Estudando a população dos pássaros por seus cantos

9 12 2009

 

Ilustração Milo Winter, década de 1930.

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Como qualquer observador de pássaros poderia dizer, na floresta, ouvir o canto das aves é mais fácil do que avistá-las. Agora, dois cientistas desenvolveram um sistema para estimar a densidade das populações de pássaros ao gravar suas canções com um conjunto de microfones.

O método oferece uma alternativa à forma mais comum de estimar as densidades populacionais de pássaros: o ouvido humano. Ouvintes humanos são empregados com frequência em estudos sobre pássaros, mas o trabalho deles fica bem aquém da perfeição, diz Murray Efford, da Universidade de Otago, em Dunedin, Nova Zelândia. Um problema especial, segundo ele, é que “não somos muito bons em estimar a que distância está a origem de um som“.

Efford e Deanna Dawson, do Serviço de Levantamento Geológico dos Estados Unidos (USGS), em Laurel, Maryland, desenvolveram um método que envolve o uso de múltiplos microfones espalhados pela mata. Ao gravar os pássaros em diversos lugares simultaneamente, os pesquisadores podem estimar a “impressão acústica” deixada por cada pássaro – ou seja, a área em torno dele na qual seu canto pode ser ouvido.

A dimensão dessa impressão acústica depende de parâmetros como o barulho dos pássaros e as propriedades acústicas da floresta. Assim, Efford e Dawson precisam tentar diferentes valores para esses parâmetros até que encontrem uma boa comparação com os dados registrados pelos microfones. Ao final do processo, os pesquisadores se tornam capazes de estimar a densidade da presença de pássaros sem que seja necessário determinar a localização dos pássaros ou conhecer a extensão da floresta.

Os cientistas experimentaram esse método com um pássaro conhecido como mariquita-de-coroa-ruiva (Seiurus aurocapilla), que vive no Refúgio de Pesquisa de Patuxent, perto de Laurel, Maryland. Apenas as mariquitas macho cantam, e a técnica permitiu estimar sua densidade em cerca de um pássaro macho a cada cinco hectares.

As constatações parecem confirmar estimativas computadas com base na captura de filhotes de pássaros por meio de redes. Além disso, os pesquisadores descobriram que a nova técnica oferecia mais precisão do que o método de captura com redes. O trabalho deles foi publicado na versão online da revista Journal of Applied Ecology.

Efford e Dawson afirmam que o método poderia ser usado para estimar as densidades de outros animais difíceis de localizar visualmente, entre os quais baleias e golfinhos. Len Thomas, um especialista em estatísticas ecológicas da Universidade St. Andrews, na Escócia, por exemplo, já está empregando método semelhante como parte de um esforço para monitorar as baleias minke (Balaenoptera acutorostrata) por meio dos sons que elas produzem.

Ilustração Maurício de Sousa.

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O número de baleias dessa espécie avistadas no Pacífico é muito baixo, mas os machos da espécie produzem um som grave e muito característico que poderia ser capturado por hidrofones e possibilitaria determinar sua impressão acústica, como acontece com os pássaros.

No entanto, Thomas afirma que o método desenvolvido por Efford e Dawson só permite contemplar parte do quadro para as populações de baleias minke. O método estima apenas a densidade de sons, não de animais, e no caso das baleias a incerteza quanto à porcentagem de machos que emitem sons e quanto à frequência com que o fazem torna difícil extrapolar desses registros uma estimativa para a densidade populacional.

Efford acrescenta que a nova técnica funcionará melhor no caso de animais que produzem sons repetitivos e em volume constante. Isso significa que ela deve ser especialmente útil para estimar as densidades populacionais de outras espécies de pássaros. “Muitos pássaros repetem o mesmo canto vezes sem conta, de forma persistente e monótona“, ele disse.

A monotonia parece ter incomodado Efford, que teve de ouvir o cântico das mariquitas repetidamente para o estudo. “É um chamado especialmente insistente e irritante“, ele admite.

TEXTO: Emma Marris, para revista Nature.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Fonte: Portal Terra





Canto de Natal — poema de Manuel Bandeira

7 12 2009

Nascimento de Jesus

Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo

 

Canto de Natal

 

                                                                          Manuel Bandeira

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O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para querer bem.

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Nasceu sobre as palhas

O nosso menino.

Mas a mãe sabia

Que ele era divino.

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Vem para sofrer

A morte na cruz,

O nosso menino.

Seu nome é Jesus.

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Por nós ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus menino.

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Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.

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Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968)  poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Obras:

3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana,  1959  

50 poemas escolhidos pelo autor , 1955  

A Autoria das Cartas Chilenas, 1940  

A Cinza das Horas, 1917  

A Cópula, 1986  

A Leste do Éden, 1958  

A Morte, 1965  

A Versificação em Língua Portuguesa    

Alumbramentos, 1960  

Andorinha, Andorinha  1965  

Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos  1946  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana  1938  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica  1937  

Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna  1967  

Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista  1937  

Antologia Poética  1961  

Apresentação da Poesia Brasileira  1944  

Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz    

Carnaval  1919  

Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira  1958  

Colóquio Unilateralmente Sentimental  1968  

Crônicas da Província do Brasil  1937  

De Poetas e de Poesia  1954  

Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras  1941  

Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña  1946  

Estrela da Manhã  1936  

Estrela da Tarde  1960  

Estrela da Vida Inteira  1966  

Flauta de Papel  1957  

Francisco Mignone  1956  

Glória de Antero  1943  

Gonçalves Dias  1952  

Guia de Ouro Preto  1938  

Itinerário de Pasárgada  1954  

Itinerários  1974  

Libertinagem  1930  

Literatura Hispano-americana  1949  

Macbeth, de Shakespeare  1958  

Mafuá do Malungo  1948  

Maria Stuart, de Schiller  1955  

Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira  1954  

Meus Poemas Preferidos  1967  

Noções de História das Literaturas  1940  

Noturno do Morro do Encanto  1955  

O Melhor Soneto de Manuel Bandeira  1955  

Obras Poéticas  1956  

Obras Poéticas de Gonçalves Dias  1944  

Obras-primas da Lírica Brasileira  1943  

Opus 10  1952  

Oração de Paraninfo  1946  

Os Reis Vagabundos  1966  

Panorama das Literaturas das Américas  1958  

Pasárgada  1960  

Poemas Traduzidos  1945  

Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta  1986  

Poesia do Brasil  1963  

Poesia e prosa  1958  

Poesia e Vida de Gonçalves Dias  1962  

Poesias  1924  

Poesias completas  1940  

Poesias Escolhidas  1937  

Poesias, de Alphonsus de Guimaraens  1938  

Portinari  1939  

Recepção do sr. Peregrino Júnior  1947  

Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé  1990  

Rimas, de José Albano  1948  

Rio de Janeiro em Prosa & Verso  1965  

Rubaiyat, de Omar Khayyan  1965  

Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental  1942  

Um Poema de Manuel Bandeira  1956





Antiga civilização européia, ao longo do Danúbio, em exposição em Nova York.

7 12 2009

 

Foto: Marius Amarie

 

Escultura de mulher em terracota, 4.050 a 3900 a.C.

Local:  Cucuteni, Drăguşeni

Museu do Condado de Botoşani

 

Antes da glória de Grécia e Roma, e até mesmo antes das primeiras cidades da Mesopotâmia ou dos templos ao longo do Nilo, havia no vale do Baixo Danúbio e ao pé das montanhas dos Bálcãs um povo à frente de seu tempo na arte, tecnologia e no comércio de longa distância.

