Imagem de leitura — Dina Babbitt

28 12 2011

Retrato do Natal, 2005

Dina Babbitt ( República Checa 1923- EUA 2009)

óleo sobre tela

[ www.iamachild.wordpress.com]





A natureza do morcego, conto africano

28 12 2011

Ilustração anônima.

A natureza do morcego

Era uma vez um reino onde os animais mamíferos e os pássaros entraram em guerra.  Nessa ocasião, abriu-se um grande debate sobre em que grupo o morcego deveria lutar, já que ele, um grande esperto, teimava em se manter afastado de ambos os lados.

Vencendo a guerra, os pássaros mantiveram o poder sobre os mamíferos, por quarenta anos seguidos.  Observando esse poderio das aves, o  morcego  juntou-se a elas, desfrutando o que lhe cabia dos benefícios de pertencer aos dominadores.

Mas um dia, o leão e o tigre, desesperados por reverter aquela situação insuportável, decidiram que algumas novas medidas teriam que ser tomadas para trazer paz ao reino.  As coisas não podiam continuar como estavam.  Mas essa decisão foi plenamente ignorada por todos os animais que já acreditavam que a sorte estava lançada.  Assim, as hostilidades entre pássaros e animais recomeçaram, sem dar trégua.

Na discussão que se seguiu,  os animais resolveram espionar os movimentos do morcego, pois perceberam que ele permanecia neutro, sem escolher qualquer lado.  Os animais pediram à raposa que prendesse o morcego e o trouxesse para inquérito junto aos líderes dos animais.  O morcego foi condenado por pretender ser leal a ambos os lados, e os animais exigiram uma explicação.  O morcego disse que havia seguido o conselho de sua esposa que o havia convencido a ficar pronto para aderir a qualquer um dos lados que vencesse, com a intenção de receber recompensa do lado vencedor.

O morcego foi severamente repreendido, considerado desleal e por isso acabou na prisão esperando julgamento ao final da guerra.  Por dez longos anos ele permaneceu encarcerado, até que a guerra acabou.  As aves haviam sido derrotadas.

Com a chegada do dia do julgamento, o morcego, achando que o caso era muito complicado para se defender por conta própria, decidiu contratar um esperto advogado para sua defesa, que argüiu que seu cliente tinha pleno direito de se alinhar com qualquer um dos lados, de acordo com sua vontade. Sua opinião estava baseada na anatomia do morcego.   Não era uma pássaro apesar de ter asas e ser capaz de voar.  No entanto, insistiu que quando o morcego estava no ar não invadia o território de ninguém.  Tinham de admitir que voar era o seu elemento.   Por outro lado, coberto por pelo, o morcego tinha dentes e grandes orelhas que nenhum pássaro apresentava. Levando tudo isso em consideração não parecia haver dúvidas: o morcego tinha qualidades que o permitiam ser considerado tanto um animal mamífero quanto um pássaro ou ambos. E estava, assim, livre para se juntar a qualquer um dos grupos do reino.

Tradução e adaptação: Ladyce West

Em:  African Myths and Tales, Susan Feldmann, Nova York, Dell Publishing Company: 1963

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Encontrei uma versão semelhante a esse conto folclórico no portal do professor do MEC.  Lá o conto de Rogério Andrade Barbosa, chamado de “Por que será que o morcego só voa de noite?” tem um outro final, mas os pontos de semelhança são muitos, vale a pena checar, inclusive porque há mais diálogos e parece mais “contável” para pequenos leitores, ainda que a conclusão final seja bastante diferente.





Um momento ahah! — srta. Hempel descobre alguns limites profissionais.

27 12 2011

Ilustração, Ben Kimberly Prins ( EUA 1902 – 1980)


Voltando ao livro  O aprendizado da srta. Beatrice Hempel, de Sarah Shun-lien Bynum [Rocco:2011], saliento a passagem abaixo que demonstra claramente a primeira centelha de uma conscientização de estagnação na profissão da srta, Hempel, da repetição infinita das matérias, entra ano, sai ano; a mesmice, o tédio.  Uma situação que acontece com todos nós em diferentes momentos.

