Casa amarela, poesia de Marília Fairbanks Maciel para crianças

30 10 2008

Ilustração de Lívia

Casa Amarela

 

Em dias distantes,

Alegres, ruidosos,

Vivi nessa casa

Tão belos instantes!

Oh! Lembro-me bem

Da casa amarela,

Bem longa e comprida,

Em forma de trem.

E a gente, criança,

Correndo e gritando.

Um mundo de sonhos

Ficou na lembrança…

O som das risadas,

Dos choros também.

As flores colhidas,

Em fartas braçadas,

Deixaram perfumes

Gravados em mim.

Guardei borboletas,

Guardei vagalumes:

Lembranças queridas

Que eu trouxe de lá.

— Retalhos de sonhos,

Pedaços de vidas!

 

Mamãe nos chamando,

Com voz muito aflita.

As suas palavras

Estou escutando:

—  “Olá, criançada,

É hora da missa!”

— “É hora da escola!”

E a gente apressada,

Saía correndo,

Ouvindo o barulho

Do bonde que vinha

Nos trilhos, gemendo.

 

E agora, a saudade,

Em forma de um eco,

Vem, massa e distante,

Contar-me a verdade:

A casa amarela

Mudou de cor.

Perdeu seu encanto,

Não é mais aquela!

Mas dentro de mim,

A minha saudade

Em tom de balada

Cantando ficou:

— “A benção, mamãe!

A benção, papai

É tarde  eu já vou!”

Ai doce saudade

Da casa amarela!

Adeus, criançada!

É tarde… eu já vou!…

 

 

Marília Mendes Fairbanks Maciel ( Matão, SP 1924 – 2012), poeta, romancista, contista e artista plástica.

 

Obras:

 

Oferenda, 1962 – poesia

Momento sem tempo, 1970 — poesia

Tempo de saudade, 1971 — poesia

Janela Acesa, 1972, — poesia

O que o conto não conta, 1975 — contos

A semente, 1977 — romance

 

 





Algumas considerações no dia nacional do livro

29 10 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

 

Hoje, dia 29 de outubro, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Livro.  Para nós, pessoas cuja vida diária revolve em torno de livros, de publicações, de aprendizagem, de estudos, de divertimento, nada mais natural que se celebre, de fato, o livro.  Esta data foi escolhida por ser o aniversário da Biblioteca Nacional.

Há diversas comemorações no Brasil que nos levam à idéia da leitura e ao livro.  Há o Dia Internacional do Livro, O Dia Internacional do Livro Infantil, O Dia do Livro Infantil no Brasil, e assim por diante.  Talvez todas estas comemorações nos façam pensar mais em livros, na sua importância e no que eles podem nos dar.  E esta série de datas comemorativas reflete em parte a sensibilidade brasileira sempre pronta para uma boa comemoração, para uma festividade.

No entanto, quanto mais dias temos reservados para a lembrança dos livros, parece que menos atenção damos a eles durante o resto do ano.  Eu gostaria de não ter nenhum dia comemorativo, mas saber que todos os dias, são de FATO o dia do livro.  Que não estamos só fazendo um agrado aos nossos próprios egos, dizendo: Eu participei, eu comemorei o livro, a semana do livro, o dia do livro

Eu gostaria de ver uma mudança radical na maneira como nós nos relacionamos com os livros.  Eu gostaria de ver uma pequena revolução cultural no Brasil aonde a imagem de alguém lendo um livro não só fosse corriqueira como uma imagem de algo desejável.  Que o rapaz que lê, não seja aquele bobão, mas o que ganha a mocinha bonita.  Que a jovem que lê não se case com o primeiro que aparecer, mas com o homem que vá respeitar seus estudos e até mesmo gostar dela por isso.  Gostaria de ver:

1- novelas da televisão em que todos, separadamente, numa hora ou outra aparecessem lendo: um jornal, um livro, etc.  Que eu me lembre, o personagem de novela mais recente dedicado aos livros foi retratado por Tony Ramos, como Miguel, o livreiro romântico em Laços de família (2000). 

2 – personagens  cujas vidas são melhoradas pela leitura.  Pelo estudo.  Por exemplo, programas como Ó Pai Ó, que descrevem um cortiço na Bahia, exponham um personagem que conseguiu sair de onde estava pelo estudo, pelo valor que deu aos livros.

Esta mensagem de que ler um livro é uma coisa importante e corriqueira infelizmente não chega ao público brasileiro.