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Foto: Marius Amarie

 

Vasilhame bi-cônico em terracota,  3700-3500 a.C.

Local: Cucuteni, Şipeniţ

Museu Nacional de História Romênia, Bucareste

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Por 1.500 anos, começando antes de 5.000 A.C., eles cultivaram e construíram cidades bastante grandes, algumas com até duas mil residências.  Esse povo dominava a fundição de cobre em larga escala que era a nova tecnologia da época. Em seus túmulos foram encontrados uma gama impressionante de adereços de cabeça e colares e, em um cemitério, uma grande e, a mais antiga, coleção de artefatos de ouro do mundo.

Foto: Marius Amarie

 

Bracelete em espiral em cobre, 4.500 a 3.900 a.C.

Local: Cucuteni, Ariuşd

Museu de História do Condado de Braşov 

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Os desenhos marcantes de sua cerâmica revelam o refinamento da linguagem visual da cultura. Até descobertas recentes, os artefatos mais intrigantes eram figuras onipresentes de “deusas” de terracota, originalmente interpretadas como evidência do poder espiritual e político das mulheres da sociedade.

Photo: Marius Amarie

 

Modelo arquitetônnico em terracota com sete estatuetas, 3700-3500 a.C.

Local: Piatra Neamţ

Complexo de Museus do Condado de Neamţ 

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Segundo arqueólogos e historiadores, a nova pesquisa ampliou a compreensão dessa cultura há muito tempo ignorada, e que parece ter se aproximado do limiar do status de “civilização”. A escrita ainda não havia sido inventada e ninguém sabe como o povo se chamava. Para alguns acadêmicos, o povo e a região são simplesmente a Velha Europa.

Foto: Rumyana Kostadinova Ivanova

 

Figuras zoomórficas em ouro, 4.400 a 4.200 a.C.

Local: Varna

Museu Regional de História de Varna

 

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A cultura pouco conhecida está sendo resgatada da obscuridade em uma exposição, “O Mundo Perdido da Velha Europa: o vale do Danúbio, 5.000-3.500 A.C.“, que foi inaugurada no mês passado no Instituto para o Estudo do Mundo Antigo da Universidade de Nova York. Mais de 250 artefatos de museus da Bulgária, Moldávia e Romênia estão expostos pela primeira vez nos Estados Unidos. A mostra fica aberta até 25 de abril.

Foto: Marius Amarie

 

Escultura de Mulher em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.

Local:  Hamangia, Baïa

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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Em seu auge, em torno de 4500 a.C., disse David W. Anthony, curador convidado da exposição, a Velha Europa estava entre os lugares mais sofisticados e tecnologicamente avançados do mundo e desenvolveu muitos sinais políticos, tecnológicos e ideológicos de civilização.

Foto: Jurie Foca and Valery Hembaruc

 

Três braceletes de cobre em espiral,  4.500 a 4.300 a.C.

Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti

Museu Nacional de História e Arqueologia de Moldova.

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Anthony é professor de antropologia da Hartwick College, em Oneonta, no estado de Nova York, e autor do livro The Horse, the Wheel, and Language: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World; [ O cavalo, a roda e a linguagem: como os cavaleiros da era do bronze das estepes eurasianas moldaram o mundo moderno]. Historiadores sugerem que a chegada de povos das estepes ao sudeste da Europa pode ter contribuído para o colapso da cultura da Velha Europa por volta de 3500 a.C.

Foto: Marius Amarie

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Vasilhame esférico com tampa em terracota, 4.200 a 4050 a.C. 

Local: Cucuteni, Scânteia

Complexo do Museu Nacional de Moldova

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Na pré-abertura da exposição, Roger S. Bagnall, diretor do instituto, confessou que até agora muitos arqueólogos não haviam ouvido falar dessas culturas da Velha Europa. Admirando a cerâmica colorida, Bagnall, especialista em arqueologia egípcia, comentou que na época os egípcios com certeza não faziam cerâmica assim

Foto: Rumyana Kostadinova Ivanova

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Cetro em ouro com 9 elementos, 4.400 a 4.200 a.C.

Local: Varna

Museu de História Regional de Varna

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O catálogo da mostra, publicado pela Princeton University Press, é o primeiro compêndio em inglês da pesquisa sobre as descobertas da Velha Europa. O livro, editado por Anthony, com Jennifer Y. Chi, diretora-associada para exposições, inclui ensaios de especialistas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Estados Unidos e dos países onde a cultura existiu.

Foto: Marius Amarie

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Duas estatuetas em terracota, 5.000 a 4.600 a.C.

Local: Hamangia, Cernavodă

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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Chi disse que a exposição reflete o interesse do instituto em estudar as relações entre as culturas conhecidas e ainda não apreciadas com deveriam ser.

Foto: Marius Amarie

 

Aplique antropomórfico em ouro, 4.000 a 3.500 a.C.

Local: Bodrogkeresztúr, Moigrad

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste.  

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Embora escavações ao longo do último século tenham descoberto vestígios de antigos assentamentos e estátuas de deusas, foi apenas em 1972, quando arqueólogos locais descobriram um grande cemitério do quinto milênio a.C. em Varna, Bulgária, que eles começaram a suspeitar que aquelas não eram pessoas pobres vivendo em sociedades igualitárias não estruturadas. Mesmo então, isolados pela Guerra Fria com a Cortina de Ferro, os búlgaros e romenos foram incapazes de transmitir seu conhecimento ao Ocidente.

Foto: Elena-Roxana Munteanu

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Grupo de 21 estatuetas e 13 cadeiras em terracota, 4.900 a 4.759 a.C.

Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru

Complexo de Museus do Condado de Neamţ Piatra Neamţ

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A história que agora surge é que agricultores pioneiros após aproximadamente 6200 a.C. se mudaram para o norte em direção à Velha Europa, vindos da Grécia e da Macedônia e levando trigo, sementes de cevada e sua criação de gado e ovelhas. Eles estabeleceram colônias ao longo do Mar Negro e nas planícies e colinas do rio, que evoluíram em culturas relacionadas, mas um tanto distintas, descobriram os arqueólogos. Os assentamentos mantinham contato próximo através de redes de comércio de cobre e ouro e também compartilhavam padrões de cerâmica.

Foto: Marius Amarie

 

Vasilha antropomórfica, em terracota, 5.550 a 5.000 a.C.

Local:Vădastra, Vădastra

Museum Nacional de História da Romênia, Bucareste

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A concha Spondylus do Mar Egeu era um item especial de comércio. Talvez as conchas, usadas em pingentes e pulseiras, fossem símbolos de seus ancestrais egeus. Outros acadêmicos veem essas aquisições de longa distância como motivadas em parte pela ideologia de que os produtos não eram bens no sentido moderno, mas sim “valores”, símbolos de status e reconhecimento.

Foto: Jurie Foca e Valery Hembaruc

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Colar (35 conchas e 26 contas), 4.500-4.300 a.C.

Material: Conchas (Cardium edule, Mactra carolina)

Local: Suvorovo-Novodanilovka, Giurgiuleşti

Museu Nacional de Arqueologia e História de Moldova, Chişinău

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Notando a difusão dessas conchas naquela época, Michel Louis Seferiades, antropólogo do Centro Nacional para Pesquisa Científica, na França, suspeita “que os objetos eram parte de um círculo de mistérios, um conjunto de crenças e mitos“.

