Aravind Adiga ganha o Man Booker

15 10 2008

 

Vencedor do Man Booker, Aravind Adiga

Vencedor do Man Booker, Aravind Adiga

 

 

Com seu primeiro romance, o escritor indiano Aravind Adiga ganhou, ontem, o prêmio de ficção em língua inglesa Man Booker, o de maior prestígio no Reino Unido, com seu primeiro romance, The White Tiger.  Ele é o quarto vencedor deste prêmio, que o faz com um livro de estréia na carreira literária. Os outros três ganhadores com  o primeiro romance escrito foram: 1985 —  Keri Hulme, The Bone People ( ao que eu saiba sem tradução para o português);  1997 – Arundhati Roy, O Deus das Pequenas Coisas, Cia das Letras, 1998 ( na minha opinião um dos melhores livros já escritos, tão importante quanto, digamos, os Cem anos de Solidão de Garcia Marques) e em 2003  DBC Pierre, com Vernon God Little: uma comédia na presença da morte (Record: 2004).

Adiga, de 33 anos, ex-aluno das universidades de Columbia e Oxford, narra em seu livro a vida de um motorista de “rickshaw” na Índia, que se debate entre ser um filho leal e seu desejo de prosperar na vida. Com uma narrativa sedutora, revoltada e repleta de tiradas de humor negro, este romance mostra um retrato sem enfeites da Índia vista pelo homem de uma classe baixa, destinada a não ter um futuro próspero.

 

Ao anunciar o ganhador, em cerimônia em Londres, o presidente do júri, o ex-ministro conservador Michael Portillo, disse que o que destaca The White Tiger é sua originalidade, refletindo o lado obscuro da Índia e seu enorme mérito literário. Ele também disse que o júri achou a escolha muito dificil de ser feita porque havia muitos candidatos fortes.  No final, o premio foi decidido por The White Tiger, porque foi o romance que mais chocou e entreteve simultaneamente.   Este romance, disse Michael Portillo, leva a sério a tarefa de ganhar a simpatia do leitor com um personagem que no fundo é um vilão.  A narrative de um humor desconcertante também reflete como os assuntos de desenvolvimento global e pressões sociais são encaradas pela grande massa.    

 

O jovem escritor indiano venceu outros cinco finalistas, o australiano Steve Toltz, por “A Fraction of the Whole”; o irlandês Sebastian Barry, por “The Secret Scripture”; o indiano Amitav Ghosh, por “Sea of Poppies”; a inglesa Linda Grant, por “The Clothes on Their Backs”, e o inglês Philip Hensher, por “The Northern Clemency”.

 

Adiga, que sempre quis ser escritor, nasceu em Madras e hoje mora em Mumbai. É o quinto escritor da Índia a receber este prêmio.  Os outros foram VS Naipaul (1971), Salman Rushdie (1981) , Arundhati Roy (1997) e Kiran Desai (2006).   Mas, mais impressionante ainda é que The White Tiger é o nono romance vencedor deste prêmio cuja história é inspirada na Índia ou na identidade da Índia

 

Segundo Amazon.co.uk, os seis finalistas tiveram aumento de 700% nas vendas após o lançamento da lista final no último mês.

 

Para o original deste artigo clique AQUI.





15 de outubro, Dia do Mestre! Parabéns e Obrigado!

15 10 2008

Hoje é o dia de pararmos para pensar naqueles que nos guiaram nos estudos, na escola e na vida, muitas vezes ensinando o certo e o errado não só nas matérias escolares como no comportamento fora da escola.  Todos nós, se pensarmos, tivemos aquele professor que nos influenciou, aquela professora que percebeu a nossa diferença,  o poder da nossa futura contribuição à sociedade.  A eles um agradecimento!





Araraquara, a cidade das calçadas jurássicas *

14 10 2008
* Este post é uma compilação de 4 artigos sobre o assunto.  Seus links encontram-se no fim deste post.

 

 

Muitos não sabem, mas as calçadas da área central de Araraquara, no interior de São Paulo, escondem evidências da existência de mamíferos e de outros dinossauros maiores do período jurássico e cretáceo no Brasil, há cerca de 140 milhões de anos. As pegadas podem ser facilmente encontradas em placas de arenito usadas na cidade .  O Arenito Botucatu, extraído das pedreiras da região do Ouro, no Município de Araraquara, desde o século XIX, teve suas lajes utilizadas para a construção de calçadas e guias de sarjetas, em grande espaço do centro histórico da cidade, além de aproveitamento em revestimentos de paredes, quintais, jardins de residências, entradas, etc.  Foi também comercializado para muitas cidades da região. 