Eu consigo me lembrar de diversos filmes estrangeiros em que o drama, a comédia, a sensibilidade, a tragédia, se passa numa escola, com bons e maus professores, com bons e maus alunos. Cheios de clichês, mas que mal ou bem levam a mensagem ao público da importância de uma educação, da importância do livro e das escolas.   Não vou aqui mencionar nenhum dos filmes americanos que são produzidos todos os anos às centenas que retratam a vida nos últimos anos das escolas.   Nós, brasileiros, por bem ou por mal, não fazemos estes filmes.  Por que?  Porque são muito comerciais?  [esta é a grande disparidade do cinema brasileiro — certos filmes não são feitos porque são muito comerciais; outros filmes são feitos e não têm público.  O segundo tipo de filme só pode ter público depois que o primeiro for feito!]  Será que filmes sobre escolas  não refletem os valores da sociedade?  Não acredito.

Pode-se sim fazer obras primas do cinema com filmes passados em escolas.  E para que eu não fique só no exemplo americano, vou dar um exemplo americano, um inglês e um francês.  Mas há centenas de outros: Sociedade dos Poetas Mortos, EUA, 1989, Guerra dos Botões, França, 1962,  Se…, Inglaterra, 1968.  Isto para não se falar dos livros de sucesso como Harry Potter que fizeram carreira mostrando uma escola, seus alunos e professores.

Há também heróis sedutores dedicados à leitura e aos livros nos filmes estrangeiros:  Um lugar chamado Notting Hill, Eua/Grã-Bretanha, 1999; Ser e ter, França 2002; Somos todos diferentes, Índia, 2007.

Era este tipo de envolvimento eu esperava que nós já tivéssemos conseguido no Brasil.  Vamos deixar para lá as comemorações superficiais, as boas palavras sobre uma melhor educação, que esquecemos rapidamente em 24 horas.  Que tal reformarmos o nosso horizonte de desejos?  E se nas novelas, nos programas de televisão, no nosso dia a dia, víssemos exemplos de pessoas que saem da pobreza através da educação?  Elas existem.  Eu sei.  Eu conheço algumas.  Por que para sair da pobreza precisamos fazê-lo pelo: esporte?  pelo corpo de modelo? pelo gingado da cabrocha?

Nem todos nós nascemos para ser presidente do Brasil!  Mesmo assim conseguimos ter sucesso estudando e tendo prazer na leitura e ainda assim levar uma vida decente e que nos dá satisfação.





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa III

29 10 2008

Ilustração:  Maurício de Sousa

DA HOMOFONIA DE CERTOS GRAFEMAS CONSONÂNTICOS

 

Há grafemas consonânticos que produzem o mesmo som (homófonos) mas que nem sempre são escritos da mesma maneira.  A regra aqui será ditada pela origem, pela história da palavra.  Nem sempre é fácil esta diferenciação entre o emprego de uma letra ou de outra, quando representam o mesmo som.  Na dúvida, recorra à origem da palavra. 

 

Abaixo, uma lista dos exemplos mais comuns.

 

1º)       Distinção gráfica entre ch e x:

 

CH

                                                                      

achar,  archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, chiste, chorar,

colchão, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar, macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar, tacho

 

X

 

ameixa, anexim, baixei, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir, enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia, xerife, xícara.

 

2º) Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j:

 

G

 

adágio, alfageme, Álgebra, algema, algeroz, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem, frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, relógio, sege, Tânger, virgem;

 

J

 

adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espécie de papagaio), canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, jenipapo, jequiri, jequitibá,  jerimum, jibóia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucujê, pajé, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.

 

3º) Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas:

 

ânsia, ascensão, aspersão, cansar, conversão, esconso,farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsa;

 

abadessa, acossar, amassar, arremessar, asseio, atravessar, benesse, codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar, dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso, remessa, sossegar,

 

acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, cetim, obcecar, percevejo;

 

açafate, açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, caçanje, caçula, caraça, dançar, enguiço, inserção, linguiça, maçada, Mação, maçar, Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba, terço;

 

auxílio, Maximiliano, Maximino, máximo, próximo, sintaxe.

 

4º) Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/fônico:

 

adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo, esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo, espremer, esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar, extraordinário, inextricável, inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmente.

 

De acordo com esta distinção convém notar dois casos:

 

a) Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido de i ou u:

 

 justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.