Foto: Marius Amarie

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Vasilha antropomórfica em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.

Local: Gumelniţa, Sultana

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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De qualquer forma, Seferiades escreveu no catálogo da exposição que a predominância das conchas sugere que a cultura possuía ligações com “uma rede de rotas de acesso e elaborados sistemas sociais de trocas – incluindo o escambo, a troca de presentes e a reciprocidade“.

Foto: Marius Amarie

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Machado de cobre,  3.700 a 3.500 a.C.

Local: Cucuteni, Bogdăneşti

Complexo Nacional de Museus de Moldova

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Ao longo de uma ampla área que hoje é a Bulgária e a Romênia, o povo se assentou em vilarejos de casas de um ou múltiplos recintos, comprimidas dentro de fortificações. As casas, algumas com dois pisos, tinham suportes de madeira, paredes rebocadas com barro e chão de terra batida. Por alguma razão, as pessoas gostavam de fazer modelos de barro de residências com múltiplos pisos, exemplos dos quais estão em exposição.

Foto: Marius Amarie

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Modelo arquitetônico em terracota, 4.600 a 3.900 a.C.

Local:  Gumelniţa, Căscioarele

Museu nacional de História da Romênia, Bucareste

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Algumas cidades do povo cucuteni, uma cultura posterior e aparentemente robusta no norte da Velha Europa, cresceram ao longo de mais de 320 hectares, o que os arqueólogos consideram maior do que qualquer assentamento humano da época. Mas as escavações ainda precisam encontrar evidências definitivas de palácios, templos ou grandes edifícios cívicos. Os arqueólogos concluíram que os rituais religiosos pareciam ser praticados nos lares, onde artefatos de culto foram encontrados.

Foto: Marius Amarie

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Anfora em terracota, 3700 a 3.500 a.C.

Local: Cucuteni, Poduri-Dealul Ghindaru

Complexo de Museus do Condado de Neamţ

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A cerâmica caseira decorada em estilos diversos e complexos sugere a prática de refeições ritualísticas nas residências. Travessas enormes em prateleiras eram típicas da “apresentação socializante do alimento” da cultura, Chi disse.

Foto: Marius Amarie

Vasilha antropomórfica em terracota, 5.300 a 5.000 a.C.

Local: Banat, Parţa

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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À primeira vista, a falta de uma arquitetura de elite levou os acadêmicos a presumir que a Velha Europa possuía pouca ou nenhuma estrutura hierárquica de poder. Isso foi descartado pelos túmulos do cemitério de Varna. Nas duas décadas seguintes a 1972, os arqueólogos encontraram 310 túmulos datados de aproximadamente 4500 a.C.. Anthony disse que isso foi “a melhor prova da existência de uma posição social e política superior claramente distinta“.

Vladimir Slavchev, curador do Museu Regional de História de Varna, disse que “a riqueza e variedade dos presentes nos túmulos de Varna foi uma surpresa“, mesmo para o arqueólogo búlgaro Ivan Ivanov, que liderou as descobertas. “Varna é o cemitério mais antigo já encontrado em que humanos foram enterrados com ornamentos de ouro“, Slavchev disse.

Mais de três mil peças de ouro foram encontradas em 62 túmulos, junto de armas e instrumentos de cobre, ornamentos, colares e pulseiras das apreciadas conchas do Egeu. “A concentração de objetos de prestígio importados em uma distinta minoria de túmulos sugere que posições superiores institucionalizadas existiam”, observam os curadores da exposição em um painel que acompanha o ouro de Varna.

Foto: Marius Amarie

Martelo-arma na forma de cabeça de cavalo, pedra, 4.000 a.C.

Cultura Indo-Européia

Local: Casimcea

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

 

Contudo, é intrigante que a elite não parecesse usufruir de uma vida privada de excessos. “As pessoas que quando vivas vestiam trajes de ouro para eventos públicos“, Anthony escreveu, “voltavam para casas bastante comuns“.

O cobre, não o ouro, pode ter sido a principal fonte do sucesso econômico da Velha Europa, afirma Anthony. Como a fundição do cobre foi desenvolvida por volta de 5400 a.C., as culturas da Velha Europa exploraram os minérios da Bulgária e do que hoje é a Sérvia e aprenderam a técnica de alto aquecimento para extrair cobre metálico puro.

Foto: Marius Amarie

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Figura antropomórfica em  ouro, 4.000 a 3.500 a.C.

Local: Bodrogkeresztúr Culture, Moigrad

Museu Nacional de História da Romênia, Bucareste

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O cobre fundido, usado em machados, lâminas de faca e em pulseiras, se tornou uma exportação valiosa. As peças de cobre da Velha Europa foram encontradas em túmulos ao longo do Rio Volga, 1,9 mil km a leste da Bulgária. Os arqueólogos recuperaram mais de cinco toneladas de peças de locais da Velha Europa.

Uma galeria inteira é dedicada às estatuetas, as mais familiares e provocantes peças dos tesouros da cultura. Elas foram encontradas em praticamente toda cultura da Velha Europa em vários contextos: em túmulos, santuários e outros prováveis “espaços religiosos”.

Uma das mais conhecidas é a figura em argila de um homem sentado, com os ombros curvados e as mãos no rosto em aparente contemplação. Chamada de “Pensador”, essa peça e outra figura feminina comparável foram encontradas em um cemitério da cultura hamangia, na Romênia. Será que eles estavam pensativos ou de luto?

Muitas das figuras representam mulheres em uma abstração estilizada, com corpos truncados ou alongados, de seios fartos e quadris largos. A sexualidade explícita dessas figuras convida interpretações relacionadas à fertilidade terrena e humana.

Um grupo notável de 21 figuras femininas, sentadas em um círculo, foi encontrado no local de um vilarejo anterior aos cucutenis no nordeste da Romênia. “Não é difícil imaginar“, disse Douglass W. Bailey da Universidade Estadual de São Francisco, o povo da Velha Europa “arrumando as figuras sentadas em um ou vários grupos de atividades em miniatura, talvez com figuras menores aos seus pés ou até mesmo no colo das figuras sentadas maiores“.

Outros imaginam as figuras como o “Conselho das Deusas”. Em seus influentes livros de três décadas atrás, Marija Gimbutas, antropóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ofereceu a hipótese de que essa e outras das chamadas figuras de Vênus eram representantes de divindades em cultos a uma Deusa Mãe que predominavam na Europa pré-histórica.

Embora a teoria de Gimbutas ainda tenha seguidores ardorosos, muitos acadêmicos se conformam com explicações mais conservadoras e não-divinas. O poder dos objetos, afirma Bailey, não estava em qualquer referência específica ao divino, mas em “um entendimento compartilhado de identidade de grupo“.

Foto: Marius Amarie

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Braceletes de conchas, 5.000 a 4.600 a.C.

Local: Hamangia, Cernavodă

Museu Nacional de Arqueologia e História da Romênia, Bucareste

 

Como Bailey escreveu no catálogo da exposição, as figuras talvez devessem ser definidas apenas em termos de sua aparência real: retratos representativos em miniatura da forma humana. Assim, “presumo (como é justificado por nosso conhecimento da evolução humana) que a habilidade de fazer, usar e entender objetos simbólicos como tais estatuetas é uma habilidade compartilhada por todos os humanos modernos e, portanto, uma capacidade que conecta você, eu, o homem, a mulher e a criança do Neolítico e os pintores paleolíticos das cavernas“.

