Boatos sobre sublevação de tropas. Revolução de 1932

2 10 2008

25 de setembro de 1932

 

 

Chegam tropas do norte para reforço da frente sul.  A cidade está cheia de soldados.  Há treinos de exercícios de lança-minas e bombardas.   Dizem que foram para o fronte dois caminhões blindados.  Boatos de sublevação de tropas na cidade do Rio Grande e de entendimentos entre o Sr. J. Neves e tropas do sul, na frente sul de São Paulo.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 148 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





A LUA FOI AO CINEMA, poema infantil de PAULO LEMINSKI

30 09 2008

 

A LUA FOI AO CINEMA

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!

 

Paulo Leminski Filho (PR 1944 — PR 1989) Escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô.

 

 

Obras:

 

Quarenta clics de Curitiba. Poesia, 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.)  

Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983.

Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.

Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.

Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)

La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.

Winterverno Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994. (2ª edição publicada pela Iluminuras, 2001.

 





Em Palmeiras, uma esposa casadoura! Revolução de 1932

27 09 2008

Militares em Santos

Militares em Santos

24 de setembro de 1932

 

 

Um soldado voluntário, caipira, reclama hoje, lamuriento falta de noticias de sua esposa em Palmeiras.  E explicava:

 

“ Na outra revolução ( a de outubro de 1930) que durou só vinte dias, ela não recebia também minhas cartas e como contasse que eu fora morto em combate, em Itararé, minha mulher, quando eu voltei, já estava de casamento tratado com outro!”

 

E, desta vez, com certeza, o lamuriento voluntário, após 74 dias de ausência, tinha, e com carradas de razão, o pensamento voltado para Palmeiras, onde se achava a sua casadoura esposa!!

 

 

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Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

 





Alguns vencedores do Prêmio Jabuti

25 09 2008
Prêmio Jabuti de 2008

Prêmio Jabuti de 2008

 

Melhor Romance:

 

1 –  O FILHO ETERNO

CRISTOVÃO TEZZA

 

2 –  O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO  

 

3 –  ANTONIO

BEATRIZ BRACHER

 

Melhor livro de contos e crônicas:

 

1 – HISTORIAS DO RIO NEGRO

VERA DO VALE


2 –A PRENDA DE SEU DAMASO E OUTROS CONTOS

JORGE EDUARDO PINTO

 

3 – FICHAS DE VITROLA

JAIME PRADO GOUVÊA

Melhor livro de poesia:

 

1 – O OUTRO LADO

IVAN JUNQUEIRA


2 – O XADREZ E AS PALAVRAS

MARCUS VINICIUS TEIXEIRA QUIROGA


3 – TARDE

PAULO FERNANDO HENRIQUES BRITTO

 

 

Melhor livro juvenil:


     1 – O BARBEIRO E O JUDEU DA PRESTAÇÃO    CONTRA O SARGENTO DA MOTOCICLETA

        JOEL RUFINO DOS SANTOS

2 – TÃO LONGE…TÃO PERTO

SILVANA DE MENEZES


3 – MESTRES DA PAIXÃO: APRENDENDO COM QUEM AMA O QUE FAZ

DOMINGOS PELLEGRINI

 

Melhor livro infantil:

 


1 – SEI POR OUVIR DIZER

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

 

2 – O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS

 IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO


3 –
ZUBAIR E OS LABIRINTOS

JOSÉ ROGER DE MELLO

 

 





Promessas, promessas, promessas… Na hora de votar, lembre-se!

25 09 2008
Walt Disney

Ilustração: Walt Disney

 

PAC do Livro: o que foi anunciado e o que foi feito

 

Vale a pena anotar as metas anunciadas pelo Ministério da Cultura em 4/10/2007 para a área do livro e leitura.

 

Ei-las:

 

1. Zerar o número de cidades sem bibliotecas.

O que foi feito: faltavam bibliotecas em 613 municípios; restam, agora, 350 e tudo indica que a meta será cumprida antes do prazo.   BOAS NOVAS!!!!!

 

2. Criar 4 mil pontos de leitura (de um total de 20 mil pontos de cultura).

O que foi feito: a idéia é entregar 600 kits ainda em 2008. Só que o edital ainda não saiu.

 

3. Revitalizar 4.500 bibliotecas.

O que foi feito: a idéia é apoiar 400 bibliotecas ainda em 2008 (R$ 55 mil cada). Mas o edital ainda não saiu.

