Imagem de leitura — Paul-Michel Dupuy

10 06 2010

Maré baixa, praia de Villeria, s/d

Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)

Óleo sobre tela, 58 x 79 cm

Coleção Particular

Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869.  Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas.  Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899.  Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902.  Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833.   Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.





Os primeiros livros, poema de Bastos Tigre

9 06 2010
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).

Os primeiros livros

                                                                                       Bastos Tigre

Um livro: — um lindo brinquedo

Que Bebê fica a mirar:

Cada página é um segredo

          A desvendar.

 

Livro de folhas escritas

E ilustradas — mais de cem!

Quantas histórias bonitas

          Ele contém!

 

Figuras de vivas cores,

Lindamente combinadas:

Casas, bichos, frutas, flores,

          Bruxas e fadas…

 

E a explicação disso tudo

Em grandes letras impressas!

Bebê, radiante no estudo,

          Firme, começa!

 

Essas letras, essas frases

Têm tais sentidos ocultos,

Que entender não são capazes

          Doutos adultos.

 

É preciso ter cinco anos

— E nem todo mundo os tem —

Para poder tais arcanos

          Penetrar bem.

 

Por leitura eu não entendo

O que eu faço e faz qualquer,

As letras do que está lendo

          Sem ver sequer.

 

Bebê cada letra estuda,

Em cada sílaba atenta,

Franzindo a testa sisuda,

          Descobre, inventa,

 

 Decifra um novo mistério

A cada voz que enuncia

Que estudo não há mais sério,

          De mais valia.

 

E é de notar-se o ar solene

Com que as silabas lê:

Já não confunde o “m” e o “n”,

          O “p” e o “q”…

 

Ei-lo que as letras combina,

Forma os sons e, num momento,

Vai-lhe a frase, da retina

          Ao pensamento.

 

Maravilha do alfabeto

Que dos arranjos de traços

Faz surgiur a idéia, o objeto!

          Novos espaços.

 

Abre à razão ignorante,

Dá-lhe asas de luz e a eleva,

Radiosa, para o levante,

          Longe da treva!

 

Que humano invento o suplanta?

Só um Deus pudera, em verdade,

Tal grandeza por em tanta

          Simplicidade.

 

Vendo-o tão simples, dir-se-ia

— Do nada tão pouco além…

Que humana sabedoria

          Do nada vem…

 

Quase-nada, gérmen ovo,

Do saber, célula mater,

Sem ele não tem um povo

          Alma, caráter…

 

                          ***

 

Mas Bebê quer tudo feito

Depressa; e anseia por ciência!

(Não é seu menor defeito

          O da impaciência).

 

E, antes que os frutos recolha

Da cultura, ah, quem dissera!

Todo o livro, folha a folha,

          Zás, dilacera!

 

 

 

Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].





Filhotes fofos: canguruzinho

8 06 2010

O canguru bebê está curioso sobre o mundo à sua volta, mas gosta da segurança da bolsa da mamãe, quentinha e gostosa…  Zoológico Metroparks em Cleveland, Ohio,  Estados Unidos.





Maria Carrucá, fábula infantil de Viriato Padilha, ilustrações variadas

7 06 2010

 

O rei ordena aos príncipes que se casem.  Desenho infantil.

Maria Carrucá

Um rei tinha três filhos, vendo-os em idade de constituírem família, chamou-os e disse-lhes:  “Meus filhos, é chegada a idade em que se torna preciso constituir família, atendendo à elevada posição que tendes.  Ide, pois, procurar esposas; porém, procedei de modo que eu não tenha que me envergonhar da escolha”.

Os três príncipes saíram do palácio e partiram por diferentes caminhos em demanda de esposa.  Os dois mais velhos encontraram logo princesas que os quisessem para maridos e casaram-se.  O mais moço, porém, por maiores esforços que empregasse, não encontrou quem julgasse digna de lhe oferecer a mão.

Ilustração russa, o Príncipe vê uma sapa.

