O cometa, poesia infantil de João de Deus Souto Filho

10 05 2011

Cometa, século XVI.

Desenho de astrônomo turco, anônimo,

Do livro Tarcuma-I Cifr, de Maomé Kamalladin.

Univerisdades Rektolugu-Istambul

Turquia

O    cometa

João de Deus Souto Filho


O Cometa não é estrela
Nem planeta,
O Cometa é viajante
Estelar,
Grande rei andarilho,
De bela coroa
E cauda a brilhar…

Em: Jornal de Poesia

João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA.  É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.

Obras infantis:

O quintal do Seu Nicolau, 1992

O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992

O passeio da Cinderela, teatro, 1992

Brincadeira de palavras, inédito

Na ponta da pena, inédito.





Quadrinha pelo Dia das Mães

4 05 2011

Ilustração, Walter Crane.

Se Deus atendesse, um dia,

minha prece ingênua e doce,

quem fosse mãe não morria,

por mais velhinha que fosse.

(Archimino Lapagesse)





O fim de semana das orquídeas, Jardim Botânico do Rio de Janeiro

3 05 2011

Quiosque de venda de um dos orquidáreos participantes da exposição no JBRJ.

A Exposição e Venda de Orquídeas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi um dos pontos altos de entretenimento carioca no fim de semana do Dia do Trabalho.  Este é um programa que há muito entrou para o calendário oficial do Rio de Janeiro e um dos poucos eventos que visito todos os anos,  pelo menos vez e algumas horas de observação.

Não sou conhecedora de orquídeas.  Nem mesmo tenho um jardim em casa.  Dedico-me exclusivamente à manutenção de quatro plantas domésticas, criadas em potes de barro, que miraculosamente parecem sobreviver e crescer sob os meus cuidados.  Sim, tenho predileção por plantas grandes, que virem pequenos arbustos dentro do meu apartamento.  E também por plantas que não sucumbam se me esquecer um dia de regá-las ou adubá-las. 

Já tive orquídeas em casa.  Aquelas que recebemos de presente de amigos que nos querem bem.  E mais de uma vez consegui que elas sobrevivessem por alguns anos dando flores anualmente.  Mas não imagino que qualquer uma delas tenha sobrevivido, florescendo  regularmente, por causa dos meus bons tratos.  A cada vez que uma delas dava flores fiquei tão surpreendida quanto se tivesse ganahdo na  Loteria Federal. 

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É verdade que elas gostavam muito do peitoril da minha varanda de serviço.  Lá, encarapitadas no décimo andar com seus corpos quase caindo janela abaixo, mas protegidas — como todas as outras plantas nesse lugar por uma barra de ferro para não caírem das alturas — elas recebiam duas horas de sol da manhã, chuva e a umidade generalizada e quase asfixiante dos ares de Copacabana.  Eram felizes…

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Mas eu não fazia absolutamente nada para que elas se sentissem bem… Daí a minha surpresa…  Nenhuma delas sobreviveu com a mudança de endereço.  Pena.  Gostaria de ter me lembrado de dizer aos moradores do meu apartamento, os que me seguiram no endereço, que ali era um lugar especial para se cultivar orquídeas…  Que elas gostavam… Mas quem sabe talvez tenham se mantido vivas pelo carinho e amor com que me foram dadas, para inicio de conversa…

Orquídeas são fascinantes.  Dão a impressão de grande delicadeza e fragilidade…  Basta prestar atenção às bordas de suas pétalas para vermos uma renda, às vezes quase franzida como um pequeno babado.  Isso as tona muito femininas.  Têm cores contrastantes e formatos muito diversos.   E ainda padrões de desenho em suas pétalas que podem ser só de uma cor, ou pontilhadas e até com pequenos quadriculados, como se se vestissem de acordo com a ocasião.   Podem ter grandes flores, ou minúsculas, uma ou cachos de florezinhas.   São um prazer para os olhos e chamam a  nossa atenção e a dos insetos que usufruem de seu pólen. 

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São abertamente sensuais, mostrando a função de suas flores a qualquer um, sem embaraço.  Essa característica sensual, despudorada tornou a orquídeas num dos maiores símbolos do movimento feminista no mundo, assim como tema de fascínio para artistas diversos.  As pintoras americanas Georgia O´Keefe e Judy Chicago são alguns dos nomes que vêm à mente quanto ao uso da imagem da orquídea como um exemplo do feminino na arte e na vida.

