A raposa e o timbu, fábula brasileira, texto de Luís Câmara Cascudo

3 01 2012

Ilustração de Pat Hutchins

A raposa e o timbu

A raposa convidou o timbu para visitarem um galinheiro bem provido. A raposa iria às galinhas e o timbu aos ovos e pintos.  Entraram por um buraco que mal permitia a passagem.  Começaram a fartar.  A raposa prudente, apenas satisfez o apetite.  O timbu, voraz, empanturrou-se, ficando com a barriga inchada.  De súbito ouviram os passos do dono da casa.  A raposa passou como um raio pelo buraco e sumiu-se no mato.  O timbu meteu-se a tentar mas ficou engalhado pelo meio do corpo, ganindo como um desesperado. O homem chegou, viu o estrago e disparou a espingarda no timbu, que morreu por ser guloso.

Em: Contos tradicionais do Brasil (folclore), Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1967

Esse conto foi originalmente coletado pelo autor no Rio Grande do Norte.  É possível que leitores de outros pontos do Brasil não estejam familiarizados com o timbu.  A grande área geográfica brasileira permite que esse animal receba diferentes nomes, em outras regiões: sariguê, gambá, ticaca, mucura, cassaco, entre outros.





Imagem de leitura — Don Hatfield

2 01 2012

Só no jardim, 2005

Don Hatfield (EUA, 1947)

óleo sobre tela

Don Hatfield  nasceu em Long Beach, na Califórnia em 1947.  Antes de se dedicar à pintura estudou filosofia, teologia  e letras, até estudar com o retratista Charles Cross, quando descobriu seu talento para a pintura. Desde então, inspirado por muitos dos pintores impressionistas americanos, Don Hatfield tem-se dedicado às artes visuais com grande sucesso.

Para mais informações: http://www.thegallerie.com

 





Azul, soneto de Orlando Martins Teixeira

2 01 2012

Chapéu Azul, 1922

Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)

óleo sobre tela, 92 x 75 cm

Azul

Orlando Martins Teixeira

Chapéu azul, vestido azul, de azul bordado,

Azuis o parassol e as luvas, senhorita,

Como um lótus azul por um deus animado,

Passa toda de azul, por mil bocas bendita.

Há um bálsamo azul nesse azul que palpita,

Misticismos de um mundo, há muito em vão sonhado,

Azul que a alma da gente a idolatrá-la incita,

Azul claro, azul suave, azul de céu lavado.

Deixa na rua um rastro azul que cega e prende,

Não sei quê de anormal, de fantasma ou de duende,

Que prende os pés ao solo e ao mundo os olhos cerra;

Vendo-a, não se vê mais nada que o azul, tonteia…

Como num sonho azul, logo nos vem a ideia

Um pedaço de céu azul passeando a terra.

Em: 232 Poetas Paulistas, de Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista: 1968

Orlando Martins Teixeira (SP, 1875- MG, 1902) nasceu em São João da Boa Vista, SP em 1875. Poeta, dramaturgo e jornalista. Trabalhou na Gazeta da Tarde.  Seus versos a Venus ficaram famosos quando declamados pelo ator português Dias Braga.  Faleceu em Sítio, MG, em 1902.





Imagem de leitura — Helen Stratton

1 01 2012

Ilustração para conto de fadas, 1903

Helen Stratton (Inglaterra, ativa entre 1891-1925)

Helen Stratton foi uma pintora inglesa retratista e trabalhou também como destacada ilustradora de livros, principalmente por suas ilustração dos Contos de Fadas de Andersen. Trabalhou em Londres.





Feliz ano novo!

1 01 2012

Cartão americano do início do século XX, modificado.




2012 — um ano esperado com ansiedade?

31 12 2011

— “Eu só tive espaço para fazer até 2012.”

— “Ha!  Isso vai dar um susto em alguém algum dia!”

Devo deixar claro que não acredito que o mundo vá acabar em 2012.  Portanto a minha tentação é brincar com essa profecia.  Desculpem-me aqueles que acreditam no calendário Maia.  Se vocês estiverem corretos não terei tempo de me arrepender.  Ficam aqui, já de antemão, as minhas desculpas acompanhadas de algumas charges de pessoas que pensam como eu.  Boas entradas!

“– Então, por que acaba em 2012?”

“– Acabou o espaço.”

Finalmente, revelado o mistério do calendário Maia.

–” Já imaginou algum bobo confundindo o fim desse calendário com o fim do mundo?”

“– O cacique disse para fazer até 2012.  É aí que mudamos para o calendário Dilbert.”

Coisas com que nos preocuparmos no século XXI.