Desalentado por não conseguir o que desejava, achava-se uma tarde à beira de uma lagoa, e pegando uma varinha, começou a rabiscar na areia.   Impressionou-o, no entanto, estranhamente o fato de que embora quisesse escrever um pensamento qualquer, só conseguia rabiscar na areia a palavra – sapo.

Tudo o que escrevia era sapo, e tendo isto afinal o irritado, exclamou:

–“Ora, saia de lá dessa lagoa uma sapa, que quero me casar com ela!…

“Imediatamente saltou uma sapa…” — Ilustração infantil.

Imediatamente saltou da lagoa uma sapa, que postando-se em frente do príncipe,  lhe disse:

— “Aqui estou, meu adorado noivo”.

Aqui estou! — ilustração de Yuri Vasnetsov (Russia, 1900 – 1973)

O príncipe acompanhou a sapa, que era uma formosíssima princesa encantada, para o fundo da lagoa, onde ficou deslumbrado por encontrar o mais suntuoso dos palácios e as mais maravilhosas riquezas.

Realizado o casamento, o príncipe foi comunicar o ocorrido ao pai, que ficou muito desgostoso por saber que o filho havia se casado com um animal tão asqueroso.

Dias depois, o rei mandou a cada uma das noras uma lindíssima toalha de cambraia pedindo-lhes que as bordassem.

 

O —

 O príncipe apresenta sua esposa ao pai.  Ilustração russa.

A sapa, logo que recebeu a toalha, chamou uma criada e disse-lhe:

—  “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, vai à casa das senhoras princesas, e, dize-lhes que mando pedir um pouco de fio de barbante bem grosso, para bordar a toalha do rei”.

Maria Carrucá, assim o fez.  As princesas, porém, que eram muito invejosas e estúpidas, responderam-lhe:

–“Vá dizer à senhora princesa D. Sapa que se temos barbante, é para bordar as nossas toalhas”.

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A princesa sapa e o seu príncipe.

E assim disseram, melhor fizeram, bordando as toalhas que o rei mandara, com barbante grosso.  A sapa, no entanto, bordou a sua com o mais delicado fio de ouro.

— “Ora vejam só, disse o rei, “ a sapa fez um trabalho tão mimoso, e no entanto as princesas estragaram-me as toalhas, com  um barbante grosseiro, transformando-as em panos de cozinha”.

Daí a alguns dias o rei mandou a cada uma das noras um cãozinho, para que elas os criassem com todo o desvelo, pois esses animais pertenciam a uma excelente raça de caça.

Maria Carrucá, xilogravura, autor desconhecido.

Apenas a sapa recebeu o cãozinho, disse para a criada:

— “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte um pouco de cal para dissolver na água, a fim de lavar o cãozinho do rei e umas peles de toucinho para engordá-lo”.

Maria Carrucá foi desempenhar sua comissão, mas as princesas disseram:

Vá dizer à senhora princesa D. Sapa, que se temos cal é para lavar os cãezinhos que o rei nos mandou, e se temos peles de toucinho é para alimentá-los”.

E assim fizeram de modo que os animais perderam quase todo o pelo, e emagreceram a tal ponto, que quase não podiam suster-se de pé.

A princesa sapa.

A sapa, no entanto, banhava o seu com água perfumada e alimentava-o com pão de ló e outras iguarias delicadas, de modo que e tornou um animal formosíssimo, o que muito admirou o rei, quando mandou buscar todos os três, e viu o deplorável estado em  que se achavam os outros, parecendo-lhe incrível que uma triste sapa se avantajasse em tudo a princesas de sangue azul.

O príncipe e sua esposa com o pai e os irmãos.  Ilustração do desenho animado da Princesa Sapa.
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Daí a alguns dias, o rei, desejando conhecer pessoalmente as noras, mandou convidá-las para um baile no palácio.

A sapa, logo que recebeu o convite, voltou-se para a criada e disse-lhe:

— “ Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte, uma navalha para raspar a cabeça a fim de ir ao baile do rei, pois é costume agora na corte, apresentarem-se as damas de cabeça raspada”.