Ou então o “Pensador”, por exemplo, é a imagem de você, de mim, dos arqueólogos e historiadores confrontados e perplexos por uma cultura “perdida” no sudeste da Europa que viveu de maneira intensa muito antes de uma palavra ser escrita ou da roda ser girada.

Texto de John Noble Wilford

Amy Traduções com algumas modificações minhas.

Fotos do portal do  The New York Times.

Fonte: Portal Terra





Vorte quem tem fé — um conto de J. B. de Mello e Souza

6 12 2009

 

Igreja de São Bento, Vale do Tamanduateí, SP, s/d

José Wasth Rodrigues (Brasil, 1891-1957)

Aquarela, 32 x 47 cm.

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Vorte quem tem fé

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                                               À memória de Horácio Senne

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                                                         ” A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova daquelas que não se vêem.”   —-      S. PAULO, Epístola aos Hebreus, 11

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          Nada se pode articular contra a sinceridade com que a gente do Vale do Paraíba pratica seus deveres religiosos.  Pelo menos, era assim no meu tempo de menino: os preceitos da Igreja, nós os cumpríamos com uma pontualidade inalterável, e mais ainda:  com profunda unção espiritual.

          Por alguns anos (antes de nos transferirmos para a Chacrinha, às margens do Paraíba), residimos perto da Matriz, e tivemos como vizinho o velho vigário Gaudêncio Antônio de Campos.

          Tal circunstância, acrescida pelos desvelos de minha mãe, concorreu para a dedicação e o interesse com que eu e meus manos nos dedicávamos a tudo o que dissesse respeito ao culto.

          Por ocasião das grandes e solenes procissões, nós figurávamos em lugares de realce, trajando roupas vermelhas, e tendo nas mãos pesados círios.  Nas rezas do mês de Maria, igualmente, éramos incluídos na guarda de honra do altar.  Como mais velho, eu, compenetradíssimo, fiscalizava meus irmãos, pois o maior prazer do Nelson era brincar com a chama de sua vela, e reacender as que se apagassem, para o que saía pingando cera em todo o mundo; e o do Júlio, bater nos cachorros que entrassem no templo, os quais saiam ganindo lamentosamente, o que a meu ver perturbava a atenção piedosa dos fiéis.

          O vigário Gaudêncio, homem boníssimo, utilizava, sempre que possível, nosso concurso nas festinhas da paróquia.  É claro que não designo por essa forma as grandes solenidades, religiosas e populares, que se efetuavam outrora, como ainda hoje, nos dias 23 a 25 de junho, e que compreendem as homenagens ao Santo Precursor, padroeiro da cidade e as festas anuais consagradas ao Divino Espírito Santo.  Nesses dias havia alvorada, missas cantadas (pregando o Evangelho ilustres oradores sacros), imponentes procissões, retretas ao jardim público, mesas de doces franqueadas ao povo, como nas hecatésias atenienses, leilões, fogos de artifício o que tudo figurava nos programas impressos em enormes folhas de papel de cor, e absorvia as atenções de toda a gente, durante aquele movimentado tríduo.

          Dessas solenidades, porém, a que mais me impressionava era a proclamação dos festeiros para o ano seguinte.   Os festeiros eram três:  o “Imperador”, o “Capitão do Mastro” e o “Alferes da Bandeira.”  O primeiro, superintendia toda a festa; o segundo tinha a seu cargo a ereção do mastro, alto poste de madeira, cantado em frente a Matriz, poste que devia ser anualmente substituído.  Na extremidade do tal mastro ficaria o quadro, isto é, a bandeira, em que São João Batista se via com o inseparável cordeirinho aos pés.  Ao “Alferes da Bandeira” cabia a feitura desse quadro.

          Salvo casos especialíssimos (de promessas, ou de donativos altamente valiosos), os festeiros eram escolhidos mediante sorteio, entre paroquianos de notória idoneidade, que se apresentassem candidatos àquelas honrosas funções.

Quando se proclamava o “Imperador”, estando a velha igreja repleta, sentia-se certo frisson na assistência: a música tocava, os sinos vibravam, e o foguetório enchia o ar com seus estrondos.  É claro que tais homenagens lisonjeavam a vaidade dos pretendentes.

          Lembra-me ainda o dia em que o vigário Gaudêncio se mostrava preocupado com qualquer problema de solução difícil.

          — Estou numa dúvida desagradável, seu João de Deus – dizia ele a meu pai.  – Imagine que eu já havia assumido compromisso com o Rebouças de Carvalho, o Dr. França e o Chico Carlos, para imperador, capitão do mastro e alferes da bandeira.  Agora soube que o Zé Carlos e o Monteiro também fazem questão fechada de ser festeiros.  Não quero faltar a minha palavra, mas também não desejo magoar a esses bons amigos…  Que acha você que convém fazer?

          Meu pai formulou uma solução conciliatória, mas o padre fez ver que nada conseguiria, dada a intransigência dos candidatos. 

          O Nelson, que comigo assistia ao grave debate, animou-se a propor outra sugestão. 

          —  Pois vamos ver o que é, menino, disse o sacerdote, já sorrindo por conta da extravagância que esperava.

          —  Em vez de três festeiros, o senhor arranja cinco.

          —  Cinco?  Mas, como?  Se são só três os cargos!

          —  Isso não tem importância!  O senhor arranja mais dois: o major da fogueira, e o tenente do pau de sebo!

           É claro que a idéia do Nelson nem sequer foi objeto de deliberação o que o decepcionou bastante.  Atribuímos a recusa do padre ao fato de não ser possível promover o Capitão José Carlos a “major”, nem rebaixar o Capitão Moreira a “tenente”.

          Convém recordar que naquele tempo todos os fazendeiros do interior adquiriam patentes de oficiais da extinta “Guarda Nacional”, e, como esses títulos nunca mudavam, aderiam ou anexavam-se indelevelmente aos nomes dos respectivos portadores.

          —  O padre Gaudêncio é muito atrasado, observou Nelson, despeitado.  E é teimoso na sua opinião.  Nunca muda nada!  Todos os anos há de se fazer a mesma coisa que se fazia há cinqüenta anos atrás!

          Em casa a turma fez caçoada.  Sugeriram-se mais dois postos, altamente honrosos:  o de coronel da retreta e o de general da procissão.

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          Mais do que as festas juninas, porém, o fato que ora vou referir comprova o espírito religioso do povo queluzense.  Quando ele ocorreu, já o padre Gaudêncio, valetudinário, havia deixado o árduo ministério.  Pastoreava a paróquia o padre Paulo Machado.

          Prolongada estiagem estava causando graves danos à lavoura, em todo o município.  Tres longos meses haviam transcorridos, sem que do alto caísse um pingo d’água.  Os lavradores queixavam-se e com razão.  Rios e ribeirões das fazendas distantes do Paraíba minguavam a olhos vistos.  O gado perecia. 

          Quando ocorrem tais períodos de secas, o céu torna-se pardacento, todo por igual, e os dias passam sem que nos venha o refrigério de uma brisa, o que produz em toda gente, nos animais, e até nas plantas uma tristeza esquisita, um desalento sem remédio.

          O povo de Queluz suportava a ausência de chuvas enquanto podia.  Se  a natureza perseverasse em sua ação inclemente, não havia discutir: recorria-se a São Roque.

