A mulher que fez [?], 2025
[The woman who did]
Tianhao (China, 1994)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
Jarra, 1522-1566
Jingdezhe, China
porcelana e prata persa
Victoria & Albert Museum, Londres
Essa jarra é um dos exemplos mais antigos de porcelana chinesa com brasão europeu. O brasão representado é provavelmente da família Peixoto de Portugal atribuído a Antônio Peixoto, filho de Lopo Peixoto, que tinha esse escudo de armas em 1511. Antônio Peixoto, navegador e comerciante, embarcou em uma missão à China com seus sócios: Antônio da Mota e Francisco Zeimoto.
Mais informações no site do Victoria & Albert Museum de Londres.
Jarra quadrada, chamada de HU, com flor de lótus e cegonha.
Período Primavera e Verão (770-476 AC)
Altura: 117 cm Comprimento: 25 cm Largura: 31 cm
Excavada da Tumba do Duque de Zheng,
Lijialou, Condado de Xinsheng, 1923
Coleção do Museu Henan
Recipiente para vinho ou água, a jarra quadrada the bocal retangular, um longo pescoço, que se abre na corpo e na base quadrada. A tampo desta jarra foi decorada com pétalas da flor de lótus, colocadas em duas fileiras ao longo das bordas e um cegonha com pegador, em pé, situada no centro da tampa.
A jarra tem um par de dragões como alças e diversos desenhos de dragões cobrindo o bojo. Cada uma das duas dobras da jarra é decorada com um dragão se movendo em direção à tampa, com a cabeça voltada para trás. No pé da jarra há duas imagens de animais mítico, com cabeças viradas para um lado e longas línguas. Eles servem de suporte para a jarra, com suas costas.
Há algo romântico, que não consigo resistir, e portanto passo para vocês, em notícias como esta que me chegou, hoje, através de um email da Artnet. Este par de vasos, na fotografia acima, foi encontrado em uma residência na Inglaterra. O dono, um homem nos seus trinta e tantos anos, limpava a casa de sua mãe em Portsmouth.
Esses vasos não são imponentes; têm um pouco menos de 25 cm de altura. São, como vemos, arredondados (por isso chamados de “moon flasks” [frascos de lua]. São em porcelana e têm decoração em azul com representações de morcegos e pêssegos. Por que? Porque esse animal e essa fruta têm importante simbologia na cultura chinesa. Morcegos representam fortuna, virtude, saúde, felicidade e uma morte tranquila. Pêssegos, se referem à longevidade, associados ao deus da vida longa, Shoulin, na religião Taoista. Pêssegos também representam saúde e felicidade e são um símbolo popular da primavera.
Mas nada disso, explica o que acho romântico sobre esses vasos. O homem que os encontrou pensou que eram bonitos, mas nunca imaginou que fossem ser motivo de uma guerra de lances no leilão para onde ele havia mandado alguns pertences de sua mãe. Não pensou também que ele poderia fazer a reforma na casa, de que precisava, e no mesmo ano sair de férias, graças a esses vasos chineses porque suas economias não davam para tanto exagero.
Inicialmente o herdeiro dos vasos levou-os a um antiquário. Este, na dúvida, consultou o leiloeiro regional Nesbit que aceitou os vasos para venda como reproduções contemporâneas de vasos do século XVIII, mesmo apresentando marcas de Qianlong, 5º imperador manchu da dinastia Qing. Isso porque há no mercado tão boas cópias com as mesmas marcas,feitas pelos próprios chineses de obras que eles mesmos produziram em séculos passados que provar que algo é antigo às vezes se torna extremamente difícil. Os vasos foram a leilão com o lance inicial de £100 (cem libras) [R$640]. E como todo bom leiloeiro dos dias de hoje, o catálogo com as fotos foi para a web.