As princesas, porém, que por inveja não queriam que a sapa se apresentasse na moda, mandaram dizer-lhe que, se tinham navalha, era para elas rasparem a cabeça.

E trataram de raspar a cabeça, apresentando-se no palácio como verdadeiras Fúrias, o que muito desgostou o rei.

A princesa sapa desencanta-se.

A sapa, no entanto, desencantou-se, e readquirindo a sua forma de mulher, apresentou-se com elegante toucado, fazendo toda a corte pasmar pela sua extraordinária beleza e pela riqueza do vestuário.

O rei ficou satisfeito com ela, ao passo que só tinha palavras de desdém para as duas invejosas.

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Em: Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Editora Quaresma: 1947, 12ª edição

NOTA:  Esta história é uma adaptação de um conto folclórico russo muito popular e bastante traduzido e adaptado no século XIX por diversos autores, alemães, franceses, italianos (Ítalo Calvino em seu volume de Contos folclóricos da Itália, tem duas versões dessa história) e  portugueses e aqui por Viriato Padilha.  A cada tradução alguns detalhes e principalmente as demandas do rei foram adaptadas aos costumes mais familiares dos leitores.  Por exemplo na versão russa o príncipe quase acerta a princesa sapa com uma seta enquanto caçava.  Note nas ilustrações acima e abaixo que a seta figura quase sempre próximo à sapa. 

 

Mas a popularidade desse conto na Rússia, explica a abundância de ilustrações russas sobre o tema.  No século XX, com o domínio da indústria editorial americana e principalmente com o império Disney, este conto, apesar da sua grande lição sobre valores e inveja, foi esquecido, principalmente depois da popularização pelos próprios americanos da história da princesa que se casa com um sapo. 

 

VEJA MAIS ILUSTRAÇÕES — Variantes do mesmo tema depois da nota biográfica abaixo.

Viriato Padilha ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas

 

OUTRAS   ILUSTRAÇÕES:

 

Ilustração russa, desconheço a autoria.

A princesa sapa de autoria da ilustradora Nancy Farmer.

Ilustração russa, em bandeja de artesanato folclórico.

Ilustração russa em livro publicado em 1930.

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Decoração pintada à mão em caixa de papier maché.

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Cartum humoristico, a princesa sapa estuda livros eróticos.

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Transparência de desenho animado.

O príncipe encontra a princesa sapa, ilustração russa.

Ilustração russa.

Ilustração russa.

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Ilustração russa de N. Petrov.

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Ilustração russa, segunda metade século XX.

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Capa de livro russo para crianças da Princesa Sapa.

Capa de livro para crianças da Princesa Sapa.

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Princesa sapa, ilustração russa.




5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente!

5 06 2010

Chico Bento, ilustração de Maurício de Sousa.

 

Chico Bento está fazendo o que pode para melhorar o meio ambiente.
 
E você? 

 

Que contribuição você pode dar?

 





2º Concurso de Artes Visuais Mostra PUC – RIO

4 06 2010
Pateta quer ser um pintor famoso, ilustração Walt Disney.

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2º Concurso de Artes Visuais

Mostra PUC-Rio

Tema:

Baía de Guanabara, desafios e possibilidades.

 

Inscrições: de 4 de maio a 25 de junho.

Clique no link abaixo para inscrições:

MINHA ALMA PINTA
 

Boa sorte!





O esqueleto, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

3 06 2010

La Catrina, s/d

[La Catrina é um personagem folclórico do México]

 José Guadalupe Posada (México 1852-1913)

gravura aquarelada

O esqueleto

                                                      Walter Nieble de Freitas

Por causa de um esqueleto

Corri a não poder mais:

Assustado entrei em casa

E contei tudo a meus pais

“O esqueleto, seu bobinho,

Nunca foi assombração:

É ele um conjunto de ossos

Dispostos em armação.

Sua função principal

É manter o corpo ereto;

Tem cabeça, tronco e membros

Todo esqueleto completo.

Preste, pois, muita atenção,

Guarde bem, jamais se esqueça:

Somente de crânio e face

Se constitui a cabeça.

