Imagem de leitura — Piero di Cosimo

5 08 2009

Piero di Cosimo (1462-1521) Madona com Menino lendo, 1485-1490,osm, 83 x 56 cm Konigliche Sammlung. estocolmoMadona com Menino Jesus lendo, 1485-1490

Piero di Cosimo ( Itália, 1462-1521)

Óleo sobre madeira, 83 x 56 cm

Museu de Belas Artes de Estocolmo, Suécia

 

Piero di Cosimo —  Nasceu em Florença, entre 1461-1462, com o nome de batismo de Piero di Lorenzo.  Estudou com Cosimo Rosselli e sob a direção deste professor assistiu-o em algumas pinturas da Capela Sistina. Daí o seu nome, Piero di Cosimo.   Ficou conhecido pelo seu caráter excêntrico e por suas pinturas mitológicas.   Bastante influenciado por Leonardo, Lucas Signorelli e Filippino Lippi.    Talvez seja mais conhecido pelo retrato da bela Simonetta Vespucci, do que por qualquer outro de seus quadros.    Grande pintor da Renascença Italiana.





Imagem de leitura — Inha Bastos

30 07 2009

Inha Bastos (Brasil, 1949) Menina lendo, 2008, ost, 50x50

Menina lendo, 2008

Inha Bastos ( Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 50x 50 cm

 

Inha Bastos é o nome artístico da pintora brasileira Maria das Graças Fontes Bastos, nascida em Itabuna,  na Bahia,  em 1949. Formada pela Escola de Belas Artes em Salvador, /UFBA 1970 / 1974.  Adolescente, descobriu sua vocação artística, quando recebeu um estojo de tintas de presente.  Inha Bastos tem participado de exposições coletivas e individuais em diversos estados brasileiros e no estrangeiro. Suas obras fazem parte do acervo de diversas instituições públicas e particulares.. Inha Bastos foi uma das artistas selecionadas para representar o Brasil no “ ano do Brasil na França” e seu trabalho ganhou destaque na imprensa francesa.





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.





Imagem de leitura — Gerard Dou

26 07 2009

gerard dou

Velha senhora lendo, (Retrato da Mãe de Rembrandt), 1630

Gerard Dou ( 1613-1675)

Óleo sobre madeira 71 x 55,5 cm

Museu Rijksmuseum, Amsterdã

 

 

Gerard Dou —  Filho de um gravador e pintor em vidro, Gerard Dou começou sua vida de artista plástico pintando sobre vidro.  Em 1628 começou a estudar com Rembrandt, onde aprendeu a arte dos contrastes de luz, a arte do claro-escuro.   Sua especialidade acabou sendo as cenas iluminadas a luz de vela que o fizeram bastante popular  na Holanda do século XVII.    Pintou principalmente pintura de gênero, em que pessoas são retratadas no seu ambiente do dia a dia.  Ficou conhecido pela meticulosa maneira de pintar, pela acurada precisão da representação de texturas diversas.  Gozou de uma excelente reputação internacional e diversos monarcas europeus colecionaram seus trabalhos.  Morreu em Leiden, onde nasceu, e de onde nunca se sentiu tentado a sair.





Sobre livros e decoração:

2 07 2009

biblioteca 4

 

 

Finalmente!  Estou em processo de mudança.  Agentes imobiliários não acreditavam toda vez que eu dizia: “Este apartamento não serve. Tem armários demais e poucas paredes para colocar estantes para os meus livros. Poucas paredes para os meus quadros.” Levei oito meses procurando minha nova “caverna”.  Poucas foram as pessoas que entenderam o meu dilema:

1 – Preciso sim, deste grande número de livros.

2 – Não, ainda não li todos eles.

3 – Alguns deles jamais serão lidos de ponta a ponta, assim como dicionários, há outros livros que são mantidos pela simples necessidade da referência!

 Então, finalmente, de posse do novo “refúgio”, chamei um marceneiro para remodelar as estantes que cobrem duas paredes do meu atual escritório.  Quero que elas venham a cobrir outras paredes no novo endereço.  E como nenhum espaço é igual a outro, teremos que ajustar as dimensões. 

