Linguagem da música ocidental é universal

23 03 2009

melozzo-da-forli

Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

A linguagem da música ocidental é universal e pode ser entendida mesmo por aqueles que nunca escutaram uma música na vida, segundo um estudo publicado nesta semana, da revista especializada Current Biology.  No estudo, nativos africanos que nunca haviam escutado rádio na vida foram capazes de reconhecer emoções como felicidade, tristeza ou medo expressadas em músicas ocidentais.

Segundo os pesquisadores alemães, as expressões de emoção são uma característica típica da música ocidental, e a capacidade da música de expressar emoções é comumente vista como um requisito para a sua apreciação. Em outras culturas, porém, a música seguiria outras características, como a capacidade de coordenação grupal em rituais, o que a tornaria menos reconhecível para outros indivíduos de fora do grupo.

 

 

melozzo-da-forli-anjo-com-pandeiro

 

Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

 

 

 

Nossas conclusões explicam por que a música ocidental tem tanto sucesso na distribuição musical global, mesmo em culturas musicais que não enfatizam de maneira tão forte o papel das emoções em sua música“, afirma um dos autores da pesquisa, Thomas Fritz, do Instituto Max-Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, da Alemanha.

O objetivo do estudo era descobrir se os aspectos de emoção da música ocidental poderiam ser apreciados por pessoas que nunca haviam tido contato com esse tipo de música. Os pesquisadores escolheram membros da tribo Mafa, um grupo de 250 indivíduos que vivem isolados no extremo norte das montanhas Mandara, nos Camarões.

O estudo comparou a reação desses indivíduos e de ocidentais à música ocidental e mostrou que ambos os grupos podiam reconhecer de maneira semelhante expressões de emoção como felicidade, tristeza e medo na música. Os dois grupos se baseavam em características semelhantes das músicas para avaliá-las – a marcação do tempo e a forma -, apesar de esse padrão ter sido mais acentuado entre os ocidentais.

 

 

melozzo-da-forli-anjo-com-violino-2

Anjo Músico, 1480

Melozzo da Forli  (Itália 1438-1494)

Afresco

Sala IV, Pinacoteca do Museu do Vaticano

Vaticano

Os pesquisadores também testaram a reação dos indivíduos a músicas alteradas e concluíram que ambos os grupos consideraram as versões originais melhores do que as versões modificadas. Para os autores, isso ocorre provavelmente porque os sons alterados tinham uma maior dissonância sensorial.

Tanto os ouvintes do grupo Mafa quanto os ocidentais mostraram uma habilidade para reconhecer as três expressões básicas de emoções das músicas ocidentais testadas no estudo“, dizem os pesquisadores na última edição da revista especializada Current Biology.

Isso indica que essas expressões de emoção manifestadas pela música ocidental podem ser universalmente reconhecidas, de maneira semelhante ao reconhecimento amplamente universal das expressões faciais humanas e da prosódia (ritmo, entonação e ênfase do discurso) emocional“, concluem.

 

PORTAL TERRA

 

—————

 

—-

 

 

Michelozzodegli Ambrosi, dito Melozzo da Forlì, (Forlì, Itália, 1438; — Forlì, 8 de Novembro de 1494) foi um dos mais notáveis pintores da Renascença italiana e um dos mais famosos seguidores do estilo de Piero della Francesca.  Veio de uma abastada família chamado Ambrosi de Forlì.  Nada se sabe sobre seus primeiros anos,  tudo indica que ele deve ter estudado em Forlì, sob direção de  Ansuino da Forlì.  Ambos, Melozzo e Ansuino  foram bastante  influenciados por Mantegna.

Iniciou sua carreira artística na corte de Urbino, uma das mais conhecidas e produtivas de toda a Itália.  Lá conheceu o grande pintor e teórico matemático Piero della Francesca, que influenciou profundamente o estilo de Melozzo e sua utilização de perspectiva na pintura.  Neste período ele deve ter analisado também a arquitetura de Bramante e os trabalhos dos pintores flamengos, que trabalhavam para o duque Federico da Montefeltro.   Talvez Melozzo tenha mesmo trabalhado com Justus de Ghent e Pedro Berruguete na decoração do studiolo do famoso Palácio Ducal da cidade.   Mas depois deste período em Urbino, mudou-se para Roma.  