O tronco tem só três partes,

Vou dizer-lhe quais são elas:

A coluna vertebral,

O esterno e as costelas.

Os membros são conhecidos:

Os de cima superiores;

E os que servem para andar,

São chamados inferiores”.

Até agora não compreendo

Como é que fui tolo assim:

Correr de um pobre esqueleto

Tendo outro esqueleto em mim!

 Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.

 

 

 

Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP)  Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.

Obras:

Barquinhos de papel, poesia, 1963

Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966

Desfile de modas na Bicholândia, 1988

Simplicidade, poesia, s/d

Chico Vagabundo e outras histórias, 1990

O esqueleto humano





Imagem de leitura — Alfredo Valenzuela Puelma

3 06 2010

A lição de geografia, 1883

Alfredo Valenzuela Puelma ( Chile, 1856 – França, 1909)

Óleo sobre tela

Alfredo Valenzuela Puelma, nasceu em Valparaíso, no Chile em 1856.  Demonstrou desde cedo habilidade como artista e estudou na Academia de Pintura de Santiago, sob a orientação de Ernesto Kirchbach e de Giovanni Mochi.  Entre 1881 e 1885 esteve na Europa graças à uma bolsa de estudos.  Voltou ao Chile onde trabalhou com o pintor Pedro Lira, mas logo voltou a Paris onde trabalhou com Paul Laurens.  Foi o primeiro pintor chileno a trabalhar com nus.  Especializado em retratos e na figura humana, Valenzuela Puelma também se dedicou à pintura religiosa e de gênero, nesta última muitas de suas obras mostram o gosto da época  pelo exótico com cenas repletas de um orientalismo sedutor.  Morreu na França em 1909.





Theo Jansen — o escultor amigo do vento

2 06 2010

 

Animaris Rhinoceros Transport é uma espécie de animal com um corpo formado por um esqueleto de aço e pele de poliéster.  Sua aparência é arenosa, como se fosse coberto de areia.  Pesa 2 toneladas e 4,70 m de altura.  É a sua altura que permite que a força do vento o coloque em movimento.  Este animal é parte do projeto Strandbeest que o escultor holandês Theo Jansen começou em 1990.   Parte do projeto é uma loja-on-line onde Jansen vende vídeos e manuais de instrução.

Theo Jansen nasceu em Haia, na Holanda, em 1948.  Escultor-engenheiro, um artista do meio-ambiente, Jansen pensa o espaço de uma forma diferente da tradicional.  Ficou conhecido por criar esta “realidade paralela”  este mundo cinético, habitado por animais e plantas que são maravilhosos projetos de engenharia e se movem com a graça do vento ou à água.   Para ele a diferença entre a engenharia e a arte está mesmo é na cabeça de quem vê.  Talvez a coisa mais impressionante de seus trabalhos seja a delicadeza do movimento dessas criaturas gigantescas:  monstros benevolentes e dóceis.





E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia?

2 06 2010

 

Pato Donald tem uma ideia brilhante!  Ilustração Walt Disney.

 

Foi Platão quem primeiro fez a analogia entre a luz e uma idéia.  Desde então idéias podem ser más, boas, mas sempre eletrizantes nas mãos dos artista gráficos.  Estes sim são sempre brilhantes!

 A associação da luz com uma nova idéia, auxiliando a solução de um problema tem-nos fascinado desde a antiguidade e acompanhado até os dias de hoje.   Parece que agora estamos um passo adiante:  o psicólogo social Michael Slepian, trabalhando na Universidade Tufts, nos EUA, publicou no Journal of Experimental Social Psychology os resultados de sua pesquisa que avaliava se a presença de uma lâmpada, isso mesmo, da lâmpada em si, aquele objeto pelo qual passa a eletricidade, poderia ter um papel significativo como auxiliar de novas idéias. 

Cascão tem uma ideia simples.  Ilustração Maurício de Sousa.

E não é que pode?   