 

Rua Voluntários da Pátria em Araraquara

Rua Voluntários da Pátria em Araraquara

 

A história da paleontologia da região tem uma data marcante: 1976.  Mesmo sabendo-se desde 1911 que o engenheiro de minas Jovino Pacheco, encontrou nas calçadas em São Carlos 18 pegadas impressas na rocha arenito (extraída na região do Ouro, em Araraquara).  Mas foi só em 1976 que o paleontólogo Giuseppe Leonardi foi até Araraquara.

 

O padre Giuseppe Leonardi, um dos maiores paleontólogos do mundo, viajava pelo interior paulista em 1976 quando uma súbita dor de dente o obrigou a fazer uma parada em Araraquara- Ao pisar nas lajes cor-de-rosa usadas como calçamento na cidade, reparou em algo estranho. Ficou tão entusiasmado que até se esqueceu de ir ao dentista. A análise das marcas confirmou o seu palpite. Ali estavam impressas pegadas de répteis que habitaram a região de Araraquara 180 milhões de anos atrás. As lajes tinham sido arrancadas das rochas de uma pedreira, nos arredores da cidade. Lá ficaram gravados os únicos registros de dinossauros brasileiros do período jurássico. Leonardi explicou ao prefeito que precisava arrancar os trechos de calçadas com pegadas de dinos. 0 prefeito riu da cara dele e negou o pedido. Mas o padre-cientista não se abalou. Esperou o Carnaval, quando a cidade inteira estava muito ocupada em se divertir, para meter a picareta no calçamento e levar o tesouro para o Departamento Nacional da Produção Mineral, no Rio de Janeiro, que o guarda até hoje.

Padre paleontólogo Giuseppe Leonardi

Padre paleontólogo Giuseppe Leonardi

Fascinado, José Leonardi, acabou voltando para Araraquara dezenas de outras vezes, por um período de dez anos, sempre estudando esses vestígios.   Hoje, esta pesquisa já encerra três décadas de dedicação. 

 

Os  icnofósseis  (pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas)  são estudados por um setor ainda pouco conhecido da paleontologia e surpreendem os visitantes de Araraquara porque ainda são encontrados em vários pontos da cidade.  São vestígios e pistas de pegadas fósseis com uma idade média de 130 -140 milhões de anos: do final do período jurássico ao início do cretáceo.  A região de Araraquara fez parte do maior deserto de areia da história geológica do planeta e desfrutava deum clima muito quente e seco.  Dunas como as que encontramos, hoje, no deserto do Saara, abundavam cobrindo uma área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados,  do Sul de Minas Gerais até o Uruguai.  Os rastros pesquisados  indicam povoamento local tanto de vertebrados quanto de invertebrados, como a equipe do paleontólogo Marcelo Fernandes demonstra.

 

Marcelo Adorna Fernandes, morador de Araraquara, professor e paleontólogo do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), já reconheceu em alguns pontos pegadas do ornitópodo, um dinossauro com até cinco metros de comprimento e cerca de três metros de altura.  Muitas vezes, diz Adorna Fernandes, é difícil de se reconhecer esses vestígios porque  como as placas foram utilizadas como calçamento  há um desgaste muito grande e chegam a sumir com o tempo. Uma pegada com marcas de unha ao lado de uma praça quase foi destruída para a instalação de um orelhão. Em outro ponto, vestígios de um mamífero quase foram cobertos pelo cimento por uma moradora desavisada. “As pessoas acham que esse buraco na pedra é um defeito”, comentou o pesquisador.  Mas. “há marcas até de escorpiões pré-históricos.”

 

Araraquara, Pedreira de São Bento

Araraquara, Pedreira de São Bento

As pedreiras da região do Ouro foram largamente exploradas para obtenção das lajes, sem que se soubesse da presença das pegadas e outros vestígios de formas de vida existentes naquele período da história.  Os estudos geológicos da região vêm ganhando importância pelo fato da rocha sedimentar ser a formadora do Aqüifero Guarani, fundamental como reserva de água doce subterrânea.

 

O estudo destes vestígios, levou o paleontólogo Marcelo Fernandes, que procurava em Araraquara rastros de animais pré-históricos na pedreira São Bento, de onde vem o calçamento das ruas da cidade à uma outra descoberta que respondeu a uma pergunta sobre a vida dos dinossauros que ainda não havia sido respondida: como os dinossauros eliminavam os resíduos líquidos de seu corpo?

