Hahahaha!!!!! Riso surgiu de ancestral comum…

9 06 2009

gargalhada 11

Quando os cientistas se dispuseram a encontrar as raízes do riso, alguns gorilas e chimpanzés sentiram cócegas para ajudar. Literalmente.

 Foi assim que pesquisadores fizeram uma variedade de macacos, e alguns bebês humanos, rirem. Depois de analisar os sons, concluíram que pessoas e grandes símios herdaram a risada de um ancestral comum, que viveu há mais de 10 milhões de anos.

Especialistas elogiaram o trabalho. Ele oferece evidências muito fortes de que o riso humano e o símio estão ligados pela evolução, disse Frans de Waal, do Centro Nacional Yerkes de Pesquisa com Primatas.

 

Desde o tempo de Charles Darwin que cientistas notam que macacos fazem sons característicos enquanto brincam ou quando recebem cócegas, aparentemente num sinal de interesse na brincadeira.

Já havia sido sugerido que o riso humano teria raízes nos primatas. Mas a risada primata não soa como riso humano. Ela pode ser um arfar rápido, uma respiração ruidosa ou uma curta série de grunhidos.

 risinho, eloise wilkin

Risinho, ilustração de Eloise Wilkin.

Então, o que isso teria a ver com gargalhada humana?

 

Para investigar a questão, Marina Davila Ross, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, e colegas realizaram uma detalhada análise  dos sons evocados quando se faz cócegas em três bebês humanos e 21 orangotangos, gorilas, chimpanzés e Bonobos.

Após medir 11 características no som de cada espécie, eles mapearam possíveis relações entre cada um. O resultado parece uma árvore genealógica. Significativamente, a árvore combina com o modo pelo qual as espécies de relacionam, informam os cientistas na edição online da revista Current Biology.

Eles também concluíram que, embora o riso humano soe muito diferente das versões simiescas, suas características peculiares podem ter surgido a partir de peculiaridades partilhadas com as outras espécies e herdadas de ancestrais.

FONTE:  O Estado de São Paulo, Online





Retrato do professor brasileiro

9 06 2009

professora com aluno, dia da professora

O jornal O Estado de São Paulo na sua versão ONLINE, mostrou no dia 27 de maio, o resultado de uma pesquisa que retrata o perfil do professor no Brasil.  O censo foi feito pelo Ministério da Educação e mostra que mais de 60% lecionam em um turno e 40% têm uma única turma. Repito aqui o que foi descoberto.

 

1 —  Mais de 1.400.000 de professores leciona no ensino fundamental.

 

2 – Mulheres fazem a maioria com 81,6 %

 

3 – A média de idade é 38 anos.

 

4 – 63,8% dos professores lecionam em um único turno.

 

5 – 68,4 % dos professores têm curso superior;

 

6 – A grande maioria, 80,9%, leciona em uma única escola.

 

7 – 39,1% dos professores têm uma turma com a média de 35 alunos.

 

8 – 41,1% dos professores lecionam português ou línguas.

 

Será?  Você concorda?





Um planeta de gás 6 vezes o tamanho de Júpiter!

29 05 2009

novo planeta de gases 6 x maior que jupiter

 Desenho artístico baseado em descobertas científicas.

 

A descoberta de um novo exoplaneta por astônomos da NASA foi uma notícia de grande interesse nesta última semana.  Para descobri-lo, os especialistas utilizaram um método desenvolvido há mais de 50 anos chamado astrometria, ramo da astronomia que trata das medidas dos corpos celestes.  Mas até agora o método não havia tido sucesso.  Finalmente, esta foi a vez me que a mágica funcionou:  finalmente a astrometria provou a que veio.  A técnica procura por novos exoplanetas – corpos que giram em torno de uma estrela (como a Terra ao redor do Sol) – em outros sistemas solares. Até o momento, foram encontrados mais de 347 planetas em 243 estrelas.

O planeta em questão possui uma massa seis vezes superior à de Júpiter e fica a 20 anos-luz da Terra, na constelação de Aquila, informou nesta quinta-feira o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL). O gigante gasoso VB 10b pode ser um planeta frio porque orbita consideravelmente longe de sua estrela, de acordo com os cientistas.

