Túmulos de Marco Antônio e Cleópatra encontrados!

16 04 2009

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Marco Antônio e Cleópatra, 1885

Sir Lawrence Alma-Tadema ( UK e Holanda 1836-1912)

Óleo sobre madeira,  65,5 cm x 92 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Uma missão arqueológica realizada por pesquisadores egípcios e romanos afirma ter encontrado novas provas que confirmam a localização da tumba de Cleópatra, a rainha mais famosa do Egito (70 a.C. – 30 a.C.), e seu amante Marco Antônio, célebre general romano, nas proximidades de Alexandria, segundo um comunicado emitido nesta terça-feira.

O diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do país, Zahi Hawas, informou que um cemitério foi descoberto junto ao templo de Taposiris Magna, no Lago Mariut, hoje chamado de Abusir. A estrutura foi erguida durante o reino de Ptolomeu II (282-246 a.C.).

 

 

 

 

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A tumba dos amantes estaria nas ruínas do templo Taposiris Magna, perto de Alexandria.

 

 

No local, foram desenterradas 27 tumbas, algumas delas douradas, e dez múmias. Segundo Hawas, a instalação foi utilizada por nobres e funcionários que escolheram o lugar devido à proximidade com uma tumba real presente no interior do templo, reforçando a idéia de que seria a de Cleópatra.

De acordo com a nota, os estudos realizados pela diretora dominicana da missão, Kathleen Martínez, demonstram que os restos dos famosos amantes repousam no complexo funerário, a 50km ao oeste de Alexandria. O comunicado lembra também que nesta zona foram resgatados uma cabeça de alabastro (pedra semelhante ao mármore) que representa Cleópatra e 22 moedas de bronze com a imagem da rainha, além de uma estátua real decapitada e uma máscara de Marco Antônio.

 

 

 

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Relíquias como 22 moedas de bronze com a imagem da rainha egípcia foram descobertas no local.

Além disso, o comunicado explica que um radar ajudou a localizar três locais nos quais podem estar a tumba real dos lendários defuntos. Os trabalhos de escavação nas áreas rastreadas começarão nesta semana.

 

Fonte:  Portal Terra

 





Tornozelo separa os hominídeos dos macacos

14 04 2009

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Um estudo publicado nesta semana afirma que os ancestrais humanos não eram tão parecidos com os macacos e tinham dificuldades em subir em árvores. A pesquisa foi feita com a análise do tornozelo de hominídeos que viveram há mais de quatro milhões de anos, depois que humanos e chipanzés começaram a evoluir separadamente.

 

Alguns especialistas acreditavam que o hominídeo e os primeiros humanos eram bastante semelhantes aos chimpanzés, mas o novo estudo contradiz esta tese.

 

O pesquisador Jeremy DeSilva, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, comparou a estrutura de ossos dos hominídeos com a de chimpanzés da Uganda.

 

Tornozelos

O estudo mostrou que o tornozelo dos chimpanzés é muito mais flexível do que o dos humanos e dos hominídeos. Os chimpanzés conseguem dobrar o tornozelo em um ângulo de até 45 graus, comparado com apenas 20 dos hominídeos.

 

DeSilva também analisou a parte inferior da tíbia, o osso da perna. Nos chimpanzés, a tíbia está adaptada para dar mais flexibilidade ao tornozelo. Nos hominídeos, esse tipo de adaptação não ocorre, o que indicaria que eles não conseguiriam subir em árvores com a mesma agilidade dos macacos. O pesquisador estudou 15 fósseis de hominídeos.

 

“Este estudo conclui que se os hominídeos incluíam a escalada de árvores no repertório de movimentos, eles provavelmente estavam realizando esta tarefa de forma muito diferente dos chimpanzés modernos”, escreveu DeSilva na sua pesquisa.

 

O resultado do estudo foi publicado no artigo Morfologia funcional do tornozelo e a probabilidade de se escalar em hominídeosna revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

Fonte: Portal Terra





Viajando? Que livros levar?

11 04 2009

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Amigos me mandaram um link para um artigo do escritor Frank Bures, na Worldhum, onde ele fez uma provocadora lista para nos ajudar a selecionar os livros que devemos levar numa viagem, principalmente se esta é uma viagem longa e para terras estrangeiras.   Gente que lê mal pode imaginar não carregar um peso extra na mala para preencher com leitura não só as horas de espera nos aeroportos, como as horas passadas nos aviões, as horas em que se acorda no meio da noite por conta de diferentes fusos horários, assim como os minutos antes e depois de dormir.  Cada qual tem seu ritual, mas se você é um leitor provavelmente fica num marasmo em frente de sua mala feita, pensando no que levar para ler nos dias que se abrem numa viagem internacional.

