Cartão Italiano, 1910-1912.
—
Neste dia alegre e doce,
de festas, sentimental,
queria que você fosse
meu presente de Natal.
(J. G. de Araújo Jorge)
Cartão Italiano, 1910-1912.
—
Neste dia alegre e doce,
de festas, sentimental,
queria que você fosse
meu presente de Natal.
(J. G. de Araújo Jorge)
Chegada de Papai Noel.
Capa da Revista Toda Família, Suécia, 1917.
—
Natal é meditação,
é o tempo da Humanidade
entender que salvação
tem um nome: CARIDADE!
(José Ouverney)
Nascimento de Jesus
Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo
Manuel Bandeira
——–
O nosso menino
Nasceu em Belém
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
———-
———
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
——-
——-
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
———
———
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
—–
—–
Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.
—–
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.
Obras:
3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana, 1959
50 poemas escolhidos pelo autor , 1955
A Autoria das Cartas Chilenas, 1940
A Cinza das Horas, 1917
A Cópula, 1986
A Leste do Éden, 1958
A Morte, 1965
A Versificação em Língua Portuguesa
Alumbramentos, 1960
Andorinha, Andorinha 1965
Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos 1946
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana 1938
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica 1937
Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna 1967
Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista 1937
Antologia Poética 1961
Apresentação da Poesia Brasileira 1944
Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz
Carnaval 1919
Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira 1958
Colóquio Unilateralmente Sentimental 1968
Crônicas da Província do Brasil 1937
De Poetas e de Poesia 1954
Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras 1941
Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña 1946
Estrela da Manhã 1936
Estrela da Tarde 1960
Estrela da Vida Inteira 1966
Flauta de Papel 1957
Francisco Mignone 1956
Glória de Antero 1943
Gonçalves Dias 1952
Guia de Ouro Preto 1938
Itinerário de Pasárgada 1954
Itinerários 1974
Libertinagem 1930
Literatura Hispano-americana 1949
Macbeth, de Shakespeare 1958
Mafuá do Malungo 1948
Maria Stuart, de Schiller 1955
Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira 1954
Meus Poemas Preferidos 1967
Noções de História das Literaturas 1940
Noturno do Morro do Encanto 1955
O Melhor Soneto de Manuel Bandeira 1955
Obras Poéticas 1956
Obras Poéticas de Gonçalves Dias 1944
Obras-primas da Lírica Brasileira 1943
Opus 10 1952
Oração de Paraninfo 1946
Os Reis Vagabundos 1966
Panorama das Literaturas das Américas 1958
Pasárgada 1960
Poemas Traduzidos 1945
Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta 1986
Poesia do Brasil 1963
Poesia e prosa 1958
Poesia e Vida de Gonçalves Dias 1962
Poesias 1924
Poesias completas 1940
Poesias Escolhidas 1937
Poesias, de Alphonsus de Guimaraens 1938
Portinari 1939
Recepção do sr. Peregrino Júnior 1947
Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé 1990
Rimas, de José Albano 1948
Rio de Janeiro em Prosa & Verso 1965
Rubaiyat, de Omar Khayyan 1965
Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental 1942
Um Poema de Manuel Bandeira 1956
Ceia de Natal
Cartão de Natal da Polônia.
—
Natal! É sonho e vigília
harmonia, amor e paz…
Milagre! Toda a família
se reúne uma vez mais…
(J. G. de Araújo Jorge)
Joaquim Serra
——
Na palhoça iluminada,
Que fica junto da ermida,
Des que a missa foi cantada
Se congrega a multidão;
Toldo de mirta florida,
Flores de mágico aroma
Ornam o presépio, que toma
Na sala grande extensão.
—-
Quão lindo está! Não lhe falta
Nem o astro milagroso
Que de repente brilhou;
Nem o galo, que o repouso
Deixara por noite alta
E que inspirado cantou!
——-
Tudo o que a lenda memora
E consagra a tradição,
Vê-se ali, grosseiro embora,
Despido de perfeição.