 B-VB10b_diagram-500

 Desenho artístico baseado em descobertas científicas.

 A astrometria consiste basicamente em medir precisamente os movimentos de uma estrela junto à influência gravitacional de planetas que ainda não foram observados. O método requer medições exatas durante longos períodos de tempo.  O sucesso veio com a descoberta desse planeta gasoso:  VB 10b que gira em torno de uma estrela bem pequena.  Todos os corpos do diagrama estão desenhados em escalas de tamanho relativas.

O sistema de que o planeta VB10b faz parte é o menor sistema estelar a ter um planeta em órbita.  Sua estrela é uma anã-M  — VB10 — que tem só 1/10 do tamanho e 1/12 de massa do nosso sol.  O seu planeta, no entanto é bem grandinho: 6 vezes maior que Júpiter.   O sistema VB10 é essencialmente uma versão menor do nosso sistema solar.  Apesar de seu planeta estar numa distância semelhante à distancia em que Mercúrio se acha do nosso sol,  ele não recebe tanto calor e poderia ser classificado como um Júpiter frio  se o compararmos ao nosso próprio sistema.  Se algum planeta rochoso orbitar no sistema VB10 estará localizado bem mais próximo do centro do que o planeta VB10b e poderá estar numa zona habitável – ou seja – uma região onde as temperaturas são boas para a água permanecer no estado líquido.

 Segundo o autor das observações, Steven Pravdo, do JPL, a técnica usada, astrometria, é ótima para encontrar configurações similares às do Sistema Solar conhecido, podendo haver outros planetas com características como às da Terra. Pravdo explicou que o planeta parecido com Júpiter relativamente possui quase a mesma distância do original. “A diferença é que orbita em torno de uma estrela muito menor”, afirmou.

O pesquisador também sugeriu a possibilidade de existência de planetas rochosos, como a Terra, em torno da estrela do VB 10b.

 

Fontes:

Centauri Dreams

Planet Quest-Nasa

Terra Notícias





Livros proibidos: frutos proibidos

28 05 2009

 rossi4

Livros proibidos, 1897

Alexander Mark Rossi ( Inglaterra, 1840-1916)

Óleo sobre tela

Royal Academy, Londres

Quem quiser se deliciar com o espírito empreendedor de uma menina americana deve passar pelo blog BATATA TRANSGÊNICA e ler, como a jovem adolescente não só conseguiu burlar as restrições impostas por sua escola católica conservadora, mas como conseguiu também, com uma única idéia posta em prática seduzir estudantes que antes não liam livros em se tornarem leitores assíduos.

O efeito da proibição da leitura de uma série de livros muito conhecidos teve o efeito oposto ao que a direção da escola certamente esperava.  Esta revelação me lembrou uma ocasião na minha adolescência.  Meus pais eram, ambos, leitores sistemáticos e ecléticos, e nunca deixaram transparecer que vigiavam o que líamos.  Na verdade, para mim, pelo menos, eles pareciam até bastante liberais.  Quando fiz onze anos, minha mãe me deu um volume de José de Alencar: O Tronco do Ipê, com uma notinha, dizendo que eu já estava bem grandinha e que ela achava que agora eu já poderia ler alguns livros de adultos.  

Abracei O Tronco do Ipê como se fosse maná.  A fome de ficar adulta era grande.  E confesso que até hoje, este livrinho bem água-com-açúcar é de vez em quando relido para matar as saudades.  Qual não foi a minha surpresa então, ao descobrir, alguns anos mais tarde, que havia limites no que eu podia ler.  Boa parte da minha mesada, ou qualquer dinheiro que eu ganhasse extra – trabalhei pela primeira vez aos 16 anos – era gasta na compra de livros.  Meus livros!  Tinha um orgulho imenso de possuí-los.  Verdadeira rato-de-sebos, fui ajuntando um grupo pequeno de favoritos.  Lia muito e lia de tudo.  Principalmente livros de política e sociologia, que na época da ditadura eram proibidos.  

