Quadrinha sobre a aranha e sua teia

10 01 2010

aranha

A teia se expande e estica

porque a aranha o fio tece.

O milagre não se explica

e simplesmente acontece.

(José Augusto Fernandes)





Meninas: maior igualdade, melhor em matemática

9 01 2010

Um estudo realizado nos EUA mostra que, em países onde há mais igualdade entre os sexos, as meninas tendem a ter um melhor desempenho em matemática do que os meninos – apesar de terem menos confiança do que eles na matéria.

A pesquisa, realizada em três universidades americanas e publicada na revista da Associação Americana de Psicologia, mostra ainda que a falta de confiança das meninas em suas habilidades, no mundo inteiro, pode explicar por que elas acabam optando menos por carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  “Estereótipos sobre inferioridade feminina em matemática são um contraste claro com os verdadeiros dados científicos“, disse Nicole Else-Quest, professora de psicologia da Villanova University e principal autora do estudo.

Nossos resultados mostram que as meninas obtêm os mesmos resultados que os meninos quando recebem as ferramentas educacionais corretas e têm modelos de mulheres que fazem sucesso na carreira científica.”  Else-Quest e sua equipe analisaram dados de dois estudos internacionais que, juntos, englobam mais de 493 mil estudantes entre 14 e 16 anos, em 69 países.

Um estudo se concentra no conhecimento geral do aluno sobre matemática, e o outro avalia a habilidade de cada um de usar suas habilidades matemáticas no mundo real, além de verificarem o nível de confiança do estudante e o quanto acreditavam que saber matemática seria importante em suas carreiras.    Segundo os cientistas, os resultados apresentavam poucas diferenças em relação ao sexo do aluno, mas havia muitas variações entre meninos e meninas de país para país.

Os pesquisadores também perceberam que, em países onde o nível da educação das mulheres e seu envolvimento político era melhor, as meninas tendiam a ter um melhor desempenho em matemática.   “Esta análise nos mostra que, enquanto a qualidade da educação e o currículo afetam o aprendizado das crianças, também pesam o valor que escolas, professores e pais dão a ele. As meninas podem ter um desempenho igual ao dos meninos se forem incentivadas“, afirmou Else-Quest.

Fonte: Terra





Paleontologia:descobertas as mais antigas pegadas de animal de 4 patas

8 01 2010
Foto: BBC

A prova mais antiga de um animal de quatro patas caminhando no solo foi descoberta na Polônia. Rochas de uma mina desativada nas montanhas da Santa Cruz, na Polônia, trazem “pegadas” de uma criatura desconhecida que viveu há 397 milhões de anos.   Diversos “caminhos” foram identificados nas Minas Zachelmie. Eles representam o movimento de diversos animais quando se movimentavam pela região que nessa época era um lamaçal tropical de ribeirinho, no Periodo Devoniano  da Terra.  

 

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O artigo com a descoberta é o destaque de capa da revista científica Nature. Segundo os cientistas, é possível inclusive perceber os “dedos” do animal. A equipe de cientistas afirma que com a descoberta é um indício de que os primeiros vertebrados terrestres podem ter aparecido milhões de anos antes do que se acreditava.

Este lugar revelou o que eu considero alguns dos fósseis mais incríveis que já achei na minha carreira como paleontólogo“, disse Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que trabalhou na pesquisa. “As pegadas nos dão o registro mais antigo de como nossos ancestrais distantes saíram da água, se moveram pelo solo e deram seus primeiros passos.” 

Foto: BBC

Os animais eram provavelmente semelhantes a crocodilos e teriam tido um estilo de vida semelhante aos dos anfíbios (que só vieram a surgir milhões de anos depois).  O tamanho das pegadas indica que eles teriam mais de dois metros de tamanho. A equipe de cientistas da Polônia e da Suécia criou uma imagem hipotética do animal a partir da pegada.  Os pesquisadores reconstruíram pelos desenhos das pegadas como essas criaturas moviam suas “ancas”,  “cotovelos” e “joelhos”.

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Antes da descoberta na Polônia, o fóssil mais antigo com características semelhantes era de 375 milhões de anos atrás.   A teoria é que as primeiras criaturas na terra vieram dos peixes que tinham guelras em lóbulos.  A hora exata que dessa transição tem sido uma um dos campos mais ativos de pesquisa na área, nos últimos anos.  Paleontologistas acreditam que esta transição foi rápida, mas em etapas.  Talvez o mais conhecido fossil desta passage seja o organismo conhecido como Tikaalik roseae, um animal com características intermediárias entre peixe e quadrúpedes. 

