Ano-novo — poema de Wilson Frade

29 12 2008

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Ilustração de Blanche Fisher Wright

ANO-NOVO

 

 

                                 Wilson Frade

 

 

As últimas horas que restam são de incrível exorcismo.

Os meninos curtem, sonolentos, brinquedos de Papai Noel,

mas as luas que me restam são roteiros irrecuperáveis.

Nem todos os sinos repicam ao mesmo tempo

e nem todos os seios amamentam com o mesmo leite.

Os pândegos comemoram à sua maneira,

e há sintomas de medo e espanto.

Jogo na cesta papéis sem memória

que os rios levam nas suas mesmas águas.

Meia-noite…  Subo ao céu para beijar a estrela

porque já sou Ano-novo.

E ela nunca mais será a mesma rosa.

 

 

 

 

Em: Poemas de um livro só, Nova Fronteira:1991, Rio de Janeiro

 

 

Wilson Frade – (MG 1920-2000) jornalista, pintor, poeta, instrumentista e compositor mineiro.





O quarto do bispo de Piero Chiara

28 12 2008

 

Neste finalzinho de ano, entre o Natal e o Ano Novo tive a boa idéia de ler O quarto do bispo, (José Olympio: 1986) um pequeno romance de Piero Chiara, publicado originalmente em 1976 com o nome de La stanza del Vescovo.   Um ano depois de sua publicação este romance foi adaptado para o cinema, com direção de Dino Risi.  Em italiano, recebeu o mesmo nome do livro, mas no Brasil o filme ficou conhecido como Venha dormir lá em casa esta noite (1977), e estranhamente classificado como comédia.  

  

 

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Nunca havia lido nada do autor, até mesmo porque depois de sua morte em 1986 pouco foi traduzido para o português.  Localizo, além do livro mencionado acima, só um outro romance de Piero Chiara em português, O Balordo, (Melhoramentos, 1986) com o mesmo nome no original, que aparentemente retrata a vida num pequeno vilarejo italiano. 

 

A narrativa de Piero Chiara, em O Quarto do bispo, com a tradução de Teresa Ottoni, é misteriosamente clara, breve e sedutora.  Não me surpreendi ao ver que este romance havia sido logo transportado para o cinema, porque através de sua leitura não pude deixar de pensar nos grandes filmes italianos da década de 1960, filmes  em que o nefasto se faz presente de maneira oblíqua e cotidiana.  

 

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Lago Maggiore

 

 

 O ritmo da narração é ditado pelo Lago Maior (Lago Maggiore) pano de fundo do romance.   Narrado na primeira pessoa, Piero Chiara nos faz cúmplices do mistério que envolve as águas e os ventos do lago.  Há um ritmo vagaroso, deliberado e sinistro que nos leva a desfrutar com o narrador da calma, da majestade e das belezas do Lago Maggiore, sem, no entanto, perdermos a sensação do nefasto.  Chiara nos deixa perpetuamente à espreita, à espera de um acontecimento fatal, de um evento ameaçador que desconhecemos, mas que sabemos sinistro.  O mistério está onipresente nas águas do lago, nos ventos dos Alpes, nas imagens quase oníricas que nos acompanham.  Algo acontecerá que não sabemos exatamente de onde virá e que forma terá ao se concretizar.  Seu suspense é  soberbo!

 

A ação se passa logo depois da Segunda Guerra, em 1946, durante o período de um ano.  Neste tempo somos levados em pequenas viagens, de um canto ao outro por um barco a vela, sem nenhum propósito além do prazer, como se à deriva, por diversas aldeias italianas, por uma miríade de pequeninos portos particulares e públicos.  A presença constante, onipresente e gigantesca é do Lago Maior, que entre a Itália e a Suíça, não só é um dos principais lagos alpinos, mas o segundo maior lago da Itália.  Suas grandes casas, quintas, sítios revelam uma classe abastada, mal acomodada, sofrida, arcaica e enraizada à beira d’água.  Um grupo social que perdeu a direção, o propósito de sua existência.  