 

Até bem pouco tempo atrás não havia evidências de que esses animais urinavam: pensava-se que eles excretavam apenas materiais sólidos, a exemplo da maioria das aves, consideradas seus parentes mais próximos.  Mas recentemente  Marcelo Fernandes, que desenvolveu esta pesquisa em sua tese de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou, através de rastros fossilizados de líquidos, que pelo menos alguns dos gigantes pré-históricos acumulavam reservas de água no corpo.

 

Os dois urólitos ( urina de pedra) não apresentam componentes da urina. “Estimamos que eles tenham cerca de 145 milhões de anos, e a matéria orgânica depositada não sobrevive tanto tempo assim”, explica Marcelo Fernandes.  Estes urólitos foram encontrados na pedreira São Bento, de onde se extrai material para o calçamento das ruas de Araraquara, quando Fernandes procurava rastros de animais pré-históricos.

 

Paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes

Paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes

O pesquisador e sua equipe – formada pela bióloga Luciana Fernandes, da Universidade Federal de São Carlos, e pelo geólogo Paulo Souto, da UFRJ – se surpreenderam ao encontrar duas formas completamente diferentes de qualquer rastro descoberto anteriormente. “Eram rochas com sulcos em forma de elipse e um longo fluxo escorrido de areia, em um plano inclinado”, conta.  Já que a região formava o maior  deserto de areia do planeta, Marcelo Fernandes lembra que para se adaptar a um meio tão árido, os animais precisavam armazenar água no corpo. “Ocasionalmente, quando havia maior disponibilidade de água no ambiente, eles poderiam eliminar o excesso na forma de urina”, esclarece Fernandes.

 

Araraquara, rastro fossilizado

Araraquara, rastro fossilizado

O ambiente, chamado de paleodeserto, também ajudou a equipe do paleontólogo a imaginar que tipo de dinossauro eliminou os líquidos. Como as poucas aves que urinam (o avestruz, a ema e o casuar australiano) vivem em locais áridos ou semi-áridos, acredita-se que os resíduos sejam de um ornitópode (dinossauro herbívoro com pés semelhantes aos de pássaros), devido ao seu grau de parentesco com essas aves de grande porte. As pegadas desses animais são facilmente visualizadas em Araraquara, até mesmo nas calçadas das ruas.

 

Além de comparar os urólitos encontrados com os rastros deixados pela urina de um avestruz vivo, Fernandes realizou experimentos que simulavam a eliminação de líquidos em solo arenoso. “A semelhança entre as marcas (do fóssil, do avestruz e do experimento) não deixa dúvidas de que encontramos registros de urina”, diz. Assim, ele conseguiu provar que pelo menos os dinossauros que viviam em áreas desérticas eram capazes de urinar.  

Araraquara Iguanadonte

Araraquara Iguanadonte

 

 

 

A prova foi encontrada durante a retirada de placas de arenito da pedreira São Bento, em Araraquara. A descoberta ocorreu quando o pesquisador fazia um trabalho no local buscando icnofósseis – pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas. As camadas sobrepostas de arenito – que mantém os icnofósseis – eram retiradas na utilização de placas em calçadas em uma cidade vizinha.

 

A região de Araraquara era habitada por um dinossauro denominado Ornitópode, batizado de pés de aves. Acreditava-se que o animal medisse até 5 m de comprimento com cerca de 3 m de altura. “Achamos que esse Ornitópodo foi que deu origem ao urólito”, diz o paleontólogo.  

 

A prova da urina trata-se de duas estruturas, cada uma com 34 cm de comprimento – com pequenas crateras elípticas de escavação – provocadas pelo impacto de líquido em queda, com sedimentos depositados pela ação da gravidade em um plano inclinado. Para o pesquisador, não há como confundi-las com pegadas que têm como marca uma elevação semelhante a uma meia-lua nas bordas. Além disso, o material pode ter sido conservado porque os dinossauros Ornitópodes (herbívoros bípedes) e terópodes (carnívoros) caminhavam pelas dunas do paleodeserto compactando a areia.

 

O teste feito com a areia da própria pedreira mostra claramente que a marca encontrada é um líquido. Mas como provar que esse líquido era urina? Para Fernandes, é muito simples. A chuva não acumulava em um ponto único dessa maneira na areia e, naquela época, não existiam árvores com folhas capazes de reter a água da chuva possibilitando essa queda brusca ao chão. “Estudos referentes à ‘palcofauna’ da região atestam a presença de pequenos mamíferos e de dinossauros. Assim, o urólito só poderia ter sido provocado por animais de médio ou grande porte como os dinossauros”.