No momento que as fotos atingiram o mercado um interesse fora do comum sobre esses vasos fez-se sentir, antes do leilão. O leiloeiro chamou um especialista que verificou que os vasos seriam, de fato, do século XVIII. Quando o leilão aconteceu, em vinte minutos, um comprador chinês, levou os vasos pela quantia de £327.000 [2.093.856,21, hoje]. Um vendedor muito feliz, tenho certeza, poderá fazer a reforma na casa e ainda tirar as férias que planejava.
Bule em porcelana azul e branca, 1522-1566
Peça com brasão de armas europeu e acabamento em prata
Porcelana
Largura 23 cm; altura 33 cm; diâmetros: 12,7 e 2,5 cm
China
Victoria & Albert Museum
Este bule é um dos mais antigos exemplos de porcelana chinesa com brasão de armas europeu. Este é provavelmente da família Peixoto, de Portugal, possivelmente de Antônio Peixoto, filho de Lopo Peixoto que havia recebido o brasão em 1511. Antônio Peixoto, navegador e comerciante, embarcou em missão comercial para a China com os sócios Antônio da Mota e Francisco Zeimoto. Com seu navio cheio de peles de animais e outros produtos, não puderam atracar em Cantão em 1542. Continuaram a viagem e conseguiram fazer comércio ao sul da China. Bom lembrar que havia uma proibição do Imperador da China contra o comércio com estrangeiros. Essa proibição durou de 1522 a 1577.
Este bule chinês provavelmente recebeu a montagem em prata na Pérsia, durante a viagem de volta a Portugal. As peças de prata são da mesma época da porcelana.
Trono imperial dos nove dragões
Período Qianlong (1736-1795)
111 cm altura x 115 cm largura x 85 cm profundidade
O imperador Qianlong, que reinou sobre a China por seis d[ecadas de 1736 a 1795 ficou conhecido por sua vasta coleção de arte. Ele expandiu o império chinês e considerou bem-vindas as influências estrangeiras.
Esse trono, raro, foi esculpido em laca de três cores. O corpo é feito de madeira macia, coberta por camadas de laca, provavelmente entre 100 a 150 finas camadas de laca, trabalho que pode ter durado mais ou menos 6 meses para ser executado. Tratar com laca, era um trabalho muito demorado e só podia ser executado por excelentes esmaltadores.

As cores da laca foram: vermelho, ocre e verde escuro. è raro encontrar pecas com esse variedade de cores. Dois dos dragões de cinco garras foram esculpidos em laca vermelha.
A decoração deste trono foi dedicada aos nove dragões, nuvens, morcegos, folhas de lótus e pétalas. A parte mais interessante deste trono está no painel frontal onde vemos um dragão de cinco garras de encontro a um punhado de nuvens. Os outro oito dragões encontrados no trono, cada um a procura de pérolas em flamas — que simbolizam sabedoria, harmonia e prosperidade na antiga cultura chinesa — estão representados nos partes laterais do trono.

A ligação entre os dragões e o imperador da China se desenvolveu desde o imperador Amarelo (Huangdi), o primeiro imperador conhecido da China, cujas datas se aproximam dos anos 2697-2597 a.E.C. De acordo com a lenda, o Imperador Amarelo se transformou num dragão quando morreu.
NOTA: Fotos e texto baseado no catálogo da Casa de leilões Christie’s de maio de 2019.
Raro adorno para a cabeça (grinalda)
Dinastia Tang, séculos VII-IX Era Comum,
ouro, 31 cm
China
Este é um exemplo da confluência de duas culturas em um único objeto, produzido na China, entre os séculos VII e IX. Além disso, esta coroa mostra alto grau de artesanato.
O cavalo galopante, que faz parte do design em cada ponta deste adorno de cabeça, mostra a influência de uma cultura nômade, de uma tribo, das estepes da Asia Central. As patas deste bravo animal praticamente não tocam o chão. Parecem cavalos elevados a um status mítico, com chifres e ancas em chamas. Por outro lado, os desenhos de flores remetem à dinastia Tang, das linhas entrelaçadas que as sustentam.
É aí que encontramos o casamento de duas culturas em um único objeto.
Ilustração de Clive Upton, 1971.
Provérbio chinês