Imagem de leitura: Jean-Honoré Fragonard

1 09 2009

Jean-Honore-Fragonard, Retrato de jovem, tb conhecido como O estudo, 1769, ost,82x66 Louvre

Retrato de jovem, ou O estudo, 1769

Jean-Honoré Fragonard  (França, 1732-1806)

Óleo sobre tela, 82 x 66 cm

Museu do Louvre, Paris

 

Jean-Honoré Fragonard,  (França, 1732-1806),  estudou com François Boucher, que o ajudou a desenvolver o estilo predileto da corte francesa.   Infelizmente com a Revolução Francesa de 1789, Fragonard perdeu toda sua clientela, toda a nobreza que o apoiava.  Juntou todos os seus quadros, saiu de Paris, e voltou para Grasse, sua terra natal, onde foi recebido com carinho.  Aos poucos desenvolveu uma clientela mais modesta mas patriótica.  Passou para a história mais conhecido por suas cenas românticas, cenas frívolas e felizes, representantes do gosto da corte no século XVIII na França, também chamado de período Rococó.  Fragonard foi um excelente pintor, preso numa época de grandes reviravoltas políticas.





Poetas no museu: Raquel Naveira

29 08 2009

venus_velazquez

Vênus do espelho, 1650  [Também conhecida como Vênus Rockeby]

Diego Velázquez  (Espanha 1599-1660)

Óleo sobre tela,  122,5 x 177 cm

National Gallery, Londres.

 

 

Vênus ao espelho

 

[inspirado num quadro de Velazquez]

                       

                                       Raquel Naveira

 

 

Nua,

Reclinada sobre musgo de veludo,

Vênus mira-se ao espelho,

Quadro de cristal polido,

Seguro por Cupido.

 

Adorna os cabelos com violetas singelas,

Morde maçã

E canela,

Acaricia os seios

Que brilham como luas.

 

Toda ela é úmida:

Anêmona de primavera,

Espuma marinha,

Rosa encharcada;

A umidade é o princípio que gera

E fecunda

Criaturas nacaradas.

 

Momento de banho,

De repouso,

De idéia clara;

Contemplar-se

É seu gozo.

Tão atraente,

Tão fora de qualquer limite,

Como vencer essa força dissolvente?

Quem não seria seduzido por ela?

Quem quebraria esse espelho ardente?

Que mortal,

Que divindade defenderia a honra

E a arte? 

 

 

 

 

Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001

 

raquel naveira

 

Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro.  A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.

 Obra:

Via Sacra, poesia, 1989

Fonte luminosa, poesia, 1990

Nunca Te-vi, poesia, 1991

Fiandeira, ensaios, 1992

Guerra entre irmãos, poesia, 1993

Canção dos mistérios, poesia, 1994

Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994

Abadia, poesia, 1995

Mulher Samaritana, 1996

Maria Madalena, prosa poética, 1996

Caraguatá, poesia, 1996

Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996

O arado e a estrela, poesia, 1997

Intimidades transvistas, 1997

Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998

A casa da Tecla, poesia, 1998

Senhora, poesia, 1999

Stella Maia e outros poemas, 2001

Casa e castelo, poesia, 2002

Maria Egipcíaca, poesia, 2002

Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004

Portão de ferro, poesia, 2006

Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007





Imagem de leitura — Jane Tanner

26 08 2009

Jane Tanner, (Melbourne, Australia, contemporânea) Amiguinhos lendo 1992,Amiguinhos lendo, 1992

Jane Tanner ( Austrália 1946)

Técnica mista

 

Barbara Jane Tanner ( Austrália, 1946) Assina Jane Tanner, é uma ilustradora de livros infantis.  Fez a faculdade  na National Gallery School de Melbourne, formando-se em pintura e gravura.  Por muitos anos trabalhou como pintota.  Quando surgiu a oportunidade de ilustrar livros para crianças descobriu uma área de interesse e em 1989 foi reconhecida com o Prêmio de Ilustração do Livro do Ano [Children’s Book of the Year Award], patrocinado pelo Conselho de Livros Infantis da Austrália.  O prêmio foi dado pelas ilustrações de Drac e o Gremlin, de autoria de Allan Baillie.   Daí por diante foram muitos os prêmios que recebeu por suas ilustrações.  Ainda trabalha até hoje com ilustrações para livros infantis na sua cidade natal de Melbourne.





