo e o autoritarismo da sociedade vitoriana por meio deste romance habitado por figuras geométricas. Em Planolândia, figuras geométricas dotadas de características humanas convivem em um universo bidimensional onde a ordem é mantida a ferro e fogo por autoridades poligonais, os nobres, e circulares, o clero.

 

Editora: Conrad
ISBN: 8587193678
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 126
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

 

10 —  1984,  George Orwell  — edição comemorativa.

 

Este livro não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar para o cenário antevisto em 1984, o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo.

 

Editora: Nacional
ISBN: 8504006115
Ano: 2003
Edição: 29
Número de páginas: 302
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

11 – O admirável mundo novo, — Aldous Huxley

 

Edição revista da clássica ficção científica que descreve as formas mais sutis e engenhosas que pode assumir o pesadelo do autoritarismo.

 

Editora: Globo
ISBN: 8525033227
Ano: 2001
Edição: 2
Número de páginas: 309
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Então, está esperando o quê?  Mãos a obra…

Para verificar a lista toda, inclusive os livros mais técnicos aqui está o link:
 




Dorme ruazinha… Poema de Mário Quintana para crianças

28 08 2008
Ruazinha à noite, ilustração de Elisabeth Teixeira

Ruazinha à noite, ilustração de Elisabeth Teixeira

 

DORME RUAZINHA… É TUDO ESCURO!…

 

Mário Quintana

 

 

Dorme ruazinha…  É tudo escuro…

E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?

Dorme teu sono sossegado e puro,

Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos…

 

Dorme…  Não há ladrões, eu te asseguro…

Nem guardas para acaso perseguí-los…

Na noite alta, como sobre um muro,

As estrelinhas cantam como grilos…

 

O vento está dormindo na calçada,

O vento enovelou-se como um cão…

Dorme, ruazinha…  Não há nada…

 

Só os meus passos…  Mas tão leves são,

Que até parecem, pela madrugada,

Os da minha futura assombração…

 

 

 

Do livro:  Antologia poética para a infância e a juventude, Ed. Henriqueta Lisboa,  Rio de Janeiro, INL:1961.

 

 

 

Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

 

Obras:

 

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)

 

 

Ilustração acima de Elizabeth Teixeira como indicado na fotografia, do livro Atrás da Porta, de Ruth Rocha, ed.Salamandra.

 





O Quatrilho de Pozenato, uma volta pelo passado

28 08 2008
José Clemente Pozenato

José Clemente Pozenato

Só recentemente tive a oportunidade de ler o livro de José Clemente Pozenato, O Quatrilho, Porto Alegre, Mercado Aberto: 1985, romance que em 1994 foi transformado no filme  do mesmo nome de Fabio Barreto; indicado ao Oscar  em 1995, na categoria de melhor filme estrangeiro.  Gostei imensamente da narrativa e também da trama nesta ficção histórica sobre os imigrantes italianos.  O romance cobre com distinção a imigração de italianos, oriundos em sua maioria da região de Veneto e estabelecendo-se no Rio Grande do Sul.  Esta renovada imigração no início do século XX foi  resultado de um acordo feito entre os governos brasileiro e italiano.  Na história, que é baseada em fatos verdadeiros,  dois casais de imigrantes italianos, amigos e sócios, resolvem dividir uma grande moradia enquanto trabalham muito duro para prosperar.  Aos poucos o marido de um e a mulher do outro se apaixonam e fogem, deixando os filhos para trás.  O casal que permanece na casa por sua vez, passados alguns meses solidifica como marital um relacionamento que já existia como sociedade de negócios e assumem um casamento que originalmente nenhum dos dois havia contemplado.  Esta história, com este enredo, é claro pertence única e exclusivamente aos casais retratados.  Mas o tema da imigração e, sobretudo da imigração italiana, apesar de ter sido abordado diversas vezes na televisão brasileira, ainda é pouco assimilado pela cultura brasileira.  O assunto não tem a influência que adquiriu na artes e na cultura de outros países do novo continente, como nos Estados Unidos ou Canadá. 

 

Acredito que parte dessa diferença está enraizada na maneira em que nos EUA o imigrante e seus

Capa da primeira edição, 1985

Capa da primeira edição, 1985

descendentes é continuamente lembrado de sua identidade como um recém-chegado.  Expressões específicas são usadas para definir, alinhar, explicar sotaques, comportamentos, hábitos e tudo o mais.  Lá, é comum os filhos e os netos de um imigrante se referirem a si próprios como daquela linhagem estrangeira, mesmo tendo nascido em solo americano, de pais nascidos em solo americano.  Assim há os americanos-irlandeses, os americanos-italianos, os americanos-judeus.  Este hábito torna muito mais difícil a inserção de qualquer cidadão na sociedade em geral.  É um hábito que separa as pessoas, que divide cidadãos em pequenos grupos de identidades diversas.  Por outro lado, eles em geral conhecem melhor o passado de seus ancestrais, relembram em maior detalhe e com grande freqüência a saga de seus avós, bisavós,  porque elas compõem suas personalidades.  Elas preenchem os detalhes daquilo que os outros acreditam ser indecifrável.  Tudo e qualquer coisa pode ser justificada sob o rótulo de uma identidade estrangeira.  É uma faca de dois gumes.