——
Céu de estrelinhas douradas,
Estrelas de papelão;
Brancas nuvens fabricadas
Da plumagem do algodão!
Anjos soltos pelos ares,
Peixes saindo dos mares,
Feras chegando do além.
Marcha tudo, e vêm na frente
Os Reis Magos do Oriente
Em demanda de Belém.
——-
É esta a lapa; o Menino
Nas palhas está deitado,
Com um sorriso de alegria
Todo doçura e amor!
——
Contempla o quadro divino
São José ajoelhado,
E a Santíssima Maria
De Jericó meiga flor!
——
Trajando risonhas cores
Com muitos laços de fitas,
Rapazes, moças bonitas
Formam grupos de pastores.
———-
Que curiosos bailados,
Com maracás e pandeiros!
E o ruído dos cajados
Desses risonhos romeiros!
——–
Essa quadrilha dançante,
Cantando versos festivos,
Aos pés do celeste infante
Vai depor seus donativos:
———
Frutas, doces, sazonadas,
Ramilhetes de açucenas,
Cera, peles delicadas,
Pombinhos de brancas penas.
—–
São as joias que os pastores
Dão ao Deus onipotente!
E o povo aplaude os cantores
E o espetáculo inocente.
———
Eis o presepe singelo
Da devoção popular;
Oratório alegre e belo
Sagrado risonho altar!
——
——
Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1969.
—–
——
Joaquim Serra
——
—–
Joaquim Maria Serra Sobrinho ( MA 1838 — RJ 1888) jornalista, professor, político e teatrólogo. Pseudônimos: Amigo Ausente, Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare, Tragaldabas. Foi um intelectual muito ativo na segunda metade do século XIX. Abolicionista, trabalhou lado a lado com Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e José do Patrocínio para o fim da escrevidão.
Obras:
A capangada, sem data, séc. XIX
A pomba sem fel, sem data, séc. XIX
As Cousas da moda, sem data, séc. XIX
Epicedio à morte de Manuel Odorico Mendes, sem data, séc. XIX
O jogo das libras, sem data, séc. XIX
O remorso vivo, sem data, séc. XIX
Quem tem boca vai a Roma
Rei morto, rei posto
Biografia do ator brasileiro Germano Francisco de Oliveira, 1862
A coalisão, 1862
Julieta e Cecília, contos, 1863
Mosaico, poesia traduzida, 1865
O salto de Leucade, 1866
A casca da caneleira, romance de autoria coletiva, cabendo a J.S. a coordenação, 1866
Um coração de mulher, poema-romance, 1867
Versos de Pietro de Castellamare, 1868
Semanário maranhense, 1867
Quadros, poesias, 1873
Almanaque Humorístico Ilustrado, 1876
Diário oficial do império do Brasil, 1878
O abolicionista, 1880
Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranhão, 1820-80, por Ignotus, 1883
O coroado, 1887
Poesias e poemas, 1888
Os melros brancos, 1890
—-
É Natal no mundo inteiro,
mas persiste esta verdade:
não há Natal verdadeiro
sem a solidariedade.
(Milton Souza)
Cachorrinho de Natal.
Cartão francês.
—-
É Natal, que bom seria
se tanta fraternidade,
em vez de durar um dia,
durasse uma eternidade!
(Antônio Juraci Siqueira)

O bolo de reis ou Epifania, 1774
Jean–Baptiste Greuze (França, 1725-1805)
Óleo sobre tela, 71 x 92 cm
Musée de Fabre, Montpellier
O Natal é uma época que sempre me traz nostalgia. Há a nostalgia pelo existiu brevemente – ou seja, a nostalgia de um dia ter podido acreditar na lenda natalina do Papai Noel; há a nostalgia do que nunca existiu — um período de paz e beatitude — que existe só no coração das crianças pequeninas. E há também no meu caso, a nostalgia, dos cheiros de Natal, das comidas de Natal, da cozinha natalina.