Reconstrução período devoniano.  UERJ.

 

Fontes para o artigo:

Parte da tradução: Terra

Outra fonte: BBC





O Super-Homem, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

8 01 2010

 

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O Super-homem

 

Reynaldo Valinho Alvarez

Abro a janela e solto-me no espaço.

A vida é um pátio aberto em plena escola,

para onde eu vou, com pasta e com sacola,

toda manhã, de sol ou de mormaço.

Queria ser igual ao Homem-Aço,

para voar mais alto do que a mola

que tenho no meu peito ou do que a bola

que impulsiono a correr e sem cansaço.

Na linha das montanhas, me liberto

e eis que percorro todo o espaço aberto,

como no pátio alegre do recreio.

Sou mais que o Super-Homem, pois não tenho

os limites quadrados do desenho,

para conter meu vôo e meu anseio.

Em:  Galope do Tempo, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 83.

 

Reynaldo Valinho Alvarez (RJ, RJ, 1931) Formado em Letras Clássicas, Direito, Economia e Administração.  Prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Nacional do Livro, a Fundação Biblioteca Nacional, a Fundação Cultural do Distrito Federal, a União Brasileira de Escritores, a Câmara Brasileira do Livro, a Fundação Catarinense de Cultura, o Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, entre outros.

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Algumas Obras:

Cidade em grito, 1973

Roteiro  solidão, 1979

Canto em si e outros cantos, poesia, 1979

As aventuras de Princês, o príncipe sem medo, infanto-juvenil, 1979, 1982

O Solitário gesto de viver, poesia, 1980, 2000

Solo e subsolo, poesia, 1981

O sol nas entranhas, poesia, 1982

Quem sabe o sim sabe o não, 1982

Monteiro Lobato: escritor e pedagogo, 1982

Calatrava, 1983

Gabrilofe, 1984

Pássaro sem asas, memória do abismo, romance, 1984

O grande guru, 1986

Ladrão que rouba ladrão, 1987, 2002

Um índio caiu do céu, infanto-juvenil, 1988

O dia em que os bichos votaram, 1989, 2004

A incrível peleja do pinto calçudo, 1990, 1996, 2000

O A-Bê-Cê da Nanica, 1994, 2003

O continente e a ilha, poesia, 1995

Chutando estrelas, 1995

Eu digo Rio e sorrio, 1997

Guerra dos humildes, 1997

Galope do tempo, poesia, 1997

A faca pelo fio, poesia, 1999

Das rias ao mar oceano, 2000

O tempo e a pedra, poesia, 2002

Lavradio, 2004

O vôo de Cauã, 2004

Corta a noite um gemido, poesia, 2007

Janeiros com rios, poesia, s/d





Quadrinha da mucama

7 01 2010

 madonnadeleite, canoto ( Brasil 1985),ost, 80x100Madona do leite

Canato ( SP, Brasil, 1985)

Óleo sobre tela,  80 x 100 cm

www.canato.com.br

A cantiga da mucama,

que embalava o sinhozinho,

tinha mimo de quem ama,

de quem sofre tinha espinho.

 

(Margarida Ottoni)





E você? O que sabe sobre o “erro de Aristóteles”?

7 01 2010
Ilustração, Walt Disney.  Pato Donald estuda matemática.

Há mais de 2.300 anos, Aristóteles errou.  Agora, no ano passado, um turbilhão de atividades acadêmicas está de repente se aproximando de uma resposta para um problema similar à pergunta de quantas pessoas cabem em um fusca da Volkswagen ou em uma cabine telefônica.  Com a diferença de que, nesse caso, os matemáticos não têm pensado no agrupamento de pessoas, mas de sólidos geométricos conhecidos como tetraedros.

É extraordinária a quantidade de artigos escritos sobre isso no ano passado“, disse Henry Cohn, matemático da Microsoft Research New England. O tetraedro é um objeto simples de quatro lados, cada um, um triângulo. Para o problema do agrupamento, pesquisadores estão observando os chamados tetraedros regulares, cujos lados são idênticos a um triângulo equilátero. Jogadores de Dungeons & Dragons reconhecem esse formato triangular de pirâmide em um dado usado no jogo.

Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível. Mas não é o que acontece, e 1,8 mil anos se passaram para que alguém apontasse que ele estava errado. Mesmo depois disso, o agrupamento de tetraedros atraiu pouco interesse. Mais séculos se passaram.

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Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível.