 

Pedra com imagem de urina de dinossauro

Pedra com imagem de urina de dinossauro

Antes, os paleontólogos acreditavam que os dinossauros excretassem em forma sólida. Agora, existe prova de que eles urinavam líquido. Segundo o paleontólogo, biologicamente também já fora comprovado que alguns dinossauros evoluíram para as aves. “Se os compararmos com um avestruz, que é uma ave e urina, o processo faz sentido. É que o avestruz tem uma espécie de bexiga que armazena uma estrutura para absorção de líquido. Quando tem abundância de água, ele elimina esse excesso em forma de urina. Pode ser que esses dinossauros, em um ambiente desértico, poderiam ter a mesma capacidade”.

 

 

 

Com a descoberta dos urólitos, Araraquara ganha mais um argumento a favor do reconhecimento da importância de seu acervo paleontológico. Conhecida pelos especialistas como ‘a cidade das calçadas jurássicas’, ela conta com o apoio da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e das universidades italianas de Gênova e Pisa para alavancar a construção de um museu paleontológico, que promete estimular o turismo na região.

 

“Esse é o único lugar do Brasil onde são encontrados vestígios da existência de dinossauros e de mamíferos do final do período Jurássico”, conta Fernandes. Por enquanto, o projeto, que faz parte do plano de metas da prefeitura, ainda não tem data certa para sair do papel.

 

Atualmente, o lar permanente dos dois urólitos é o Museu Histórico de Araraquara, mas uma das placas poderá ser vista até o dia 30 de abril na Oca do Parque Ibirapuera, na capital paulista, onde está em cartaz uma exposição sobre dinossauros e outros animais pré-históricos. Lá também estão expostos outros icnofósseis encontrados na formação Botucatu: uma coleção de 45 peças, com pegadas de dinossauros, de mamíferos e de animais invertebrados, como escorpiões e besouros.

 

 

 

 

 

 

http://www.visiteararaquara.com.br/index.php?id=117

 

http://cienciahoje.uol.com.br/45751

 

http://www.angelfire.com/ar/paccanaro/dinobrasil2.html

 

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1404590-EI319,00.html

 

 





COMPENSAÇÃO — poema de Cyra de Queiroz Barbosa

13 10 2008

 

COMPENSAÇÃO

 

Cyra de Queiroz Barbosa

 

Ao meu irmão Celso

 

 

Couve mineira

picada fininha

me lembra Vovó.

Sentada no mocho

de saia cobertos

só a ponta se via

dos pés pequeninos.

As mãos enrugadas

cortavam cortavam

a couve fininha.

 

Colhida na horta

que antes plantara

a couve verdinha

que agora picava

iria pra mesa

em travessa esmaltada.

Comida sadia

de gente mineira

arroz com feijão

que era tropeiro

torresmos sequinhos

lingüiça de lombo

farinha torrada

com ovos mexidos.

 

“Menina gulosa

tira a mão do torresmo!

Só quer escolher

o mais tenro e carnudo

aquele que o Celso

mais gosta e aprecia!”

— Couve mineira

picada fininha

me lembra a Vovó.

 

Café ralo e bem doce

com leite e farinha

que era de milho

torrada em fogão.

 Os netos gostavam

e ela sorria,

pra todos, é certo

mas um era neto

a quem mais queria.

 

— Só filhas criara

E nele beijava

o filho menino

que sempre sonhara.

 

Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rocco:1980, Rio de Janeiro





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa II

12 10 2008
Ilustração de Blanche Wright

Ilustração de Blanche Wright

 

DO  H   INICIAL E FINAL

 

1º) O h inicial emprega-se:

a) Por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.

b) Em virtude da adoção convencional: hã?, hem?, hum!.

 

2º) O h inicial suprime-se:

a) Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita);

b) Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente: biebdomadário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver.

 

3º) O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sobre-humano.

 

4º) O h final emprega-se em interjeições: ah! oh!

 

Clique AQUI para outra mudança, explicada em postagem anterior.





