Cartão Italiano, 1910-1912.
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Neste dia alegre e doce,
de festas, sentimental,
queria que você fosse
meu presente de Natal.
(J. G. de Araújo Jorge)
Cartão Italiano, 1910-1912.
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Neste dia alegre e doce,
de festas, sentimental,
queria que você fosse
meu presente de Natal.
(J. G. de Araújo Jorge)
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Como qualquer observador de pássaros poderia dizer, na floresta, ouvir o canto das aves é mais fácil do que avistá-las. Agora, dois cientistas desenvolveram um sistema para estimar a densidade das populações de pássaros ao gravar suas canções com um conjunto de microfones.
O método oferece uma alternativa à forma mais comum de estimar as densidades populacionais de pássaros: o ouvido humano. Ouvintes humanos são empregados com frequência em estudos sobre pássaros, mas o trabalho deles fica bem aquém da perfeição, diz Murray Efford, da Universidade de Otago, em Dunedin, Nova Zelândia. Um problema especial, segundo ele, é que “não somos muito bons em estimar a que distância está a origem de um som“.
Efford e Deanna Dawson, do Serviço de Levantamento Geológico dos Estados Unidos (USGS), em Laurel, Maryland, desenvolveram um método que envolve o uso de múltiplos microfones espalhados pela mata. Ao gravar os pássaros em diversos lugares simultaneamente, os pesquisadores podem estimar a “impressão acústica” deixada por cada pássaro – ou seja, a área em torno dele na qual seu canto pode ser ouvido.
A dimensão dessa impressão acústica depende de parâmetros como o barulho dos pássaros e as propriedades acústicas da floresta. Assim, Efford e Dawson precisam tentar diferentes valores para esses parâmetros até que encontrem uma boa comparação com os dados registrados pelos microfones. Ao final do processo, os pesquisadores se tornam capazes de estimar a densidade da presença de pássaros sem que seja necessário determinar a localização dos pássaros ou conhecer a extensão da floresta.
Os cientistas experimentaram esse método com um pássaro conhecido como mariquita-de-coroa-ruiva (Seiurus aurocapilla), que vive no Refúgio de Pesquisa de Patuxent, perto de Laurel, Maryland. Apenas as mariquitas macho cantam, e a técnica permitiu estimar sua densidade em cerca de um pássaro macho a cada cinco hectares.
As constatações parecem confirmar estimativas computadas com base na captura de filhotes de pássaros por meio de redes. Além disso, os pesquisadores descobriram que a nova técnica oferecia mais precisão do que o método de captura com redes. O trabalho deles foi publicado na versão online da revista Journal of Applied Ecology.
Efford e Dawson afirmam que o método poderia ser usado para estimar as densidades de outros animais difíceis de localizar visualmente, entre os quais baleias e golfinhos. Len Thomas, um especialista em estatísticas ecológicas da Universidade St. Andrews, na Escócia, por exemplo, já está empregando método semelhante como parte de um esforço para monitorar as baleias minke (Balaenoptera acutorostrata) por meio dos sons que elas produzem.
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O número de baleias dessa espécie avistadas no Pacífico é muito baixo, mas os machos da espécie produzem um som grave e muito característico que poderia ser capturado por hidrofones e possibilitaria determinar sua impressão acústica, como acontece com os pássaros.
No entanto, Thomas afirma que o método desenvolvido por Efford e Dawson só permite contemplar parte do quadro para as populações de baleias minke. O método estima apenas a densidade de sons, não de animais, e no caso das baleias a incerteza quanto à porcentagem de machos que emitem sons e quanto à frequência com que o fazem torna difícil extrapolar desses registros uma estimativa para a densidade populacional.
Efford acrescenta que a nova técnica funcionará melhor no caso de animais que produzem sons repetitivos e em volume constante. Isso significa que ela deve ser especialmente útil para estimar as densidades populacionais de outras espécies de pássaros. “Muitos pássaros repetem o mesmo canto vezes sem conta, de forma persistente e monótona“, ele disse.
A monotonia parece ter incomodado Efford, que teve de ouvir o cântico das mariquitas repetidamente para o estudo. “É um chamado especialmente insistente e irritante“, ele admite.
TEXTO: Emma Marris, para revista Nature.
Tradução: Paulo Migliacci ME
Fonte: Portal Terra
Chegada de Papai Noel.
Capa da Revista Toda Família, Suécia, 1917.
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Natal é meditação,
é o tempo da Humanidade
entender que salvação
tem um nome: CARIDADE!
(José Ouverney)
Três potamóqueros [ potamochoerus larvatus] de uma semana de idade, correm no jardim zoológico de San Diego, na Califórnnia. Esta espécie de porco selvagem é nativa da África , aparecendo nas regiões oeste e centrais do continente. São animais noturnos, raramente sendo vistos durante o dia.
Nascimento de Jesus
Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo
Manuel Bandeira
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O nosso menino
Nasceu em Belém
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
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Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
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Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
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Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
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Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.