” Antes de ler a minha cena — disse Audrey –, posso contar uma piada?

A srta. Hempel disse que sim.

— Foi meu pai quem me contou.  É uma piada boba, mas eu queria contar.  Para começar, ele disse: “Por que é importante aprender a história americana?”  Vocês se lembram?  Do trabalho que fizemos?  E então ele disse: “Quem não se lembrar do passado está condenado a repetir” — Audrey fez uma pausa tímida — “a sétima série!”

A turma riu.  E a srta. Hempel também.

— Até agora essa é a melhor razão! — declarou a srta. Hempel. — Quem quer repetir a sétima série?

Foi então que lhe ocorreu que ela estava repetindo a sétima série, na verdade pela quarta vez; e ainda estaria repetindo a sétima série, quando Audrey, Kirsten e Travis estivessem no mundo lá fora, fazendo coisas.  Um ano após o outro, os colonos de Jamestown se queixariam dos mosquitos, as caixas de chá tombariam no porto, os legalistas seriam cobertos com alcatrão e penas, e exibidos em desfile pelas ruas tortas.  Todos os meses de novembro, a guerra seria vencida.  Todos os outubros, as colônias se rebelariam.  Todos os setembros a srta. Hempel se voltaria para o quadro, apanharia o giz e escreveria: Primeiro Trabalho.





26 de dezembro…

26 12 2011

Ufa!…





Feliz Natal!

25 12 2011

Cartão de Natal, EUA, década de 1980.

Feliz Natal!

A todos os leitores  o desejo de que esta data sirva  para a renovação dos votos de solidariedade e caridade.  Que sirva para a reflexão.  E ajude na decisão de agirmos de acordo com os valores das nossas consciências, respeitando acima de tudo o amor ao próximo.

Paz, amor e carinho a todos.





Cartões e postais com Anjos no Natal

23 12 2011





Uma professora diferente!

23 12 2011

Ilustração, T. J. Overnell.

Raramente leio livro de contos, mas fiquei muito feliz de ter tomado conhecimento dessa autora americana, Sarah Shun-lien Bynum, por indicação da livreira a quem recorro quando “não tenho nada para ler”, mesmo que as prateleiras de minhas estantes estejam repletas de volumes novos ainda por serem degustados.

Este é um conjunto de contos, eu hesito em dizer contos, pois que raramente têm um início, meio e fim, como imaginaríamos, mas um grupo de narrativas da vida de uma professora da 7ª série.  Juntos eles nos dão um breve retrato das interações e considerações da professora frente aos alunos, às suas escolhas e à sua vida amorosa.  São facetas de uma vida, em diferentes anos, diferentes ocasiões que nos permitem preencher o perfil de uma jovem professora de história.

O que surpreende, e precisa ser colocado em destaque, é o ponto de vista dessas histórias, as observações colocadas de maneira nova, refrescante sobre assuntos corriqueiros.  Isso adicionado a uma escrita límpida e precisa, a um tom quase britânico, dá um charme especial ao trabalho dessa autora que está naqueles nomes escolhidos pela revista The New Yorker, entre os 20 mais promissores escritores da atualidade, com menos de 40 anos de idade, nos Estados Unidos.

Vale a apresentação, e espero com ansiedade seu primeiro romance no Brasil.

Sarah Shun-lien Bynum




Natal, soneto de Gualter Cruz

23 12 2011

Adoração dos pastores, 1500-1510

[Também conhecida como Natividade de Allendale]

Giorgione (Itália, 1477-1510)

Óleo sobre madeira, 91 x 111cm

National Gallery of Art, Washington DC

Natal

Gualter Cruz

Na agitação das ruas da cidade,

De povo fervilhante, e forasteiros,

Ninguém notava os pobres caminheiros,

Dois santos na pureza e na bondade.