Imagem de leitura — Federico Zandomeneghi

12 10 2008

Senhora com livro, s/d, Federico Zandomeneghi (Itália 1841-1917)

 

Federico Zandomeneghi,  (Veneza, Itália 1841- Paris, 1917) veio de uma família de longa tradição nas artes plásticas.  Ambos pai e avô eram conhecidos escultores venezianos.  Por seu apoio a Garibaldi, viu-se obrigado a se mudar para Florença em 1860, onde junto com outros artistas florentinos passou a pintar ao ar livre.  Foi para Paris em 1874, onde participou dos Salões Impressionistas de 1879, 1880, 1881 e 1886.   Muito amigo de Degas.  Também ilustrou muitas revistas de moda.  A partir de 1890 adicionou o trabalho em pastel de cera ao seu acervo.  Seu trabalho teve bastante aceitação no mercado americano, sob a direção do marchand Durand-Ruel.

 





Houve pânico na cidade — Revolução de 1932

12 10 2008

Soldados paulistas, Foto Claro Johnson
Soldados paulistas, Foto Claro Johnson

 

2 de outubro de 1932

 

 

Houve pânico na cidade.  Os autos trabalharam  toda a noite anterior e a madrugada de hoje.  Caminhões não cessavam de correr à noite e de madrugada.  Constava que a linha de resistência das tropas ia ser no rio Itapetininga, a 1 légua desta cidade.  Falava-se que as tropas paulistas continuariam o ataque até o extermínio.  A prefeitura põe à disposição dos habitantes  trens da Sorocabana.  Houve evasão de quase metade da população, durante a noite anterior, a madrugada e todo o dia dois.

 

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Levei a família à Sorocaba, onde ficará até cessar o movimento.  

 

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Trem blindado, 1932, Canhão Schneider 150mm, Araçu, SorocabanaTrem blindado, 1932, Canhão Schneider 150mm, Araçu, Sorocabana

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 150 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Ruas da cidade de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932.





União Européia substitui lâmpada incandescente por florescente!

12 10 2008

Representantes dos países da União Européia decidiram nesta semana proibir o uso de lâmpadas incandescentes a partir de 2010.   Este é um esforço para generalizar o uso de eletrodomésticos ecologicamente corretos que foi impulsionado por um grupo de industriais, ambientalistas e especialistas em energia, que juntos tentam eliminar o uso das lâmpadas incandescentes em 10 anos.

 

 A troca para as lâmpadas que economizam energia foi primeiro anunciada no ano passado em Bruxelas, como parte de um ambicioso programa de controle do uso de energia para parar as mudanças climáticas em curso.  Este programa foi agora aprovado em Luxemburgo onde os ministros de Energia dos países da União Européia aprovaram modificações na a legislação européia já existente sobre a matéria para adicionar as limitações ao uso da lâmpada incandescente.  Os regulamentos europeus sobre o uso de energia elétrica já afetava inúmeros produtos tais como lavadoras, máquinas de lavar pratos e fornos elétricos.

 

Originalmente esta medida foi impulsionada por uma coligação dos maiores fabricantes de lâmpadas, entre as quais a Royal Philips Electronics da Holanda, lado a lado com o Conselho da Defesa de Fontes Naturais de Energia e mais duas organizações que promovem eficiência no consumo energético pediram padrões específicos de eficiência energética nos níveis estaduais e federais.   Na sexta-feira passada as três maiores fabricantes de lâmpadas – General Electric, Siemens e Royal Philips Electronics —  anunciaram que irão trabalhar incessantemente para que o consumidor europeu tenha uma mudança rápida e eficiente para os novos tipos de lâmpadas cujas emissões de dióxido de carbono contribuem para o aquecimento global.

 

A União Européia concretamente apoiou “a venda de todos os produtos de iluminação doméstica com menor rendimento esteja proibidos a partir de 2010, quando existirem fórmulas de substituição.”  Os ministros alegaram que desejam evitar riscos de falta de oferta no mercado ou qualquer perda de funcionalidade que prejudique os usuários.

 

A UE dará incentivos públicos para encorajar consumidores a comprar produtos mais eficientes e ao mesmo tempo estabelecer padrões de desempenho que eliminarão produtos de menor eficiência do mercado europeu.  No momento um grande esforço de conscientização já está tendo resultados  com a troca —  nos 27 países membros —  de lâmpadas incandescentes das iluminações de rua e de escritórios do funcionalismo público.  O programa agora se expandirá para que as lâmpadas de uso doméstico também sejam alvo do programa.

 

Em 2008, um projeto de regulamento que para iniciar o processo gradual que chegue à  proibição total de todas as lâmpadas incandescentes e de baixo rendimento, já deve estar em prática.  Esta medida, votada na sexta-feira passada já foi comemorada por grupos ambientalistas como o WWF, que a considerou “um passo adiante positivo”.

