Jardineira, ilustração de Margaret Evans Price.
Planta do bem a semente
em solo limpo e seguro,
e colherás certamente,
lindas flores no futuro.
Quadrinha de Luciana Long
Jardineira, ilustração de Margaret Evans Price.
Planta do bem a semente
em solo limpo e seguro,
e colherás certamente,
lindas flores no futuro.
Quadrinha de Luciana Long

Julgamento da Inconfidência, 1921
Eduardo de Sá ( RJ, 1866 – RJ, 1940)
Óleo sobre tela
Museu Histórico Nacional
Prece a Xavier, o Tiradentes
Murilo Araújo
Marchaste, sem tremer, na alva dos condenados.
Ela voava ao vento,
alva como tua alma.
E galgaste os degraus da tortura
descalço.
Mas que enormes degraus! Iam a tal altura
que por eles, chegaste ao céu, ao sol, a Deus,
subindo ao cadafalso.
Alferes Xavier – é inesperada e estranha
a Luz Providencial!
Envolve num fracasso a maior das vitórias;
faz perder quem mais ganha;
e arroja à morte –
à morte –
o justo que elegeu para ser imortal.
E assim a insurreição sagrada
que te santificou –
tu, que eras o menor, foste o maior na glória;
tua lenda dourada
mais do que todas na memória se elevou.
Tinham todos bons títulos de efeito
os teus irmãos na grande Inconfidência.
Tu que não eras doutor, ó guarda do Direito;
não eras sacerdote, ó mártir da consciência;
nem comandaste – herói – como Freire de Andrade,
um terço de dragões…
Tinhas no cofre da alma a pureza e a verdade
e essa indomável vocação da liberdade
mais poderosa que togas e legiões.
Ah! As multidões da terra
exaltam todas, como gênios tutelares,
grandes falcões de guerra
de cujas garras brota o raio e a morte desce…
Mas, ando do Brasil, — tu mereces altares,
porque, invés de matar, foste morrer estóico
por um destino que hoje em luzes resplandece!
Inabalável, foste a Fé que, decidida,
serenamente, voluntária, se imolou.
Com a própria vida deste à Pátria vida;
e a oferenda de sangue trouxe ao povo
um prêmio que do Céu, que de Deus lhe alcançou.
Vinda a hora funesta,
Deus quis que os opressores
cercassem tua morte em rumores de festa,
levassem teu cortejo ao rufo de tambores
e ao grito do clarim,
e adornassem a rua e as fachadas com flores,
contentes os senhores,
pois morrias enfim…
Mas — que pura ironia a desse instante! –
glorificaram, sem saber, a redenção…
porque, com tua morte triunfante,
surgiu formada e indestrutível
a Nação!
Alferes Xavier, entre os teus, meu patrício,
tu que eras o menor,
cresceste tanto na coragem e sacrifício,
que deixaste no pó todos em derredor.
Onde estão hoje tantos juízes e fidalgos?
Onde os soldados? Os esbirros da tortura?
Onde esses nobres de brasão e de arcabuz?
Ah! Pisavam tão forte … e pisaram em falso!
Mas na tua hora escura,
subindo, humílimo, os degraus do cadafalso,
Alferes Xavier, chegaste à grande Luz.
Encontrado em:
O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da Poemas Completos de Murillo Araújo [Murilo Araújo], 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960
Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito. Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.
Obras:
Carrilhões (1917)
A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)
Árias de muito longe (1921)
A cidade de ouro (1927)
A iluminação da vida (1927)
A estrela azul (1940)
As sete cores do céu (1941)
A escadaria acesa (1941)
O palhacinho quebrado (1952)
A luz perdida (1952)
O candelabro eterno (1955)
Prosa:
A arte do poeta (1944)
Ontem, ao luar (19510 — uma biografia do compositor Catulo da Paixão Cearense
Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)
Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)
———————-
Eduardo de Sá (Rio de Janeiro RJ 1866 – idem 1940). Escultor, pintor e restaurador. Frequenta aulas particulares de escultura com Rodolfo Bernardelli e estuda na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, entre 1883 e 1886, com Victor Meirelles, Zeferino da Costa, José Maria de Medeiros e Pedro Américo. Em 1888, em Paris, estuda na Académie Julian, onde foi aluno de Gustave Boulanger e de Jules Joseph Lefebvre. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o restauro do escudo do teto da entrada da capela da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.
Outros poemas de Murillo Araújo (Murilo Araújo neste blog):

Menino com bandeira, 1980s
Marysia Portinari (Brasil, 1937)
Óleo sobre tela
Coleção particular
Estudando e trabalhando,
Sob este céu de anil,
As crianças vão fazer
A grandeza do Brasil!
(Anônima)
Em: Criança brasileira, Theobaldo Miranda Santos: segundo livro de leitura, Rio de Janeiro, Agir: 1950.