 

Escritor Piero Chiara (1913-1986)

Escritor Piero Chiara (1913-1986)

 

  

 

 O mistério não chega a se resolver completamente quando terminamos com a leitura do livro.  Claro, há uma morte, uma investigação e a descoberta de como alguns eventos se desenvolveram.   Mas muito ainda permanece misterioso, poderia se dizer encantado na bruma das águas lacustres.   A razão é simples: o mistério é nosso.  É o lado humano que nem sempre conhecemos de alguém, é o imponderável do comportamento humano que ocasionalmente se revela e surpreende.  

 

Sinopse: No verão de 1946, no lago Maior, ao qual o fim da guerra devolveu a esperança e a paz, um jovem e sedutor dom-juan arma seu barco e lança-se de uma margem à outra numa navegação repleta de aventuras galantes.  Em Oggebbio, é recebido por um advogado, dr. Orimbelli, que vive com a esposa, mais idosa que ele, e com a cunhada viúva, Matilde.  Após este encontro desenrola-se nos velhos quartos da villa um enredo que envolve numa espiral, entre policial e erótica, com um ligeiro toque de comicidade, as várias personagens: o equívoco Orimbelli, a ingênua Cleofe, a sensual Matilde, um sobrevivente da guerra da Abissínia, emasculado em conseqüência de ferimentos, que será o deus-ex-machina da solução final.

 

Este livro é uma pequena obra prima.  E se você assim como eu ainda não conhecia Piero Chiara, sugiro que vá ao sebo mais próximo de sua casa e compre um volume deste pequenino romance.  Vale a pena. 

 





Perguntas a Lisa Unger

27 12 2008

 

 

Conversa com Lisa Unger, de seu site:

 

BOOK REVIEW BLACK OUT

Escritora: Lisa Unger

O que de sua experiência nova-iorquina aparece no livro Belas Mentiras?

 

 

O lugar é todo baseado na minha própria experiência vivendo em Nova York.  O apartamento de Ridey é exatamente como me lembro do meu primeiro apartamento na cidade, em East Village.  Ela acena para taxis no mesmo lugar onde eu fazia isso.  Lugares como Five Roses e Veniero’s são lugares reais de que eu gostava.  As ruas por onde ela anda, as paradas do metro, tudo é baseado na minha vida nova-iorquina. Sempre gostei de Nova York, mas foi depois que deixei a cidade que as memórias de sua beleza ficaram mais claras.  

 

 

Ridley é parecida com você ou diferente?  

 

Ridley é mais como eu do que qualquer outro personagem que me visitou; mesmo não sendo exatamente como eu.  Ela é menos experiente e ingênua do que eu e teve uma criação mais perfeita do que a minha, ou pelo menos ela pensava assim.  Ela tem mais medo de compromissos do que eu.  Não sei se eu teria feito as mesmas escolhas que ela, mas muito das observações que ela faz são semelhantes às minhas: suas reflexões sobre a vida, o amor, sexo e o que define uma família são próximas do que eu teria dito, caso essas perguntas me tivessem sido feitas.

 

O que você gosta de ler pelo prazer de ler?

 

Para a maioria dos escritores ler é seu primeiro amor.  Sou uma leitora ávida.  Fui a vida inteira.  Quando virei uma escritora profissional, perdi um pouquinho daquele amor.  Tem sido difícil ultimamente ler ficção sem ser crítica.  Isso quer dizer, estou sempre estudando o que estou lendo, pensando “uhn, aquilo não funcionou…” ou “ por que eu não escrevi isso?”  Sinto falta da maneira como eu lia antigamente, me deixando envolver pelo livro.  Hoje eu sei que se eu me deixo levar pela história que estou lendo um mestre.

 

 

Que escritores mais a influenciaram?

