Brazeiro para perfumes, século XII
Possivelmente de Constantinopla
Igreja de San Marco, Veneza
© Procuratoria della Basilica di San Marco, Venezia
David Emile Joseph de Noter (Bélgica, 1818-1892)
óleo sobre tela, 77 x 64 cm
Coleção Particular
Eça de Queiroz
Ilustração de Ingela P. Arrhenius.
Maria Alberta Menéres
Porque é que me chamo coelho
E não me chamo melão?
Porque é que me chamo lagartixa
E não me chamo cão?
Porque é que me chamo uva
E não me chamo chuva?
Porque é que me chamo Maria do Céu
E não me chamo chapéu?
Porque é que me chamo pedra
E não me chamo perna?
Porque é que me chamo cebola
E não me chamo papoila?
Porque é que me chamo casa
E não me chamo asa?
Porque é que me chamo Sol
E não me chamo Lua?
Porque é que me chamo Lua
E não me chamo caracol?
Cada coisa tem o seu nome
Para assim ser conhecida.
Em: Conversas com versos, Maria Alberta Menéres, Lisboa, Edições Asa:2005
Retrato de Virgínia Shaw, 1930
Bernard Boutet de Monvel (França, 1881-1949)
óleo sobre tela, 71 x 64 cm
Em leilão na Christie’s, Nova York, Venda 9016
“Em 1901, o Mercure de France, que vinha mantendo seções sobre literaturas estrangeiras, iniciou a publicação da rubrica Lettres brésiliennes, a cargo de Figueiredo Pimentel. Teríamos agora, pelo menos, a ilusão de que os franceses tomariam conhecimento da nossa existência. Uma carta de Remy de Gourmont ao escritor brasileiro, datada de 19 de novembro de 1900, informa-nos das circunstâncias em que se inaugurou a referida colaboração. Figueiredo Pimentel já se correspondia de há muito tempo com Remy de Gourmont, um dos diretores do Mercure; era, pois, natural que viesse solicitar a este um lugar para as nossas letras na importante revista francesa. Gourmont escreve “Se o Sr. Carvalho foi dispensado pelo Mercure, é que desde que aceitou a redação de ‘Lettres brésiliennes‘ não deu ainda um artigo, e isso há quase um ano. Espero, ao contrário, que o senhor enviará logo a sua primeira crônica.”O Carvalho a que alude Gourmont não seria outro senão o escritor português Xavier de Carvalho, correspondente da Gazeta de Notícias e d’O País na França. Assim graças à intervenção do autor de Culture des Idées, a rubrica foi confiada a Figueiredo Pimentel. Gourmont faz, porém, uma curiosa advertência ao confrade brasileiro na mesma carta:
“Escrevendo para a França, o senhor escreve para um povo mais ou menos cético e que não costuma entusiasmar-se senão raramente. Deverá pois cuidar de ser moderado nos elogios, mesmo com relação aos melhores escritores brasileiros. Para um francês dizer de alguém: é um escritor de talento — já constitui um grande elogio. Há certamente nas mesmas palavras empregadas pelas duas línguas uma grande diferença de sentido; há sobretudo grande diferença de temperamento entre os dois povos. O senhor não conhece a neve e a geada, enquanto a nós o inverno nos esfria todos os anos. “
Parece que Remy de Gourmont já havia sido notificado da facilidade com que se distribuem elogios em nosso meio literário. Procurara assim acautelar o escritor brasileiro contra a impressão que poderiam causar na França as notícias de uma literatura em que os talentos e os gênios proliferassem com facilidade assombrosa.”
Em: A vida literária no Brasil 1900, Brito Broca, Rio de Janeiro, José Olympio:2005, 5ª edição, pp: 331-332
Seus espinhos são pêlos duros modificados e podem alcançar até 10 cm de comprimento. Estão presentes na cabeça, pernas e parte anterior da cauda. Nome científico: Coendou prehensilis. Está ameaçado de extermínio na natureza. Tem uma cauda longa que chega ao comprimento de 30 a 57 cm. Em geral o porco-espinho pesa por volta de 4 Kg, e chega a 54 cm de comprimento. Ele come sementes de frutos, cocos, cascas de árvores e folhas. Anda sozinho e gosta de sair à noite. Vive cerca de 10 anos.
A chegada da família real a Salvador, 1952
Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)
Óleo sobre tela
Pinacoteca da Associação Comercial da Bahia.
“O bergantim real, alcatifado de coxins de veludo, com o seu belo toldo de damasco franjado, atracou debaixo do mais quente ribombo de festa. O povo espremia-se no cais. Milhares de espectadores, com avidez mordente, o coração aos saltos, contemplavam, fascinados, a embarcação garrida. Tudo queria “ver o rei”. O Conde dos Arcos, que então governava o Brasil, correu a abrir a portinhola: e do bergantim, muito ataviada de garridices, desceu lustrosamente a família real. Era D. João VI em grande gala. Era D. Carlota Joaquina, com seu fuzilante diadema de predarias. D. Pedro, o herdeiro do trono, principezinho de nove anos, muito vivo, os cabelos crespos e negros, saltou acompanhado de Frei Antônio de Arrábida, o preceptor. Seguia-o o irmão mais moço, o infante D. Miguel, todo de veludo, calças compridas, o gorro apresilhado por um fúlgido broche de pedras. As princesas vinham enfeitadas com primor. Muito lindas. Vestiam sedas dum azul pálido, enevoadas de arminho, com grandes diamantes nas orelhas e altos trepa-moleques nos cabelos. Viera, também, galhardo e belo, um moço arrogante, muito simpático, olhos romanticamente verdes: era o Senhor D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, infante da Espanha, sobrinho dos regentes.
No cais, fora armado um altar. D. João e D. Carlota, seguidos pelo príncipe e pelos infantes, ajoelharam-se diante dele. O chantre da Sé tomou da água benta e aspergiu ritualmente os reais hóspedes. Tomou do turíbulo de prata e incensou-os por três vezes. D. João, com fervorosa compungência, caiu então por terra: beijou o Santo Lenho. A corte, prosternando-se, acompanhou-o no beijo tradicional. Depois, ao longo do cais, formou-se um séquito de honra. Lá ia a bandeira, lá ia a cruz, lá iam os nobres, lá ia o clero, lá ia a gente da terra. No meio das alas, carregado pelo Senado da Câmara, franjado de ouro, rutilando ao sol, um imenso pálio de seda: e, debaixo dele, com os seus atavios carnavalescamente vistosos, a deslumbrar a colônia, toda a família real.”
Em: As maluquices do Imperador, Paulo Setúbal, São Paulo, Clube do Livro: 1947, pp: 14-15.
Ernst Witkamp (Holanda, 1854-1897)
aquarela, 33 x 22 cm
Joseph Conrad
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Pierrot cantando ao luar, ilustração de John A. Ardema.–
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Murilo Araújo
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Cantemos rindo
canções douradas!
O luar é lindo
pelas estradas…
Rodem as rondas
com as mãos dadas!
Rodem nas rondas
os camaradas!
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Há na floresta
que a luz debrua
alguma festa
que continua…
Rodem as rondas
pela floresta…
Dance na festa
Senhora Lua!
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Não passam pagens
na redondeza
com carruagens
para a princesa?!
Rodem as rondas
com ligeireza!
Dance com os pagens,
Dona Princesa!
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Não andam fadas
voando no ar
pelas estradas
cor de luar?
Rodem as rondas
descabeladas!
Senhoras fadas,
vamos dançar!
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Pelas estradas
iluminadas…
Vamos dançar, dançar…
dançar!…
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Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960
Élisabeth Jacquet de La Guerre
François de Troy (França, 1645-1730)
Daniel Pennac