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Admiro um pica-pau
Numa madeira de angico
Que passa o dia todim
Taco-taco, tico-tico
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico
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Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932- Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.
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Admiro um pica-pau
Numa madeira de angico
Que passa o dia todim
Taco-taco, tico-tico
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico
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Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932- Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.
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Maria de Lourdes Figueiredo
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Vou fazer uma omeleta
pra botar dentro do pão,
e, para isto, é preciso
que eu preste toda atenção.
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Primeiro bater os ovos;
depois, fritar no fogão.
Virá-la, então, com cuidado…
Escapuliu! Foi ao chão!…
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110
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Roberto Pontes
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Onde é que ficaram as praças
E os meus doces passarinhos
Da infância inesquecida?
Na aragem dos caminhos?
— As flores murcharam cedo
E os passarinhos com medo
Ai! ai! uui! ui!
Foram viver sozinhos.
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Deixaram algum recado
Nos canteiros ressequidos?
Na trança tenra dos ninhos
O trinar pros meus ouvidos?
— O tziu levou seus filhos
A murta fechou seus cílios
Ai! ai! ui! ui!
Tão breve adormecidos.
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Meus canteiros carregados
Minhas jandaias de sonho
O passado onde eu regava
E ainda hoje amanho.
Jardins como um vasto véu
E asas pardas pelo céu
Ai! ai! ui! ui!
Vocês me põem tristonho.
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Em: Poesia simplesmente, coletânea de diversos poetas, Edição independente, 1999.
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Francisco Roberto Silveira de Pontes Medeiros, nasceu em Fortaleza, Ceará (04/02/1944). Cursou Direito (1964) e mestrado em Literatura Brasileira (1991) na UFC.
Dados biográficos: Antônio Miranda
Desenho de astrônomo turco, anônimo,
Do livro Tarcuma-I Cifr, de Maomé Kamalladin.
Univerisdades Rektolugu-Istambul
Turquia
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João de Deus Souto Filho
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O Cometa não é estrela
Nem planeta,
O Cometa é viajante
Estelar,
Grande rei andarilho,
De bela coroa
E cauda a brilhar…
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Em: Jornal de Poesia
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João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA. É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.
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Obras infantis:
O quintal do Seu Nicolau, 1992
O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992
O passeio da Cinderela, teatro, 1992
Brincadeira de palavras, inédito
Na ponta da pena, inédito.
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Se Deus atendesse, um dia,
minha prece ingênua e doce,
quem fosse mãe não morria,
por mais velhinha que fosse.
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(Archimino Lapagesse)
Ilustração, mãe e filho, Frederick Richardson, 1975.—
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Tudo o que fui e que sou
devo ao seu zelo e carinho.
— Mãezinha, você plantou
roseiras no meu caminho!
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( Pedro Peixoto de Aguiar)
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Walter Nieble de Freitas
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Por ter sido descoberto
Por Pedro Álvares Cabral,
O Brasil, caros colegas,
Pertenceu a Portugal.
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Ouvi dizer que homens bravos,
Chefiados por Tiradentes,
Receberam nesse tempo,
O nome de inconfidentes.
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Os nossos inconfidentes
Nutriam um ideal:
Desejavam separar
O Brasil de Portugal.
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Joaquim Silvério dos Reis
Traiu os incoonfidentes,
Destruindo dessa forma,
O sonho de Tiradentes.
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No dia Vinte e Um de Abril,
Sob vivas estridentes,
Foi, no Rio de Janeiro,
Enforcado Tiradentes.
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O exemplo que Tiradentes
nos deu a Vinte e Um de Abril
É a página mais linda
da História do Brasil.
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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965
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Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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Se estiverdes namorando,
aos beijinhos, no portão,
já sabes, o amor é cego,
porém, os vizinhos, não…
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(Dieno Castanho)
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Armando Côrtes Rodrigues
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Vozes na Noite! Quem fala
Com tanto ardor, tanto afã?
Falou o Grilo primeiro,
Logo depois foi a Rã.
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Pobre loucura dos homens
Quando julgam entendê-las…
Só eles pasmam os olhos
Neste encanto das estrelas…
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Lá no silêncio dos campos
Ou no mais ermo da serra,
Na voz das rãs dala a àgua,
Na voz dos grilos a Terra.
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Só eles cantam a vida
Com amor e singeleza,
Por ser descuidadaa, alegre;
Por ser simples, com beleza.
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Pudesse agora dizer-te,
Sem ser por palavras vãs,
O que diz a voz dos grilos,
O que diz a voz das rãs.
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Em: Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: s/d
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Armando César Côrtes-Rodrigues (Portugal, 1891 — 1971 ) Escritor, poeta, dramaturgo, cronista e etnólogo açoriano que se distinguiu pelos seus estudos de etnografia e em particular pela publicação de um Cancioneiro Geral dos Açores e de um Adagiário Popular Açoriano, obras de grande rigor e qualidade.
Obra poética:
Ode a Minerva:angra do heroísmo, 1922
Em Louvor da humildade: poemas da terra e dos pobres., 1924
Cântico das Fontes, 1934
Cantares da noite seguidos dos poemas de orpheu, 1942
Quatro poemas líricos, 1948
Horto fechado e outros poemas, 1953
Antologia de Poemas de Armando Côrtes-Rodrigues, 1956.