Verão, poesia infantil de Zilda Maria Vasconcellos

1 02 2010
Ilustração de Meredith Johnson

Verão

                              Zilda Maria Vasconcellos

 

Bem na pontinha dos pés,

sobre a erva do caminho,

com os sapatos na mão,

fui caminhando sozinho.

Belo dia de verão!

Tudo parado, quietinho…

perfumes para todo lado,

e um gostoso calorzinho.

O sol bateu em meu rosto

e a leve aragem do vento.

Fui caminhando com gosto

num passo lento, bem lento.

Demorei a encontrar

as minhas vespas amigas,

as cigarras a cantar,

as diligentes formigas.

Então, no grande silêncio,

uma formiga ouvi:

Precisamos trabalhar,

O outono está quase aí.

Já vão-se abrir as escolas,

Irás estudar também.

Adeus,  meu bom amiguinho,

até o verão que vem!

Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas,  Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971





Quadrinha sobre o trabalho

25 01 2010

trabalhar vc está louco

Ilustração, Walt Disney.

Se tens à frente uma estrada,

não passes por um atalho,

que a vida só é gozada

à custa de muito trabalho.

(Luiz Evandro Innocêncio)





A borboleta azul, poema de Faustino Nascimento

21 01 2010

 

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

A borboleta azul

Faustino Nascimento

De uma clareira à borda da floresta,

Que o sol transforma em rútila vinheta,

Toda de azul, como quem vai à festa,

Passa, bailando, a linda borboleta.

Uma ninfa, talvez, fugindo à sesta,

Em busca de algum Pan, deusa faceta,

Toda beleza e graça manifesta,

Voejando, entre uma rosa e uma violeta.

Não tenta conquistar as altitudes,

Transpor abismos e vencer taludes,

Pois nasceu borboleta e não condor…

É que ela busca apenas a quem ama,

E despreza a riqueza, a glória e a fama,

Pois tem tudo na terra, tendo o amor…

Em:  Antologia Poética, Faustino Nascimento, Rio de Janeiro, Freitas Bastos: 1960, p.103.

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Antônio Faustino Nascimento (Missão Velha, CE, 1901-)  advogado, magistrado, escritor, poeta, ensaísta, jornalista, tradutor.  Em Fortaleza, fundou a revista Argus.

Obras

Juvenília, poesia, 1927

As Cosmogonias, ensaio, 1929

Paisagens sonoras, poesia, 1937

Ritmos do novo continente, poesia, 1939, 1943

Elogio do amor e da ilusão, poesia, 1941

Cantos da paz e da guerra, poesia, 1943

O refúgio sublime, poesia, 1945

Exortação, soneto em cinco idiomas, 1949

O sonho do fauno, poesia, 1950

Cântico ao nordeste, poesia, 1954

Caminhos do Infinito, poesia, 1956

A  fonte de Afrodite, poesia, 1958

A Alvorada, cântico a Brasília, 1958

Antologia poética, 1960

A vida, o amor e a ilusão, poesia, 1962

A terra de Israel, ensaios, 1967

Oriente e ocidente, história, 1973





Um nó de feixos de luz! Científico e romântico!

20 01 2010

 

Ilustração de Walt Disney.

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Uma equipe de físicos britânicos conseguiu dar vários nós em feixes de luz, em uma experiência inédita relatada em artigo na revista científica Nature Physics.

Segundo o especialistas, o feito foi possível graças à chamada “Teoria dos Nós“, um ramo da matemática abstrata inspirado nos nós cotidianos, como os de cordas e sapatos. “Em um feixe, o fluxo de luz no espaço é semelhante ao das águas de um rio“, explicou Mark Dennis, da Universidade de Bristol e principal autor do estudo. “Apesar de correr em uma linha reta, a luz também pode fluir em voltas e redemoinhos, formando linhas no espaço chamadas de vórtices ópticos.”

Ao longo desses vórtices, a intensidade da luz é zero. Toda a luz à nossa volta é cheia dessas linhas negras, apesar de não podermos vê-las“, disse.

 

Foto: BBC


Vórtices ópticos podem ser criados com hologramas que direcionam o fluxo de luz. Neste estudo, a equipe desenhou hologramas usando a teoria dos nós. E com esses hologramas, conseguiram criar nós em vórtices ópticos.  Para os cientistas, a compreensão de como controlar a luz tem importantes implicações para a tecnologia a laser usada em vários campos, da medicina à indústria.