 

4. Abrir 100 bibliotecas multiuso em áreas pobres e violentas das maiores cidades.

O que foi feito: assinados termos para abrir e/ou ampliar em duas cidades, mas ainda não saiu do papel.

 

5. Publicar 9 milhões de livros a preços populares.

O que foi feito: nada.

 

Sem meta numérica:

 

Anunciada a criação do vale-cultura (que funcionaria na área como o vale-livro, para ser trocado em livrarias)  AINDA EM ESTUDOS

 

Implantação de programas de formação de bibliotecários e agentes de leitura com recursos do Ministério do Trabalho. AGUARDA A PUBLICAÇÃO DE EDITAL  para dar início  a um projeto ainda modesto.

 

Embora não divulgado oficialmente, a idéia do MinC é investir R$ 300 milhões (de um total de R$ 4,7 bilhões) até 2010 em políticas do livro e leitura.

 

Se correr, ainda dá tempo!

Do blog do Galeno





Hoje houve vários peixes! Revolução de 1932

25 09 2008
Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

 

23 de setembro de 1932

 

Circulam muitos boatos favoráveis a São Paulo.  Boatos preparados pela imprensa!  A imprensa também propala boatos, para manter alto o moral das tropas!  O boato entre os soldados, na sua gíria, chama-se peixe!  Talvez por causa dos poissons d’avril.  Hoje houve vários peixes.  O João Alberto demitiu-se da polícia do Rio.  O Olegário Maciel está de relações tensas com Getúlio Vargas, etc.

 

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Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Jornal A Gazeta

Jornal A Gazeta





O ovelha, poesia de Henriqueta Lisboa

24 09 2008
Ovelhinha Desgarrada

Ovelhinha Desgarrada

 

A Ovelha

 

Encontrastes acaso

a ovelha desgarrada?

A mais tenra

do meu rebanho?

A que despertava ao primeiro

contato do sol?

A que buscava a água sem nuvens

para banhar-se?

A que andava solitária entre as flores

e delas retinha a fragrância

na lã doce e fina?

A que temerosa de espinhos

aos bosques silvestres

preferia o prado liso, a relva?

A que nos olhos trazia

uma luz diferente

quando à tarde voltávamos

ao aprisco?

A que nos meus joelhos brincava

tomada às vezes de alegria louca?

A que se dava em silêncio

ao refrigério da lua

após o longo dia estival?

 

A que dormindo estremecia

ao menor sussurro de aragem?

Encontrastes acaso

a mais estranha e dócil

das ovelhas?

Aquela a que no coração eu chamava

  a minha ovelha?

 

 

Henriqueta Lisboa

 

 

Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971

 

 

Vocabulário:

Aprisco – curral para ovelhas

Estival – do estio, do verão

 

 

 

Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira.

 

Obras:

Fogo-fátuo (1925)

Enternecimento (1929)

Velário (1936)

Prisioneira da noite (1941)

O menino poeta (1943)

A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano

Flor da morte (1949)

Madrinha Lua (1952)

Azul profundo (1955);

Lírica (1958)

Montanha viva (1959)

Além da imagem (1963)

Nova Lírica ((1971)

Belo Horizonte bem querer (1972)

O alvo humano (1973)

Reverberações (1976)

Miradouro e outros poemas (1976)

Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)

Pousada do ser (1982)

Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.

 





O Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna… Revolução de 1932

24 09 2008

 

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

 

23 de setembro de 1932

 

 

Os aguerridos paulistas estão impressionados da própria guerra civil.  É que o Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna e demorada, de trincheira, enfrentando um inimigo igualmente forte, disposto e aparelhado para os embates.

 

****

 

Um [ilegível] da policia paulista se queixou hoje alarmado, da perturbação da ordem em Pirassununga.  E, eu presenciei a viva contestação de uma moça, que, em termos algo enérgicos mas corteses verberou o procedimento do soldado alarmista.

 

****

 

Um padre, de batinas pretas e um gorro de soldado com as bandeiras paulista e nacional, ostentando um revolver à cinta, disse hoje, a um oficial, que seguia como capelão, ao lado do batalhão da Justiça.  E interrogado pelo oficial, se ele padre, seguia para São Paulo, respondeu irado:

Está louco!?  Vou é para a frente!

 

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A Cavalaria

A cavalaria

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 146 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Canhões





Céu fluminense, poema para a 3a série, Alberto de Oliveira

24 09 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

 

 

Céu fluminense

 

Alberto de Oliveira

 

Chamas-me a ver os céus de outros países,

Também claros, azuis ou de ígneas cores,

Mas não violentos, não abrasadores

Como este, bárbaro e implacável – dizes.