Castíssimos esposos, companheiros,

Irmãos na mais perfeita afinidade,

José buscava obter dos hoteleiros

Abrigo à esposa, santa de humildade.

As portas com estrondo se fechavam…

Enquanto a turba infecta gargalhava,

Outro local, nervosos, procuravam.

Para uma gruta, enfim, Deus os conduz…

Orando aos céus, Maria murmurava:

— Nasceu  meu filho, ó Deus!…  Nasceu Jesus!…

Em: Poesias completas, Gualter Cruz, Petrópolis, Editora do autor: 1983.

Gualter Germano Chaves da Cruz (Petrópolis, RJ, 1921, Rio de Janeiro, RJ 1978)





Quadrinha do Natal pobre

22 12 2011

Jogou, perdeu, e hoje sabe,

passando um Natal sombrio,

que a consciência não cabe

num sapatinho vazio.

(Hegel Pontes)





Agatha Christie, seus livros mais cotados

22 12 2011

Ilustração Walt Disney.

Agatha Christie, a dama da literatura de mistério, é ainda hoje uma das escritoras mais lidas no mundo!  Devo a ela grande parte da minha proficiência em inglês, pelo menos no início da minha estadia nos Estados Unidos.  Quando cheguei naquele país meu inglês era fraquíssimo.  Eu tinha uma boa base de gramática, tendo aprendido por anos aqueles detalhes que não servem para diálogos:  “gerúndio”, “particípio passado” de cada verbo.  Havia sido um processo de decorar sem fim que não fazia o menor sentido no dia a dia, no viver numa cidade, muito menos quando eu sabiaque a minha estadia lá seria de pelo menos, no mínimo dos mínimos, quatro anos.   Foi aí que me interessei em ler Agatha Christie.

Eu sempre gostara de livros de mistério e achei, corretamente, que o interesse que eu tinha iria servir de impulso para que eventualmente eu procurasse algumas palavras no dicionário.  Acertei em cheio. Foi ótimo.  Os livros dela se encontravam em qualquer canto, em formato de bolso, baratíssimos e acabei lendo bem mais que 25 de seus títulos, alguns dos quais comprei em sebos, pois já estavam fora de circucação.  Foi a melhor coisa, além de assistir muita televisão, que pude fazer naquela época para melhorar a minha qualidade de vida no país.  Portanto, é com prazer que vejo que os livros de Agatha Christie, a Dama do Mistério Inglês, continuam populares e atraindo milhares de leitores no Brasil.   De todos os personagens  de seus livros a minha favorita é, sem sombra de dúvida, Miss Marple.  Mas no início foi Poirrot mesmo.  Só vim a apreciar as nuances das observações de Miss Marple com o passar dos anos e tomada de conhecimento sobre a vida na Inglaterra dos pequenos vilarejos.

Na semana passada, por causa de outro assunto, acabei podendo relacionar os títulos mais populares e de maior apreciação no Brasil escritos pela rainha do mistério inglês.  Passo aqui para vocês, caso ainda precisem presentear alguém nesse fim de ano, os títulos favoritos do leitor brasileiro em ordem de preferência.

1 ) O caso dos dez negrinhos

Dez pessoas são convidadas pelo misterioso U.N. Owen para passar alguns dias numa ilha perto de uma aldeia pouco movimentada. Os convidados aceitam o convite e de igual maneira embarcam num barco local para a ilha. Na primeira noite, quando todos já se conheciam razoavelmente bem e conviviam animadamente na sala, ouve-se uma voz vinda das paredes da sala, acusando cada um dos dez presentes de ter cometido um crime, crime esse que apesar de ser despropositado ou inevitável, levou à morte de outras pessoas. O pânico instala-se e mortes inexplicáveis se sucedem, tendo por única pista uma trova infantil.