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Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.
Obras:
3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana, 1959
50 poemas escolhidos pelo autor , 1955
A Autoria das Cartas Chilenas, 1940
A Cinza das Horas, 1917
A Cópula, 1986
A Leste do Éden, 1958
A Morte, 1965
A Versificação em Língua Portuguesa
Alumbramentos, 1960
Andorinha, Andorinha 1965
Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos 1946
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana 1938
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica 1937
Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna 1967
Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista 1937
Antologia Poética 1961
Apresentação da Poesia Brasileira 1944
Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz
Carnaval 1919
Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira 1958
Colóquio Unilateralmente Sentimental 1968
Crônicas da Província do Brasil 1937
De Poetas e de Poesia 1954
Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras 1941
Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña 1946
Estrela da Manhã 1936
Estrela da Tarde 1960
Estrela da Vida Inteira 1966
Flauta de Papel 1957
Francisco Mignone 1956
Glória de Antero 1943
Gonçalves Dias 1952
Guia de Ouro Preto 1938
Itinerário de Pasárgada 1954
Itinerários 1974
Libertinagem 1930
Literatura Hispano-americana 1949
Macbeth, de Shakespeare 1958
Mafuá do Malungo 1948
Maria Stuart, de Schiller 1955
Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira 1954
Meus Poemas Preferidos 1967
Noções de História das Literaturas 1940
Noturno do Morro do Encanto 1955
O Melhor Soneto de Manuel Bandeira 1955
Obras Poéticas 1956
Obras Poéticas de Gonçalves Dias 1944
Obras-primas da Lírica Brasileira 1943
Opus 10 1952
Oração de Paraninfo 1946
Os Reis Vagabundos 1966
Panorama das Literaturas das Américas 1958
Pasárgada 1960
Poemas Traduzidos 1945
Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta 1986
Poesia do Brasil 1963
Poesia e prosa 1958
Poesia e Vida de Gonçalves Dias 1962
Poesias 1924
Poesias completas 1940
Poesias Escolhidas 1937
Poesias, de Alphonsus de Guimaraens 1938
Portinari 1939
Recepção do sr. Peregrino Júnior 1947
Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé 1990
Rimas, de José Albano 1948
Rio de Janeiro em Prosa & Verso 1965
Rubaiyat, de Omar Khayyan 1965
Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental 1942
Um Poema de Manuel Bandeira 1956
Escultura de mulher em terracota, 4.050 a 3900 a.C.
Local: Cucuteni, Drăguşeni
Museu do Condado de Botoşani
Antes da glória de Grécia e Roma, e até mesmo antes das primeiras cidades da Mesopotâmia ou dos templos ao longo do Nilo, havia no vale do Baixo Danúbio e ao pé das montanhas dos Bálcãs um povo à frente de seu tempo na arte, tecnologia e no comércio de longa distância.
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Vasilhame bi-cônico em terracota, 3700-3500 a.C.
Local: Cucuteni, Şipeniţ
Museu Nacional de História Romênia, Bucareste
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Por 1.500 anos, começando antes de 5.000 A.C., eles cultivaram e construíram cidades bastante grandes, algumas com até duas mil residências. Esse povo dominava a fundição de cobre em larga escala que era a nova tecnologia da época. Em seus túmulos foram encontrados uma gama impressionante de adereços de cabeça e colares e, em um cemitério, uma grande e, a mais antiga, coleção de artefatos de ouro do mundo.
Bracelete em espiral em cobre, 4.500 a 3.900 a.C.
Local: Cucuteni, Ariuşd
Museu de História do Condado de Braşov
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Os desenhos marcantes de sua cerâmica revelam o refinamento da linguagem visual da cultura. Até descobertas recentes, os artefatos mais intrigantes eram figuras onipresentes de “deusas” de terracota, originalmente interpretadas como evidência do poder espiritual e político das mulheres da sociedade.
Modelo arquitetônnico em terracota com sete estatuetas, 3700-3500 a.C.
Local: Piatra Neamţ
Complexo de Museus do Condado de Neamţ
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Segundo arqueólogos e historiadores, a nova pesquisa ampliou a compreensão dessa cultura há muito tempo ignorada, e que parece ter se aproximado do limiar do status de “civilização”. A escrita ainda não havia sido inventada e ninguém sabe como o povo se chamava. Para alguns acadêmicos, o povo e a região são simplesmente a Velha Europa.
Figuras zoomórficas em ouro, 4.400 a 4.200 a.C.
Local: Varna
Museu Regional de História de Varna
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A cultura pouco conhecida está sendo resgatada da obscuridade em uma exposição, “O Mundo Perdido da Velha Europa: o vale do Danúbio, 5.000-3.500 A.C.“, que foi inaugurada no mês passado no Instituto para o Estudo do Mundo Antigo da Universidade de Nova York. Mais de 250 artefatos de museus da Bulgária, Moldávia e Romênia estão expostos pela primeira vez nos Estados Unidos. A mostra fica aberta até 25 de abril.
