As estrelas no céu, versos de Jorge de Lima

24 12 2010

Visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, 1965

Djanira da Motta e Silva ( Brasil, 1914-1979)

Guache sobre cartão, 14 x 39 cm

Coleção Particular

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As noites!  Que noites de imenso luar!

Podeis contemplar a Ursa Maior,

A Lira, a Órion, a luz de Altair,

Estrelas cadentes correndo no espaço,

A Estrela dos Magos parada no ar.

Que noites, meninas, de imenso luar!

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Jorge de Lima

Em: Obra completa, Rio de Janeiro, Aguillar: 1958

A liberdade poética é necessária e seu uso torna muitos textos inesquecíveis!   Este é o caso dos versos acima, que acredito muitos de nós, educados no tempo em que se decorava versos na escola, podemos relembrar com carinho.   A imaginação do poeta só aumenta o encanto de uma noite já encantada, como é a noite de Natal.  Ela nos ajuda a imaginar o inimaginável, a admitir o milagroso, o inexplicável.  Apesar de cientificamente esta visão de Jorge de Lima não ser precisa, a sedução de seus versos reflete o nosso encantamento interior com a Noite de Natal.  

Como bem ressaltou Malba Tahan [ A Estrela dos Reis Magos, São Paulo, Saraiva: 1964] ” O saudoso e genial poeta Jorge de Lima, levado pelos arroubos da imaginação colocou a Estrela dos Magos, em certa época do ano, a cintilar imóvel no céu. Parece inútil acrescentar que os versos de Jorge de Lima vão ao arrepio de todos os preceitos ditados pela Astronomia e contrariam aa sábias conclusões dos Evangelhos.”  E complementa numa nota de rodápé:  ” Coloca Jorge de Lima no céu três constelações: A Ursa Maior, a Lira, Órion e a estrela Altair, de primeira grandeza, Alfa da Águia.  O céu luminoso, pontilhado de nebulosas, é cortado e recortado pelos traços luminosos das estrelas cadentes.  E, no meio disso tudo, parada a cintilar, a Estrela dos Reis Magos. O quadro descrito pelo poeta é maravilhoso”.

 

Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

Poesia:

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

Romance:

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950)





Numas palhinhas deitado, poesia de João Saraiva

24 12 2010

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Natal, década  1960-70

Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela

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Numas palhinhas deitado

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                              João Saraiva

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Numas palhinhas deitado,

abrindo os olhos à luz,

loiro, gordinho, rosado,

nasce o Menino Jesus.

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Uma vaquinha bafeja

seu lindo corpo divino,

de mansinho, que a não veja

e não se assuste o Menino.

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Meia-noite. Canta o galo.

Por essa Judéia além

dormem os que hão de matá-lo

quando for homem também.

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E, pensativa, a Mãe Pura

ouve, fitando Jesus,

os rouxinóis na espessura

de um cedro que há de ser cruz!…

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Extraído de “O Natal na Poesia”, artigo de Dom Marcos Barbosa publicado no Jornal do Brasil de 24/12/81

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João Baptista Pinto Saraiva (1866-1948), pseudôniomo: Belonaria, poeta português, nascido na cidade do Porto.

Obras:

Serenatas: primeiros versos, poesia, 1886

Sátiras, poesia, 1905

Líricas e sátiras, poesia, 1916

Máscaras: tríptico em versos, poesia, 1925

O grêmio literário: figuras e episódios de outros tempos, prosa, 1934

Sinfaníadas, poesia, 1938





Mais uns antigos postais de Natal — os anjos

24 12 2010

Cartão Postal, primeiras décadas do século XX, 1908-1912

E muitos países é o anjo no Natal  não está só associado ao aviso aos pastores sobre o nascimento do Menino Jesus.  Em muitos lugares os anjos são quem trazem  a árvore de Natal, ou que a acende.

Anjo acendendo velas na árvore, cartão postal de 1910-1920.

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Anjo de Natal com guirlanda, data desconhecida, cartão de Natal.

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Anjo de Natal, França, 1900

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Cartão de \Natal, França

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Cartão de Natal, Estados Unidos.

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Cartão de Natal, Inglaterra.

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Anjo do Natal, trazendo a árvore…  Grã Bretanha.

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E aqui ele vem acompanhado de São Nicolau [ hoje, aqui no Brasil, Papai Noel]

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Cartão de Natal, França.




Verão, poesia para crianças de Olavo Bilac

21 12 2010

Amplo Horizonte, 1969

Theodoro De Bona (Brasil, 1904 – 1990)

 

O Verão

III

        Olavo Bilac

      Coro das quatro estações:

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Cantemos, irmãs!  Cantemos

Como ardem as ribanceiras

Cantemos, irmãs, dancemos

À sombra dessas mangueiras.

