Novíssimo dinossauro, saurópode, vegetariano e chutador!

25 02 2011

Desenho de como seria um brontomerus mcintoshi.

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Cientistas britânicos e americanos anunciaram terem descoberto uma nova espécie de dinossauro – batizada de Brontomerus mcintoshi. O nome, do grego “bronto”, que significa trovão e “merós”, que significa coxa, é uma homenagem às suas pernas traseiras, capazes de disparar poderosos chutes.  A nova espécie, é um saurópode – a família de dinossauros famosa pela sua grande cauda e longo pescoço. Os ossos apesar de bastante fragmentados estão em número suficiente para que os cientistas pudessem  concluir que estas criaturas possuíam grandes e poderosas pernas. “Se os predadores viessem atrás,ele  seria capaz de colocá-los fora do caminho”, refere Mike Taylor, da College London University.

A ossada — ombros, bacia, costelas e vértebra —  foi encontrada em Utah em 1994.  Estava numa pedreira e  tinha sido vandalizada por comerciantes de fósseis do mercado negro, provavelmente por pensarem que não tinha valor comercial.  O que restou foi,  depois, transportado para um museu, “onde ficou por cinco a dez anos até que alguns colegas e eu resolvemos analisá-la“, contou Mike Taylor.  Entre os fósseis restantes estava um íleo de grandes dimensões, maior do que os encontrados em outros dinossauros  semelhante, um fato importante, porque o quadril é uma grande área para fixação dos músculos.

Pesquisadores do museu de História Natural de Oklahoma ficaram com os ossos até que em 2007, o professor Mike Taylor, da University College London, na Grã-Bretanha, decidiu examiná-los mais detalhadamente.

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Cientistas examinam os fósseis do Brontomerus mcintoshi.

O tamanho e a forma dos ossos da bacia permitiram a reconstituição de um novo espécime de saurópode, uma subordem dos dinossauros. Os ossos excepcionalmente grandes possibilitariam que o animal tivesse músculos particularmente poderosos, provavelmente os mais poderosos entre os saurópodes – herbívoros quadrúpedes que estão entre os maiores animais que já viveram na Terra. Diplodocus e Brachiosaurus são alguns exemplos de saurópodes.   Mike Taylor disse que os ossos gigantescos levaram-no  a deduzir  que Brontomerus  teria coxas muito fortes, musculosas e capazes de disparar chutes poderosos e que é provável que originalmente  esses coices tenham sido usados para disputar a atenção de fêmeas, evoluindo,  ao longo de milhares de anos,  para uma estratégia de defesa.  “O chute era utilizado, provavelmente, durante uma disputa entre dois machos por uma fêmea, mas com toda essa mecânica, seria impossível não crer que ele se utilizasse também do golpe para se defender de um predador“, explicou Taylor.

Os fragmentos encontrados levaram à reconstituição de uma carcaça de um adulto – provavelmente uma fêmea – e de um jovem, possivelmente sua cria. A mãe teria pesado cerca de seis toneladas, medido 14 metros de comprimento e uma altura equivalente a de um elefante grande.  Já o filhote, pesaria por volta de 200 kg, teria uma altura de um pônei, medindo aproximadamente cinco metros de comprimento.

Esse musculoso dinossauro vivia como seus pares saurópodes em um território seco e acidentado, onde suas coxas fortes teriam propulsão “como a de um carro 4×4“, segundo Matt Wedel, um membro da equipe, da Universidade de Pomona, na Califórnia.  O Brontomerus mcintoshi teria existido há 110 milhões de anos, durante o período Cretáceo.  

A omoplata do Brontomerus possui saliências anormais que provavelmente marcam os limites de músculos, sugerindo que possuía músculos do antebraço também poderosos”, explicou Matt Wedel, da Western University of Health Sciences em Pomona, California.  E completou:  “Como o saurópode foi o dinossauro mais abundante durante o período Jurássico e o mais raro durante o início do Cretáceo, há muito que havia a percepção de que os saurópodes haviam sido bem sucedidos no Jurássico para depois serem substituidos pelos Hadrossaurídeos e dinossauros com chifres no Cretáceo.  Nos últimos 20 anos, no entanto, estamos descobrindo mais saurópodes do período inicial do Cretáceo, e a nossa percepção esta mudando. Parece agora que os saurópodes podem ter sido tão diversos como o foram no período Jurássico, mas menos abundantes e assim mais difíceis de encontrar.