As Parcas, ou Moiras, temidas por todos

24 08 2009

As Parcas, 1587, Jocob Matham, (Holanda,  1571-1631)Gravura em metal, Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUAAs Parcas, 1587

Jacob Matham ( Holanda 1571-1631)

Gravura em metal

Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

 

A discussão do livro Um Toque na estrela, de Benoîte Groult,  fica mais interessante quando se sabe quem são as Parcas ou as Moiras.  Assim, antes de postar algumas notas sobre o livro, achei que deveria me lembrar com maior detalhe sobre as Parcas.

As Parcas, [Moiras, em grego], são personagens mitológicas da Grécia antiga.  Mais tarde,  o mito grego foi importado pelos romanos. Na península italiana, elas ficaram conhecidas como Parcae, em português Parcas. 

 

 As Parcas, william-blake, 1795, bico de pena e aquarela sobre papel, Tate Gallery, Londres

As Parcas, 1795

Wlliam Blake (Inglaterra 1757-1827)

Bico de pena e aquarela sobre papel

Tate Gallery, Londres

 

São filhas das Trevas [Érebo] com sua irmã Noite [Nix].   E são três: 

Nona [Clotho] que tece o fio da vida, tecendo os dias,  atua com outros deuses aos nascimentos e partos.

Décima [Lacheisis] cujo nome em grego significa “sortear”, puxa e enrola o fio tecido, calculando seu comprimento, enquanto gira o fuso ou roldana e determina o nosso destino.  É ela a responsável pelo quinhão de atribuições que se ganha em vida.

Morta [Átropos] cujo nome em grego significa “afastar”, corta o fio da vida, determinando o momento de nossa partida. 

 

as parcas, Sampo Kaikkonen (Finlandia) ost

As Parcas, 2008

Sampo Kaikkonem ( Finlândia, contemporâneo)

óleo sobre tela.

 

Nona tem seu nome alinhado aos nove meses de gestação dos humanos.  Nove luas.

Décima tem seu nome alinhado ao nascimento, quando a vida se determina. Dez luas.

Morta tem seu nome alinhado ao momento final da vida terrena.

 

Dizem que até hoje em certas partes da Grécia acredita-se na existência destas entidades. 

As Parcas, 1513, Hans Baldung Green ( Alemanha 1484-1545) xilogravura, Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

As Parcas, 1513

Hans Baldung Green ( Alemanha 1484-1545)

Xilogravura

Museu de Arte do Condado de Los Angeles, EUA

 

Nas artes plásticas estas três personagens são em geral identificadas por três mulheres.  Mas há raros casos em que seres sem distinção de sexo também representam as Parcas.  Em geral elas são representadas fiando, medindo e cortando um fio.  Nona tem o fuso na mão.  Às vezes, mas muito raramente ela tem como atributo uma roca de fiar.  Décima tem uma roldana por onde passa o fio e Morta, a a mais terrível de todas, segura uma tesoura.  Há ocasiões em que Nona segura o fuso e Décima mede com um bastão o fio.  Também com freqüência vemos uma cesta no chão repleta de fusos.   Em geral elas aparecem como personagens numa composição alegórica de grandes proporções, próximas à imagem da Morte, um esqueleto com uma foice, que pode ou não estar dirigindo uma carruagem.  [Dictionary of Subjects and Symbols in Art, James Hall)

 John Strudwick, Um fio de ouro,  1885, ost

Um fio de ouro, 1885

John Strudwick ( Inglaterra, 1849-1937)

Óleo sobre tela

 

Observação:

 

Não sou lingüista,  Mas vejo algumas semelhanças lingüísticas que ajudam a memorizarmos os nomes:

Clotho – em grego – para Nona, que tece o fio da vida, deve ser a origem da palavra cloth em inglês, que é significa tecido.