O sofisticado desenho de hologramas necessário para a nossa experiência mostra um avançado controle óptico, o que pode sem dúvida vir a ser usado em futuros aparelhos a laser“, disse Miles Padgett, da Universidade de Glasgow.

FONTE: Terra





Recordações do Theatro Lyrico, no Rio de Janeiro, texto de Ivna Thaumaturgo

19 01 2010

 Antigo Theatro Lyrico no Rio de Janeiro.

Feito no Império, o Theatro Lyrico tinha a graça e a beleza adequada à função.  Acústica perfeita, harmonia perfeita.  Nos intervalos das aulas eu ia explorar todos os seus recantos e o conheci do avesso, quando não tinha ninguém, e isso era fantástico.  Sabia como entrar no palco diretamente dos camarotes.  Conhecia todos os seus intricados caminhos.  Era um labirinto de madeira, uma jóia.  As cadeiras da platéia, estilo império, traziam a numeração em metal encravada numa placa de madrepérola e eram de jacarandá e palhinha.  Confortáveis e sóbrias, a princípio eram cadeiras cativas.  Gostava de ir ao palco depois de terminado o espetáculo.  Fiz isso muitas vezes quando os Cossacos do Don se apresentaram e porque eles tinham o magnetismo selvagem da alma russa, atraíam as mulheres que iam assediá-los – eu, entre elas, com uma diferença de idade que transformava qualquer aproximação em amizade carinhosa.  Conversava com eles por mímica e lhes pedia que me ensinassem passos da dança.  Levava-lhes minhas aquarelas nas quais eles apareciam fazendo malabarismos, passos de danças guerreiras, acrobacias que ficavam muito aquém das que faziam no palco.  Eram,  belos, leves, ligeiros, imponderáveis.  Eu havia lido Os cossacos de Tolstói  e eles eram o que Tolstói havia descrito: tinham a sensualidade à flor da pele – sofrimento e prazer viviam neles ancestralmente juntos, confundindo amor e ódio, êxtase e agonia.  Pedi a alguém que lhes perguntasse –  Como dançavam tão bem?  — Eles responderam:  — Dançamos com “raiva”.  Era uma raiva diferente, uma explosão de virilidade, garra, grito tribal, paroxismo do sexo.  Havia a “dança dos punhais”, em que ao som da música em coro iam lançando com a boca, uma a um, enormes punhais ou adagas que se fixavam no chão, em círculo, numa precisão assustadora. 

Cossacos do Don

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O entusiasmo das moças que freqüentavam as vesperais despertou uma reação histérica nas autoridades e, de repente, foi proibida a presença de mulheres no palco.  Ignorei essa ordem, talvez por me considerar de certa forma, “dona da casa”.  Continuei lá,  no meio deles, interessados a me ensinar a letra dos “Barqueiros do Volga”, canção admirável. 

“Ei uh… niem…

Ei uh…niem…

E…ste…raaazik

Eestedara…”

De repente vi, à minha frente, o professor Guanabarino e sua noiva, d. Lalita.  O mestre estava irado.  Passou-me um pito e exigiu que eu saísse de lá.  Fiquei indignada, revoltada, envergonhada, mas tive de obedecer.  Os russos, surpresos e constrangidos,  gritaram para mim:  Dasvidania!, que quer dizer Adeus.

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Arturo Toscanini

Seria admirável se alguém escrevesse a história do Theatro Lyrico, nomeando os grandes artistas que por lá passaram.  Companhias líricas, cantoras famosas, tenores, baixos, barítonos, pianistas, violinistas, grandes orquestras…  Toscanini virou maestro nesse teatro, quando os fados o obrigaram a substituir o maestro que adoeceu no dia da estréia de um espetáculo de gala.  Eleonora Duse, Sara Bernhardt, e sua célebre frase aos estudantes que a vaiaram: “ Vous m’avez jugé avant de m’avoir connue.”  [Vocês me julgaram antes de me conhecerem]  E o teatro veio abaixo com os aplausos dos que a vaiaram.  Mas, aos poucos, as grandes temporadas foram se deslocando para o Teatro Municipal.  O Lyrico, abandonado, passou a ser o lugar preferido para a exibição de diversos tipos de circos e imensas estruturas para trapezistas eram armadas sobre a platéia…  A desmoralização terminou com a demolição da “jóia de madeira” e o terreno vazio, sem o menor vestígio de gloriosas noites que se prolongavam até altas madrugadas, virou local de estacionamento de veículos.  Que país admirável!  O teatro estava “atravancando” um espaço incomensurável!