Com a sua carreira artística a bom ritmo, em 1484, trabalhou na decoração da Capela do Tesouro da Basílica de Loreto, pintando frescos, entre outros, onde aplicaria todo o seu extraordinário conhecimento da perspectiva.





Imagem de leitura — Adolphe Alexandre Lesrel

20 03 2009

captivated

Cativada, 1875

Adolphe Alexandre Lesrel, ( França, 1839-1929)

óleo sobre tela  40,6 x 32,4cm

 

 

 

 

 

Adolphe Alexandre Lesrel, (1839 — 1929) —  nasceu 19 maio 1839 em Genets, França.  Estudou em Paris onde foi bastante influenciado por Meissonier, um artista cuja popularidade se expandia por toda a Europa e também pelos Estados Unidos.   Lesrel adotou um estilo altamente detalhado e finamente acabado. Trajes, tecidos finos, objetos de arte, mobiliário, tudo era pesquisado para assegurar a precisão histórica do seu trabalho.

 

Lesrel exibiu na Societé des Artistes Français, em 1885, e em 1889, quando recebeu uma menção honrosa. Em 1890 tornou-se um Associado do Salon Nationale des Beaux Arts.  Lesrel era um pintor de cenas históricas que interpretava de maneira bastante idealizada e romântica.  Assim, encontrou um mercado pronto na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Esta popularidade se manteve através de sua vida.  Os temas de suas pinturas e  o seu virtuosismo técnico no uso do pincel lhe garantiram uma popularidade contínua.





Imagem de leitura — Ludovico Marchetti

18 03 2009

ludovico-marchetti-italiano-1853-1909-um-bom-livro-1882-ost

Um bom livro, 1882

Ludovico Marchetti (Itália, 1853-1909)

óleo sobre tela

 

 

 

 

 

Ludovico Marchetti nasceu em Roma no dia 10 de maio de 1853.  Sua formação artística  iniciou-se no ateliê do pintor espanhol Mariano Fortuny y Marsal, que tinha um estúdio em Roma no início da década de 1870.   Em 1878, com 25 anos, partiu para França, onde continuou seus estudos e começou a expor no Salão de Paris,  em Berlim e Munique. Como muitos de seus contemporâneos, Marchetti especializou-se em pintura histórica. Entre seus temas favoritos eram os cavaleiros e trovadores do século XVIII ricamente vestidos com roupas coloridas. Permaneceu em Paris até sua morte  no dia 20 de junho de 1909.





O aquecimento global e os animais ameaçados no Brasil

18 03 2009

animais-na-arca

Entrando na Arca de Noé, cerca 1590

Kaspar Memberger, o velho [Austria, ca 1555 –1618? ]

óleo sobre tela 124,4 x 162,9 cm,

Museu da História da Arte de Viena, Áustria

 

 

 

 

 

O jornal O GLOBO de hoje [página 25], num artigo de 2/3 de página, lista os animais no mundo mais ameaçados com o aquecimento global.  O artigo se baseia no alerta dado pelo relatório Mudanças Climáticas e Espécies da WWF — World Wildlife Federation. A lista é grande e aqui vou me dedicar principalmente a quatro animais cujas vidas dependem de um esforço brasileiro ainda maior do que outros, pois são animais cuja sobrevivência depende de ações imediatas do Brasil, não só do governo brasileiro, mas também das ações individuais de brasileiros, como todos nós.

 

 

 

RECIFES DE CORAIS

 

 

 

 corais

 

 

 

 

A extinção dos recifes de coral se acelera.  Acredita-se que em 50 anos, 80% de todos os corais do mundo hajam morrido.  De 1998 até hoje,  uma década, pode-se dizer, 16% dos corais no planeta desapareceram.  

