Patrimônio Cultural da Humanidade: Minarete em Jam

4 11 2014

 

 

 

MINARETE JAM

Afeganistão:

Minarete e ruínas arqueológicas em Jam.

O minarete tem 65 metros de altura. Foi construído no século XII. Trata-se de uma estrutura coberta por elaborado trabalho em tijolos, levando inscrição em azul, na parte superior. A  arquitetura e a decoração são excepcionais. Localizado nas profundezas de um vale fluvial ele se eleva, com grande elegância e dramaticidade por entre as montanhas, no coração da província de Ghur.





Patrimônio Cultural da Humanidade: Tipasa, Argélia

16 09 2014

 

 

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Argélia

 

Tipasa

 

Tipasa é um dos mais extraordinários complexos arqueológicos do Norte da África, talvez o mais importante para o estudo dos contatos das civilizações ao longo do Mediterrâneo tendo sido colonizada desde o século VI aEC ao século VI da nossa era. Localizada a 70 km a oeste de Argel, foi um posto de comércio de Cartago, e mais tarde foi um porto de prestígio do Império Romano, a partir do século III da nossa era. Nem mesmo a invasão dos Vândalos em 430 acabou com a prosperidade do local, só depois da reconquista da cidade pelos Bizantinos, em 531 que a cidade entrou em declínio até o final do século seguinte.





Uma sala de jantar giratória, na Roma do Imperador Nero

14 07 2014

 

 

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Uma das descobertas arqueológicas mais interessantes deste ano foi em Roma: um grupo de arqueólogos franceses e italianos descobriu a sala de jantar giratória no Domus Aurea enorme palácio do Imperador Nero, que governou o Império Romano de 54 a 68 aEC. Este palácio, que abrigava mais de 300 aposentos recobertos em mármore, foi construído imediatamente depois do grande incêndio de Roma, que para muitos havia sido iniciado pelo próprio imperador, com a intenção de abrir terreno para essa construção.

Preocupado com a diplomacia e com o comércio internacional Nero construiu este extravagante palácio para impressionar seus ilustres visitantes. A sala de jantar giratória, resultado de uma das mais sofisticadas e complexas estruturas da antiguidade fez parte dessa campanha diplomática, mostrando aos lideres ali recebidos todo o poder de Roma. A descoberta dessa sala de jantar confirma as descrições feitas pelo historiador Suetônio.

 

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Um modelo dos discos giratórios que faziam parte da estrutura da sala de jantar na Domus Aurea. Ilustração Françoise Villedieu e Edikom.

 

Até 2009 quando o Palácio de Nero foi descoberto, as descrições de Suetônio em A vida dos doze césares pareciam ser obra uma fantasiosa do historiador romano: uma estátua colossal de Nero de quase 40 m de altura, uma carreira de colunas de 1.500 metros de comprimento, lago, edifícios representando cidades, parreirais, bosques, animais exóticos… Uma construção coberta em folha de ouro, decorada com pedras semipreciosas e uma sala de jantar giratória pareciam resultado de uma imaginação fecunda. Mas faz cinco anos, a credibilidade de Suetônio ao descrever Nero e seu palácio começa a ser reavaliada e considerada bastante precisa. Agora é esperar para ver que detalhes do período do imperador Nero ainda serão descobertos no local.

 

Fonte: Ancient Origins





Esmerado: dignitário Wari, Peru

2 07 2014

 

 

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Dignitário em pé. Costa sul do Peru, Cultura Wari, Horizonte Médio, séculos VII a XI ou seja entre os anos 600 e 1000 da Era Comum. Madeira revestida por conchas, pedras e prata. 10,2 x 6,4 x 2,6 cm Kimbell Art Museum, Fort Worth, Tx.

 

Mais





Curiosidade: o ancestral do jogo de gamão

14 05 2014

 

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Jogo de mesa da antiga Suméria, com peças para jogar. Materiais: conchas, lápis lázuli e calcário vermelho. Encontrado no Cemitério Real de Ur, datando de 2.600 anos antes da Era Comum [2.600 aEC], ou seja tem aproximadamente 46 séculos de idade. Acredita-se ser um ancestral do jogo de gamão.

 

Como jogar:

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O mais antigo manuscrito cristão da África

8 02 2014

Garima-gospels_2_1672773cOs Evangelhos de Garima, iluminura, c. 330-660 EC.