Falta de moradias, Fome, Poluição, Crime, Fim do mundo

— “Uai, vamos nos preocupar com a coisa mais emocionante!”

— “De acordo com o calendário Maia o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012”.

— “De acordo com o calendário político, a maioria gostaria que o ano acabasse bem antes disso!”

— “Vovó, aqui falam de uma profecia maia que diz que o mundo se acaba em 2012…”

—  “Netinha, não é possível…  Estes aspargus só vencem em 2015.”

“Francamente, eles poderiam ter previsto o fim do mundo para o mês de agosto!”

— “Isso é tudo? No ano passado o senhor deu muito mais!”

— ” Eu não quis dar tanto por um calendário que se acaba em 21 de dezembro de 2012.”

— “Aqui diz que o mundo vai acabar em 2012.”

— “Vai ser televisionado?”

— ” 18/12/2012, 19/12/2012, 20/12/2012, 21/12/2012 … !!@•◊§!!  Tô sem espaço!

–“Ôpa…  Esperem!  O departamento de marketing decidiu mudar para calendários de mesa…”

Porque o calendário maia acabou em 2012.

— “Eu estou gastando todo o meu dinheiro e se o mundo não acabar em 2012, eu vou ter tudo de volta abrindo processo contra os maias.”

— “Uh Oh…  É 2012!  Comemore como se fosse 2013”.




Imagem de leitura — Maurice Millière

30 12 2011

A leitura, 1912

Maurice Millière (França, 1871-1937)

desenho aquarelado sobre papel, 63 x 48 cm

Em leilão, European Evaluators, LLC, 2007

Maurice Millière nasceu em1871, em  Le Havre, na Normandie onde começou seus estudos artísticos, mas logo entrou para a Escola de Belas Artes de Paris onde estudou com Leon Bonnat. Sua habilidade como desenhista logo lhe trouxe sucesso como cartunista e ilustrador.  Tornou-se um nome de importância nas artes gráficas francesas criando um tipo de mulher que logo ficou conhecida como a “mulher Millière”, símbolo da vida parisiense no início do século XX.  Teve uma carreira de grande sucesso até sua morte em 1946.





Feliz Ano Novo! — Um brinde! Viva o “apimentado” de meados do séc. XX

30 12 2011

Brinde ao Ano Novo, artista desconhecido, 1946.





Imagem de leitura — Vicki Shuck

29 12 2011

Lendo os quadrinhos

Vicki Shuck (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira

www.vickishuck.com





Meninas, 2012 é um ano bissexto: pedidos de casamento à vista!

29 12 2011

Os perigos do ano bissexto.

Há uma tradição interessante sobre o ano bissexto: no dia 29 de fevereiro e só nele, as mulheres podem propor casamento a um homem solteiro.  Essa tradição que é mais conhecida na Irlanda também aparece em outros países do Mar do Norte: Dinamarca, Finlândia.

Então querido, você será meu?

Nas ilhas britânicas a tradição diz que só nos anos bissextos as mulheres solteiras podem propor casamento, ou seja, podem se aproximar daquele homem pelo qual suspiram e propor que se casem.  Sendo alvo de um pedido de casamento, o homem em questão ou aceita ou  paga uma multa para recusar tal pedido.  A tradição está documentada só a partir do século XIX, ainda que se ache que ela tenha existido desde a era medieval.

Cuidado, Clara, esse é um ótimo espécime!

Semelhantes hábitos aparecem na Dinamarca, onde as mulheres que forem recusadas depois de terem feito seus pedidos de casamento nesta data, devem ser recompensadas com 12 pares de luvas.  Na Finlândia, se um homem recusa a proposta de casamento que uma mulher lhe faz no ano bissexto tem que pagar por um corte de tecido para que ela possa fazer uma saia.

Inseguro para homens solteiros

Há muitas explicações pelo aparecimento dessa tradição.  Entre ela a de  que no século V, na Irlanda, Santa Brígida queixou-se a São Patrício (padroeiro do país) sobre a espera que muitas mulheres tinham que aguentar até receber um pedido de casamento.  São Patrício teria então estipulado o dia 29 de fevereiro, como a data em que as mulheres poderiam fazer o pedido de casamento e, se o homem rejeitasse, teria que pagar uma multa, ou dar a ela um presente bem caro.

Moças se preparam…

Fica aqui a sugestão: façam suas listas, examinem as possibilidades.  Vejam como o ano de 1908 trouxe tanta esperança para os corações solitários!  Preparem-se, falta pouco tempo!

Fuja, fuja!

Promessa de solteirona.

Onde há vida, há esperança!

É a mão de seu filho que venho pedir!

Disputado!

Proposta de ano bissexto.

Ambos dedicados a você!