 É evidente, também, que as estantes que tínhamos já não eram suficientes.  Mesmo depois de oito visitas que fizemos ao sebo mais próximo para “desovar” livros de entretenimento e alguns outros mais, que, como alimento que são para nossas almas, têm data de validade!   Exemplos:  Dude, where´s  my country?  de Michael Moore ou O Mundo é plano de Thomas Friedman. Temos agora que pensar na adição de uma nova estante.

 Como esta nova estante não caberá no próximo escritório hoje passamos um tempinho de manhã, calculando o melhor lugar para a nova adição.  O marceneiro que contratei, que veio com boas recomendações, e cujo trabalho parece satisfatório, achou que poderia dar sua opinião enquanto debatíamos o melhor lugar para as novas prateleiras.  Depois que apontei para uma boa parede da sala, ele pediu desculpas e disse:

 — A Sra. não se incomode, mas vou dar uma opinião, trabalho há 25 anos fazendo armários e estantes, e, se eu fosse a Sra., não colocaria a estante logo nesta parede.  Esta é a parede mais importante da sala.   Não vai ficar bonito, mostrar esses livros todos logo aqui….  Escolha outra parede, menos importante.  Aqui a Sra. deveria colocar um aparador, com um grande espelho…

  

Denyse Klette reading

A lanterna de Kyle, s/d

Denyse Klette (Canadá, contemporânea)

Acrílica sobre tela

60 x 120 cm

 

Tive que contar até 10 antes de responder.  Olhei para meu marido.  Um olhar divertido encheu a sala.  Mudamos de assunto.  E eventualmente escolhemos uma outra parede.  Não foi aquela, mas a parede que meu marido havia originalmente escolhido, logo  na entrada.  Abre-se a porta do apartamento para uma grande estante.  Essa sim, é a arquitetura do meu abrigo. 

Há, é claro, implicações culturais a respeito da opinião do marceneiro.  Que um espelho seja a escolha para a parede principal não é surpresa para a cultura narcisista que adotamos.  Mas achar que livros podem ser feios, é falta de hábito, inclusive, falta de se ver nas casas “chiques” dos programas televisivos bibliotecas que não estejam ligadas a trabalho.  Os móveis-estante, dos programas de TV, das casas de decoração, das revistas de decoração, em geral abrigam alguns volumes e uma escultura; 6 ou 8 volumes e um quadrinho dentro da estante.  São porta-retratos e alguns livros; troféus esportivos e alguns livros;  pratinhos de porcelana em tripés e alguns livros.  São três volumes de arte, do pintor ou do escultor da moda, empilhados ao lado de um vaso com tulipas.  Ou na mesa de centro ao lado de uma curiosa escultura africana de alguma deusa da fertilidade.  Isso é o que passa por “sofisticação” e “ cultura”.  Raramente quem faz as decorações vê em livros – os troféus que são de uma mente em ebulição, de uma idéia genial.  Pena!    Perdemos todos….





Imagem de Leitura: Silvana Cimieri

30 06 2009

silvana cimieri (Italia 1964) O livro Azul, 1994,ost,70x50cm

O livro azul, 1994

Silvana Cimieri ( Itália, 1964)

Óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

Silvana Cimieri tornou-se  assistente e aluna de Lorenzo Alessandri em1987.  Em 1991 participou de sua primeira exposição, uma coletiva na Galeria La Telaccia em Torino.   Dois anos mais tarde, em 1993, Silvana Cimieri passou a estudar com Antonio Nunziante.   Desde então produz regularmente e em suas obras pode-se definir influências e aproximação estética de outros artistas italianos contemporâneos: Aldo Salvatori e Américo Mazzota.  Dona de um estilo próprio Silvana Cimieri continua trabalhando e expondo regularmente.





5 livros do romantismo IV: A escrava Isaura

28 06 2009

Eliseu Visconti, moça no trigal,1913,ost,65x80

Moça no trigal, 1913

Eliseu Visconti ( 1866-1944 )

Óleo sobre tela, 65 x 80 cm

Como postei no dia 3 de maio estou elaborando algumas notas sobre as excelentes informações do Professor Vanderlei Vicente  sobre os 5 livros do romantismo necessários para o vestibular, publicado no Portal Terra.  Meu objetivo é ajudar aqueles que precisam destas leituras: não só a entenderem  um pouquinho mais do romantismo no Brasil, mas conseguirem se lembrar de alguns detalhes das obras mencionadas. O artigo original estará sempre em itálico azul. 