Em janeiro passou sem referência na imprensa carioca uma descoberta anunciada em quase todos os  jornais europeus: novas datação para os Evangelhos de Garima, que os transformam no mais antigo manuscrito ilustrado cristão do mundo.  Esses dois volumes, um de 348 páginas com 11 páginas iluminadas e  outro de 322 página com 17 iluminuras, foram encontrados em um mosteiro etíope na região montanhosa do país  a 2.150 m de altitude.  Os Evangelhos de Garima haviam sido anteriormente datados de 1100 da Era Comum, mas novo exame por rádio carbono realizado em Oxford sugere data anterior:  entre 330 e 650EC, tendo os anos de 487-488 a data mais indicada. Esta descoberta tem duas conseqüências: muda o nosso conhecimento sobre o desenvolvimento de manuscritos iluminados e lança uma nova luz sobre a difusão do cristianismo na África subsaariana. Preservados em um mosteiro isolado na região de Ti Gray, os Evangelhos de Garima permanecem como únicos exemplares datados de antes do século XII,  pré-datando todos os outros manuscritos cristãos por mais de 500 anos.  Essa nova informação sobre o manuscrito pode ligá-lo diretamente ao tempo de Abba Garima, fundador do mosteiro.  Vindo de Constantinopla, o monge Garima chegou à a Etiópia por volta de 494. Diz a lenda que ele copiou os Evangelhos em um único dia.  Para ajudá-lo a concluir esta longa tarefa, Deus teria adiado o por do sol.

garima_gospels2.jpgOs Evangelhos de Garima

A sobrevivência dos Evangelhos Garima é surpreendente,  já que todos os outros manuscritos etíopes anteriores parecem ter sido destruídos em tempos de turbulência. Muito pouco se sabe sobre a história do Mosteiro de Abba Garima, mas ele pode ter sido invadido na década de 1530 por muçulmanos.   E em 1896 essa área foi o centro de resistência das forças italianas que lutavam para manter a colônia.  Além disso a igreja principal do monastério pegou fogo em 1930. Sabe-se que esses evangelhos estavam escondidos, talvez por séculos ou até mesmo por mais de um milênio.  Em 1520, capelão Português Francisco Álvarez visitou o mosteiro e registrou que havia uma caverna (agora perdida ou destruída), onde acreditava-se que Abba Garima havia vivido. Álvarez relatou que os monges desciam até a gruta por uma  escada para fazer penitência.  Especula-se,portanto, que  os Evangelhos possam ter sido escondidos nesta caverna.

FONTE: The Art Newspaper





Tumba de mestre-cervejeiro descoberta em Luxor

4 01 2014

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Um mestre-cervejeiro da corte certamente tinha um bom status social no antigo Egito.  Podemos concluir isso depois que especialistas japoneses descobriram em Luxor, no sul do Egito, uma tumba de um chefe cervejeiro, da época de Ramsés II, ou seja, dos séculos XII a XI antes da Era Comum.  Sua cervejaria era dedicada à deusa Mut.   Sabemos disso graças às descobertas anunciadas no dia 2 de janeiro, pelo ministro egípcio de Antiguidades, importantes detalhes da vida cotidiana do dono da cervejaria, identificado como Junsu-Im-Heb, [ou Khonso Em Heb] é um passo importante para se reconstruir a vida diária dos cidadãos da civilização do Nilo.  A família do mestre cervejeiro, que também está retratada, viveu a 3.200 anos atrás.

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Jiri Kondo, chefe da equipe da universidade japonesa de Waseda, explicou que o sepulcro foi descoberto enquanto faziam trabalhos de limpeza para um estudo da tumba TT-47, pertencente a um alto funcionário da época do rei Amenhotep III.

As pinturas murais encontradas mostram diversos aspectos da vida diária da época e da família de Junsu-Im-Heb. Mostram com naturalidade a relação entre um marido, sua esposa e seus filhos, e também como faziam suas práticas religiosas. Seu estudo trará valioso conhecimento sobre o cotidiano da vida a mais de 3.000 anos passados.