Minha avó materna era carioca da gema, nascida no finalzinho do século XIX. Mas era por sua vez neta e bisneta de portugueses de Viana do Castelo e de galegos de região de Vigo. E muitas das nossas tradições de família vêm por intermédio dela. Depois que ficou viúva, vovó Albina veio morar conosco. E para mim o Natal nunca foi o mesmo desde que ela não pode mais orquestrar o cardápio natalino. O Natal na nossa casa tinha cheiro de festa, sabores esdrúxulos das frutas secas e das cerejas frescas, tinha peru com pêssegos no Natal, [nunca tivemos bacalhau que eu me lembre], devorávamos os sonhos fresquinhos recheados com geléia e as rabanadas com bastante açúcar e canela, que eram sempre mais gostosas quando já eram “dormidas”. No Ano Novo tínhamos presunto com rodelas de abacaxi fritas, salada de maionese que também se chamava salada russa, tudo com complementos brasileiríssimos tais como farofa e arroz. E finalmente o nosso Natal terminava com O Bolo De Reis, que adorávamos porque além de gostoso, trazia 4 prendas dentro dele e prognosticava o ano que se iniciava.
O Bolo de Reis era uma das grandes especialidades de vovó Albina, que começava cedo a sua preparação porque este bolo não era feito com o fermento comum, mas com o fermento “de padaria” — aquele que a gente precisa misturar com água quente e depois colocar a massa num lugar sem vento (dentro do forno apagado) e deixar o tempo se encarregar de dobrar o tamanho da massa como se por milagre! O Bolo de Reis levava quatro prendas todas de metal: um dedal (trabalho duro), uma aliança (casamento a vista), uma cruz (pagar pecados) e uma medalha de São Cristóvão (viagens próximas). Lá em casa, com meu pai cientista, sempre tivemos muito cuidado com a higiene. Então, estas prendas eram colocadas na água e lá as deixávamos fervendo até que vovó estivesse pronta para colocá-las na massa do bolo e com este gesto tão simples ajudar a desenhar o futuro de quem tirasse cada brinde no dia 6 de janeiro. O Bolo de Reis levava muitas coisas crocantes além das partes metálicas mencionadas acima: figos, peras cristalizadas, passas, pinhões, nozes, e uma dezena de outras coisas de que já não me lembro, mas que certamente ajudavam a fechar com chave de ouro o período natalino.
Até hoje procuro uma receita deste Bolo de Reis que possa duplicar a deliciosa sensação de comê-lo além da ansiedade da previsão de um futuro como imaginávamos. Tenho procurado há anos uma receita que duplique para mim este gosto do Natal. Mas por mais que o faça, não a consegui ainda. Às vezes acho que minha avó ia colocando coisas a mais, fora da receita, mas ultimamente me pergunto se não é só a minha saudade, a nostalgia de uma infância segura e feliz que não consigo duplicar. Hoje, já não há mais razão para que eu faça um Bolo de Reis. A maioria das pessoas à minha volta não tem idéia daquilo a que me refiro. Que pena! Não sabem o que perdem!
©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2009

Altar da Adoração dos Reis Magos, 1420-23
Gentile da Fabriano (Itália, 1370 – 1427)
Têmpera sobre madeira, 203 x 282 cm
Uffizi, Florença
[nota: abaixo três predellas , contam a vida anterior e posterior à cena retratada. Da esquerda para a direira: O nascimento de Jesus Cristo, A fuga para o Egito e à direita, A apresentação no templo e circuncisão]
Por vezes falarei aqui neste blog sobre religiões. Não necessariamente porque estou advogando uma específica, mas simplesmente porque muito do que fazemos e vemos no nosso dia a dia, muito do que pensamos e como pensamos, está direta ou indiretamente relacionado às religiões que formaram a cultura brasileira. Como historiadora da arte, para mim foi sempre essencial saber em que meio, em que cultura um quadro, uma escultura, um altar, uma imagem litúrgica teria sido feita para poder entender o porquê de certos detalhes. Assim como mencionei a festa judaica, o Festival de Luzes, em dezembro de 2008, hoje venho pensando no Natal, e nas festividades que estão aos poucos desaparecendo.