A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães – “Este romance apresenta a trajetória de Isaura, escrava paradoxalmente clara que é perseguida por seu senhor, Leôncio. Após fugir para o Nordeste, Isaura conhece e apaixona-se por Álvaro. O desfecho do romance é mais que feliz: Álvaro liberta Isaura das mãos de Leôncio ao pagar dívidas deste e tomar-lhe os bens. Vale lembrar que a obra obteve importância em sua trajetória por tratar de um tema polêmico para a época: a escravidão”.

 Até hoje, este é um dos romances favoritos do público brasileiro.  Seu sucesso atual não surpreenderia aqueles que testemunharam em 1875 a estrondosa reação do público leitor que se encontrava cada vez mais familiarizado com romances de aventuras num cenário brasileiro. 

 

Carapebus

Solar do Barão de Carapebus, construído em 1846 em Campos dos Goitacazes.  Esta construção seria do tipo de fazenda em Campos, retratado no romance de Bernardo Guimarães. 

A história se passa numa grande fazenda fluminense na cidade de Campos dos Goitacazes.  O romance aparece quatro anos depois da Lei do Ventre Livre.  A escravidão serve mais como impedimento no desenvolvimento do romance, do que como assunto a ser abordado contra ou a favor.  Bernardo Guimarães, joga com a aceitação da mulher de pele clara, como demonstração do preconceito de raça.  Enquanto que a escravidão simplesmente existe.  Há algumas poucas falas de estudantes abolicionistas, mas não são mais do que um aceno, uma batida na aba do chapéu, que Bernardo Guimarães dá ao movimento abolicionista.  A divisão da sociedade, a mostra da irracionalidade da escravidão, estão centradas na cor da pele da escrava.  Bernardo Guimarães remove a  máscara da sociedade brasileira e mostra a falsidade de seus preconceitos.  Realça a fragilidade e a dualidade da posição pró-escravidão, numa sociedade que já se caracterizava como miscigenada.

 Há, no entanto, uma grande novidade:  os cenários do romance não são estáticos.  O leitor correrá o Brasil seguindo o caminho de Isaura, o romance começa na cidade de Campos dos Goitacazes, mas sua linha de ação se move, do Estado do Rio de Janeiro para Recife, no estado de Pernambuco.   

recife-rua victoria, 1890

Recife em 1890, rua Vitória, com bonde puxado a uma parelha de burros.

Bernardo Guimarães é um escritor da chamada segunda geração do Romantismo, e se olharmos com cuidado os textos de seus livros, encontraremos um pendor por algumas características que viriam a aparecer nos escritores do movimento realista, principalmente no retrato da miscigenação da sociedade brasileira e também no retrato do homem e dos costumes sertanejos.

 Também é um escritor com  um grande número de anedotas associadas à sua vida.  A maioria das quais puras inverdades mas que serviam para acentuar algumas de suas mais famosas características e o peculiar de modo de encarar a vida.  Reproduzo aqui duas anedotas encontradas num artigo de Armelim Guimarães, neto do escritor.

 1 –  Em 1925, nas suas “Memórias de João Barriga”, José Avelino registrava este caso, de quando era o poeta professor no liceu de Ouro Preto:

“Examinador, a todos aprovava. Conta-se que, numa feita, um bicho [estudante calouro] estava tão cru em noções de Cosmografia que a reprovação seria inevitável no exame oral. Dois examinadores deram logo nota má, e Bernardo deu ótima. Perguntou-lhe um colega:

– Por que deu ótima, doutor, a um examinando que não soube o ponto?

— Porque eu também não sei.”

 

2 –  … vale lembrar um fato contado por Sousa Ataíde:

“Descia o poeta, certa vez, a rua de sua casa, em companhia de dois amigos, quanto, passando por eles três ou quatro pessoas que caminhavam em sentido contrário, uma delas perguntou-lhe:

– Saberá o cavalheiro informar-me onde mora o escritor Bernardo Guimarães?

“Eram pessoas que desejavam visitá-lo, e que ainda não conheciam. Bernardo, tranqüilamente, apontou a sua residência, e deu prontamente a informação pedida:

— É ali, naquele sobrado, ao alto.

“E continuou a descer  imperturbavelmente a ladeira. O Bretas espantou-se:

— Que é isso, homem! Eles querem te conhecer!

— Perguntaram-me onde eu moro. Dei, acaso, informação errada?, respondeu o poeta.”

