Os coelhinhos — poema infantil de Odylo Costa, Filho

3 11 2008

 

Os coelhinhos

 

                               Odylo Costa, Filho

 

 

 

Iam dois coelhinhos

andando apressados

para o Céu – com medo

de serem caçados.

 

E também com medo

de passarem fome.

Pois – quando não dorme –

O coelhinho come.

 

E ainda tinha os filhos

que a coelha esperava…

O Céu era longe

E a fome era brava.

 

Jesus riu, com pena:

Fez brotar na Lua

— para eles – florestas

de cenoura crua.

 

 

 

Odylo Costa, Filho (MA 1914-  RJ 1979) – formado em direito, foi diplomata, ensaista, jornalista, cronista, novelista e poeta.

 

 

 

Obras:

 

Graça Aranha e outros ensaios (1934)

Livro de poemas de 1935, poesia, em colaboração com Henrique Carstens (1936)

Distrito da confusão, crônicas (1945)

A faca e o rio, novela (1965)

Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia (1966)

Maranhão: São Luís e Alcântara (1971)

Cantiga incompleta, poesia (1971)

Os bichos do céu, poesia (1972)

Notícias de amor, poesia (1974)

Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão, ensaio (1975)

Boca da noite, poesia (1979)

Um solo amor, antologia poética (1979)

Meus meninos e outros meninos, artigos (1981).

Outro poema de Odylo Costa Filho neste blog:

O astronauta





Frutos — poema infantil de Eugênio de Andrade

2 11 2008

Tangerina no café da manhã © Ladyce West, Rio de Janeiro: 2006

 

FRUTOS

Eugênio de Andrade

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor, 
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

 

Eugênio de Andrade nasceu em  Póvoa da Atalaia, em Portugal. Viveu em Lisboa, em Coimbra e no Porto.  É considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.

Obras:

As Mãos e os Frutos,1948);
Os Amantes sem Dinheiro,1950;
As Palavras Interditas,1951;
Até Amanhã,1956;
Coração do Dia, 1958;
Mar de Setembro, 1961;

Ostinato Rigore
, 1964;
Antologia Breve, 1972;
Véspera de Água, 1973;
Limiar dos Pássaros,1976;
Memória de Outro Rio, 1978;

Rosto Precário,
1979;
Matéria Solar, 1980;
Branco no Branco, 1984;
Aquela Nuvem e Outras, 1986;
Vertentes do Olhar, 1987;
O Outro Nome da Terra, 1988;
Poesia e Prosa, 1940-1989;
Rente ao Dizer,
1992;
À Sombra da Memória, 1993;
Ofício de Paciência, 1994;
Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo, 1995;
O Sal da Língua,1995





Já publicou seus textos para crianças?

30 10 2008
Ilustração de 1888, Inglaterra, Corrida de cavalos

Ilustração de 1888, Inglaterra, Corrida de cavalos

 

Sempre sonhou em ser um escritor para crianças?  Aqui está a sua oportunidade de tornar um sonho em realidade.  A editora LITTERIS abriu um concurso para novas escritores e poetas infantis. A editora localizada no Rio de Janeiro completa 20 anos, fiel à sua missão de publicar e divulgar novos escritores.

 

Para a descrição das regras deste concurso visite o blog: GLOBALAIO





Casa amarela, poesia de Marília Fairbanks Maciel para crianças

30 10 2008

Ilustração de Lívia

Casa Amarela

 

Em dias distantes,

Alegres, ruidosos,

Vivi nessa casa

Tão belos instantes!

Oh! Lembro-me bem

Da casa amarela,

Bem longa e comprida,

Em forma de trem.

E a gente, criança,

Correndo e gritando.

Um mundo de sonhos

Ficou na lembrança…

O som das risadas,

Dos choros também.

As flores colhidas,

Em fartas braçadas,

Deixaram perfumes

Gravados em mim.

Guardei borboletas,

Guardei vagalumes:

Lembranças queridas

Que eu trouxe de lá.

— Retalhos de sonhos,

Pedaços de vidas!

 

Mamãe nos chamando,

Com voz muito aflita.

As suas palavras

Estou escutando:

—  “Olá, criançada,

É hora da missa!”

— “É hora da escola!”

E a gente apressada,

Saía correndo,

Ouvindo o barulho

Do bonde que vinha

Nos trilhos, gemendo.

 

E agora, a saudade,

Em forma de um eco,

Vem, massa e distante,

Contar-me a verdade:

A casa amarela

Mudou de cor.

Perdeu seu encanto,

Não é mais aquela!

Mas dentro de mim,

A minha saudade

Em tom de balada

Cantando ficou:

— “A benção, mamãe!