Hoje é dia 6 de janeiro, Dia de Reis, ou Dia dos Reis Magos. Atualmente quando falamos de magos há três imagens que nos vêm à memória, sem relação ao dia de hoje. 1 – pensamos em Paulo Coelho; 2 – pensamos na obra de Tolkien, O senhor dos anéis, 3 – pensamos na obra de J K Rolling, Harry Potter. Quase nenhuma criança, adolescente, jovem ou adulto se lembra primeiro de Gaspar, Belquior, e Baltazar, os reis que seguiram a estrela de Natal e levaram presentes para o bebê nascido na manjedoura.
O Dia de Reis é o décimo-segundo dia de Natal. E ainda é celebrado em muitas partes do mundo, em lugares onde a tradição da Igreja Ortodoxa grega impera, [aquela que é herdeira e mantenedora das tradições religiosas depois da Queda do Império Romano]. É nela que é no dia de hoje, lembrando os presentes dados pelos reis magos a Jesus, as pessoas trocam presentes de Natal.
Quando morei nos EUA fiquei surpresa de ouvir a grande maioria dos americanos cantando uma conhecida cantiga natalina, chamada The Twelve Days of Christmas, — os doze dias de Natal – sem terem a menor noção de que esses 12 dias se referem ao período do dia 25 ao dia 6 de janeiro. Não sabem também que a letra desta conhecida canção traz muitas referências à história da igreja católica na Grã-Bretanha. É por causa deste simbolismo dos 12 dias de Natal que tradicionalmente nós nos desfazemos dos nossos enfeites natalinos, inclusive da árvore de Natal, só depois do dia 6 de janeiro. No entanto, nos EUA, ao invés, as pessoas se desfazem de suas árvores de Natal no dia 31 de dezembro e no sul do país, onde morei por muitos anos, a tradição oral é: manter a árvore montada depois do dia primeiro traz má sorte. Esta atitude sempre me surpreendeu porque aquele é um país cristão e bastante religioso. Mas lá, já se perdeu a noção dos 12 dias do Natal.
Então, vejamos o que a canção natalina a que me referi realmente diz:
The Twelve Days of Christmas
On the first day of Christmas,
my true love sent to me
A partridge in a pear tree.
On the second day of Christmas,
my true love sent to me
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the third day of Christmas,
my true love sent to me
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the fourth day of Christmas,
my true love sent to me
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the fifth day of Christmas,
my true love sent to me
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the sixth day of Christmas,
my true love sent to me
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the seventh day of Christmas,
my true love sent to me
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the eighth day of Christmas,
my true love sent to me
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the ninth day of Christmas,
my true love sent to me
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the tenth day of Christmas,
my true love sent to me
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the eleventh day of Christmas,
my true love sent to me
Eleven pipers piping,
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree.
On the twelfth day of Christmas,
my true love sent to me
Twelve drummers drumming,
Eleven pipers piping,
Ten lords a-leaping,
Nine ladies dancing,
Eight maids a-milking,
Seven swans a-swimming,
Six geese a-laying,
Five golden rings,
Four calling birds,
Three French hens,
Two turtle doves,
And a partridge in a pear tree!