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FONTES:  National GeographicA críticaNaturlink, Terra.





Neandertais usavam penas como adorno

24 02 2011
Desenho de possível reconstruão do uso de penas por um Neandertal, de  Mauro Cutrona.

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Arqueólogos  trabalhando num sítio arqueológico, ao norte da  Itália, afirmam ter descobertos indícios de que os Neandertais já utilizavam penas para se enfeitar —  talvez até por ritual simbólico —  há 44 mil anos. A pesquisa aumenta o debate sobre quão distantes eram os Neandertais do Homo sapiens.   O arqueólogo Marco Peresani, paleontologista da Universidade de Ferrara, e sua equipe investigaram 660 ossos de aves de 22 espécies diferentes, encontrados com ossadas de Neandertais na Grotta di Fumane — Caverna  da Fumaça,  ao norte do país. Muitos dos ossos de asas dessas aves estavam cortados e raspados onde as penas de voo estariam presas, o que sugere que as penas eram sistematicamente removidas.

Marcas de corte e raspagem são observadas exclusivamente nas asas, indicando a remoção intencional das grandes penas”,  observou Peresani.

Entre as  22 espécies de pássaros encontravam-se uma espécie de urubu barbado (Gypaetus barbatus), o falcão-da-pata-vermelha (Falco vespertinus),o  abutre preto ( Aegypius monachus), a águia dourada (Aquila chrysaetos), o pombo (Columba palumbus) e a gralha alpina (Pyrrhocorax graculus).  A coloração das penas variava entre as cores negra, azul acinzentada e a cinza alaranjada.  As penas removidas dos pássaros eram as remiges, ou seja, as penas das asas,  as mais longas e mais belas e todas. 

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Sítio arqueológico  na Grotta di Fumane.

Assim como se acredita  que os Neandertais usavam conchas como enfeite, Peresani imagina que as penas também possam ter sido ornamentos.   Essa descoberta corrobora as investigações recentes que sugeriam que os Neandertais usariam conchas coloridas de moluscos como jóias.  Os pesquisadores nesse síitio arqueológico acreditam que plumas também eram usadas como adorno pessoal.    Na verdade, outros usos alternativos para essas penas foram descartados ao longo da pesquisa:  muitos dos pássaros que serviram de fonte  para a plumagem, eram pobres fontes de alimento e nesse período as flechas ainda não tinham sido inventadas. 

As espécies que constam nessa pesquisa;  as características anatômicas do elementos usados, e a localização das interferências humanas nessas modificações, indicam um uso muito mais chegado à esfera simbólica e de comportamento dessa população autóctone européia”, escreveram os pesquisadores.  As  descobertas acirram os debates que questiona, se os Neandertais eram uns brutamontes ou tão sofisticados quanto o Homo sapiens.

Essa pesquisa deve ajudar a descartar os preconceitos contra os Neandertais.  “Ela mostra que nossos primos extintos tinham um conceito especial a respeito de sua aparência física e identificação sócio-ambiental, que é algo frequentemente considerado uma prerrogativa dôo homem anatomicamente moderno”,  Peresani concluiu. “Sabemos que o uso de plumas de pássaros era bastante generalizado e que os humanos sempre atribuíram  grande e forte valor a essa prática, quer por sua significância social, quer para jogos, ou até mesmo na produção de objetos ornamentais e cerimoniais” disse Peresani.  “A reconstrução desse aspecto pouco conhecido e em geral bastante ocults entre os humanos já extintos é uma das metas da nossa pesquisa”.

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Fontes: Portal Terra, Discovery, Live Science.

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ARTIGO SOBRE AS JÒIAS DE CONCHAS DOS NEANDERTAIS





Limerique infantil de Tatiana Belinky — “minhocas”

23 02 2011
Zá Carioca empresário de minhocas, Ilustração Walt Disney.

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Ao ver uma velha coroca

fritando um filé de minhoca

o Zé Minhocão

falou pro irmão:

“Não achas melhor ir pra toca?”