 E ao que tudo indica, histórias engraçadas e anedotas diversas são até hoje contadas em Minas Gerias sobre este bem amado escritor mineiro.

***

 A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães,  já se encontra em domínio público.  Para lê-lo, clique AQUI.

 

 

 

bernardo_guimaraes

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (Ouro Preto, MG, 15/8/1825 – Ouro Preto, MG, 10/3/1884). Advogado, juiz, professor, escritor, jornalista, contista e poeta. Bernardo Guimarães é o patrono da Cadeira N.º 5 da Academia Brasileira de Letras.

 

Obras:

Cantos da Solidão, poesia, 1852

Poesias, 1865

O Ermitão do Muquém, romance, 1871

Lendas e Romances, novelas, 1871

O Garimpeiro, romance, 1872

O Seminarista, romance, 1872

Histórias e tradições de Minas Gerais, 1872

O índio Afonso, romance, 1873

A Escrava Isaura, romance, 1875

Novas Poesias, 1876

Maurício, romance, 1877

A Ilha Maldita, romance, 1879

O Pão de Ouro, romance, 1879

Rosaura, a Enjeitada, romance, 1883

Fôlhas de Outono, poesia, 1883

O Bandido do Rio das Mortes, poesia, póstuma, 1905

O Elixir do Pajé, poesias eróticas, s/d impresso às escondidas, raríssimo.

—–

Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.

 Itaú Cultural





Imagem de leitura — Lucília Fraga

25 06 2009

LuciliaFRaga(1895-1979)Leitura,osm,62x46

Leitura, s/d

Lucília Fraga ( Brasil, 1895 – 1979)

Óleo sobre madeira  62 x 46 cm

 

Lucília Fraga (BA, 1895 — SP, 1979) professora, desenhista e pintora brasileira, de estilo figurativo.

 Nascida em Caetité, na Serra Geral, alto sertão da Bahia, mudou-se com a família para Jaú e depois para São Paulo.

 Começou sua formação artística, com Henrique Bernadelli, no Rio de Janeiro e com Pedro Alexandrino e Antônio Rocco, em São Paulo . Suas irmãs Anita e Helena também foram artistas plásticas. Suas obras podem ser encontradas em coleções particulares, alcançando boa cotação no mercado. O Centro Cultural São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo possuem obras suas em seus respectivos acervos.

Sua última exposição foi em Santos, em 1970. Dentre seus ex-alunos destacam-se as artistas Ernestina Karman e Colette Pujol.





1949: a natureza em MG, Francisco de Barros Júnior

21 06 2009

minasgerais, mineraçãodomanganês,eucalol

Estampa Eucalol: Mineração do manganês em Minas Gerais

          No meio do debate sobre desmatamento versus preservação, a semana que passou foi pontuada por palavras do presidente Lula, favorecendo o desmatamento em função de um possível progresso.  Os resultados de planos como esse infelizmente não trazem as benfeitorias sociais de longo prazo tão anunciadas.  Isso já foi demonstrado dezenas de vezes por estudiosos do assunto.  Hoje, esses são discursos difíceis de serem aceitos por qualquer um de nós,  brasileiros, que se importa com o meio ambiente.  É quase inacreditável que mesmo com as conseqüências já bastante conhecidas e  prejudiciais ao planeta, haja líderes eleitos, como os nossos, que ainda defendam o desmatamento.  É um discurso antigo.

          Vale lembrar algumas mudanças que já se fizeram notar no nosso meio ambiente, mudanças que ocorreram através da exploração de minerais, de minério de ferro, de manganês, de ouro, que contribuíram para alguns dos problemas do meio ambiente enfrentados no  Brasil, nos dias de hoje.  Não especifico, aqui, mudanças no meio ambiente através de séculos de exploração, mas das mudanças que ocorreram, nos últimos 50, 60 anos. 

