Pato Donald compete com Gastão, ilustração Walt Disney.
—-
—
Não adianta reclamar,
quem joga tem que saber:
jamais deverão jogar
os que não sabem perder.
—
(Décio Valente)
—-
—
Não adianta reclamar,
quem joga tem que saber:
jamais deverão jogar
os que não sabem perder.
—
(Décio Valente)
—
—
Cyra de Queiroz Barbosa
—
—-
A calçada está coberta
com folhas soltas
das amendoeiras
sopradas pelo vento.
Vermelhas
amareladas
quase secas
outonadas.
—
As árvoes se despiram.
Esgalharam.
Braços suspensos
como em preces
implorando
o reviver na primavera.
—
Nos rostos que caminham pela rua
há marcas das horas
vividas
sofridas.
—
Há passos que se apagam
entre as duas calçadas.
Há braços que se estendem
na vã espera.
Outono
sem reviver
sem primavera.
—
—
—
Em: Moenda:painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, p. 129
Creme
Alfred Arthur Brunel de Neuville (França, 1851-1941)
óleo sobre madeira
—-
—-
O leite, que é a bebida
Ideal para o estudante,
É mil vezes superior
A qualquer refrigerante.
—
(WNF)
—-
—-
—-
Henriqueta Lisboa
—-
Quando a noite
vem baixando,
nas várzeas ao lusco-fusco
e na penumbra das moitas
e na sombra erma dos campos,
piscam piscam pirilampos.
São pirilampos ariscos
que acendem pisca-piscando
as suas verdes lanternas,
ou são claros olhos verdes
de menininhos travessos,
verdes olhos semitontos,
semitontos mas acesos
que estão lutando com o sono?
—-
—–
—-
—-
Henriqueta Lisboa (MG 1901- MG 1985), poeta mineira. Escritora, ensaísta, tradutora professora de literatura, Com Enternecimento (1929), recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.
Obras:
Fogo-fátuo (1925)
Enternecimento (1929)
Velário (1936)
Prisioneira da noite (1941)
O menino poeta (1943)
A face lívida (1945) — à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano
Flor da morte (1949)
Madrinha Lua (1952)
Azul profundo (1955);
Lírica (1958)
Montanha viva (1959)
Além da imagem (1963)
Nova Lírica ((1971)
Belo Horizonte bem querer (1972)
O alvo humano (1973)
Reverberações (1976)
Miradouro e outros poemas (1976)
Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977)
Pousada do ser (1982)
Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento.
Adam Fryda (Inglaterra, contemporâneo)
gravura 20 x 16,5 cm
—
—
—
Sérgio Capparelli
—
Um hipopótamo na banheira
molha sempre a casa inteira.
—
A água cai e se espalha
molha o chão e a toalha.
—
E o hipopótamo: nem ligo
estou lavando o umbigo.
—
E lava e nunca sossega,
esfrega, esfrega e esfrega
—
a orelha, o peito, o nariz
as costas das mãos, e diz:
—
Agora vou dormir na lama
pois é lá a minha cama!
—
—
—
Sérgio Capparelli (MG, 1947) é um escritor de literatura infanto-juvenil, jornalista e professor universitário.
VEJA O PORTAL DO AUTOR: http://www.capparelli.com.br/
Zá Carioca empresário de minhocas, Ilustração Walt Disney.—
—-
Ao ver uma velha coroca
fritando um filé de minhoca
o Zé Minhocão
falou pro irmão:
“Não achas melhor ir pra toca?”
—
Tatiana Belinky
—-
—-
Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar ( coord.), Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Projeto: 2007
—-
—-
—
—
Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo na Rússia em 1919. Imigrou com a família para o Brasil, onde se instalaram em São Paulo. Tatiana tinha 10 anos e idade. Escritora, poeta, roteirista de tv, tradutora. É hoje uma das mias importantes escritoras infanto-juvenis no país com mais de 120 obras publicadas. Depois do curso secundário, estudou Filosofia na Faculdade São Bento, mas abandonou o curso em 1940 quando se casou com o médico Júlio de Gouveia. Junto com o marido, criou muitas várias adaptações de histórias infantis para teatro. Juntos montaram peças para os teatros da Prefeitura de São Paulo e de lá pularam para encenações de peças no início da televisão no Brasil. Trabalhou também como roteirista de programas para a televisão btrasileira desde 1952, na extinta TV Tupi. Desde 1985 escreve para jovens leitores.