 

Como gostei imensamente das razões explicitadas na lista do autor, coloco aqui, em linhas mais gerais sua maneira de selecionar os oito tipos de livros que devem fazer parte da lista de itens nas suas malas.  

 

 

Categoria I:

 

Escapismo:  Em geral são os livros que nos deixam confortáveis, envolvidos na trama, sem nos sentirmos ameaçados, tais como  uma boa ficção científica ou um bom livro de mistério.

 

Categoria II:

 

História:  Devemos conhecer pelo menos as linhas gerais da história do lugar que visitamos.  Isso certamente enriquece a nossa visita e nos faz entender melhor o que vemos.

 

Categoria III:

 

Guia:  Guias de turismo sempre nos ajudam na seleção do que ver e como fazê-lo.  É um guia.  Direciona.  E combinado com a Categoria II: história local, pode nos ser de grande serventia.

 

Categoria IV:

 

Literatura local: é sempre bom ler um livro que mostre a literatura local, para que se conheça valores ou guias culturais do lugar que visitamos.

 

 

Categoria V:

 

Antologia: uma antologia de contos, crônicas ou até mesmo de ensaios pode resolver muitos problemas, principalmente se a viagem é longa e a gente não sabe exatamente o que gostaríamos de ler em certos momentos.  A variedade de autores numa antologia nos dará a chance de sempre podermos encontrar um texto que nos apeteça num momento especial.

 

Categoria VI:  

 

Língua local: Sempre haverá um momento oportuno para usar uma palavra ou uma frase na língua local.  Livros de frases feitas na língua local são uma excelente ferramenta.  Há horas em que estas palavras podem fazer a diferença entre uma bem sucedida ida a um ponto turístico, ou fazer com que se evite no cardápio aquele marisco que nos dá alergia.  

 

Categoria VII: 

 

Saudades de casa: se a viagem é longa, certamente um livro que leve sua imaginação de volta à casa, à infância à cultura que você deixou para trás certamente terá um lugar especial para aquele momento em que a saudade bate.

 

Categoria VIII:  

 

Observações de viagem: Livros com observações de outros viajantes em terras estranhas podem aguçar a nossa sensibilidade a respeito do que estamos vendo de diferente e como estamos percebendo o mundo que nos cerca.  Muitos escritores famosos tiveram suas melhores páginas ao viajar e descrever o que viam.  Indiretamente eles podem ajudar na nossa própria maneira de observar aquilo que nos cerca.  





Imagem de leitura — Henrique Pousão

1 04 2009

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Cecília, 1882

Henrique Pousão (Portugal, 1859-1884)

Óleo sobre tela, 82 x 57,5 cm

Museu Soares dos Reis, Porto

Portugal

 

 

 

 

 

 

 

Henrique César de Araújo Pousão ( Portugal, 1859–1884), Pintor português.  Foi o mais inovador pintor português da sua geração, refletindo, na sua obra naturalista, influências de pintores impressionistas, como Pissarro e Manet. Realizou também paisagens que ultrapassam as preocupações estéticas da pintura do seu tempo. Natural de Vila Viçosa, Henrique Pousão faz-se pintor na Academia Portuense de Belas Artes, onde estudou com Thadeo Furtado e João Correia.

 

Viajou para Paris, em 1880, estudando no ateliê de  Alexandre Cabanel e Yvon. Por razões de saúde, troca a França pela Itália: em Nápoles, Capri e Anacapri, executa algumas das suas melhores pinturas.  Considerado um dos maiores da pintura portuguesa da segunda metade do Século XIX, Henrique Pousão desenvolveu toda a sua produção artística em fase de formação. Morreu aos 25 anos de tuberculose.

 

 





Fernão Dias Paes Leme, poema de Afonso Louzada

8 03 2009

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A morte de Fernão Dias Paes Leme, década de 40

Raphael Gaspar Falco ( Oran, 1885- São Paulo 1967)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

Fernão Dias Paes Leme

 

 

                                              Afonso Louzada

 

 

Varando as regiões desconhecidas,

entre matas e rios e montanhas,

no calor das audácias e façanhas,

buscando as pedrarias escondidas.