2) O assassinato de Roger Ackroyd

O assassinato do rico Roger Ackroyd, morto a punhaladas com uma adaga tunisiana, é a terceira de uma série de estranhas mortes, que despertam a atenção da solteirona e sagaz Caroline Sheppard, irmã do médico da cidade e narrador deste romance. Intrigada, Caroline resolve investigar o caso e descobrir se as três mortes têm alguma ligação. Para isso, ela conta com a ajuda de seu novo e excêntrico vizinho: o detetive belga Hercule Poirot. Escrita em 1926.  O Assassinato de Roger Ackroyd é uma das mais famosas histórias da rainha do mistério.

3) Assassinato no Expresso do Oriente

Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Uma americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

4 ) Cai o Pano: o último caso de Poirot

Para resolver o último caso de sua carreira, o detetive belga Hercule Poirot volta ao local onde solucionou os primeiros crimes. Neste livro, o último de um ciclo de romances de Agatha Christie, o talento da escritora inglesa junta-se à primorosa tradução de Clarice Lispector.

5) O Natal de Poirot

Véspera de Natal. A reunião da família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados, seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima, o tirânico Simeon Lee está morto, numa poça de sangue, com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot, que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo, se oferece para ajudar, depara-se com uma atmosfera não de luto, mas de suspeitas mútuas. Parece que todos tinham suas próprias razões para detestar o velho…

6) A casa torta

O octogenário Aristide Leonides, dono de grande fortuna, é envenenado em sua mansão, onde vivia com toda a família — sua esposa, cinqüenta anos mais jovem, dois filhos, duas noras, três netos e uma cunhada. Qualquer um poderia tê-lo matado. O único motivo evidente é a fortuna deixada como herança. Mas parece pouco provável que alguém se dispusesse a sujar as mãos por causa do testamento de um velho em idade já tão avançada. Charles Hayward não tem como não se envolver na história: Sir Arthur Hayward, seu pai, é o comissário-assistente da Scotland Yard responsável pelo caso; e Sophia, com quem pretende se casar, é uma das netas da vítima. Portanto, Charles tem seus motivos para tentar solucionar o mistério.

7) A morte no Nilo

A parte principal deste romance desenvolve-se a bordo de um barco, que navega pelas águas do Nilo, em cujas margens se levantam ruínas milenárias, restos de uma civilização dedicada ao culto dos mortos; e lá nesse ambiente fúnebre, uma deslumbrante garota, que tinha tudo – juventude, beleza, riqueza e felicidade —, perde tudo, num repente, ao ser assassinada na sua cabine. O assassinato foi cuidadosamente planejado, para que seja impossível descobrir o assassino, quem teve a má sorte de que Hercule Poirot estivesse de férias no Egito, e pudesse investigar seu crime – aliás, seus crimes, porque há mais de um — com uma maior atenção da que se tinha empregado em cometê-los. Para aumentar a intriga e o suspense, sabemos que entre os passageiros do Karnack, se encontra um famoso assassino profissional, que é perseguido pelo Coronel Race, amigo de Poirot e sagaz agente do Serviço Secreto inglês.

8 ) O misterioso caso de Styles

[O 1º romance publicado d a autora (1920)]

O primeiro e um dos mais famosos mistérios solucionados por Hercule Poirot, o caso Styles começa quando uma aristocrata inglesa morre trancada em seu quarto, vítima de um aparente ataque cardíaco. A coisa ficaria por aí, não fosse a suspeita de envenenamento levantada pelo médico da família.

9) Os crimes ABC

Já aposentado, Hercule Poirot aceita o desafio de desvendar um assassinato cometido por um criminoso que se anuncia com cartas anônimas cheias de menosprezo. O assassino deixa junto de suas vítimas um guia ferroviário. Talvez seja um maníaco por estradas de ferro. Poirot persegue de pista em pista, de letra em letra, o rastro sempre alfabético do inimigo.

10) Assassinato no campo de golfe

Aos campos de golfe normalmente se vai para praticar o esporte. Mas em um romance de Agatha Christie, a dama do crime, o gramado também pode se transformar no lugar onde acontece o assassinato de um jogador desavisado.

Nota: A ordem de popularidade foi calculada na média ponderada de pontos por título encontrados nos portais de leitores de livros brasileiros.