Procissão, 2007

Vera Sabino (Brasil, PR.  Contemporânea)

Acrílica sobre eucatex

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          São Roque tem o seu culto em modesta capelinha em torno da qual se formou um pequeno povoado, simples arraial, que do município de Areias foi recentemente transferido para o de Queluz.   Cerca de três quilômetros separam o povoado de qualquer das duas cidades.  Numa e noutra tem o santo apreciável número de devotos.

          Para trazer São Roque a Queluz tornava-se necessário a autorização do vigário.  Obtida a licença, organizavam-se os crentes em procissão e lá iam, galgando a estrada que contorna a Fortaleza, e repetindo orações que se iniciavam e se encerravam pela prece “Ad petendam pluviam”.

          De volta, ao reentrar a procissão na cidade, o povo vinha receber a imagem do milagroso santo, e, com demonstrações do maior respeito acompanhava-a até o alto da Matriz.

          Repicavam os sinos e soltavam-se foguetes, condimento indispensável em tais cerimônias.

          —  Ora, não é tanto assim, objetou o sacerdote, cautelosamente.  E prosseguiu:  Talvez convenha aguardar uns dias mais…   Penso que só em caso extremo devemos apelar para São Roque, e removê-lo de sua capela para a Matriz…

          —  Mas…  V. Revma.  não se opõe?

          —  A que a imagem venha, não!…  Apenas acho que ainda é cedo…  Consultem os zeladores; depois…  veremos o que se há de fazer.

          Os solicitantes retiraram-se descontentes com o resultado da tentativa.

          À tardinha, ao despertar de sua sesta habitual, o vigário teve uma surpresa que o deixou contrariadíssimo.

          Soube que à sua revelia, os mesmos devotos e outros vários tinham estado na igreja, e dali  retiraram tudo o que era necessário ao cortejo.  Descendo, processionalmente, a ladeira, e atravessando a ponte do Paraíba, o grupo se engrossou com grande número de aderentes.  Quando o sacerdote teve plena ciência do caso, já a procissão subia a Fortaleza, fora da zona urbana, entoando o cântico “Ad petendam pluviam”.

          Mas o Padre Paulo não se deixava convencer facilmente.  Considerou que aquilo significava  um desrespeito a sua autoridade.

          A vinda de São Roque importava na realização de uma festinha, dias depois do aguaceiro, na data fixada para o regresso do santo.  Ora, ele vigário, julgara prematura a vinda da imagem, pensando já nas conseqüências.  Resolveu agir com presteza no sentido de procrastinar a execução daquele ato.

          Saiu imediatamente, arranjou, às pressas, um veículo do tipo que outrora se chamava “aranha”, e foi no encalço da procissão.

          Em poucos minutos alcançou-a.

          Os romeiros interromperam a marcha, ao vê-lo.

          —  Então, que é isso, meus amigos?  Vocês vão, assim, buscar São Roque?

          —  Vamos, seu Vigário – explicou o líder do movimento – como Vossa Reverendíssima disse que não se opunha, e todos os zeladores concordaram, nós não quisemos incomodar Vossa Reverendíssima, que estava descansando, e…

          —  Mas aqui ninguém acredita em São Roque!  — exclamou o vigário, em tom paternal de censura.

          —  Perdão, seu Vigário, mas nós todos confiamos no santo…

          —  Ninguém acredita, insistiu energético, o sacerdote.  E a prova é esta: ninguém trouxe guarda-chuva!  Se vocês, realmente, têm fé em São Roque, voltem, para buscar os guarda-chuvas!

          Ouvindo essa recomendação, um dos crentes tomou a iniciativa de transmitir a todos os demais o aviso, exclamando em voz bem alta, no linguajar de roceiro:

          —  Vorte quem tem fé!  Vorte tudo, pra morde buscá os guarda-chuva!

          Não houve remédio, senão atender.  Todo o bando voltou, com raras exceções.  Tornou atrás, igualmente, o vigário, convencido de que pelo menos naquela tarde não seria possível a marcha que ele interceptara.

          Mas enganou-se.  Os devotos de São Roque, em matéria de pertinácia, nada deixavam a desejar, relativamente ao padre que os guiara.  A procissão atrasou-se em três quartos de hora; mas reconstituiu-se, e prosseguiu.

          A julgar pela quantidade de paraguas, a fé em São Roque era, mesmo, profunda.

          Ao cair da noite, regressavam os devotos a Queluz.  A imagem vinha com eles, é claro.

          A essa hora, nuvens sombrias já se iam acumulando para os lados da Figueira. 

          E quando a procissão entrou na cidade, chovia a cântaros.  Os guarda-chuvas prestaram excelente serviço a seus possuidores.

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          No dia seguinte, o Padre Paulo encontrou, na boca da ponte, dois paroquianos que haviam participado da procissão, e foi ter com eles.

          —  E não é que a chuva veiu ônte mêmo, seu Vigário.

          —  Ora, como não havia de vir!  Que São Roque é milagroso, todos nós sabemos.  Agora – o que eu notei é que todos mostraram ter  Fe no santo, menos vocês dois!

          —  Pruquê, seu Vigário?

          —  Porque só vocês não voltaram para buscar o guarda-chuva!

          —  Ah!  seu padre!  Nós tem muita fé em São Roque, mas nós não tem guarda-chuva!

***

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Em: Histórias do rio Paraíba: episódios e tradições regionais, de J.B. de Mello e Souza, São Paulo, Saraiva:1951, 2 volumes,  pp  80-88, volume I 

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João Batista de Mello e Souza (SP 1888 — RJ 1969) — Pseudônimo:  J. Meluza —  Contista, romancista, poeta, memoralista, autor didático e de Literatura Infantil, teatrólogo, historiador, tradutor, folclorista, diplomado em Direito (1910), funcionário público, professor universitário, jornalista, membro da Academia Carioca de Letras. Prêmio Joaquim Nabuco -ABL (1949).

Obras:

Sacuntala de Calidasa e outras histórias de heroísmo e amor, contos indianos,

Lendas Medievais, contos

A sombra do bambual, teatro, 1955

Histórias do Rio Paraíba, 2 vol, contos e memórias, 1951

Histórias famosas do Velho Mundo, contos,

Majupira, romance histórico, 1949

Sete lendas de amor e outras poesias, 1959

Estudantes do meu tempo, contos e memórias, 1958

História da América, história, 1957

História do Brasil, história, 1959

História Geral, história, 1956

O homem sem pátria, 1963





O presépio — poema de Natal de Joaquim Serra

5 12 2009

O presépio

                                                  Joaquim Serra

——

Na palhoça iluminada,

Que fica junto da ermida,

Des que a missa foi cantada

Se congrega a multidão;

Toldo de mirta florida,

Flores de mágico aroma

Ornam o presépio, que toma

Na sala grande extensão.

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Quão lindo está!  Não lhe falta

Nem o astro milagroso

Que de repente brilhou;

Nem o galo, que o repouso

Deixara por noite alta

E que inspirado cantou!

——-

Tudo o que a lenda memora

E consagra a tradição,

Vê-se ali, grosseiro embora,

Despido de perfeição.

——

Céu de estrelinhas douradas,

Estrelas de papelão;

Brancas nuvens fabricadas

Da plumagem do algodão!

Anjos soltos pelos ares,

Peixes saindo dos mares,

Feras chegando do além.