 

Recifes de coral ameaçados podem ter a ajuda de reservas marinhas, que protegem a vida no mar da pesca comercial e das mudanças climáticas.  Nas Bahamas, na maior reserva marinha do Caribe, com 442 quilômetros quadrados, o número de corais jovens dobrou em áreas onde os peixes nativos foram protegidos da pesca. Os corais jovens são necessários para substituir os mais velhos que foram mortos por tempestades, doenças e outros problemas.

 

O efeito do aquecimento global nos corais é o resultado de um desequilíbrio na temperatura dos mares.  Para se reproduzir os recifes de corais – equivalentes às florestas tropicais debaixo d’água – precisam retirar minerais da água.  Com aquecimento das águas, menos minerais estão disponíveis, pois o mar fica mais ácido com um desequilíbrio do gás carbônico encontrado no mar.

Assim, as florestas de corais, morrem de fome. 

 

 

 

O ALBATROZ

 

 

 

albatroz 

 

 

 

 

Os albatrozes – esses magníficos pássaros marinhos, estão diminuindo em número, assustadoramente.  Seus habitats para acasalamento estão desaparecendo e as constantes mudanças climáticas que causam tormentas, furacões, tornados e demais exageros climáticos estão destruindo ninhos e ninhadas inteiras de uma só vez.  

 

Albatrozes sofrem também, e muito com embarcações de pesca industrial.  Muitas delas capturam  além dos peixes, um grande número de aves pelos anzóis do espinhel, inclusive albatrozes.  Nessas situações, os albatrozes mordem as iscas e são arrastados para baixo d’água, morrendo afogados.

 

 

BALEIA JUBARTE

 

 

 

 

 baleia-jubarte

 

 

 

Um dos maiores perigos para a sobrevivência das baleias jubartes, outra baleias e golfinhos também é a fome.  Com o degelo total no mar da Antártica em 30 anos, ou seja, cerca de 2040, não haverá nenhuma fonte de alimentos para estas espécies.  A acidez dos oceanos mais frios, reduzirá substancialmente a fonte de alimento para estas baleias.  

 

Além disso, todos os anos as baleias jubartes visitam a costa brasileira, especialmente a costa da Bahia para reprodução. As baleias buscam as águas mornas de regiões tropicais para acasalar e dar a luz aos seus filhotes. Como a gestação da baleia jubarte é de aproximadamente entre onze e doze meses, as fêmeas que engravidaram na temporada passada retornam no ano seguinte para parir seus filhotes.  A exploração das reservas de óleo e gás localizadas no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia é uma ameaça direta à biodiversidade marinha da região e uma das principais causas do aquecimento global.

 

 

A TARTARUGA-DE-PENTE

 

 

 

 

 tartaruga-de-pente

 

 

A tartaruga-de-pente se alimenta quase que exclusivamente de invertebrados, principalmente esponjas.  Ambos, esponjas e invertrebados,  estarão também diminuindo em número pelo aumento da acidez na água do mar.    Uma fonte alimentar alternativa para as tartarugas-de-pente em locais onde há poucas esponjas pode ser o coral babão, como foi visto ser usado pelas tartarugas do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, onde as esponjas são pouco abundantes.   Mas, como vimos no primeiro item desta lista, os recifes de corais também estão em perigo.  

 

 

PRECISAMOS passar da  “muita falação e pouca ação” como resumiu Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace Brasil, para mais ação de verdade.   A solução está em nossas mãos.

 

 





Novas descobertas em tumba egípcia

17 03 2009

luxor

 

 

O egiptólogo espanhol José Manuel Galán descobriu uma câmara funerária pintada de 3,5 mil anos em Luxor, sul do Egito, anunciou o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).

 

A câmara, que faz parte do cemitério de Dra Abu El-Naga, tem as paredes e o teto completamente pintados com desenhos e hieróglifos do Livro dos Mortos e seria de Djehuty, uma autoridade da época.  Djehuty viveu na região por volta do ano 1.475 a.C. e recebeu um túmulo “muito especial” porque foi servente de uma das poucas mulheres que atuou como faraó na história do Egito, a famosa Hatshepsut, exercendo os cargos de chefe do Tesouro da rainha e também chefe dos artistas.  Hatshepsut  era filha de Tutmosis I (dinastia XVIII), cujo reinado aconteceu entre 1.479 e 1.457 a.C.