—-
Algumas de suas obras infanto-juvenis ( não inclui peças de teatro, e dezenas e dezenas de traduções e adaptações de outros autores):
O caso dos ovos, 1985
O sapateiro remendão, 1987
Que horta, 1987
A alegre vovó Guida que é um bocado distraída, 1988
Cinco trovinhas para duas mãozinhas, 1988
A história da ursa-parda, 1988
Represália de Bicho, 1988
Histórias de Fantasma, 1989
Olhos de ver, 1989
Transplante de menina, 1989
Acontece cada uma…, 1990
Bidínsula e outros retalhos, 1990
As coisas boas do ano, 1990
Di-versos russos, 1990
Quatro amigos, 1990
Di-versos hebraicos, 1990
Saladinha de queixas, 1991
Tatu na casca, 1991
Assim, sim!, 1992
Bumburlei, 1992
Micha, 1992
Quem tem casa, casa?, 1992
Ratinho manhoso, 1992
Rimadinho, 1992
A ratinha presunçosa, 1993
Di-versos alemães, 1993
Grande cão curso, 1993
O caso do vaso, 1994
Bom remédio, 1995
O caçador valente, 1995
Beijo não!, 1997
Cachtanga artista por acaso, 1998
Diversidade, 1999
Que tal?, 1999
Coral dos bichos, 2000
Chorar é preciso?, 2001
Contanabos, o senhor das montanhas, 2001
Curto-circuito, 2001
O gato professor, 2001
Mandaliques (com endereço e tudo), 2001
O livro dos disparates, 2001
As três respostas, 2001
O samurai e a cerejeira, 2001
O simplório e o malandro, 2001
Ogro, 2001
Sou do contra: limeriques, 2001
Vrishadarbha e a Pomba, 2001
Acontecências, 2002
A aposta, 2002
Criança feliz: contos e cantos, 2o03
O que eu quero, 2003
Trazido pela rede, 2003
Um caldeirão de poemas, 2003
Mentiras… e mentiras, 2003
Aparências enganam, 2004
Cantiga do Tiribiri-biribim, 2004
O livro das tatianices, 2004
Vovô Majai e as lebres, 2004
Abc e numerais pra brincar é bom demais, 2005
17 È Tov !, 2005
Kanniferstan, 2006
Limeriques para pinturas, 2006
A torre do Reno, 2006
Desatreliques, 2006
Limeriques da Coroa Implicante, 2006
Limeriques dos Tremeliques, 2006
Monstros e medos, 2006
Sete vezes sim!, 2006
Hoje é dia de festa!, 2006
As moedas estrelas, 2006
Um zoológico de papel, 2007
Bicholiques, 2007
O cão fantasma, 2007
Salada de limeriques, 2007
Limeriques da cocanha, 2007
Limeriques das causas e efeitos, 2007
O nariz, 2008
A charada do gorducho, 2009

——
——
—–
Anônimo
—–
O Rei mandou me chamar,
pra casar com sua filha.
Só de dote ele me dava,
Europa, França e Bahia.
—-
Me lembrei do meu ranchinho,
da roça, do meu feijão.
O Rei mandou me chamar.
Ó seu Rei, não quero não.
——
—-
Folclore brasileiro, canto negro do Recôncavo Baiano.
—–
—-
Vejam o vídeo do Iº Encontro de Coros Camargo Guarnieri – Coral Juvenil EMMSP – Teatro Municipal de São Paulo Maestrina: Mara Campos.
—-
—–

Meninos jogando bilboquê, sd
Belmiro de Almeida ( Brasil, 1858-1935)
óleo sobre tela, 40x30cm
Museu de Arte de São Paulo
—
—
—–
Maria Alberta Manéres
—-
Eu conheço dois meninos
que em tudo são diferentes.
Se um diz: “Dói-me o nariz!”
o outro diz: “Ai, meus dentes!”
—–
Se um quer brincar em casa,
o outro foge para o monte;
e se este a casa regressa,
já o outro foi para a fonte.
—–
É difícil conviver
com tanta contradição.
Quando um diz: “Oh, que calor! “,
“Que frio!” – diz o irmão.