   

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Além disso, elas fazem qualquer fotógrafo amador, como eu, parecer de primeira linha.  São fotogênicas.  E curiosamente variadas.  No caso acima, que até parece que o desenho da orquídea está refletindo o desenho da grade ao fundo do orquidário.  Um detalhe que seria do agrado de qualquer profissional da fotografia. 

Orquídeas remetem a luxo, a esplendor, a ocasiões especiais.  No meu aniversário de 18 anos meu pai me trouxe uma orquídea de presente, numa bela caixa transparente.  Orquidários,  por outro lado, sempre me fazem pensar na Belle Époque.  Até mesmo este, do Jardim Botânico, tem aquele ar de estufa, grande o suficiente para guardar centenas de espécimes, com colunas separando uma ilha central do restante do espaço. A luz indireta, sua brancura, a maneira com que o ar parece  que lembra as estufas inglesas da virada do século, onde damas da sociedade tomavam chá e recebiam amigas…

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Ninguém deve se surpreender, portanto, que este tipo de exposição e venda, com competição entre diversos orquidários — a maioria deles vinda das cidades  serranas do estado do Rio de Janeiro — Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo [com pouquíssima representação este ano por causa do desastre das chuvas do início deste ano] atraia tanta gente.  Foi realmente de impressionar as centenas e centenas de pessoas que estiveram no Jardim Botânico neste fim de semana e que também aproveitaram a ocasião para adquirir um, dois, seis, uma dúzia, de orquídeas variadas. 

Se você nunca visitou esta exposição marque na sua agenda o primeiro fim de semana em que o domingo caia em maio, para o ano que vem.  Confirme depois com o próprio Jardim Botânico para saber detalhes do evento.  Prepare-se para uma pequena fila na entrada e no orquidário tamanha é a população interessada.  Mas vale a pena!  Não esqueça de trazer sua máquina fotográfica, porque mesmo sendo amador, suas fotos parecerão de profissional.  Será uma ocasião para apreciar as belezas da natureza tropical e o ambiente mais que agradável de um dos mais belos jardins do mundo.





O trabalho, leitura escolar, Assis Cintra

2 05 2011

Menina tricotando, s/d

Julian Alden Weir ( EUA, 1852-1919)

óleo sobre tela

O trabalho

Cora e Paulina eram duas meninas muito boazinhas que tinham um único defeito: eram preguiçosas.

Posso dizer que começaram uma vez a fazer um trabalho para dar à sua mãe e que só o acabaram ao fim de dois anos.  

Muitas vezes D. Leonor dizia:

— Minhas filhas, porque não fazem algum trabalho, em vez de andarem sempre brincando?  É tão feio uma menina ser preguiçosa!

— Ora, mamãe!  Era a resposta.   Estou com tanto calor!  Não tenho coragem para ficar parada.  Quando vier o inverno hei de trabalhar bastante para recuperar o tempo perdido.

Os meses passaram chegando o inverno; e quando a mãe lhes lembrou a promessa feita responderam:

— Está fazendo tanto frio!  Como é que a gente pode trabalhar com as mãos geladas?

E assim o tempo ia correndo.

Um dia, em que estava fazendo muito frio, uma coleguinha chegou à escola com os beicinhos roxos, e tremendo tanto que fazia pena.

— Por que você não pôs um capote? perguntou Cora.

Está gelado, isto há de lhe fazer mal, Paulina acrescentou.

— E porque não pede à sua mãe que lhe compre ao menos um xale? 

— Mamãe não o pode comprar.  Somos muito pobres. 

Cora e Paulina ficaram com muita pena da sua colega pobre.  Logo que chegaram em casa, pediram à D. Leonor que comprasse um agasalho para a infeliz pequena. 

— Não posso, não tenho dinheiro disponível.  Tenho alguns novelos de lã, mas falta-me tempo para fazer o xale, respondeu a mãe.

— Nós o faremos, exclamaram as duas meninas ao mesmo tempo.

— Vocês são tão preguiçosas!  Poderiam começá-lo, mas com certeza não chegariam ao fim, ou então levariam dois anos.   E, enquanto isso, a pequena morreria de frio.

— Não, a senhora verá como o  xale fica pronto depressa.

E tanto insistiram que D. Leonor foi buscar a lã.