Mas um dia, aos quinze anos, cheguei em casa feliz com Trópico de Câncer, de Henry Miller.  Deixei rapidamente o livro no sofá da sala para fazer qualquer coisa lá dentro.  Quando voltei, para pegar o livro e lê-lo, tive uma surpresa.  Minha mãe havia se transformado na Bruxa Malvada da Branca de Neve.  Sério!  Com um ar de poucos amigos, ela me perguntou onde eu havia conseguido aquele livro?  Onde o havia comprado?  Porque ela queria ir até aquela livraria.  Como é que uma livraria responsável poderia vender tamanha pornografia para uma menina de quinze anos?  Eles estavam fora de ordem.  Eu era menor.  E assim continuou por muito tempo.  Meu coração diz horas, mas tenho certeza de que não deve ter passado de 20 minutos de reclamações e inquisições.  E aí, para meu maior espanto, ela pegou o livro NOVINHO e, na minha frente, rasgou-o em centenas de pedaços numa raiva avassaladora.  Fiquei pasma!  Aquilo era inconcebível.  Minha mãe, uma professora, rasgando livros!  Chorei, chorei de raiva, de frustração, de susto.  Foi como se ela tivesse me dado uma boa sova.  E mais tarde, ainda fiquei uma vez mais surpresa, quando meu pai chegou em casa e para meu espanto concordou com todas as decisões de mamãe inclusive com o rasgar do volume de Henry Miller.  

Só vim a ler Trópico de Câncer depois dos 30 anos.  E achei-o muito enjoado.   Mas entendo a fascinação que um livro proibido, ou um livro “para adultos” pode ter para um adolescente.  Minha mãe sabia disso também ou não teria me apresentado a José de Alencar daquela maneira.  A pergunta que fica: como é que educadores de uma escola onde há adolescentes, e ainda por cima de uma escola religiosa, que têm a obrigação de conhecer os motivos que levaram Adão e Eva a serem expulsos do Paraíso, como que eles, de repente, não se lembram de que o fruto proibido é sempre mais saboroso?  E se precisam proibir que proíbam com motivos sérios.  A lista de livros proibidos – que copiei do blog BATATA TRANSGÊNICA — repito aqui abaixo, é ridícula!  Não só grandes textos da cultura ocidental estão incluídos como textos pertinentes para qualquer boa educação, de Darwin ao Alcorão.  Eu tiraria meus filhos desta escola.  Não pensaria duas vezes!

A LISTA

Continue lendo »





Redação: os erros mais comuns!

17 05 2009
Ilustração de Susan B. Pearse, 1923 -- cartão postal

Ilustração de Susan B. Pearse, 1923 -- cartão postal

 

No site Brasil Escola, Sabrina Vilarinho, professora formada em letras fez uma lista fantástica sobre os erros mais comumente encontrados nas redações dos alunos. 

Coloco sua lista aqui, porque reconheço que esses erros existem por todo lado, e muito, muito mesmo nas postagens em blogs pessoais.  Então, gente, vamos prestar atenção porque é fácil corrigir os seus textos.  E lembrem-se, no mercado de trabalho de hoje, empregadores dão muito valor a quem possa escrever corretamente.  Então, é bom lembrar que:

Há alguns equívocos muito comuns em redações e, por este motivo, estão no patamar dos mais cometidos. Mas isso ocorre apenas por falta de conhecimento, portanto, uma vez informados, os estudantes não voltam a cometê-los.raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal: Houve muitas passeatasHá tempos não o vejoHavia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.

Vejamos, então, os 10 erros mais cometidos em redação: (não estão por ordem de importância)

1.Fazem dez anos que não vemos tantas mudanças”. O verbo “fazer” no sentido temporal, de tempo decorrido ou de fenômenos atmosféricos é impessoal, ou seja, fica no singular: Faz dez anosFaz muito frio

2.Houveram muitas passeatas nesta semana em prol da igualdade racial.” O verbo haver acompanha o mesmo raciocínio do verbo “fazer”, citado acima. No sentido de existir ou na ideia de tempo decorrido, o verbo haver é impessoal:  Houve muitas passeatasHá tempos não o vejoHavia algumas cadeiras disponíveis.aula, esta semana está sendo ótima, este dia vai ser abençoado, este ano está sendo o melhor de todos, esta noite veremos estrelas.