Tatiana Belinky

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Em:  Poesia fora da estante, Vera Aguiar ( coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Projeto: 2007

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Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo na Rússia em 1919.  Imigrou com a família para o Brasil, onde se instalaram em São Paulo.  Tatiana tinha 10 anos e idade.  Escritora, poeta, roteirista de tv, tradutora.   É hoje uma das mias importantes escritoras infanto-juvenis no país com mais de 120 obras publicadas.  Depois do curso secundário, estudou Filosofia na Faculdade São Bento, mas abandonou o curso em 1940 quando se casou com o médico Júlio de Gouveia.  Junto com o marido, criou muitas várias adaptações de histórias infantis para teatro.  Juntos  montaram peças para os teatros da Prefeitura de São Paulo e de lá pularam para encenações de peças no início da televisão no Brasil.  Trabalhou também como roteirista de programas para a televisão btrasileira desde 1952, na  extinta TV Tupi.  Desde 1985 escreve para jovens leitores.

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Algumas de suas obras infanto-juvenis ( não inclui peças de teatro, e dezenas e dezenas de traduções e adaptações de outros autores):

O caso dos ovos, 1985

O sapateiro remendão, 1987

Que horta, 1987

A alegre vovó Guida que é um bocado distraída, 1988

Cinco trovinhas para duas mãozinhas, 1988

A história da ursa-parda, 1988

Represália de Bicho, 1988

Histórias de Fantasma, 1989

Olhos de ver, 1989

Transplante de menina, 1989

Acontece cada uma…, 1990

Bidínsula e outros retalhos, 1990

As coisas boas do ano, 1990

Di-versos russos, 1990

Quatro amigos, 1990

Di-versos hebraicos, 1990

Saladinha de queixas, 1991

Tatu na casca, 1991

Assim, sim!, 1992

Bumburlei, 1992

Micha, 1992

Quem tem casa, casa?, 1992

Ratinho manhoso, 1992

Rimadinho, 1992

A ratinha presunçosa, 1993

Di-versos alemães, 1993

Grande cão curso, 1993

O caso do vaso, 1994

Bom remédio, 1995

O caçador valente, 1995

Beijo não!, 1997

Cachtanga artista por acaso, 1998

Diversidade, 1999

Que tal?, 1999

Coral dos bichos,  2000

Chorar é preciso?, 2001

Contanabos, o senhor das montanhas, 2001

Curto-circuito, 2001

O gato professor, 2001

Mandaliques (com endereço e tudo), 2001

O livro dos disparates, 2001

As três respostas, 2001

O samurai e a cerejeira, 2001

O simplório e o malandro, 2001

Ogro, 2001

Sou do contra: limeriques,  2001

Vrishadarbha e a Pomba, 2001

Acontecências, 2002

A aposta, 2002

Criança feliz: contos e cantos, 2o03

O que eu quero, 2003

Trazido pela rede, 2003

Um caldeirão de poemas, 2003

Mentiras… e mentiras, 2003

Aparências enganam, 2004

Cantiga do Tiribiri-biribim, 2004

O livro das tatianices, 2004

Vovô Majai  e as lebres, 2004

 Abc e numerais pra brincar é bom demais, 2005

 17 È Tov !, 2005

Kanniferstan, 2006

Limeriques para pinturas, 2006

A torre do Reno, 2006

Desatreliques, 2006

Limeriques da Coroa Implicante, 2006

Limeriques dos Tremeliques, 2006

Monstros e medos, 2006

Sete vezes sim!, 2006

Hoje é dia de festa!, 2006

As moedas estrelas, 2006

Um zoológico de papel, 2007

Bicholiques, 2007

O cão fantasma, 2007

Salada de limeriques, 2007

Limeriques da cocanha, 2007

Limeriques das causas e efeitos, 2007

O nariz, 2008

A charada do gorducho, 2009





O Rei mandou me chamar — poesia infantil, folclore brasileiro, anônima

18 02 2011
Rei de Ouros, Baralho Espanhol.

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O  Rei mandou me chamar

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                                 Anônimo

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O Rei mandou me chamar,

pra casar com sua filha.

Só de dote ele me dava,

Europa, França e Bahia.

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Me lembrei do meu ranchinho,

da roça, do meu feijão.