As Parcas também eram conhecidas com Fatas no mundo romano.  Daí certamente:

Fate, em inglês, que quer dizer destino.

Fada em português que é uma entidade que pode influir e transformar o destino da vida humana.

Fado em português que significa destino, sorte.

 

 

 

As Parcas, artista_Ai_Don, caneta

As Parcas, 2008

Ai Don (contemporâneo)

Caneta e “Magic marker” sobre papel.

 

 

As Parcas aparecem freqüentemente na literatura clássica.  A cena da tapeçaria belga, abaixo, representa o 3° tema do poema Os Triunfos, de Petrarca ( Itália 1304-1374), O Triunfo da Morte.

 

as parcas, 1510-1520 tapeçaria belga

As Parcas, 1510-1520

Tapeçaria Belga

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Para ler o poema de Petrarca, com tradução de Luís de Camões, continue na sequência.

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Imagem de leitura — Fernand Léger

21 08 2009

Fernand Léger, (1881-1955) Mulher recostada, Art Institute of ChicagoMulher recostada com livro, 1922

Fernand Léger (França, 1881-1955)

Óleo sobre tela,  64,5 x 92 cm

The Art Institute of Chicago

[Doação da Sara Lee Corporation, 1999]

 

Jules-Fernand-Henri Léger (França, 1881 – 1955), Pintor,  desenhista e gravador.  Estudou arquitetura em Caen a partir de 1897, mudando-se para Paris em 1900. Em 1903 entrou para a Escola de Artes Decorativas, onde freqüentou academias livres e a dedicou-se à pintura.  Depois de conhecer o trabalho de Cézanne,  Léger se dedica à abstração das formas, sendo um dos primeiros artistas a fazê-lo, apesar de manter seu trabalho estritamente figurativo.   Léger é um dos mais importantes artistas do século XX.





Alguns versos memoráveis de Carlos Nejar

19 08 2009

Antonio Bandeira, Leitura, 1948, osmLeitura, 1948

Antônio Bandeira ( Brasil, 1922-1967)

óleo sobre madeira

 

Ainda às voltas com a mudança, hoje me dediquei à organização de papelada.  Re-encontrei a uma seleção – feita há algum tempo —  de gemas dos  versos-pensamento de Carlos Nejar, que selecionei como memoráveis.   Acho que vale a pena lembrá-los.

 

 

Quero locar/ minha ambição/ aos loucos.  [Aluguel]  

Aventura humana: a esperança. / Não há outra couraça/ ou fortuna.  [Aventura]

 O medo rói.  [Ruminação] 

Amar é a mais alta constelação. [Aqui ficam as coisas – XII]

 Todas as minhas raízes estão contigo.  [Aqui ficam as coisas – X]

 É preciso esperar contra a esperança.  [Contra a esperança]

 Bem-aventurados os pássaros,/ as nuvens, as madrugadas.  [ Bem-aventuranças] 

Abram alas,/ que a vida vem chegando. [Cortejo] 

Pássaros somos/ sem o menor retorno. [ Alforria] 

Só a loucura nos salva/ onde a razão lança as redes.  [Derrubada] 

Levo esta vida/ ou esta morte/ sem cobrar frete/ ou transporte.  [Carregamento] 

O homem se reconhece/ mesmo sem identidade.  [Espelho]

 Sobretudo nos tropeços, / o homem se reconhece.  [ Espelho]

 Entupimos/ o pensamento/ com a mania de pensar.  [Rasante]

 Os dias / são caminhos ou rodízios. [Freqüência]

 

Em: Três livros: árvore do mundo & o chapéu das estações & o poço do calabouço,  Carlos Nejar,  Círculo do Livro, São Paulo, s/d. Páginas: 38, 130, 216, 249, 260, 267, 270, 278, 284, 300,  306, 328, 335.