 

 

as “bandeiras” rasgavam as entranhas

da terra virgem;  mil lutas renhidas,

desbravando paragens mal feridas,

no assombro das florestas mais estranhas.

 

 

Na braveza das serras misteriosas

atrás das esmeraldas, alma brava

que era de um povo o símbolo gigante,

 

 

as mãos crispadas apertando, ansiosas,

as suas pedras verdes, expirava

Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante.  

 

 

Em:  Templo Abandonado, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1945.

 

 

 

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje seu nome pode ser escrito assim: Afonso Lousada,

 

 

Obras: 

 

Peço a palavra, (1934),  – fábulas em versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938 )

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Templo abandonado (1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 

Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) nasce provavelmente na vila de São Paulo do Piratininga, descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente. A partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. Em 1661 fixa-se nas margens do rio Tietê, perto da vila de Parnaíba, e administra uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Em julho de 1674 parte de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Fazem parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Aracuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.





Dia Nacional da Música Clássica: nascimento de Heitor Villa-Lobos

5 03 2009

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Chorinho, 1942

Candido Portinari (Brasil 1903 – 1962)

têmpera sobre tela, 225 x 300 cm

Museu de Arte Moderna de Lisboa,

Portugal

 

Foi quando eu fazia parte do Coral do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, que comecei a apreciar, ainda que muito superficialmente, a obra de Villa-Lobos.  Infelizmente devo confessar que sofri do mesmo mal de que muito brasileiros sofrem:  passei a dar mais valor ao compositor brasileiro quando fui fazer a faculdade no exterior.  Naquela época fiquei extremamente surpresa com o conhecimento que as pessoas versadas em música clássica já tinham sobre o compositor brasileiro.  E a medida que os anos se passaram, quando eu ainda estava envolvida nos cursos de mestrado e doutoramento, percebi com prazer que rara era a semana em que não ouvia, na rádio National Public Radio dos EUA uma ou mais obras de Heitor Villa-Lobos, muitas vezes mais tocadas, do que obras de compositores americanos, seus contemporâneos, tais como Aaron Copeland ou John Cage.

 

O gosto pela música clássica no Brasil ainda está precário.  Mas hoje, no Dia Nacional da Música Clássica, o dia escolhido por ser a data d nascimento do carioca Heitor Villa-Lobos,  fui surpreendida pelas boas novas, numa pequena demonstração na televisão, sobre um grupo deCrianças pobres de Belo Horizonte que consquistou  o direito de se apresentar num espaço profissional por causa da música. O repertório é de Heitor Villa Lobos, símbolo da cultura nacional.   Um pouco antes, no Carnaval deste ano tivemos Heitor Villa-Lobos sendo homenageado pela escola de samba de Vila Isabel no Rio de Janeiro. 

 

Este ano, 2009, também celebramos no dia 17 de novembro, o cinquentenário da morte do compositor. Para lembrar Heitor Villa-Lobos, coloco aqui as tres letras que pertencem a diversos movimentos de diferentes Bacchianas da série de 9, compostas por Villa-Lobos.

 

 

O Trenzinho do Caipira (bachianas Brasileiras Nº 2)

 

 

Composição:  Heitor Villa-Lobos

Letra:   Ferreira Gullar

 

Lá  vai  o trem  com  o  menino

Lá  vai   a  vida  a  rodar

Lá  vai  ciranda  e destino

Cidade  noite  a  girar

Lá  vai  o  trem  sem  destino

Pro  dia  novo  encontrar

Correndo  vai  pela  terra,  vai  pela  serra,  vai  pelo  mar

Cantando  pela  serra  do  luar

Correndo  entre  as  estrelas  a  voar

No  ar,  no  ar …

 

 

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Paisagem com bananeiras,  1927

Cândido Portinari ( Brasil 1903-1962)

óleo sobre madeira,  22 x 27 cm

Coleção Particular

 

Bachianas Brasileiras, No.5 : Cantilena

 

 

Composição: Heitor Villa Lobos

Letra: Ruth Valadares Corrêa

 

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.

Sobre o espaço, sonhadora e bela!

Surge no infinito a lua docemente,

Enfeitando a tarde, qual meiga donzela

Que se apresta e a linda sonhadoramente,

Em anseios d’alma para ficar bela

Grita ao céu e a terra toda a natureza!

Cala a passarada aos seus tristes queixumes

E reflete o mar toda a sua riqueza…

Suave a luz da lua desperta agora

A cruel saudade que ri e chora!