Mulher Tupinambá com criança, 1641-44
Albert Eckhout, Flandres (1610-1666)
Óleo sobre madeira, 265 x 157 cm
Museu Nacional da Dinamarca
Paraguaçu
Raquel Naveira
Paraguaçu,
Índia tupinambá.
Apaixonou-se por Caramuru.
Caramuru era um peixe,
Alongado como uma serpente
De mucilagem azul,
Era a alcunha de Diogo Álvares Correia,
O náufrago português,
O homem de fogo
Capaz de matar aves do céu;
Saíra por encanto
Das águas do mar
Gotejando pelos poros
Pequenos brilhantes.
Por esse deus misterioso,
Cheirando a pólvora,
Enamorou-se Paraguaçu,
Índia de olhos grandes,
Negros como um turvo rio.
Caramuru e Paraguaçu
Partiram numa caravela
Rumo à França,
Lá ela se tornou Catarina,
Nome de rainha e santa.
Cobriram de tulherias e sedas
Seu corpo nu
De selvagem menina,
Entre livros e castelos
Sua alma se estilhaçava
Entre dois mundos.
Regressaram à Bahia,
Diante de injustiças
E desmandos,
Caramuru prisioneiro,
Paraguaçu virou guerreira,
Flechas zumbiram nos ares,
Depôs e matou o donatário Pereira.
Paraguaçu,
Índia tupinambá,
Mulher, terra, nação,
Submeteu-se por muito amar.
Em: Stella Maia e outros poemas, Campo Grande, MS; Editora UCDB:2001
Raquel Naveira (Campo Grande, MS 1957) Poetisa, ensaísta, graduada em Letras e Direito, professora no Curso de Letras da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), mestranda em Comunicação e Letras, na Universidade Presbiteriana Mackienzie (SP), e empresária de turismo (Pousada Dom Aquino, em Campo Grande – MS), Raquel Naveira destaca-se por seu talento e engajamento nas atividades culturais do centro-oeste brasileiro. A escritora tem recebido reconhecimento nacional através de inúmeras premiações e várias indicações para prêmios. Em sua obra, são constantes a religiosidade, o misticismo e os temas épicos.
Obra:
Via Sacra, poesia, 1989
Fonte luminosa, poesia, 1990
Nunca Te-vi, poesia, 1991
Fiandeira, ensaios, 1992
Guerra entre irmãos, poesia, 1993
Canção dos mistérios, poesia, 1994
Sob os cedros do Senhor, poesia, 1994
Abadia, poesia, 1995
Mulher Samaritana, 1996
Maria Madalena, prosa poética, 1996
Caraguatá, poesia, 1996
Pele de jambo, infanto-juvenil, 1996
O arado e a estrela, poesia, 1997
Intimidades transvistas, 1997
Rute e a sogra Noemi, prosa poética, 1998
A casa da Tecla, poesia, 1998
Senhora, poesia, 1999
Stella Maia e outros poemas, 2001
Casa e castelo, poesia, 2002
Maria Egipcíaca, poesia, 2002
Tecelã de tramas: ensaios sobre interdisciplinaridade, ensaios, 2004
Portão de ferro, poesia, 2006
Literatura e Drogas e outros ensaios, crítica literária, 2007
——
Albert Eckhout (Groningen, 1610 — 1666) foi um pintor, artista plástico e botânico flamengo. É autor de pinturas do Brasil holandês envolvendo a população, os indígenas e paisagens da região Nordeste do Brasil. Viajou também por outras regiões da América, antes de retornar à Europa.
Para outro quadro de Albert Eckhout neste blog:
Dos Prazeres da Mesa Nordestina
Outono em Foz do Iguaçu, Brasil.
OUTONAL
(Lendo Mário Pederneiras)
O Outono é lânguido e doce…
Em tudo os mesmos tons fanados,
A mesma luz pálida e frouxa.
— O Outono é como se fosse
Ocasos alongados…
Sempre a meia tinta roxa
Dos clarões crepusculares.
Tudo vago, indeciso…
Entre a neblina cinzenta, diviso
Um lenço branco, como a enviar saudades…
Pela paisagem anda esparsa
A sombra, a melancolia…
Às montanhas envolve a névoa garça.
O melro um triste canto preludia…
São velhos os troncos
A paisagem sem viço e sem frescura:
Ao longe os penedos broncos
Projetam sombra escura…
Sinto o ritmo nostálgico do Outono
Na cor, na luz, no soluçar das águas…
Ao vento, bailam folhas amarelas,
A Natureza dorme um calmo sono,
Há em tudo um lamento impreciso de mágoas,
Erram na bruma sugestões de velas…
O Outono é plácido, macio,
Nele vive dispersa,
A saudade dolente do estio…
Cantagalo — 1926.
Em: Aurora de Símbolos, Rio de Janeiro, Edições Laemmert: 1942
Eduardo Victor Visconti ( Salvador, BA 1906 — 1998) poeta, contista, ensaísta, sociólogo, crítico de arte, professor, jornalista, membro Acad. Letr. RJ.
Obras:
Aurora de símbolos 1942
Poemas do meu abismo 1969
Samburá de ritmos 1989
Sociólogo dos sertões 1968
Últimos queixumes 1926
Vidas desiguais 1962
Vocação do abismo 1980
—–
Outras postagens sobre esta estação do ano:

Ser criança é coisa boa.
É estudar, comer, dormir.
É ter muito tempo à toa,
aguardando um bom porvir.
Outras quadrinhas neste blog: