Poema de Murillo Araújo no DIA DA BANDEIRA — 19 de novembro

19 11 2008

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COM AS ESTRELAS NATAIS

 

Murillo  Araújo

 

 

Alta, nas nuvens e nos ventos, alta,

no turbilhão se enrola e se levanta.

Como a bandeira de heroísmo salta!

Como a bandeira de heroísmo canta!

 

Ondeia audaz.  Sonha nos grandes mastros

por entre incandescências de arrebóis.

Vibram em suas asas de ouro e de astros

as almas legendárias dos heróis.

 

Oh contemplar assim, por toda a vida,

os seus clarões sublimes e supremos!

Resplende, em sua rama enflorescida,

o céu de estrelas sob o qual nascemos.

 

No exílio… à morte, pela terra imensa,

possamos vê-la rútila e imortal…

e se a tivermos sobre nós suspensa

nós dormiremos sob o céu natal.

 

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 

 

 

Murillo Araújo – ou Murilo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.

 

Obras:

 

Carrilhões (1917)  

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

 

Prosa:

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (19510 — uma biografia do compositor Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)

 

Outros poemas de Murillo Araújo (Murilo Araújo neste blog):

Dois tesouros na pátria

Romance dos Dois Pedros

Dia de festa





O guarda-chuva — poema de Mauro Mota para uso escolar

18 11 2008

Ilustração Mauricio de Sousa

 

 

 

O Guarda-chuva

 

 

Mauro Mota

 

 

Meses e meses recolhida e murcha,

sai de casa, liberta-se da estufa,

a flor guardada ( o guarda-chuva).  Agora,

cresce na mão pluvial, cresce.  Na rua,

sustento o caule de uma grande rosa

negra, que se abre sobre mim na chuva.

 

 

Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, P.87

 

 

 

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.

 

Obras:

 

Elegias (1952)

A tecelã (1956)

Os epitáfios (1959)

Capitão de Fandango (1960, crônica)

O galo e o cata-vento, (1962)

Canto ao meio (1964)

O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)

Poemas inéditos (1970)

Itinerário (1975)

Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)

Pernambucânia dois (1980)

Mauro Mota, poesia (2001)

Antologia poética, 1968

Antologia em verso e prosa, 1982.

 





Compro um barco cheio de vento — poesia para crianças Roseana Murray

9 11 2008

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Compro um barco cheio de vento

                                                           Roseana Murray                                     

 

 

Compro um barco cheio de vento

com velas cor do firmamento

e uma bússola que aponte sempre

para as luas de saturno.

Compro um barco que conheça

caminhos secretos de mares desconhecidos.

Um barco feito de vento

onde caibam todos os meus amigos.

Compro um barco que saiba decifrar

os segredos escondidos

no coração das noites sem luar.

 

Em: Classificados poéticos de Roseana Murray, Miguilim: 1998, Belo Horizonte, 17ª edição.

 

Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).

Obras:

Poesia para crianças e jovens

Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008

Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008

Residência no Ar, ed. Paulus, 2007

No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007

Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006

O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.

O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.

O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.

Paisagens, ed. Lê, 2006.

Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).

Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).

Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).

Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.

Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).

Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.

Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)

Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.

Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.

Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)

Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )

Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )

Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.

Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.

O Silêncio dos Descobrimentos,  com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.

Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )

Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006

No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.

O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

Paisagens, ed. Lê, 1996.

Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável  para a Criança, F.N.L.I.J. )

De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado

Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.

Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara

Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado

Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.

Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.

Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.

O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.

Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado

Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )

No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.

Contos para crianças e jovens

 

Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.

Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.

Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.

Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.

Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.

Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.

Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).

Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996

O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002

Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.

Poesia

Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.

Poesia essencial, ed. Manati, 2002.

15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.

Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.

Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.

Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado

Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.

Revista Poesia Sempre.

Revista Microfisuras, Espanha

Correspondência

Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).





Metamorfose — poema de Cassiano Ricardo — para crianças

6 11 2008

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Domingos Jorge Velho, o bandeirante (DETALHE)

Benedito Calixto (Brasil 1853 — 1927)

METAMORFOSE

 

 

                                                 Cassiano Ricardo

 

 

Meu avô foi buscar prata

mas a prata virou índio.

 

Meu avô foi buscar índio

mas o índio virou ouro.

 

Meu avô foi buscar ouro

mas o ouro virou terra.

 

Meu avô foi buscar terra

e a terra virou fronteira.

 

Meu avô, ainda intrigado,

foi modelar a fronteira:

 

E o Brasil tomou a forma de harpa.

 

 

Em: Martim Cererê, Cassino Ricardo, José Olympio:1974, Rio de Janeiro, 13ª edição.