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A tumba, repleta de pinturas murais, foi construída numa planta em formato de T, tem dois salões além da câmara mortuária e mostra curiosas cenas do dia a dia, retratando inclusive a admiração de diferentes pessoas antes de um ritual funerário, conhecido como “Abrir a Boca” da época.  Curiosamente esta tumba está ligada à câmara mortuária de uma pessoa chamada Houn, mas ainda não identificada. Além das paredes laterais internas, o teto da tumba também mostra imagens pintadas com delicadeza, imagens precisas e de grande beleza.  Há também a uma pintura representando o pôr do sol.

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Se você está intrigado com essa tumba, e se pergunta por que um mestre cervejeiro teria o status de importância para justificar tanto luxo, talvez seja bom lembrar que uma das primeiras bebidas feitas pelo homem foi a cerveja, que era na antiguidade consumida por todos, jovens, velhos e crianças. Era bebida por ricos e pobres e a cerveja fazia parte dos rituais religiosos diários e em grandes cerimônias. No Egito antigo a cerveja era mais doce e mais grossa do que a bebida que conhecemos hoje.

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Para evitar o saque o governo egípcio aumentou a segurança em torno da tumba até que sejam analisadas todas suas partes. Eventualmente o público terá acesso aos achados nessa tumba. Luxor é uma cidade de 500.000 habitantes, localizada às margens do Nilo, no sul do Egito. É considerada um museu ao ar-livre por causa do grande número de templos e tumbas faraônicas encontradas lá.

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Fontes: The Atlantic, Terra — Fotos: Luxor Times e France Press.





Interessantes descobertas arqueológicas no México

12 07 2013

pinturarupestremexicoPintura rupestre, Serra de San Carlos, México.

Nas últimas 6 semanas o México surpreendeu com uma série de descobertas arqueológicas de grande valia.  No final de maio foram 4.925 pinturas rupestres em Burgos, no Estado de Tamaulipas, no nordeste do país. Pinturas feitas em cores facilmente encontradas na natureza como vermelho, amarelo, preto e branco representando pessoas, animais, e insetos alem de representações do céu e imagens abstratas, fazem parte de um grande achado, pois não se acreditava que na região da serra de San Carlos houvesse significantes resquícios de antigas culturas.  No entanto, essas pinturas distribuídas em 11 locais diferentes na serra  revelaram três  grupos de povos caçadores cujas idade ainda está imprecisa.  Análise química terá que ser aplicada as esses achados para descobrir mais sobre os habitantes da região.  O material encontrado é extenso e necessitará de cuidadosa investigação.  Só em uma caverna específica foram descobertas 1.550 imagens. A arqueóloga Martha Garcia Sanchez, que está envolvida nos estudos dessas descobertas, lembrou que se sabe muito pouco sobre as culturas que viveram em Tamaulipas: “Esses grupos escaparam do domínio espanhol por 200 anos porque fugiram para a Serra San Carlos, onde encontraram água, plantas e animais para se alimentarem“.

arqueologiacivilizacaomaiaefe1Arqueólogo mostra um dos muros descobertos em Campeche.

Três semanas depois foi  a vez da descoberta em  Campeche, no leste do México de uma antiga cidade maia que dominou uma vasta região há 1.400 anos.  De acordo com o  Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) essa cidade “permaneceu oculta na selva” durante séculos, até ser descoberta há duas semanas por uma equipe de arqueólogos que a batizou de Chactún, o que significa ‘Pedra Vermelha’ ou ‘Pedra Grande’ em maia.  Essa cidade maia, está situada entre as regiões de Rio Bec e Chenes.  Sua área cobre aproximadamente  22 hectares e teve seu apogeu entre anos 600 e 900 da era comum.

“É definitivamente um dos maiores sítios das Terras Baixas Centrais” da civilização maia, disse Ivan Sprajc, arqueólogo do Centro de Pesquisas Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes, que liderou a expedição. “São as estelas e altares que melhor refletem o esplendor da cidade contemporânea de urbes maias como Calakmul, Becán e El Palmar”, destacou o INAH.

Inscrições em uma das estelas contam que o governante K’inich B’ahlam “cravou a Pedra Vermelha (ou Pedra Grande) no ano de 751“, o que levou os cientistas a chamar a cidade de Chactún. O sítio conta com numerosas estruturas de tipo piramidal, de até 23 metros de altura, assim como dois campos de jogo de pelota, pátios, praças, monumentos e residências.A descoberta foi possível graças à análise de fotos aéreas de vestígios arquitetônicos.  A esperança é que essa descoberta venha a esclarecer a relação entre as regiões de Rio Bec e Chenes, assim como seu vínculo com a dinastia Kaan estabelecida em Calakmul.

 “Nesses locais estão espalhados numerosas estruturas piramidais, palácios, incluindo 2 campos de jogos, pátios, plazas, monumentos esculturais e áreas residenciais.  A pirâmide mais alta tem 23m de altura.  O que impressiona é o grande número de edificações.  São as estelas – 19 encontradas até agora — e os altares, muitos dos quais tem argamassa, que melhor refletem o esplendor dessa cidade do Período Clássico Tardio (600-900 da era comum)”, comentou Ivan Šprajc, arqueólogo que lidera a equipe de arqueólogos mexicanos e estrangeiros financiados pela  National Geographic.

mexicoarqueologiafigurasefe1Objetos encontrados em Veracruz.

E ontem, houve o anúncio da descoberta de 30 sepulturas pré-hispânicas na região de Veracruz, no México por arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah). Elas têm  quase 2.000 anos.  Junto  foram descobertos chifres de veados, restos de tartarugsa, peixes, e fósseis antigos.  Isso tudo ao lado de uma pirâmide de 12 metros de altura e 25 metros de largura cercada de ladrilhos com características maias da região de Comalcalco (em Tabasco).

A pirâmide, segundo os pesquisadores, é toda em pedra.  Pedra é um material raro.  A maioria das estruturas piramidais encontradas na região de Veracruz, a 400 quilômetros da Cidade do México, são de terra pisada. No local, foram localizadas também ossadas acompanhadas por oferendas que continham ossos de animais, pedras como jade e espelhos, além de símbolos de origem teotihuacano, maia, nahua, popoluca e da cultura de Remojadas (no centro de Veracruz).

FONTES: BBC ,México Unmasked, Terra





Uma mulher de 4.500 anos usaria joias?

30 04 2013

Espelho, Inha Bastos (Brasil, 1949) Menina do espelho, 2008, ost. 50x50cm

Menina do espelho, 2008

Inha Bastos (Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

Inha Bastos

Vaidade e status social de uma mulher que viveu há aproximadamente 4.500 anos, no que hoje é a Inglaterra, são provavelmente as causas das joias encontradas com seu esqueleto em Windsor na Inglaterra. Carinhosamente chamada de “Rainda de Kinsmeade”  — Kingsmead é o local próximo a Windsor onde foi descoberta —  esta mulher, foi encontrada em sítio explorado por arqueólogos de Wessex. Suas joias, como lembram os cientistas, devem ter sido símbolos de sua afluência e  importância para a sociedade em que vivia.

Beaker_cultureDomínio do Povo dos Copos.

O pouco que restou de seus ossos, aparentemente corroídos pela acidez do solo, deixou que se concluísse ser uma mulher de aproximadamente 35 anos.  Foi enterrada usando um colar com contas de ouro intercaladas com contas de lignite.  No túmulo também foram encontradas contas de âmbar, perfuradas, que podem ter sido botões da vestimenta que usava quando enterrada.  E parece ter usado também um bracelete de contas negras.

3potsCopos de barro encontrados no túmulo do arqueiro de Amesbury.

Por causa de um copo encontrado ao seu lado, é possível que “a rainha de Kinsmead” tenha pertencido ao Beaker Folk [Povo dos Copos] uma cultura com raízes na península ibérica que dominava com grande técnica a manufatura de artefatos de cobre e de ouro.  O Povo dos Copos era assim chamado por fazer uso de copos, provavelmente para beber cerveja ou outra bebida fermentada.  Por volta de 2400 a.C. o Povo dos Copos dominou toda a península ibérica, parte do sul e do norte da França, a Alemanha, as terras onde hoje encontramos a Holanda e a Bélgica, a costa da Sardenha e Sicília, a Irlanda e o sul da Inglaterra.  Pessoas desse povo eram frequentemente enterradas com todo tipo de pertences incluindo copos de barro. É quase certo que esse senhora  fosse de fato mulher de prestígio pois tinha pertences que seriam raros e exóticos.

Kingsmead quarry gold beadsContas de ouro encontradas no local.