Um enigma similar sobre qual a melhor forma de agrupar esferas idênticas possui uma história mais célebre.   Aqui, a resposta era óbvia.  Elas devem ser empilhadas como laranjas no supermercado (com uma densidade de agrupamento de 74%), e foi isso que Johannes Kepler conjecturou em 1611.   Mas provar o óbvio levou quase quatro séculos, até Thomas C. Hales, um matemático da Universidade de Pittsburgh, conseguir esse feito em 1998 com a ajuda de um computador.

Com os tetraedros, o melhor arranjo de agrupamento não é óbvio, e depois de ter sido constatado que os tetraedros não se agrupavam perfeitamente, ficou a impressão de que eles não se agrupavam bem de maneira alguma. Em 2006, dois pesquisadores da Universidade de Princeton, Salvatore Torquato, um químico, e John H. Conway, um matemático, relataram que a melhor forma de agrupamento encontrada por eles preenchia menos de 72% do espaço – um agrupamento mais espaçado do que o das esferas.

Isso contestava a conjectura matemática de que, entre os chamados objetos convexos (sem cavidades, buracos ou orifícios), as esferas teriam o agrupamento ideal mais espaçado.

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Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

Óleo sobre tela,  143,5 x 136,5 cm

The Metropolitan Museum of Art, NY

O artigo de Princeton levou Paul M. Chaikin, professor de física da Universidade de Nova York, a comprar centenas de dados tetraedros e pedir a um aluno do ensino médio que enchesse aquários de peixes e outros recipientes com eles. “Imediatamente, percebemos que conseguíamos um agrupamento maior do que 72%“, disse Chaikin, que havia trabalhado anteriormente com Torquato no agrupamento de esferas achatadas, ou elipsóides. (Descobriu-se que as esferas achatadas têm um agrupamento mais denso do que as esferas regulares.)

O artigo de Princeton também levou Jeffrey C. Lagarias, professor de matemática da Universidade de Michigan, a pedir que Elizabeth Chen, uma de suas alunas de mestrado, estudasse o agrupamento de tetraedros. Chen se recorda do que Lagarias lhe disse: “Você precisa superá-los. Se você superá-los, será muito bom para você.

Chen examinou centenas de arranjos ao longo das semanas subsequentes, e, ela disse, “vários deles se destacaram pela alta densidade.” Seu melhor arranjo facilmente superou o de Conway e Torquato, com uma densidade de agrupamento de quase 78%, superior ao das esferas.

Na verdade, nem meu orientador acreditou em mim”, Chen se lembra. Depois de produzir modelos físicos dos tetraedros e demonstrar os padrões de agrupamento, ela convenceu Lagarias de que seus agrupamentos eram tão densos quanto ela havia afirmado e finalmente publicou sua descoberta há um ano.

Enquanto isso, Sharon C. Glotzer, professora de engenharia química, também da Universidade de Michigan, estava interessada em descobrir se os tetraedros podiam se agrupar como cristais líquidos. “Nos envolvemos nisso porque estávamos tentando desenvolver novos materiais com propriedades ópticas interessantes para a Força Aérea“, ela disse.

Glotzer e seus colegas criaram um programa de computador que simulava o agrupamento dos tetraedros e seu arranjo sob compressão. Em vez de cristais líquidos, eles descobriram estruturas complexas de quasicristais, com padrões quase, mas não exatamente, repetidos. “Essa foi a coisa mais surpreendente e maluca“, Glotzer disse.

Examinando os quasicristais, eles conseguiram encontrar uma estrutura periódica que representou outro salto na densidade de agrupamento: superior a 85%. No mês passado, quando essa descoberta ficou pronta para publicação na revista Nature, um grupo da Universidade Cornell, usando um método de pesquisa diferente, encontrou outro agrupamento com densidade similar.

Mas enquanto a estrutura de Glotzer era surpreendentemente complexa “um padrão de repetição formado por 82 tetraedros “, o cristal da Cornell era surpreendentemente simples, com apenas quatro elementos. Também é surpreendente para os pesquisadores o fato dos tetraedros nas simulações de Glotzer tenderem a estruturas complexas de quasicristais quando o melhor agrupamento é na verdade uma estrutura muito mais simples.

Isso faz parte da surpresa em relação a isso“, disse Cohn, da Microsoft Research. “Cada um desses agrupamentos parece muito diferente.” Alguns dias antes do Natal, Torquato e Yang Jiao, aluno de mestrado, relataram que haviam ajustado a estrutura da Cornell, aumentando ligeiramente a densidade de agrupamento para 85,55%.

Ficaria chocado se esse agrupamento atual fosse o mais denso“, Torquato disse em entrevista na semana passada. “Ele é apenas o mais denso por enquanto.”