O Rei mandou me chamar.

Ó seu Rei, não quero não.

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Folclore brasileiro, canto negro do Recôncavo Baiano.

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Vejam o vídeo  do  Iº Encontro de Coros Camargo Guarnieri – Coral Juvenil EMMSP – Teatro Municipal de São Paulo Maestrina: Mara Campos.

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O Jardim Botânico do Rio de Janeiro em fim de tarde

17 02 2011
Tartarugas se esquentam ao sol de fim de tarde, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,  Foto: Ladyce West.

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Moro no Rio de Janeiro e como qualquer um de seus habitantes tenho aquele instinto de sair de casa no verão e respirar o ar fresco, me inspirar nos verdes das montanhas, no gosto de sal da maresia matutina.  Cariocas estão em constante contato com a natureza e não sou diferente.  Mas confesso que neste verão, as coisas andam muito difíceis para essa carioca: o calor reina supremo.  Minha caminhada pelas manhãs de verão ou é feita de seis da manhã às oito ou não pode ser feita.  Recentemente sai de casa às oito e meia da manhã e não consegui caminhar mais do que 2 km.   Voltei rapidinho para casa, sentindo que o calor naquele dia seria um inimigo letal.  A máxima naquele dia chegou a 39º Celsius.   Por isso mesmo, tenho tentado caminhar no Jardim Botânico esse meu velho conhecido…  Mas ali, tenho outro problema: distraio-me.  As mesmas paisagens são tão diferentes que, sem querer, os meus passos se desaceleram para observar um lagarto ao sol, o voo de uma arara, ou me sento para ouvir o regato borbulhante num fim de tarde.   Recentemente tirei algumas fotos desse paraíso urbano.  Era tardinha e já havia muita sombra, mas acredito que vocês talvez possam gozar desse passeio comigo através dessas fotos.

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Chafariz Central do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Foto: Ladyce West.

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A aléa principal chama-se Barbosa Rodrigues, honrando João Barbosa Rodrigues, antigo diretor  do Jardim Botânico (1890-1909) e tem aproximadamente 128 palmeiras reais ladeando sua extensão.  Mais ou menos a meio caminho, vemos este belo chafariz, de ferro, de origem inglesa.  Seu autor foi o inglês  Herbert W. Hogg.  Este chafariz, que passou por restauração em 2005, já esteve no Largo da Lapa no Rio de Janeiro por 10 anos 1895-1905 e depois foi trazido para o Jardim Botânico.  O chafariz é conhecido como Chafariz das Musas, porque além diversas alegorias, tem quatro figuras, as musas:  Música,  Arte, Poesia e Ciência.   

Lago da Vitória Régia, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Foto: Ladyce West.

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O Lago da Vitória Régia tem na verdade um outro nome, pelo qual não é conhecido: Lago Frei Leandro do Sacramento, homenageando o primeiro diretor do Jardim Botânico, nomeado por D. João VI, e quem construiu este lago.  No entanto, por causa do grande número de vitórias régias em suas águas, passou a ser conhecido como o Lago da Vitória Régia.  É um dos meus locais favoritos no jardim.  Na foto, à direita, vemos a estátua da nereida Tétis, a mais conhecida das nereidas e a amada de Adamastor.  É uma estátua  em ferro fundido,  de 1862, obra do escultor francês Louis Sauvageau (1822- ?, depois de 1874).   

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Córrego no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,  Foto: Ladyce West.

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A área do Jardim Botânico — 1.370.000 m² — é entrecortada por inúmeros córregos, regatos, regueiros, feitos para manutenção da flora, vindos das duas  principais fontes de água fresca que atravessam o terreno:  o Rio dos Macacos e o Riacho Iglésias.  Esses canaletos de água, borburinham constantemente causando imenso prazer a quem por eles passa.  Com frequência suas margens são desenhadas de tal maneira que,  por entre a vegetação, há clareiras com bancos convidadivos ao devaneio.

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Rendado de folhas de encontro ao céu, Jardim Botânicio do Rio de Janeiro, Foto: Ladyce West.

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Este é um lugar a que sempre volto com prazer.  Quando criança vínhamos com frequência ao Jardim Botânico.  Morávamos próximo e era um excelente passeio em qualquer época do ano.  Continua sendo.