A benção, papai

É tarde  eu já vou!”

Ai doce saudade

Da casa amarela!

Adeus, criançada!

É tarde… eu já vou!…

 

 

Marília Mendes Fairbanks Maciel ( Matão, SP 1924 – 2012), poeta, romancista, contista e artista plástica.

 

Obras:

 

Oferenda, 1962 – poesia

Momento sem tempo, 1970 — poesia

Tempo de saudade, 1971 — poesia

Janela Acesa, 1972, — poesia

O que o conto não conta, 1975 — contos

A semente, 1977 — romance

 

 





Os gostos de Briolanja — poesia infantil de José Jorge Letria

27 10 2008
Ilustração de Mauricio Sousa

Ilustração de Mauricio Sousa

 

Os gostos de Briolanja

A princesa Briolanja
gostava muito de canja
e de sumo de laranja.
No dia do casamento,
num estremecimento,
em vez de um palácio
pediu uma granja,
para nunca sentir falta
de sumo de laranja
nem do caldinho de canja,
coisa que na Corte
nem sempre se arranja.

 

José Jorge Letria, Mão-Cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1998.

 

José Jorge Alves Letria (n. Cascais, 8 de Junho de 1951) é um jornalista, político, poeta e escritor português.





Ora (direis) ouvir estrêlas? — Astrônomos gravam sons das estrelas

26 10 2008
Lua Cheia, Arte digital de TENINI

Lua Cheia, Ilustração, arte digital de TENINI

 

Cientistas gravaram o som de três estrelas semelhantes ao Sol usando o telescópio francês Corot.  Segundo os pesquisadores, a gravação dos sons permitiu que se conseguisse captar pela primeira vez informações sobre processos que acontecem dentro das estrelas.

 

A missão do telescópio francês Corot começada em dezembro do ano passado tem como centro o primeiro telescópio capaz de encontrar planetas de pedras pequenos — só umas poucas vezes menores que a Terra — e que tenham órbita em torno de um sol semelhante ao nosso sol.  Este telescópio, que não mede mais do que 35cm, consegue registrar uma pequena diminuição de luz toda vez que uma estrela gira em volta de seu sol.

 

Os sons captados pelos cientistas através do Corot revelam que as estrelas têm uma “pulsação” regular. Também é possível perceber que o som de cada uma das estrelas é levemente diferente das demais. Isso acontece porque o som das estrelas depende da idade, tamanho e composição química de cada um dos astros. A técnica de sismologia estelar, usada pelos cientistas nesta pesquisa, está tornando-se mais comum entre astrônomos, porque o som permite que se tenha uma idéia das atividades dentro das estrelas.

 

De acordo com o professor Eric Michel, do Observatório de Paris, a técnica já permitiu que pesquisadores tenham mais conhecimento sobre as estrelas.  Os sons mais interessantes vieram das estrelas – HD 49933, HD 181420 e um grupo conhecido com Grupo Globular  que são aproximadamente 1, 2  a 1, 4 vezes  maiores que o nosso sol e estão de 100 a 200 anos luz da Terra.

 

“Esta é uma forma completamente nova de se olhar para as estrelas, quando comparamos com o que estava disponível nos últimos 50 anos.  É muito animador”, diz Michel.  O professor descobriu que a pulsação das estrelas é muito parecida com o que os cientistas imaginavam, mas há uma pequena variação. Essa variação pode indicar que os astrônomos ainda precisam refinar suas teorias sobre evolução estelar.

 

Agora o estudo dos cientistas se voltará para as gravações já feitas.  A intenção é verem se conseguem entender o que acontece dentro destas estrelas.  Este estudo faz parte de um campo de estudos chamado Sismologia Estelar.    As oscilações entre estrelas, que são causadas pela fusão nuclear de seus interiores, dão pistas sobre o processo de radiação solar. 

 

A radiação solar é um dos fatores que contribui para a mudanças de temperatura da Terra.  Os cientistas estão com a esperança de que, ao compararem estes sons registrados pelo Corot,  poderão descobrir mais sobre a mudanças naturais do clima na Terra.

 

Os pesquisadores publicaram os resultados da pesquisa na revista científica Science.

 

Para mais informações, clique nos portais abaixo:

TERRA  

BBC     — aqui você consegue ouvir duas estrelas separadamente, um grupo e o sol.

THE TELEGRAPH

 

Poema de Olavo Bilac:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

 

E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

 

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

 

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

 





Poema — Fernando Pessoa — para crianças

24 10 2008

 

Parati: lembrança do passado, 1958

Armando Viana (RJ 1897- RJ 1992)

óleo sobre tela, Coleção Particular

 

POEMA

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que tanjas perto,

Quando passo sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto saudade de perto.