Torquato não precisa ficar chocado. Na segunda-feira, Chen, aluna de mestrado da Universidade de Michigan, divulgou um novo avanço, que descreve uma família de agrupamentos que incluem as últimas estruturas de Cornell e Princeton. Mas ele também inclui um melhor agrupamento. O cálculo foi verificado por simulações do grupo de Glotzer. O novo recorde mundial de densidade de agrupamento de tetraedros: 85,63%.

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Tradução: Amy Traduções

Artigo original no The New York Times.  Em português:  Terra





Arte e medicina, vira e volta elas se encontram!

6 01 2010

 

IIlustração,  Walt Disney.  Pateta vai à galeria de arte.

Desde os meus primeiros anos de estudo em história da arte, que sei que de vez em quando um eventual médico resolve explicar o que está representado nas telas por doenças ou problemas de saúde dos pintores.  Eu me lembro de um famoso médico dizendo que os impressionistas continuaram um estilo que só poderia ter sido iniciado por alguém que precisasse  de óculos, porque só olhos  míopes viam, assim,  tudo um pouco embaçado;  lembro-me de um outro querendo explicar as imagens alongadas de El Greco como demonstração de que o pintor sofria de astigmatismo.    Mas há muito tempo que não vejo o contrário, um médico que preconiza as doenças sofridas pelos modelos de algumas pinturas famosas.  E é exatamente isso que o Dr. Tito Franco [que ironia, uma combinação de dois dos maiores ditadores do século XX!], um médico italiano, resolveu fazer, de acordo com a notícia da agência EFE,  que copio e colo aqui, a seguir.  Estas descobertas não me convencem,  jogo-as para escanteio, como uma curiosidade, mas acredito que haja muita gente interessada no assunto.  Aqui está:

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 Médico detecta doenças em retratados em obras de arte

 

Um médico italiano diz ter descoberto sinais de diferentes doenças nos personagens retratados em famosas obras de arte como a “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, ou “As Meninas“, de Velázquez.   Em declarações ao jornal britânico The Times, Tito Franco, professor de Anatomia Patológica da Universidade de Palermo, disse que esses sinais de doença vão desde más-formações ósseas até cálculos renais.    “Olho a arte com um olhar diferente do de um especialista em arte, como um matemático escuta a música de modo diferente de um crítico musical”, explica Franco, que analisou uma centena de obras, desde esculturas egípcias a produções contemporâneas.

Mona Lisa ou A Gioconda,  1503-1506

Leonardo da Vinci (1452-1519)

óleo sobre madeira  77 x 53 cm

Museu do Louvre, Paris.

 

A “Mona Lisa“, de Leonardo da Vinci, apresenta em torno de seu olho esquerdo, segundo Franco, sintomas de xantelasma, um conjunto de pequenos tumores benignos ou depósito de gordura situados ao redor das pálpebras e que podem indicar níveis elevados de colesterol.  Nas mãos da Gioconda parece haver, acrescenta o médico, lipomas subcutâneos, ou seja, tumores benignos compostos por tecido adiposo.

 As meninas, ou A Família de Filipe IV,  1656

Diego Velazquez ( 1599-1657)

óleo sobre tela,  318 cm x 276cm

Museu do Prado, Madri

Em “As Meninas“, Franco diz ter descoberto que o personagem principal, a infanta Margarita, parece vítima da chamada síndrome de Albright, doença genética que “inclui puberdade precoce, baixa estatura, doenças ósseas e problemas hormonais“.

 

Escola de Atenas, 1511

Rafael Sanzio ( 1483-1520)

Pintura mural, afresco,  500 x 700 cm

Palácio Apostólico,  Vaticano

Em “A Escola de Atenas“, de Rafael, há uma pessoa identificada como o filósofo Heráclito sentada em escadas com os joelhos muito inchados, o que, segundo Franco, “claramente é consequência de um excesso de ácido úrico típico de quem sofre com cálculos renais.

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Madona do Parto, 1467

Piero della Francesca, ( 1416-1492)

Afresco,  206 x 203 cm

Igreja de Santa Maria a Nomentana, Monterchi

 

E a famosa Madonna do Parto, de Piero della Francesca, mostra sintomas de bócio, inchaço da glândula tireóide “típico de pessoas que bebiam água de poço” durante a Idade Média e que sofriam carência de iodo, diz Franco.

É pode ser…

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 NOTA DA PEREGRINA:  Na figura de Heráclito, mencionada acima, no afresco de Rafael, A Escola de Atenas, é de conhecimento comum, que a cabeça é feita pelo retrato (rosto) de Michelangelo. 