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente

Sobre o espaço, sonhadora e bela!

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Menino com Pássaro, 1957

Cândido Portinari ( Brasil 1903-1962)

óleo sobre tela,  65 x 53 cm

Coleção Particular

 

Bachianas Brasileiras, No.5 : Dança do Martelo

 

 

Composição: Heitor Villa Lobos

Letra de Manuel Bandeira

 

 

Irerê meu passarinho do sertão do Cariri,

Irerê meu companheiro,

Cadê viola ? Cadê meu bem ? Cadê Maria ?

Ai triste sorte do violeiro cantadô !

Ah ! Sem a viola em que cantavo o seu amô,

Ah ! Seu assobio é tua flauta de Irerê:

Que tua flauta do sertão quando assobia,

Ah ! Agente sofre sem querê !

Ah ! Teu canto chega lá no fundo do sertão,

Ah ! Como uma brisa amolecendo o coração,

Ah ! Ah !

Irerê, solta o teu canto !

Canta mais ! Canta mais !

Prá alembrá o Cariri !

 

Canta cambaxirra ! Canta juriti !

Canta Irerê ! Canta, canta sofrê

Patativa ! Bem-te-vi !

Maria acorda que é dia

Cantem todos vocês

Passarinhos do sertão !

Bem-te-vi ! Eh ! Sabiá !

La ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !

Eh ! Sabiá da mata cantadô !

Liá ! liá ! liá ! liá !

Lá ! liá ! liá ! liá ! liá ! liá !

Eh ! Sabiá da mata sofredô !

O vosso canto vem do fundo do sertão

Como uma brisa amolecendo o coração

 

Irerê meu passarinho do sertão do Cariri …

 

Ai !

 

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Heitor Villa-Lobos





Feliz Aniversário, Rio de Janeiro: 444 anos!

1 03 2009
Enseada de Botafogo, ao fundo o Pão de Açúcar, Foto: Ladyce West

Enseada de Botafogo, ao fundo o Pão de Açúcar, Foto: Ladyce West

 

A cidade do Rio de Janeiro comemora hoje 444 anos desde sua fundação por Estácio de Sá.

 

Para lembrar esta passagem, transcrevo aqui um trecho de uma carta enviada pelo pintor francês Edouard Manet, quando visitou o Rio de Janeiro, no Carnaval de 1849.

 

 

Os arredores da cidade são incomparavelmente bonitos, nunca vi uma natureza tão bela.  Ontem na companhia de alguns solteirões, fiz um passeio por uma ilha situada ao fundo da baía.  Divertimo-nos deveras.  A casa em que nos hospedamos por três dias é encantadora e tipicamente crioula.  Excursionamos por uma floresta virgem.  É uma experiência interessante, exceto pelas cobras, que tornam o passeio menos prazeroso.

 

 

Carta de Edouard Manet, de 26 de fevereiro de 1849, a seu primo Jules.

 

 

Viagem ao Rio: cartas da juventude, 1848-1849, Edouard Manet, trad. e apresentação de Jean Marcel Carvalho França, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 2002, página 92





Maria de Sanabria, de Diego Bracco

26 02 2009

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Um bom romance histórico sempre me fascinou, principalmente quando o autor, como o uruguaio Diego Bracco, é um professor de história e tem o cuidado de colocar as fontes, ou a documentação em capítulo à parte como é o caso no livro Maria de Sanabria [ Rio de Janeiro, Record: 2008]. A vantagem destes romances quando são escritos por um historiador é que temos a impressão de aprender mais do que se estivéssemos sentados numa sala de aula atentos às explicações dos cuidados necessários, por exemplo, com a organização de uma expedição à América do Sul no século XVI.

 

E é esta exatamente a história fascinante que nos leva a conhecer bem mais de perto Maria de Sanabria, a organizadora da chamada expedição das mulheres  que atravessou o Atlântico em 1550.  Seis anos são necessários para que o grupo expedicionário tendo  chegado a Santa Catarina, depois de uma estadia muito difícil na costa do Brasil, que durou dois anos, procure, mais ao norte, a proteção dos portugueses na província de  São Paulo e finalmente chegue a Assunção, no Paraguai, um vilarejo ainda diminuto em 1556.  Lá, Maria de Sanabria se estabelece para ficar.  Seu filho do primeiro casamento tornou-se um monge franciscano e mais tarde um “dos grandes protagonistas da vida religiosa e intelectual no Rio da Prata.”  Enquanto que seu filho do segundo casamento, Hernandarias foi três vezes governador e grande protagonista civil e militar no Rio da Prata, uma figura de grande importância na história do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.