 

Segundo cálculos do WWF, o consumo das lâmpadas incandescentes é de três a cinco vezes superior ao das lâmpadas eficientes e sua substituição contribuiria à redução do consumo de energia em 60%, o que equivale cerca de 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano.  O próximo passo, que não pode esperar por muito mais tempo, será a adoção pela EU de  uma meta de redução do consumo energético primário em 20% para 2020.    

Nem todo mundo está satisfeito com a mudança de tecnologia.  As lâmpadas florescentes – que por sinal podem vir em cor branca ou amarelada – levam um pouquinho mais de tempo para esquentarem e podem às vezes piscar.  Estes são ajustes mínimos no comportamento do consumidor.  Mais difícil será a adaptação de todos os bocais.  Quando um bocal para a lâmpada é mais antigo – e isso acontece bastante na Europa – às vezes há que ter a troca bocais pois as lâmpadas florescentes tem um bocal um pouco mais longo e espesso.   E o preço inicial destas lâmpadas LED é um pouco maior.  Mas com o uso generalizado seu preço deve cair.   

 

 

 

Os ministros de energia europeus, que se encontraram em Luxemburgo mencionaram que a redução do consumo anual de energia primária, já figurava em conclusões anteriores mas também se mostraram a favor de uma política integrada em matéria de clima e energia baseada em três objetivos: luta contra a mudança climática, segurança de fornecimento e manutenção da competitividade das economias européias.





RJ: Instituto de Tecnologia oferece bolsas de estudos

12 10 2008
ilustração Walt Disney
ilustração Walt Disney

O Instituto de Tecnologia ORT, sétimo melhor colégio carioca na avaliação do Enem, está com inscrições abertas para seu concurso de bolsas de estudo para o próximo ano letivo. São 14 bolsas integrais – duas para cada ano do Ensino Fundamental (6º ao 9º) e seis para a 1ª série do Ensino Médio Técnico.

 

Os interessados devem entrar em contato com o colégio pelo telefone (21) 2539-1842, para agendar uma visita e obter mais detalhes sobre o concurso de bolsas. Pais e candidatos assistem à palestra e conhecem a moderna estrutura do colégio – que inclui 16 laboratórios.

 

“Setenta por cento de nossos alunos têm algum tipo de bolsa de estudo. Além das obtidas pelo concurso, também oferecemos bolsas com base no rendimento escolar prévio e nas condições financeiras do aluno”, explicou Hugo Malajovich, diretor do ORT.

 

Além das atividades em sala de aula, os alunos do ORT desenvolvem projetos nos laboratórios de Ciências, Química, Biologia Aplicada, Biotecnologia, Eletrônica, Informática, Programação, Robótica, Telecomunicações, Tecnologias Avançadas e Produção Visual. Há ainda oportunidades de estágios no próprio colégio ou através de convênios com grandes empresas.

 

O ORT é uma instituição educacional internacional, fundada em 1880, hoje considerada a maior organização não-governamental de ensino e treinamento tecnológico do mundo. Atuando em 50 países, suas escolas são freqüentadas anualmente por mais de 300 mil alunos. Seu diferencial é o ensino de Ciências e Tecnologia a partir do Ensino Fundamental e, no Ensino Médio, o ensino técnico, ministrado paralelamente ao ensino geral.

 

Ao se formar no ORT o aluno recebe além do certificado de conclusão do Ensino Médio que o habilita a continuar estudos universitários, um diploma de técnico nas áreas de Biotecnologia, Comunicação Social, Eletrônica ou Informática, que lhe permite, ao mesmo tempo, entrar no mercado de trabalho e iniciar a faculdade.

 

 

Jornal: O Dia

 

 





A Primavera — poema de P. de Petrus

12 10 2008

Ilustração de Rebecca Peed

A primavera

 

P. de Petrus

 

 

Primavera!  A Natureza,

Agora em nova roupagem,

Traz às plantas mais beleza,

Deita perfumes na aragem.

 

A colina é uma princesa

Dentro da mata selvagem.

Já não existe a tristeza

No sorriso da paisagem.

 

O sol, dourando o horizonte,

Cobre de beijos a fonte

E também a flor que o espera…

 

E o cantar dos passarinhos,

Quebrando a calma dos ninhos

Vem saudar a Primavera.

 

Pedro Bandettini, cognome P. de Petrus (SP 1920 – SP 1999)

 

Obras:

 

Paisagens Poéticas, 1970

Pensamentos Poéticos , 1975

Meu Canteiro de Trovas, 1984