 

 

 

 

Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.

 

 

Obras:

 

 

Dentro da noite (1915)

 

A flauta de Pã (1917)

 

Jardim das Hespérides (1920)

 

A mentirosa de olhos verdes (1924)

 

Vamos caçar papagaios (1926)

 

Borrões de verde e amarelo (1927)

 

Martim Cererê (1928 )

 

Deixa estar, jacaré (1931)

 

Canções da minha ternura (1930)

 

Marcha para Oeste (1940)

 

O sangue das horas (1943)

 

Um dia depois do outro (1947)

 

Poemas murais (1950)

 

A face perdida (1950)

 

O arranha-céu de vidro (1956)

 

João Torto e a fábula (1956)

 

Poesias completas (1957)

 

Montanha russa (1960)

 

A difícil manhã (1960)

 

Jeremias sem-chorar (1964)

 

Os sobreviventes (1971)

 

 

– –  —   – –  —  —

 

Benedito Calixto de Jesus (Itanhaém, 14 de outubro de 1853 — São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor, desenhista, professor e historiador brasileiro.

 

 

 

 

 





Os coelhinhos — poema infantil de Odylo Costa, Filho

3 11 2008

 

Os coelhinhos

 

                               Odylo Costa, Filho

 

 

 

Iam dois coelhinhos

andando apressados

para o Céu – com medo

de serem caçados.

 

E também com medo

de passarem fome.

Pois – quando não dorme –

O coelhinho come.

 

E ainda tinha os filhos

que a coelha esperava…

O Céu era longe

E a fome era brava.

 

Jesus riu, com pena:

Fez brotar na Lua

— para eles – florestas

de cenoura crua.

 

 

 

Odylo Costa, Filho (MA 1914-  RJ 1979) – formado em direito, foi diplomata, ensaista, jornalista, cronista, novelista e poeta.

 

 

 

Obras:

 

Graça Aranha e outros ensaios (1934)

Livro de poemas de 1935, poesia, em colaboração com Henrique Carstens (1936)

Distrito da confusão, crônicas (1945)

A faca e o rio, novela (1965)

Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia (1966)

Maranhão: São Luís e Alcântara (1971)

Cantiga incompleta, poesia (1971)

Os bichos do céu, poesia (1972)

Notícias de amor, poesia (1974)

Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão, ensaio (1975)

Boca da noite, poesia (1979)

Um solo amor, antologia poética (1979)

Meus meninos e outros meninos, artigos (1981).

Outro poema de Odylo Costa Filho neste blog:

O astronauta





Frutos — poema infantil de Eugênio de Andrade

2 11 2008

Tangerina no café da manhã © Ladyce West, Rio de Janeiro: 2006

 

FRUTOS

Eugênio de Andrade

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor, 
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

 

Eugênio de Andrade nasceu em  Póvoa da Atalaia, em Portugal. Viveu em Lisboa, em Coimbra e no Porto.  É considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.

Obras:

As Mãos e os Frutos,1948);
Os Amantes sem Dinheiro,1950;
As Palavras Interditas,1951;
Até Amanhã,1956;
Coração do Dia, 1958;
Mar de Setembro, 1961;

Ostinato Rigore
, 1964;
Antologia Breve, 1972;
Véspera de Água, 1973;
Limiar dos Pássaros,1976;
Memória de Outro Rio, 1978;

Rosto Precário,
1979;
Matéria Solar, 1980;
Branco no Branco, 1984;
Aquela Nuvem e Outras, 1986;
Vertentes do Olhar, 1987;
O Outro Nome da Terra, 1988;
Poesia e Prosa, 1940-1989;
Rente ao Dizer,
1992;
À Sombra da Memória, 1993;
Ofício de Paciência, 1994;
Trocar de Rosa / Poemas e Fragmentos de Safo, 1995;
O Sal da Língua,1995





Casa amarela, poesia de Marília Fairbanks Maciel para crianças

30 10 2008

Ilustração de Lívia

Casa Amarela

 

Em dias distantes,

Alegres, ruidosos,

Vivi nessa casa

Tão belos instantes!

Oh! Lembro-me bem

Da casa amarela,

Bem longa e comprida,

Em forma de trem.

E a gente, criança,

Correndo e gritando.

Um mundo de sonhos

Ficou na lembrança…

O som das risadas,

Dos choros também.

As flores colhidas,

Em fartas braçadas,

Deixaram perfumes

Gravados em mim.

Guardei borboletas,

Guardei vagalumes:

Lembranças queridas

Que eu trouxe de lá.

— Retalhos de sonhos,

Pedaços de vidas!

 

Mamãe nos chamando,

Com voz muito aflita.

As suas palavras

Estou escutando:

—  “Olá, criançada,

É hora da missa!”

— “É hora da escola!”

E a gente apressada,

Saía correndo,

Ouvindo o barulho

Do bonde que vinha

Nos trilhos, gemendo.

 

E agora, a saudade,

Em forma de um eco,

Vem, massa e distante,

Contar-me a verdade:

A casa amarela

Mudou de cor.

Perdeu seu encanto,

Não é mais aquela!

Mas dentro de mim,

A minha saudade

Em tom de balada

Cantando ficou:

— “A benção, mamãe!

A benção, papai

É tarde  eu já vou!”

Ai doce saudade

Da casa amarela!

Adeus, criançada!

É tarde… eu já vou!…

 

 

Marília Mendes Fairbanks Maciel ( Matão, SP 1924 – 2012), poeta, romancista, contista e artista plástica.

 

Obras:

 

Oferenda, 1962 – poesia

Momento sem tempo, 1970 — poesia

Tempo de saudade, 1971 — poesia

Janela Acesa, 1972, — poesia

O que o conto não conta, 1975 — contos

A semente, 1977 — romance

 

 





Os gostos de Briolanja — poesia infantil de José Jorge Letria

27 10 2008
Ilustração de Mauricio Sousa

Ilustração de Mauricio Sousa

 

Os gostos de Briolanja

A princesa Briolanja
gostava muito de canja
e de sumo de laranja.
No dia do casamento,
num estremecimento,
em vez de um palácio
pediu uma granja,
para nunca sentir falta
de sumo de laranja
nem do caldinho de canja,
coisa que na Corte
nem sempre se arranja.

 

José Jorge Letria, Mão-Cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1998.

 

José Jorge Alves Letria (n. Cascais, 8 de Junho de 1951) é um jornalista, político, poeta e escritor português.





Poema — Fernando Pessoa — para crianças

24 10 2008

 

Parati: lembrança do passado, 1958

Armando Viana (RJ 1897- RJ 1992)

óleo sobre tela, Coleção Particular

 

POEMA

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que tanjas perto,

Quando passo sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto saudade de perto.

 

 

Fernando Pessoa

 

Vocabulário: 

 

dolente – triste

me tanjas – me toques

errante – sem destino

 

 

Em:

Poemas para a infância: antologia escolar, Henriqueta Lisboa, Edições de Ouro:s/d, Rio de Janeiro

 

 

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.





O engenho do ovo… poesia infantil de Wilson W Rodrigues

22 10 2008
Engenho de açúcar, MEC

Engenho de açúcar, MEC

 

O Engenho do Ovo…

 

                        Wilson W Rodrigues

 

A madrinha era pobre,

tão pobre, que no batizado,

um ovo bem pequenino

deu de presente ao afilhado.

 

Do ovo nasceu uma pintinha,

que de pinta se fez franga,

e de franga se fez galinha

com olhinhos de sapiranga.

 

A galinha deu ninhada,

que encheu o galinheiro,

e vendendo essa ninhada

o rapaz ganhou dinheiro.

 

Com o dinheiro comprou um porco,

que matou para vender;

então comprou uma bezerra

que como ele estava a crescer.

 

A bezerra se fez vaca

e no rapaz a barba cresceu.

A vaca deu tanto filho,

que o rapaz enriqueceu.

 

E agora já bem taludo

dono de grande criação,

o rapaz comprou Engenho

como era sua ambição.

 

De um ovo de batizado,

dado com todo empenho,

um felizardo afilhado

acabou senhor de engenho.

 

Wilson R. Rodrigues

 

Vocabulário:

 

Olhos de sapiranga – olhos sem pestanas

Nunhada – todos os pintos que nascem de uma vez

Taludo – crescido, forte

Ambição – desejo

Empenho – boa vontade

Senhor – dono

 

Em:

 

Leituras Infantis, 2° livro, Theobaldo Miranda Santos, Agir:1962, Rio de Janeiro

 

Wilson Woodrow Rodrigues, nasceu em 1916 em Salvador, BA.  Foi poeta, folclorista e jornalista.

 

 

Obras:

 

A caveirinha do preá,  Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro

O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro

O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro

Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro

Bahia flor, 1948 (poesias)

Folclore Coreográfico do Brasil, 1953

Contos, s/d

Contos do Rei-sol, s/d

Contos dos caminhos, s/d

Pai João, 1952