 

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A vantagem deste romance é que podemos adentrar a vida diária, o desenrolar das tarefas comuns da época e entender as razões e as necessidades destas pessoas, melhor ainda do que se estivéssemos lendo uma tese de mestrado, descrevendo detalhes do dia a dia das limitações e dos compromissos que estavam implícitos numa família burguesa e também o que era ou não prescrito para uma mulher em Sevilha, neste período.  

 

É de grande virtude o fato deste historiador ser um ótimo contador de histórias.  Na verdade, Diego Bracco já foi honrado com o Prêmio de Narrativa da Universidade de Sevilha e com o Prêmio Revelação da Feira do Livro do Uruguai com o seu romance anterior:  El mejor de los mundos.  Digo isto, porque apesar de detalhes interessantíssimos, a narrativa corre suavemente, cheia de aventura e imprevistos, cheia de ação e simpatia para com Maria de Sanabria, de tal forma que as 270 páginas deste livro são lidas rapidamente, como num bom livro de aventuras.  

 

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Escritor e historiador Diego Bracco.

Há no entanto grande cuidado com a verdade histórica.  A descrição por exemplo dos preparativos da saída de Sevilha podem nos dar um gostinho desta preciosa maneira de contar a história:

 

Na última terça-feira de janeiro de 1550, a catedral de Sevilha recebeu com pompa e circunstância os que se preparavam para participar da expedição.  Depois da primeira missa da manhã, todos foram em procissão até o cais, levando uma imagem abençoada de Nossa Senhora das Mercês.  Os poucos que deviam conduzir a nau rio abaixo e os muitos que se juntariam a eles em Sanlúcar de Barrameda despediram-se como quem deixa uma festa e promete se encontrar na seguinte.  Pouco tempo, poucas e precisas manobras e uma única vela foram suficientes para que a embarcação desse início à viagem.  Uma multidão de curiosos fez seu rumor pairar sobre o navio que começava a se afastar em direção à desembocadura do rio.  Atrás da esteira d’ água, como se quisessem alcançar os que se distanciavam, ouviam-se risadas prognosticando infernos e também bênçãos lançadas como beijos no ar; prantos de mães pressentindo o pior e aclamações aos heróis que voltariam distribuindo ouro. [p. 150].

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Mas além de este ser um ótimo romance, além de ser rico em detalhes de época, um outro aspecto que o faz sensacional é justamente o resgate da história desta corajosa mulher, que se rodeou de outras mulheres para ganhar um espaço na história, para fazer, sua, a aventura do século.  Gosto de ver que as gerações de hoje e de amanhã, diferentemente da minha, têm e terão exemplos de mulheres corajosas e aventureiras que existiram de verdade.  Mulheres cujos retratos podem servir de exemplo de vida para todas as meninas e jovens que ainda hoje  vêem seus sonhos de aventura desconsiderados, minados, cerceados por costumes, pela família, por limitações que não lhes pertencem.   Leiam o livro, vale a pena!





Hoje, Dia de Reis, o 12° dia do Natal!

6 01 2009

 

 

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Altar da Adoração dos Reis Magos, 1420-23

Gentile da Fabriano (Itália, 1370 – 1427)

Têmpera sobre madeira, 203 x 282 cm

Uffizi, Florença

 

[nota: abaixo três predellas , contam a vida anterior e posterior à cena retratada. Da esquerda para a direira: O nascimento de Jesus Cristo, A fuga para o Egito e à direita, A apresentação no templo e circuncisão

 

Por vezes falarei aqui neste blog sobre religiões.  Não necessariamente porque estou advogando uma específica, mas simplesmente porque muito do que fazemos e vemos no nosso dia a dia, muito do que pensamos e como pensamos, está direta ou indiretamente relacionado às religiões que formaram a cultura brasileira.  Como historiadora da arte, para mim foi sempre essencial saber em que meio, em que cultura um quadro, uma escultura, um altar, uma imagem litúrgica teria sido feita para poder entender o porquê de certos detalhes.  Assim como mencionei a festa judaica,  o Festival de Luzes, em dezembro de 2008, hoje venho pensando no Natal, e nas festividades que estão aos poucos desaparecendo.