Escultura de Mulher em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.
Local: Hamangia, Baïa
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
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Em seu auge, em torno de 4500 a.C., disse David W. Anthony, curador convidado da exposição, a Velha Europa estava entre os lugares mais sofisticados e tecnologicamente avançados do mundo e desenvolveu muitos sinais políticos, tecnológicos e ideológicos de civilização.
Três braceletes de cobre em espiral, 4.500 a 4.300 a.C.
Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti
Museu Nacional de História e Arqueologia de Moldova.
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Anthony é professor de antropologia da Hartwick College, em Oneonta, no estado de Nova York, e autor do livro The Horse, the Wheel, and Language: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World; [ O cavalo, a roda e a linguagem: como os cavaleiros da era do bronze das estepes eurasianas moldaram o mundo moderno]. Historiadores sugerem que a chegada de povos das estepes ao sudeste da Europa pode ter contribuído para o colapso da cultura da Velha Europa por volta de 3500 a.C.
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Vasilhame esférico com tampa em terracota, 4.200 a 4050 a.C.
Local: Cucuteni, Scânteia
Complexo do Museu Nacional de Moldova
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Na pré-abertura da exposição, Roger S. Bagnall, diretor do instituto, confessou que até agora muitos arqueólogos não haviam ouvido falar dessas culturas da Velha Europa. Admirando a cerâmica colorida, Bagnall, especialista em arqueologia egípcia, comentou que na época os egípcios com certeza não faziam cerâmica assim.
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Cetro em ouro com 9 elementos, 4.400 a 4.200 a.C.
Local: Varna
Museu de História Regional de Varna
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O catálogo da mostra, publicado pela Princeton University Press, é o primeiro compêndio em inglês da pesquisa sobre as descobertas da Velha Europa. O livro, editado por Anthony, com Jennifer Y. Chi, diretora-associada para exposições, inclui ensaios de especialistas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Estados Unidos e dos países onde a cultura existiu.
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Duas estatuetas em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.
Local: Hamangia, Cernavodă
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
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Chi disse que a exposição reflete o interesse do instituto em estudar as relações entre as culturas conhecidas e ainda não apreciadas com deveriam ser.
Aplique antropomórfico em ouro, 4.000 a 3.500 a.C.
Local: Bodrogkeresztúr, Moigrad
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste.
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Embora escavações ao longo do último século tenham descoberto vestígios de antigos assentamentos e estátuas de deusas, foi apenas em 1972, quando arqueólogos locais descobriram um grande cemitério do quinto milênio a.C. em Varna, Bulgária, que eles começaram a suspeitar que aquelas não eram pessoas pobres vivendo em sociedades igualitárias não estruturadas. Mesmo então, isolados pela Guerra Fria com a Cortina de Ferro, os búlgaros e romenos foram incapazes de transmitir seu conhecimento ao Ocidente.
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Grupo de 21 estatuetas e 13 cadeiras em terracota, 4.900 a 4.759 a.C.
Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru
Complexo de Museus do Condado de Neamţ Piatra Neamţ
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A história que agora surge é que agricultores pioneiros após aproximadamente 6200 a.C. se mudaram para o norte em direção à Velha Europa, vindos da Grécia e da Macedônia e levando trigo, sementes de cevada e sua criação de gado e ovelhas. Eles estabeleceram colônias ao longo do Mar Negro e nas planícies e colinas do rio, que evoluíram em culturas relacionadas, mas um tanto distintas, descobriram os arqueólogos. Os assentamentos mantinham contato próximo através de redes de comércio de cobre e ouro e também compartilhavam padrões de cerâmica.
Vasilha antropomórfica, em terracota, 5.550 a 5.000 a.C.
Local:Vădastra, Vădastra
Museum Nacional de História da Romênia, Bucareste
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A concha Spondylus do Mar Egeu era um item especial de comércio. Talvez as conchas, usadas em pingentes e pulseiras, fossem símbolos de seus ancestrais egeus. Outros acadêmicos veem essas aquisições de longa distância como motivadas em parte pela ideologia de que os produtos não eram bens no sentido moderno, mas sim “valores”, símbolos de status e reconhecimento.
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Colar (35 conchas e 26 contas), 4.500-4.300 a.C.
Material: Conchas (Cardium edule, Mactra carolina)
Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti
Museu Nacional de Arqueologia e História de Moldova, Chişinău
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Notando a difusão dessas conchas naquela época, Michel Louis Seferiades, antropólogo do Centro Nacional para Pesquisa Científica, na França, suspeita “que os objetos eram parte de um círculo de mistérios, um conjunto de crenças e mitos“.
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Vasilha antropomórfica em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.
Local: Gumelniţa, Sultana
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
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De qualquer forma, Seferiades escreveu no catálogo da exposição que a predominância das conchas sugere que a cultura possuía ligações com “uma rede de rotas de acesso e elaborados sistemas sociais de trocas – incluindo o escambo, a troca de presentes e a reciprocidade“.