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Eleonora Duse

 

O interior do Theatro Lyrico, Rio de Janeiro.

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Em:  A família de guizos: história e memórias, de Ivna Thaumaturgo, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 1997; p.73-75.

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A companhia de canto e dança Cossacos do Don, ainda se apresenta hoje em dia nos maiores palcos do mundo.  Coloco aqui abaixo um vídeo de Cossacos do Don que achei no YouTube. 

 







Papa-livros: A pesca do salmão no Iêmen, de Paul Torday

12 01 2010

 

A pesca do Salmão no Dee

Joseph Farquharson (Escócia 1846-1935)

óleo sobre tela

Quem anda à procura de um romance leve, muito diferente e com um bom senso de humor não deve deixar de ler A Pesca do Salmão no Iêmen do escritor inglês Paul Torday [Record:2008].    O mínimo que posso dizer é que este romance é muito original.  A começar pela forma com que a história é contada.  Lembra, em muitos aspectos, os romances epistolares, pois é feito de cartas, e-mails, páginas de diário, relatórios da Câmara dos Deputados na Inglaterra (House of Commons), programas de entrevistas, até emails relacionados a Al Qaeda fazem parte dessa “pilha” de documentação que conta a história.  Cada capítulo traz à tona uma nova faceta do desenvolvimento de um projeto ambicioso, imaginado por um xeique iemenita, de trazer a cultura do salmão para o seu país a fim de propiciar aos seus habitantes o esporte a que ele se dedicava em sua propriedade na Escócia: a pesca do salmão.  A engenharia social que atrai o abastado xeique seria proporcionar ao Iêmen uma das únicas atividades em que todos, de quaisquer classes sociais, poderiam participar de igual para igual, lado a lado à beira do rio.

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Este é um livro construído como uma sátira aos governos,  a toda a burocracia governamental, que aqui aparece retratada na Inglaterra, mas que com pequenos ajustes é universalmente insana.    O projeto de se fazer a pesca do salmão – um peixe de água doce muito fria–  no Iêmen, um país no deserto é considerado desde o primeiro capítulo como uma loucura, um projeto sem pé nem cabeça.  Mas, por razões diversas e principalmente para favorecer ao primeiro-ministro, este projeto começa a crescer e toma vida própria.  Não só cresce como se torna um projeto imprescindível para o governo inglês.  E ganha mais combustível ainda depois que Alfred Jones, nosso herói, um cientista do Departamento de Pesca do governo, contrário ao projeto, vê-se frente a frente e seduzido pela filosofia do xeique em questão.   O resultado é imprevisível.

 

 

Nesse meio tempo, entre “provas” escritas – emails, diários, cartas, entrevistas – temos uma das mais divertidas narrativas que ironizam e satirizam a vida contemporânea, os casamentos de conveniência, o discurso político.  O que nos resta, por incrível que pareça, é uma mensagem sóbria, gratificante: a esperança é imprescindível para nos dar direção a nossas vidas.  A gente vive, sonha e faz planos, os mais diversos.  Mas mesmo que o que planejamos não venha a se concretizar, aquela esperança que nos ajudou a tentar construí-lo já é o suficiente para dar sentido à nossa vida.    Por trás disso há uma diferença importante entre dois conceitos e quem nos ensina é o xeique:  há religião e espiritualidade.  Ás vezes elas se misturam, às vezes não.    Mas a espiritualidade, quando somos íntimos dela, pode ser encontrada nos recantos mais exóticos, onde jamais esperaríamos encontrá-la.  E é ela quem nos salva. 

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Recomendo a leitura de A pesca do salmão no Iêmen.  Principalmente se você anda desiludido com os seus políticos, com a falência dos seus sonhos.  Há muito material aqui, para dar uma outra vida ao cotidiano, para ver um problema por um outro ângulo.    Achei que esse romance perde um pouco o ritmo no meio das suas 360 páginas.  Mas devo alertar o meu leitor que esta pode ser uma observação só minha.  Ultimamente tenho tido a impressão que na maioria dos romances que leio p texto poderia ter sido cortado, editado, para melhoria do ritmo da narrativa.  Talvez seja um problema meu e não do autor neste caso.  Fica de qualquer maneira, aqui, a minha forte recomendação a esta divertida leitura.