 Transcrevo a seguir, um pequeno texto, publicado em 1949, de Francisco de Barros Júnior para consideração.  

alberto da veiga guignard,Sabará, 1949,osm 38x47,

Sabará, 1949

Guignard (Brasil 1896-1962)

Óleo sobre madeira, 38 x 47 cm

          De um lado, o Paraíba demandando, em saltos e corredeiras através das gargantas da serra, as planícies campistas.  Do outro, a majestosa Mantiqueira coberta de pastagens que substituíram as matas, de onde saíram as caviúnas e jacarandás para as preciosas arcas, mesas e camas entalhadas, que adornavam os lares de nossos maiores, e que nos mesmos lugares há mais de cem anos devem ainda estar nas salas , quartos e alpendres daquela fazenda da margem esquerda, situada a meia encosta.  Com seu pomar onde avultam as enormes mangueiras, com a grande casa senhorial assobradada, ostentando portais e janelas em arco, discretamente velada pelo renque de altíssimas palmeiras imperiais, com os muros do “quadrado” em que viviam os escravos, com as grandes cocheiras e estábulos, os quartos de arreios, os galpões onde talvez ainda durmam poeirentos, os banguês e berlindas ricamente decorados e os amplos terreiros de largas lajes, são um testemunho do fausto em que viviam seus orgulhosos senhores.

          Usando do privilégio de narrador, vamos prosseguir de dia, pois se continuássemos pelo mesmo trem, nada veríamos da terra mineira.  Façamos de conta que, vindos pelo noturno paulista, tomamos em Barra do Piraí o primeiro rápido mineiro, ruma a Belo Horizonte.

          A locomotiva galga lerda e resfolegante os aclives máximos, fazendo-nos mergulhar com freqüência nas trevas de curtos túneis.  A terra é montanhosa, dificilmente se vê uma planície, e o coração dos que pela primeira vez viajam por essas paragens fica constantemente apertado, quando o desengonçado comboio passa em vertiginosa velocidade a cavaleiro de insondáveis abismos…

          Passamos pela linda Juiz de Fora a que seus filhos chamam orgulhosamente de “Manchester Mineira”, e que julgam rival da Capital, pelo seu comércio e convívio social selecionado…  Depois, Palmira, hoje Santos Dumont, em homenagem ao genial patrício nascido em fazenda de seu município.  Cidade pequena e graciosamente espalhada por duas colinas, o que lhe dá um aspecto de mimoso presépio.  È o refúgio das vítimas do cruel bacilo de Koch, graças ao ameno clima de seus novecentos metros de altitude.

          Agora, Barbacena, alcandorada no tope da montanha, e que nos aparece de grande distância, vestida de branco.  À chegada, passamos pelos imponentes edifícios do Patronato Agrícola, de administração federal, onde os barbacenenses vão buscar ótimos legumes, figos, uvas, ameixas, e saborosos caquis.

          Até aqui, a zona pastoril, terra do leite, manteiga e queijos deliciosos.  A seguir mergulhamos no domínio das matérias-primas, por cuja porta – Lafaiete – sai o manganês puríssimo de suas inesgotáveis jazidas.  Intermináveis comboios estão nos desvios, abarrotados desse precioso minério, esperando linha para descer até o Rio, e de lá no bojo de transatlânticos, irão para a América do Norte, endurecer o aço dos canhões e das couraças…  Sobre diversas colinas íngremes, à nossa direita, está Congonhas do Campo, em cujas igrejas se perpetuou o gênio do Aleijadinho, essa tosca encarnação de Miguel Ângelo, arquiteto, pintor e escultor.

          Pelas estradas marginais, trotam em fila dezenas de cargueiros carregados de carvão vegetal para alimento dos altos fornos de Itabirito, que, na penumbra da tarde, lançam para o céu o fogacho rubro de suas entranhas, de onde escorre o ferro moldando-se em lingotes, que irão para a insaciável indústria paulista.

          As necessidades da siderurgia vêm devastando as matas há muitos anos, e de longe deve estar chegando esse carvão.  Os caçadores dessa zona têm de ir a grandes distâncias para encontrar codornas e perdizes, afugentadas com as plantações de capim gordura, em cujo meio não podem viver.

          É noite fechada, e a poderosa iluminação da capital projeta-se contra nuvens baixas, localizando-a a muitos quilômetros.