Parece que as lâmpadas podem de fato ajudar uma pessoa a ter uma intuição na resolução de um problema.  Uma lâmpada agiria como um estímulo à imaginação.   Apesar de a intuição ser um fenômeno bastante conhecido e muito estudado, ainda é uma capacidade humana completamente misteriosa para os cientistas.  E o que Michael Slepian apurou é que a “idéia da lâmpada” trabalha no nosso inconsciente de tal maneira que realmente associamos o objeto à clareza de pensamento.  Ela nos dá uma maior tendência de descobrir novos ângulos de um problema, de resolver uma questão de maneira mais criativa.  A pesquisa tenta documentar os sinais sutis que podem influenciar o nosso comportamento.  [Para maiores detalhes sobre a pesquisa de Michael Slepian, por favor clique  AQUI e AQUI.]

 Não me cabe julgar os méritos de sua pesquisa.  Mas reconheço que a imagem de uma lâmpada está a tal ponto associada ao surgimento de uma idéia que expressões inteiras podem ser substituídas pela lâmpada ou por sua imagem modificada.  E é uma comunicação popular e eficiente.  Tão emblemática quanto,  nos últimos 40 anos, o coração vermelho veio a ser para o verbo amar: por exemplo, a expressão “ eu amo ler”, pode ser também escrita: eu + [imagem de um coração]+ ler, sem qualquer perda de significado.

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Aqui, então um  grupo de imagens que poderiam levar o nome:  arte gráfica da idéia brilhante. 

Professor Pardal e seu auxiliar Lampadinha, ilustração Walt Disney.

Mesmo sem idéias, o Professor Pardal é acompanhado por sua lampadinha que continua a trabalhar.  Foi justamente com o Professor Pardal que conheci a primeira associação de lâmpada com idéia, e para mim, a conexão entre esses dois é tão perfeita que o inventor Pardal não existe no meu imaginário seu seu ajudante Lampadinha. 

Zé Carioca tem uma idéia luminosa!  Ilustração Walt Disney.

Quem percebeu que a ideia luminosa de Zé Carioca é representada por uma lâmpada na forma de pena?  Ela poderia fazilmente, se colorida de verde, se inserir no seu topete. É ou não brilhante?

O Palhacinho Alegria, Ilustração Editora Abril.

O palhacinho Alegria só poderia ter uma idéia engraçada, e ela vem de chapéu de palhaço igual ao dono!

Pato Donald, ilustração de Walt Disney.

O Pato Donald deveria ser brasileiro, porque certamente não desiste nunca.  E  continua a ter idéias duplamente valiosas, apesar de nós sabermos, de antemão, os resultados da maioria dos seus empreendimentos!

Do Contra tem uma idéia característica.  Ilustração Maurício de Sousa.

Uma ideia contrária só poderia ser expressada dessa maneira, é ou não é?  Brilhante!

Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

Chico Bento tem uma ideia antiga.  Uma ideia de outros tempos…  Talvez uma idéia interiorana, caipira? 

Piteco tem uma ideia, ilustração Maurício de Sousa.

Piteco, o homem das cavernas tem uma ideia de  acordo com os seus tempos, nem poderia ser diferente.  Será que elas seriam tão brilhantes quanto as de raio laser?

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Ilustração Maurício de Sousa.

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E os animais pensam da mesma forma que nós….  Mas isso nós já sabíamos!

A verdade é que nenhuma dessas imagens poderia ter sido entendida por nós se a representação de uma ideia ( brilhante ou não) já não estivesse bem enraizada no nosso inconsciente.  A imagem, então, de uma lâmpada, funciona como um ideograma, em que diferentes contextos mudam de acordo com as diferenças no mesmo tema.  A lâmpada, o faixo de luz, está tão enraizada no nosso inconsciente que pensamentos mais complexos ainda do que uma imagem de uma história em quadrinhos estão nos dias de hoje sendo transmitidas com uma simplicidade invejável:

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Uma idéia rentável, vendável, lucrativa…

Uma idéia de destaque, única entre outras…

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Uma nova idéia…

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Uma ideia verde, uma ideia ecológica …

E afinal, qual é mesmo a sua grande ideia?