Folha artificial pode gerar hidrogênio verde

11 01 2010

Detalhes escondidos no mundo natural poderão ser fontes de energia limpa, no futuro.  Pelo menos é isso o que os cientistas de materiais que criaram folhas artificiais que podem coletar luz para dividir a molécula da água e gerar hidrogênio sugerem hoje na revista New Scientist.

Cientistas chineses da Universidade de Jiao Tong, em Xangai, desenvolveram folhas artificiais que imitam o processo de fotossíntese das plantas.  A intenção é permitir a captação da energia solar para gerar hidrogênio de forma eficaz e viável ecologicamente.  O processo seria criar uma fábrica de hidrogênio em miniatura.

As folhas das plantas se desenvolveram através de milhões de anos para apreender a luz vinda dos raios do sol de maneira bastante eficiente.  Elas usam essa energia para produzir seu alimento e no processo elas dividem a molécula d’água e criam íons de hidrogênio.  Imitando esse processo seria possível criar fabricas em miniatura de hidrogênio. 

Usar a luz do sol para dividir a molécula d’água e formar combustível na forma de hidrogênio é uma das mais promissoras táticas para erradicar a nossa dependência do carbono”, explicou o cientista Tongxiang Fan.  A idéia não é nova, mas, até agora, os pesquisadores haviam se concentrado na tentativa de modificar ou imitar moléculas que realizam o processo.  “Nós gostaríamos de adotar um sistema com um processo completamente diferente que viesse a imitar a fotossíntese,  copiando a elaborada arquitetura elaborada das folhas verdes”, explicou Fan.  

As folhas das plantas foram submetidas a vários processos químicos para obter um material que retém muito de sua estrutura original. Este sistema poderia ser útil no desenvolvimento de um método “limpo” para produzir hidrogênio.

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A fotossíntese é o processo em que as plantas transformam energia luminosa em química, processando o CO2, a água e outros minerais em compostos orgânicos e produzindo o oxigênio.

Fonte: Terra  e New Scientist





Imagem de leitura — Keisai Eisen

11 01 2010

Senhora oriental lendo à luz do luar

Keisai Eisen (Japão, 1790-1848)

xilogravura policromada

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 Keisai Eisen – ( Edo [Tokyo]1790-1848)  Nascido na família Ikeda, filho de um calígrafo e poeta, que aparentemente aprendeu com seu pai a maneira de usar o pincel.  Já bem jovem foi instruído seu pai demonstrou grande confiança num futuro brilhante para o filho colocando-o para estudar o estilo Kano com o pintor Hakkerisai.   Logo depois da morte de seu pai, Eisen procurou um padrinho no pintor Kikugawa Eizan, que era exemplar na pintura das belezas bijin, e com quem Eisen treinou nno estilo ukiyo-e.    Em 1820, já se manifesta com estilo próprio.   Com Kunisada e Kuiyoshi, Eisen é considerado um dos maiores artistas do estilo ukiyo-e  do período “decadente”.





Velho Muro, soneto de Bernardino Lopes

10 01 2010

 

O muro do jardim, 1910

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

Aquarela e grafite sobre papel, 40 x 53 cm

Museu de Belas Artes, Boston

Velho Muro

 

                                    B. Lopes

Velho muro da chácara!  Parcela

Do que já foste: resto do passado,

Bolorento, musgoso, úmido, orlado

De uma coroa víride e singela.

Forte e novo eu te vi, na idade bela

Em que, falando para o namorado,

Tinhas no ombro de pedra debruçado

O corpo senhoril de uma donzela…

Linda epoméia te bordava a crista;

Eras, ao luar de leite, um linho albente,

Folha de prata, ao sol, ferindo a vista.

Em ti pousava a doce borboleta…

E quantas noites viste, ermo e silente,

Romeu beijando as mãos de Julieta!

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Em: Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana,  ed. Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do livro: 1951.

Vocabulário:

Víride:  verde,  uso poético

Epoméia: ver ipoméia, trepadeira rústica comum em terrenos baldios, também conhecida como  jitirana, jetirana, corriola, campainha, corda-de-viola.

Albente:  que alveja, que embranquece

Bernardino Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX.  Foi funcionário do Correio Geral,  Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo.  Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos.  Tem grande afinidade com os simbolistas.