Imagem de leitura — Agata Nowicka

16 02 2011

Audrey Hepburn,  2008

[Mural para a maior cadeia de café-livrarias da Polônia]

Agata Nowicka (Polônia, contemporânea)

Ilustração digital

www.agatanowicka.com

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Agata Endo Nowicka nasceu em Varsóvia, na Polônia  em 1976. É uma artista gráfica, ilustradora trabalhando com ilustração digital.  É cartunista e editora artística da Revista GAGA.  Suas ilustrações já apareceram em muitas revistas de renome: Exklusiv, ELLE, Viva, Newsweek e The New Yorker.





História de uma pamonha, poesia infantil de Ofélia e Narbal Fontes

15 02 2011
Ilustração Renata Morais, do blog Aquarela em Cores  — http://aquarelaemcores.blogspot.com

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História de uma pamonha

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Ofélia e Narbal Fontes

Era um ovinho dourado,

Que um dia foi enterrado.

Na terra, ele inchou, inchou,

E em dez dias rebentou.

Não pensem que ele morreu;

Sua casquinha rompeu,

Mas, em vez de um pintinho

Surgiu um broto verdinho.

O broto tanto espichou

Que em planta se transformou

Com folhas muito alongadas

e cortantes como espada;

E tinha, prá se aguentar,

Raiz no chão e no ar.

Depois que a chuva caiu,

Um pendão de flor abriu.

E, um pouquinho mais abaixo,

Uma boneca de cacho…

Um boneca engraçada,

Cabeludinha e barbada.

Mas, assim que ela cresceu,

Chegou alguém e a colheu,

Despiu toda pobrezinha

E ralou-a na cozinha,

E o sangue dourado dela

Pôs, com água, na panela.

Mexeu com colher de pau

E transformou-se em mingau.

Pôs-lhe açúcar, temperou

E no fogo a cozinhou.

E, por fim, deu-lhe uma mortalha

No vestidinho de palha.

A boneca transformou-se

No mais delicioso doce.

Mas agora tem vergonha

De ser chamada pamonha.

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Esta poesia é contribuição do leitor Robson Leite.  Sua lembrança dessa poesia  — que ele decorou quando era aluno do curso fundamental —   contribui ainda mais para o sucesso desse blog.  Muito obrigada, Robson!

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Ofélia e Narbal Fontes, casal de educadores brasileiros, paulistas, que escreveram livros em conjunto, na sua maioria didáticos.  Ofélia de Avelar Barros Fontes (SP 1902 –1986) poeta, biógrafa, autora didática, tradutora, romancista, teatróloga, professora, radialista; Narbal de Marsillac Fontes (SP 1899– RJ 1960) Poeta, biógrafo, cronista, teatrólogo, professor, jornalista, diplomado em medicina (1930), médico.

Livros:

No Reino do Pau-Brasil – Crônicas humorísticas (1933)

Senhor Menino – Poesias –

Regina, A Rosa de Maio

Romance de São Paulo – Romance — (1954)

Rui, O Maior – Biografia Rui Barbosa

Precisa-se de Um Rei — Literatura infanto-juvenil

Anhangüera, o gigante de botas – Literatura infanto-juvenil, (1956)

Coração de Onça – Literatura infanto-juvenil

O Talismã de Vidro — Literatura infanto-juvenil

Heróis da comunidade Mundial — biografias

A Gigantinha

A Espingarda de Ouro

Aventuras de Um Coco da Bahia

Esopo, O Contador de Estórias

Novas Estórias de Esopo

A Falsa Estória Maravilhosa

Espírito do Sol — Literatura infanto-juvenil

O Micróbio Donaldo  — Saúde e higiene — paradidático — (1949)

História do Bebê — Saúde e higiene — para didático

Ler, Escrever e Contar

Ilha do Sol

Segredos das mágicas — Literatura infantil

Brasileirinho – Música (1942)

Companheiros: história de uma cooperativa escolar (1941)

Pindorama

O Menino dos Olhos Luminosos

A Boa Semente

A Vida de Santos Dumont – Biografia Santos Dumont — (1935)

O Bicho “Sete-Ciências”  — Literatura infanto-juvenil

O Gênio do Bem —

Cem Noites Tapuias – Literatura infanto-juvenil

Ascensão – Poesia – (1961)

Um Reino sem mulheres – Biografia: Villegagnon

O leão obediente — (1915)

Libretto de La Traviata — Música — (1940)





Banhos Romanos descobertos em Israel datam do século II

10 02 2011
  Banhos romanos em Jerusalem.