As meninas começaram a trabalhar,  e com tanto ardor trabalharam, que no fim de alguns dias a menina pobre teve a surpresa de encontrara na sua carteira uma xale bem quentinho.

Quando Cora e Paulina voltaram da escola e descreveram a alegria da coleguinha, D. Leonor falou com grande contentamento:

— Sou feliz, vendo as minhas filhas tão caridosas.  Mas como é que vocês, cheias de preguiça, puderam fazer o xale?  Pensei que desistiriam.

— Muitas vezes, disse Paulina, tivemos a tentação da preguiça, mas logo nos lembrávamos dos lábios roxos e trêmulos da coleguinha pobre.  Isso parece que nos dava novas forças.

— E, ajuntou Cora, no fim já gostávamos de trabalhar.  Quero que a senhora me arranje logo um outro trabalho.  O tempo parece que passa depressa e a gente é mais feliz.

D. Leonor, muito contente, abraçou as filhas dizendo-lhes:

— Eu sempre lhes falava nisso, e vocês não acreditavam.

Os vadios e preguiçosos é que estão descontentes e acham o tempo demorado.  Só os que trabalham é que são completamente felizes.

Em: Pequenas histórias, Assis Cintra, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1924 — obra pela Diretoria Geral da Instrução Pública de São Paulo e adotada na escola modelo e grupos escolares do estado de São Paulo.

Francisco de Assis Cintra (Bragança Paulista, 1887 – São Paulo, 1953), jornalista, filólogo e historiador





História, mistério e aventura: O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

24 04 2011

Leitura ritual em sinagoga, iluminura, manuscrito em Emília, na Itália.

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Raramente no grupo de leitura a que pertenço nos dedicamos a livros lançados há muito tempo, porque nem sempre é fácil para os membros conseguirem comprar volumes esgotados.  Mesmo sabendo que o livro é muito bom temos o cuidado de verificar se está disponível nas livrarias antes de o recomendarmos.  Isso nos faz ler principalmente os mais recentes lançamentos.  Foi, portanto com prazer que verificamos que a editora Best Bolso [Grupo Editorial Record] havia lançado O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler, originalmente publicado no Brasil em 1997 e que havia sido muito bem recomendado por amigos leitores.

Valeu à pena seguirmos essa indicação.  O romance de mistério e também histórico passado em Lisboa, em 1506, se concentra num assassinato que acontece ao mesmo tempo em que no centro da capital portuguesa aproximadamente 2000 judeus e cristãos novos são exterminados em praça pública, sacrificados vivos numa grande fogueira.  É na semana dessa horrível, desmesurada ,matança, fato histórico comprovado, instigada pelos Dominicanos, que se passa o assassinato que Berequias Zarco investiga. A vítima era Abraão, seu tio e mentor no estudo da Cabala.

O romance começa com um aceno, uma referência, às tradições românticas do século XIX, quando um autor, antes de desfiar a sua narrativa, a enquadra como vinda da descoberta de um manuscrito recém-encontrado.  Os escritores Bram Stoker (irlandês) e Nathaniel Hawthorne (EUA) são apenas dois nomes que vêm à mente quando penso nesse tipo de gancho na narrativa. Tratando-se de O último cabalista de Lisboa essa introdução é de grande efeito, porque sabemos que as histórias que conhecemos do período da Inquisição em Portugal na época de D. Manoel, O Venturoso,  são escassas e tendenciosas.  Grande parte dos manuscritos – judaicos ou não – que faziam parte da biblioteca de mais de 70.000 volumes da Coroa Portuguesa, desapareceu no terremoto de 1755.  Assim, a suposta descoberta de um manuscrito em Constantinopla, dá, desde o início da narrativa, um cunho de verdade, como um crédito para aliviar a nossa descrença.