 

Fonte: Terra





Quadrinha para a infância: o sentido da vida

5 01 2010

menino com passarinhos

Não creio ser necessário

explicar meu ideal…

—  Por que é que canta o canário?

—  Por que é que voa o pardal?

( Moysés Augusto Torres)





Cabine para mulheres, Anita Nair

5 01 2010

Início de ano prolongado…  Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem.  Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras.

Este foi um livro fascinante que li recentemente.  Excelente!  Tem uma narrativa apoiada no entrelaçamento de seis histórias diferentes.  Todas elas envolvem mulheres e apresentam o perfil de cada uma delas com suas limitações, esperanças, preocupações e dão uma idéia, não explícita mas clara, de seus desejos. 

A história de Akhila, uma mulher de 45 anos, que procura um pouco de felicidade na vida, é o fio que nos leva de uma a outra mulher.  Ela nos direciona pela mão através do livro e, de fato, curiosos de seu destino, sabendo que ela terá que tomar decisões difíceis, vamos até o fim do romance.   O denominador comum entre todas as histórias que desvendamos é o universo das experiências femininas.

Através do texto somos convidados a considerar se diferenças culturais ou regionais não são de fato só um cosmético, só uma desculpa talvez para considerarmos as experiências dos outros diferentes das nossas.   O que descobrimos, — e que certamente já era conhecido por nossa intuição – é que quer essa mulher quer seja Akhila, na Índia, Nicole na França, Mary Ann nos Estados Unidos ou  Teresa no Brasil, elas todas têm histórias que se assemelham, e diferenças que se apagam ao considerarmos o todo. 

O título do livro se refere a um costume indiano que foi abolido em 1998 que segregava balcões especiais para mulheres, para a 3ª idade e para as pessoas com necessidades especiais nas estações de trem da Índia.  Nos trens com viagens que atravessavam a noite, vagões especiais na segunda classe eram reservados para mulheres.   Baseado neste espaço reservado às mulheres, a história lembra desta prática de dar às mulheres um espaço reservado longe dos olhos masculinos, como hoje em dia foi instalado no metrô do Rio de Janeiro.    Este vagão para mulheres abria a possibilidade delas falarem a respeito de seus casamentos, de suas vidas, longed a observação de seus maridos.  A artimanha de contar suas histórias começa exatamente quando Akhila, sobre num desses vagões e se prepara para uma longa viagem.  Aos poucos vamos conhecendo a vida das passageiras.

Anita Nair

 

Este é um livro repleto de mulheres fortes que pegaram as rédeas de suas vidas com as próprias mãos e saíram para conquistar seu lugar, por menor que ele fosse.   Mesmo pequenino esse espaço conquistado foi uma vitória, talvez até nem tão grande quanto elas tivessem sonhado, talvez até muito pequeninos por padrões de outras vidas, mas cada qual ganhou mais poder sobre sua própria existência.  Elas sofrem as consequencias desta liberação,  muitas vezes consequencias que nos parecem injustas, mas mais importante que isso, elas VIVERAM! 

Este livro liberta a alma feminina.  Cinco estrelas.

24/02/2006





Imagem de leitura — Teodoro Nuñez Ureta

5 01 2010

A leitura, 1930

Teodoro Nuñez Ureta ( Peru, 1912 – 1988)

Teodoro Nuñez Ureta, nasceu em Arequipa, Peru em 1912.  Autodidata.  No entanto, graças a seu pai que trabalhava numa livraria na cidade, Nuñez Ureta foi exposto à obras dos grandes pintores internacionais, através dos livros de arte que seu pai trazia para casa.   Quando terminou a escola secundária, ainda não foi se dedicar à pintura exclusivamente.  Ao invés, foi para a Universidade Nacional de San Agustin, onde se formou como Doutor de Filosofia e Letras com uma tese sobre o grotesco e o cômico na arte.  Daí por diante passou a ensinar na universidade na cadeira de História da Arte e Estética  (1936-1950).  Foi um homem brilhante, excedendo-se tanto nas artes plásticas, principalmente com a pintura mural, como na´escrita e na pesquisa em história da arte.  Em 1943 ganha um concurso nacional na imprensa e mais tarde, no mesmo ano, segue para os EUA patrocinado pela Fundação Guggenheim.  O resultado deste período de pesquisas foi imdeidato, em 1945 publica o livro:  A Academia e a Arte Moderna.  Muda-se para Lima e em 1959 é premiado pelo mural que pintou para o Ministério de Economia Finanças e Comércio em 1954.  Foi diretor da Escola Nacional de Belas Artes em Lima (1973-1976).  Faleceu em Lima, em 1988.