3.Para mim escolher, preciso de um tempo.” Na dúvida verifique quem é o sujeito do verbo. No caso, o verbo “escolher” não tem sujeito, pois “mim” não pode ser! O certo seria o pronome “eu”: para eu escolher. A expressão “para mim” só funciona quando é objeto direto: Traga essa folha para mim. Dessa forma, sempre diga e escreva: Para eu fazer, para eu levar, para eu falar, pois o verbo precisa de um sujeito!

4.Esse assunto fica ente eu e você!” Quando a preposição existe, neste caso “entre”, usa-se o pronome oblíquo. O correto é: entre mim e você ou entre mim e ti. Portanto, use pronome oblíquo tônico (mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas) após preposição: falava sobre mim, faça por nós, entre mim e você não há problemas, falavam entre si.

5.Há muito tempo atrás, comprei uma bicicleta.” O verbo “há” tem sentido de tempo passado, logo não há necessidade de adicionar “atrás”. Ou você escolhe um ou outro: Há muito tempoTempos atrás… Há dez anos… Dez anos atrás.

6.Então, pegou ele pela gola.” Quando for necessário que um pronome seja objeto direto (pegou algo: ele), nunca coloque pronome pessoal, opte pelo caso oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes): Pegou-o, avisou-o, apresentei-a, levou-nos, ama-me, leva-nos.

7. Aonde você estava? “Aonde” indica ideia de movimento, enquanto “onde” refere-se somente a lugar. Portanto: Onde você estava? E Aonde nós VAMOS agora?

8.A situação vinha de encontro ao que ele desejava.” Se é uma situação que a pessoa desejava, será: ao encontro de, expressão que designa favorecimento, estar de acordo. Já a locução “de encontro a” tem sentido de oposição, de choque: Ele foi de encontro ao poste.

9.Esse ano vamos fazer diferente.” Se é o ano vigente, então use o pronome “este”, uma vez que indica proximidade: Esta sala de

10. O verboadequar” é defectivo, isso quer dizer que não é conjugado de todas as formas. Assim: Isso não se adéquaEle não se adéqua… Eu não me adéquo… são orações equivocadas. Outros verbos também passam por este tipo de problema, como: abolir, banir, colorir, demolir, feder, latir. O verbo adequar é correto e usado com mais frequência nos modos infinitivo (adequar) e particípio (adequado).

Por Sabrina Vilarinho





Quadrinha infantil da boa aluna

28 04 2009

escrevendo

 

 

 

Que eu seja grande vadia

Não quero que pensem, não!

Não falto à escola um só dia

Sabendo sempre a lição.

 

 

 

 

Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício:  Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.

 

 

Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 32





Olhar no início do universo: NOVIDADES!

24 04 2009

blob-int1

Ilustração da ‘bolha’. A imagem corresponde a um diâmetro de dezenas de milhares de anos-luz.

 

 

 

Uma estranha e gigantesca “bolha”, avistada numa época em que o Universo era relativamente jovem, está intrigando os astrônomos.  Usando telescópios baseados no solo e no espaço, cientistas olharam para quando o Universo tinha apenas 800 milhões de anos, e descobriram algo desproporcional e anacrônico. era gasoso, enorme e emitia um tipo de radiação, explica o principal autor do estudo, Masami Ouchi, dos Observatórios Carnegie (EUA).

 

Os cientistas não sabem exatamente como se referir ao objeto, então o estão chamando de “bolha” que emite radiação. Eles usam a palavra – em inglês, “blob”, uma forma consagrada em filmes de terror como A Bolha Assassina  – 34 vezes no artigo científico que descreve a descoberta, e que será publicado no Astrophysical Journal. Formalmente, o nome dado é Himiko, uma rainha mitológica do Japão.

 

A questão é: o que é?”, diz Richard Ellis, do Instituto de Astronomia da Califórnia, que não tomou parte na descoberta. “Frequentemente, um enigma leva a um grande avanço. Meu instinto me diz que esse objeto é muito especial“.

 

Ouchi e Ellis dizem que uma possibilidade é de que, por pura sorte, os astrônomos tenham captado o momento exato da formação de uma galáxia no Universo primitivo, algo que jamais tinha sido visto antes.