 

Hoje é dia 6 de janeiro, Dia de Reis, ou Dia dos Reis Magos.  Atualmente quando falamos de magos há três imagens que nos vêm à memória, sem relação ao dia de hoje.  1 – pensamos em Paulo Coelho;  2 – pensamos na obra de Tolkien, O senhor dos anéis,  3 – pensamos na obra de J K Rolling, Harry Potter.  Quase nenhuma criança, adolescente, jovem ou adulto se lembra primeiro de Gaspar, Belquior, e Baltazar, os reis que seguiram a estrela de Natal e levaram presentes para o bebê nascido na manjedoura.

 

O Dia de Reis é o décimo-segundo dia de Natal.  E ainda é celebrado em muitas partes do mundo, em lugares onde a tradição da Igreja Ortodoxa grega impera, [aquela que é herdeira e mantenedora das tradições religiosas depois da Queda do Império Romano].  É nela que  é no dia de hoje, lembrando os presentes dados pelos reis magos a Jesus, as pessoas trocam presentes de Natal.

 

Quando morei nos EUA fiquei surpresa de ouvir a grande maioria dos americanos cantando uma conhecida cantiga natalina, chamada The Twelve Days of Christmas,  — os doze dias de Natal – sem terem a menor noção de que esses 12 dias se referem ao período do dia 25 ao dia 6 de janeiro.  Não sabem também que a letra desta conhecida canção traz muitas referências à história da igreja católica na Grã-Bretanha.  É por causa deste simbolismo dos 12 dias de Natal que tradicionalmente nós nos desfazemos dos nossos enfeites natalinos, inclusive da árvore de Natal, só depois do dia 6 de janeiro.  No entanto, nos EUA, ao invés, as pessoas se desfazem de suas árvores de Natal no dia 31 de dezembro e no sul do país, onde morei por muitos anos, a tradição oral é: manter a árvore montada depois do dia primeiro traz má sorte.   Esta atitude sempre me surpreendeu porque aquele é um país cristão e bastante religioso.   Mas lá, já se perdeu a noção dos 12 dias do Natal.

 

Então, vejamos o que a canção natalina a que me referi realmente diz:

 

The Twelve Days of Christmas

 

 

On the first day of Christmas,

my true love sent to me

A partridge in a pear tree.

 

On the second day of Christmas,

my true love sent to me

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the third day of Christmas,

my true love sent to me

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the fourth day of Christmas,

my true love sent to me

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the fifth day of Christmas,

my true love sent to me

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the sixth day of Christmas,

my true love sent to me

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the seventh day of Christmas,

my true love sent to me

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the eighth day of Christmas,

my true love sent to me

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the ninth day of Christmas,

my true love sent to me

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the tenth day of Christmas,

my true love sent to me

Ten lords a-leaping,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the eleventh day of Christmas,

my true love sent to me

Eleven pipers piping,

Ten lords a-leaping,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the twelfth day of Christmas,

my true love sent to me

Twelve drummers drumming,

Eleven pipers piping,

Ten lords a-leaping,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree!

 

 

No 1º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Uma perdiz em uma pereira

No 2º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Duas rolinhas

No 3º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Três galinhas francesas

No 4º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Quatro pássaros

No 5º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Cinco sinos

No 6º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Seis gansos

No 7º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Sete cisnes

No 8º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Oito  jovens que ordenham

No 9º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Nove senhoras dançando

No 10º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Dez senhores saltadores

No 11º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Onze flautistas tocando

No 12º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Doze tocadores de tambor tocando-os

Esta letra vem do tempo em que a Inglaterra proibia a religião católica [1558-1829] e católicos ingleses e irlandeses precisavam achar uma maneira de passar para seus filhos os aprendizados religiosos.  Tornaram-se então grandes especialistas em simbologia – assim como nós no Brasil da ditadura militar do século passado, passamos a falar em código sobre muito do que era proibido pelo governo.  Então, voltando à Inglaterra, esta canção é ao mesmo tempo uma canção natalina e um trava-linguas, uma brincadeira infantil que pretende seduzir as crianças em aprenderem esta simbologia muito especial.  

 

Amor verdadeiro =  Jesus Cristo

Duas rolinhas: o Novo e o Velho Testamentos

Três galinhas francesas = as virtudes teológicas: Fé, Esperança e Caridade

Quatro pássaros = os quatro evangelhos / os quatro evangelistas

Cinco sinos = Pentateuco ou seja, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que mostram como o homem perdeu o Paraíso

Seis gansos = Seis dias da Criação

Sete cisnes = sete sacramentos

Oito jovens que ordenham = oito beatitudes

Nove senhoras dançando = nove frutos do Espírito Santo: alegria, amor, auto-controle, bondade, fidelidade, docilidade, nobreza de sentimentos, paciência, paz.

