A galinha cor de rosa, poema infantil de DUDA MACHADO

11 08 2008
A Galinha Cor de Rosa, de Keith Norval.

A Galinha Cor de Rosa, de Keith Norval.

 

 

A galinha cor-de-rosa

 

Era uma galinha cor-de-rosa,

Metida a chique, toda orgulhosa,

Que detestava pisar no chão

Cheio de lama do galinheiro.

 

Ficava no alto do poleiro

E quando saía do lugar,

Batia as asas para voar.

Mas seus pés acabavam na lama.

 

Aí armava o maior chilique,

Cacarejava, bicava o galo,

E depois, com ar de rainha,

Lavava os pés numa pocinha.

DUDA MACHADO

Do livro:

Histórias com poesia, alguns bichos e Cia. Duda Machado, Editora 34:2003

Carlos Eduardo Lima Machado, Duda Machado, nasceu em Salvador, BA em 1944. poeta professor de literatura e tradutor.  Tem diversos livros infantis entre outros publicados.

 

 

 





Os estados dos corpos — Poema infantil de Dulce Carneiro

10 08 2008

 

Os estados dos Corpos

 

Aprendi hoje na escola

(E confesso: achei custoso!)

Que os corpos têm três estados:

Sólido, líquido e gasoso.

 

Mas tanta atenção prestei,

Que compreendi num instante:

Sólido tem forma própria

E tem volume constante.

 

                   São sólidos o brilhante,

                   O ferro, o cobre, o carvão,

                   A madeira, o vidro, a argila,

                   O papel e o papelão…

 

                   Que o líquido toma a forma

Da vasilha que o contém

                   Compreendi, sem muito esforço,

                   E fiquei sabendo bem!

 

São líquidos, a cerveja,

O vinho, o vinagre, o azeite,

O licor, a limonada,

A tinta, a garapa, o leite…

 

Para aprender gasoso?

Franqueza: custei bastante!

Ele não tem forma própria

E nem volume constante.

 

                   São gasosos a fumaça,

                   O vento, as nuvens, o ar,

                   E o vapor d’água que faz

                   A locomotiva andar…

 

                   Quanto o saber nos eleva!

                   Quanto o saber nos dá gozo!

                   Os corpos têm três estados:

                   Sólido, líquido e gasoso.

 

Dulce Carneiro

 

 

 

Dulce Carneiro (SP 1870- SP 1942)  Poeta e professora.

 

Obras:

 

Folhas

Lições Rimadas

Revoada

 

Encontrado em:

 

Criança Brasileira: segundo livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1950.





Uma poesia para crianças para o Dia do PAPAI.

9 08 2008
Mauricio de Sousa

Ilustração: Maurício de Sousa

 

 

 

 

Porque domingo é o Dia dos Pais.

 

 

 

Dia do Papai

 

Meu coração bate tanto

que alegria nele vai!

Estou feliz, pulo, canto:

— Hoje é o dia do papai.

 

O papai essa criatura

a quem amo com ardor,

que faz minha ventura

e me trata com amor.

 

O papai que minha vida

torna feliz, sem par,

— Ó mamãezinha querida;

Vamos o papai beijar!

 

 

Recolhi este poema do meu livro de poemas de escola.  Não tenho o autor.  Naquela época não me importava com isso.  Eu estava na segunda série primária, de uma escola pública no Rio de Janeiro, quando comecei, graças à minha professora D. Yolanda, um caderno de poesias.  Nele colocava pequenas poesias, em geral dadas pela professora. Aos poucos ela nos incentivou a copiarmos poesias de que gostássemos.   Minha avó, espertamente,  me deu um belo livro de capa dura com a palavra POESIAS em letras douradas,com páginas em branco, que tenho até hoje.  Este era o único lugar em que eu podia escrever a tinta.  Lá estão os meus garranchos a bico de pena… Foi daí que veio não só a apreciação pela poesia, mas o hábito de ler poesias sempre.