 

Carlos-Nejar

 

Luís Carlos Verzoni Nejar, também usou o pseudônimo: Verne de Luca ( RS, 1939) Poeta, tradutor, diplomado em direito (1962), procurador da justiça, membro da ABL (1989), prêmio Jorge de Lima – INL (1970), Fernando Chináglia – UBE (1974), Luísa Cláudio de Sousa – Pen Clube Brasil (1977).

 

 Obras:

50 Poemas Escolhidos pelo Autor, 2004  

A Chama é um Fogo Úmido: Reflexões sobre a Poesia Contemporânea,  1994  

A Engenhosa Letícia do Pontal , 2003  

A Espuma do Fogo, 2002  

A Formiga Metafísica,  1987  

A Genealogia da Palavra,  1989  

A Idade da Aurora,   1990  

A Idade da Noite  2002  

Amar, a Mais Alta Constelação  1991  

Aquém da Infância  1995  

Arca da Aliança  1995  

Árvore do Mundo  1977  

As Águas que Conversavam  2003  

As Uvas e o Vento  2004  

Caderno de Fogo  2000  

Canga  1971  

Carta aos Loucos  1998  

Casa dos Arreios  1973  

Cem Sonetos de Amor  1999  

Cinco Poemas Dramáticos  1983  

Danações  1969  

De “Sélesis” a “Danações”  1975  

Eduardo Portella : Ação e Argumentação : Trinta Anos de Vida Intelectual  1985  

Elza dos Pássaros ou A Ordem dos Planetas  1993  

Era um Vento muito Branco  1987  

Escritos com a Pedra e a Chuva: Entre a Poesia e a Ficção  2000  

Ficções  1972  

Jerico soletrava ao Sol  1986  

Livro de Gazéis  1984  

Livro de Silbion  1963  

Livro do Tempo  1965  

Memórias do Porão  1985  

O Campeador e o Vento  1966  

O Chapéu das Estações  1978  

O Elogio da Sombra  1971  

O Evangelho Segundo o Vento  2002  

O grande vento  1998  

O Livro do Peregrino  2002  

O menino-rio  1984  

O Pai das Coisas  1985  

O Poço do Calabouço  1974  

O Selo da Agonia : Livro dos Cavalos  2001  

O Túnel Perfeito  1994  

Ordenações  1969  

Ordenações  1971  

Os Dias Pelos Dias  1997  

Os Sobreviventes  1979  

Os Viventes  1979  

Riopampa  2000  

Sélesis  1960  

Simón Vento Bolívar  1993  

Somos Poucos  1976  

Sonetos do Paiol: ao Sul da Aurora  1997  

Todas as Fontes Estão em Ti  2000  

Tratado de Bom Governo  2004  

Ulalume  2001  

Um Certo Jaques Netan  1991  

Um País, o Coração  1980  

Vozes do Brasil: Auto de Romaria  1984  

Zão  1988

 

—-

 

Antônio Bandeira, ( Fortaleza 1922-Paris 1967) Desenhista, gravador e pintor.

Autodidata.  Trabalhou com Clidenor Capibaribe, o Barrica e Mário Barata que o orientaram no inicio de sua carreira. Em 1944 fundou a «Sociedade Cearense de Belas Artes», com Inimá de Paula, Aldemir Martins, João Maria Siqueira e Francisco Barbosa Leite, entre outros.  Ganhou bolsa de estudos na França (1946-1950) pela exposição no Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro e freqüentou a Escola Superior de Belas Artes e a Académie de La Grande Chaumière.  Passa então de pintor figurativo a pintor abstrato.