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O Verão:

Sou o verão ardente

Que, vivo e resplendente,

Acaba de nascer;

Nas matas abrasadas,

O fogo das queimadas

Começa a se acender.

Tudo de luz se cobre…

Dou alegria ao pobre;

Na roça a plantação

Expande-se, viceja,

Com a vinda benfazeja

Do provido Verão.

Sou o Verão fecundo!

Nasce no céu profundo

Mais rútilo o arrebol…

A vida se levanta…

A Natureza canta…

Sou a estação do Sol!

 

     Coro das quatro estações:

Que calor, irmãs! Cantemos

Como ardem as ribanceiras

Cantemos, irmãs, dancemos,

À sombra dessas mangueiras.

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Verão, da série das Quatro Estações; Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, pp: 37-8

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Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.

Obras:

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957) e obras didáticas





Filhotes fofos: leõezinhos brancos

16 12 2010
Leãozinho branco, foto de Jochen Luebke, AFP

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Esta imagem mostra dois filhotes de leão branco, chamados Niza (à esquerda) e Nero sendo alimentados por funcionários do parque Serengeti, em Hodenhagen, na Alemanha.     Os gêmeos nasceram no dia 2 de dezembro após cesariana, e serão alimentados com mamadeiras até poderem ser aclimatizados na família de leões que vive no parque.

Fonte: Terra





Brinquedos, poesia infantil de Afonso Schmidt

7 12 2010

 

Joyeux Noel, cartão de Natal francês da virada do século XX.

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Brinquedos

                                 Afonso Schmidt

São Nicolau de barbas brancas,

de alto capuz beneditino,

nas costas levava um grande saco

e vai seguindo o seu destino.

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É muito tarde.  Nas janelas,

há sapatinhos ao sereno:

a cada espera corresponde

o sonho leve de um pequeno.

Súbito, estaca na calçada;

uma janela está vazia

e, pelas frinchas de uma porta,

chegam rumores de alegria.

O Santo pára; está amuado,

acha que o mundo é muito mau

e estas crianças já não querem

esperar por São Nicolau.

Mas, logo fica curioso,

quer descobrir porque naquela

casa não há um sapatinho

no canto escuro da janela.

Vai espiar pelo buraco

da fechadura…  – Pobrezinhos,

são os meninos do trapeiro,

nunca tiveram sapatinhos…

E vê, que à falta de bonecas,

eles divertem o casal,

enquanto o avô fuma num canto,

São Nicolau, mas de avental…

Todos estão muito contentes

o Santo ri de olhos molhados

e vai seguindo à luz branquinha

do plenilúnio nos telhados.

 Pisa de leve sobre as folhas,

diz a sorrir palavras mansas:

“Essas crianças são os brinquedos

 e esses papais são as crianças…”

Em: Poesia brasileira para a infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

VOCABULÁRIO

Beneditino – é o nome que se dá aos frades da Ordem de São Bento.  Na poesia a palavra é usada como adjetivo de capuz.

Plenilúnio — a lua cheia.

 

Afonso Schmidt (Cubatão, SP 1890 – SP, SP 1964) poeta, romancista, contista, biógrafo, jornalista.  Como jornalista trabalhou para  A Voz do Povo, em 1920, no Rio de Janeiro.  Para Folha da Noite,  Diário de Santos e A Tribuna, em Santos. Em São Paulo trabalhou na Folha da Noite e O Estado de S.Paulo.  Neste último trabalhou de 1924 até 1963.  Recebeu o prêmio da  revista O Cruzeiro em 1950 pelo romance Menino Felipe.   A União Brasileira de Escritores lhe premiou com o Juca Pato – Intelectual do Ano em 1963.  Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Obras: 

Lírios roxos, 1904

Miniaturas, 1905

Janelas Abertas (poesia), 1911

Lusitânia (ato em verso), 1916

Evangelho dos Livres (panfleto), 1920

Mocidade, 1921

Brutalidade (contos), 1922

Ao relento, 1922

Janelas Abertas (versos) – Edição Aumentada (Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras, 1923

Os Impunes (novelas), 1923

As Levianas (peça em três atos), 1925

O Dragão e as Virgens (romance, 1927

Cânticos Revolucionários (panfletos), 1930

A nova conflagração, 1931

Garoa, 1931

Os Negros (crônicas), 1932

Garoa (poesia), 1932

Poesias, 1934

Carne para Canhão (peça em três atos), 1934

Pirapora (contos), 1934

Curiango (contos), 1935

Zanzalás (uma novela de tempos futuros), 1936

A Vida de Paulo Eiró (biografia), 1940

A Marcha (Romance da Abolição), 1941

O Tesouro de Cananéia (contos), 1941

No Reino do Céu (novela), 1942

A Sombra de Júlio Frank (biografia),1942

A árvore das lágrimas, 1942

Colônia Cecília (Uma aventura anarquista na América), 1942

O Assalto (Romance do ouro e do sal), 1945

Poesias (edição definitiva), 1945.