 

b) Só nos advérbios em -mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.).

 

5º) Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/ fônico:

 

aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através,  s, íris, jus, lápis, país, português, quis, retrós, revés;

 

cálix, flux;

 

assaz, arroz, avestruz, dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, giz, jaez, matiz, petiz.

 

6º) Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, narciso, obséquio, ousar, pesquisa, portuguesa, presa, raso, represa, sacerdotisa,  surpresa, tisana, transe, trânsito, vaso;

 

exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorável;

 

abalizado, alfazema, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, deslize, fuzileiro, guizo, helenizar, lambuzar, lezíria, proeza, sazão, urze, vazar.

 





Os gostos de Briolanja — poesia infantil de José Jorge Letria

27 10 2008
Ilustração de Mauricio Sousa

Ilustração de Mauricio Sousa

 

Os gostos de Briolanja

A princesa Briolanja
gostava muito de canja
e de sumo de laranja.
No dia do casamento,
num estremecimento,
em vez de um palácio
pediu uma granja,
para nunca sentir falta
de sumo de laranja
nem do caldinho de canja,
coisa que na Corte
nem sempre se arranja.

 

José Jorge Letria, Mão-Cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1998.

 

José Jorge Alves Letria (n. Cascais, 8 de Junho de 1951) é um jornalista, político, poeta e escritor português.





Novas vidas descobertas nos recifes australianos

26 10 2008
Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

Great Barrier Reef -- Recife da Grande Barreira -- Austrália

 

Pesquisadores descobriram centenas de novas espécies de animais marítimos inclusive mais de cem tipos de coral investigando as águas próximas a duas ilhas nos Recifes  Great Barrier e no Recifes ao noroeste da Austrália.  Este resultado é fruto de quatro anos de pesquisa sistemática investigando as águas que rodeiam estas duas ilhas. 

 

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

Alga verde Caleba supressoides, Ilha de Heron, Austrália.

 

O Recife chamado Great Barrier  [Grande Barreira] – é o maior recife do planeta.  E já é conhecido como um local com uma enorme variedade de recifes de coral.   Em estudos anteriores, pesquisadores já haviam classificado próximo de 400 espécies de coral,  1.500 tipos de peixe e mais de 4.000 tipos de moluscos, neste recife. Mas como é extraordinariamente longo, tem 2.000 km de comprimento estudos continuam sendo feitos e novas descobertas certamente estarão a caminho.  Este recife também é a maior barreira terrestre formada por seres vivos.  É maior que a Grande Muralha da China e a única forma orgânica que pode ser vista da Lua.

 

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

Estrela do mar Nardoa Rosea, vista por baixo.

 

A pesquisa continuará sendo feita e para isso os cientistas deixaram diversas estruturas, semelhantes a casas de bonecas, submersas.  A intenção dos pesquisadores é deixar que alguma vida marítima venha “colonizar” estas estruturas.  Nos próximos três anos estas “casas” serão retiradas trazendo junto com elas os animais que as habitaram.

 

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

Corais macios também chamados de Octocorals, pelos 8 tentáculos na beira de cada pólipo.

 

Por três semanas 25 pesquisadores examinaram o solo oceânico próximo a Ilha Heron.  Fizeram muitas novas descobertas inclusive a estrela do mar  Nardoa rósea que é mostrada  na foto  acima vista pelo seu lado posterior.  Além de estudarem os corais novos, descobertos na área, a pesquisa incluiu também o estudo de algas, corais renda e ouriços do mar.   Estas foram as primeiras expedições feitas na área e em volta dos eco sistemas de coral.

 

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

Vista aérea da Ilha de Heron, no Recife Great Barrier, Austrália.

 

A Ilha Heron nos Recifes Great Barrier está próxima do Trópico de Capricórnio e a 72 km da costa australiana.  Tem aproximadamente 800 metros de comprimento por 300 metros de largura. É nesta ilha que a Universidade de Queensland mantém um Centro de Pesquisa desde 1950.  

Fotos das descobertas oceânicas cortesia:  Census of Marine Life/Gary Cranitch/Queensland Museum

 

Para ver mais fotos, clique   AQUI.

 

 

 





Nova vida para a ficção científica de Monteiro Lobato

26 10 2008

 

Para uma grande parte dos brasileiros Monteiro Lobato (1882-1948), o escritor paulista da primeira metade do século XX,  existe no nosso imaginário só pelas criações das histórias infantis que se desenvolvem à volta do Sítio do Picapau Amarelo.  Mas a obra de Lobato é muito maior do que este grupo de livros.  Entre os muitos outros títulos do autor está O presidente negro, lançado em 1926. 