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Machado de cobre, 3.700 a 3.500 a.C.
Local: Cucuteni, Bogdăneşti
Complexo Nacional de Museus de Moldova
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Ao longo de uma ampla área que hoje é a Bulgária e a Romênia, o povo se assentou em vilarejos de casas de um ou múltiplos recintos, comprimidas dentro de fortificações. As casas, algumas com dois pisos, tinham suportes de madeira, paredes rebocadas com barro e chão de terra batida. Por alguma razão, as pessoas gostavam de fazer modelos de barro de residências com múltiplos pisos, exemplos dos quais estão em exposição.
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Modelo arquitetônico em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.
Local: Gumelniţa, Căscioarele
Museu nacional de História da Romênia, Bucareste
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Algumas cidades do povo cucuteni, uma cultura posterior e aparentemente robusta no norte da Velha Europa, cresceram ao longo de mais de 320 hectares, o que os arqueólogos consideram maior do que qualquer assentamento humano da época. Mas as escavações ainda precisam encontrar evidências definitivas de palácios, templos ou grandes edifícios cívicos. Os arqueólogos concluíram que os rituais religiosos pareciam ser praticados nos lares, onde artefatos de culto foram encontrados.
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Anfora em terracota, 3700 a 3.500 a.C.
Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru
Complexo de Museus do Condado de Neamţ
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A cerâmica caseira decorada em estilos diversos e complexos sugere a prática de refeições ritualísticas nas residências. Travessas enormes em prateleiras eram típicas da “apresentação socializante do alimento” da cultura, Chi disse.
Vasilha antropomórfica em terracota, 5.300 a 5.000 a.C.
Local: Banat, Parţa
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
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À primeira vista, a falta de uma arquitetura de elite levou os acadêmicos a presumir que a Velha Europa possuía pouca ou nenhuma estrutura hierárquica de poder. Isso foi descartado pelos túmulos do cemitério de Varna. Nas duas décadas seguintes a 1972, os arqueólogos encontraram 310 túmulos datados de aproximadamente 4500 a.C.. Anthony disse que isso foi “a melhor prova da existência de uma posição social e política superior claramente distinta“.
Vladimir Slavchev, curador do Museu Regional de História de Varna, disse que “a riqueza e variedade dos presentes nos túmulos de Varna foi uma surpresa“, mesmo para o arqueólogo búlgaro Ivan Ivanov, que liderou as descobertas. “Varna é o cemitério mais antigo já encontrado em que humanos foram enterrados com ornamentos de ouro“, Slavchev disse.
Mais de três mil peças de ouro foram encontradas em 62 túmulos, junto de armas e instrumentos de cobre, ornamentos, colares e pulseiras das apreciadas conchas do Egeu. “A concentração de objetos de prestígio importados em uma distinta minoria de túmulos sugere que posições superiores institucionalizadas existiam”, observam os curadores da exposição em um painel que acompanha o ouro de Varna.
Martelo-arma na forma de cabeça de cavalo, pedra, 4.000 a.C.
Cultura Indo-Européia
Local: Casimcea
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
Contudo, é intrigante que a elite não parecesse usufruir de uma vida privada de excessos. “As pessoas que quando vivas vestiam trajes de ouro para eventos públicos“, Anthony escreveu, “voltavam para casas bastante comuns“.
O cobre, não o ouro, pode ter sido a principal fonte do sucesso econômico da Velha Europa, afirma Anthony. Como a fundição do cobre foi desenvolvida por volta de 5400 a.C., as culturas da Velha Europa exploraram os minérios da Bulgária e do que hoje é a Sérvia e aprenderam a técnica de alto aquecimento para extrair cobre metálico puro.
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Figura antropomórfica em ouro, 4.000 a 3.500 a.C.
Local: Bodrogkeresztúr Culture, Moigrad
Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste
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O cobre fundido, usado em machados, lâminas de faca e em pulseiras, se tornou uma exportação valiosa. As peças de cobre da Velha Europa foram encontradas em túmulos ao longo do Rio Volga, 1,9 mil km a leste da Bulgária. Os arqueólogos recuperaram mais de cinco toneladas de peças de locais da Velha Europa.
Uma galeria inteira é dedicada às estatuetas, as mais familiares e provocantes peças dos tesouros da cultura. Elas foram encontradas em praticamente toda cultura da Velha Europa em vários contextos: em túmulos, santuários e outros prováveis “espaços religiosos”.
Uma das mais conhecidas é a figura em argila de um homem sentado, com os ombros curvados e as mãos no rosto em aparente contemplação. Chamada de “Pensador”, essa peça e outra figura feminina comparável foram encontradas em um cemitério da cultura hamangia, na Romênia. Será que eles estavam pensativos ou de luto?