 

Meus escritores favoritos são: Truman Capote, Gabriel Garcia Marquez, John Irving, Ayn Rand, Keri Hulme, Tolstoy, Tolkein …  Se fui influenciada por eles?  Acredito que sim, de alguma maneira, já que seus livros foram os que me inspiraram a me tornar uma escritora.   Foi com livros destes autores que cheguei a conclusão de que se posso ler, se posso imaginar, posso criar estes mundos.  Gosto da combinação do belo com o terrível, a bela tristeza e feia realidade de Capote, o realismo mágico onde o extraordinário, o supranatural existe lado a lado com o mundano em Marquez.  Admiro a loucura e a profundeza de emoções humanas em Irving, o brilhante e épico panorama de Rand.  Não poderei nunca me comparar a esses titãs.  Os seus talentos são uma forma de inspiração para a vida inteira.

Em 2008, a Arx publicou o livro Verdade Roubada da mesma autora que continua com a vida e as escolhas feitas por Ridley Jones, principal personagem do livro Belas Mentiras.

 

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 Após sofrer o impacto da perda de Max, o tio que acaba se revelando seu pai biológico, a jovem Ridley Jones precisa encarar os fatos – a vida que construiu se sustentou em mentiras. E, para ser feliz, ela precisa desmascarar cada uma das pessoas com quem convive e encontrar respostas para os mistérios impostos pelo destino. Para isso, Ridley conta com suas habilidades como jornalista e com os recursos do cyber-espaço. Numa página codificada da internet, pode haver a pista mais importante. Ao voltar para suas raízes, a solução pode aparecer.

 





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

27 12 2008

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Praia de Copacabana,  Rio de Janeiro





Imagem de leitura — Charles Courtney Curran

23 12 2008

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Retrato de Dolly, 1909

Charles Courtney Curran, EUA, (1861-1942)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

Charles Courtney Curran, EUA, (1861-1942), nasceu em Harford, Kentucky em 1861.  Mudou-se para Ohio em 1881, onde estudou por um ano na Escola de Design de Cincinnati.  Em 1882 começou sua carreira brilhante depois de mudar para Nova York e de se increver na National Academy de design.    Ambicioso, vai para Paris, para estudar com Benjamin Constant, Jules Joseph Lefebvre e Henri Lucien Doucet, na Académie Julien.  Quando retorna aos EUA, o pintor ensina no Instituto Pratt em Nova York.  É considerado o mais influente  pintor na retomada da pintura de gênero nos EUA e um dos introdutores do impressionismo no país.

 

 

 

 

 





Evitando acidentes X

23 12 2008

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Empurrar o amigo na fila, nem pensar.

Será que não dá para esperar?





Um ano de novas amizades que perdurarão…

22 12 2008

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Recebi este belo cartão virtual, desejando um Feliz Natal de uma das amigas que fiz em 2008: Cris Rose.  Nesta árvore estão alguns, mas não todos, os amigos que fiz no último ano.  Em outubro/novembro de 2007 comecei a participar deste grupo de leitores, que fazem parte da comunidade do LIVRO ERRANTE.  A maioria está no Brasil, ainda que tenhamos alguns membros fora do país.   Somos ao todo, um pouco mais de 275 leitores ativos.  Muito ativos.  Todos procurando bons livros, sugerindo títulos, emprestando-os e sempre prontos para discutí-los.  A princípio não nos conhecemos.  Não da maneira tradicional.  Em pessoa.  Somos amigos virtuais.  E, no entanto, muitas dessas amizades já passaram para o nível pessoal, em 3-dimensões mesmo, pessoalmente, em encontros dentro das maiores cidades do Brasil.  Para mim, este intercambio, tem sido um presente constante e duradouro, sem desapontamentos.   [Ah, isso sim, é uma raridade!] O que nos une?  O prazer de ler; o prazer de se encontrar alguém que goste de ler; o prazer de falar de livros de que gostamos; o prazer de trocar idéias, conhecimentos, opiniões.  O prazer das novas amizades!  Como temos a leitura em comum, e como também escolhemos entrar para o grupo por vontade própria, há já bastante em comum entre os membros para que possam ser  bons amigos.  Mas há mais que isso.