 

 

 

 

livro-dos-mortos

 

 

 

 

Há sete anos que a equipe chefiada por Galán trabalha nas escavações ao redor das entradas de cemitérios na colina de Dra Abu el-Naga, em Luxor, Egito.  A equipe de arqueólogos espanhóis que penetrou na tumba do alto dignatário Djehuty, servente há cerca de 3,5 mil anos da rainha Hatshepsut, já foi responsável por um grande número de descobertas sem precedentes, inclusive a do primeiro retrato conhecido de um faraó visto de frente – provavelmente Tutmés III ou sua mãe, Hatshepsut — e não de perfil.  .  Em 2007, esta descoberta trouxe bastante interesse na comunidade de egiptólogos porque fora um achado é incomum porque os egípcios sempre se retratavam de perfil. Os únicos retratos frontais eram os de estrangeiros, de demônios e do deus anão Bes, que seria uma importação cultural.

 

 

 

 

farao-frontal

 

 

—-

 

 

 

Agora novas riquezas se fazem conhecidas.  A câmara encontrada e devidamente anunciada hoje é nada mais nada menos do que uma sala quadrada de 3,5 metros de largura e 1,5 metro de altura.  O que a torna fora do  comum é a decoração total, incluindo todas as paredes e o teto com pinturas da época.





… não sou terráqueo, sou brasileiro!

12 03 2009

joao-peralta-e-pe-de-moleque

Capa do livro:  Viagens de João Peralta e Pé-de-moleque de Luis Díaz Correa.

—-

O interrogatório

 

O rei perguntou aos meninos:

 

— Quem são vocês?

 

— Nós somos…

 

— Eu sou…

 

— Fale de uma vez.  Comece você; e indicou Joãozinho.

 

— Eu sou um  menino brasileiro, filho do Sr. Nazário, um homem  muito bom, e me chamo João Peralta.

 

— O Brasil tem muitos meninos peraltas, disse o rei.

 

Pé-de-Moleque deu uma risadinha.  O rei olhou-o carrancudo e berrou:

 

— E você tem cara de ser o mais peralta de todos!…  Diga, e você quem é?

 

— Eu sou Pé-de-Moleque, filho da Benedita cozinheira.  Ela é muito boa mãe e há de me pregar uma sova bem merecida por ter cometido a tolice de vir parar numa terra onde me chamam de terráqueo!  Eu não sou terráqueo, sou brasileiro!

 

 

Em: Viagens de João Peralta e Pé-de-Moleque, Menotti Del Pichhia.

 

—–

menotti20del20picchia

O escritor Paulo Menotti del Picchia

—-

Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

 

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

 

 

Obras:

 

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil





Fernão Dias Paes Leme, poema de Afonso Louzada

8 03 2009

fernao-dias-paes-leme-oleo-de-rafael-falco

A morte de Fernão Dias Paes Leme, década de 40

Raphael Gaspar Falco ( Oran, 1885- São Paulo 1967)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

Fernão Dias Paes Leme

 

 

                                              Afonso Louzada

 

 

Varando as regiões desconhecidas,

entre matas e rios e montanhas,

no calor das audácias e façanhas,

buscando as pedrarias escondidas.

 

 

as “bandeiras” rasgavam as entranhas

da terra virgem;  mil lutas renhidas,

desbravando paragens mal feridas,

no assombro das florestas mais estranhas.

 

 

Na braveza das serras misteriosas

atrás das esmeraldas, alma brava

que era de um povo o símbolo gigante,

 

 

as mãos crispadas apertando, ansiosas,

as suas pedras verdes, expirava

Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante.  

 

 

Em:  Templo Abandonado, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional:1945.

 

 

 

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje seu nome pode ser escrito assim: Afonso Lousada,

 

 

Obras: 

 

Peço a palavra, (1934),  – fábulas em versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938 )

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Templo abandonado (1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 

Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) nasce provavelmente na vila de São Paulo do Piratininga, descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente. A partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. Em 1661 fixa-se nas margens do rio Tietê, perto da vila de Parnaíba, e administra uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Em julho de 1674 parte de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Fazem parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Aracuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.