Os Arcos da Lapa, por um visitante em 1807

18 08 2009

Arcos da Lapa, Heitor dos Prazeres,(1898-1966), ost, 1964, Samba nos Arcos da LapaSamba nos Arcos da Lapa, 1964

Heitor dos Prazeres ( Brasil 1898-1966)

Óleo sobre tela

 

Às vezes um assunto fica na cabeça da gente, como um refrão de música popular que não conseguimos esquecer.    Foi isso o que aconteceu comigo e Os Arcos da Lapa.  Para me exorcizar volto ao assunto, 24 horas mais tarde.    Passei a tarde a procura de um ou dois textos que me lembrava ter lido, mas não sabia onde.  Bem aqui está um deles. 

 

Texto do visitante James Hardy Vaux, no Rio de Janeiro em 1807:

 

Tendo mencionado as fontes públicas – em grande número nesta cidade – não posso deixar de descrevê-las.  Em razão de haver poucas nascentes no Rio de Janeiro, a água é coletada no pico de uma elevada montanha e conduzida à cidade por um majestoso aqueduto, que atravessa um vale de muitas milhas de distância.  Ao chegar à urbe a água é distribuída pelas fontes situadas nas ruas principais.  Essas fontes, todas muito bonitas, são construídas em pedra e contam com uma grande cisterna para armazenar a água.  Essa escoa daí por umas bicas de metal fundido, muito bem trabalhado, que têm a forma de bicos de ganso, de pato e de outras aves.

 Em: Outras visões do Rio de Janeiro Colonial 1582-1808; antologia de textos, editado por Jean Marcel Carvalho França, Rio de Janeiro, José Olympio: 2000,  p. 305

 

Thomas Ender Chafariz do Largo do Moura

Chafariz do Largo do Moura, Rio de Janeiro, 1817

Thomas Ender (Áustria 1793-1875)

aquarela





Os Arcos da Lapa no Rio de Janeiro

17 08 2009

Lucia de Lima, arcos da lapa, acrílica sobre tela,Os Arcos da Lapa,  2005

Lúcia de Lima ( Brasil, contemporânea)

Acrílica sobre tela

Coleção Particular

 

 

As notícias de hoje me levaram aos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro.  Um acidente com o bondinho de Santa Teresa me fez pensar como seria triste a vida nesta cidade sem o bondinho passeando por cima dos Arcos da Lapa, um dos locais mais interessantes e atraentes do Rio de Janeiro.   

Este não é só o símbolo da Lapa, tradicional bairro boêmio da cidade.  Mas um símbolo do Rio de Janeiro.   É,  sem dúvida,  uma das primeiras obras grandiosas da cidade.  Com o passar dos séculos obras gigantescas quase se tornaram lugar comum na cidade, com governantes derrubando morros, fazendo aterros, perfurando montanhas de granito para abrirem longos  túneis urbanos.  Tudo de um gigantismo, de uma grandiosidade, raramente igualadas em qualquer outro lugar do mundo.   

 

arcos da lapa1

 Lagoa do Boqueirão com o Aqueduto da Carioca ao fundo

Leandro Joaquim ( Brasil, c. 1738 – c. 1798)

óleo sobre madeira, originalmente para um dos Pavilhões do Passeio Público.

Museu Histórico Nacional,  Rio de Janeiro

 

 

Os Arcos da Lapa estão entre as primeiras grandes interferências arquitetônicas no Rio de Janeiro.  É a obra de maiores dimensões e maior impacto do período colonial.  Seu nome original — Aqueduto da Carioca — quase explica  sua função.  Essa construção de pedra e argamassa, em estilo romano, com dupla arcada,  42 arcos e óculos, edificada nos anos entre 1744 e 1750, trazia para o centro da cidade as águas do Rio da Carioca.