 

À medida que olham para mais longe no espaço, cientistas também estão olhando cada vez mais para o passado. O que Ouchi descobriu aconteceu há 12,9 bilhões de anos. Apenas três outros objetos mais antigos já foram avistados.

 

O mais impressionante na “bolha” é seu tamanho, quase tão grande quanto a Via-Láctea. De acordo com muitas teorias sobre a história do Universo, nada tão grande deveria existir num tempo tão remoto. Outras explicações possíveis para a natureza de Himiko seriam uma colisão entre galáxias ou um fenômeno provocado por um buraco negro.

 

FONTE: Estadão on line

 





21 de abril, Dia de Tiradentes, pelos olhos de Tibicuera

20 04 2009

dsc06460

Capa da 4ª edição: 1947

 

 

 

 

 

Continuamos aqui com a narrativa sobre Tiradentes e sua morte, pelos olhos de Tibicuera.

 

 

41

 

A cabeça na ponta do poste

 

 

Um tal Joaquim Silvério dos Reis, coronel dos dragões, tinha denunciado os conspiradores.

 

Para encurtar o caso:  Cláudio Manoel da Costa enforcou-se na prisão.  O poeta Gonzaga foi mandado para a África, para bem longe da Marília dos seus sonhos.  Muitos tiveram a  mesma sorte.  Outros foram condenados à morte.

 

Chegaram-nos notícias de Tiradentes.  Submetido a interrogatórios repetidos, ele insistia em negar a culpabilidade dos amigos.  Dizia-se o único responsável por tudo: o animador, o chefe e principal culpado da tentativa de revolta.

 

A pena de morte dos outros foi comutada.  Mas Tiradentes foi levado à forca.  Eu não quis assistir ao seu martírio.  Sei que ele manteve a coragem e a fé até o fim.  Não fraquejou.  Foi levado para o patíbulo num cortejo assustador.  Devia impressionar naquela bata branca que ia ser sua mortalha.  Levava na mão um crucifixo preto, para o qual ele olhou o todo o tempo, murmurando preces.

 

Quando me disseram que o corpo de Tiradentes fora esquartejado, sendo sua cabela espetada na ponta de um poste  — estremeci de raiva e cheguei a chorar de sentimento.  E não sei se por influência dos versos de Gonzaga, começou a dansar em minha cabeça esta frase: “Aquela cabeça na ponta do poste é uma bandeira, a bandeira da nossa liberdade.”

 

Foi assim que terminou a aventura da “Inconfidência Mineira”.  Foi assim que perdi o meu amigo José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes.  

 

 

 

 

Em: As aventuras de Tibicuera: que são também as aventuras o Brasil, Érico Veríssimo, Porto Alegre, Livraria do Globo: 1947, 4ª edição., ilustrado por Ernst Zeuner.





Prece a Xavier, o Tiradentes — poema de Murilo Araújo pelo 21 de abril

20 04 2009

eduardo-de-sa-julgamento-da-inconfidencia-museu-historico-nacional-ost

Julgamento da Inconfidência, 1921

Eduardo de  Sá ( RJ, 1866 – RJ, 1940)

Óleo sobre tela

Museu Histórico Nacional

 

 

 

 

 

 

 

Prece a Xavier,  o Tiradentes

 

                                               Murilo Araújo

 

 

 

Marchaste, sem tremer, na alva dos condenados.

 

 

Ela voava ao vento,

alva como tua alma.

E galgaste os degraus da tortura

descalço.

 

 

Mas que enormes degraus!  Iam a tal altura

que por eles, chegaste ao céu, ao sol, a Deus,

subindo ao cadafalso.

 

 

Alferes Xavier – é inesperada e estranha

a Luz Providencial!

Envolve num fracasso a maior das vitórias;

faz perder quem mais ganha;

e arroja à morte –

à morte –

o justo que elegeu para ser imortal.

 

 

E assim a insurreição sagrada

que te santificou –

tu, que eras o menor,  foste o maior na glória;

tua lenda dourada

mais do que todas na memória se elevou.

 

 

Tinham todos bons títulos de efeito

os teus irmãos na grande Inconfidência.