—-
Mas quando a noitinha chega
com suas doces passadas,
pedem à mãe que lhes conte
histórias de Bruxas e Fadas.
—–
E quando o sono esvoaça
por sobre o dia acabado,
dizem “Boa noite, mãe!”
e adormecem lado a lado.
—–
—-
—-
—-
Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro (Portugal, 1930) nasceu na cidade de Vila Nova de Gaia. É professora, jornalista e escritora. Sua obra inclui poesia, contos, hisstórias em quadrinhos, teatro, novelas, e adaptação de clássicos da literatura.
Obras
Ficção
O Poeta Faz-se aos 10 Anos, 1973
A canção do vento, 1975
Hoje há Palhaços , 1977
Primeira Aventura no País do João, 1977
À Beira do Lago dos Encantos, 1995
Intervalo, 1952
Cântico de Barro, 1954
A Palavra Imperceptível, 1955
Oração de Páscoa, 1958
Água – Memória, 1960
Os poemas Escolhidos, s/d
A Pegada do Yeti, 1962
Poemas Escolhidos, 1962
Os Mosquitos de Suburna, 1967
Conversas em Versos , 1968
O poema O disse ao poema, 1974
O Robot Sensível, 1978
Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, 1982
Semana sim,semana não,semana pumbas,1998
Clarinete
Figuras Figuronas, 1969
A Pedra Azul da Imaginação, 1975
A Chave Verde ou os Meus Irmãos, 1977
Semana Sim, Semana Sim, 1979
O Que É Que aconteceu na Terra dos Procópios, 1980
Um Peixe no Ar, 1980
O Trintão Centenário, 1984
Dez Dedos Dez Segredos, 1985
À Beira do Lago dos Encantos, 1988
Quem faz hoje anos, 1988)
Colecção “1001 Detectives– 15 volumes (em colaboração com Natércia Rocha e Carlos Correia), entre 1987/92
Sigam a Borboleta, 1996
100 Histórias de Todos os Tempos, 2003
Passinhos de Mariana, Edições Asa, 2004
“Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa” 2010
Outra vez não!
—-
—–
—-
Bocage
——
Contam que certa raposa,
Andando muito esfaimada,
Viu roxos, maduros cachos
Pendentes de alta latada.
—–
De bom grado os trincaria,
Mas sem lhes poder chegar,
Disse: “Estão verdes, não prestam,
Só os cães os podem tragar!”
—–
Eis cai uma parra, quando
Prosseguia seu caminho,
E, crendo que era algum bago,
Volta depressa o focinho.
—–
—-
Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.
—-
—-
—-
Francisca Júlia
—–
—-
Passo lento, olhar profundo,
Valente, brioso e grave,
O galo é a mais linda ave
Dentre todas que há no mundo.
—-
Um pé adiante, outro atrás,
Bico aberto, o galo canta;
Tem a glória na garganta
E nas esporas que traz.
—–
O galo é sempre o primeiro
A anunciar a s auroras.
Repara bem: tem esporas
E é por isso cavaleiro.
—–
Coroa tem e de lei,
Coroa em forma de crista
Que ganhou numa conquista:
Por isso julga-se rei.
—–
Pendentes até o peito,
Vermelhas, grandes e belas,
Tem barbas que são barbelas
Que lhe dão muito respeito.
—–
Com que delicado amor
Ele defende e acarinha
Ora o pinto, ora a galinha
Com seu gesto protetor!
—-
De cabeça levantada,
Altivo sobre o poleiro,
Ele é o rei do galinheiro
E o cantor da madrugada.
—–
Vivem todos sob a lei
E ordens que o galo decreta:
Soldado, músico e poeta,
Pastor, cavaleiro e rei!
—-
—-
Francisca Júlia da Silva Munster (SP 1871 – SP 1920) Poetisa brasileira. Começou a colaborar na imprensa paulistana e carioca aos 20 anos. Na revista A Semana, alcança rápido prestígio literário. Casou-se em 1909, recolhendo-se à vida particular e praticamente abandonando a atividade literária.
Obras:
1895 – Mármores
1899 – Livro da Infância
1903 – Esfinges
1908 – A Feitiçaria Sob o Ponto de Vista Científico (discurso)
1912 – Alma Infantil (com Júlio César da Silva)
1921 – Esfinges – 2º ed. (ampliada)