Análise de seus pertences colocam a origem do ouro provavelmente na Irlanda, a do lignite no leste da Inglaterra e o âmbar podendo ser de um lugar tão longínquo quanto o Báltico.

Recentemente o sítio em Kingsmead tem sido fonte de grandes descobertas para a  arqueologia britânica. Em março de 2013 noticiou-se a existência de um pequeníssimo vilarejo –  um grupo de quatro casas vizinhas  — algumas das casas mais antigas já descobertas na Inglaterra, construído aproximadamente há 6.000 anos.  Essas casas, cujas grossas e pesadas fundações sobreviveram, algumas com pilastras de apoio, assim como a fonte para o fogo do lar – local da lareira – sugerem casas substanciais, altas com um mezanino provavelmente para a estocagem de grãos e outros alimentos durante o inverno.  Devem ter sido construídas por volta de 3.800 a 3640 a.C.  e todas tinhas subdivisões em cômodos internos.  A maior dessas casas mede 17 x 7 m. E todas tinham telhado de sapê.

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Uso das joias e botões encontrados com a “rainda de Kingsmead”.

Estudo mais detalhado dos objetos encontrados com a “rainda de Kingsmead” certamente trarão mais detalhes sobre o povoamento da Inglaterra na Idade do Bronze.

FONTES: GUARDIAN — “Rainha de Kinsmead”; GUARDIAN — Casas de sapê ; WSHC





Descoberta arqueológica: provável centro administrativo de Ur

7 04 2013

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Esta foto, distribuída pela Universidade de Manchester, mostra a placa de barro com um fiel se aproxiamndo de um local sagrado.Foto: AP

Nessa semana arqueólogos britânicos revelaram  ter encontrado um complexo de construções nas proximidades de onde se situava a antiga cidade de Ur, no Iraque.  A estrutura de 4 mil anos provavelmente serviu como um centro administrativo de Ur, capital da Suméria, uma civilização que surgiu há 5 mil anos na Mesopotâmia.   As descobertas do grupo inglês são do período em que Abraão teria vivido no local.

O local está a 20 Km do local onde Sir Leonard Woolley descobriu as fabulosas “Tumbas Reais” de Ur nos anos 20 do século passado.  Nessa época as descobertas surpreenderam o mundo pela construção de alguns salões erguidos à volta de um pátio.  Ur, como sabemos, foi  o último local de residência das dinastias reais do povo sumério, uma civilização fundadora das mais antigas cidades do mundo.

A escavação, que foi feita por cientistas da Universidade de Manchester, liderada  pelo Professor  Stuart Campbell e Dr Jane Moon, revelou uma área do tamanho aproximado de um campo de futebol, ou melhor, 80 metros em cada lado.  O local da pesquisa foi determinado por imagens de satélite, antes mesmo das escavações começarem. Descobertas desse tamanho e tão antigas são raras.

Os objetos encontrados devem ajudar a esclarecer a história das civilizações que ocuparam a região na Antiguidade.  O local, hoje árido e de aspecto desolador, foi o lugar de nascimento das cidades.  Os objetos encontrados foram provisoriamente datados  em aproximadamente 2.000  a.C., ou seja,  da época em que a cidade de Ur foi saqueada e a  última dinastia real da Suméria caiu.

 As escavações começaram no mês passado com seis arqueólogos britânicos e quatro pesquisadores iraquianos na província de Thi Qar, a cerca de 320 quilômetros ao sul de Bagdá. Uma das descobertas é uma placa de uma pessoa com uma túnica esvoaçante se aproximando de um templo: provavelmente um fiel  em culto religioso.  Em seguida o grupo irá analisar os restos de plantas e de animais encontrados no local para ajudar no entendimento sobre os materiais naturais comercializados na época.   A região tinha grande vitalidade econômica há 4.000 anos.  O terreno, provavelmente  pantanoso, porque o Golfo começava muito mais ao norte, proporcionava matéria prima para o comércio marítimo  que era vultuoso:  riquezas naturais eram trocadas entre a Índia e os países da Península Árabe.

De acordo com o arqueólogo britânico, a missão só foi possível graças à relativa estabilidade no sul do país. O time de Campbell é o primeiro grupo de cientistas britânicos a fazer escavações no Iraque desde a década de 1980.

FONTES: TERRA e PHYS-ORG