 

Tu que não eras doutor, ó guarda do Direito;

não eras sacerdote, ó  mártir da consciência;

nem comandaste – herói – como Freire de Andrade,

um terço de dragões…

Tinhas no cofre da alma a pureza e a verdade

e essa indomável vocação da liberdade

mais poderosa que togas e legiões.

 

 

Ah!  As multidões da terra

exaltam todas, como gênios tutelares,

grandes falcões de guerra

de cujas garras brota o raio e a morte desce…

Mas, ando do Brasil, — tu mereces altares,

porque, invés de matar, foste morrer estóico

por um destino que hoje em luzes resplandece!

 

 

Inabalável, foste a Fé que, decidida,

serenamente,  voluntária, se imolou.

Com a própria vida deste à Pátria vida;

e a oferenda de sangue trouxe ao povo

um prêmio que do Céu, que de Deus lhe alcançou.

 

 

Vinda a hora funesta,

Deus quis que os opressores

cercassem tua morte em rumores de festa,

levassem teu cortejo ao rufo de tambores

e ao grito  do clarim,

e adornassem a rua e as fachadas com flores,

contentes os senhores,

pois morrias enfim…

 

 

Mas  — que pura ironia a desse instante! –

glorificaram, sem saber, a redenção…

porque, com tua morte triunfante,

surgiu formada e indestrutível

a Nação!

 

 

Alferes Xavier, entre os teus, meu patrício,

tu que eras o menor,

cresceste tanto na coragem e sacrifício,

que deixaste no pó todos em derredor.

 

 

Onde estão hoje tantos juízes e fidalgos?

Onde os soldados?  Os esbirros da tortura?

Onde esses nobres de brasão e de arcabuz?

 

 

Ah!  Pisavam tão forte … e pisaram em falso!

Mas na tua hora escura,

subindo, humílimo, os degraus do cadafalso,

Alferes Xavier, chegaste à grande Luz.  

 

 

 

 

Encontrado em:

 

O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da  Poemas Completos de Murillo Araújo [Murilo Araújo], 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960

 

 

 

Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.

 

 

 

Obras:

 

Carrilhões (1917) 

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

 

 

Prosa:

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (19510 — uma biografia do compositor Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)

 

 

———————-

 

 

Eduardo de Sá (Rio de Janeiro RJ 1866 – idem 1940). Escultor, pintor e restaurador. Frequenta aulas particulares de escultura com Rodolfo Bernardelli e estuda na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, entre 1883 e 1886, com Victor Meirelles, Zeferino da Costa, José Maria de Medeiros e Pedro Américo. Em 1888, em Paris, estuda na Académie Julian, onde foi aluno de Gustave Boulanger e de Jules Joseph Lefebvre. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o restauro do escudo do teto da entrada da capela da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

Outros poemas de Murillo Araújo (Murilo Araújo neste blog):

 

Dois tesouros na pátria

Romance dos Dois Pedros

Dia de festa

Com as estrelas natais





Tibicuera acompanha Tiradentes!

19 04 2009

tibicuera

Tibicuera, 1937

Ernst Zeuner, (1895-1967)

Ilustração: As aventuras de Tibicuera

 

 

 

 

 

Neste Dia do Índio, tão próximo do Dia de Tiradentes, nada melhor do que nos lembramos do mártir da independência através dos olhos de Tibicuera.  Para quem não sabe quem é Tibicuera, posso adiantar que ele é um indiozinho, criação do grande escritor gaúcho, Érico Veríssimo.  Tibicuera nasceu no século XV e presenciou a chegada dos portugueses.  Como seu amigo Pajé lhe ensinou um segredo, Tibicuera viveu muito tempo, sendo capaz de acompanhar a história do Brasil de seu descobrimento até 1940.   Assim, foi testemunha grande parte da nossa história.  

 

Aqui está o que ele testemunhou da Inconfidência Mineira.

 

 

 

 

40

 

A CONSPIRAÇÃO

 

 Uma noite os conspiradores se reuniram na casa de Tiradentes.  Tive o prazer de lhes fazer um bom café.  Enquanto eles discutiam, fiquei junto da porta, indo de quando em quando passear pelo corredor e espiar pela fresta da janela, a ver se se aproximava algum vulto suspeito.