Muitas das figuras representam mulheres em uma abstração estilizada, com corpos truncados ou alongados, de seios fartos e quadris largos. A sexualidade explícita dessas figuras convida interpretações relacionadas à fertilidade terrena e humana.
Um grupo notável de 21 figuras femininas, sentadas em um círculo, foi encontrado no local de um vilarejo anterior aos cucutenis no nordeste da Romênia. “Não é difícil imaginar“, disse Douglass W. Bailey da Universidade Estadual de São Francisco, o povo da Velha Europa “arrumando as figuras sentadas em um ou vários grupos de atividades em miniatura, talvez com figuras menores aos seus pés ou até mesmo no colo das figuras sentadas maiores“.
Outros imaginam as figuras como o “Conselho das Deusas”. Em seus influentes livros de três décadas atrás, Marija Gimbutas, antropóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ofereceu a hipótese de que essa e outras das chamadas figuras de Vênus eram representantes de divindades em cultos a uma Deusa Mãe que predominavam na Europa pré-histórica.
Embora a teoria de Gimbutas ainda tenha seguidores ardorosos, muitos acadêmicos se conformam com explicações mais conservadoras e não-divinas. O poder dos objetos, afirma Bailey, não estava em qualquer referência específica ao divino, mas em “um entendimento compartilhado de identidade de grupo“.
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Braceletes de conchas, 5.000 a 4.600 a.C.
Local: Hamangia, Cernavodă
Museu Nacional de Arqueologia e História da Romênia, Bucareste
Como Bailey escreveu no catálogo da exposição, as figuras talvez devessem ser definidas apenas em termos de sua aparência real: retratos representativos em miniatura da forma humana. Assim, “presumo (como é justificado por nosso conhecimento da evolução humana) que a habilidade de fazer, usar e entender objetos simbólicos como tais estatuetas é uma habilidade compartilhada por todos os humanos modernos e, portanto, uma capacidade que conecta você, eu, o homem, a mulher e a criança do Neolítico e os pintores paleolíticos das cavernas“.
Ou então o “Pensador”, por exemplo, é a imagem de você, de mim, dos arqueólogos e historiadores confrontados e perplexos por uma cultura “perdida” no sudeste da Europa que viveu de maneira intensa muito antes de uma palavra ser escrita ou da roda ser girada.
Texto de John Noble Wilford
Amy Traduções com algumas modificações minhas.
Fotos do portal do The New York Times.
Fonte: Portal Terra
Ceia de Natal
Cartão de Natal da Polônia.
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Natal! É sonho e vigília
harmonia, amor e paz…
Milagre! Toda a família
se reúne uma vez mais…
(J. G. de Araújo Jorge)
Igreja de São Bento, Vale do Tamanduateí, SP, s/d
José Wasth Rodrigues (Brasil, 1891-1957)
Aquarela, 32 x 47 cm.
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À memória de Horácio Senne
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” A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova daquelas que não se vêem.” —- S. PAULO, Epístola aos Hebreus, 11
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Nada se pode articular contra a sinceridade com que a gente do Vale do Paraíba pratica seus deveres religiosos. Pelo menos, era assim no meu tempo de menino: os preceitos da Igreja, nós os cumpríamos com uma pontualidade inalterável, e mais ainda: com profunda unção espiritual.
Por alguns anos (antes de nos transferirmos para a Chacrinha, às margens do Paraíba), residimos perto da Matriz, e tivemos como vizinho o velho vigário Gaudêncio Antônio de Campos.
Tal circunstância, acrescida pelos desvelos de minha mãe, concorreu para a dedicação e o interesse com que eu e meus manos nos dedicávamos a tudo o que dissesse respeito ao culto.
Por ocasião das grandes e solenes procissões, nós figurávamos em lugares de realce, trajando roupas vermelhas, e tendo nas mãos pesados círios. Nas rezas do mês de Maria, igualmente, éramos incluídos na guarda de honra do altar. Como mais velho, eu, compenetradíssimo, fiscalizava meus irmãos, pois o maior prazer do Nelson era brincar com a chama de sua vela, e reacender as que se apagassem, para o que saía pingando cera em todo o mundo; e o do Júlio, bater nos cachorros que entrassem no templo, os quais saiam ganindo lamentosamente, o que a meu ver perturbava a atenção piedosa dos fiéis.
O vigário Gaudêncio, homem boníssimo, utilizava, sempre que possível, nosso concurso nas festinhas da paróquia. É claro que não designo por essa forma as grandes solenidades, religiosas e populares, que se efetuavam outrora, como ainda hoje, nos dias 23 a 25 de junho, e que compreendem as homenagens ao Santo Precursor, padroeiro da cidade e as festas anuais consagradas ao Divino Espírito Santo. Nesses dias havia alvorada, missas cantadas (pregando o Evangelho ilustres oradores sacros), imponentes procissões, retretas ao jardim público, mesas de doces franqueadas ao povo, como nas hecatésias atenienses, leilões, fogos de artifício o que tudo figurava nos programas impressos em enormes folhas de papel de cor, e absorvia as atenções de toda a gente, durante aquele movimentado tríduo.