É bom afirmar desde logo que este não é um romance religioso.  É principalmente uma história de mistério, de resolução de um crime, que acontece numa semana de grande inquietação social nas comunidades não-cristãs:  judaica e muçulmana, na Lisboa de 1506.  As referências à Cabala – estudo da natureza do que é divino – não são mais do que um pano de fundo, uma ferramenta de uso dramático, que ajuda a apresentar ao leitor, através de liberais pinceladas culturais, alguns aspectos do dia a dia da Alfama moura e judia.  A Cabala permeia o texto através de citações filosóficas de fácil compreensão, tais como “os livros são feitos por letras mágicas”, entre outras.   Torna-se evidente, logo após as primeiras 50 páginas que a intenção de Richard Zimler (um judeu americano naturalizado português que reside na cidade do Porto) é a de escrever um livro de suspense que absorva o leitor de tal maneira que não possa deixá-lo de lado.  E isso ele consegue facilmente.  Também é sua intenção, acredito, manter a memória viva de todos os sacrifícios pelos quais o povo judeu passou.  Mas seu retrato da brutalidade da época, das maneiras rudes da população, dos medos, das doenças, da peste, das crendices, do sexo, tudo que ele descreve, nos leva, a nós também, que não somos judeus, a querermos manter a memória viva dessa e de outras épocas — sobreviventes que somos todos nós dos augúrios do passado — para que chacinas, preconceitos, extermínios não se repitam nunca mais.  Nem pelas nossas mãos, nem pelas de outrem.

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Richard Zimler

O último cabalista de Lisboa apresenta uma história sobre anti-semitismo e os judeus em Portugal.  Somos levados a considerar, mais uma vez, as conseqüências de uma nobreza associada por baixo dos panos ao financiamento dos empréstimos judeus, e acima da mesa à uma religião cega, dominada pelo medo e mantenedora da  ignorância do povo.  Lembramos com esse romance do fiasco das conversões forçadas e das reações às doenças da época.  Temos que confrontar os hábitos porcos, insalubres, violentos e amorais da era das grandes descobertas lusitanas.  E de sobra somos apresentados aos valores das reais e das falsas amizades.  Tudo isso num ritmo frenético, de grande suspense.  Que mais se pode pedir de um romance de mistério?  Leitura gostosa, com passagens violentas, mas de grande lucidez e magia.





Seis quadrinhas escolares sobre Tiradentes por Walter Nieble de Freitas

17 04 2011

6 quadrinhas escolares  para o Dia de Tiradentes

                                               Walter Nieble de Freitas

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Por ter sido descoberto

Por Pedro Álvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos,

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os incoonfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte e Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

nos deu a Vinte e Um de Abril

É a página mais linda

da História do Brasil.

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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965





A coruja e a águia — fábula, texto de Monteiro Lobato

12 04 2011
A águia e a coruja, ilustração de J. J. Grandville.

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A coruja e a águia

                                                      Monteiro Lobato

Coruja e águia , depois de muita briga resolveram fazer as pazes.

— Basta de guerra — disse a coruja.  —  O mundo é  grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

— Perfeitamente — respondeu a águia. — Também eu não quero outra coisa.

— Nesse caso combinemos isso:  de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

— Muito bem.  Mas como posso distinguir os teus filhotes? 

— Coisa fácil.  Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial, que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

— Está feito! — concluiu a águia.

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Ilustração francesa.

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Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

— Horríveis bichos! — disse ela.  — Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja.  Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.

— Quê?  — disse esta admirda.  — Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos?  Pois, olha não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…

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Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai.  Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.

Em:  Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense, s/d, 20ª edição.

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das dezenas de varições feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista, dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944  