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No final de 2010  uma descoberta importante tanto para os estudos judaicos quanto para os estudos da Roma antiga, quase passa desapercebido por mim.  E me apresso em postar a notícia:   arqueólogos israelenses escavando na velha Jerusalém para deixar espaço para a construção de um moderno Mikbe (banho ritual judaico), descobriram uma casa de banhos romana construída há mais de  1.800 anos e que foi  provavelmente utilizada por soldados da Décima Legião, a mesma legião  que conquistou  Jerusalém no século II a.C.

Centenas de telhas de barro foram encontradas no chão da piscina, indicando que esta  era uma estrutura coberta.  As telhas, tijolos e azulejos da casa de banho tinham impressos o símbolo da Décima Legião Fretensis  ” XFR-LEG “, o que revela serem da cidade  Colonia Aelia Capitolina,  mais conhecida como Aelia Capitolina —  cidade construída pelo Imperador Adriano, sobre as ruínas de Jerusalém, entre  131-135 dC, como resultado da conquista sobre a  revolta judia de Bar Kokhbano que fracassou culminando na destruição do Segundo Templo em 70 dC.

A marca dos soldados da Décima Legião, na forma das impressões estampadas sobre as telhas e tijolos de barro nesse  local, demonstra que eles foram os construtores dessa  estrutura“, disse Ofer Sion, diretor da excavação.  “Durante a escavação encontramos várias banheiras dentro de uma piscina, com um encanamento lateral para encher com água, no fundo da piscina há um chão de mosaico branco e azulejos que também apresentam símbolos impressos da Décima Legião romana“.    Um destacamento da Décima Legião era responsável por guardar a cidade romana dos judeus que haviam sido proibidos de morar lá.   Esses legionários asseguravam que a Aelia Capitolina não tivesse nenhum judeu residente. 

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Localização no mapa da  velha Jerusalem.
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A descoberta  é muito importante, ressalta no comunicado o professor Yuval Baruch, da AAI, porque “ainda não se tinha encontrado no bairro judaico (da Cidade Antiga) nada que pertencesse à legião romana, o que tinha levado à conclusão que a cidade fundada na época romana após a destruição de Jerusalém, era pequena e com uma área limitada“.   Essas  ruínas indicam que a cidade romana “era consideravelmente maior do que se tinha imaginado previamente“.    Sabe-se que o plano urbano da cidade era  típico romano, com uma avenida central [ Cardo maximus] e outras  grandes avenidas transversais.

As ruínas dos antigos banhos romanos serão integradas à nova construção do  Mikbe, banho ritual judaico,  que será construído no bairro judeu.  

Fontes:  Terra, IMEMCApostolic News.





Só um computador por aluno, não resolve.

9 02 2011
Cliente em restaurante de Patópolis, ilustração Disney.

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Ano passado tive a mão direita enfaixada e na tipóia por 20 dias.  A todo lugar que ia, precisava de ajuda.  Por causa disso vi-me em conversas variadas com quem quer que me auxiliasse  no banco,  nos correios, no restaurante, supermercado, taxi, elevador, portão, ônibus.  O povo carioca é muito gentil e engrena um papo num minuto, sem quaisquer restrições de sexo, idade, cor, classe social.  Todos sofrem irmãmente com você e se não tiveram uma experiência igual a sua, alguém da família teve.  A solidariedade é grande e a comiseração imediata.  Foram 3 semanas de bate-papos, em que aprendi muito sobre  jovens trabalhadores, calorosos e gentis, de boa índole,  mas com pouca instrução, que passam os dias fazendo entregas de supermercados e farmácias,  limpando mesas de restaurantes, trabalhando nos caixas das quitandas.  Jovens entregues ao setor de serviços na categoria que exige o menor conhecimento técnico.   A maioria vinha de famílias modestas e não passava dos  25 anos.  Fiquei impressionada com a ingenuidade e o desconhecimento cultural deles como um grupo, uma geração, digamos.