Dessas solenidades, porém, a que mais me impressionava era a proclamação dos festeiros para o ano seguinte. Os festeiros eram três: o “Imperador”, o “Capitão do Mastro” e o “Alferes da Bandeira.” O primeiro, superintendia toda a festa; o segundo tinha a seu cargo a ereção do mastro, alto poste de madeira, cantado em frente a Matriz, poste que devia ser anualmente substituído. Na extremidade do tal mastro ficaria o quadro, isto é, a bandeira, em que São João Batista se via com o inseparável cordeirinho aos pés. Ao “Alferes da Bandeira” cabia a feitura desse quadro.
Salvo casos especialíssimos (de promessas, ou de donativos altamente valiosos), os festeiros eram escolhidos mediante sorteio, entre paroquianos de notória idoneidade, que se apresentassem candidatos àquelas honrosas funções.
Quando se proclamava o “Imperador”, estando a velha igreja repleta, sentia-se certo frisson na assistência: a música tocava, os sinos vibravam, e o foguetório enchia o ar com seus estrondos. É claro que tais homenagens lisonjeavam a vaidade dos pretendentes.
Lembra-me ainda o dia em que o vigário Gaudêncio se mostrava preocupado com qualquer problema de solução difícil.
— Estou numa dúvida desagradável, seu João de Deus – dizia ele a meu pai. – Imagine que eu já havia assumido compromisso com o Rebouças de Carvalho, o Dr. França e o Chico Carlos, para imperador, capitão do mastro e alferes da bandeira. Agora soube que o Zé Carlos e o Monteiro também fazem questão fechada de ser festeiros. Não quero faltar a minha palavra, mas também não desejo magoar a esses bons amigos… Que acha você que convém fazer?
Meu pai formulou uma solução conciliatória, mas o padre fez ver que nada conseguiria, dada a intransigência dos candidatos.
O Nelson, que comigo assistia ao grave debate, animou-se a propor outra sugestão.
— Pois vamos ver o que é, menino, disse o sacerdote, já sorrindo por conta da extravagância que esperava.
— Em vez de três festeiros, o senhor arranja cinco.
— Cinco? Mas, como? Se são só três os cargos!
— Isso não tem importância! O senhor arranja mais dois: o major da fogueira, e o tenente do pau de sebo!
É claro que a idéia do Nelson nem sequer foi objeto de deliberação o que o decepcionou bastante. Atribuímos a recusa do padre ao fato de não ser possível promover o Capitão José Carlos a “major”, nem rebaixar o Capitão Moreira a “tenente”.
Convém recordar que naquele tempo todos os fazendeiros do interior adquiriam patentes de oficiais da extinta “Guarda Nacional”, e, como esses títulos nunca mudavam, aderiam ou anexavam-se indelevelmente aos nomes dos respectivos portadores.
— O padre Gaudêncio é muito atrasado, observou Nelson, despeitado. E é teimoso na sua opinião. Nunca muda nada! Todos os anos há de se fazer a mesma coisa que se fazia há cinqüenta anos atrás!
Em casa a turma fez caçoada. Sugeriram-se mais dois postos, altamente honrosos: o de coronel da retreta e o de general da procissão.
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Mais do que as festas juninas, porém, o fato que ora vou referir comprova o espírito religioso do povo queluzense. Quando ele ocorreu, já o padre Gaudêncio, valetudinário, havia deixado o árduo ministério. Pastoreava a paróquia o padre Paulo Machado.
Prolongada estiagem estava causando graves danos à lavoura, em todo o município. Tres longos meses haviam transcorridos, sem que do alto caísse um pingo d’água. Os lavradores queixavam-se e com razão. Rios e ribeirões das fazendas distantes do Paraíba minguavam a olhos vistos. O gado perecia.
Quando ocorrem tais períodos de secas, o céu torna-se pardacento, todo por igual, e os dias passam sem que nos venha o refrigério de uma brisa, o que produz em toda gente, nos animais, e até nas plantas uma tristeza esquisita, um desalento sem remédio.
O povo de Queluz suportava a ausência de chuvas enquanto podia. Se a natureza perseverasse em sua ação inclemente, não havia discutir: recorria-se a São Roque.
Procissão, 2007
Vera Sabino (Brasil, PR. Contemporânea)
Acrílica sobre eucatex
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São Roque tem o seu culto em modesta capelinha em torno da qual se formou um pequeno povoado, simples arraial, que do município de Areias foi recentemente transferido para o de Queluz. Cerca de três quilômetros separam o povoado de qualquer das duas cidades. Numa e noutra tem o santo apreciável número de devotos.
Para trazer São Roque a Queluz tornava-se necessário a autorização do vigário. Obtida a licença, organizavam-se os crentes em procissão e lá iam, galgando a estrada que contorna a Fortaleza, e repetindo orações que se iniciavam e se encerravam pela prece “Ad petendam pluviam”.