Agora, graças às eleições americanas deste ano, esta obra não muito conhecida nem do público brasileiro volta a ser editada, aqui no Brasil pela Editora Globo.  No entanto, ganha também um edição na Itália: Il presidente nero.  E negociações estão sendo feitas para seu lançamento nos Estados Unidos, desta maneira preenchendo uma grande aspiração, um sonho pessoal do autor.  A obra considerada no campo da ficção científica, se passa no ano de 2228, ou seja, 220 anos no nosso futuro, quando os Estados Unidos elegem um presidente negro para a Casa Branca.   A história contada nesta obra de ficção científica, é a de Ayrton, um homem comum que tem a felicidade de cruzar o caminho do professor Benson e sua filha Jane. Os dois passaram anos reclusos, desenvolvendo uma máquina capaz de observar o futuro – o porviroscópio.  A partir dessas visões do que está por vir, Jane relata a Ayrton o episódio das eleições de 2228 – uma história cheia de reviravoltas e tensão. E vale a pena ler. 

 

Capa da edição italiana





Poema — Fernando Pessoa — para crianças

24 10 2008

 

Parati: lembrança do passado, 1958

Armando Viana (RJ 1897- RJ 1992)

óleo sobre tela, Coleção Particular

 

POEMA

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que tanjas perto,

Quando passo sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto saudade de perto.

 

 

Fernando Pessoa

 

Vocabulário: 

 

dolente – triste

me tanjas – me toques

errante – sem destino

 

 

Em:

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Edições de Ouro:s/d, Rio de Janeiro

 

 

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.





José Mindlin em entrevista fala sobre livros no Brasil

24 10 2008

 

 

No Jornal do Comércio de hoje (24/10/2008) José Mindlin o bibliófilo brasileiro, que decidiu doar sua vasta biblioteca de 45.000 volumes, para a Universidade de São Paulo, fala um pouco mais de sua paixão pela democratização do acesso ao livro no Brasil.  Entrevistado por Marcone Formiga para a Revista Brasília em Dia, o imortal brasileiro defende primeiro que tudo a abertura de mais bibliotecas públicas no país inteiro e lembra que elas deveriam funcionar à noite e em fins de semana.  Aqui está uma fração da entrevista:

 

MF: O senhor contou, no início da entrevista, que desde cedo devorava livros.  Hoje, com a internet, existe a possibilidade de a literatura perder a importância?

 

JM: Eu tenho através de netos e alguns bisnetos, contato com a infância e a mocidade, constatando muito interesse por leitura, também.  Não só pelo desenvolvimento tecnológico.  Agora, tem que existir um exemplo em casa de leitura, para estimular as crianças.  Não há regras para isso.

 

MF: Muita gente alega que não tem tempo para a literatura…

 

JM: Quem afirma não ter tempo, na realidade não procurou ler.  É muito mais fácil não ler e afirmar que não teve tempo.  Mas essas pessoas não sabem o que estão perdendo, porque a leitura é uma fonte de prazer permanente.

 

MF: O livro no Brasil é muito caro.  Isso é um fator desestimulante?

 

JM: Ele é caro, custa muito dinheiro para uma grande maioria da população.  É caro para produzir e para distribuir.  Não existe exploração de um  modo geral na questão da venda de livros.  Agora, a solução seria abrir mais bibliotecas públicas, porque ler não devia depender de possuir um livro.  Nos Estados Unidos, um país altamente desenvolvido, as bibliotecas são em grande quantidade e uma biblioteca particular não é regra.  Uma boa biblioteca particular é exceção, em qualquer cidadezinha há uma boa biblioteca pública.  Nós estamos longe disso, mas eu acho que é esse o objetivo, que tem que ser procurado alcançar.  

 

MF: O governo poderia ter a iniciativa de incentivar a leitura, reduzindo impostos das editoras, das gráficas?

 

JM: A impressão dos livros tem uma série de sanções.  Eu não conheço isso em detalhes, mas acho que há um incentivo.  Agora o grande incentivo é a formação de bibliotecas com bons bibliotecários que orientem os leitores, que mostrem o que há de interessante nos livros.  Tudo é uma questão de formação de um hábito que preencha a biblioteca que, aliás, deveria existir também de modo generalizado nas escolas.  