 

 





Borba Gato e os diamantes, poema de Cassiano Ricardo

7 08 2008
Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost,

Charles Landseer (Inglaterra 1799-1879) Tropeiro Paulista, 1827, ost

 

Borba gato e os Diamantes

 

“Eu vou buscar diamantes”.

Foi quanto disse e já montou no rio

pôs mantimentos na garupa

levou o bugre pela frente

atrás do bugre o mameluco.

 

Montou no rio, então o rio

Logo desceu da cabeceira…

foi resmungando mas desenrolando

o corpo azul numa porção de voltas

mato a dentro à semelhança de uma

cobra muito grande que roncasse

e que passasse sacudindo

o rabo da cachoeira.

 

E levou na cacunda

em redemoinhos de água barafunda

uma porção de gente

armada de trabuco.

Formaram-se de pronto

alas de jacarés abrindo

a todo instante

a bocarra vermelha

no escurão do tijuco.

“Eu vou buscar diamantes”.

E armou seu barracão de couro

a quatrocentas léguas da partida.

 

Tudo correu, tudo saiu gritando!

Só porque um homem

chamado Borba Gato

armado de trabuco

entrou no mato…

 

 

Cassiano Ricardo

 

 

Do livro:  Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, para a 3ª série do curso primário, de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1954

 

 

Cassiano Ricardo Leite (SP 1895 – RJ 1974), jornalista, poeta e ensaísta;

 

Obras

 

 

Dentro da noite (1915)

A flauta de Pã (1917)

Jardim das Hespérides (1920)

A mentirosa de olhos verdes (1924)

Vamos caçar papagaios (1926)

Borrões de verde e amarelo (1927)

Martim Cererê (1928 )

Deixa estar, jacaré (1931)

Canções da minha ternura (1930)

Marcha para Oeste (1940)

O sangue das horas (1943)

Um dia depois do outro (1947)

Poemas murais (1950)

A face perdida (1950)

O arranha-céu de vidro (1956)

João Torto e a fábula (1956)

Poesias completas (1957)

Montanha russa (1960)

A difícil manhã (1960)

Jeremias sem-chorar (1964)

Os sobrebiventes (1971)





Leite com café, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

4 08 2008
Belli Studio.

Vaquinha ditosa. Ilustração: Belli Studio.

 

Leite com café

 

 

Sou garoto curioso,

e pra bem me instruir,

o que me é misterioso,

tento logo descobrir.

 

Sem certeza ou sem fé,

indago desde pequeno:

se a vaca bebesse café,

o leite seria moreno?

 

 

Maria da Graça Almeida

 

 

 

 

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.

 

 





A boneca — poesia infantil de Olavo Bilac

2 08 2008
A boneca quebrada ilustração de Cristina Rosetti

A boneca quebrada ilustração de Christina Rossetti

 

 

A  BONECA

 

 

Deixando a bola e a peteca,

Com que inda há pouco brincavam,

Por causa de uma boneca,

Duas meninas brigavam.

 

Dizia a primeira: “É minha!”

  “É minha!” a outra gritava;

E nenhuma se continha,

Nem a boneca largava.

 

Quem mais sofria (coitada!)

Era a boneca. Já tinha

Toda a roupa estraçalhada,

E amarrotada a carinha.

 

Tanto puxaram por ela,

Que a pobre rasgou-se ao meio,

Perdendo a estopa amarela

Que lhe formava o recheio.

 

E, ao fim de tanta fadiga,

Voltando à bola e à peteca,

Ambas, por causa da briga,

Ficaram sem a boneca…

 

                                                        Olavo Bilac

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Muito antes de Fernando Pessoa dizer que sua pátria era sua língua, já Olavo Bilac havia proclamado:  A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.

Outras ilustrações de Christina Rossetti neste blog:

 

Gato e Rato

Os músicos de Bremen

 

 





Xadrez — poesia infantil de Sidonio Muralha

31 07 2008

 

 

 

Xadrez    

 

 

É branca a gata gatinha

É branca como farinha.

É preto o gato gatão

É preto como o carvão.

E os filhos, gatos gatinhos,

São todos aos quadradinhos.

