Leite com café, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

4 08 2008
Belli Studio.

Vaquinha ditosa. Ilustração: Belli Studio.

 

Leite com café

 

 

Sou garoto curioso,

e pra bem me instruir,

o que me é misterioso,

tento logo descobrir.

 

Sem certeza ou sem fé,

indago desde pequeno:

se a vaca bebesse café,

o leite seria moreno?

 

 

Maria da Graça Almeida

 

 

 

 

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.

 

 





A boneca — poesia infantil de Olavo Bilac

2 08 2008
A boneca quebrada ilustração de Cristina Rosetti

A boneca quebrada ilustração de Christina Rossetti

 

 

A  BONECA

 

 

Deixando a bola e a peteca,

Com que inda há pouco brincavam,

Por causa de uma boneca,

Duas meninas brigavam.

 

Dizia a primeira: “É minha!”

  “É minha!” a outra gritava;

E nenhuma se continha,

Nem a boneca largava.

 

Quem mais sofria (coitada!)

Era a boneca. Já tinha

Toda a roupa estraçalhada,

E amarrotada a carinha.

 

Tanto puxaram por ela,

Que a pobre rasgou-se ao meio,

Perdendo a estopa amarela

Que lhe formava o recheio.

 

E, ao fim de tanta fadiga,

Voltando à bola e à peteca,

Ambas, por causa da briga,

Ficaram sem a boneca…

 

                                                        Olavo Bilac

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Muito antes de Fernando Pessoa dizer que sua pátria era sua língua, já Olavo Bilac havia proclamado:  A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.

Outras ilustrações de Christina Rossetti neste blog:

 

Gato e Rato

Os músicos de Bremen

 

 





Xadrez — poesia infantil de Sidonio Muralha

31 07 2008

 

 

 

Xadrez    

 

 

É branca a gata gatinha

É branca como farinha.

É preto o gato gatão

É preto como o carvão.

E os filhos, gatos gatinhos,

São todos aos quadradinhos.

Os quadradinhos branquinhos

Fazem lembrar mãe gatinha

Que é branca como a farinha.

Os quadradinhos pretinhos

Fazem lembrar pai gatão

Que é preto como carvão

Se é branca a gata gatinha

E é preto o gato gatão,

Como é que são os gatinhos?

Os gatinhos eles são,

São todos aos quadradinhos.  

 

Sidonio Muralha, (Lisboa, 1920 – Curitiba, 1982)

 

 

Do livro:

A televisão da bicharada, Sidonio Muralha. Global: 1997, São Paulo. Originalmente publicado em 1962.

 

 





Carlos Drummond de Andrade poesia para crianças!

30 07 2008

 

PARÊMIA DE CAVALO

 

Cavalo ruano corre todo o ano

Cavalo baio mais veloz que o raio

Cavalo branco veja lá se é manco

Cavalo pedrês compro dois por mês

Cavalo rosilho quero com filho

Cavalo alazão a minha paixão

Cavalo inteiro amanse primeiro

Cavalo de sela mas não pra donzela

Cavalo preto chave de soneto

Cavalo de tiro não rincho, suspiro

Cavalo de circo não corre uma vírgula

Cavalo de raça rolo de fumaça

Cavalo de pobre é vintém de cobre

Cavalo baiano eu dou pra fulano

Cavalo paulista não abaixa a crista

Cavalo mineiro dizem que é matreiro

Cavalo do sul chispa até no azul

Cavalo inglês fica pra outra vez.

 

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

Carlos Drummond de Andrade (MG 1902 – RJ 1987) – Poeta, escritor, contista, cronista, jornalista, pensador brasileiro.

 

Ilustração:

CAVALOS, José Lutz Seraph Lutzemberger ( Brasil -1882-1951) aquarela.





Itapetininga: o povo se acostuma às bombas!

30 07 2008

Luta nas trincheiras, Revolução de 1932

         Luta nas trincheiras, Revolução de 1932, Estado de São Paulo.

 

Itapetininga, 28 e 29 de julho de 1932

 

 

 

Descem tropas para as localidades do sul.  Há grande ansiedade pela terminação da luta.  Reina desânimo na população, posto que os soldados marcham resolutos para as trincheiras.

 

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Há relativa calma na cidade.  O povo já se habituou aos combates a poucos quilômetros  e às visitas dos aviões que aqui desovam de vez em quando, algumas bombas.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 131-132, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

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Enquanto isso, na capital e no resto do estado a população dá apoio total sem restrições às tropas e soldados voluntários.  São Paulo, capital, Revolução de 1932.

 

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Itapetininga, 30 de julho de 1932

 

 

 

Continuam prisões de pessoas suspeitas.  É geral o ardor do paulista pela causa de S. Paulo.  Nota-se grande animação por parte dos soldados que aqui chegam para combater as forças do governo federal.  

 

 

 Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 132, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

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Paisagem do sertão, de Luis Delfino, poesia infantil

29 07 2008
Cena de interior, 1891; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

Cena de interior, 1981; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

 

 

PAISAGEM DO SERTÃO

 

Pelo sapê furado da palhoça

Milhões de astros agarram-se luzindo;

O pai há muito madrugou na roça.

A mãe prepara o almoço.  O dia é lindo.

 

Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa

O fumo dos tições; anda zunindo

À porta um marimbondo e fazem troça

As crianças com um ramo o perseguindo.

 

Correm, chilram, vozeiam, tropeçando

Num velho pote; a mãe zangada ralha,

A avó lhes lança um olhar inquieta e brando.

 

No chão, um galo ajunta o milho e espalha,

Enquanto a um canto, as plumas arrufando,

Põe a galinha no jacá de palha.

 

Luís Delfino

 

 

Do livro: Vamos estudar, de Theobaldo Miranda Santos, 3ª série; Agir: 1952, Rio de Janeiro.

 

 

Luís Delfino dos Santos (SC 1834 – RJ 1910)—Formado em medicina, tornou-se político e poeta brasileiro, foi Senador por Santa Catarina.  Prolífico poeta, escreveu mais de 5000 poemas.  Publicou-os em jornais e revistas da época.  Sua obra, em livros, foi toda publicada postumamente.

 

 





A canção dos tamanquinhos, poema infantil, Cecília Meireles

28 07 2008
Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

 

A CANÇÃO DOS TAMANQUINHOS

 

 

 

Troc…  troc…  troc…  troc…

ligeirinhos, ligeirinhos,

troc…  troc…  troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

Madrugada.   Troc…  troc… 

pelas portas dos vizinhos

vão batendo, Troc…  troc… 

vão cantando os tamanquinhos…

 

Chove.  Troc…  troc…  troc… 

no silêncio dos caminhos

alagados, troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

E até mesmo, troc…  troc…

os que têm sedas e arminhos,

sonham, troc…  troc…  troc…

com seu par de tamanquinhos…

 

 

Cecília Meireles

 

 

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, jornalista.

 

Obras

 

Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

DETALHE: Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

 

 

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa

 

 

 

 

 

 





História da Planta, poesia infantil de Ofélia e Narbal Fontes

26 07 2008
Partes das plantas

Partes das plantas

 

HISTÓRIA DA PLANTA

 

 

A raiz:        Do mundo não vejo nada,

                   Pois vivo sempre enterrada,

                   Mas não me entristeço, não,

                   Seguro a planta e a sustento

                   Sugando água e alimento.

 

 

O caule:     Sou tronco que levanta

                   E estende para os espaços

                   Braços, braços e braços

                   Colhendo a luz para a planta.

 

 

A folha:     Da planta sou o pulmão

                   Mas além de respirar,

                   Tenho uma grande função:

                   Roubo energia solar.

 

 

A flor:        Sou a mãe da vegetação

                   e me perfumo e me enfeito

                   para criar em meu peito

                   plantinhas que nascerão.

 

 

O fruto:      Sou o cálice da flor,

                   Que inchou e ficou maduro

                   Pela força do calor

                   E guardo em mim, com amor,

                   As plantinhas do futuro.

 

 

Ofélia e Narbal Fontes

 

 

 

Árvore e suas partes. Desenho de aluno da 2a série do curso básico, escola de Mateus, Portugal, 2006

Árvore e suas partes. Desenho de aluno da 2a série do curso básico, escola de Mateus, Portugal, 2006

Ofélia e Narbal Fontes casal de educadores brasileiros, paulistas, que escreveram livros em conjunto, na sua maioria didáticos.  Ofélia de Avelar Barros Fontes (SP 1902 –? ) poeta, biógrafa, autora didática, tradutora, romancista, teatróloga, professora, radialista; Narbal de Marsillac Fontes (SP 1899– RJ 1960) Poeta, biógrafo, cronista, teatrólogo, professor, jornalista, diplomado em medicina (1930), médico.

 

 

Livros:

 

No Reino do Pau-Brasil – Crônicas humorísticas (1933)

Senhor Menino – Poesias —

Regina, A Rosa de Maio

Romance de São Paulo – Romance — (1954)

Rui, O Maior – Biografia Rui Barbosa

Precisa-se de Um Rei — Literatura infanto-juvenil

Anhangüera, o gigante de botas – Literatura infanto-juvenil, (1956)

Coração de Onça – Literatura infanto-juvenil

O Talismã de Vidro — Literatura infanto-juvenil

Heróis da comunidade Mundial — biografias

A Gigantinha

A Espingarda de Ouro

Aventuras de Um Coco da Bahia

Esopo, O Contador de Estórias

Novas Estórias de Esopo

A Falsa Estória Maravilhosa

Espírito do Sol — Literatura infanto-juvenil

O Micróbio Donaldo  — Saúde e higiene — paradidático — (1949)

História do Bebê — Saúde e higiene — para didático

Ler, Escrever e Contar

Ilha do Sol

Segredos das mágicas — Literatura infantil

Brasileirinho – Música (1942)

Companheiros: história de uma cooperativa escolar (1941)

Pindorama

O Menino dos Olhos Luminosos

A Boa Semente

A Vida de Santos Dumont – Biografia Santos Dumont — (1935)

O Bicho “Sete-Ciências”  — Literatura infanto-juvenil

O Gênio do Bem —

Cem Noites Tapuias – Literatura infanto-juvenil

Ascensão – Poesia – (1961)

Um Reino sem mulheres – Biografia: Villegagnon

O leão obediente — (1915)

Libretto de La Traviata — Música — (1940)

 

 





Uma avó — poema de Stella Leonardos

24 07 2008

 

Vovó contando histórias.  Ilustração de Gustave Doré (França 1832 - 1883)

Vovó contando histórias. Ilustração de Gustave Doré (França 1832 - 1883)

UMA AVÓ

 

És a saga de ternura

Das cantigas de ninar.

Sugestão de iluminura

Nas histórias de encantar.

Clarão de candeia pura

Sobre o livro de rezar.

 

Fada boa envelhecida.

Tecedeira de ilusão.

Esperança comovida.

Doce crença de cristão.

Duas vezes mãe na vida.

Duas vezes devoção.

 

 

 

Stella Leonardos

 

 

 

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.





Minha terra — poesia de Lobo da Costa — para crianças

24 07 2008

 

O Gaúcho, José Lutz Seraph Lutzemberger, (Brasileiro [nascido na Alemanha] 1882-1951, aquarela

O Gaúcho, s.d.

José Lutz Seraph Lutzemberger

(Brasileiro 1882 – 1951)

Aquarela

MINHA TERRA

 

Lá, na minha terra, quando

O luar banha o potreiro,

Passa cantando o tropeiro,

Cantando, sempre cantando;

Depois, avista-se o bando

Do gado que muge, adiante;

E um cão ladra bem distante,

Lá, bem distante, na serra;

Nunca foste à minha terra?!

 

Enfrena, pois, teu cavalo,

Ferra a espora, alça o chicote

E caminha a trote, a trote,

Se não quiseres cansá-lo.

Ainda não canta o galo,

É tempo de viajares.

Deixarás estes lugares,

Iras vendo novas cenas

Sempre amenas, muito amenas.

 

O laranjal reverdece,

E ao disco argênteo da lua,

Logo os olhos te aparece

A estrela deserta e nua.

………………………………………………

 

Lobo da Costa

 

 

Francisco Lobo da Costa (Pelotas, RS 1853 — RS 1888 ) Poeta, jornalista e teatrólogo brasileiro.

 

A obra poética:

 

Esparsa nos jornais:  Eco do Sul, Diário de Pelotas e Progresso Literário.

Espinhos d’alma em (1872)

 

Poesias em edições póstumas:

 

 Dispersas

Auras do Sul.

 

 

 

Do livro:

 

Criança brasileira: terceiro livro de leitura, edição especial para o Rio Grande do Sul, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro.  [livro didático para a 3ª série do curso básico].