Obras:

Cromos (1881) – 2ª Edição 1896

Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)

Brasões (1895)

Sinhá Flor (1899)

Val de Lírios (1900)

Helenos (1901)

Plumário (1905)

Poesias Completas (1945)





Texto encontrado em Qeiyafa, decifrado, data do século X a. C.

10 01 2010

 

Um fragmento de cerâmica com cinco linhas de texto e mais de 3.000 anos de idade, descoberto no local onde a Bíblia diz que Davi matou Golias, acaba de ser decifrado e, de acordo com arqueólogos israelenses, é o mais antigo registro de hebraico escrito.   As inscrições estavam em protocananeu –usado por israelitas, filisteus e outros povos da região– e foram descobertas há 18 meses.

O material foi decifrado por Gershon Galil, Professor da cadeira de Estudos Bíblicos da Universidade de Haifa, que identificou a escritura como hebraico. Em comunicado, a instituição afirma que se trata “do mais antigo registro conhecido” em hebraico.   Análises de datação radioativa, feitos para determinar a idade do material, indicam que as inscrições são do século 10 a.C., época do reinado de Davi,  o que as torna quase mil anos mais antigas que os pergaminhos do mar Morto e que provam que o reino de Israel já estava em existência neste período.

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O texto é um manifesto social, referente a escravos, viúvas e órfãos“, disse Galil, acrescentando que as palavras e os conceitos utilizados eram específicos do idioma e da sociedade hebraica da época.   O fragmento foi encontrado perto do portão do local conhecido como “Fortaleza de Elá“, cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém, no vale onde se acredita que a batalha entre Davi e Golias aconteceu.   O texto gravado em tinta num pedaço de cerâmica de 15 cm x 16,5 cm foi descoberto há aproximadamente 18 meses em excavações conduzidas pelo Professor Yosef Garfinkel em Khirbet Qeiyafa, no vale do Elá.   Mas até agora a definição da língua em que o texto havia sido escrito não tinha sido feita: até o estudo do prof. Galil, não se sabia se esse texto era de fato em hebreu ou se era de alguma outra língua local.

A definição dada pelo Prof. Galil de que o texto estava escrito em hebreu se baseou no uso de verbos muito específicos do hebreu, e, também, na cultura hebraica, traços que não teriam sido adotados por nenhuma outro grupo cultural da região.  “Esse texto é de caráter social, refere-se a escravos, viúvas e órfãos.   Usa verbos que são característicos do hebreu, como asah (feito) e avad (trabalhado) que eram raramente usados em qualquer outra língua regional.  Palavras específicas que aparecem no texto, como almanah (viúva) são exclusivas do hebreu e são escritas de maneiras distintas em outras línguas locaisO significado do texto tampouco era comum a outras culturas fora da sociedade hebraica, explicou o professor.

O texto exprime preocupação com os membros mais frágeis da sociedade.  Ele também serve de testemunha de que a presença de estrangeiros dentro da sociedade de Israel data de épocas remotas,  e que mesmo então, já clamava por uma  maneira de dar apoio a esses estrangeiros.  Faz também um apelo para o cuidar de viúvas e de órfãos e que o rei – que naquela época tinha a responsabilidade de diminuir a desigualdade social – se envolvesse na questão.   Esse texto é semelhante em conteúdo ás escrituras bíblicas (Isaías 1:17, Salmos 72:3, Êxodo 23:3, entre outros) mas está claramente estabelecido que não foi copiado de nenhum texto bíblico.

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Prof. Galil dá destaque também à localização do achado que foi numa localidade no interior da Judéia.  E explica: se havia escribas na periferia, podemos assumir que aqueles moradores da região central e de Jerusalém deveriam ser melhores escribas.  “Podemos agora manter a premissa de que durante o século X a.C., durante o reinado de Davi, havia escribas capazes de de escrever textos literários  e historiografias complexas tais como os livros dos Juizes e Samuel”.  Ele ainda acrescenta: “a complexidade do texto descoberto em Khirbet Qeiyafa, junto com as construções fortificadas encontradas no local, rejeitam qualquer idéia de negar a existência do Reino de Israel naquela época”.

Em comunicado, a Universidade de Haifa afirma que “a descoberta de um exemplo tão antigo de escrita hebraica torna possível que a Bíblia tenha sido escrita vários séculos antes das estimativas atuais“.   “As inscrições têm conteúdo semelhante às escrituras bíblicas, mas fica claro que não são cópias de nenhum texto da Bíblia“, afirma a universidade.

Fontes:  

Esciencenews  e Folha On Line