Os quadradinhos branquinhos

Fazem lembrar mãe gatinha

Que é branca como a farinha.

Os quadradinhos pretinhos

Fazem lembrar pai gatão

Que é preto como carvão

Se é branca a gata gatinha

E é preto o gato gatão,

Como é que são os gatinhos?

Os gatinhos eles são,

São todos aos quadradinhos.  

 

Sidonio Muralha, (Lisboa, 1920 – Curitiba, 1982)

 

 

Do livro:

A televisão da bicharada, Sidonio Muralha. Global: 1997, São Paulo. Originalmente publicado em 1962.

 

 





Itapetininga: o povo se acostuma às bombas!

30 07 2008

Luta nas trincheiras, Revolução de 1932

         Luta nas trincheiras, Revolução de 1932, Estado de São Paulo.

 

Itapetininga, 28 e 29 de julho de 1932

 

 

 

Descem tropas para as localidades do sul.  Há grande ansiedade pela terminação da luta.  Reina desânimo na população, posto que os soldados marcham resolutos para as trincheiras.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

 

Há relativa calma na cidade.  O povo já se habituou aos combates a poucos quilômetros  e às visitas dos aviões que aqui desovam de vez em quando, algumas bombas.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 131-132, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

Enquanto isso, na capital e no resto do estado a população dá apoio total sem restrições às tropas e soldados voluntários.  São Paulo, capital, Revolução de 1932.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 

 

Itapetininga, 30 de julho de 1932

 

 

 

Continuam prisões de pessoas suspeitas.  É geral o ardor do paulista pela causa de S. Paulo.  Nota-se grande animação por parte dos soldados que aqui chegam para combater as forças do governo federal.  

 

 

 Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 132, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

 





Paisagem do sertão, de Luis Delfino, poesia infantil

29 07 2008
Cena de interior, 1891; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

Cena de interior, 1981; Armando Vianna (Brasil 1897-1992) aquarela

 

 

PAISAGEM DO SERTÃO

 

Pelo sapê furado da palhoça

Milhões de astros agarram-se luzindo;

O pai há muito madrugou na roça.

A mãe prepara o almoço.  O dia é lindo.

 

Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa

O fumo dos tições; anda zunindo

À porta um marimbondo e fazem troça

As crianças com um ramo o perseguindo.

 

Correm, chilram, vozeiam, tropeçando

Num velho pote; a mãe zangada ralha,

A avó lhes lança um olhar inquieta e brando.

 

No chão, um galo ajunta o milho e espalha,

Enquanto a um canto, as plumas arrufando,

Põe a galinha no jacá de palha.

 

Luís Delfino

 

 

Do livro: Vamos estudar, de Theobaldo Miranda Santos, 3ª série; Agir: 1952, Rio de Janeiro.

 

 

Luís Delfino dos Santos (SC 1834 – RJ 1910)—Formado em medicina, tornou-se político e poeta brasileiro, foi Senador por Santa Catarina.  Prolífico poeta, escreveu mais de 5000 poemas.  Publicou-os em jornais e revistas da época.  Sua obra, em livros, foi toda publicada postumamente.

 

 





A canção dos tamanquinhos, poema infantil, Cecília Meireles

28 07 2008
Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

Detalhe do quadro de Van Eyck, O noivado dos Arnolfini

 

A CANÇÃO DOS TAMANQUINHOS

 

 

 

Troc…  troc…  troc…  troc…

ligeirinhos, ligeirinhos,

troc…  troc…  troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

Madrugada.   Troc…  troc… 

pelas portas dos vizinhos

vão batendo, Troc…  troc… 

vão cantando os tamanquinhos…

 

Chove.  Troc…  troc…  troc… 

no silêncio dos caminhos

alagados, troc…  troc…

vão cantando os tamanquinhos…

 

E até mesmo, troc…  troc…

os que têm sedas e arminhos,

sonham, troc…  troc…  troc…

com seu par de tamanquinhos…

 

 

Cecília Meireles

 

 

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, jornalista.

 

Obras

 

Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

DETALHE: Van Eyck, o noivado dos Arnolfini

 

 

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa