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Mulher vestida de branco, 1896
József Rippl-Rónai (Hungria, 1861- 1927)
Pastel sobre cartão
Museu Janus Pannonius
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Mulher vestida de branco, 1896
József Rippl-Rónai (Hungria, 1861- 1927)
Pastel sobre cartão
Museu Janus Pannonius
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Laerte Agnelli, (Brasil, 1937).
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O jornal inglês The Guardian fez esta pergunta a seus leitores: “daqui a cem anos que livros publicados no século XXI ainda serão lidos?” Para nos ajudar nessas especulações próprias para o fim de semana, John Crace, que assina a matéria, nos lembra que entre a virada do século XX e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, os seguintes livros foram publicados que ainda são lidos nos dias de hoje:”L Frank Baum escreveu The Wonderful Wizard of Oz, [O mágico de Oz]; Colette escreveu Claudine em Paris; Joseph Conrad escreveu Heart of Darkness [O coração das trevas], Baronesa Orczy escreveu The Scarlet Pimpernel, [O pimpirnela escarlate]; EM Forster escreveu Howards End, Thomas Mann escreveu Death in Venice [Morte em Veneza] e Marcel Proust escreveu Swann’s Way [No caminho de Swann]: todos esses livros se tornaram clássicos e são lidos até hoje”.
A minha pergunta é a mesma que o jornal inglês faz. Que livros que você leu — publicados — nesses 14 anos do século XXI, você acredita que estarão ainda sendo lidos no ano de 2114?
Dos que li acredito que ainda sejam lidos em 2114.
Equador, de Miguel Sousa Tavares
Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel
E vocês?
Mais dois:
Seu rosto amanhã, Javier Marías — contribuição da leitora, Nanci Sampaio, como vemos nos comentários.
2666, Roberto Bolaño — contribuição do leitor Alexandre Kovacs
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PS: Adicionei outros quando me lembrar de outros.
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Bertha Wegmann (Dinamarca 1846-1926)
óleo sobre tela, 106 x 85cm
Museu Nacional de Estocolmo
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Bertha Wegmann (Dinamarca 1846-1926) foi primeiro educada por seus pais depois com um pintor histórico e gênero. Começou a expor seus trabalhos em 1873, em Copenhague, onde 10 anos depois, ela foi a primeira mulher a tornar-se membro do Conselho da Royal Academy. No início Bertha Wegmann trabalhava com pinturas de gênero, dando preferência a cenas sentimentais, algumas paisagens, especialmente montanhas de Tirol, e mais tarde algumas das áreas costeiras. Wegmann mais tarde tornou-se fascinada pela pintura moderna francesa, e a partir de 1881, passou a viver em Paris por longos períodos. Em 1881, ela ganhou a medalha de ouro no Salão de Paris.
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Giorgione (Castelfranco 1477- Veneza, 1510)
óleo sobre madeira, 76 x 60 cm
Museu Ashemolean, Oxford
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Giorgione (Castelfranco Veneto , c. 1477 — Veneza, final de 1510) [Giorgio Barbarelli da Castelfranco], pintor italiano, do Renascimento. Giorgione foi o fundador da escola de pintura renascentista de Veneza apoiado por Giovanni Bellini e Ticiano, que muito aprenderam com ele.
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José Maria de Almeida (Portugal, 1906 — Brasil, 1995)
óleo sobre tela, 38 x 55 cm
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Roberto van der Ploeg (Holanda, 1955) [radicado no Brasil desde 1979]
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
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Roberto van der Ploeg nasceu em Valkenburg aan de Geul na Holanda em 1955. Ele veio em 1979 para o Brasil no contexto de um estudo de mestrado em Teologia Latino americana. Desde 1982 reside no Nordeste brasileiro. A mudança da teologia para a pintura não foi muito radical para Roberto Ploeg. Segundo ele teologia e arte são de essência metafórica porque as duas procuram apresentar de maneira pessoal, experiências universais em imagens literárias e visuais. Neste sentido o teólogo é um artista da palavra. O caminho pessoal de Ploeg foi da palavra à imagem visual. Ele fez sua formação artística através de vários cursos em instâncias culturais em Olinda e Recife (MAC, Oficina Guaianases, Escolinha da Arte, UFPE, IAC, Fundaj). Após anos de atividades como teólogo da libertação no Nordeste Brasileiro, ele opta em 1995 definitivamente pela arte. Roberto Ploeg se considera um pintor figurativo. Sua técnica é tradicional: óleo sobre tela. Motivos e temas da sua caminhada pessoal desafiam sua criatividade. Sua arte é engajada sem querer ser ideológica ou transformadora. Ele quer simplesmente testemunhar e analisar seu próprio tempo. Sua preferência é a figura humana, para ele “a primeira paisagem”.
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Gabriel Ferrier (França, 1847-1914)
óleo sobre tela
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José Luís Peixoto
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Mary Bell Eastlake (Canadá, 1864-1951)
óleo sobre tela, 68 x 72 cm
National Gallery of Canada, Ottawa
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Maria Alexandra Eastlake (née Bell) estudou em Montreal com Robert Harris; em Nova York, na Art Students League com William Chase (c. 1885); e na Académie Colarossi. Em 1886 foi contratada para pintar uma série de obras para clientes norte-americanos em Nova York. Viajou para a França e Inglaterra (1890) e Paris em 1891. Tornou-se um membro da equipe de Victoria School of Art, de Montreal, em 1892. Ela foi para a Inglaterra e se estabeleceu em St. Ives, onde conheceu e se casou com o pintor Inglês Charles H. Eastlake. Viajou extensivamente na Europa e Ásia, e em 1939 o casal voltou para Montreal e depois Almonte.
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São Luís rumo à Tunísia, em sua segunda cruzada, depois de 1332, antes de 1350.
Mahiet, Mestre do Missal de Cambrai
Cambrai, Bibliothèque municipale ms. no. 224
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Há pessoas que nos influenciam apesar de nunca as termos visto ou encontrado. Devo muito a Jacques Le Goff, o grande historiador que faleceu dia 1º aos noventa anos, em seu país de origem, França. Não, ele não sabia da minha existência. Nunca trocamos uma palavra em carta, email, telefone. Ao que eu saiba não temos amigos em comum. Mas seus livros fizeram parte da minha vida, uma grande parte da minha vida.
Não fui uma criança prodígio. Não descobri em tenra idade aquela habilidade que outros dissessem, “vá estudar história da arte … Você tem sensibilidade nata para o assunto“. Pelo contrário, cheguei aqui por caminhos tortos, becos sem saída, pela constante reinvenção e redirecionamento dos meus objetivos. Quem hoje examinasse os meus boletins dos anos de adolescência descobriria que minhas notas em história não eram boas. Ninguém poderia imaginar que este seria o caminho a ser traçado no futuro. Não. O oposto parecia apontar no horizonte. Pensei seriamente em fazer medicina, isso depois de pensar em ser astrônoma e engenheira naval. O curso de letras que foi a entrada para as ciências humanas, não havia sido minha primeira escolha. E a história da arte aconteceu de surpresa, caminho conduzido em parte por uma excelente professora de literatura, na Universidade Federal Fluminense, que ao ensinar Balzac trouxe para a sala de aula imagens de quadros franceses da época. Ideias trocadas, informações sobre pintores e descobri que havia a tal história da arte. Que influência bons professores exercem sobre seus alunos!
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Inicial iluminada, Boécio ensinando a seus alunos, 1325
Manuscrito: Consolação da filosofia, Itália (?)
MS Hunter 374 (V.1.11), Glasgow University Library
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Há mais de uma maneira de se ensinar. Minha paixão pela história só se acendeu, através de dois grandes historiadores cujos livros, lidos paulatinamente, parágrafo a parágrafo, incendiaram minha imaginação e me acompanharam desde então a qualquer hora, em qualquer momento: Arnold J. Toynbee e Jacques Le Goff. Toynbee já havia morrido quando fui apresentada ao seu trabalho. Um bom escritor vive para sempre através de seus leitores, e sua prosa era de fácil entendimento. Apaixonante sua visão da imensa continuidade da história, para não falar de sua erudição. Jacques Le Goff foi o outro historiador que marcou a minha formação principalmente aquela formação pós-universitária, quando temos a liberdade de ir atrás dos pequenos detalhes que nos deixam curiosos, sem a preocupação de preencher um currículo ou uma determinada etapa da vida. Jacques Le Goff foi aquele historiador de quem eu esperava as novas publicações com ansiedade. Foi ele quem fez a história europeia pós-império romano viva para mim. Concentrando-se no homem comum ele coloriu o mundo pré-renascentista de tal maneira e com tanta precisão que podemos nele ver as raízes de muito das nossas vidas diárias hoje. Não sou medievalista. Minha porção de especialização formal é a era moderna europeia: 1860-1945. Pelo menos foi assim que deixei os bancos universitários. Mas a cada nova contribuição de Le Goff e de todos aqueles que ele formou mais me virei para a Europa medieval, esses grandes e sedutores séculos. Séculos que parecem cantos de sereia nos levando a profundezas enigmáticas. Mesmerizantes. É portanto com muito pesar que recebo a noticia de que não poderemos mais contar com suas brilhantes publicações. Registro então o vazio que sinto pelo que não virá, e o agradecimento pela riqueza do que ele nos deu.