No 1º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Uma perdiz em uma pereira
No 2º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Duas rolinhas
No 3º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Três galinhas francesas
No 4º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Quatro pássaros
No 5º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Cinco sinos
No 6º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Seis gansos
No 7º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Sete cisnes
No 8º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Oito jovens que ordenham
No 9º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Nove senhoras dançando
No 10º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Dez senhores saltadores
No 11º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Onze flautistas tocando
No 12º dia de Natal meu verdadeiro amor me enviou…
Doze tocadores de tambor tocando-os
Esta letra vem do tempo em que a Inglaterra proibia a religião católica [1558-1829] e católicos ingleses e irlandeses precisavam achar uma maneira de passar para seus filhos os aprendizados religiosos. Tornaram-se então grandes especialistas em simbologia – assim como nós no Brasil da ditadura militar do século passado, passamos a falar em código sobre muito do que era proibido pelo governo. Então, voltando à Inglaterra, esta canção é ao mesmo tempo uma canção natalina e um trava-linguas, uma brincadeira infantil que pretende seduzir as crianças em aprenderem esta simbologia muito especial.
Amor verdadeiro = Jesus Cristo
Duas rolinhas: o Novo e o Velho Testamentos
Três galinhas francesas = as virtudes teológicas: Fé, Esperança e Caridade
Quatro pássaros = os quatro evangelhos / os quatro evangelistas
Cinco sinos = Pentateuco ou seja, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que mostram como o homem perdeu o Paraíso
Seis gansos = Seis dias da Criação
Sete cisnes = sete sacramentos
Oito jovens que ordenham = oito beatitudes
Nove senhoras dançando = nove frutos do Espírito Santo: alegria, amor, auto-controle, bondade, fidelidade, docilidade, nobreza de sentimentos, paciência, paz.
Dez senhores salteadores = dez mandamentos
Onze flautistas = onze fiéis discípulos
Doze Tocadores de tambor = doze pontos de fé do Credo dos Apóstolos
Lembrando os doze pontos de fé do Credo:
1. CREIO em — Deus Pai Todo-poderoso, Criador dos Céus e da terra.
2. E em Jesus Cristo, o seu único Filho, o nosso Senhor;
3. que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
5. desceu aos inferno, e ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos;
6. subiu ao céu e está assentado a direita de Deus Pai Todo-poderoso;
7. dali virá para julgar os vivos e os mortos.
8. Creio no Espírito Santo;
9. na santa Igreja católica, a comunhão dos santos;
10. o perdão dos pecados;
11. a ressurreição do corpo
12. e a vida eterna. Amém.”
Neste Natal que passou cheguei a ouvir algumas vezes esta canção (muito repetitiva e enfadonha) por aí, nas lojas que pretendem ser mais sofisticadas.
Feliz Dia de Reis!
—–
Nota sobre o altar de Gentile da Fabriano: Na minha opinião, este não é só o mais belo altar retratando a Adoração dos Reis Magos do estilo Gótico Internacional, mas talvez o mais belo que conheço, de todos os retábulos representando a Adoração do Reis Magos (são muitos) do período da Renascença e do Barroco europeus.

Grandes Horas de Ana da Bretanha
Bibliothèque nationale de France
Cota: Lat. 9474
Data: c. 1503-1508
Tamanho: 305 x 200 mm
476 páginas iluminadas com 49 miniaturas a toda página
337 iluminuras marginais com plantas, insectos e pequenos mamíferos
Pintor: Jean Bourdichon
Lugar de origem: Tours
Escrito em Latim
Natal
Mauro Mota
Natal antes e agora
imutável. Feliz
noite branca sem hora
no pátio da Matriz.
Natal: os mesmos sinos
de repiques iguais.
Brinquedos e meninos,
Natal de outros natais.
A Banda, vozes, passos
da multidão fiel.
Tudo nos seus espaços,
o mundo e o carrossel.
Tudo, menos o andejo
homem que se conclui.
Olho-me e não me vejo,
não sei para onde fui.
Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Editora Leitura: 1968, Rio de Janeiro
Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.
Obras:
Elegias (1952)
A tecelã (1956)
Os epitáfios (1959)
Capitão de Fandango (1960, crônica)
O galo e o cata-vento, (1962)
Canto ao meio (1964)
O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)
Poemas inéditos (1970)
Itinerário (1975)
Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)
Pernambucânia dois (1980)
Mauro Mota, poesia (2001)
Antologia poética, 1968
Antologia em verso e prosa, 1982.