Marcha tudo, e vêm na frente

Os Reis Magos do Oriente

Em demanda de Belém.

——-

É esta a lapa; o Menino

Nas palhas está deitado,

Com um sorriso de alegria

Todo doçura e amor!

——

Contempla o quadro divino

São José ajoelhado,

E a Santíssima Maria

De Jericó meiga flor!

——

Trajando risonhas cores

Com muitos laços de fitas,

Rapazes, moças bonitas

Formam grupos de pastores.

———-

Que curiosos bailados,

Com maracás e pandeiros!

E o ruído dos cajados

Desses risonhos romeiros!

——–

Essa quadrilha dançante,

Cantando versos festivos,

Aos pés do celeste infante

Vai depor seus donativos:

———

Frutas, doces, sazonadas,

Ramilhetes de açucenas,

Cera, peles delicadas,

Pombinhos de brancas penas.

—–

São as joias que os pastores

Dão ao Deus onipotente!

E o povo aplaude os cantores

E o espetáculo inocente.

———

Eis o presepe singelo

Da devoção popular;

Oratório alegre e belo

Sagrado risonho altar!

——

——

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito,  São Paulo, Saraiva: 1969.

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——

Joaquim Serra

——

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Joaquim Maria Serra Sobrinho ( MA 1838 — RJ 1888) jornalista, professor, político e teatrólogo.  Pseudônimos: Amigo Ausente, Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare, Tragaldabas.  Foi um intelectual muito ativo na segunda metade do século XIX.  Abolicionista, trabalhou lado a lado com Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiuva e José do Patrocínio para o fim da escrevidão. 

Obras:

A capangada, sem data, séc. XIX

A pomba sem fel, sem data, séc. XIX

As Cousas da moda, sem data, séc. XIX

Epicedio à morte de Manuel Odorico Mendes, sem data, séc. XIX

O jogo das libras, sem data, séc. XIX

O remorso vivo, sem data, séc. XIX

Quem tem boca vai a Roma

Rei morto, rei posto

Biografia do ator brasileiro Germano Francisco de Oliveira, 1862

A coalisão, 1862

Julieta e Cecília, contos, 1863

Mosaico, poesia traduzida, 1865

O salto de Leucade, 1866

A casca da caneleira, romance de autoria coletiva, cabendo a J.S. a coordenação, 1866

Um coração de mulher, poema-romance, 1867

Versos de Pietro de Castellamare, 1868

Semanário maranhense, 1867

Quadros, poesias, 1873

Almanaque Humorístico Ilustrado, 1876

Diário oficial do império do Brasil, 1878

O abolicionista, 1880

Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranhão, 1820-80, por Ignotus, 1883

O coroado, 1887

Poesias e poemas, 1888

Os melros brancos, 1890





Imagem de leitura — Auguste Toulmouche

5 12 2009

Lição de leitura, 1865

Auguste Toulmouche ( França, 1829-1890)

Óleo sobre tela, 36 x 27 cm

Museu de Belas Artes, Boston, EUA

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Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)

Nascido em Nantes, Auguste Toulmouche foi um artista de bastante presença nos Salões parisienses do século XIX.  Ficou conhecido pelo retrato de belas mulheres em ambientes de luxo.  Fez parte de um seleto grupo de artistas franceses como Jules Émile Saintin ( 1829-1894) e Charles Joseph Frederick Soulacroix ( n. 1825) que se especializaram, por assim dizer, no retrato de vestimentas de época dentro do enfoque da pintura de gênero.  Tinha uma visão romântica da vida diária que seduzia pelo seu idealismo e sentimentalismo.  Principalmente nos momentos do dia a dia das classes mais abastadas.





O comercial de O Boticário no Natal: um desrespeito com o consumidor brasileiro

30 11 2009

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Fiquei bastante surpresa ao assistir ao comercial da cadeia O Boticário na televisão brasileira. Com o vídeo acima, belíssimo com certeza, o consumidor brasileiro, normal, que não tem qualquer obrigação de saber uma outra língua, e muito menos exclusivamente a língua inglesa, é submetido a um comercial totalmente em inglês.

Este é um comportamento que além de arrogante, manifesta total descaso com a nossa cultura. O que foi que aconteceu?

Não temos bons compositores? — Nossa música em geral não cativa o público? Por isso recorremos a uma canção protestante, um gospel americano, produzido por Harry Dixon Loes (1895-1965) nos anos 20?

Não temos letristas ou poetas? — As letras de nossas músicas são muito herméticas? Por isso recorremos a um poema numa outra língua, porque hermético por hermético… ficamos com o inglês…

Não temos agências de propaganda capazes? O encantamento natalino só pode ser entendido com um toque de hemisfério norte?  Com um ar de EUA?

Ou será que este anúncio é um ato de segregação social?  Só os inciados são dignos de serem nossos clientes? O dinheiro de quem não entende inglês não interessa?

Esta é mais uma forma de se mostrar a mentalidade do complexo de subdesenvolvido. 

Será que nos EUA um anúncio em alemão iria ser mostrado em cadeia nacional com esperanças de venda?  Ou será que na França as cadeias televisivas mostrariam um comercial em sueco com esperanças de atingirem a grande população do país?

Pode até ser uma medida de economia.  Já que é uma companhia internacional, eles fizeram um anúncio para o mundo inteiro.  E por que, então, não o fizeram em português ( afinal é uma companhia brasileira) e com legendas para cada país em que estão representados?  Será porque esses outros povos não responderiam a um anúncio em língua estrangeira?

De quem foi a infeliz idéia de desmoralizar a nossa cultura a esse ponto?

Neste Natal não comprarei presentes de O Boticário. 

E tem mais, vou falar com todos que conheço para fazerem o mesmo. 




Os periquitos, poema com exercícios de texto

25 11 2009

 

Os Periquitos

                                                                   Osório Dutra

No leque verde dos coqueiros

Que ornam a margem dos caminhos,

Os periquitos galhofeiros

Zombam dos outros passarinhos.

Numa algazarra delirante,

Batendo as asas irisadas,

Cantam a terra e o céu distante,

Glorificando as alvoradas.

Porque se julguem muito ricos

Donos do espaço e das alturas,

Fogem dos pobres tico-ticos,

Trocando afetos e ternuras.

Unidos contra aos caçadores,

Andam ariscos e assustados:

Temem os ventos destruidores

E a poeira azul dos descampados.

São tão alegres, tão ruidosos,

Que a gente ao vê-los avalia

Que sejam todos venturosos,

Brincando ao sol de cada dia.

Não param nunca os mais tranqüilos.

Pulam, febris, de galho em galho.

Com que prazer, para segui-los,

Deixo de lado o meu trabalho!

Passam a vida saltitando

E é cada qual mais tagarela.

Onde vai um, lá vai o bando,

Cortando o azul na tarde bela.

Ordena um deles a partida

Em busca de outros horizontes.

Depois é a volta…  E que corrida

Vertiginosa sobre os montes!

E quando, à noite, escuto os gritos

De mil insetos bandoleiros,

Dormem, sonhando, os periquitos

No leque aberto dos coqueiros.

Osório Hermogênio Dutra, Vassouras, Estado do Rio, (1889 -1968). Diplomata brasileiro e poeta.