Heitor Villa-Lobos no exterior

7 03 2009

eliseu-visconti-amsicaestudoparavitralguache60x441898cole

Estudo para vitral, 1917

Eliseu Visconti (Brasil, 1866-1944)

Continuando a postagem anterior comemorativa do Dia Nacional da Música Clássica, coloco aqui seleções do artigo de Márcia Erthal três páginas publicado hoje, dia 6 de março de 2009 no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro [páginas C-4,5 e 6];  Neste artigo diversas perguntas foram feitas a maestros brasileiros.  As mesmas perguntas.  Todas tinham como protagonista Heitor Villa-Lobos.  Escolhi uma pergunta sobre a força do compositor no exterior. 

 

 

Pergunta:

 

Qual a força da obra de Villa na Europa hoje, em especial na França,  aonde o senhor vem regendo a Orchestre National des Pays de La Loire (ONPL)?

 

 

ISAAC KARABTCHEVSKY Quando fui convidado para ser titular da ONPL, impus logo uma condição – queria ver executada pela minha orquestra francesa o ciclo integral das Bachianas Brasileiras.  O resultado foi surpreendente, em parte porque os franceses reconhecem em Villa não apenas o gênio brasileiro, mas principalmente o reflexo das influências e da cultura francesa.

 

 

Qual é a força da obra de Villa no exterior hoje em dia?  Até onde o senhor observou há interesse no conhecimento e na execução da obra dele na Europa e nos EUA?

 

JOHN NESCHILING  A força de Villa ainda não foi compreendida em toda a sua extensão.  Sinto que muitas orquestras estrangeiras pedem que eu reja Villa e depois se surpreendem com as obras que proponho.  Esperam sempre os mesmo títulos e não conhecem nem de longe a imensidão de sua criação.  É muito difícil imergir na obra de Villa.  Às vezes quem fica na superfície pode tachá-lo de vulgar ou pouco profundo, mas isso é exclusivamente  devido à ignorância dos elementos que compõem a estrutura villalobiana.

 

 

Qual a força da obra de Villa no exterior hoje?

 

LUIZ PAULO HORTA Ele está sendo mais conhecido porque apareceram muitas gravações boas, como as das Bachianas e dos Choros feitas pela Orquestra Sinfônica de São Paulo (OSESP).

 

 

Qual a força da obra de Villa no exterior hoje?

 

TURÍBIO SANTOS – Hoje temos uma visão de Villa-Lobos sendo tocado em todo canto.  Na Alemanha, por exemplo,  gravaram todas as sinfonias, todos os quartetos, e tudo muito bem tocado.  Aqui no Brasil, as orquestras se programaram para tocar intensamente, projetos como Música no Museu estão fazendo mais de 60 concertos, é maravilhoso.  Por que Villa saiu do Brasil na juventude?  Porque aqui não tinha o instrumento dele, a orquestra.  Agora temos.  É portentoso o trabalho da OSESP.  É preciso gravar, gravar, espalhar.

 

 





Instrumentos musicais feitos de gelo?!?

27 02 2009

arena-2009-foto-bjorn-furuseth

Foto: Bjørn Furuseth

 

 

 

 

Apesar de carioca, confesso que não sou muito chegada ao calor.  E depois deste mês de temperaturas bastante altas, sem nenhuma brisa para aliviar o mal-estar, andei sonhando com lugares para visitar no próximo ano.  Eis que do nada me deparo com algo realmente mirabolante: um festival de música no gelo.  Isso mesmo.  Acho que tentarei comprar entradas para a próxima versão deste festival em 2010.  

 

As fotografias do evento deste ano me deixaram com muita vontade de pelo menos conhecer este fenômeno.  Os concertos nesta ocasião são tocados por violões, guitarra, flautas, violinos, harpas, órgãos e outros instrumentos, todos feitos de gelo, isso mesmo, de água congelada!  É difícil de acreditar, mas  é a absoluta verdade. 

