Minutos de sabedoria — Luís Guilherme de Oliveira Gutman

26 07 2014

 

 

 

Edivaldo (Brasil) Futebol de sabado - 90x150Futebol de sábado, c. 2006

Edivaldo Barbosa de Souza (Brasil, 1956)

acrílica sobre tela, 90 x 150 cm

 

 

“É preciso que se diga que o objetivo do esporte é formar cidadãos. Ganhar é consequência.”

 

Luís Guilherme de Oliveira Gutman

 

 

 





Leis ditavam a moda na República Florentina do século XV

26 07 2014

 

 

Domenico Ghirlandaio (Italia, 1449-1494) jovemRetrato de jovem

Domenico Ghirlandaio (Florença, 1449-1494)

têmpera sobre painel de madeira, 44 x 32 cm

Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa

 

 

“A conquista da riqueza por meio do trabalho sempre foi louvada e admirada pelos florentinos, mas a ostentação do dinheiro era condenada. Ela suscitava inveja e era incompatível com o espírito republicano.  Havia, por exemplo, leis rigorosas que ditavam as regras da moda na cidade. Os homens deveriam usar um simples manto preto, mas os nobres e pessoas ilustres, como advogados e ricos comerciantes, podiam vestir-se com mantos coloridos. As mulheres também deveriam vestir-se de forma simples. Roupas de tecidos finos tinham de ser evitadas. Botões eram proibidos, assim como maquilagem e até algumas joias.  Havia uma polícia da moda que percorria as ruas para verificar se as regras estavam sendo cumpridas. Ela agia principalmente à noite, quando as pessoas se vestem para ir a festas, jantares e recepções. As denúncias anônimas suscitavam incertas da polícia da moda para flagrar transgressores. A violação das leis implicava multas e, em certos casos recorrentes, processos e punições mais severas. Mas essa austeridade começou a ser negligenciada quando Florença voltou a viver uma nova era de prosperidade econômica.

A riqueza e o desejo de esbanjá-la deturparam o gosto dos florentinos pela simplicidade. As leis que procuravam restringir a moda tornaram-se anacrônicas. Os policiais da moda proibiam o uso de um tecido, e os criadores da moda inventavam uma maneira de burlar a lei. Proibia-se o uso de botões, mas criavam-se falsos botões, que serviam apenas para enfeitar a roupa. Condenava-se o colar de pérolas, mas usava-se uma pérola na roupa como acessório. Em pouco tempo a polícia da roupa perdeu a guerra contra a indústria da moda….”

 

Em: Cosimo de Médici: memórias de um Líder Renascentista, Luiz Felipe D’Avila, São Paulo, Ediouro: 2008, pp. 45-6





Minutos de sabedoria: António Pinto Ribeiro

19 07 2014

 

 

ai Suijyo, 2010, acrilica, possibilidades infinitasBiblioteca com céu estrelado, 2010

Ai Suijyo (Japão, contemporâneo)

acrílica

Otaku Mode

 

 

“Um intelectual europeu da minha geração leu os franceses, os ingleses e os americanos. Um africano ou mexicano intelectual leu todos esses e ainda aquilo que eles próprios produziram em seus países. Então, há uma mais-valia em relação à tradição europeia.”

 

 

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 António Pinto Ribeiro





Canção de junto do berço, poesia de Mário Quintana

11 07 2014

 

 

bebe dormindo, Frances Tipton Hunter (1896 – 1957, American)Bebê dormindo, ilustração Frances Tipton Hunter (EUA, 1896 – 1957)

 

 

 

Canção de junto do berço

Mário Quintana

 

Não te movas, dorme, dorme

O teu soninho tranquilo.

Não te movas (diz-lhe a Noite)

Que inda está cantando um grilo…

 

Abre os teus olhinhos de ouro

(o Dia lhe diz baixinho).

É tempo de levantares

Que já canta um passarinho…

 

Sozinho, que pode um grilo

Quando já tudo é revoada?

E o Dia rouba o menino

No manto da madrugada…

 

 

Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e  Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.19

 

 





Presença de espírito de um árabe, texto de Latino Coelho

19 06 2014

 

 

1860_corot_le_peintre_dumax_01O pintor Dumax em trajes árabes, 1860

Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre tela, 33 x 22 cm

Coleção Particular

 

Presença de espírito de um árabe

Latino Coelho

 