 

A comunidade do LIVRO ERRANTE por si só, sem auxílio governamental, sem incentivo nenhum, a não ser o de saber que a leitura é essencial para o bom desempenho escolar, abraçou em 2007 duas escolas no Brasil que careciam de livros, e através das doações de livros dos membros da comunidade, cada escola, uma na Paraíba a outra no estado de Minas Gerais, pode começar a desenvolver uma pequena biblioteca infantil.  Trata-se de uma parceria entre as diretoras e professoras destas escolas e os membros da comunidade.  Até o fim do ano postarei aqui um artigo sobre este trabalho fenomenal levado adiante pela organizadora do LIVRO ERRANTE, Regina.  

 

Mas hoje, por causa desta bela árvore de Natal que recebi como cartão virtual com as fotos de alguns dos participantes da comunidade vou simplesmente relacionar os livros mais marcantes dos que li através da comunidade e os livros que emprestei para membros da comunidade lerem.  Acredito que isto dê uma idéia da variedade de tópicos e de interesses.

 

Livros que li este ano emprestados por outros membros da comunidade:

 

A história do rei transparente – Rosa Montero

Este é meu corpo – Filipa Melo

A trégua – Mário Benedetti

Memorial de Maria Moura – Rachel de Queiroz

Ulysses entre o amor e a morte – O G Rego de Carvalho

Somos todos inocentes  O G Rego de Carvalho

Um homem de palavra – Nazir Hamad

O amor nos tempos do cólera – Gabriel Garcia Marquez

Manhã Transfigurada – Luiz Antônio de Assis Brasil

O Quatrilho – José Clemente Pozenato

O castelo de vidro – Jeanette Walls

A doçura do mundo – Thrity Umrigar

Nhô Guimarães – Aleilton Fonseca

O retrato do rei – Ana Miranda

Vende-se um vestido de noiva – Denise Assis

A última quimera – Ana Miranda

A máquina de xadrez – Robert Löhr

Escuridão na clareira – Miguel Reale Júnior

Novelário de Donga Novaes – Autran Dourado

 

Ainda li outros livros de mistério de autores brasileiros, incluindo Garcia-Roza, Tony Bellotto, e outros, assim como um número bem maior de escritores de origem africana que escrevem em português.   Li muito mais livros, mas estes foram os que ficaram marcados.  Estes foram os de que mais gostei. 

 

 

 

Livros que emprestei para os membros do LIVRO ERRANTE no ano de 2008 – sem ordem específica

 

O Nariz de Pasquale – Micahel Rips
A elegância do Ouriço – Muriel Barbery
Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares
A casa do pó – Fernando Campos
O pescoço de Audrey Hepburn Alan Brown

O homem que colecionava manhãs Liberato Vieira da Cunha

As viúvas das quintas-feiras – Cláudia Piñeiro
Mentiras no Divã – Irvin D, Yalom
Pequenas Infâmias – Carmen Posadas
Paixão Índia Javier Moro
Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios – Marçal Aquino
A Peste — Camus
Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro
Mademoiselle Fifi – Guy de Maupassant
em francês
Blood of Victory – Alan Furst,
em inglês
Kingdom of Shadows – Alan Furst,
em inglês
Dark Star – Alan Furst,
em inglês
Night Soldiers Alan Furst,
em inglês
Informações sobre a Vítima – Joaquim Nogueira
Cabeça do Lobo – J K Mayo
Entre o Lobo e o cão – Julieta Godoy Ladeira
Lobo do planalto – Paulo Dantas
Terra dos lobos – Jack London
O cachorro e o lobo  Antônio Torres
O lobo da estepe Herman Hesse
O lobo do mar Jack London
O último lobo dos Cárpatos — Heinz G. Konsalik
O verão do lobo vermelho – Morris West
Um lobo solitário – Graham Greene
Mulheres viajantes do Brasil (1764-1820) – ed.  Jean Marcel Carvalho França
O testamento do Sr. Napumoceno – Germano Almeida
O vendedor de passados – José Eduardo Agualusa

A casa de papel – Carlos Maria Dominguez

O sussurro da mulher baleia – Alonso Cueto

O despertar – Kate Chopin

Porno Política – Arnaldo Jabor

Na multidão – Luiz Alfredo Garcia-Roza

Restless – William Boyd – em inglês

Le silence de la mer – Vercors – em francês

Dias Pássaros – Stella Leonardos

A viúva Simões – Júlia Lopes de Almeida

Bom dia Camaradas – Ondjaki

Os da minha rua — Ondjaki

Senhora das savanas – Hilton Marques

Rakushisha – Adriana Lisboa

A catedral do mar – Ildefonso Falcones

 

Minha participação no LIVRO ERRANTE foi uma das coisas mais positivas que fiz nos últimos anos.  Obrigada a todos os envolvidos por esta experiência ímpar!