O Retrato de Valentina (novela), 1947

A Primeira Viagem (viagem), 1947

Menino Felipe (romance), 1950

Saltimbancos (romance), 1950

Aventuras de Indalécio (romance), 1951

Os Boêmios (contos), 1952

Dedo nos Lábios (novelas), 1953

O Gigante Invisível (divulgação), 1953

Carantonhas (novela juvenil), s/d

São Paulo dos Meus Amores (crônicas), 1954

A Marcha (romance da Abolição,  história em quadrinhos), 1955

Mistérios de São Paulo (reminiscência), 1955

Bom Tempo (memórias), 1956

A Datilógrafa (romance), 1958

A Locomotiva (romance), 1960

Mirita e o Ladrão (romance), 1960

O Retrato de Valentina (novela), 1961

O Canudo, 1963

O enigma de João Ramalho, 1963

O passarinho verde, s/d

Zamir, s/d





Imagem de leitura — Gerard ter Borch

6 12 2010

A lição de leitura, s/d

Gerard ter Borch (Países Baixos, 1617-1681)

Óleo sobre madeira,  27 x 25 cm

Museu do Louvre

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Gerard ter Borch (1617-1681) nasceu em Zwolle, nos Países Baixos e aprendeu a pintar com seu pai, o conhecido pintor Gerard ter Borch, o Velho.  Em 1633, o jovem ter Borch se mudou para o Harlem para estudar com o pintor Pieter de Molijn.  Lá o trabalho de ter Borch era de adicionar figuras humanas às paisagens de seu mestre.  Na década de 1650 ter Borch começou a se estabelecer como pintor de gênero.  Seu trabalho tem semelhanças com as  pinturas dos artistas de Delft do mesmo período, incluindo o trabalho de Pieter de Hooch.  Ter Borch visitou Delft em 1653 e isso pode ter sido a razão dessa influência.  O pintor foi particularmente reconhecido pelo seu trabalho como retratista e cenas destacando pessoas elegantes e bem vestidas em aposentos quase indefinidos.





Os violões no Natal, poesia de Sabino de Campos

6 12 2010

Músicos, cartão de Natal, da Rússia, sem data.

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Os violões no Natal

Sabino de Campos

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Os violões, no Natal, são mais sonoros:

Enchem nossa existência de infinito,

De perfumes sinfônicos e coros

Doces, pungentes como um luar no Egito.

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Nas suas cordas, pássaros canoros

Gorjeam terno cântico bonito…

Não há no mundo trevas nem meteoros,

Tudo parece angélico e bendito…

Natal.  A natureza reverdece

Entre lírios e rosas e esplendores,

Tem o mundo a doçura de uma prece…

E os violões do Natal, cordas de luz,

Parecem dedilhados, entre flores,

pelos dedos divinos de Jesus…

                     João Pessoa — Paraíba

Em: Sabino de Campos, Natureza: versos, Rio de Janeiro, Pongetti: 1960

 

Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

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Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista.

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza: versos,  1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor, junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA





China, Gaia, elefantes, livros e Natal, pensamentos dispersos

5 12 2010

 

Recentemente, numa de suas colunas diárias sobre economia, no jornal O Globo, Miriam Leitão lembrou aos seus leitores que tamanho não é documento:  a crise econômica européia estava periclitante por causa do posicionamento do governo irlandês.  E numa astuta observação a jornalista colocou os dados em perspectiva, revelando que a economia européia estava nas mãos de 4.500.000 irlandeses. Isso mesmo, quatro milhões e meio de pessoas — esta é a população total do país que poderia fazer a economia européia cair.  Uma população bem menor do que a da cidade do Rio de Janeiro.  É o conhecido ratinho, dando um susto no elefante. 

Essa observação repercutiu muito nos meus pensamentos, porque muitas vezes não conseguimos colocar o que acontece à nossa volta  em contexto, não atinamos para a perspectivas do tamanho.  Até que nesse fim de semana fui lembrada, de novo, da relatividade dos fatos.   No início do filme A Rede Social, Mark Zuckerberg, diz para sua  namorada:  “Você sabia que há mais gente com QI de gênio na China do que a população inteira dos Estados Unidos?” [Did you know there are more people with genius IQ’s living in China than there are people of any kind living in the United States?]. É uma afirmação óbvia, considerando-se o tamanho da  população chinesa. Mas, foi preciso que ele mencionasse isso para que eu também colocasse a questão da população chinesa em perspectiva.  Nem sempre pensamos assim, em termos relativos. 