A Caçada da Onça, 1924  

A ceia dos acusados, 1936  

A Chave do Tamanho, 1942  

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955  

A Epopéia Americana, 1940  

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924  

Alice no País do Espelho, 1933  

América, 1932  

Aritmética da Emília, 1935  

As caçadas de Pedrinho, 1933  

Aventuras de Hans Staden, 1927  

Caçada da Onça, 1925  

Cidades Mortas, 1919  

Contos Leves, 1935  

Contos Pesados, 1940  

Conversa entre Amigos, 1986  

D. Quixote das crianças, 1936  

Emília no País da Gramática, 1934  

Escândalo do Petróleo, 1936  

Fábulas, 1922  

Fábulas de Narizinho, 1923  

Ferro, 1931  

Filosofia da vida, 1937  

Formação da mentalidade, 1940  

Geografia de Dona Benta, 1935  

História da civilização, 1946  

História da filosofia, 1935  

História da literatura mundial, 1941  

História das Invenções, 1935  

História do Mundo para crianças, 1933  

Histórias de Tia Nastácia, 1937  

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926  

Idéias de Jeca Tatu, 1919  

Jeca-Tatuzinho, 1925  

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921  

Memórias de Emília, 1936  

Mister Slang e o Brasil, 1927  

Mundo da Lua, 1923  

Na Antevéspera, 1933  

Narizinho Arrebitado, 1923  

Negrinha, 1920  

Novas Reinações de Narizinho, 1933  

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926  

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930  

O livro da jangal, 1941  

O Macaco que Se Fez Homem, 1923  

O Marquês de Rabicó, 1922  

O Minotauro, 1939  

O pequeno César, 1935  

O Picapau Amarelo, 1939  

O pó de pirlimpimpim, 1931  

O Poço do Visconde, 1937  

O presidente negro, 1926  

O Saci, 1918  

Onda Verde, 1923  

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944  

Os grandes pensadores, 1939  

Os Negros, 1924  

Prefácios e Entrevistas, 1946  

Problema Vital, 1918  

Reforma da Natureza, 1941  

Reinações de Narizinho, 1931  

Serões de Dona Benta,  1937  

Urupês, 1918  

Viagem ao Céu, 1932

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 Jean Ignace Isidore Gérard (França, 1803 — 1847), conhecido pelo pseudonimo J. J. Grandville, foi um grande ilustrador e caricaturista francês.





A banana, poema de Sônia Carneiro Leão

11 04 2011

Campo de Batalha 5 , 1973

Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 182 x 234cm

A banana

Sônia Carneiro Leão

A fruta mais descarada

da espécie vegetal,

exibicionista, safada,

a mais amada,

preferência nacional.

Nasce, assim, sem respeito,

em qualquer parte,

de qualquer jeito,

em qualquer quintal

onde houver

um sol tropical.

Em terras baianas,

pernambucanas,

nossa República das Bananas.

Verdadeiro tesouro:

banana-prata, banana-ouro.

Chiquita bacana.

Banana querida,

banana amiga,

da nossa barriga.

Banana brasileira,

te como toda,

te como inteira.

Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.

Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.





A lenda do chupim — 2º Livro de leituras infantis

11 04 2011

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A lenda do chupim

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O  chupim é um passarinho escuro também chamado de anu ou azulão.  Possui um canto suave e melodioso.  Mas tem o mau costume de por seus ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Além disso come as sementes e destrói as plantações. 

O chupim era, porém um pássaro bonito e trabalhador.  Fazia o seu ninho com capricho e cuidava bem dos filhotes.  Mas houve uma guerra entre as aves, de que resultou queimarem o ninho do chupim.  Por milagre, o pássaro salvou-se, mas ficou todo preto, sapecado.  Lá se foram seus ovos e suas lindas penas!

Daí por diante o chupim ficou preguiçoso.  Não quis mais trabalhar.  Deixou de fazer o ninho.  E passou a por os ovos nos ninhos dos outros pássaros.  Por isso, não cria mais filhotes.  Quando o censuram por sua preguiça, diz que não faz ninhos porque tem medo de novo incêndio.  E assim vai levando a vida.  O passarinho mais explorado do chupim é o tico-tico.  Coitado!  até o chamam, por isso, de engana-tico…

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Em:  Leituras infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, Rio de Janeiro, Agyr:1962





Vozes da noite, poema para a infância de Armando Côrtes-Rodrigues

28 03 2011

Vozes da noite

                                           Armando Côrtes Rodrigues

Vozes na Noite!  Quem fala

Com tanto ardor, tanto afã?

Falou o Grilo primeiro,

Logo depois foi a Rã.

Pobre loucura dos homens

Quando julgam entendê-las…

Só eles pasmam os olhos

Neste encanto das estrelas…

Lá no silêncio dos campos

Ou no mais ermo da serra,

Na voz das rãs dala a àgua,

Na voz dos grilos a Terra.

Só eles cantam a vida

Com amor e singeleza,

Por ser descuidadaa, alegre;

Por ser simples, com beleza.

Pudesse agora dizer-te,

Sem ser por palavras vãs,

O que diz a voz dos grilos,

O que diz a voz das rãs.

Em: Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d

Armando César Côrtes-Rodrigues (Portugal, 1891 — 1971 ) Escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.

Obra poética:

 Ode a Minerva:angra do heroísmo, 1922

Em Louvor da humildade: poemas da terra e dos pobres., 1924

Cântico das Fontes, 1934

Cantares da noite seguidos dos poemas de orpheu, 1942

Quatro poemas líricos, 1948

Horto fechado e outros poemas, 1953

Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956.