NATAL — poema de Mauro Mota

21 12 2008

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Grandes Horas de Ana da Bretanha

Bibliothèque nationale de France

Cota: Lat. 9474

Data: c. 1503-1508

Tamanho: 305 x 200 mm

476 páginas iluminadas com 49 miniaturas a toda página

337 iluminuras marginais com plantas, insectos e pequenos mamíferos

Pintor: Jean Bourdichon

Lugar de origem: Tours

Escrito em Latim

 

 

Natal

 

                               Mauro Mota

 

 

Natal antes e agora

imutável.  Feliz

noite branca sem hora

no pátio da Matriz.

 

 

Natal: os mesmos sinos

de repiques iguais.

Brinquedos e meninos,

Natal de outros natais.

 

 

A Banda, vozes, passos

da multidão fiel.

Tudo nos seus espaços,

o mundo e o carrossel.

 

 

Tudo, menos o andejo

homem que se conclui.

Olho-me e não me vejo,

não sei para onde fui.

 

 

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Editora Leitura: 1968, Rio de Janeiro

 

 

 

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.

 

Obras:

 

Elegias (1952)

A tecelã (1956)

Os epitáfios (1959)

Capitão de Fandango (1960, crônica)

O galo e o cata-vento, (1962)

Canto ao meio (1964)

O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)

Poemas inéditos (1970)

Itinerário (1975)

Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)

Pernambucânia dois (1980)

Mauro Mota, poesia (2001)

Antologia poética, 1968

Antologia em verso e prosa, 1982.

 

 





O mundo dos livros nos EUA preocupado: editoras e livrarias.

20 12 2008

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Biblioteca, 1949

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)

Óleo sobre tela

As grandes casas editoriais nos EUA tais como a Random House estão em pleno processo de cortar seus orçamentos, de cortar o número de empregados e estão também em processo de re-estruturação organizacional.  A Houghton Mifflin Harcourt parou de adquirir manuscritos para o resto do ano.  

 

O mundo editorial ainda está tentando absorver as más notícias do início do mês quando foi anunciado que diversas editoras começaram a despedir seus empregados e congelar os salários daqueles que permaneceram com estas companhias.  Tudo isso está acontecendo em pleno período natalino, responsável por 25% de todas as vendas do ano para as editoras.  

Ninguém pensou que as editoras fossem passar pelo período de declínio econômico no país sem sofrerem algumas conseqüências.   Mas quando as mudanças na Random House foram anunciadas no mesmo dia em que a Simon & Schuster e a companhia de publicações cristãs de Thomas Nelson, anunciaram também redução do quadro de empregados dessas companhias, o setor editorial dos EUA levou um choque,

Mesmo tomando conhecimento dos problemas da economia, a maioria das pessoas no mundo editorial ainda mantinha um enfoque otimista.  Livros, eles sabem de outras crises econômicas, são à prova de recessão, porque são baratos.  Pelo menos é este um dos princípios em que a indústria editorial americana sempre acreditou.  

Mas Larry Robin,  dono da livraria Robin’s Book que está no ramos desde 1960 não acredita que se possa acreditar mais nisso.  No mundo de hoje, livros já não são tão baratos.  Com o computador, com os Ipods, você consegue todo tipo de entretenimento barato.  Sua livraria que existe  no centro da cidade da Filadélfia desde 1936 está também fazendo uma re-estruturação.  Vai deixar de vender livros novos e se transformar num sebo.   Era uma questão de poder ficar ainda neste ramo por mais um ano.  Mas, não vejo futuro nisso.  Não vejo a economia melhorar em tão pouco tempo.   E tampouco vejo o modelo econômico de comércio a varejo como nós conhecíamos, voltando. 