 

 

Fernando Pessoa

 

Vocabulário: 

 

dolente – triste

me tanjas – me toques

errante – sem destino

 

 

Em:

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Edições de Ouro:s/d, Rio de Janeiro

 

 

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.





O engenho do ovo… poesia infantil de Wilson W Rodrigues

22 10 2008
Engenho de açúcar, MEC

Engenho de açúcar, MEC

 

O Engenho do Ovo…

 

                        Wilson W Rodrigues

 

A madrinha era pobre,

tão pobre, que no batizado,

um ovo bem pequenino

deu de presente ao afilhado.

 

Do ovo nasceu uma pintinha,

que de pinta se fez franga,

e de franga se fez galinha

com olhinhos de sapiranga.

 

A galinha deu ninhada,

que encheu o galinheiro,

e vendendo essa ninhada

o rapaz ganhou dinheiro.

 

Com o dinheiro comprou um porco,

que matou para vender;

então comprou uma bezerra

que como ele estava a crescer.

 

A bezerra se fez vaca

e no rapaz a barba cresceu.

A vaca deu tanto filho,

que o rapaz enriqueceu.

 

E agora já bem taludo

dono de grande criação,

o rapaz comprou Engenho

como era sua ambição.

 

De um ovo de batizado,

dado com todo empenho,

um felizardo afilhado

acabou senhor de engenho.

 

Wilson R. Rodrigues

 

Vocabulário:

 

Olhos de sapiranga – olhos sem pestanas

Nunhada – todos os pintos que nascem de uma vez

Taludo – crescido, forte

Ambição – desejo

Empenho – boa vontade

Senhor – dono

 

Em:

 

Leituras Infantis, 2° livro, Theobaldo Miranda Santos, Agir:1962, Rio de Janeiro

 

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista.

 

 

Obras:

 

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952

 





A borboleta — poesia infantil de Olavo Bilac

17 10 2008

A borboleta

 

Olavo Bilac

 

 

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda!  É toda preta,

Com listas douradas na asa.

 

Tonta, nas mãos da criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fugir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

 

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

“Mamãe vê como é bonita!

“Que cores e que tamanho!

 

“Como voava no mato!

“Vou sem demora pregá-la

“Por baixo do meu retrato,

“Numa parede da sala”.

 

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

“Meu filho, esse animalzinho,

“Que livre e alegre vivia?

 

“Solta essa pobre coitada!

“Larga-lhe as asas, Alfredo!

“Vê como treme assustada…

“Vê como treme de medo…

 

“Para sem pena espetá-la

“Numa parede, menino,

“É necessário matá-la:

“Queres ser um assassino?”

 

Pensa Alfredo…  E, de repente,

Solta a borboleta…  E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

 

“Assim, meu filho!  Perdeste

“A borboleta dourada,

“Porém na estima cresceste

“De tua mãe adorada…

 

“Que cada um cumpra a sorte

“Das mãos de Deus recebida:

“Pois só pode dar a Morte

“Aquele que dá a Vida.”

 

Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, 17ª edição, pp. 21-23

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.





Poeminha para crianças, Manoel de Barros

16 10 2008

 

O cachorro vira-lata

queria que queria

entrar dentro de um inseto.

Mas a lata não deu inteira

dentro do inseto.

O rabo ficou de fora.

 

Em: Cantigas por um passarinho à toa, Manoel de Barros, Ed. Record:2003, Rio de Janeiro.

 

Manoel Wenceslau Leite de Barros, (Cuiabá, MT 1916) é advogado, fazendeiro e poeta.

 

 

 

Obras

 

1937 — Poemas concebidos sem pecado

1942 — Face imóvel

1956 — Poesias

1960 — Compêndio para uso dos pássaros

1966 — Gramática expositiva do chão

1974 — Matéria de poesia

1982 — Arranjos para assobio

1985 — Livro de pré-coisas (Ilustração da capa: Martha Barros)

1989 — O guardador  das águas

1990 — Poesia quase toda

1991 — Concerto a céu aberto para solos de aves

1993 — O livro das ignorãças

1996 — Livro sobre nada (Ilustrações de Wega Nery)

1998 — Retrato do artista quando coisa (Ilustrações de Millôr Fernandes)

1999 — Exercícios de ser criança

2000 — Ensaios fotográficos

2001 — O fazedor de amanhecer

2001 — Poeminhas pescados numa fala de João

2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo (Ilustrações de Martha Barros)

2003 — Memórias inventadas – A infância (Ilustrações de Martha Barros)

2003 — Cantigas para um passarinho à toa

2004 — Poemas rupestres (Ilustrações de Martha Barros)