Obras:

O país do deuses (crônicas sobre o Japão)

Terra Bendita, 1923 (poesia)

Castelos de Marfim e  Céu Tropical (poesia), 1930

Inquietação, 1933 (poesia)

Dentro da noite Azul, 1934

Silêncio doce silêncio, 1936 (poesia)

O gênio poético de Martins Fontes, 1938

Mundo sem alma, 1943

Terra da gente, 1944 (poesia)

Emoção, 1945

Tempo perdido, 1946

Elas e nós, 1955, (poesia)

Vocabulário para uso escolar:

 

Ornar = decorar, enfeitar

Galhofeiro = brincalhão

Irisada = furta-cor

Venturoso = feliz

Bandoleiros =  errante, sem paradeiro

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Sugestões para uso escolar do poema: Os Periquitos, de Osório Dutra

Aqui estão diversos exercícios que usam a leitura deste poema como base do aprendizado.  Cada professor deve selecionar os exercícios que melhor se adaptem ao nível de conhecimento de seus alunos: 1ª, 2ª, 3ª série e assim por diante.

VOCABULÁRIO:

Ornar = decorar, enfeitar, ornamentar

“No leque verde dos coqueiros

Que ornam a margem dos caminhos,

Os periquitos galhofeiros

Zombam dos outros passarinhos”.

1 –  Substitua o verbo nas seguintes frases, pelo verbo ornar:

Luzes pisca-pisca decoram as janelas no Natal.

Flores de açúcar enfeitarão o bolo da noiva.

O coelhinho ornamentava a cesta de ovos de Páscoa com papel colorido.

2  –  Escolha, entre as mencionadas abaixo, outras coisas que possam ornar a margem do caminho:

 Luzes,  roseiras,  latas de lixo,  cerca de arame,  árvores floridas,  muro alto, bandeirinhas de São João, fios elétricos, garrafas de refrigerante. 

3 – Onde também encontramos margens?  Faça um círculo em volta das palavras certas:

Automóvel,  lagoa,  estrada,  trem,  rio,  carroça,  baía,  patinete,  caminhão, barco.

4 – Na cidade de São Paulo, existe uma estrada longa, que acompanha o rio Tietê.  Ela se chama: Estrada Marginal Tietê.  Explique nas suas palavras por que ela tem este nome?

 

5 – O leque é usado para espantar o calor.  As pessoas se abanam com o leque para se refrescarem.  Explique a expressão: leque do coqueiro.  É por causa da cor verde?  É por causa da forma das folhas dos coqueiros?  É porque as folhas balanceiam com o vento? 

 

6 – Você sabia que os primeiros leques eram feitos de penas?  Ponha um X ao lado do que também é feito de penas:

(  ) sombrinha                                  (  ) camarão                 (  ) saia da baiana

(  ) peteca                                         (  ) chapéu                   (  ) cocar

(  ) capa do livro                             (  ) lápis                       (  ) baleia

 

LEITURA:

 

A lenda do primeiro leque

Há muitos e muitos anos, na China, havia um mandarim muito poderoso.  Ele tinha uma filha obediente e bonita, que todos na corte admiravam.  Chamava-se Kan-Si.  Ela era um modelo de bondade e todos que a viam ficavam encantados.  Todos os anos o país inteiro participava de uma festa muito bonita neste reino.  Chamava-se a Festa das Lanternas.  Numa noite as pessoas que haviam preparado belas lanternas, mostravam a todo mundo o que tinham feito.  Estas lanternas eram feitas com papel colorido, decoradas com pinturas ou com recortes de figuras coladas no papel.  Elas também eram iluminadas por dentro, cada qual com sua vela.  A noite ficava toda carregadinha de luzes das mais diversas cores e com a leve brisa do verão, as lanternas tinham um pisca-pisca, um tremelique mágico, fazendo a noite parecer encantada. 

 O mandarim e sua filha estavam sempre entre os juízes que decidiam quais eram as lanternas mais bonitas.  Para que ninguém soubesse quem era o autor de cada lanterna ou quem eram os juízes da competição, todos os participantes usavam uma máscara, dura, feita com uma massa de papel, cola e tinta colorida.  Assim todos que participavam da festa não podiam ser reconhecidos.

 Naquele verão, naquela noite da Festa das Lanternas, havia uma competição muito grande.  Todo mundo queria mostrar suas habilidades na arte de fazer e decorar lanternas. Havia prêmios!  Eram tantas, mas tantas as lanternas acesas naquela noite no reino que já não se sabia se era noite ou dia. A jovem filha do Mandarim começou a sentir muito calor.  Estavam no meio do verão.  A noite permanecia quente e as todas as velas acesas aqueciam ainda mais o ar calmo.   De repente, não agüentando mais, a jovem retirou a sua máscara e pôs-se a se abanar com ela, para aliviar o calor que sentia.  Todos os membros da corte, vendo a bela princesa fazer isso, passaram a imitá-la também, arrancando suas máscaras e usando-as como abano.  No ano seguinte, toda a corte compareceu à Festa das Lanternas mascarada, mas cada pessoa tinha em mãos um abano para aliviar o calor.  Assim surgiram, na China, os primeiros leques.

 

7 – Periquitos.  Existem periquitos no mundo inteiro.  Mas há alguns periquitos que existem SÓ no Brasil e alguns que vivem aqui e em outros países da América do Sul:

 

Primeiro vejamos:

O periquito é parente do papagaio.  E faz ninhos em árvores em lugares seguros contra seus predadores.  Seus inimigos são: iguanas, serpentes, cães e o homem.

 

Periquito-do-rei

 

Periquito-do-rei – ou Jandaiavive em todo o Brasil. Estes periquitos sempre andam em bandos.  Acordam muito cedo e já fazem barulho de madrugada, antes do sol raiar.  Gostam de comer arroz e milho.  Quando decidem formar uma família eles deixam o bando de lado para criarem os filhotes sozinhos.  Eles também gostam muito de cantar e conseguem aprender algumas palavras se tiverem contato com pessoas.

Periquito-da-cabeça-amarela

 

Periquito-da-cabeça-amarela – também é chamado de Jandaia – este, pode-se dizer que é um periquitão!  Chega a 32 cm!  Maior do que a tradicional régua de 30 cm.  Os periquitos-da-cabeça-amarela gostam de um clima mais quente.  Então moram principalmente no Nordeste do Brasil, nos seguintes estados:  Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco.  Assim como os Periquitos-do-rei eles gostam de voar em bandos, estão sempre afiando os seus bicos, falam entre si o tempo todo, fazendo bastante barulho.  Uma verdadeira algazarra. 

Periquito-rei 

 

 

Periquito–rei — também chamado de caturra  — gosta mais do clima ameno.  Vive da Bahia ao Rio Grande do Sul, e também no Paraguai e na Argentina.

Os periquitos-reis são menores chegando a um palmo de altura ou 20 cm.   Ele tem um topetinho de penas vermelhas no topo da cabeça que descem pelas suas costas.  Por isso, fora do Brasil, ele também é chamado de maitaca-da-cabeça-vermelha.   São muito numerosos e pode-se vê-los em todo e qualquer lugar com árvores frutíferas.  Adora comer milho e frutas.