Livrarias independentes há muito tempo que estão com dificuldades de sobrevivência nos EUA.  Sofrem desde que apareceram as grandes cadeias que compram muitos volumes, conseguem descontos das editoras e revendem com uma margem muito menor do que a necessária para que uma livraria independente sobreviva.   Mas hoje em dia, até as grandes cadeias de livrarias, tais como  Costco, Barnes & Noble, Borders e Books-a-million estão vendo suas vendas diminuindo, graças à concorrência das vendas on-line de companhias como a Amazon.

 

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Este artigo é uma tradução liberal do artigo do site da NPR,  National Public Radio, em Washington DC.

Para ler este artigo da NPR na íntegra, clique AQUI.

 

 

 

 





Festival de Luzes: a outra festa de dezembro

20 12 2008

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O Festival de luzes, sd

Diane Fredgant

seda pintada à mão

 

 

Daqui a dois dias, no dia 22 de dezembro, o Hanucá, ou a Festival das Luzes do calendário de festas judaico, será celebrado  É uma festa sempre em dezembro, a data variando de ano para ano que dura por oito dias.  Nestes dias comemora-se a vitória de Israel na primeira batalha pela liberdade religiosa de que se sabe.  A festividade começa com o acender das velas antes do pôr do sol.  A seguir, canta-se a canção ‘Maóz Tsur’.  Depois come-se os deliciosos ‘sonhos’,  recheados com geléia e conta-se  histórias, tudo à luz das velas de Hanucá.

 

O que é Hanucá?

 

Hanucá é a celebração anual da sobrevivência espiritual dos judeus.    Em 167 A .E.C., o imperador greco-sírio Antióhus resolveu destruir o Judaísmo banindo três mitsvót: o Shabat, a Santificação do Novo Mês (estabelece-se o primeiro dia do mês pelo testemunho de duas pessoas que viram o nascer da lua nova) e o Brit Milá, que é a a entrada dos meninos no Pacto de Avraham, através da circuncisão.

 

Shabat: significa que Deus é o Criador.  E é ele que mantém o Universo, que a Sua Torá é o ‘mapa’ da criação, contendo os seus significados e valores.

 

Santificar o Novo Mês: serve para determinar a data dos Feriados Judaicos. Sem isto seria o caos. Por exemplo, Sucót cai no 15º dia de Tishrei. O dia em que isto ocorrerá depende da declaração do primeiro dia de Tishrei.

 

Brit Milá é o símbolo do nosso pacto especial com o Todo-Poderoso. Todos os três mantêm a nossa integridade cultural e eram, portanto, uma ameaça à Cultura Grega.

 

 

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Matitiáhu e os seus 5 filhos, conhecidos como os Macabeus,  em 168 A.C., comandaram um pequeno e inspirado exército de judeus contra o poder esmagador de seus opressores sírios numa luta de morte pelo direito de adorar a Deus à própria maneira tradicional.

 

Em três anos eles conseguiram expulsar os opressores de Israel. A vitória foi um milagre Tendo conseguido recuperar o controle do Templo Sagrado, em Jerusalém, desejaram colocá-lo em funcionamento imediatamente. Precisavam de azeite de oliva, ritualmente puro, para reacender a Grande Menorá do Templo. Porém, somente um frasco de azeite foi encontrado intacto, suficiente para queimar por apenas um dia, no entanto, precisavam de uma quantidade que durasse oito dias, até que o novo azeite, ritualmente puro, pudesse ser produzido. Um milagre ocorreu e aquele azeite, suficiente para um só dia, ardeu por 8 dias.

 

Esta é uma história de bravura e de encantamento  que encheu com justificável orgulho muitas gerações de judeus. Todavia, a tradição judaica hesitou em transformar um triunfo militar numa celebração religiosa. Pois embora a Bíblia considerasse justas algumas guerras, não permitia associar ao culto o derramamento de sangue humano. Ao rei David, um dos maiores heróis do Judaísmo, não foi permitido construir o Templo, porque sua vida fora dedicada aos feitos guerreiros.