 

 

[Este é um trecho da entrevista publicada hoje no Jornal do Comércio, versão impressa.]

 





Novo dinossauro descoberto na China!

23 10 2008

Arqueólogos na China descobriram fosseis de um dinossauro do tamanho de um pombo que acreditam ser um ancestral não-direto dos pássaros.  O fóssil preservado numa rocha na Mongólia, no condado de Ningcheng no Norte da China, tem 90% de seu corpo preservado.  Deve ter habitado a Terra aproximadamente há 176 – 146  milhões de anos passados, no Médio ao Jurássico Tardio.   

 

O novo dinossauro, recebeu o nome de Epidexipteryx  hui – que em grego quer dizer: o que tem penas de exibição.   Pela data ele se mostra antecessor, ou seja, mais antigo do que os dinossauros Archaeopteryx, que viviam por volta de 155 to 150 milhões de anos atrás, e que são as primeiras aves, com aspecto de dinossauro. 

 

A aparência do Epidexipteryx é interessante.  Tinha penas, mas não voava.  Tinha uma arcada dentária projetada para fora, como a maioria dos carnívoros, mas pesava só aproximadamente 164 gramas.  Os cientistas ainda não sabem de que se alimentava.  Suas refeições seriam de insetos?  De outros répteis ou anfíbios?  Ou seria ele vegetariano, alimentado-se de plantas?   Tinha quatro longas e finas penas saindo de seu curto rabo.  Era bípede (um terópode) pequeno.  O que o faz singular são as quatro longas penas, que saíam da cauda e neste caso específico, para nossa felicidade, ficaram bem preservadas.  Os investigadores julgam que estas penas, que se parecem com uma fita poderiam não só serem ornamentais mas talvez até ajudado no seu movimento por entre ramos de árvores.  Como ornamentação elas deveriam cumprir uma função importante para a reprodução. Há muitas espécies de aves com penas grandes e de cores exóticas, que são importantes para o ritual de acasalamento. O mesmo poderia acontecer com o Epidexipteryx.  Já suas penas curtas, que cobrem o corpo todo do dinossauro provavelmente funcionariam com protetores da temperatura, insulando o corpo do animal das mudanças em temperatura.   Na época em que este dinossauro vivia erupções vulcânicas eram muito comuns.  Ele era parte de um ambiente cheio de lagos e árvores.  Junto a este dinossauro diversos insetos, plantas, salamandras, lagartos, pterossauros cabeludos e mamíferos primitivos voadores e nadadores foram encontrados.

 

Cientistas estão certos de que este dinossauro não pertence ao grupo Microraptor , que são dinossauros apresentando penas e que os acredita-se que voava além de planar.  Mas como o Microraptor – um dinossauro que viveu mais tarde entre 130 a 125 milhões de anos – também tinha dois grupos de asas semelhantes aos primeiros bi planos. Esta nova descoberta ajuda na evidência, muito importante, da relação entre dinossauros e pássaros.  O esqueleto tinha várias características parecidas com os das aves e os paleontólogos colocaram a espécie ao lado das primeiras linhas evolutivas dos dinossauros voadores.   Apesar de este dinossauro não poder ser considerado na linha direta dos ancestrais dos pássaros, é um dinossauro que tem a mais próxima relação filogenética aos pássaros.  Conseqüentemente, pode fornecer informações sobre a transição dos dinossauros a pássaros, incluindo as mudanças ocorridas nas penas e nos rabos.  A sua descoberta nos leva mais próximo do pássaro ancestral – o grande pai dos pássaros que conhecemos hoje.  Descobre-se também com este novo achado que a complexidade da evolução dos dinossauros para pássaros é maior do que até aqui imaginávamos.  

 

Esta descoberta foi publicada na revista científica Nature, com edição desta semana,  por um grupo de investigadores da Academia de Ciências da China, encabeçada por Zhonghe Zhou do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e  Paleo-antropologia da Academia de Ciências da China em Pequim.  

Para saber mais clique:

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Imagem de leitura — Emmanuel Garant

22 10 2008

A Leitora, Emmanuel Garant (Canadá 1953)

 

Emmanuel Garant — nasceu em Lévis, no Canadá, no dia 5 de junho de 1953.  Filho de dois artistas plásticos André Garant e Louise Carrier.

Para mais informações clique aqui.