Dez senhores salteadores = dez mandamentos

Onze flautistas = onze fiéis discípulos

Doze Tocadores de tambor = doze pontos de fé do Credo dos Apóstolos

 

Lembrando os doze pontos de fé do Credo:

 

1. CREIO em   —  Deus Pai Todo-poderoso,  Criador dos Céus e da terra.

 

2.   E em Jesus Cristo, o seu único Filho, o nosso Senhor;

 

3.   que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;

 

4.   padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;

 

5.   desceu aos inferno, e ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos;

 

6.   subiu ao céu e está assentado a direita de Deus Pai Todo-poderoso;

 

7.   dali virá para julgar os vivos e os mortos.

 

8. Creio no Espírito Santo;

 

9. na santa Igreja católica, a comunhão dos santos;

 

10. o perdão dos pecados;

 

11. a ressurreição do corpo

 

12. e a vida eterna. Amém.”

 

 

Neste Natal que passou cheguei a ouvir algumas vezes esta canção (muito repetitiva e enfadonha) por aí, nas lojas que pretendem ser mais sofisticadas.

 

Feliz Dia de Reis!

 

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Nota sobre o altar de Gentile da Fabriano:  Na minha opinião, este não é só o mais belo altar retratando a  Adoração dos Reis Magos do estilo Gótico Internacional, mas talvez o mais belo que conheço, de todos os retábulos representando a Adoração do Reis Magos (são muitos) do período da Renascença e do Barroco europeus.





Festival de Luzes: a outra festa de dezembro

20 12 2008

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O Festival de luzes, sd

Diane Fredgant

seda pintada à mão

 

 

Daqui a dois dias, no dia 22 de dezembro, o Hanucá, ou a Festival das Luzes do calendário de festas judaico, será celebrado  É uma festa sempre em dezembro, a data variando de ano para ano que dura por oito dias.  Nestes dias comemora-se a vitória de Israel na primeira batalha pela liberdade religiosa de que se sabe.  A festividade começa com o acender das velas antes do pôr do sol.  A seguir, canta-se a canção ‘Maóz Tsur’.  Depois come-se os deliciosos ‘sonhos’,  recheados com geléia e conta-se  histórias, tudo à luz das velas de Hanucá.

 

O que é Hanucá?

 

Hanucá é a celebração anual da sobrevivência espiritual dos judeus.    Em 167 A .E.C., o imperador greco-sírio Antióhus resolveu destruir o Judaísmo banindo três mitsvót: o Shabat, a Santificação do Novo Mês (estabelece-se o primeiro dia do mês pelo testemunho de duas pessoas que viram o nascer da lua nova) e o Brit Milá, que é a a entrada dos meninos no Pacto de Avraham, através da circuncisão.

 

Shabat: significa que Deus é o Criador.  E é ele que mantém o Universo, que a Sua Torá é o ‘mapa’ da criação, contendo os seus significados e valores.

 

Santificar o Novo Mês: serve para determinar a data dos Feriados Judaicos. Sem isto seria o caos. Por exemplo, Sucót cai no 15º dia de Tishrei. O dia em que isto ocorrerá depende da declaração do primeiro dia de Tishrei.

 

Brit Milá é o símbolo do nosso pacto especial com o Todo-Poderoso. Todos os três mantêm a nossa integridade cultural e eram, portanto, uma ameaça à Cultura Grega.

 

 

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Matitiáhu e os seus 5 filhos, conhecidos como os Macabeus,  em 168 A.C., comandaram um pequeno e inspirado exército de judeus contra o poder esmagador de seus opressores sírios numa luta de morte pelo direito de adorar a Deus à própria maneira tradicional.

 

Em três anos eles conseguiram expulsar os opressores de Israel. A vitória foi um milagre Tendo conseguido recuperar o controle do Templo Sagrado, em Jerusalém, desejaram colocá-lo em funcionamento imediatamente. Precisavam de azeite de oliva, ritualmente puro, para reacender a Grande Menorá do Templo. Porém, somente um frasco de azeite foi encontrado intacto, suficiente para queimar por apenas um dia, no entanto, precisavam de uma quantidade que durasse oito dias, até que o novo azeite, ritualmente puro, pudesse ser produzido. Um milagre ocorreu e aquele azeite, suficiente para um só dia, ardeu por 8 dias.