De volta, ao reentrar a procissão na cidade, o povo vinha receber a imagem do milagroso santo, e, com demonstrações do maior respeito acompanhava-a até o alto da Matriz.
Repicavam os sinos e soltavam-se foguetes, condimento indispensável em tais cerimônias.
— Ora, não é tanto assim, objetou o sacerdote, cautelosamente. E prosseguiu: Talvez convenha aguardar uns dias mais… Penso que só em caso extremo devemos apelar para São Roque, e removê-lo de sua capela para a Matriz…
— Mas… V. Revma. não se opõe?
— A que a imagem venha, não!… Apenas acho que ainda é cedo… Consultem os zeladores; depois… veremos o que se há de fazer.
Os solicitantes retiraram-se descontentes com o resultado da tentativa.
À tardinha, ao despertar de sua sesta habitual, o vigário teve uma surpresa que o deixou contrariadíssimo.
Soube que à sua revelia, os mesmos devotos e outros vários tinham estado na igreja, e dali retiraram tudo o que era necessário ao cortejo. Descendo, processionalmente, a ladeira, e atravessando a ponte do Paraíba, o grupo se engrossou com grande número de aderentes. Quando o sacerdote teve plena ciência do caso, já a procissão subia a Fortaleza, fora da zona urbana, entoando o cântico “Ad petendam pluviam”.
Mas o Padre Paulo não se deixava convencer facilmente. Considerou que aquilo significava um desrespeito a sua autoridade.
A vinda de São Roque importava na realização de uma festinha, dias depois do aguaceiro, na data fixada para o regresso do santo. Ora, ele vigário, julgara prematura a vinda da imagem, pensando já nas conseqüências. Resolveu agir com presteza no sentido de procrastinar a execução daquele ato.
Saiu imediatamente, arranjou, às pressas, um veículo do tipo que outrora se chamava “aranha”, e foi no encalço da procissão.
Em poucos minutos alcançou-a.
Os romeiros interromperam a marcha, ao vê-lo.
— Então, que é isso, meus amigos? Vocês vão, assim, buscar São Roque?
— Vamos, seu Vigário – explicou o líder do movimento – como Vossa Reverendíssima disse que não se opunha, e todos os zeladores concordaram, nós não quisemos incomodar Vossa Reverendíssima, que estava descansando, e…
— Mas aqui ninguém acredita em São Roque! — exclamou o vigário, em tom paternal de censura.
— Perdão, seu Vigário, mas nós todos confiamos no santo…
— Ninguém acredita, insistiu energético, o sacerdote. E a prova é esta: ninguém trouxe guarda-chuva! Se vocês, realmente, têm fé em São Roque, voltem, para buscar os guarda-chuvas!
Ouvindo essa recomendação, um dos crentes tomou a iniciativa de transmitir a todos os demais o aviso, exclamando em voz bem alta, no linguajar de roceiro:
— Vorte quem tem fé! Vorte tudo, pra morde buscá os guarda-chuva!
Não houve remédio, senão atender. Todo o bando voltou, com raras exceções. Tornou atrás, igualmente, o vigário, convencido de que pelo menos naquela tarde não seria possível a marcha que ele interceptara.
Mas enganou-se. Os devotos de São Roque, em matéria de pertinácia, nada deixavam a desejar, relativamente ao padre que os guiara. A procissão atrasou-se em três quartos de hora; mas reconstituiu-se, e prosseguiu.
A julgar pela quantidade de paraguas, a fé em São Roque era, mesmo, profunda.
Ao cair da noite, regressavam os devotos a Queluz. A imagem vinha com eles, é claro.
A essa hora, nuvens sombrias já se iam acumulando para os lados da Figueira.
E quando a procissão entrou na cidade, chovia a cântaros. Os guarda-chuvas prestaram excelente serviço a seus possuidores.
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No dia seguinte, o Padre Paulo encontrou, na boca da ponte, dois paroquianos que haviam participado da procissão, e foi ter com eles.
— E não é que a chuva veiu ônte mêmo, seu Vigário.
— Ora, como não havia de vir! Que São Roque é milagroso, todos nós sabemos. Agora – o que eu notei é que todos mostraram ter Fe no santo, menos vocês dois!
— Pruquê, seu Vigário?
— Porque só vocês não voltaram para buscar o guarda-chuva!
— Ah! seu padre! Nós tem muita fé em São Roque, mas nós não tem guarda-chuva!
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Em: Histórias do rio Paraíba: episódios e tradições regionais, de J.B. de Mello e Souza, São Paulo, Saraiva:1951, 2 volumes, pp 80-88, volume I
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João Batista de Mello e Souza (SP 1888 — RJ 1969) — Pseudônimo: J. Meluza — Contista, romancista, poeta, memoralista, autor didático e de Literatura Infantil, teatrólogo, historiador, tradutor, folclorista, diplomado em Direito (1910), funcionário público, professor universitário, jornalista, membro da Academia Carioca de Letras. Prêmio Joaquim Nabuco -ABL (1949).