Nas conversas vi uma geração inteira, esquecida e despreparada. Exemplos abundam.   A mocinha garconete do restaurante a quilo; o rapaz que abriu um refrigerante em lata, o entregador da farmácia.  A cada um deles expliquei sobre o desgaste dos meus tendões por uso do computador.   Invariavelmente a conversa versava sobre computadores.  Todos diziam gostar muito de computadores.  Gostam do Orkut, do MSN, que usam para zoar os amigos, trocar piadas, fotos, juras de amor e de jogos, pricipalmente “aquele de dirigir um carro”, definitivamente o mais popular.

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Valdirene, uma das jovens trabalhando no caixa de um supermercado foi a única que me confessou querer sair daquele emprego.  Os outros não tinham idéia do que fazer mais tarde, daí a uns 5 anos, por exemplo.   Valdirene queria  fazer o  curso de auxiliar de enfermagem para poder trabalhar como acompanhante de pessoas idosas.  “Não precisa diploma”, ela se apressou a me dizer, “mas com um, a gente pode pedir um pouco mais…”   Ela também — A-DO-RA! —  computadores, vota no BBB, conversa com amigos no MSN, baixa músicas e troca  fotografias com as colegas, que tira com o telefone celeular.  Gosta das  fofocas da televisão.  Valdirene aos 23 anos já tem um filho na escola e nenhum marido.   

Histórias como essas, todos nós conhecemos.  São milhares no Rio de Janeiro e  alguns milhões no país.  Impressiona a falta de perspectiva de trabalho e de um futuro com uma vida plena.  E infelizmente com a taxa de natalidade alta, é uma realidade que se multiplica.  Como será a vida do filho de Valdirene?    Com a  crise na Tunísia e o artigo de Thomas Friedman que li  no New York Times: China, Twitter and 20-year olds vs. The Pyramids, publicado no sábado, o assunto voltou a me preocupar.  Essa combinação de sub-emprego e de desconhecimento me lembra da necessidade de termos escolas- relevantes.  Ou seja,  uma escola que prepare o jovem para uma profissão que lhe dê interesse na vida, um interesse intelectual mínimo.  Além é claro de um sustento.   Caixa de super-mercado, entregador de compras não são profissões, são castas.   

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Zé Carioca ri dos empregos oferecidos no jornal.  Ilustração Disney.

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Thomas Friedman tem nos avisado há tempos das diferenças do mundo de hoje para o do século passado.   Seu livro O Mundo é Plano: uma breve história do século XXI já deveria há muito tempo ter  alarmado  e alertado a todos nós para os problemas que as falhas do nosso sistema de educação, aqui no Brasil,  trariam se não tomássemos decisões radicais,  imediatamente.   Mas alguns anos se passaram, quem leu o livro se assustou, comentou, mas nada fez.  E tudo acabou diluído,  como se a realidade ali descrita só afetasse aos outros, que o Brasil, terra abençoada, estava seguro.  Não é o caso.  Agora, Friedman nos lembra, nessa excelente coluna de sábado, que é justamente a frustração de jovens aos 20 anos, desempregados ou sem futuro, que está fazendo governo após governo do Norte da África,  do Egito ao Oriente Médio tremer.  E cair.  Não há e não haverá mais, no futuro próximo, lugar para ditadores que determinem o que as pessoas possam ou não saber.  Não há mais lugar para o plantio e o cultivo da ignorância.   E há de haver uma maneira de se pensar empregos decentes.

Uma combinação de fatores intrigantes e combinados levam às revoluções que presenciamos: a maneira de nos comunicarmos está cada vez mais rápida e mais fácil; a falta de perspectiva de uma vida com emprego para os formados e os não formados; o custo dos alimentos e outros produtos essenciais que tendem a subir a medida que a China  e a Índia crescem e precisam de mais e mais grãos, açúcar, minério de ferro, petróleo e todos os outros ingredientes necessários ao bem estar de 1.324.655.000 de chineses e  na  Índia 1.147.995.898, pessoas. 