 

Esta é uma história de bravura e de encantamento  que encheu com justificável orgulho muitas gerações de judeus. Todavia, a tradição judaica hesitou em transformar um triunfo militar numa celebração religiosa. Pois embora a Bíblia considerasse justas algumas guerras, não permitia associar ao culto o derramamento de sangue humano. Ao rei David, um dos maiores heróis do Judaísmo, não foi permitido construir o Templo, porque sua vida fora dedicada aos feitos guerreiros.

 

 

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O simbolismo desta festa é completamente devotado a referências militares. As velas são acesas durante oito noites consecutivas por qualquer um dos pais (algumas famílias permitem às crianças terem a sua vez) numa menorá especialmente planejada para a Festa das Luzes.

 

Daí as velas de Hanucá (ou recipientes com azeite de oliva) serem acesos por oito dias.  Um no 1º dia, dois no 2º, e assim por diante. A primeira vela é colocada no lado direito da menorá e, a cada dia, uma nova vela é acrescentada imediatamente à sua esquerda. Acende-se uma vela na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante até que todas as oito se acendam, Uma vela adicional, denominada shamash, é acesa ao mesmo tempo, a fim de ser usada para acender as outras. Em tempos idos sugeriu-se que a ordem fosse invertida: oito velas acesas na primeira noite, sete na segunda, etc. Mas os Rabis da Escola de Hilel se apegaram ao processo que agora se fixou, para refletir a fé de Israel num futuro mais brilhante.

 

A vela extra também foi dotada de um significado especial. A chama se entrega para criar uma chama adicional sem nada perder do seu próprio fulgor. Assim o homem dá de seu amor aos seus semelhantes sem nada perder de si.

 

Na primeira noite recita-se três brahót e duas nas noites seguintes. Acende-se a vela sempre a partir do lado esquerdo (a vela do dia), seguindo em direção ao lado direito da menorá. A menorá deve ter todos os seus ‘braços’ alinhados e na mesma altura. A tradição Ashkenazi é que cada homem acima de 13 anos acenda a sua própria hanukiá, enquanto que a tradição Sefaradi é acender uma única hanukiá por toda a família. As bênçãos podem ser encontradas no Sidur, o livro de preces.

 

Mesmo sendo permitido acender as velas dentro de casa, é preferível acendê-las onde outros possam ver as suas chamas, para divulgar o milagre de Hanucá. Em Israel, muitas pessoas acendem as velas do lado de fora das casas, em caixas de vidro ventiladas feitas especialmente para se colocar a menorá.

 

 

 

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Mosaico Romano da Menorá, 300-500 AC

Artista desconhecido

Encontrado em Tunis, Tunísia

57 x 89.5cm

Museu do Brooklin, Nova York.

 

 

 

Antes do século XX, o Hanucá era um feriado relativamente menor. Contudo, com o crescimento do Natal como o maior feriado no Ocidente e o estabelecimento do estado moderno de Israel, o Hanucá começou a servir crescentemente tanto como celebração da restauração da soberania judaica em Israel e, mais importante, como um feriado para se dar presentes voltado para a família em Dezembro que poderia ser um substituo judaico para o feriado cristão.

 

É importante notar que a substituição pelo Natal não é universalmente aceito, e muitos judeus não tomam parte nesta significação extra naquilo que eles consideram um feriado menor. Crianças judias, primariamente entre os Ashkenazim, também jogam um jogo onde eles giram um pião de quadro faces com letras hebraicas chamado de dreidel (סביבון sevivon em hebraico) .  O dreidel, um pião com quatro lados, tendo as letras hebraicas Nún, Gímel, Hêi e Shín (as iniciais de Nês Gadól Hayá Shám: Um Grande Milagre Aconteceu Lá em Israel.  Este  é o jogo tradicional.  Nos tempos da perseguição, quando estudar Torá era proibido, os judeus estudavam escondidos e, quando os soldados gregos vinham investigar, rodavam o dreidel e fingiam estar apostando.  As regras: Nún – ninguém ganhou; Guímel – o que rodou leva tudo; Hêi – o que rodou leva a metade; Shín – o que rodou tem que ‘colocar na mesa’ o equivalente ao que foi apostado. Ganha quem acumular mais fichas no menor tempo!

 

Este artigo usa e abusa de informações em diversos locais da internet, mas principalmente dos seguintes:

Lugar 1

Lugar 2