Caturrita

 

Periquito-do-pantanal – também chamado de caturra ou caturrita – tem um tamanho entre o periquito-rei e o periquito-da-cabeça-amarela.  Chega a medir 28 cm.  As caturritas vivem no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná até os estados do Mato-Grosso e Mato-Grosso do Sul.  Também moram no Paraguai, na Argentina e no Uruguai.  Também gostam muito de comer milho e arroz.  Mas eles são muito diferentes dos outros periquitos porque eles constroem uns ninhos muito grandes, às vezes até muitos ninhos numa mesma árvore.  E tem mais:  o casal de periquitos não se separa do grupo para criar seus filhotes.  As caturritas fêmeas dividem o trabalho de cuidar dos filhotes e chegam até a morar duas ou três fêmeas por ninho.

Tuim

 

Periquito-do-Espírito-Santo também chamado de Tuim.  Este periquito é verdadeiramente sul-americano, ou seja, mora em todo o Brasil e em toda a América do Sul.  Vive na beira das florestas.  Estes são os menores periquitos do Brasil, chegam só até 12 centímetros de comprimento. No entanto, fazem tanta algazarra o tempo todo, falando tão alto, que parecem até maiores do que são.  Apesar de conversarem muito entre si, eles nunca chegam a falar.  São namorados muito carinhosos.  Gostam de comer milho e cana. Preferem sementes às frutas. São atraídos por árvores frutíferas como mangueiras, jabuticabeira, goiabeiras, laranjeiras e mamoeiros. Os cocos de muitas palmeiras constituem sua alimentação predileta, procuram também as frutas da imbaúba dos capinzais.

Periquito – este é o periquito comum.  Não tem outro nome.  É o mais encontrado dos periquitos no Brasil. Podemos vê-lo nos parques, nas cidades, nas praças públicas, nos jardins, nas fazendas.  Adora brincar no bambuzal e roer bambus.  Aliás adora roer.  Ele chega a 26 cm de comprimento e gosta de milho e de arroz.  Este periquito aprende a falar.

8 – Veja o mapa do Brasil

A –  Cubra de tracinhos vermelhos os estados onde vivem os periquitos-do-rei.

B –  Encha de bolinhas verdes  os estados onde vivem os periquitos-do-pantanal.

 

9 —  Galhofeiro quer dizer brincalhão, zombeteiro, a pessoa que ri à custa dos outros…

Substitua a palavra grifada pela palavra galhofeiro nas seguintes frases.

1-                          Depois que Esmeraldo, um conhecido zombeteiro, fez a turma toda rir dos sapatos vermelhos de Cazuza, este saiu chorando da sala.

2-                        Maria das Dores era brincalhona.  Pegou um papel, escreveu a palavra burro e o colou nas costas de João Pedro sem que este soubesse. 

3-                        O palhaço Zumzum sempre ri quando vê o jato d’água de sua flor na lapela molhar o rosto da pessoa com quem conversa.  Ele é um zombeteiro de primeira categoria! 

 

10- A palavra algazarra, quer dizer: barulheira, vozeria, tagaleria.  Note que a palavra algazarra começa com as letras a + l, seguidas de uma consoante (g).  Preencha os pontinhos formando palavras que comecem com as letras a+l seguidas de uma consoante:

 

Na salada:  al _ _ _ _

Na costura: al _ _ _ _ _ _

No dicionário: al _ _ _ _ _ _

No armário de remédios: al _ _ _ _ _

Com o policial: al _ _ _ _ _

No navio: al _ _ _ _ _ _ _

Na gaiola do passarinho: al _ _ _ _ _

 

Leitura:  Você sabia?

 

A nossa língua, a língua portuguesa, tem mais de 700 palavras que começam com as letras a + l.  600 destas palavras são de origem árabe.  Do tempo que os mouros invadiram Portugal.

 

11 — …batendo as asas irisadas… Nós vimos que irisada quer dizer  furta-cor, que muda de cor conforme o ângulo.  Nas frases abaixo troque as palavras grifadas pela palavra irisada.

 O corpo da mosca varejeira é furta-cor.

Maria colecionava conchinhas do mar,  mas guardava só aquelas com as conchas matizadas.

Minha avó foi à festa com um vestido de tafetá rosa cambiante.

 

12 – No poema acima, Osório Dutra caracteriza os periquitos como “alegres e ruidosos”.   E que por causa disso, eles parecem “venturosos”.  Nas frases abaixo, passe um círculo em volta das palavras que sejam sinônimos de venturoso.

A — As meninas ao saírem da escola, alegres e tagarelas, pareciam felizes.

B – Nem todos os reis foram afortunados na guerra.  Alguns perderam tudo.

C – João tem muita sorte, ganhou um ursinho de pelúcia no sorteio da escola.

D – Lúcia é uma jovem afortunada: inteligente, atraente e tem muitas amigas.

LEITURA/ DITADO 

Em 1500, o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. N aquela época,  D. Manuel I, também chamado O Venturoso, era rei de Portugal.  Seu reinado foi repleto de muitos eventos felizes, de decisões acertadas e de várias aventuras marítimas bem realizadas.  Foi um período importante para Portugal, porque o país se tornou muito rico.  Dentre os eventos mais ditosos, mais felizes, de seu reinado estão: a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama e a descoberta do Brasil. Por isso esse rei ficou conhecido pelo cognome O Venturoso.

Cognome:  é um nome, um apelido, pelo qual pessoas ficam conhecidas.  Por exemplo:  

Edson Arantes do Nascimento, cognome: Pelé.

Diogo Álvares Correia, cognome: Caramuru.

13 – Escreva o nome completo e seu cognome de um mártir da Independência do Brasil.   

14 —  Onde vai um, lá vai o bando, /Cortando o azul na tarde bela./ Ordena um deles a partida/  Em busca de outros horizontes.  Nestes versos de Osório Duque parece que os periquitos têm um líder que os orienta.    Nem todos os pássaros voam em bandos e seguem um líder.  Faça um círculo em volta dos pássaros da lista abaixo que voam em grupos:

Águia, Beija-flor,  Arara, Martim-pescador,  Urubu, Pato, Albatroz, Sabiá, Flamingo, Cegonha, Assum-preto, Canário, Tucano, Maracanã.

15 – Onde dormem os periquitos?     Onde dormem…

Os macacos?

Os morcegos?

O gado na fazenda?

A jaguatirica?

E os alunos da escola?





Filhotes fofos: coala

25 11 2009

coala bebê

A mãe e o bebê coala foram vistos no Parque Mundo Selvagem, em Sydney, na Austrália.





Iceberg gigante na Costa da Austrália

25 11 2009

Um leão marinho descansa na praia, com Iceberg ao fundo.  Foto: AP

 

Cientistas da Divisão Australiana da Antártida divulgaram na terça-feira, 24 de novembro, novas imagens da passagem de icebergs pela Ilha Macquarie, 1,5 km a sudeste da Tasmânia, na Austrália.

As imagens, registradas no dia 16 de novembro, mostram um iceberg próximo da praia de Sandy Bay, na costa leste da ilha. Segundo os cientistas, é muito raro observar icebergs na região. Outras imagens já haviam sido divulgadas no dia 12 de novembro, na ocasião, os cientistas anunciaram que o iceberg tinha 500m de comprimento e estava a cerca de 8km da ilha de Macquarie.

 

Foto: AP

 

O investigador da Divisão Australiana da Antártida, Neal Young, afirmou que outros icebergs foram levados em direção ao norte pelas correntes oceânicas. No entanto, nunca tinham se aproximado tanto da ilha, onde as águas são mais quentes. Segundo os cientistas, as massas de gelo dos icebergs devem se romper e derreter rapidamente em sua ascensão ao norte.