Mas por incrível que pareça, estes não foram os primeiros arcos construídos como parte do Aqueduto da Carioca.  Os  Arcos que conhecemos hoje, vieram para substituir os Arcos Velhos.  Os primeiros arcos do Rio de Janeiro foram decididos por ordem régia de 1672.  Mas só foram inaugurados em 1723,  junto com o Chafariz da Carioca.  Sua função como a dos Arcos que vemos hoje na cidade era trazer as águas do Rio da Carioca até o Largo da Carioca.   Esta obra,  bastante ambiciosa,  só começou a tomar forma no governo de Ayres de Saldanha [ e Albuquerque] (1719-26).  Mas seu traçado repleto de curvas mostrou-se imprático, sem resistência, chegando às ruínas com grande rapidez.

Foi no governo de Gomes Freire de Andrade,  último governador do Rio de Janeiro (1733 a 1763) — antes de ser criado o Vice-reinado –, que  o Aqueduto da Carioca, que hoje conhecemos, foi construido e inaugurado.

 

eletrificação do bonde_arcosOs arcos, no finalzinho do século XIX, quando os bondes foram eletrificados, 1896.

 

No final do século XIX o sistema de adução das águas do Rio da Carioca tornou-se obsoleto e o aqueduto foi desativado.  Eis que surge, então,  em 1896, a oportunidade de transformar tamanha construção em rota para o bonde elétrico, servindo assim aos moradores do bairro de Santa Teresa.  

 

O bairro possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil.  A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896.  E  aproveitou a construção colonial como via de acesso ao bairro. Por ter sido feito onde corria o aqueduto, os bondes de Santa Teresa trafegam usando uma  bitola especial, bastante estreita,  de 1,10m.

 

Arcos-da-Lapa-1925

Os Arcos da Lapa, Cartão Postal, 1925.





Uma discussão sobre a leitura: O Papa-livros chega ao blog

12 08 2009

Ivan Chichelanov (Rússia 1920) aquarela 1977-1Banho de sol com leitura, 1977

Ivan Chichelanov (Rússia, 1920)

Aquarela

 

Hoje abri outra página neste blog: Papa-livros, um clube de leitura: ler, comer, falar

 

A intenção é tornar publica a opinião geral do grupo de leitura Papa-livros, que eu coordeno, sobre o livro que discutimos.  Na página explico como o grupo começou e dou a lista dos livros lidos no curso de mais de cinco anos.  Nessa lista, grifei em azul os livros de que mais gostei.  O meu gosto não reflete completamente o gosto do grupo.  Mas é difícil lembrar agora como foi que as pessoas reagiram há algum tempo atrás.  Fica aqui o convite para a leitura do mês de agosto:

 

um toque na estrela, benoite groult

 

Um toque na estrela de Benoîte Groult, Rio de Janeiro, Record: 2009.  218 páginas.

 

O encontro do Papa-livros será dia 23 de agosto.  E nenhuma discussão sobre o livro será publicada até lá.

 

Bem-vindos.





Imagem de leitura — Gad Frederik Clement

10 08 2009

Gad_Frederik Clement,( Dinamarca, 1867-1933)Childrens_PastimesPassatempos das crianças, 1905-1910

Gad Frederik Clement ( Dinamarca 1867-1933)

Óleo sobre tela

 

Gad Frederik Clement, ( Dinamarca 1867-1933).  Cursou a Real Escola de Belas Artes entre 1885-1892.  Até  1892 estudou com L. Tuxen e Frans Schwartz.    Seu trabalho inicialmente mostra grande influência do simbolismo e do impressionismo francês.  Viajou bastante pela França e mais tarde pela Itália onde se tornou um grande apreciador da arte renascentista.  Um artista talentoso.  Adotou inicialmente um estilo bastante simbolista, influenciado pelo que acontecia na França, tornando-se um dos primeiros pintores simbolistas da Dinamarca.  Aos poucos foi misturando outras influencias ao seu trabalho, sobretudo depois do conhecimento pessoal da arte pré-renascentista.  Já em 1900, na virada do século, passa a um estilo mais naturalista pintando principalmente retratos e paisagens.