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Dona Marocas dá uma prova no primeiro dia de aula de Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

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Nesse meio tempo, no Brasil, debatemos o que fazer sobre a educação.  Com exemplos vergonhosos na admnistração do MEC, — o caso do ENEM é só a cereja do bolo —  que demonstram não só o contínuo descaso com o cidadão mas a ineptitude das  admnistrações que vêm e que vão, vemos que tudo não passa de blá, blá, blá.  Se pensarmos no que um ano — só 2010 — de noticário nos indica, a realidade é cruel demais para palavras: diplomas comprados a escolas inexistentes, falta de manutenção nas escolas, que têm goteiras nos dias de chuva e temperaturas de 40ºC dentro da sala de aula;  computadores fechados à chave  nas escolas por falta de quem saiba usá-los;  escolas sem bibliotecas, sem laboratórios,  sem água, sem giz, sem papel-higiênico;   drogas e  armas; violência de alunos contra profesores e vice-versa;  greves e mais greves de professores, de alunos.   Não dá para se imaginar, nem por devaneio, que haja interesse de qualquer governo em melhorar a educação no país.

Mas parece que achamos uma solução universal para os nossos problemas.  A nossa solução para as futuras gerações é um computador para cada aluno como planeja o governo federal.  Maravilhoso!  Não sou contra a democratização da computação.  Muito pelo contrário.  Mas se não conseguirmos ensinar a pensar, o aluno não ganhará nada além de mais uma “maquininha de relacionamentos” que facilita a troca de recados amorosos ou  picantes, “a espiadinha” num programa de televisão,  na vida do vizinho, os encontros da torcida de futebol.    O computador, todos nós sabemos, não resolverá nada, se os alunos  não souberem fazer as perguntas necessárias, se não souberem consultar a imensa quantidade de informações a que podem ter acesso. 

Meu problema com a solução do computador por aluno é a falsa sensação de que se está resolvendo o caos da educação.  Conheço professores que não conseguem ainda assimilar bem o uso do computador para seu próprio benefício.   O que acontecerá quando esses professores tiverem que incluir em suas aulas os computadores do governo?  Além disso, quem fará a manutenção desses computadores? 

O computador é uma excelente FERRAMENTA de ensino, mas sozinho com o aluno, o que irá trazer para o dia a dia é a fofoca da classe, as fotos dos colegas na piscina, o resultado do futebol.  Não tenho nada contra seu uso como entretenimento.  Entretenimento faz parte da vida.  Mas será que os nossos computadores virão com uma programação para que se aprenda a pensar?  Espero que sim.  Pois do contrário, estaremos não só nos enganando como enganando mais uma vez  uma geração inteira de jovens que continuarão sem futuro, sub-empregados, sem motivação, gerando cada vez mais crianças para um futuro semelhante ou pior.





Questão de pontuação — poema de João Cabral de Melo Neto

8 02 2011

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Questão de pontuação

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                                                       João Cabral de Melo Neto

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Todo mundo aceita que ao homem

cabe pontuar a própria vida:

que viva em ponto de exclamação

(dizem tem alma dionisíaca);

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viva em ponto de interrogação

(foi filosofia, ora é poesia);

viva equilibrando-se entre vírgulas

e sem pontuação (na política):

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o homem só não aceita do homem

que use a só pontuação fatal:

que use, na frase que ele vive

o inevitável ponto final.

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Em: Agrestes, João Cabral de Melo Neto, Riio de Janeiro,  Nova Fronteira: 1985

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João Cabral de Melo Neto – (PE 1920 – RJ 1999) poeta e diplomata. Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Pedra do Sono, 1942

Os Três Mal-Amados, 1943

O Engenheiro, 1945

Psicologia da Composição com a Fábula de Anfion e Antiode, 1947

O Cão sem Plumas, 1950

O Rio ou Relação da Viagem que Faz o Capibaribe de Sua Nascente à Cidade do Recife, 1954

Dois Parlamentos, 1960

Quaderna, 1960

A Educação pela Pedra, 1966

Morte e Vida Severina, 1966

Museu de Tudo, 1975

A Escola das Facas, 1980

Auto do Frade, 1984

Agrestes, 1985

Crime na Calle Relator, 1987

Primeiros Poemas, 1990

Sevilha Andando, 1990

Tecendo a Manha, 1999