Obras:
Sacuntala de Calidasa e outras histórias de heroísmo e amor, contos indianos,
Lendas Medievais, contos
A sombra do bambual, teatro, 1955
Histórias do Rio Paraíba, 2 vol, contos e memórias, 1951
Histórias famosas do Velho Mundo, contos,
Majupira, romance histórico, 1949
Sete lendas de amor e outras poesias, 1959
Estudantes do meu tempo, contos e memórias, 1958
História da América, história, 1957
História do Brasil, história, 1959
História Geral, história, 1956
O homem sem pátria, 1963
Joaquim Serra
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Na palhoça iluminada,
Que fica junto da ermida,
Des que a missa foi cantada
Se congrega a multidão;
Toldo de mirta florida,
Flores de mágico aroma
Ornam o presépio, que toma
Na sala grande extensão.
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Quão lindo está! Não lhe falta
Nem o astro milagroso
Que de repente brilhou;
Nem o galo, que o repouso
Deixara por noite alta
E que inspirado cantou!
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Tudo o que a lenda memora
E consagra a tradição,
Vê-se ali, grosseiro embora,
Despido de perfeição.
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Céu de estrelinhas douradas,
Estrelas de papelão;
Brancas nuvens fabricadas
Da plumagem do algodão!
Anjos soltos pelos ares,
Peixes saindo dos mares,
Feras chegando do além.
Marcha tudo, e vêm na frente
Os Reis Magos do Oriente
Em demanda de Belém.
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É esta a lapa; o Menino
Nas palhas está deitado,
Com um sorriso de alegria
Todo doçura e amor!
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Contempla o quadro divino
São José ajoelhado,
E a Santíssima Maria
De Jericó meiga flor!
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Trajando risonhas cores
Com muitos laços de fitas,
Rapazes, moças bonitas
Formam grupos de pastores.
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Que curiosos bailados,
Com maracás e pandeiros!
E o ruído dos cajados
Desses risonhos romeiros!
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Essa quadrilha dançante,
Cantando versos festivos,
Aos pés do celeste infante
Vai depor seus donativos:
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Frutas, doces, sazonadas,
Ramilhetes de açucenas,
Cera, peles delicadas,
Pombinhos de brancas penas.
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São as joias que os pastores
Dão ao Deus onipotente!
E o povo aplaude os cantores
E o espetáculo inocente.
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Eis o presepe singelo
Da devoção popular;
Oratório alegre e belo
Sagrado risonho altar!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1969.
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Joaquim Serra
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Joaquim Maria Serra Sobrinho ( MA 1838 — RJ 1888) jornalista, professor, político e teatrólogo. Pseudônimos: Amigo Ausente, Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare, Tragaldabas. Foi um intelectual muito ativo na segunda metade do século XIX. Abolicionista, trabalhou lado a lado com Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e José do Patrocínio para o fim da escrevidão.
Obras:
A capangada, sem data, séc. XIX
A pomba sem fel, sem data, séc. XIX
As Cousas da moda, sem data, séc. XIX
Epicedio à morte de Manuel Odorico Mendes, sem data, séc. XIX
O jogo das libras, sem data, séc. XIX
O remorso vivo, sem data, séc. XIX
Quem tem boca vai a Roma
Rei morto, rei posto
Biografia do ator brasileiro Germano Francisco de Oliveira, 1862
A coalisão, 1862
Julieta e Cecília, contos, 1863
Mosaico, poesia traduzida, 1865
O salto de Leucade, 1866
A casca da caneleira, romance de autoria coletiva, cabendo a J.S. a coordenação, 1866
Um coração de mulher, poema-romance, 1867
Versos de Pietro de Castellamare, 1868
Semanário maranhense, 1867
Quadros, poesias, 1873
Almanaque Humorístico Ilustrado, 1876
Diário oficial do império do Brasil, 1878
O abolicionista, 1880
Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranhão, 1820-80, por Ignotus, 1883
O coroado, 1887
Poesias e poemas, 1888
Os melros brancos, 1890
Lição de leitura, 1865
Auguste Toulmouche ( França, 1829-1890)
Óleo sobre tela, 36 x 27 cm
Museu de Belas Artes, Boston, EUA
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Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)
Nascido em Nantes, Auguste Toulmouche foi um artista de bastante presença nos Salões parisienses do século XIX. Ficou conhecido pelo retrato de belas mulheres em ambientes de luxo. Fez parte de um seleto grupo de artistas franceses como Jules Émile Saintin ( 1829-1894) e Charles Joseph Frederick Soulacroix ( n. 1825) que se especializaram, por assim dizer, no retrato de vestimentas de época dentro do enfoque da pintura de gênero. Tinha uma visão romântica da vida diária que seduzia pelo seu idealismo e sentimentalismo. Principalmente nos momentos do dia a dia das classes mais abastadas.