 

As pessoas que lá estavam eram Joaquim José da Silva Xavier, o meu querido chefe; Alvarenga Peixoto, o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrada, José Álvares Maciel, o padre Carlos Correa de Toledo e Melo, o coronel Domingos de Abreu…  e não me lembro mais de nenhum outro nome.

 

O plano era simples.  Quando o governo fizesse a cobrança dos impostos – a “derrama” – explodiria o movimento.  A senha era esta:  Hoje faço o meu batizado.

 

O povo se revoltava, conseguia a adesão dos dragões, que seriam influenciados por Tiradentes e pelo seu comandante Paula Freire de Andrada.  Prenderiam as autoridades portuguesas.  Libertariam os escravos.  Instalariam muitas fábricas importantes – todas as fábricas que um decreto recente de Portugal proibira de funcionar no Brasil. E a nova nação teria uma bandeira com este dístico: Libertas quæ sera tamen. Quando os incofidentes falaram nisto, não gostei.  Eu não entendia.  Fiquei sabendo depois que era uma frase latina do poeta Virgílio.  Queria dizer: Liberdade, ainda que tarde.

 

O padre Toledo junto com Alvarenga Peixoto conseguiu convencer o desembargador Tomás Antônio Gonzaga e o dr. Cláudio Manuel da Costa a aderirem ao movimento.  Gonzaga era poeta.  Estava apaixonado por uma moça, Dorotéia.  Fazia versos em que lhe dava o nome de Marília.  Sempre impliquei com este costume que os poetas têm de não darem o  nome verdadeiro às coisas.  Mas eu gostava de Gonzaga, que era um homem melancólico de ar sonhador.  Muita vez levei recados seus à noiva.  Foi um romance bonito mas que não teve aquele final dos romances antigos: Casaram-se e foram muito felizes.

 

A idéia marchava.  Tiradentes resolveu ir até o Rio a serviço da revolução. Acompanhei-o montado num burro emprestado.  Foi uma viagem dura.  Chegamos à capital do Brasil e uma tarde percebi que estávamos sendo seguidos.  Disse de minhas desconfianças a Tiradentes.  Ele sorriu e troçou:

 

— Tibicuera está vendo fantasmas…

 

Mas eu sentia a nosso redor a sombra de espiões.  Passei a andar inquieto e de olho alerta.

 

Tiradentes parava na casa de um amigo na rua dos Latoeiros, que hoje se chama Gonçalves Dias.  Um dia ouvimos barulho de passos na rua.  Devia ser uma patrulha, a julgar pela cadência das batidas no calçamento.  O dono da casa foi à janela e empalideceu.  Voltou-se para o hóspede e não teve voz para lhe dizer que a casa estava cercada.  Tiradentes compreendeu tudo num relance.  Gritou:

 

— Foge, Tibicuera!

 

E precipitou-se para a porta dos fundos.  Era tarde.  Prenderam-no cinco soldados.  Mais dois caminhavam para mim.  Dei um salto de tigre e desandei a correr pelo corredor…  Derrubei o primeiro homem que encontrei pela frente.  Escalei-o com a agilidade de um … de um homem perseguido.  Poucos segundos depois eu entrava na varanda de uma casa desconhecida onde duas mulheres se puseram a gritar.   Ganhei o pátio dessa casa, saltei por cima de novo muro e me vi noutra rua.   Comecei a andar com naturalidade.  Caminhei durante meia hora.  Estava fora de perigo.  Mas um pensamento tomara conta de mim:  Era preciso avisar os inconfidentes de Vila Rica.  Com as economias que tinha comprei um burro e me pus a caminho.  Quando, dias depois, cheguei a Vila Rica foi para saber que todos os inconfidentes estavam presos.  

 

 

 

 

Ernst Zeuner (1895 — 1967) foi um pintor, desenhista e ilustrador alemão, radicado no Brasil.  Zeuner estudou na Academia de Artes Gráficas de Leipzig e veio para o Brasil em 1922, mais especificamente, para Porto Alegre, onde realizou um trabalho de orientação e formação de muitos artistas gráficos gaúchos. Notabilizou-se pela contribuição dada à Revista do Globo, onde atuou como ilustrador.

 

 

Para outro trabalho de Ernst Zeuner, clique abaixo:

 

Imigrantes