Com essas considerações em primeiro plano coloquei na minha lista de presentinhos de Natal que espero Papai Noel possa trazer,  o download no meu Kindle do livro do jornalista inglês Jonathan Watts, intitulado When a Billion Chinese Jump [Quando um bilhão de chineses pulam], que há tempos espero notícias de que vá ser traduzido para o português, mas que com a  falta de afirmativas das editoras, resolvi não poder esperar mais. 

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Na Inglaterra foram divulgados no início da semana passada os livros sobre o meio ambiente que mais venderam nessa primeira década do século.  É uma pena que com exceção do livro de Al Gore, os outros, de autores como Tim Smit, e Christopher Booker, ainda nem tenham chegado a serem traduzidos e publicados no Brasil.

O mais vendido de todos os livros foi The Vanishing Face of Gaia, [Acredito que no Brasil tenha o título: Gaia, o alerta final, Editora Intrínseca: 2010] de James Lovelock.  Duas editoras brasileiras têm dividido as publicações do autor: Intrínseca e Cultrix.  James Lovelock é conhecido aqui no Brasil, mas deveria ser mais.  Dos cinco volumes listados em catálogos de livrarias, só 3 foram publicados no Brasil.  Dois só podem ser adquiridos através de importação, quer em português (vindos de Portugal, Edições 70) quer em inglês, na língua em que foram escritos.

A vingança de Gaia, publicado em 2006, Intrínseca

Gaia: a cura para um planeta doente, publicado em 2007, pela Cultrix

Gaia: um Novo Olhar Sobre a Vida na Terra, publicado em 2007, Edições 70

 (edição  portuguesa, livro importado)

Gaia um novo olhar sobre a vida na Terra, publicado sem data, Edições 70

(edição portuguesa, livro importado)

Gaia: o alerta final, publicado em 2010, Intrínseca.  

Os outros autores mencionados Tim Smit  e Christopher Booker, não estão traduzidos.

É difícil imaginar que não haja leitores em português para esses volumes.  O meio ambiente está na pauta de todos os brasileiros com um módico de escolaridade.  E a maioria desses livros não são escritos só para cientistas, suas terminologias e seu interesse pelo meio ambiente são evidenciados por uma linguagem accessível a qualquer pessoa com o seguindo grau.  Fica aqui o meu desapontamento.





Um novo tipo de vida que desafia os nossos conhecimentos!

2 12 2010

Nova forma de vida, acima.

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 Nasa confirmou nesta quinta-feira em Washington a descoberta de uma forma nova de vida encontrada em um lago tóxico na Califórnia. Segundo os pesquisadores, eles encontraram um “micro-organismo vivo diferente do conceito de vida que conhecemos até hoje”, diz pesquisadora da Nasa.

Até hoje se pensava q todas as formas de vida precisavam de fósforo e este micróbio substitui arsênico por fósforo. Isso é profundo. o que mais poderemos encontrar?”, diz a pesquisador Felisa Wolfe-Simon. “A definição de vida acabou de ser ampliada“, diz Ed Weier, administrador da Nasa da missao de ciência.

A Nasa diz que a descoberta de uma bioquímica alternativa vai mudar livros de Ciência e a ampliar o escopo da busca pela vida fora da terra. Carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre sao os 6 elementos basicos de todas as formas de vida na terra. Fósforo é parte da estrutura do DNA e do RNA, as estrturas que transportam as instruções genéticas da vida e é considerado um elemento essencial para todas as células vivas.

Fósforo é um componente central da molécula que transporta energia em todas as celulas (adenosina trisfosfato) e também os fosfolipídios que formam todas as membranas das celulas.

Essa forma de vida descoberta utiliza o arsênico no lugar do fósforo. O arsênico é elemento quimicamente parecido com o fósforo, mas venenoso para a maioria das vidas na terra.

Segundo os pesquisadores, a descoberta abre toda uma nova variedade de perguntas, com respeito à exploração espacial, isso é muito importante, pois mostra que ainda não sabemos o que pode ser tolerado em outros ambientes. “Temos que pensar em possibilidades de encontrar vida que aguentam coisas que nao conseguiríamos aguentar“, diz Mary Voytek, diretora do programa de Astrobiologia da Nasa.

Felisa afirma que temos que pensar em vida em qualquer contexto, como o lunar ou outro planeta.

“(Esta descoberta leva a) possibilidades de organimos que possam viver sem fósforo e poderá se desenvolver toda uma nova tecnologia de bioenergia sem usar fósforo”, diz James Elser, professor da Escola do Estado do Arizona.

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Artigo de Lígia Hougland    FONTE: TERRA