 

 

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O simbolismo desta festa é completamente devotado a referências militares. As velas são acesas durante oito noites consecutivas por qualquer um dos pais (algumas famílias permitem às crianças terem a sua vez) numa menorá especialmente planejada para a Festa das Luzes.

 

Daí as velas de Hanucá (ou recipientes com azeite de oliva) serem acesos por oito dias.  Um no 1º dia, dois no 2º, e assim por diante. A primeira vela é colocada no lado direito da menorá e, a cada dia, uma nova vela é acrescentada imediatamente à sua esquerda. Acende-se uma vela na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante até que todas as oito se acendam, Uma vela adicional, denominada shamash, é acesa ao mesmo tempo, a fim de ser usada para acender as outras. Em tempos idos sugeriu-se que a ordem fosse invertida: oito velas acesas na primeira noite, sete na segunda, etc. Mas os Rabis da Escola de Hilel se apegaram ao processo que agora se fixou, para refletir a fé de Israel num futuro mais brilhante.

 

A vela extra também foi dotada de um significado especial. A chama se entrega para criar uma chama adicional sem nada perder do seu próprio fulgor. Assim o homem dá de seu amor aos seus semelhantes sem nada perder de si.

 

Na primeira noite recita-se três brahót e duas nas noites seguintes. Acende-se a vela sempre a partir do lado esquerdo (a vela do dia), seguindo em direção ao lado direito da menorá. A menorá deve ter todos os seus ‘braços’ alinhados e na mesma altura. A tradição Ashkenazi é que cada homem acima de 13 anos acenda a sua própria hanukiá, enquanto que a tradição Sefaradi é acender uma única hanukiá por toda a família. As bênçãos podem ser encontradas no Sidur, o livro de preces.

 

Mesmo sendo permitido acender as velas dentro de casa, é preferível acendê-las onde outros possam ver as suas chamas, para divulgar o milagre de Hanucá. Em Israel, muitas pessoas acendem as velas do lado de fora das casas, em caixas de vidro ventiladas feitas especialmente para se colocar a menorá.

 

 

 

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Mosaico Romano da Menorá, 300-500 AC

Artista desconhecido

Encontrado em Tunis, Tunísia

57 x 89.5cm

Museu do Brooklin, Nova York.

 

 

 

Antes do século XX, o Hanucá era um feriado relativamente menor. Contudo, com o crescimento do Natal como o maior feriado no Ocidente e o estabelecimento do estado moderno de Israel, o Hanucá começou a servir crescentemente tanto como celebração da restauração da soberania judaica em Israel e, mais importante, como um feriado para se dar presentes voltado para a família em Dezembro que poderia ser um substituo judaico para o feriado cristão.

 

É importante notar que a substituição pelo Natal não é universalmente aceito, e muitos judeus não tomam parte nesta significação extra naquilo que eles consideram um feriado menor. Crianças judias, primariamente entre os Ashkenazim, também jogam um jogo onde eles giram um pião de quadro faces com letras hebraicas chamado de dreidel (סביבון sevivon em hebraico) .  O dreidel, um pião com quatro lados, tendo as letras hebraicas Nún, Gímel, Hêi e Shín (as iniciais de Nês Gadól Hayá Shám: Um Grande Milagre Aconteceu Lá em Israel.  Este  é o jogo tradicional.  Nos tempos da perseguição, quando estudar Torá era proibido, os judeus estudavam escondidos e, quando os soldados gregos vinham investigar, rodavam o dreidel e fingiam estar apostando.  As regras: Nún – ninguém ganhou; Guímel – o que rodou leva tudo; Hêi – o que rodou leva a metade; Shín – o que rodou tem que ‘colocar na mesa’ o equivalente ao que foi apostado. Ganha quem acumular mais fichas no menor tempo!

 

Este artigo usa e abusa de informações em diversos locais da internet, mas principalmente dos seguintes:

Lugar 1

Lugar 2