 

 

Uma das grandes vantagens que temos no Brasil é esquecermos rapidamente de onde nossos antepassados vieram.  Quando comecei a fazer uma árvore genealógica para a família e fui expandindo os dados lateralmente e para trás, fiquei surpresa de ver que muitos dos meus conterrâneos, familiares e  amigos, não tinham a menor idéia de onde seus antepassados tinham vindo.  É verdade que moro no estado do Rio de Janeiro, um dos primeiros locais de colonização do país e também um dos locais de maior miscigenação.  Como a  habitação do território brasileiro começou mais cedo do que a população imigrando para os EUA, pelo menos de cem anos, é natural que muitos não saibam nada além de vagas lembranças da história de seus antepassados.  Fiéis à tradição latina, [e esta tradição remonta ao Império Romano] somos, no todo, mais abertos a chamar de brasileiros todos aqueles que fazem da nossa terra, sua casa.  Acreditamos que todos que estão aqui são como a gente.  Casamos com estes imigrantes, casamos com seus filhos, sem lhes perguntar a raça, a religião, a nacionalidade de origem de seus antepassados.  Aqui somos todos iguais.  Não nos subdividimos em pequenos grupos.  Afinal, falamos a mesma língua e estamos cansados de saber, que nossa pátria é nossa língua.  Em compensação ignoramos muito da nossa história, não damos valor aos sacrifícios que nossos antepassados fizeram para nos dar uma chance de viver melhor do que eles tinham se ainda estivessem nos seus países de origem.  O resultado é que ignoramos aquelas culturas de onde nossos avós e bisavós vieram.

 

Cartaz do filme de Fabio Barreto baseado no romance.

Cartaz do filme de Fabio Barreto baseado no romance.

Assim é sempre com curiosidade e alegria que encaro um romance brasileiro com este tema.  E o livro de Pozenato não só é fiel à natureza dos imigrantes, às suas vidas, como também narra com clareza e humor a aventura desafia o ajuste de estrangeiros a um novo país.  A adaptação deles à nova realidade, a um novo clima, a um novo terreno é tratada com extrema sensibilidade e profunda delicadeza. 

 

Entre os seus melhores e mais sensíveis retratos de uma geração inteira de colonos, da vida dura e sofrida que tiveram, está o retrato que ele faz, logo no início de O Quatrilho, das mudanças que vê nas mulheres jovens, que se casam e se entregam a uma vida difícil na esperança de um futuro melhor.  As reflexões do padre que nos apresenta ao Rio Grande do Sul, à sua paisagem, aos costumes da época, logo no início da narrativa, estabelecem o tom, a delicadeza e a verdadeira luta que ele vê estes imigrantes travarem.  Abaixo coloco dois parágrafos destas conjecturas para dar um gosto do que se desenrola no texto.  Recomendo com grande entusiasmo a leitura deste livro. 

 

Mais do que fome ou irritação, o que o tocava agora, enquanto a mula trotava firme, era uma vaga tristeza.  E sabia muito bem a razão.  Em quase trinta anos de padre, dez deles na Itália e o restante na América, onde com certeza deixaria os ossos, teria celebrado mais de mil casamentos.  E depois de cada um deles lhe vinha essa tristeza.  Não era inveja, ao contrário.  O caminho que Deus escolhera para chamá-lo à vida sacerdotal tinha sido, talvez, o medo de enfrentar a mesma miséria e as humilhações do pai, camponês nas terras de um senhor de Bolzano.  Entendia muito bem a pobre gente que juntara seus miseráveis pertences e atravessara o mar, numa casca de madeira, para tentar a aventura na América.  Era para cá que seu pai teria vindo, se não tivesse morrido ainda jovem.  Para cá tinha vindo ele, trazido por impulso, que podia ser talvez virtude ou, mais provavelmente, uma simples compulsão humana, destituída de merecimento.

 

Não, a tristeza que lhe vinha não tinha nada a ver com inveja.  O que lhe causava mal-estar era o brilho de esperança que via nos olhos dos noivos.  Uma esperança que ele sabia destinada a durar muito pouco tempo.  Tinha pena principalmente das noivas, atraentes, risonhas como uma rosa desabrochada de manhã, que ele voltaria a ver daí a alguns anos, envelhecidas, feias, com o sofrimento e a resignação escondidos no fundo dos olhos tristes, revelados com lágrimas no confessionário.  Por isso é que lhe fazia mal celebrar um casamento.

 

Página 16-17

 

O QUATRILHO, José Clemente Pozenato, Mercado Aberto: 1986, Porto Alegre.





O cavalinho branco, poema infantil de Eloí E. Bocheco

27 08 2008

 

CAVALINHO BRANCO

 

 

Eloí E. Bocheco

 

O cavalinho branco

come estrelas e

raios de luar.

De noite,

o relincho do cavalinho

brilha tanto

que dá pra enxergar:

os piolhos da cobra,

a cicatriz no pé

da centopéia,

a unha encravada

do tamanduá,

o pesadelo da coruja

e até os ninhos

dos sabiás nas árvores.

Ontem o cavalinho

deu um relincho

tão iluminado

que clareou

a outra ponta do mundo.                                      

 

Do livro: Ô de casa, Griphus, 2000

 

Eloí Elisabete Bocheco, Campos Novos, SC — professora, formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo – RS.  

Obras:

 

Uni… duni…téia… (1998 )

Ô de casa (2000)

O abraço mágico (2002)