 

sidsel-walstad4

Foto: Bjørn Furuseth

 

 

 

 

 

O local é a chamada catedral, um espaço como um gigantesco iglu na glacier Val Senales na região da Itália tirolesa.  Composta de uma cúpula de 12 metros de altura a catedral é completamente feita de gelo.  É uma experiência arquitetônica sem igual, dizem os visitantes, porque há mais de um ambiente, e tanto os palcos, como as poltronas em fila, o bar, tudo é esculpido no gelo.  Ensembles e orquestras tocam suas músicas em instrumentos feitos com gelo.  Dizem que a acústica é perfeita.  O festival começou no dia 27 de janeiro e vai até o inicio de Abril.

 

A estadia precisa ser marcada com antecedência pois  fica por conta das hospedarias de quatro aldeias no vale entre montanhas: Certosa, Monte Catarina, Madonna di Senales e Vernago.   Estas aldeias estão acostumadas a hospedar turistas por na parte superior do vale fica a estação dos carrinhos a cabo de Val Senales, que é uma estação de esqui aberta o ano inteiro.  Na verdade, esta região é o conhecido caminho, há muitos e muitos séculos  por onde pastores italianos levavam seus cordeirinhos para os pastos verdes do vale Ventertal na Áustria.  Foi aqui neste local que Ötzi o Homem da Neve, foi encontrado em 1991, seu corpo muito bem preservado  na montanha Similaun no coração da glacier  Val Senales.  

reuters-alessandro-bianchi

REUTERS/Alessandro Bianchi

 

 

 

Uma série de concertos é programada.  Cada concerto está  programado para ter um estilo diferente e há também um concerto especial para crianças.  Em 2009 todos os concertos são realizados às 11:00 e às 15 horas.  Mas há alguns poucos concertos às 17 horas.   O festival também tem um show de luzes e um de fogo.  E no final há uma descida de esqui à luz de tochas.   A entrada para todos os eventos é gratuita.  

 

Por mim, eu passo a descida de esqui à luz de tochas, mas ficaria feliz de ver os esquiadores.  Todo o resto me parece perfeito!!!!!!!!!

 





O deserto dos tártaros: Dino Buzzati

24 02 2009

pieter-stevens

Paisagem com vilarejo à distância,

Pieter Stevens (Antuérpia, 1567-1624)

Nanquim sobre papel e aguada cinza

22 x 32cm

 

 

 

 

Senti-me como Miss Marple, um dos personagens mais conhecidos dos livros de Agatha Christie, uma senhora que resolve crimes pela lógica e pelo conhecimento que tem da natureza humana ao ler O deserto dos Tártaros de Dino Buzatti [São Paulo, Clube do Livro: s/d].  Para Miss Marple um ingrediente necessário na arte de desvendar mistérios é a catalogação mental que faz das pessoas à sua volta: umas sempre lembram outras e seu comportamento consequentemente não deve ser diferente.  Assim, todos os problemas que aparecem na região da aldeia de St. Mary Mead, residência da boa detetive,  podem ser resolvidos pelo trabalho extraordinário de associações entre pessoas que ela executa.

 

Em O deserto dos Tártaros também fiz minhas associações à maneira de Miss Marple.  À medida que lia imagens de quadros e filmes que assisti vieram a preencher a minha imaginação.  A história quase simples e previsível é a de um homem, de um país desconhecido, numa época qualquer, que ao entrar para o exército, tem como  sua primeira missão,  uma permanência indefinida numa estação fronteiriça,  enfiada atrás das montanhas de mais difícil ultrapassagem.  O objetivo final é o Forte Bastiani, obra protetora de uma fronteira esquecida.  Lá o marasmo impera e se entranha por tudo e por todos.  Visivelmente alerta para a estranheza do forte, Drogo, o personagem principal desta aventura, pede para ser colocado em outro local.  Mas depois de uma conversa com um superior aceita ficar por quatro meses.  Estes aos poucos se transformam em quinze anos, graças à acomodação de Drogo, graças às escolhas que faz durante sua estadia e ao estranhamento que sente quando depois de quatro anos no forte volta à cidade natal, onde já não reconhece nada, nem mesmo a si mesmo.