 

O céu que ofendes e de que maldizes,

Basta-me no entanto; amo-o com os seus fulgores,

Amam-no poetas, amam-no pintores,

Os que vivem do sonho, e os infelizes.

 

Desde a infância, as mãos postas, ajoelhado,

Rezando ao pé de minha mãe, que o vejo.

Segue-me sempre… E ora da vida ao fim,

 

Em vindo o último sono, é o meu desejo

Tê-lo sereno assim, todo estrelado,

Ou todo sol, aberto sobre mim.

 

 

 

VOCABULÁRIO para a terceira série primária:

 

Ígneas – cor de fogo

Bárbaro – primitivo, selvagem

Implacável – violento, rude

Fulgores – brilho, cintilações

 

Do livro:

 

Vamos Estudar? Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o Estado do Rio de Janeiro, 9ª edição, Rio de Janeiro, Agir: 1957.

 

Alberto de Oliveira, pseudônimo de Antônio Mariano de Oliveira (RJ 1857 —  RJ 1937), poeta, professor, farmacêutico, Secretário Estadual de Educação, Membro Honorário da Academia de Ciências de Lisboa e Imortal Fundador da Academia Brasileira de Letras.  Em 1924 foi eleito, em pleno Modernismo, o “Príncipe dos Poetas Brasileiros” ocupando o lugar deixado por Olavo Bilac.

 

Obras:

 

Canções Românticas. Rio de Janeiro: Gazeta de Notícias, 1878.

Meridionais. Rio de Janeiro: Gazeta de Notícias, 1884.

Sonetos e Poemas. Rio de Janeiro: Moreira Maximino, 1885.

Relatório do Diretor da Instrução do Estado do Rio de Janeiro: Assembléia Legislativa, 1893.

Versos e Rimas. Rio de Janeiro: Etoile du Sud, 1895.

Relatório do Diretor Geral da Instrução Pública: Secretaria dos Negócios do Interior, 1895.

Poesias (edição definitiva). Rio de Janeiro: Garnier, 1900.

Poesias, 2ª série. Rio de Janeiro: Garnier, 1905.

Páginas de Ouro da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Garnier, 1911.

Poesias, 1ª série (edição melhorada). Rio de Janeiro: Garnier, 1912.

Poesias, 2ª série (segunda edição). Rio de Janeiro: Garnier, 1912.

Poesias, 3ª série Rio de Janeiro: F. Alves, 1913.

Céu, Terra e Mar. Rio de Janeiro: F. Alves, 1914.

O Culto da Forma na Poesia Brasileira. São Paulo: Levi, 1916.

Ramo de Árvore. Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, 1922.

Poesias, 4ª série. Rio de Janeiro: F. Alves, 1927.

Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1932.

Poesias Escolhidas. Rio de Janeiro: Civ. Bras. 1933.

Póstuma. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1944.





A criatividade quase nunca se deixa abater!

23 09 2008

Sequestradora de homens, 2008 (um dos trabalhos da mostra)

 

Um dos grandes valores das artes é o crescimento interno, o crescimento emocional, a paisagem pessoal que cada artista plástico, músico, escritor parece descobrir dentro de si para poder sobreviver num mundo que para ele não faz sentido.  São muitos os exemplos de pessoas que recorreram à sua criatividade nas horas difíceis de guerra, de perseguição racial, de desastre econômico.  Isto volta a ser mostrado numa exposição de artistas plásticos, contemporâneos, morando no Iraque, que hoje exibem em Londres, na galeria Artiquea.  Para quem vai a Londres: do dia 19 de setembro ao dia 31 de outubro, a galeria estará apresentando a exposição intitulada: Na linha de fogo — arte no Iraque sob ocupação.

 

Sob a curadoria dos escultores iraquianos radicados na Inglaterra Najim Alqaysi e Redha Farhan a exposição mostra 42 trabalhos de escultura e pintura de 21 artistas.  A maioria deles ainda trabalhando no Iraque, sob a guerra. Alguns artistas representados, escultores: Ali Rassan, Mondher Ali e Abdulkareem Khaleel.  Pintores: Fakher Mohammad, Sattar Darwish, Dhia Alkhozai e Wisam Zakko.

 

Não estarei em Londres, nem tenho a possibilidade de ver estes trabalhos pessoalmente, mas acredito ser do interesse de todos testemunharem mais uma vez este espírito imbatível que têm as pessoas criativas.