El Hadjaje, governador de uma província de África, saíra um dia com seus grandes oficiais a caçar, e como seguisse tenazmente uma rês, afastou-se dos que o acompanhavam a ponto, que não sabia depois como voltasse.
Quando estava a meditar no que devia fazer viu um árabe velho, em um próximo campo, a mirá-lo muito atento.
— Donde és tu? disse o governador.
— Daquela cabana que vês além.
— Não és dos de Beni-Adjel?
— Tu o disseste: este campo pertence-lhe.
— Ora, conta-me cá bom velho, que se diz por aí dos agentes do governo?
— Diz-se que são homens sem honra, sem fé, e sem vergonha, que roubam, perseguem e oprimem os habitantes.
— E tu formas deles a mesma opinião?
— A mesma exatamente.
— E que me dizes de El Hadjaje?
— Digo que é o pior de todos. Deus o faça tão negro como um carvão, e amaldiçoe o Califa que lhe confiou o mundo.
— Sabes com quem estás falando?
— Em verdade, não sei.
— Pois eu sou El Hadjaje.
— Folgo em conhecer-te, disse o ancião sem perturbar-se. E tu sabes quem eu sou?
— Não, respondeu o governador maravilhado.
— Chamam-se Zeid-ben-Aamer, e sou o louco de Beni-Adjel. Todos os dias, um pouco antes do sol posto, perco a razão. São quatro horas talvez; não me pode tardar muito o acesso.
O governador não procedeu contra o pobre do homem, e depois de lhe perguntar pelo caminho que devia seguir, deu-lhe algum dinheiro, e abalou.

***

Em: O Panorama: semanário literário e instrutivo, volume IX, primeiro da terceira série, publicado em 5 de setembro de 1846 a 15 de dezembro de 1852. Lisboa: 1852, p. 312.

 





Minutos de sabedoria: Pe. Antônio Vieira

5 06 2014

 

 

Wilhelm_Maria_Hubertus_Leibl_007Peões conversando/os políticos da aldeia, 1877

Wilhelm Leibl (Alemanha, 1844-1900)

óleo sobre tela, 76 x 97 cm

Museu Oskar Reinhart, Stadtgarten, Suíça

 

 

“Tempo houve em que os demônios falavam, e o mundo os ouvia; mas depois que ouviu os políticos ainda é pior o mundo.”

 

 

P_Antonio_vieira
Padre Antônio Vieira, Sermões





Imagem de leitura — Albin Amelin

3 06 2014

 

 

Albin Amelin, duas mulheres próximas à janela, ost, HermitageDuas mulheres próximas à janela

Albin Amelin (Suécia, 1902-1975)

óleo sobre tela

Museus do Hermitage, São Petersburgo

 

 





Imagem de leitura — Eliseu Visconti

29 05 2014

 

 

A LEITURA - OST - 38x47 cm - Eliseu ViscontiA leitura

Eliseu Visconti (Brasil [n. Itália] 1866- 1944

óleo sobre tela, 38 x 47 cm





O Poliglota, poesia infantil de Jorge Sousa Braga

26 05 2014

 

???????????????????????????????Ilustração Belli Studio.

 

 

O Poliglota

 

Jorge Sousa Braga

 

Ele sabe palrar
Cacarejar
Arrulhar
Gorjear
Mugir
Vagir
Zunir
Latir
Berrar
Miar
Bramar
Chiar
Uivar
Ladrar
Rosnar
Grunhir
Zumbir
Rugir
Balir
Zurrar
Coachar
Chilrear
Grasnar
Cricrilar
Crocitar
E também sabe
Falar
Seja a língua que for

Até já o contrataram
Para o jardim zoológico
Como tradutor

 

Em: Poemas com Asas, Lisboa, Assírio & Alvim: 2001





Prelúdios, poesia de J. Dantas de Sousa

25 05 2014

 

 

margetson-william-henry-1861-a lady of qualityUma jovem de classe, s.d.
William Henry Margetson (Inglaterra, 1861-1940)
Aquarela e lápis sobre papel

 

Prelúdios

J. Dantas de Sousa

 

Por que em tua face angélica,

Meiga donzela formosa,

A cor purpúrea da rosa

Foi gratamente pairar

Quando outro dia eu em dúvida

Junto de ti quase a medo

Fui de minh’alma um segredo

Em segredo te falar?

 

Com sorriso terno e cândido,

No seio a fronte pendida,

Dizes não saber, querida,

Porque mudas-te de cor;

Pois eu sei:  — mimosa, ingênua,

Tu coraste, feiticeira,

Por essa a vez primeira

Que ouvias falar d’ amor.

 

Dize agora: se os meus lábios

Abrasados de desejos

Aos teus furtarem mil beijos

Hás de corar como então?…

Ai, não respondes; mas, lânguidos,

Dizem teus olhos brejeiros

Que hás de corar…aos primeiros:

Mas aos segundos — já não…

 

(Setembro de 1859)

 

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17,  23 de outubro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 107.