          Os apressados despem o guarda-pó ainda muito em uso nesse Estado, reúnem embrulhos e malas que arrumam sobre os bancos, e muito antes de chegar à plataforma, já estão com meio corpo fora da janela chamando pelos carregadores, na ânsia de serem os primeiros a desembarcar.  Demoro-me bastante para retirar a bagagem despachada, e minha atenção vai para um carrinho que roda em direção a um vagão de bagagem, especial, ligado ao noturno, já pronto para descer rumo ao Rio.  Cercam-no cinco ou seis soldados e vários sujeitos carrancudos com ares de ferrabrazes de opereta.  Nele, vão quatro ou cinco caixotes fortemente arqueados e lacrados, e sou rudemente afastado por um dos referidos capangas, quando pretendo aproximar-me do misterioso cortejo…  È meia tonelada de ouro puro em lingotes, produto de todo um mês de trabalho nas minas de Morro Velho, destinados aos cofres do Banco do Brasil.  Deixa o ilustre itinerante sua obscura morada onde viveu milhões de anos a três mil e seiscentos metros abaixo da superfície do mar, na mais profunda mina do mundo, para um palácio confortável, onde terá uma corte vigilante e respeitosa.

          Começa o reinado de sua majestade o Ouro!

          Terra Brasileira!

          Nossa terra!…

 

***

Em: Caçando e pescando por todo o Brasil, 3ª série: Planalto Mineiro, O São Francisco e Bahia, Francisco de Barros Júnior, São Paulo, Melhoramentos: 1949, 2ª edição, páginas 25-28.

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Mina de Manganês em Conselheiro Lafaiete, MG.

Francisco Carvalho de Barros Júnior (Campinas, 14 de dezembro de 1883 — 1969) foi um escritor e naturalista brasileiro que ganhou em 1961 o Prêmio Jabuti de Literatura, na categorua de literatura infanto-juvenil.

Francisco Carvalho de Barros Júnior, patrono da cadeira n° 16 da Academia Jundiaiense de Letras, colaborou em vários jornais e revistas e é o autor da série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil, um relato de viagens pelo Brasil na primeira metade do século XX, descrevendo diversos aspectos das regiões visitadas (entre outros botânica, animais e populações caboclas e indígenas).

Obras:

Série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil

Primeira série: Brasil-Sul, 1945

Segunda Série: Mato Grosso Goiás, 1947

Terceira Série: Planalto Mineiro – o São Francisco e a Bahia, 1949

Quarta Série: Norte,  Nordeste,  Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré, 1950

Quinta Série: Purus e Acre, 1952

Sexta Série: Araguaia e Tocantins, 1952

Tragédias Caboclas, 1955, contos  

Três Garotos em Férias no Rio Tietê, 1951, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraná, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraguai, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Aquidauana, infanto-juvenil

guignardAlberto da Veiga Guignard

 

Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, 25 de fevereiro de 1896Belo Horizonte, 25 de junho de 1962) foi pintor, professor, desenhista, ilustrador e gravador mas acima de tudo um famoso pintor brasileiro, conhecido principalmente por retratar paisagens mineiras. Fluminense por nascimento, mas mineiro por opção, registrou, na maioria dos seus quadros, as belezas naturais de Minas Gerais, em especial de Ouro Preto: «Ouro Preto é a sua cidade, amor, inspiração.»  É o próprio pintor que faz, por escrito, nesta singela frase, sua declaração de amor à histórica cidade mineira, antiga capital do Estado, berço de Aleijadinho e inspiração de tantos outros artistas. Guignard participou dos Salões de 1924, 1929, 1939 e 1942, no Rio de Janeiro; realizou algumas exposições individuais dentro e fora do país; marcou presença na 1ª Bienal de São Paulo. Houve, ainda, várias exposições após sua morte, a maioria delas em Belo Horizonte.

Texto: Pitoresco





Imagem de leitura: Alexey Mozhaev

13 06 2009

A Mozhaev (Russia)  Menina com tranças, 1961,ost,67x49 Escola de Leningrado

Menina com tranças, 1961

Alexey Mozhaev ( Rússia, 1918-1994)

Óleo sobre tela,  67 x 49 cm

 

Alexey Vasilievich Mozhaev (1918-1994)   Nasceu em 5 de outubro de 1918 num vilarejo próximo a Saratov às margens do Volga.  Formou-se em 1946 pelo Instituto Ilya Repin, tendo estudado sob a direção de Boris Ioganson.    Foi aluno de Isaak Brodsky, Alexander Lubinov e Genrikh Pavlovsky.  Participou de exposições a partir de 1936.  Especializou-se em retratos, paisagens e pintura de gênero.  Houve duas grandes exposições de seu trabalho em São Petersburgo (antiga Leningrado) em 1985 e 1989.