 

tartaros

 

 

 

 

A primeira associação que tive veio pela descrição inicial da viagem de Drogo rumo ao Forte Bastiani.  Não consegui tirar da minha memória as paisagens maneiristas do século XVI.  Principalmente as da Europa do norte, tais como as de Pieter Stevens.  

 

Lá se vão Giovanni Drogo e seu cavalo, diminutos, no flanco das montanhas que se tornam sempre maiores e mais selvagens.  Ele continua subindo para chegar ao forte ainda durante o dia, porém mais rápidas que ele, do fundo, de onde rumoreja o riacho, mais rápidas que ele sobem as sombras.  A um certo ponto elas estão justamente à altura de Drogo, na vertente oposta da garganta; parecem por um instante reduzir sua corrida, como que para não desencorajá-lo, depois deslizam por cima dos penhascos e dos rochedos, e o cavaleiro permanece embaixo.

angelpl61

 

 

Mais adiante, quando Drogo começa a achar razões para permanecer no forte lembrei-me incessantemente de um dos filmes mais extraordinários que já vi, um filme do espanhol Luis Buñuel, Anjo Exterminador, 1962.   O roteiro, a história, o vazio são paralelos perfeitos para o Deserto dos Tártaros:   Após uma extravagante e farta refeição, os convidados se sentem estranhamente incapazes de deixar a sala de jantar e, nos dias que se seguem, pouco a pouco, caem as máscaras de civilização e virtude e o grupo passa a viver como animais. 

 

E enquanto as sombras do outro lado da montanha, depois da fronteira mexiam com a imaginação dos soldados no forte, suas descrições mexiam com as minhas memórias das paisagens desertas de De Chirico, um pintor também italiano e contemporâneo de Dino Buzzati:  Interrompeu-se porque do alto de um paredão cinzento, pendente sobre eles, chegara um som de desmoronamento.  Ouviam-se os baques dos rochedos que explodiam contra os penhascos e ricocheteavam com ímpeto selvagem pelo abismo, entre nuvens de poeira.  Um estrondo de trovão repercutia de parede a parede.  No coração dos despenhadeiros, o misterioso desmoronamento continuou por alguns instantes, mas exauriu-se nos profundos canais antes de chegar embaixo; nos cascalhos, por onde subiam os soldados, só chegaram duas ou três pedrinhas.

 

 

 

chirico7-a-angustia-da-partida

A angústia da partida, 1913-1914

Giorgio De Chirico (Itália, 1888-1978)

Óleo sobre tela

Albright-Knox Art Gallery Búfalo, EUA

 

E assim fui de memória em memória saindo do mundo da literatura para o mundo das artes plásticas, até o final do livro peregrinando pelas imagens desérticas, pelo sentido de desalento e de paralisação, até que cheguei às minhas memórias do conto The Beast in the Jungle, 1903, de Henry James (EUA 1843 – Inglaterra 1916) que no Brasil foi editado como um pequeno livro com o título de  A Fera na Selva: a história de um homem a quem nada absolutamente acontecera, como resultado das decisões que tomara ou que deixara de tomar, sempre à espera de um grande evento. 

 

 

Afinal a que todas essas conexões me levam?  O que elas têm em comum é a exploração do fantástico, da fantasia pessoal, do imaginário individual.  Apesar de alguns críticos ligarem a obra de Dino Buzzati  a escritores como Kafka, Sartre e Camus, principalmente nesta obra O deserto dos Tártaros, originalmente publicado em 1940, na minha opinião esta história, com o desenvolvimento dado, pertence mais ao campo da fantasia do imaginário,  algo mais fluido e menos desesperador, mais na tradição de Edgar Allan Poe e de outros autores transcendentalistas.   Quer coloquemos este livro entre os surrealistas ou os transcendentalistas, não importa.  É simplesmente um livro que deve ser lido, pela narrativa, pela abstração e pelo descobrimento de nós mesmos.

 

dino_buzzati-1906-1972

O escritor Dino Buzzati (1906-1972)